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  1. Acima, Michelle e Flávio Bolsonaro. Abaixo: Rogéria e Carlos Bolsonaro Adriano Machado/Reuters, Evaristo Sá/AFP, Mateus Bonomi/Reuters e Reprodução O desentendimento entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, evidenciado pela publicação de um vídeo pela primeira-dama nas redes sociais, trouxe à tona um histórico de conflito familiar envolvendo o clã Bolsonaro. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No último episódio do podcast O Assunto, Bernardo Mello Franco, colunista do jornal "O Globo" e da rádio CBN, relembrou que não é a primeira vez que Jair Bolsonaro prioriza politicamente um dos filhos em detrimento da companheira. Em 2000, Jair Bolsonaro exercia seus primeiros mandatos como deputado federal pelo Rio de Janeiro e passava pelo processo de separação de Rogéria Bolsonaro, mãe de Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Rogéria era vereadora e disputava a reeleição para um terceiro mandato na Câmara Municipal do Rio. Em vez de apoiar a então esposa, Bolsonaro lançou Carlos, que tinha 17 anos, para disputar contra própria mãe. Carlos foi eleito e Rogéria não conseguiu se reeleger. "De certa forma, é a mesma coisa que está acontecendo agora, com a diferença de que Michelle nem mãe dos filhos de Jair Bolsonaro é. Do ponto de vista dos irmãos, parece que, desde o começo, já estava claro que ela seria preterida nessa disputa", afirmou Franco. Política em família Para analistas, o projeto político de Jair Bolsonaro sempre teve um caráter familiar, com os filhos Flávio, Carlos e Eduardo desde sempre sendo preparados para sucedê-lo no poder. Um dos episódios mais simbólicos dessa dinâmica ocorreu na posse presidencial de 2019, quando Carlos Bolsonaro acompanhou o casal presidencial, Jair e Michele, no desfile em carro aberto. O gesto reforçou a posição dos filhos como os principais herdeiros políticos do então presidente. No entanto, a ascensão de Michelle Bolsonaro como liderança dentro do bolsonarismo, especialmente após sua passagem pela Presidência, não fazia parte desse plano e acabou alimentando disputas internas por espaço. "A Michelle hoje é uma dirigente partidária. Ela comanda o PL Mulher e tem uma grande verba partidária para viajar pelo país e promover atos de filiação. De fato, ela trabalha não apenas para se eleger senadora pelo Distrito Federal, mas também para construir uma bancada própria, formada por mulheres e por mulheres evangélicas", afirma Bernardo Mello Franco; " Portanto, por trás de Michelle há um projeto político próprio, que disputa espaço com o projeto político dos filhos de seu marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro", disse. Posse de Jair foi sinal de relação tensa dentro da família O que você precisa saber: Michelle Bolsonaro posta vídeo e diz ter sido maltratada e humilhada por Flávio: 'Entendi que não queria meu apoio' Andréia Sadi: Crise entre Michelle e filhos de Jair Bolsonaro: veja cronologia do conflito com Flávio, Carlos e Eduardo Andréia Sadi: Aliados de Flávio Bolsonaro veem Michelle em campanha pelo comando do bolsonarismo Flávio Bolsonaro pede desculpas e diz que Michelle gravou vídeo após não retornar mensagem dele ANÁLISE: Michelle risca o chão, se apresenta como a Bolsonaro mais leal a Jair e detona Flávio Mallu Gaspar: Michelle avisou Jair Bolsonaro de que faria vídeo contra Flávio Libras, Estrela de Davi e honrarias: o cenário escolhido por Michelle Bolsonaro em vídeo que critica Flávio O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. O podcast O Assunto é produzido por: Luiz Felipe Silva, Sarah Resende, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Guilherme Gama. Apresentação: Natuza Nery.

  2. Freepik Um vírus entra pelo nariz. Uma bactéria atravessa um corte na pele. Em poucos segundos, o organismo já percebeu a invasão. É o início de uma cascata: células que reconhecem o invasor, outras que correm para destruí-lo ou neutralizá-lo, outras que aprendem a fabricar anticorpos específicos contra aquele inimigo. Como explica a infectologista Lilian Avilla, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, boa parte dos sintomas de uma doença não vem apenas do microrganismo invasor: vem, em parte, da própria resposta do corpo tentando combater o que ele reconhece como uma ameaça. Essa sequência se repete em qualquer pessoa, de qualquer idade. O que muda, de pessoa para pessoa, é a eficiência com que essa engrenagem é executada. Há três grupos em que esse mecanismo, por razões distintas, não opera em sua capacidade plena: crianças, idosos e imunossuprimidos. Não é que o sistema imunológico desses grupos esteja quebrado; ele funciona de um jeito diferente: incompleto, mais lento ou debilitado, dependendo do caso. É essa diferença que os torna mais vulneráveis a quase qualquer doença infecciosa, e que muda também a forma como reagem às vacinas. Agora no g1 Crianças, imunidade em aprendizado Um recém-nascido chega ao mundo com um empréstimo. Ainda na gestação, recebe anticorpos da mãe através da placenta; depois do parto, continua recebendo pelo leite materno. Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), descreve esse período inicial como uma fase em que o bebê depende inteiramente da imunidade transferida pela mãe, antes de conseguir produzir seus próprios anticorpos. É esse empréstimo que protege o bebê nos primeiros meses de vida, enquanto seu próprio sistema imunológico ainda não sabe produzir defesas. Por volta dos seis meses, o estoque emprestado começa a cair —e o corpo precisa assumir o trabalho sozinho, numa fase em que ainda não aprendeu a fazê-lo bem. Aprender é a palavra certa. O sistema imunológico de uma criança pequena se parece com alguém em um emprego novo: tem as ferramentas básicas, mas não tem repertório. Cada vírus, cada bactéria com que ela entra em contato funciona como uma aula sobre como aquele inimigo se comporta e qual estratégia de defesa funciona contra ele. bebê amamentando AdobeStock Com a repetição de exposições —sejam infecções, sejam vacinas—, o sistema acumula repertório, reconhece ameaças com mais velocidade, produz anticorpos mais específicos. Considera-se razoavelmente maduro entre os cinco e os seis anos de idade. Mas ele nunca termina: continua sendo remodelado ao longo de toda a infância e da adolescência. A fragilidade maior está concentrada nos primeiros doze meses, sobretudo nos primeiros seis. É por isso que o calendário vacinal infantil concentra tantas doses em tão pouco tempo: a vacina pentavalente, por exemplo, é aplicada aos dois, quatro e seis meses de vida, exatamente no período em que a produção própria de anticorpos ainda não é suficiente. A coqueluche ilustra bem o problema: é uma doença que pode evoluir mal em bebês pequenos, e a forma mais eficaz de protegê-los nesse início de vida é vacinar a gestante a partir da vigésima semana de gravidez. Mais um empréstimo, agora fabricado sob encomenda pelo sistema imunológico da mãe. O outro extremo da vida idosos Freepik No outro extremo da vida, a velhice, o problema não é falta de repertório: é desgaste. Chama-se imunossenescência o processo pelo qual o sistema imunológico perde eficiência com o tempo. Segundo Cunha, esse processo não começa de forma abrupta aos 60 anos: já está em curso muito antes disso, e vai ganhando peso progressivamente à medida que a idade avança. As respostas demoram mais para começar, organizam-se com mais lentidão, produzem menos anticorpos do que produziriam décadas antes. Microrganismos que um adulto jovem combateria sem maiores consequências podem, num idoso, evoluir para quadros graves: internação, cuidados intensivos, ventilação mecânica, morte. A imunossenescência raramente age sozinha. Combina-se com outros fatores que se acumulam com a idade: o estado nutricional, que tende a se deteriorar com doenças crônicas ou com o próprio envelhecimento; as comorbidades —doenças pulmonares, cardíacas, renais—, que se acumulam, muitas vezes mais de uma ao mesmo tempo, e tornam qualquer infecção respiratória um risco maior do que seria isoladamente. E um terceiro fator, menos discutido: a forma como o corpo manifesta os sintomas. Em pessoas idosas, sinais de infecção podem passar despercebidos, o que atrasa a busca por atendimento médico —e quanto mais avançado o quadro na chegada ao hospital, maior a chance de um desfecho desfavorável. Gripe, Covid-19 e pneumonia respondem por boa parte das hospitalizações e mortes em idosos porque essas três engrenagens —queda imunológica, comorbidades, atraso no diagnóstico— costumam girar juntas. Hábitos de vida interferem no ritmo desse declínio, mas não o impedem. É um processo esperado, parte do envelhecimento do corpo como um todo —não apenas do sistema imunológico. A mesma fragilidade física que limita a mobilidade de um idoso é, com frequência, a que compromete sua capacidade de se recuperar de uma infecção. Onde entram os imunossuprimidos? Freepik O terceiro grupo não tem relação direta com idade. São pessoas cujo sistema imunológico foi enfraquecido por uma doença, por um tratamento, ou pelos dois, e a lista de causas é longa e heterogênea. Pode ser alguém que recebeu um transplante de medula óssea ou de um órgão sólido, como rim ou pulmão, e que precisa tomar medicamentos para impedir que o próprio corpo rejeite o enxerto. Esses remédios, como efeito colateral inevitável, também reduzem a capacidade de reagir a vírus e bactérias. Pode ser alguém com uma doença autoimune, como o lúpus, em que o sistema de defesa ataca o próprio organismo e precisa ser contido com imunossupressores. Pode ser alguém com síndrome nefrótica, em que o comprometimento renal exige, da mesma forma, reduzir a resposta imune para tratar a doença de base. Há também quem nasça, e não adquira, essa fragilidade: os chamados erros inatos da imunidade, em que a pessoa já vem ao mundo sem produzir um determinado tipo de célula de defesa. Nos casos mais severos —bebês que não produzem nenhuma célula de defesa, nem contra vírus nem contra bactérias—, o tratamento costuma exigir um transplante de medula óssea ainda na primeira infância. E há o HIV, que mostra como uma mesma doença pode gerar graus muito diferentes de imunossupressão: em tratamento antirretroviral, uma pessoa vivendo com HIV pode manter a contagem de células de defesa praticamente normal; sem o mesmo controle, pode chegar a um grau grave de imunossupressão. Nem toda imunossupressão tem a mesma origem, mesmo dentro de uma única doença. Ana Paula Burian, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) no Espírito Santo e coordenadora do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) de Vitória, observa que, em alguns tipos de câncer, por exemplo, queda da imunidade não vem do tratamento, mas da própria doença. Numa leucemia, é o próprio câncer —instalado exatamente no tecido que produz as células de defesa— que já reduz a imunidade, antes mesmo de qualquer sessão de quimioterapia. Já no câncer de mama, o sistema imunológico costuma estar intacto no início: é o tratamento necessário para combater o tumor que, como efeito colateral, compromete temporariamente as defesas do corpo inteiro. Dois caminhos diferentes (um pela doença, outro pelo tratamento) chegando ao mesmo destino: um organismo com menos armas para reconhecer e neutralizar uma ameaça externa. Por que imunidade interfere até em vacinas? Essa fragilidade —seja qual for sua origem— também muda a forma como esse grupo reage a uma vacina. Isso porque uma vacina não age por um caminho separado: ela aciona a mesma engrenagem que entra em ação contra uma infecção real, só que de forma controlada, para que o corpo aprenda a reconhecer um inimigo antes de encontrá-lo de verdade. Se essa engrenagem já está com peças faltando, ela responde de forma mais fraca também à vacina — e o tipo de vacina passa a importar tanto quanto a própria decisão de vacinar. Já as vacinas de vírus ou bactérias vivos, mesmo atenuados, podem ser perigosas para quem tem um grau mais alto de imunossupressão: o próprio agente da vacina, enfraquecido mas vivo, pode encontrar um sistema de defesa incapaz de controlá-lo, e provocar a doença que deveria prevenir. Por isso, cada caso pede avaliação individual —idade, profissão, exposição, comorbidades associadas— antes de decidir qual vacina aplicar, em que dose e com que cuidado. Mesmo quando a resposta à vacina é parcial, ela continua valendo a pena. Para quem tem pouca capacidade de se defender de uma infecção, qualquer grau adicional de proteção pesa a favor —e o risco desse grupo de evoluir para quadros graves, como internação e óbito, torna qualquer ferramenta de prevenção relevante. Existe uma camada de proteção que não depende diretamente da pessoa imunossuprimida, mas de quem está à sua volta. Ana Paula Burian afirma que o ideal é vacinar todas as pessoas próximas a um paciente imunocomprometido, porque isso reduz a chance de exposição justamente para quem teria mais dificuldade de reagir a uma infecção. A mesma lógica vale, em outra escala, para os outros dois grupos: um recém-nascido depende da vacinação da gestante; um idoso depende de um ambiente em que doenças transmissíveis circulem menos. Proteger crianças, idosos e imunossuprimidos não é tarefa exclusiva de cada um deles. É, em parte, tarefa de quem está por perto —com o sistema imunológico funcionando em sua capacidade plena.

  3. Uma mulher com um leque perto da Torre Eiffel durante onda de calor em Paris, em 20 de junho de 2026 REUTERS/Sarah Meyssonnier A Europa atravessa nesta semana a sua segunda grande onda de calor em dois meses, e os recordes caem em série. Na última quinta-feira (25), ao menos 101 milhões de pessoas enfrentaram temperaturas acima de 35°C, e cerca de dois terços da população do continente ficaram acima dos 30°C. O Reino Unido registrou seu dia de junho mais quente já medido, 36,4°C. 🔴 A França colocou 54 departamentos em alerta vermelho e chegou a 44,3°C no sudoeste. Na Espanha, o litoral norte, normalmente ameno, bateu 43,7°C. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O continente se tornou uma espécie de termômetro do planeta. A Europa aquece cerca de duas vezes mais rápido que a média global, o que a transforma num laboratório involuntário de adaptação ao calor extremo. Segundo especialistas, as medidas adotadas ao longo de mais de duas décadas — desde a onda de calor de 2003, que matou mais de 70 mil pessoas, a maioria na França — ajudam a mostrar até onde a adaptação consegue proteger a população e em que ponto começa a falhar. Ao longo dessas duas décadas, países europeus ampliaram suas medidas de prevenção e resposta ao calor extremo, que passaram a ser adotadas também em outras regiões. Entre as principais medidas acionadas nas ondas de calor recentes estão, por exemplo: alertas por níveis de risco, que acionam protocolos de saúde e podem suspender aulas; restrições ao trabalho ao ar livre nos horários mais quentes; abertura de espaços climatizados ou arborizados, distribuição de água e instalação de pontos de névoa; acompanhamento de idosos e outros grupos vulneráveis por equipes de saúde; novas formas de comunicação, como nomear ondas de calor e criar gestores públicos dedicados ao tema. Mas para o epidemiologista Nelson Gouveia, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a peça mais eficaz desse conjunto não é o alerta meteorológico em si, mas o que vem depois dele. Ele afirma que a busca ativa e o monitoramento das populações vulneráveis fazem a maior diferença: países que instituíram visitas e ligações regulares a idosos isolados, doentes crônicos e pessoas em situação de rua durante o calor extremo registraram queda na mortalidade, assim como aqueles que garantiram acesso gratuito e capilarizado a espaços resfriados e à água. Ainda assim, segundo o pesquisador, que estuda os impactos das mudanças climáticas, temperaturas extremas e ondas de calor na saúde pública e na sociedade, essas ações têm um limite. "São respostas estritamente emergenciais de curto prazo, focadas na redução de danos imediata. Embora vitais para salvar vidas no dia do evento extremo, elas tratam o sintoma, não a causa da vulnerabilidade urbana." Onda de calor atinge vários países da Europa LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' A causa, no diagnóstico de Gouveia, é estrutural. Ele avalia que a Europa está bem preparada para gerenciar crises pontuais, mas despreparada para o que chama de novo normal. O tecido urbano do continente — feito de prédios históricos sem isolamento térmico moderno, projetados para reter o calor no inverno — teria se transformado numa armadilha, em que muitas vezes faz mais calor dentro de casa do que na rua. A isso se soma o fato de que apenas cerca de 20% dos lares europeus têm ar-condicionado, e a corrida por aparelhos alimenta, segundo o pesquisador, um ciclo vicioso: o uso massivo de climatização sobrecarrega a rede elétrica e devolve calor às ruas, intensificando o efeito de ilha de calor urbana. Nesta semana, o pico de ar-condicionado provocou apagões em Milão e Turim, na Itália, e fez a Bélgica ver o preço da eletricidade superar 1 euro por kWh no fim da tarde. Aparelho de ar-condicionado instalado na janela de um prédio residencial em Nantes, na França, durante a onda de calor que atinge grande parte do país nesta quinta-feira (25). Stephane Mahe/Reuters LEIA TAMBÉM: Onde está a Timmy? Libertação de baleia gera nova polêmica na Alemanha Por que Amsterdã proibiu qualquer propaganda de carne nas ruas ANTES e DEPOIS: imagem da Nasa mostra geleira na Antártida que recuou 25 km em tempo recorde Estudos de atribuição rápida estimam que a mudança climática causou cerca de 16,5 mil das 24,4 mil mortes ligadas ao calor no verão europeu de 2025, ou aproximadamente dois terços do total. Projeções de longo prazo apontam 2,3 milhões de mortes adicionais relacionadas à temperatura em centenas de cidades europeias até o fim do século, com a mortalidade tendendo a crescer mesmo onde a adaptação avança. No campo econômico, a seguradora Allianz calcula que as maiores economias do continente podem acumular perdas de US$ 638 bilhões até 2030 caso as ondas de calor sigam se intensificando. Também há um limite biológico para a capacidade do corpo de suportar temperaturas elevadas. O organismo se resfria principalmente pela evaporação do suor, mas esse mecanismo perde eficiência quando o ar está muito quente e úmido. Essa condição é medida pela chamada temperatura de bulbo úmido, indicador que combina calor e umidade. Segundo Gouveia, quando esse limite é ultrapassado, até pessoas jovens e saudáveis ficam expostas a riscos graves: Existe um limite biológico e termodinâmico inflexível. Mesmo um indivíduo jovem, saudável, hidratado e despido, descansando na sombra diante de um ventilador, entrará em hipertermia e falência múltipla de órgãos em poucas horas Homem tenta amenizar o calor em Colônia, no oeste da Alemanha. AFP Um alerta para o Brasil No Brasil, as ondas de calor já têm impacto relevante sobre a saúde, mas as medidas de prevenção e resposta ainda são limitadas. Um estudo inédito em escala nacional estima que cerca de 120 mil mortes entre 2000 e 2019 podem ser atribuídas a esses eventos. O levantamento também mostrou que idosos representam oito em cada dez vítimas e que pessoas mais pobres e com menor escolaridade estão entre as mais afetadas. Ao mesmo tempo, grande parte das cidades brasileiras ainda não dispõe de planos estruturados para enfrentar temperaturas extremas. Um levantamento feito pela presidência da COP30 em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com 53 municípios, mostrou que 66% ainda não começaram ou estão nas fases iniciais da elaboração dessas estratégias. Outros 75% não usam dados de forma estruturada, e 85% dependem de recursos externos para colocar as ações em prática. Algumas iniciativas já foram adotadas, mas ainda são pontuais. Em São Paulo (SP), a Operação Altas Temperaturas instala tendas de hidratação e atendimento para pessoas em situação de rua. No Rio de Janeiro (RJ), um protocolo criado em 2024 estabeleceu uma escala de calor de 1 a 5. O nível 4 foi registrado pela primeira vez em fevereiro de 2025. Mas segundo Gouveia, as medidas adotadas na Europa não podem ser simplesmente reproduzidas no Brasil sem considerar as diferenças sociais e urbanas entre os países. “No Brasil, o grande desafio é o que chamamos na epidemiologia de racismo ambiental ou injustiça climática. Enquanto bairros nobres desfrutam de microclimas amenos, as periferias e favelas enfrentam o extremo oposto”, afirma. Entre os principais problemas estão as condições precárias de moradia. Casas sem isolamento térmico, reboco ou ventilação adequada, muitas vezes cobertas por telhas de zinco ou fibrocimento, acumulam calor durante o dia e podem permanecer quentes até durante a noite. LEIA TAMBÉM: Imagem de satélite mostra calor extremo acima de 50ºC na França e na Espanha; VEJA Por que tantas pessoas estão morrendo afogadas em onda de calor na Europa? Onda de calor na Europa: mais uma criança é achada morta dentro de carro na França; Espanha registra mais de 200 mortos Tenda da 'Operação Altas Temperaturas', instalada na Praça da Republica, distribui agua e frutas para pessoas em situação de vulnerabilidade para amenizar o impacto do calor; Paulo Pinto/Agência Brasil Fora isso, a desigualdade econômica também limita o alcance de medidas como a interrupção do trabalho nos horários mais quentes. Trabalhadores informais, ambulantes, entregadores de aplicativo e profissionais da construção civil nem sempre conseguem suspender as atividades sem perder renda. Para as famílias de baixa renda, o custo da energia ainda dificulta o uso prolongado de ventiladores e torna o ar-condicionado inacessível. Outro fator é a distribuição desigual das áreas verdes. A falta de árvores, sombra e parques, principalmente nas periferias, aumenta a exposição ao calor. Além de bloquear parte da radiação solar, a vegetação ajuda a reduzir a temperatura por meio da evapotranspiração. Como o homem que plantou uma floresta no bairro pode inspirar você? Há também uma dificuldade de reconhecer as ondas de calor como desastres. A pesquisadora Renata Libonati, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), classifica esses eventos como um “desastre negligenciado”, já que não deixam o mesmo impacto visual de enchentes ou deslizamentos. Aliado a tudo isso, os efeitos sobre a saúde muitas vezes aparecem de forma indireta, com o agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais. Isso dificulta a identificação do calor como fator associado às mortes e contribui para que o problema receba menos atenção e recursos. E as projeções indicam que esses impactos devem aumentar nas próximas décadas. Um estudo liderado por Gouveia e publicado na revista científica "Environment International" estima que a proporção de mortes relacionadas ao calor na América Latina pode mais que dobrar entre 2045 e 2054, passando de 0,87% para 2,06% do total de óbitos. LEIA TAMBÉM: Sufocada por calor extremo, Paris proíbe consumo de álcool Mundo teve 4 grandes terremotos em poucas horas: tremores na Venezuela, no Japão e nos EUA têm alguma ligação? Onda de frio faz cinco capitais terem menor máxima de 2026; três batem recorde de mínima no ano Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil

  4. Olá! Confira o que foi destaque no g1 Zona da Mata nesta semana, com as notícias mais acessadas entre os dias 20 e 26 de junho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Tragédia com 4 mortes em Visconde do Rio Branco A semana foi marcada por uma tragédia na cidade de Visconde do Rio Branco. Na tarde da terça-feira, quatro pessoas morreram esfaqueadas durante uma série de ataques cometidos por Igor Moreira, de 31 anos, que saiu às ruas e esfaqueou algumas pessoas de forma aleatória. Conforme informações da Polícia Militar, apenas a professora Thais Ramos Gonçalves tinha relação com o agressor. Ela era companheira dele há cerca seis meses e foi a primeira vítima dos ataques. Outros mortos: Sidnei de Jesus Silva, de 31 anos: trabalhava com serviços gerais. O autor gritou o nome dele na porta de casa e forçou a entrada. A companheira da vítima relatou à polícia que não sabe se havia qualquer relação entre eles. Alexandre José Ribeiro, de 45 anos: foi atacado enquanto trabalhava em uma obra na Travessa Heitor Villa-Lobos. Ele não tinha relação com o agressor. Sérgio Adriane dos Santos, de 55 anos: lavador de carros, foi esfaqueado em um bar depois que o agressor anunciou um assalto. Ele também não conhecia o autor. Uma quinta vítima, um homem de 34 anos, vizinho do agressor, sobreviveu ao ataque após entrar em luta corporal com Igor. Igor Moreira morreu baleado em confronto com a Polícia Militar durante a tentativa de prisão no bairro Santa Clara. Homem que matou 4 entrou em mercado em busca de energético em Visconde do Rio Branco Câmeras de monitoramento registraram a série de crimes cometidos por ele, que também roubou um supermercado e um posto de combustíveis. Em um dos vídeos é possível ver Igor entrando no mercado em busca de dinheiro e energético. Assista acima. O caso é investigado pela Polícia Civil. Há suspeita de surto psicótico ou uso de entorpecentes. Médico morre a caminho de plantão Um acidente na MG-353, em Rio Novo, tirou a vida do médico Gustavo Petronilho Clímaco, de 41 anos que morreu em acidente na última sexta-feira (19), a caminhão de um plantão no hospital de Guarani. Formado em 2017 pela Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), em Juiz de Fora, ele trabalhava como clínico geral em cidades da região, como Tabuleiro, Guarani e Santos Dumont. Gustavo Petronilho Clímaco morreu a caminho de plantão na MG-353 Reprodução/Redes Sociais De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), o médico perdeu o controle da direção em uma curva e bateu contra uma árvore. Com o impacto, o carro rodou na rodovia e atingiu uma segunda árvore no acostamento do lado oposto. Equipes do Samu prestaram os primeiros socorros, mas a morte dele foi confirmada ainda no local. Trecho da BR-040 entre Juiz de Fora e Belo Horizonte EPR Via Mineira/Divulgação Indenização por má conservação da BR-040 Um motorista que teve o carro danificado após bater em uma recapagem de pneu de caminhão na BR-040, em Juiz de Fora, vai receber R$ 19,5 mil de indenização da concessionária que administrava a rodovia. A decisão é da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e cabe recurso. O caso aconteceu no km 808 da rodovia. O impacto com o pedaço de pneu na pista quebrou o para-choque, empenou o capô e estragou o radiador do carro. O motorista precisou parar no acostamento após um problema no veículo e tentou acionar a concessionária responsável pelo trecho, mas não foi atendido. A empresa também se recusou a arcar com os custos do conserto, o que levou o homem a entrar na Justiça. Em primeira instância, ele conseguiu o ressarcimento dos danos materiais. No entanto, ao recorrer, a Justiça reconheceu também o dano moral, entendendo que houve descaso e que a concessionária falhou na obrigação de garantir a segurança da via. Também teve isto 👀 Com bolsa de R$ 1,6 mil, MRS oferece curso gratuito de auxiliar de maquinista e manobrador em Juiz de Fora Mulher morre após carro bater em animal solto na BR-265 Minas Gerais tem a pior segurança rodoviária do Sudeste e baixa proteção em 3 a cada 10 km de estrada, aponta CNT VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

  5. Vai ter folga nos jogos do Brasil? O que diz a lei trabalhista Com a classificação em primeiro lugar no Grupo C da Copa do Mundo de 2026, a Seleção Brasileira avança para o mata-mata e isso já começa a mexer com a rotina de quem trabalha em horário comercial. Se chegar até a final, o time comandado por Carlo Ancelotti vai disputar cinco jogos até a decisão do título. Desses, quatro estão marcados para dias úteis. ⚽ Veja abaixo o caminho do Brasil até a final: 16 avos de final: 29 de junho (segunda-feira), às 14h Oitavas de final: 5 de julho (domingo), às 17h Quartas de final: 11 de julho (sábado), às 18h Semifinal: 15 de julho (quarta-feira), às 16h Final: 19 de julho (sábado), às 18h 🔍 Sábado é considerado dia útil tanto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943, quanto pela Constituição Federal de 1988. A estreia na fase eliminatória acontece nesta segunda-feira (29), às 14h. E isso reacende um cenário bem conhecido no Brasil durante a Copa: empresas que reorganizam escalas, ajustam o expediente e, em muitos casos, liberam os funcionários para acompanhar os jogos. Apesar de a flexibilização da jornada ser comum durante a Copa, as empresas não são obrigadas por lei a liberar os funcionários em dias de jogo. Por isso, muitos trabalhadores ficam em dúvida sobre como agir e temem ser surpreendidos por descontos no salário, necessidade de compensar horas ou até punições. ➡️ Para ajudar no planejamento, o g1 conversou com advogados trabalhistas, que explicam como a legislação trata situações de liberação, acordos e faltas relacionadas à Copa. Folga ou não? O ponto de partida é direto: dia de jogo da seleção não é feriado. A legislação não prevê nenhuma exceção específica para a Copa do Mundo, e a jornada regular de trabalho continua valendo. Ou seja, por lei, o expediente segue normalmente, independentemente do jogo, do horário ou da fase da competição. A liberação de funcionários, quando ocorre, depende exclusivamente da decisão da empresa. Empresas como a startup GetNinjas, em São Paulo, enfeitou o ambiente de trabalho para a Copa do Mundo e permitirá que funcionários assistam aos jogos em casa ou no próprio escritório Marcelo Brandt/G1 Muitos empregadores têm o costume de liberar a equipe durante os jogos, reduzir a jornada ou permitir que os funcionários assistam à partida no próprio ambiente de trabalho. Outras empresas mantêm o funcionamento normal e tratam o jogo como qualquer outra atividade externa ao expediente. Quando a empresa decide liberar os funcionários sem desconto, a folga é considerada remunerada. Essa é uma prática comum em anos de Copa e pode ser adotada sem necessidade de acordo coletivo, desde que o empregador deixe clara a regra. Em muitos casos, o expediente é suspenso por algumas horas e volta após a partida, o que exige organização interna para evitar prejuízos no atendimento ou no fluxo de trabalho. O advogado Marcel Zangiácomo, sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, explica que a compensação pode ser exigida quando a empresa opta pela liberação parcial ou total em horário de expediente. A compensação precisa ser combinada e respeitar os limites diários de jornada. Isso significa que o funcionário não pode ser obrigado a trabalhar além do permitido em lei, mesmo que a reposição seja consequência dos jogos da Copa. Zangiácomo reforça que a compensação “não pode ultrapassar duas horas extras por dia” e que o acordo “precisa ser claro para evitar que o trabalhador seja surpreendido depois”. Segundo ele, é possível compensar em até um ano, desde que feito o tipo correto de acordo — individual verbal, individual escrito ou coletivo, respectivamente. Já a falta injustificada em dias de jogo continua sendo considerada uma ausência comum. O trabalhador pode sofrer desconto das horas e perder o descanso semanal remunerado. Advertências ou suspensões podem ocorrer em caso de reincidência, mas os especialistas reforçam que faltar apenas para assistir a uma partida, sem avisar ou negociar antes, não configura motivo para justa causa. O argentino Gustavo Gagliano , 19 anos, trabalha como barbeiro em Copacabana Marcos Serra Lima/g1 Para quem trabalha em regime de escala ou atua em setores essenciais — como saúde, transporte, segurança e serviços de atendimento ao público — o esquema é ainda mais rígido. Segundo Zangiácomo, os setores com operação ininterrupta enfrentam ainda mais limites, porque “a empresa não pode comprometer atividades essenciais por causa da Copa”, o que exige planejamento prévio e diálogo para minimizar impactos. Nessas situações, acordos individuais são mais comuns. Supervisores avaliam as condições operacionais e decidem caso a caso, o que torna fundamental que o trabalhador se antecipe e converse com antecedência. Zangiácomo também alerta que assistir ao jogo sem autorização, mesmo dentro do local de trabalho, pode ser interpretado como indisciplina. “Se a empresa determinou que não haverá pausa, o empregado precisa cumprir a orientação. Caso contrário, pode sofrer advertência e até suspensão”, afirma. Os advogados destacam ainda que, em qualquer cenário, o diálogo é a melhor estratégia. A falta de uma regra única obriga empresas e funcionários a negociarem soluções práticas, evitando surpresas e conflitos. Documentar essas decisões ajuda a garantir segurança para as duas partes. Seleção brasileira vence amistoso contra Senegal Isabel Infantes/Reuters

  6. Príncipe Andrew: de 'filho preferido' da rainha a vergonha da família real Já imaginou o que faria com R$ 898,28 milhões por ano? Esse foi o valor destinado à monarquia britânica no ano fiscal de 2025-26, segundo o relatório financeiro da Sovereign Grant. Considerando a cotação da libra a R$ 6,80, a subvenção pública somou £ 132,1 milhões. Os recursos foram usados para custear as atividades oficiais da Casa Real e a reforma do Palácio de Buckingham. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Do total, £ 72,1 milhões (R$ 490,3 milhões) foram destinados às despesas regulares da Royal Household, enquanto £ 60 milhões (R$ 408 milhões) financiaram o programa de modernização do Palácio de Buckingham. O relatório informa que o aumento temporário da subvenção foi aprovado para viabilizar a reforma do palácio, considerada urgente devido às condições da infraestrutura elétrica, hidráulica e de aquecimento. Segundo o documento, esses sistemas não passavam por uma modernização completa desde o período posterior à Segunda Guerra Mundial, o que aumentava o risco de falhas graves, como incêndios e inundações. Palácios concentram a maior parte dos gastos Rei Charles III faz tradicional discurso no Parlamento em meio à crise no governo britânico Jornal Nacional/ Reprodução Os gastos com propriedades e manutenção representaram a maior despesa do período. Segundo o relatório, foram desembolsados £ 67,5 milhões (R$ 459 milhões). Desse total, £ 28,2 milhões (R$ 191,76 milhões) correspondem à manutenção e conservação dos palácios ocupados pela família real, enquanto £ 39,3 milhões (R$ 267,4 milhões) foram destinados ao programa de reforma de Buckingham. O projeto recebeu aprovação inicial de £ 369 milhões (R$ 2,5 bilhões) e, de acordo com o documento, terá seu último aporte de recursos em 2026-27. A folha de pagamento da Casa Real somou £ 37 milhões (R$ 251,6 milhões) no exercício. Desse total, £ 33,7 milhões (R$ 191,76 milhões) foram destinados a salários, e £ 3,3 milhões (R$ 22,44 milhões) a outros custos relacionados aos funcionários. O relatório informa que a Royal Household empregou, em média, 563 funcionários em tempo integral durante o período. Já as viagens oficiais do rei e de outros membros da família real que exercem funções institucionais custaram £ 3,3 milhões.

  7. Conheça a rota migratória de cubanos que passa por Roraima Em meio à falta de energia, combustível e até alimentos em Cuba, cidadãos da ilha no Caribe deixam o país em busca de refúgio no Brasil. A principal rota migratória passa pela Guiana e segue até Roraima, ao norte do país. Neste caminho, os cubanos são aliciados e explorados financeiramente por coiotes. 📊 Em apenas uma semana, no começo deste mês, 189 cubanos foram resgatados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), número quase duas vezes maior que a soma dos flagrantes dos dois últimos anos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Ao longo do percurso da Guiana ao Brasil, eles cruzam a fronteira entre os dois países em botes, atravessam áreas de mata, enfrentam fome e desidratação, separação de familiares, riscos e exploração financeira. Eles pagam até US$ 10 mil dólares pela viagem clandestina até Boa Vista - mesmo com a possibilidade de pedir refúgio de forma legal e gratuita. 🔍 No contexto da migração, "coiote" é o nome dado a pessoas ou grupos que cobram para facilitar a entrada irregular de migrantes em outro país. Cubanos saem de Havana, em Cuba, até a Guiana. Para chegar ao Brasil, atravessam fronteiras em botes e cruzam áreas de mata Arquivo O resgate crescente de cubanos vítimas de coiotes no Estado acompanha a estatística divulgada nesta semana pelo Ministério da Justiça. Pela primeira vez em uma década, os pedidos de refúgio feitos por cubanos em Roraima superaram os de venezuelanos (veja os dados no infográfico abaixo). No entanto, o aumento do fluxo expõe a ausência de uma estrutura organizada pelo governo brasileiro para acolhimento, como existe para os venezuelanos. Para sair de Cuba, o g1 apurou que os cubanos partem de Havana, capital do país, para Georgetown, capital da Guiana. Depois, seguem até Lethem, na fronteira com o Brasil, e fazem em botes a travessia irregular até Bonfim. (confira o trajeto abaixo) A desinformação das vítimas é explorada, sendo um dos pilares do esquema dos coiotes, segundo o agente da PRF, Isaías Magalhães. Ele participou da maioria dos resgates de cubanos em Roraima. "Espalham informações falsas, fazem ameaças e convencem essas pessoas de que precisam realizar uma travessia clandestina", diz. Ainda segundo a polícia, o aumento dos resgates destas vítimas de coiotes reflete a combinação entre o aumento da migração cubana e o reforço das fiscalizações na BR-401. Veja a rota percorrida pelos cubanos rumo ao Brasil Arte/g1 'Nos abandonaram' Um dos cubanos que recorreu aos coiotes e fez esse trajeto até o Brasil foi Ávila Basulto, de 28 anos. Ele está entre os 189 resgatados entre 8 e 11 de junho. O jovem disse que deixou o país de origem porque, segundo ele, lá 'não há liberdade'. Como muitos outros migrantes, chegou a Roraima apenas com uma mala pequena e teve que pagar US$ 300 (cerca de R$ 1,5 mil) para sair de Lethem e chegar a Boa Vista, mas foi abandonado na estrada. "Depois que cruzamos o rio, os responsáveis pela viagem nos dividiram em pequenos grupos e nos colocaram em táxis. Os motoristas fugiam da polícia e, em determinado momento, nos abandonaram", relatou. Basulto conta que não sabia que poderia solicitar refúgio gratuitamente à Polícia Federal, sem precisar recorrer aos coiotes. Ponte dos Macuxis é cruzada a pé por cubanos que são abandonados por coiotes pelo caminho Fabrício Araújo/G1 RR Embora a migração de cubanos seja possível de forma legal no Brasil, muitos cubanos entram de forma irregular por serem enganados por coiotes. Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) cita que cubanos pagam até US$ 10 mil, o equivalente a mais de R$ 50 mil pelo trajeto. O professor e pesquisador de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), João Carlos Jarochinski, avalia que as restrições migratórias em Cuba favorecem a atuação dos coiotes. "Se compararmos uma viagem regular com uma organizada por coiotes, o custo da travessia irregular costuma ser muito maior. Mesmo assim, essas pessoas conseguem vender esse serviço porque os migrantes têm medo de chegar ao destino e não conseguir entrar no país". Enquanto em Pacaraima, na principal porta de entrada dos venezuelanos no Brasil, há uma estrutura de atendimento a menos de um quilômetro da fronteira para orientar e regularizar a situação migratória, em Bonfim a entrada dos cubanos é exposta à atuação dos coiotes. "O Brasil sabe que esse fluxo migratório existe, porque essas pessoas procuram regularização em Boa Vista. No entanto, não há uma estrutura de atendimento mais efetiva", criticou o pesquisador. 108 cubanos são resgatados em 1 dia na maior operação contra coiotes na fronteira Vistos de meio milhão e regras mais duras: Trump age para reduzir também imigração legal A história por trás dos números: como é a jornada dos venezuelanos acolhidos na fronteira Migrantes cubanos vítimas de coiotes em Roraima PRF/Divulgação 🛬Rota pela Guiana 🚐 ⚠️ Em 2026, a PRF resgatou 225 cubanos vítimas dos coiotes em Roraima. O número é mais que o dobro do total registrado em 2024 e 2025, que somam 97 resgates, segundo levantamento da corporação, responsável pela maior parte das ocorrências. O agente da PRF Isaías Magalhães avalia que Roraima vive uma nova fase migratória. Desde 2015, o estado se tornou a principal porta de entrada de venezuelanos no Brasil. Agora, o aumento da chegada de cubanos pela fronteira com a Guiana desenha uma nova dinâmica migratória. "Já vimos isso na fronteira com a Venezuela, um fluxo que continua acontecendo até hoje. Agora, também observamos um novo movimento migratório na fronteira com a Guiana [por Bonfim]", resumiu. Não há dados públicos que indiquem quantos cubanos permanecem no Brasil após entrar pela fronteira de Roraima. Segundo a Abin, até 2024 o estado era utilizado principalmente como rota de trânsito para o Sul e Sudeste do país, além de Uruguai e Chile. Muitos também tinham os EUA como destino final. O aumento dos pedidos de refúgio de cubanos no Brasil coincide com a política mais restritiva do governo de Donald Trump. Infográfico mostra que cubanos assumiram protagonismo nos pedidos de refúgio no Brasil em 2025 Arte/g1 🔴 Segundo o governo federal, os pedidos de refúgio não correspondem, necessariamente, ao número de novas chegadas ao país em 2025. Isso porque parte das solicitações pode ter sido feita por cidadãos que ingressaram no Brasil em anos anteriores, mas só formalizaram o pedido de refúgio no ano passado. 🛶Rio, 🌳mata e 💀riscos Migrantes ouvidos pelo g1 relataram que, para sair de Cuba, precisam comprovar às autoridades locais que retornarão ao país. Normalmente, essa exigência é cumprida com a apresentação de uma passagem aérea de volta durante o embarque. Na Guiana, eles podem permanecer legalmente por até 30 dias como turistas. O pesquisador Jarochinski afirma que diversas nações próximas à Cuba, como os Estados Unidos, adotaram restrições à entrada dessa população. Diante disso, muitos buscam o que ele chama de "destinos possíveis", como a Guiana. No entanto, mesmo na Guiana, também há restrição de circulação. O g1 apurou que de Georgetown, os estrangeiros não podem seguir até as regiões de fronteira sem autorização do governo local. É a partir daí que os coiotes agem e levam os migrantes até Lethem. Os coiotes levam os migrantes até Lethem, cidade guianense que faz fronteira com o Brasil. Nalu Cardoso/g1 RR Lethem é a única cidade da Guiana que faz fronteira com o Brasil. O inglês é o idioma oficial. No comércio, as moedas mais utilizadas são o dólar guianense e o americano. A cidade é separada de Roraima apenas pelo rio Tacutu. Para entrar regularmente no Brasil, viajantes que saem de Lethem, na Guiana, cruzam a ponte sobre o rio. Em seguida, passam pelos postos de fiscalização da Polícia Federal e da Receita, já em território brasileiro. Na travessia irregular, o percurso é outro. Como a fronteira fecha das 19h às 7h, os coiotes costumam aproveitar a madrugada para transportar os migrantes pelo rio Tacutu. Segundo relatos de cubanos ao g1, as travessias geralmente começam por volta das 23h ou meia-noite. Antes de chegar ao rio, eles seguem por rotas alternativas em áreas de mata no lado guianense. A travessia é feita em botes ou pequenas embarcações e custa cerca de US$ 180 (R$ 920) por pessoa. Ao chegarem a Bonfim, os grupos são divididos em carros superlotados. Veículos com capacidade para cinco ocupantes transportam entre dez e 15 migrantes em alta velocidade. "Foi a pior experiência da minha vida., relatou Evelio Vázquez, de 45 anos, um cubano que criou informalmente uma associação para apoiar os conterrâneos em Boa Vista. Rio Tacutu divide Lethem, na Guiana, e Bonfim, em Roraima. Migrantes aliciados por coiotes cruzam rio de bote à noite Vinícius Assis/Rede Amazônica O mecânico Thomas Joel Franco contou que passou cinco dias praticamente sem comer nem dormir durante a viagem entre Georgetown e o Brasil. "Tomava muito pouca água e comia bolacha para conseguir seguir caminhando, passando por poças d'água, rios e todo tipo de lugar", disse. Quando são resgatados pela PRF, muitos migrantes apresentam sinais de desnutrição, desidratação, doenças respiratórias e forte abalo físico e emocional - alguns após semanas de viagem. Entre eles, há idosos, mulheres grávidas e crianças. Cuba enfrenta uma crise econômica e energética que se agravou nos últimos anos. A escassez de energia compromete o funcionamento de hospitais, provocou o fechamento de escolas e repartições públicas e afeta o turismo. "O objetivo de quase todo jovem é conseguir sair do país. Você passa até 36 horas sem energia para ter apenas duas horas de luz. Não é uma vida que eu desejaria para ninguém", explicou Eliezer Pantoja, de 23 anos, que vive em Roraima há 4 meses. Ávila Basulto e Eliezer Pantoja, cubanos que vivem em Roraima Arquivo Os cubanos vêm sofrendo há meses com apagões extensos — alguns deles em escala nacional, que podem durar cerca de dois dias e deixam a população mais vulnerável, sem internet e acesso à informação. O país é uma ilha e não possui fronteiras terrestres. Sem acolhida, fluxo cresce sem amparo Em Pacaraima, o processo de migração de venezuelanos é conduzido pela Operação Acolhida, a força-tarefa do Exército criada em 2018 pelo governo federal, com apoio de organizações internacionais, sendo responsável pelo acolhimento e interiorização de venezuelanos no Brasil. Em Bonfim, não há nenhum tipo de estrutura com essa finalidade. Após serem resgatados, os cubanos são encaminhados à sede da PF em Boa Vista. Lá, passam por identificação e são multados em R$ 100 por entrada irregular no país. Em seguida, são liberados para permanecer no Brasil ou seguir viagem para outro destino. Uma força-tarefa, que inclui o Exército Brasileiro, trabalha na acolhida e regularização de venezuelanos em Pacaraima (RR) Fábio Tito/g1 Além disso, na capital Boa Vista funciona o Posto de Recepção, Identificação e Triagem (Pritg), espaço operado pela Operação Acolhida para a regularização migratória de venezuelanos. Atualmente, a estrutura também passou a receber cubanos em busca de atendimento e orientação. Evelio avalia que a demanda em Bonfim justifica a criação de um espaço para atender os migrantes cubanos. "Precisamos fortalecer nossas organizações para mostrar nossas necessidades e nossa vontade de contribuir com a sociedade brasileira". Em Roraima há cinco meses, ele criou um grupo no WhatsApp onde compartilha o que aprendeu sobre a migração ao Brasil. "Foi muito frustrante perceber que eu havia sido induzido pelo medo", afirma. Hoje, o grupo reúne mais de 380 cubanos, entre interessados em migrar para o Brasil e os que já estão no país. "Os coiotes dizem que o cubano não pode entrar legalmente no Brasil, que será preso ou deportado. Como chegamos sem conhecer a legislação, acreditamos nessas informações., afirmou Evelio, que tenta com a iniciativa do grupo online combater a desinformação. O que diz o governo O governo federal informou que os migrantes cubanos que chegam ao Brasil têm acesso às políticas públicas voltadas à promoção de direitos e à integração social. O g1 questionou o governo federal sobre a adoção de medidas para ampliar a assistência aos migrantes e aguardava retorno até a publicação desta reportagem. Desde o início deste mês, cerca de 60 cubanos - correspondente a 27% dos 225 migrantes cubanos resgatados neste ano - em situação de vulnerabilidade procuraram atendimento no Alojamento de Trânsito da Assistência Social, em Roraima. O governo da Guiana também foi procurado, por meio do consulado no Brasil, e foi questionado sobre a atuação e repreensão à atuação de coiotes em Lethem. O g1 não obteve retorno. Fronteira do Brasil e Guiana. Nalu Cardoso/g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

  8. Cubanos lideram pedidos de refúgio no Brasil "Você passa até 36 horas sem energia para ter apenas duas horas de luz". A declaração do cubano Eliezer Pantoja, de 23 anos, que vive em Roraima há 4 meses, explica porque é cada vez maior o número de cubanos que cruzam a fronteira do Brasil com a Guiana em busca de uma vida melhor. A ilha no Caribe, de onde eles vêm, enfrenta há décadas uma crise econômica e energética. Antes de chegar aqui, no entanto, a jornada dos cubanos é marcada por medo, fome, abandono e, principalmente, exploração financeira. Embalados por uma mistura de esperança e desinformação, os migrantes são enganados por coiotes e gastam, muitas vezes, dinheiro de uma vida inteira para cruzar a fronteira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 🛂 Há rotas e mecanismos legais para que estrangeiros entrem em território brasileiro e solicitem, gratuitamente, refúgio. O desconhecimento desta informação é eixo central de um esquema que lucra às custas de fake news. A principal rota clandestina explorada pelos coiotes é que separa Lethem, na Guiana, de Bonfim, em Roraima - de Cuba a Guiana, os migrantes viajam de avião. As duas cidades na fronteira são separadas pelo Rio Tacutu, que é cruzado durante as noites e madrugadas a bordo de botes. Ávila Basulto, Evelio Vázquez, Thomas Joel e Eliezer Pantoja, cubanos que vivem em Roraima Arquivo Um dos aliciados foi Evelio Vázquez, de 45 anos, um cubano que criou informalmente uma associação para apoiar os conterrâneos que chegam a Boa Vista, em Roraima. Evelio lembra como chegou ao 'serviço' dos coites para adentrar o Brasil e como o sistema lucra com o desespero e a necessidade das pessoas. Nós não procuramos os coiotes. Eles nos encontram. Dizem que o cubano não pode entrar legalmente no Brasil, que será preso ou deportado. Como chegamos sem conhecer a legislação, acreditamos nessas informações", disse. E foi ele quem classificou a jornada na companhia dos coiotes como 'a pior experiência vida'. Evelio fez o percurso acompanhado do filho mais velho, que é epiléptico e precisa se alimentar a cada quatro horas, além dos dois filhos menores, que têm autismo, e a esposa. "Meu filho foi colocado em outro veículo. Aquilo foi desesperador". 'Não conseguem ligar a luz, não têm o que comer': Trump volta a criticar Cuba Cuba diz que diesel e combustível acabaram Escassez de alimentos atormenta famílias cubanas: 'O que darei a meu filho?' Cubanos superaram venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil em 2025 O recém-chegado ao Brasil, Ávila Basulto, de 28 anos foi resgatado no começo deste mês em uma ação da Polícia Rodoviária Federal para coibir a ação dos coites. Ele foi um dos 189 cubanos resgatados entre 8 e 11 de junho. O jovem disse que deixou o país de origem porque, segundo ele, lá 'não há liberdade'. Como muitos outros migrantes, chegou a Roraima apenas com uma mala pequena e teve que pagar US$ 300 (cerca de R$ 1,5 mil) para sair de Lethem e chegar a Boa Vista, mas foi abandonado na estrada. "Depois que cruzamos o rio, os responsáveis pela viagem nos dividiram em pequenos grupos e nos colocaram em táxis. Os motoristas fugiam da polícia e, em determinado momento, nos abandonaram", relatou. Basulto conta que não sabia que poderia solicitar refúgio gratuitamente à Polícia Federal, sem precisar recorrer aos coiotes. "Tivemos que caminhar cerca de 15 ou 20 quilômetros. Foi muito difícil. Estou muito cansado", disse. O mecânico cubano Thomas Joel Franco explicou que passou cinco dias praticamente sem comer nem dormir durante a viagem entre a Guiana e o Brasil. "Tomava muito pouca água e comia bolacha para conseguir seguir caminhando, passando por poças d'água, rios e todo tipo de lugar", disse. Quando são resgatados pela PRF, muitos migrantes apresentam sinais de desnutrição, desidratação, doenças respiratórias e forte abalo físico e emocional - alguns após semanas de viagem. Rio Tacutu divide Lethen, na Guiana, e Bonfim, em Roraima. Vinícius Assis/Rede Amazônica Apesar dos riscos, incluindo o de morrer na arriscada travessia, todas as narrativas encontradas pelo g1 têm um ponto em comum: a dificuldade de viver em Cuba. O médico Rodolfo Canet, de 28 anos, disse que a remuneração que recebia lá não era suficiente para garantir o básico. "Meu salário como médico equivalia ao preço de um litro de gasolina", relatou. Hoje, ele vive na cidade de Curitiba e trabalha como repositor em uma loja de variedades. 💵 Como é a viagem e como os cubanos financiam Segundo relatos de migrantes ao g1, os coiotes cobram em dólar e os preços variam de acordo com o percurso. Para arcar com os custos, há quem venda bens acumulados ao longo da vida por valores muito abaixo do mercado. Veja a rota percorrida pelos cubanos rumo ao Brasil Arte/g1 Os pais do cubano Evelio, por exemplo, venderam a casa da família por apenas 5% do valor real do imóvel para financiar a viagem. "Meu pai e minha mãe eram profissionais e o único patrimônio que tinham era essa casa. Eles venderam tudo para que eu pudesse vir para o Brasil, contou. A passagem aérea de Havana para Georgetown, na Guiana, custa cerca de US$ 1,5 mil (R$ 7,6 mil) para adultos e US$ 1,1 mil (R$ 5,6 mil) para crianças. A aquisição deve ser feita pela 'agência' dos coiotes. A partir da chegada à Guiana, os coiotes passam a cobrar pelos deslocamentos. Entre Georgetown e Lethem, os cubanos pagam entre US$ 350 (R$ 1,7 mil) e US$ 500 (R$ 2,5 mil) por pessoa. Para os guianeses, porém, o mesmo trajeto custa cerca de US$ 80 (R$ 400). O g1 esteve em Lethem e apurou que o transporte até Bonfim custa cerca de R$ 100 para brasileiros. Os cubanos, no entanto, relataram pagar até US$ 450 (R$ 2,2 mil) pelo mesmo serviço. Há ainda os chamados "pacotes completos", oferecidos pelos coiotes para organizar toda a viagem a partir da Guiana. Nesses casos, os valores variam entre US$ 2,8 mil (R$ 14,2 mil) e US$ 10 mil (R$ 50,8 mil), incluindo o transporte até Boa Vista, outras capitais brasileiras, como Florianópolis e Curitiba, e até destinos em países vizinhos, como o Uruguai. Passaportes dos cubanos que estavam com os coiotes' e foram resgatados pela polícia neste mês em Roraima PRF/Divulgação Quem pode migrar❓ Para sair de Cuba, onde o controle dos cidadãos é mais rígido, os cidadãos precisam comprovar às autoridades locais que retornarão ao país. Normalmente, essa exigência é cumprida com a apresentação de uma passagem aérea de volta durante o embarque. Na chegada à Guiana, eles podem permanecer legalmente por até 30 dias como turistas. Essa rota de migração ao Brasil não costuma despertar suspeita porque é comum que cubanos viajem à Guiana, sobretudo para trabalhar, além de ser um dos poucos países da região que permite a entrada deles como turistas. Atualmente, não há voos comerciais diretos entre Brasil e Cuba. Quem viaja entre os dois países precisa fazer pelo menos uma conexão e, o destino mais comum da conexão para quem quer procurar refúgio, é a Guiana. Para vir ao Brasil legalmente, os cubanos devem solicitar um visto ainda em Cuba - ele é concedido, normalmente, para estadias de curta duração. No entanto, para quem foge do país em condições de vulnerabilidade e não consegue obter documentação regular, é possível solicitar refúgio gratuitamente à PF. Apesar da aparente facilidade no processo, a fronteira por onde os cubanos chegam ao Brasil não conta com uma estrutura de acolhimento, o que deixa os migrantes vulneráveis à ação de criminosos. "Os migrantes [cubanos] são vítimas; não são considerados criminosos. Eles devem receber atendimento humanizado", defendeu o delegado da PF, Adolpho Pereira, que atua na Delegacia de Imigração em Roraima. Infográfico mostra que cubanos assumiram protagonismo nos pedidos de refúgio no Brasil em 2025 Arte/g1 Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

  9. Hotel milionário no Ceará perde marca do Hard Rock após anos de atraso e processos Uma obra milionária de um hotel no Ceará acumula mais de cinco anos de atraso e agora perdeu até o nome. Em maio, a empresa Hard Rock Brazil conseguiu na Justiça proibir o uso de sua marca pela incorporadora HRH Fortaleza/Residence Club — e ganhou. A decisão foi mais um revés no projeto luxuoso, anunciado a um custo de R$ 170 milhões, mas cujo valor real, segundo os responsáveis, ultrapassa R$ 275 milhões. O empreendimento, que deveria ter sido entregue em 2020, virou alvo de uma enxurrada de processos de clientes insatisfeitos e está sob investigação do Programa Estadual de Defesa do Consumidor do Ceará (Decon). Um levantamento do Decon, de julho de 2025, mostrou mais 1.100 processos relacionados ao caso somente no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Desde fevereiro de 2025, a incorporadora está proibida de vender novas unidades do projeto e perdeu o nome que impulsionou suas vendas desde o lançamento: Residence Club at The Hard Rock Hotel Fortaleza. O projeto segue no limbo — sem prazo, sem marca e com cada vez mais clientes na Justiça. Em documentos recentes obtidos pelo g1, a empresa fala em uma entrega em etapas, com prazos variando de 2028 a 2034. Complexo terá que retirar símbolos da marca Hard Rock de hotel na Praia da Lagoinha, em Paraipaba (CE) Thiago Gadelha/SVM Ao Decon, a HRH/Residence Club disse que os atrasos são decorrentes das exigências do Hard Rock Brazil, da pandemia de Covid-19 e da má gestão dos antigos donos da empresa. A empresa afirma que tem feito o possível para concluir o hotel, mas tem enfrentado desafios financeiros devido aos rompimentos de contratos, à proibição de vendas, aos custos da obra e problemas com fornecedores. Enquanto isso, muitos clientes que foram à Justiça tentam responsabilizar também a Hard Rock Brazil pelo imbróglio. A empresa alega ter apenas cedido o nome e não ter qualquer envolvimento com as obras, mas em maio, o Decon inseriu o grupo como parte investigada no processo administrativo (não judicial) em andamento. A seguir, o g1 listou 5 pontos que ajudam a entender o caso: O anúncio do projeto e início das vendas Nome Hard Rock atraiu compradores Repetidos atrasos Briga na Justiça e novo cronograma Qual o papel do Hard Rock? 1. O anúncio do projeto e início das vendas Maquete mostra como seria Hard Rock Hotel Fortaleza, conforme anunciado à época, e como está obra em 2026 Reprodução + Thiago Gadelha/SVM Quando foi anunciado ao público, o hotel foi apresentado como um dos dois empreendimentos que marcariam a chegada da cadeia de resorts ao Brasil. O Hard Rock estreou no Brasil em 2015, mas apenas no segmento dos restaurantes, por meio do Hard Rock Café. Em dezembro de 2017, o fundo Venture Capital Participações e Investimentos (VCI, que mais tarde viraria HRH) anunciou publicamente que havia conseguido o licenciamento da rede norte-americana para abrir os hotéis no Brasil. As duas primeiras unidades eram o Hard Rock Fortaleza, que apesar do nome está localizado na Praia da Lagoinha, no município de Paraipaba, a cerca de 100 quilômetros da capital cearense; e o Hard Rock Ilha do Sol, em Londrina (PR). A aquisição previa a operação no conceito de multipropriedade, no qual o comprador adquire uma "parte" do imóvel. O negócio ia funcionar assim: a brasileira HRH/Residence Club iria se responsabilizar pela construção e pela venda; o Hard Rock emprestaria o nome para atrair clientes e, uma vez com o hotel pronto, iria administrá-lo; os compradores iriam adquirir uma “fração” do imóvel, que daria direito a utilizar o espaço por duas semanas no ano. A estrutura prevista era de um grande complexo à beira-mar, formado por 228 apartamentos, unidades "two bedroom" e casas de até 536m², lojas, piscinas, spa, quadras, bar, restaurante e área de eventos. Ao todo, estavam disponíveis para comercialização 639 unidades. O grupo estimou que o empreendimento tinha um potencial de valor de vendas de R$ 750 milhões e a obra tinha investimento de R$ 170 milhões. A construção começou no fim de 2017 e as vendas em junho de 2018. 🔎 Ainda em 2018 foi anunciada a abertura do Hard Rock Café em um shopping de Fortaleza – a loja também era licenciada pela VCI. O grupo, então, chegava ao estado com força. 2. Nome Hard Rock atraiu compradores O Residence Club at The Hard Rock Hotel Fortaleza ocupa um espaço de frente para o mar na Praia da Lagoinha (CE). Thiago Gadelha/SVM Conforme documentos obtidos pelo g1, ao longo de anos de comercialização, a incorporadora fechou mais de 18 mil contratos de venda sob o formato de fração. Alguns clientes compraram apenas uma fração; outros compraram dezenas. O valor da fração variava conforme a unidade comprada e o ano de venda, mas as mais baratas custavam, em média, R$ 40 mil. Cada fração daria direito ao proprietário a duas semanas por ano de uso do espaço. O dono poderia usufruir as semanas no Hard Rock Fortaleza, alugar o período para terceiros ou mesmo escolher aproveitar as semanas em outros resorts do Hard Rock pelo mundo. Esta última vantagem foi considerada determinante para grande parte dos compradores, como relata o bancário paulista Aníbal Rodrigues. Ele comprou uma fração no empreendimento em julho de 2019, enquanto estava de férias no Ceará. Aníbal conta que foi abordado por vendedores na avenida Beira-Mar de Fortaleza, que lhe ofereceram um jantar em restaurante enquanto apresentavam a proposta. O bancário gostou da associação ao Hard Rock, não só pela possibilidade de ter uma estada garantida no litoral do Ceará, mas pela perspectiva de ter um investimento – para alugar, por exemplo - associado a uma das mais conhecidas marcas de hotelaria do mundo. “O que foi fundamental foi o nome Hard Rock. Porque a gente já conhecia a marca, a gente sabia da força que eles tinham em outros empreendimentos no mundo todo. E como eles estavam expandindo aqui no Brasil, inclusive tinha mais um outro empreendimento em andamento [o Hard Rock Ilha do Sol, também da HRH], então a gente fechou por causa do nome” À época, a fração comprada por Aníbal custou R$ 46 mil. A primeira parcela foi paga poucos dias depois de fechar negócio e o contrato foi assinado em julho de 2019 com previsão de entrega para dezembro de 2021. Seis anos depois da assinatura, em maio de 2025, Aníbal pagou a última parcela. No mesmo mês, ele se juntou aos milhares de compradores que acionaram a Justiça contra a incorporadora em busca de reaver o dinheiro pago por um bem que não têm previsão de receber. 3. Repetidos atrasos Obras do Hard Rock Hotel Fortaleza se arrastam há anos e clientes tentam romper contratos. Thiago Gadelha/SVM A previsão inicial era de que o empreendimento fosse concluído até dezembro de 2020, com a possibilidade de atraso de 180 dias, isto é, até junho de 2021. Hoje, cerca de 9 anos após o início das vendas, a construção ainda caminha com lentidão. Há funcionários no local, mas em quantidade e em ritmo que, conforme o Decon, não permite vislumbrar “proximidade da conclusão, uma vez que poucos setores estão em execução”. Em outubro de 2021, a empresa aditou o contrato, prometendo entregar o hotel até 31 de dezembro de 2022. Em 2023, em 2024 e em 2025, novos aditivos, novos atrasos. “A gente achou que os meios auditivos de adiamento fossem por causa da pandemia, um fato de toda essa paralisação que teve por causa da pandemia. Mas, passada a pandemia, a gente percebeu que as coisas não estavam andando”, relembra o bancário Aníbal, um dos investidores. “Eles passavam informes de evolução, como se o empreendimento estivesse evoluindo dentro do esperado. Ficavam disponibilizando visitas ao local, mas a gente de outro estado como ia fazer para visitar o empreendimento?” Os primeiros atrasos levaram o Decon a multar o empreendimento em R$ 12 milhões, em janeiro de 2024. Em novembro do mesmo ano, diante do elevado número de reclamações, o órgão abriu um novo procedimento administrativo para investigar a situação. Durante as duas visitas físicas ao local, a equipe do Decon constatou que nenhuma parte do empreendimento estava pronta e que mesmo aquelas mais avançadas precisavam de reforço estrutural. Na segunda visita, apenas 70 pessoas trabalhavam no local – e parte delas no administrativo (veja fotos abaixo). Fiscalização do Decon constatou várias partes da obra inacabadas e quantidade de funcionários considerada abaixo do necessário para concluir Hard Rock Hotel Fortaleza Decon Ceará Em resposta ao Decon, a HRH afirmou que a pandemia de Covid-19, em 2020, trouxe diversos obstáculos à execução da obra, como a falta de mão de obra e a escassez de insumos da construção civil. Além disso, a empresa culpa a Hard Rock por fazer tantas exigências na construção que atrapalharam o andamento das obras. “[A] exigência de padrões internacionais culminou com a participação da referida marca nas definições de projetos arquitetônicos, gestão de recursos, gerenciamento de cronograma de obras, escolha de construtoras, parcerias de negócio, fornecedores, dentre outras decisões de contratações e decisões operacionais, tudo isso sem conhecer a fundo a realidade do mercado brasileiro”, disse a HRH em manifestação. 📌 Em 2021, mesmo com os atrasos, o grupo anunciou um novo empreendimento no destino turístico mais badalado do Ceará: o Residence Club at The Hard Rock Hotel Jericoacoara. A previsão de entrega é 2028, mas as vendas estão suspensas pela própria empresa. 📌 Em dezembro de 2023, o antigo dono da VCI vendeu sua parte na empresa. Os novos donos assumiram no início de 2024 e mudaram o nome do grupo para HRH Fortaleza. Eles disseram que a gestão anterior "subestimou dolosamente o custo total da obra", orçada inicialmente em R$ 275 milhões, mas que, conforme os novos administradores, teria na verdade um custo de R$ 1,17 bilhão. 📌 Em 2024, a obra já estava atrasada há três anos e muitos clientes já questionavam se o projeto seria concluído. Outro acontecimento pôs mais incerteza sobre a situação: no fim de 2024, o Hard Rock Café em Fortaleza fechou as portas. 4. Briga na Justiça e novo cronograma Com os atrasos e a incerteza, parte dos clientes decidiu parar de pagar as parcelas. Nestes casos, a HRH Fortaleza passou a notificar esses consumidores, ameaçando rescisão contratual e atribuindo-lhes a culpa pelo rompimento – o que, pelo contrato, permitiria ainda a cobrança de multa. A partir daí, só cresceu a disputa judicial, em 2025, a HRH afirmou ao Decon que dos 18.708 contratos de vendas: 10.606 ainda estavam ativos 8.102 (43%) foram cancelados: a maior parte por vias amigáveis (acordos) e outra parte por processos administrativos ou judiciais Desde novembro de 2024, o advogado Magno Aguiar e seu escritório, em Fortaleza, têm recebido casos contra o Hard Rock Hotel. Conforme Aguiar, ele tem atualmente cerca de 300 processos de clientes contra o empreendimento. Aguiar afirma que, em levantamento online, o seu escritório encontrou mais de 3.700 processos contra a HRH e o Residence Club por todo o Brasil, relacionados ao Hard Rock Hotel Fortaleza. Via de regra, os clientes têm obtido decisões favoráveis na Justiça ao rompimento do contrato, à interrupção das cobranças a quem ainda estava pagando as parcelas e à devolução do que já foi pago. “De modo geral, a Justiça do Ceará tem reconhecido a possibilidade jurídica da rescisão do contrato em virtude do inadimplemento pela não entrega do Hard Rock no período ajustado nos contratos”, afirma Aguiar. “Nós temos casos mais antigos que já foram resolvidos com pagamento de processos, transitado em julgado, com pagamento, mas a grande maioria dos nossos processos são do ano de 2025” . Obras no que seria o Hard Rock Hotel Fortaleza caminham a passos lentos, com previsão de conclusão até 2034. Thiago Gadelha/SVM O Decon, inclusive, acusa a incorporadora de dificultar a vida de quem tentou acionar a Justiça, citando que e-mails e notificações enviados pelos consumidores “frequentemente não recebem respostas, e os contatos disponíveis são associados a múltiplos endereços e telefones, dificultando a localização”. Ao g1, a secretária-executiva do Decon, a promotora Ann Celly Sampaio, afirmou que o órgão tem analisado qual a melhor maneira de pressionar os responsáveis para a entrega do projeto, mas sem aplicar medidas que acabem por torná-lo inviável de vez. “Antes da gente propor uma multa gigantesca ao empreendimento, a gente precisa ver se essa multa resolve o problema. E se os consumidores vão ser ressarcidos. Ou então, se essa multa pode impedir a capacidade financeira da empresa, intervir na capacidade financeira da empresa, fazendo com que ela não conclua o empreendimento”, diz a promotora. 📌 Em setembro de 2025, a HRH apresentou um novo cronograma ao Decon e informou que dividiu o empreendimento em 12 etapas, cada uma com dezenas de unidades, com prazos diferentes de conclusão. A primeira etapa, com 96 unidades, deve ficar pronta até abril de 2028. A última etapa, com 60 unidades, deve ficar pronta até outubro de 2034 – isto é, com catorze anos de atraso. 📌 Em janeiro de 2026, o grupo informou ter fechado uma parceria com a rede norte-americana Wyndham Grand Hotels, uma das maiores do mundo, para administrar o ex-Hard Rock Hotel Ilha do Sol, no Paraná, que foi praticamente concluído. Ao g1, a HRH/Residence Club afirmou que está em negociações para uma nova bandeira assumir o hotel da Praia da Lagoinha, no Ceará, “envolvendo grupos internacionais de hotelaria de alto padrão” para assumir o empreendimento, mas não citou qual. “A Residence Club informa que o empreendimento de Lagoinha segue ativo e em desenvolvimento, dentro do processo de reestruturação administrativa, financeira e operacional conduzido pela atual gestão”, disse a empresa. "A companhia reforça seu compromisso com a continuidade do projeto, a evolução das obras e a preservação dos interesses dos clientes”. Entrada do empreendimento tem o nome Hard Rock Hotel, mas empresa será obrigada a retirar o nome após decisão judicial Decon Ceará 5. Qual o papel do Hard Rock? Um ponto defendido pelos representantes dos clientes insatisfeitos e que procuram rompimento tem sido alvo de discordância no Judiciário: qual a responsabilidade do grupo norte-americano Hard Rock Brazil no caso. 📌 Em julho de 2025, o Hard Rock International, por meio da sua filial no Brasil, a Hard Rock Brazil, notificou a HRH/Residence Club sobre o risco de rompimento do contrato devido ao descumprimento dos termos previstos no acordo inicial, como os atrasos na inauguração do hotel. 📌 Em fevereiro de 2026, o Hard Rock notificou a HRH/Residence Club que o contrato estava rompido. O caso foi parar no Tribunal de Justiça de São Paulo, que deu uma decisão favorável aos americanos, proibindo os Residence Club do Ceará - da Praia da Lagoinha e Jericoacoara - de usar o nome do Hard Rock, obrigando-os a retirar quaisquer símbolos da marca. O nome teria que ser retirado, inclusive, do fundo das piscinas do hotel da Lagoinha, uma das poucas partes da obra que já está pronta. Maior parte da estrutura do Hard Rock Hotel Fortaleza está incompleta, anos após o início das obras. Thiago Gadelha/SVM Após o rompimento, compradores que ainda aguardam as unidades argumentam que o imóvel perdeu valor sem a marca internacional. Nos processos, muitos tentam responsabilizar também a Hard Rock Brazil, mas o Judiciário frequentemente a afasta por entender que seu papel se limitou ao licenciamento da marca — enquanto os clientes argumentam que as vendas só ocorreram por causa do nome americano. “As pessoas que compraram o empreendimento, compraram imaginando que estavam comprando do Hard Rock. Elas não compraram nada do Residence Club, elas não compraram nada da VCI, elas compraram um hotel Hard Rock. Um Hard Rock Hotel”, defende o advogado Magno Aguiar. Em 28 de maio deste ano, o Decon emitiu um despacho ordenando que o Hard Rock Brazil fosse inserido no polo passivo – como responsável e investigado – no processo administrativo em andamento no Ceará. Por se tratar de um processo administrativo, porém, o movimento não tem um efeito judicial. Muita gente comprou por conta da bandeira do Hard Rock, e ele precisava ser trazido ao polo passivo da ação, porque a venda foi Hard Rock, ninguém sabia quem era a empresa HRH, ninguém sabia quem era a empresa Residence Clube. Agora Hard Rock sabia sim, e é por essa razão que muitas pessoas compraram esse empreendimento “Há uma solidariedade na [legislação de] defesa do consumidor. Então, todos são culpados. Eu só preciso saber o grau de culpa de cada um, a contribuição, como cada um contribuiu para que esse evento [atraso] ocorresse", detalha a promotora. Ao longo do processo, por repetidas vezes, a HRH/Residence afirmou que parte da culpa pelos atrasos se devia às exigências “desproporcionais” do Hard Rock, além de interferências nas campanhas de marketing e até o controle de quem poderia visitar as obras, o que "resultou em uma maior morosidade e complexidade nos projetos em fase de desenvolvimento”. Ao g1, a HRH afirmou que “com o objetivo de preservar os interesses dos clientes e diante dos impactos verificados ao longo da parceria, a Residence Club buscou uma solução consensual que incluía a devolução dos valores de royalties recebidos pela Hard Rock International sobre as vendas realizadas”, mas a proposta foi recusada e a parceria encerrada. Procurado pelo g1, o Hard Rock afirmou que em nenhum momento “participou da construção, do financiamento ou da comercialização de quaisquer empreendimentos imobiliários” realizados pela HRH/Residence. “Embora a prática padrão da empresa seja não comentar detalhes de litígios em andamento, podemos confirmar que a Hard Rock obteve recentemente uma liminar na Justiça brasileira proibindo expressamente a RC/VCI de utilizar as marcas registradas e os nomes da Hard Rock, inclusive em conexão com a venda de quaisquer unidades associadas à marca Hard Rock”, completou a companhia. Residence Club da Praia da Lagoinha (CE) perdeu direito de usar o nome Hard Rock Hotel Thiago Gadelha/SVM Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

  10. Operação contra esquema de fraudes que movimentou R$ 225 mi apreende carros de alto valor Alvo de uma operação da Polícia Civil de Piracicaba (SP), um grupo movimentou mais de R$ 225 milhões com uso de empresas e duplicatas fictícias. Nesta sexta-feira (26), os policiais apreenderam três carros de alto valor e levaram sete pessoas para prestar depoimento na delegacia. Apesar disso, ninguém foi preso. Segundo as investigações, o esquema funcionava por meio de uma empresa de fachada no ramo alimentício que emitia notas fiscais e duplicatas falsas em nome de empresas fictícias. 🔎 A duplicata é um título de crédito emitido por empresas para formalizar uma venda a prazo de mercadorias ou prestação de serviços. Ela funciona como uma promessa de pagamento, servindo para comprovar a dívida e permitir que a empresa credora antecipe o recebimento do valor no mercado financeiro. Siga o g1 Piracicaba no Instagram Esses títulos eram vendidos a fundos de investimento e securitizadoras, que são empresas especializadas em transformar dívidas e direitos de recebimento futuros em títulos de investimento negociáveis no mercado. "Com esses títulos em mão, eles levavam às securitizadoras, e elas compravam esses títulos. Hipoteticamente, se o título valesse R$ 10 mil, as securitizadoras pagavam 80% do valor. A empresa recebia R$ 8 mil e tinha esses R$ 2 mil que seriam os juros, a mora, o lucro dessas securitizadoras", diz o delegado Ivan Constâncio. De acordo com o delegado, no início, o esquema funcionou de maneira correta, o que gerou confiança no mercado financeiro. No entanto, com o aumento dos aportes, os negócios se tornaram insustentáveis, a empresa deixou de honrar com os pagamentos e "desapareceu", o que gerou prejuízos milionários às securitizadoras. "No começo, esse esquema funcionou de uma forma correta, o que gerou uma garantia à empresa junto ao mercado. Então, o aporte das securitizadoras foi aumentando mês a mês. A gente tem ideia de três securitizadoras que aportaram milhões de reais nessa empresa, acreditando que aquelas duplicatas seriam honradas futuramente. Como o valor se transformou em um grande montante, essa empresa, literalmente, desapareceu, o local físico foi fechado, os funcionários foram todos mandado embora." Dinheiro apreendido com grupo que movimentou R$ 225 milhões com empresas e duplicatas fictícias no interior de SP Polícia Civil Ainda segundo as investigações, inicialmente, o grupo usou o valor pago pelas securitizadoras para abrir outras empresas, mas depois esses locais foram fechados e o dinheiro, repassado para pessoas físicas. Os valores obtidos eram movimentados entre várias contas e depois reinseridos na economia, por meio de: compra de imóveis com valores superfaturados; aplicações em planos de previdência privada; aquisição de veículos de luxo pagos em dinheiro. A operação Ao todo, 28 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em oito cidades de São Paulo e Minas Gerais na manhã desta sexta-feira. Imagens gravadas pelos agentes de segurança mostram o cumprimento do mandado em Americana (SP) — assista acima. Os mandados foram cumpridos em Sumaré (SP), Americana, Santa Bárbara d'Oeste (SP), Nova Odessa (SP), Hortolândia (SP), Limeira (SP), Santa Rita de Caldas (MG) e Andradas (MG). Segundo a Polícia Civil, as investigações começaram após denúncias de empresas do setor de crédito e foram aprofundadas com relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e análises financeiras. Neste primeiro momento, a Polícia Civil identificou dez pessoas suspeitas de envolvimento no esquema, sendo que sete delas prestaram depoimentos nesta sexta. As outras três não foram localizadas, incluindo o apontado como mentor do grupo. Os suspeitos devem responder por estelionato qualificado, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Carros de alto valor, celular e dinheiro em espécie apreendidos em operação da Polícia Civil de Piracicaba (SP). Divulgação/Polícia Civil de Piracicaba O que foi apreendido? Durante a operação desta sexta-feira, os policiais apreenderam documentos, contratos, anotações contábeis e equipamentos eletrônicos, além de uma quantia de dinheiro em espécie. Três veículos de alto valor também foram apreendidos. Com autorização judicial, também foi iniciada a extração de dados de celulares e computadores apreendidos. Segundo a Polícia Civil, a medida busca descapitalizar a organização criminosa e garantir eventual ressarcimento às vítimas. A ação, chamada de "Operação Duplicata Fantasma", é coordenada pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba. Assista abaixo à reportagem completa: Polícia investiga fraude de R$ 225 milhões com notas falsas em Piracicaba VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região na página do g1 Piracicaba.

  11. Caprichoso e Garantido Alex Pazuello e Lucas Silva O Festival Folclórico de Parintins continua neste sábado (27) com a segunda noite de apresentações no Bumbódromo. Após a abertura da disputa, Caprichoso e Garantido retornam à arena para dar sequência aos temas escolhidos para a edição de 2026. Neste ano, o Caprichoso defende o tema “Brinquedo que Canta seu Chão”, enquanto o Garantido apresenta “Parintins – Portal do Encantamento”. Os espetáculos são divididos em três atos, desenvolvidos ao longo das três noites do festival. Na segunda noite, o Caprichoso leva à arena o subtema "O Brinquedo da Resistência: Amazônia, o Chão da Luta". Já o Garantido apresenta "Parintins, Portal da Diversidade", destacando a pluralidade cultural dos povos amazônicos. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Boi Caprichoso Boi Caprichoso Lucas Macedo/g1 AM Na segunda noite, o Caprichoso amplia sua narrativa para além de Parintins e transforma toda a Amazônia em protagonista do espetáculo. O boi azul apresenta a floresta como território de memória, resistência e pertencimento. A proposta destaca os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e demais comunidades tradicionais, valorizando seus modos de vida e a relação histórica com os territórios amazônicos. O espetáculo também reforça a defesa da floresta e das culturas que ajudam a formar a identidade da região. Para o Caprichoso, a arena se transforma em espaço de reflexão sobre a preservação ambiental, a diversidade cultural e os direitos dos povos da Amazônia. Com o subtema “O Brinquedo da Resistência”, o bumbá aposta em uma apresentação que une tradição, ancestralidade e luta, reafirmando a cultura popular como instrumento de resistência. Ao som de 'Deusa das Lutas', Marciele Albuquerque faz evolução na primeira noite do Festival de Parintins 2026; VÍDEO Boi Garantido Boi Garantido lança álbum 'Parintins: Portal do Encantamento' em evento no Sambódromo de Manaus neste sábado. Divulgação/MAG Na segunda noite, o Garantido apresenta o espetáculo "Parintins, Portal da Diversidade", que celebra os encontros entre diferentes povos, culturas e saberes da Amazônia. A narrativa é guiada pela ideia de que "somos todos parentes", destacando valores como respeito, igualdade e convivência. O boi vermelho propõe uma reflexão sobre os laços que unem os povos amazônicos e ajudam a construir a identidade da região. O espetáculo promete reunir lendas, rituais, manifestações culturais e elementos da tradição indígena para destacar a riqueza da diversidade amazônica. Grafismos, referências à fauna e à flora e símbolos ancestrais também fazem parte da proposta artística. Dando continuidade ao tema de 2026, o Garantido aposta em uma apresentação que une tradição, diversidade e ancestralidade para reforçar Parintins como um território de encontros entre diferentes culturas e modos de vida. Isabelle Nogueira diz que Garantido prepara espetáculo 'histórico' para festival de 2026 O Festival de Parintins A disputa entre Caprichoso e Garantido chega à 59ª edição em 2026 e será realizada em três noites consecutivas no Bumbódromo de Parintins. Em cada apresentação, os bois têm entre duas horas e duas horas e meia para defender seus projetos artísticos diante dos jurados, que avaliam 21 quesitos divididos entre itens individuais, musicais, cênicos e coletivos. Ao final das três noites, vence o Festival de Parintins o boi que obtiver a maior pontuação na apuração oficial. LEIA TAMBÉM: Festival de Parintins: conheça a história e entenda como funciona o maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo De 'cunhã-poranga' a 'brincante': conheça as expressões mais usadas no Festival de Parintins Entenda as lendas amazônicas que serão contadas através das toadas dos bumbás

  12. Jason Momoa vive seu 2º herói do cinema em 'Supergirl' Com a estreia de "Supergirl" nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (25), o astro Jason Momoa entra para o grupo seleto – ou talvez nem tanto, a esta altura – de atores que já interpretaram mais de um personagem dos quadrinhos. g1 já viu: Em 'Supergirl', carisma de Milly Alcock voa alto acima de aventura repetitiva e vilão genérico Milly Alcock fala sobre responsabilidade de ser heroína dos quadrinhos no cinema Depois de dar vida ao Aquaman em quatro filmes baseados nos gibis da DC, o havaiano de 46 anos agora assume a moto e o charuto do anti-herói Lobo – um dos mais descontrolados e cults da mesma editora. Por acaso, o caçador de recompensas cabeludo e brutamontes é o favorito do ator desde a juventude. Uma admiração que Momoa divulgava a quem quisesse ouvir desde a época em que ainda empunhava o tridente do rei de Atlântida. "Eu sou um homem de muita, muita sorte. Um ator de muita sorte por poder interpretar essas coisas. Especialmente o Lobo, porque eu cresci lendo esses quadrinhos, e eu os amo", afirma ele, em entrevista ao g1. "Fazer o Lobo é maravilhoso. Não me desculpar por nada. Ser um patife tão brincalhão. Ao mesmo tempo, também é muito divertido ser o rei, e é muito divertido ter a vulnerabilidade e ter um filho, e uma esposa. Eu não quero falar que um é melhor que o outro." Juan Silva/g1 Durante a vida passada como o Aquaman, Momoa fez amizade com outros dois atores que sabem bem o que é viver a transição de um alter ego para outro. Ben Affleck, o homem morcego de "Batman vs Superman: A Origem da Justiça" (2016) e "Liga da Justiça" (2017), foi um dos primeiros super-heróis do cinema ao interpretar o advogado cego da Marvel em "Demolidor: O homem sem medo" (2003). Já o grande vilão de "Aquaman" (2018), Patrick Wilson, participou da adaptação do clássico dos quadrinhos "Watchmen: O filme" (2009), como o Coruja. Daria também para falar de Willem Dafoe, o eterno Duende Verde do primeiro "Homem-Aranha" (2002), mas seu personagem Vulko é tão secundário ao Aquaman cinematográfico que sua participação foi cortada do filme do herói, contida apenas a "Liga da Justiça". Há de se imaginar que Momoa conversaria com os amigos sobre a experiência, compartilhada também com nomes como Chris Evans e Halle Berry (veja arte acima). "Não. Não falei. Quero dizer, Patrick e eu somos bons amigos. Também tenho uma boa amizade com o Ben. Mas não, não falei. Não os vejo desde então. Mas é uma boa pergunta. Vou falar com eles. Tem um clube das duas vezes. Das duas vezes como super-herói", afirma o ator. Jason Momoa em cena de 'Supergirl' Divulgação "Tem alguém que tenha feito três vezes?" Tem sim. Josh Brolin e Ryan Reynolds estão entre os que interpretaram mais de dois personagens centrais das HQs. Depois de iniciar cedo sua carreira em adaptações como o pistoleiro "Jonah Hex - Caçador de Recompensas" (2010), foram anos até que Brolin chegasse ao combo do uber vilão Thanos dos filmes da Marvel e o mal-humorado Cable, em "Deadpool 2" (2018). Chega a ser irônico que seu amigo e rival do filme do mercenário seja outro exemplar do "clube dos três". Reynolds hoje vive o ápice do sucesso com Deadpool, mas nem sempre foi assim. Muita gente esquece, mas muitos anos antes dos desastrosos "Lanterna Verde" (2011) e "X-Men Origens: Wolverine" (2009), ele esteve no também desastroso "Blade: Trinity" (2004). O 'Maioral' tem futuro? Baseado numa minissérie em quadrinhos premiada e ilustrada pela brasileira Bilquis Evely, o roteiro escrito pela atriz – e filha de pai brasileiro – Ana Nogueira conta uma história bem parecida. Nela, a Supergirl (Milly Alcock) tenta superar o trauma da perda de seu planeta natal enquanto ajuda uma garota em busca de vingança pela morte dos pais. Milly Alcock em cena de 'Supergirl' Divulgação Lobo aparece no meio da jornada e, ao contrário do que muita gente esperava, se alia brevemente à dupla para enfrentar o exército de capangas do vilão. Antes disso, encontra tempo para fazer algumas de suas coisas favoritas que, coincidência ou não, são compartilhadas com o Aquaman de Momoa. "Bem, ambos gostam de beber cerveja, e gostam de golfinhos. Eles têm isso em comum. E, sabe mais o que? Fico surpreso que você não lembrou disso, mas os dois amam andar de moto", fala ele. É preciso avisar, no entanto: não há golfinhos em "Supergirl". Criado em 1983 por Roger Slifer e Keith Giffen, Lobo apareceu primeiro como um vilão. A princípio com cabelo mais curto e um collant colorido, ele evoluiu com os anos para uma sátira do Wolverine, da rival Marvel, como um ser virtualmente imortal, violento e desbocado. O visual também mudou e ele ganhou um estilão mais motoqueiro, cabeludo, de jaqueta ou sobretudo de couro e até um buldogue. Atualmente, ele assume a faceta de um anti-herói mais às margens das histórias principais da editora, e já enfrentou o Superman quase de igual para igual – apesar de se aliar aos heróis na maior parte das vezes. Orn (Patrick Wilson) e Aquaman (Jason Momoa) têm que unir forças em 'Aquaman 2: O Reino Perdido' Divulgação Com o processo de compra iminente da Warner, dona da DC e dos estúdios que adaptam seus quadrinhos, o futuro do novo universo cinematográfico capitaneado por James Gunn (diretor da trilogia "Guardiões da Galáxia" e de "Superman") é incerto. O que não impede o intérprete do "Maioral", como Lobo é carinhosamente conhecido, de sonhar com um filme próprio. "Estou muito animado para que as pessoas vejam. Espero que elas gostem, e, então, poderemos fazer mais, sabe?"

  13. Irã diz ter atacado alvos dos EUA após ação americana no Estreito de Ormuz Estes são os primeiros ataques entre EUA e Irã desde que os dois países assinaram, no último dia 17, um acordo de paz inicial para colocar fim à guerra, iniciada no fim de fevereiro. Os presidentes dos EUA, Donald Trump e do Irã, Masoud Pezeshkian, assinaram na quarta-feira (17) um acordo de paz para encerrar a guerra. O acordo já está em vigor, segundo os dois países.. O texto determina o fim imediato de ataques em todos os lados. Veja aqui os 14 termos contidos no documento.. Em Ormuz, o trânsito começou a andar, e três superpetroleiros atravasseram o canal, segundo sites de monitoramento. . O acordo também abre um período de 60 dias para uma negociação pendente: a do programa nuclear iraniano, que vai determinar se o fim das hostilidades será duradouro.. A situação no Líbano também pode complicar as negociações. A imprensa libanesa disse que Israel atacou o sul libanês após o acordo, e 3 morreram.

  14. Festival de Parintins 2026: acompanhe as apresentações de Caprichoso e Garantido Bois disputam o título de campeão com apresentações que reúnem música, dança, alegorias gigantes e elementos da cultura amazônica. Festa começa na sexta-feira (26) e segue até domingo (28) no Bumbódromo de Parintins, no Amazonas.. Boi Caprichoso abre as apresentações e busca título com o tema 'Brinquedo que Canta seu Chão'.. Boi Garantido encerra o espetáculo com o tema 'Parintins: Portal do Encantamento' e sonha com bicampeonato.. Entenda o que são os itens e como funciona a avaliação dos bois.. De 'cunhã-poranga' a 'brincante': conheça as expressões mais usadas no Festival de Parintins.

  15. Bumbás Caprichoso e Garantido Aguilar Abecassis O Bumbódromo recebeu milhares de torcedores na noite desta sexta-feira (26) para a abertura do 59º Festival Folclórico de Parintins. Caprichoso e Garantido apresentaram os primeiros atos de seus projetos artísticos e deram início à disputa pelo título de campeão de 2026. Primeiro a entrar na arena, o Caprichoso apresentou o espetáculo "Parintins – O Chão de Origem", destacando a história da ilha, os povos originários e a formação da identidade cultural parintinense. Na sequência, o Garantido levou à arena o espetáculo "Parintins: Portal do Encantamento", exaltando a ancestralidade, a diversidade cultural e a espiritualidade dos povos amazônicos. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Agora no g1 Caprichoso Boi Caprichoso na 1ª noite do Festival de Parintins 2026 Divulgação/Caprichoso O Caprichoso abriu a primeira noite com uma entrada aérea que marcou um dos momentos de maior impacto visual da apresentação. O espetáculo transformou Parintins no centro da narrativa e destacou a relação do boi azul com a história e a cultura da ilha. Ao longo da noite, o bumbá homenageou os brincadores de boi e reforçou a importância das manifestações populares que ajudaram a construir a identidade cultural parintinense. A apresentação também deu protagonismo aos povos originários e aos saberes tradicionais da Amazônia, defendendo a valorização da memória, da ancestralidade e da diversidade cultural. Entre os momentos mais aguardados estiveram as evoluções da cunhã-poranga Marciele Albuquerque, que surgiu da alegoria "Cobra Grande – A Deusa da Encantaria", da sinhazinha da fazenda Valentina Cid e da rainha do folclore Cleise Simas. O espetáculo foi encerrado com o Ritual de Iniciação Wat-Amã, inspirado na cultura do povo Sateré-Mawé, reafirmando a proposta do Caprichoso de celebrar as origens de Parintins e a resistência dos povos amazônicos. Garantido Boi Garantido na 1ª noite do Festival de Parintins 2026 Lucas Macedo/g1 AM O Garantido encerrou a primeira noite apresentando Parintins como um território de encantamento, ancestralidade e diversidade. O espetáculo reuniu elementos da espiritualidade amazônica e das tradições que marcam a história da ilha. A narrativa destacou a união entre diferentes povos e saberes, defendendo a convivência harmoniosa entre cultura, natureza e identidade amazônica. Entre os destaques da apresentação estiveram a estreia da sinhazinha da fazenda Raíra Lins, a evolução da cunhã-poranga Isabelle Nogueira, que surgiu da alegoria "Parintintin: O Povo que Veio do Céu", e a participação da rainha do folclore Lívia Cristina. O boi vermelho também homenageou as mulheres amazônicas na alegoria "Mães da Floresta", exaltando o papel de benzedeiras, parteiras, artesãs e outras guardiãs dos conhecimentos tradicionais da região. Encerrando a noite, o Garantido apresentou o Ritual Indígena "Sonho de Ipají", inspirado na sabedoria ancestral do povo Parintintin e na relação entre os sonhos, a espiritualidade e o conhecimento indígena. Festival de Parintins Caprichoso e Garantido voltam à arena neste sábado (27) para a segunda noite de apresentações. Os bois seguem na disputa pelo título do 59º Festival Folclórico de Parintins, que será decidido após a terceira e última noite de apresentações. Festival de Parintins 2026: acompanhe as apresentações de Caprichoso e Garantido

  16. Obra "Sempre Foi Deus" fica no Parque da Juventude, no município de Guaíba Mateus Bruxel/Agência RBS Uma mão gigante, com o dedo indicador apontado para o céu, tem chamado a atenção de quem passa pelo Parque da Juventude, em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O monumento, que recebeu o nome "Sempre Foi Deus", ainda não foi oficialmente inaugurado. A escultura foi instalada no local no final de abril e passou por um processo de finalização que durou cerca de 45 dias. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O entorno da escultura ainda deve passar por alterações no paisagismo, receber novos bancos e iluminação. Serão feitos desenhos de ramos de oliveiras nas calçadas e plantio de mudas da espécie ao longo do trajeto. Com 4,5 metros de altura e investimento de R$ 35 mil, a obra é assinada pelo artista plástico Moisés Ribas, do Paraná, e inspirada no Monte das Oliveiras, de Jerusalém. Agora no g1 A inauguração está prevista para outubro. O evento fará parte da programação especial do centenário da cidade, comemorado no dia 14 de outubro. A Prefeitura de Guaíba afirma que esta é a primeira etapa do projeto "Caminho das Oliveiras", para fomentar o turismo na cidade. Obra "Sempre Foi Deus" fica no Parque da Juventude, no município de Guaíba Mateus Bruxel/Agência RBS VÍDEOS: Tudo sobre o RS

  17. A drosera captura as suas presas a partir do visual. Suas gotas colantes se assemelham a orvalhos. É o gênero com o maior número de plantas, ao lado das utricularias. Arquivo Julio Santiago - UFMG Nem sempre as armadilhas das plantas carnívoras são óbvias e visíveis como a boca de uma Nephentes ou as garras de jaula da famosa dionaea ou apanha-moscas, uma das espécies mais conhecidas no Brasil. Suas artimanhas também podem aparecer na forma de um 'belo orvalho' – que, na verdade, é uma cola – ou até mesmo na de um 'abrigo' debaixo da terra ou da água, que, de repente, pode sugar as presas. As capturas das plantas carnívoras também vão muito além dos insetos: algumas podem comer larvas, vermes, protozoários, sapos e até roedores ou pássaros mais distraídos. Veja abaixo um infográfico sobre cada tipo de armadilha. Plantas carnívoras Arte g1/ Luisa Blanco Nessa reportagem, você ainda pode conferir: Por que as plantas carnívoras comem insetos? Elas conseguem capturar animais maiores? Qual é a maior do mundo? Plantas carnívoras são venenosas? Podem 'morder' o dedo? Quantas espécies existem e quais estão ameaçadas de extinção no Brasil? Por que as plantas carnívoras precisam comer insetos? Dionaea capturando inseto; planta usa a armadilha da jaula. Arquivo pessoal/Julio Santiago - UGMG A síndrome carnívora se desenvolveu como um mecanismo de sobrevivência de plantas localizadas em ambientes com solo pouco fértil, explica Julio Santiago, mestrando em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os insetos, contudo, são uma fonte complementar de nutrientes, e não a principal. "A principal fonte de energia das plantas carnívoras ainda é o sol, pois, assim como a maioria das plantas, elas fazem fotossíntese", ressalta o professor Paulo Gonella, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Os insetos servem, na verdade, para complementar nutrientes que existem em pouca quantidade no solo onde vivem as plantas carnívoras, como o nitrogênio e o fósforo. A larva de mosca que consegue roubar a comida de planta carnívora Podem capturar animais maiores, como ratos e pássaros? Sim, mas de forma acidental e não são todas as espécies que conseguem. As Nephentes, por exemplo, têm estruturas para capturar animais um pouco maiores por causa do seu formato semelhante a um jarro. "Os insetos são as presas principais das plantas carnívoras. Pequenas aves ou roedores são presas eventuais, que podem cair na armadilha atraídas pelos próprios insetos capturados ou pelo açúcar que a planta libera", diz Gonella. A depender do tamanho do bicho, as plantas podem até apodrecer por causa da dificuldade de digerir uma quantidade muito alta de nutrientes. Nephentes pode capturar de forma acidental animais um pouco maiores, mas sua presa principal é o inseto. Arquivo Julio Santiago - UFMG Qual é a maior do mundo? Há duas espécies que estão, até o momento, entre as maiores do mundo, e que podem atingir até 1,5 metro de altura: a Drosera magnifica e a Nephentes rajah, diz Santiago. A Drosera magnifica é originária do estado de Minas Gerais, enquanto a Nephentes rajah, da Ilha de Bornéu, do Sudeste Asiático. Veja também: conheça o limão-caviar, que custa quase R$ 800 por quilo Como funciona uma fábrica de insetos Plantas carnívoras são venenosas? Podem 'morder' o dedo? Nenhuma planta carnívora que se tem conhecimento é venenosa ou tóxica e tampouco tem interesse na carne humana. "[Se você colocar o dedo], pode até estimular [a planta], mas não o suficiente para prender. Em muitos casos, nem vai estimular, porque a sinalização química [que incentiva a captura] está relacionada à quitina, uma proteína presente no exoesqueleto dos insetos", explica Santiago. No momento em que o inseto pousa em uma planta carnívora, há uma sinalização química da presença quitina que faz o vegetal reconhecer a presença de um alimento promissor. De onde vem a tangerina Espécies pelo mundo e ameaça de extinção No mundo, há cerca de 860 espécies de plantas carnívoras conhecidas, sendo que a maior parte delas são dos gêneros Drosera, Utricularia e Nephentes. Os dados são do estudo "Conservação das plantas carnívoras na Era da Extinção", publicado em 2020 por Gonella e outros autores, na revista científica Global Ecology and Conservation. O Brasil é o segundo país com o maior número de espécies (cerca de 130), perdendo apenas para a Austrália, que tem aproximadamente 250. Quando se trata das que estão ameaçadas de extinção, há, hoje, cerca de 193, o que representa 20% do total das espécies. Dessas, 28 estão no Brasil, das quais 13 são classificadas como "criticamente ameaçadas". O Brasil é o país com o maior número de espécies nesse estado, mostra o estudo de Gonella, que adota critérios de classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Planta carnívora do gênero philcoxia só existe no Brasil e está criticamente ameaçada de extinção. Suas armadilhas são subterrâneas. Divulgação/PNAS O gênero Philcoxia, que só existe no Brasil – mais especificamente nos biomas Cerrado e Caatinga –é o que mais preocupa, pois 100% dele está ameaçado, conta o professor da UFSJ. Essas plantas crescem em areias muito brancas e dão flores de cor lilás. Elas se alimentam de pequenos vermes que vivem no solo, a partir de armadilhas adesivas em folhas que ficam debaixo da terra. Outro gênero em risco no Brasil é a Drosera, com 40% de plantas ameaçadas. "O Brasil tem uma responsabilidade muito grande na conservação de suas espécies carnívoras. Um dos principais fatores que está causando isso [a ameaça de extinção] é a destruição dos habitats para conversão para a agricultura", diz Gonella. "O uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura tornam o solo mais rico do que eles são originalmente, fazendo com que outras espécies invadam esses locais e acabem competindo pelos habitats das plantas carnívoras", acrescenta. À direita, a parte de cima de uma utricularia e, à esquerda, sua parte subaquática. Leonhard Lenz/Miguel Porto De onde vem o espumante Conheça o limão exótico que custa quase R$ 800 o quilo

  18. Logotipo da OpenAI em um celular diante de uma imagem gerada pelo DALL·E, ferramenta de criação de imagens do ChatGPT. Michael Dwyer/AP Os Estados Unidos têm avançado rapidamente rumo a um futuro impulsionado pela inteligência artificial, mas sem um plano claro para evitar o que pode resultar em perdas massivas de empregos. Enquanto críticos alertam para cenários catastróficos dignos de filmes de ficção científica, defensores da tecnologia afirmam que a IA criará tanta riqueza que não há motivo para preocupação com milhões de demissões. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Uma nova organização sem fins lucrativos, criada por integrantes dos dois principais partidos políticos dos EUA, pretende garantir que o país aproveite os ganhos econômicos prometidos pela inteligência artificial sem deixar os trabalhadores para trás. Batizada de RAISE US, a iniciativa começa com mais de US$ 500 milhões para investir em novas formas de educação e capacitação profissional. A estratégia prioriza parcerias com estados e grandes empregadores, em vez do governo federal. Agora no g1 Fundada pela ex-secretária de Comércio Gina Raimondo, democrata, e pelo ex-governador de Indiana Eric Holcomb, republicano, a organização pretende testar programas e incentivos para ajudar trabalhadores americanos a migrarem para novas carreiras em uma economia cada vez mais automatizada pela inteligência artificial. "Estamos falando de um nível de desemprego que pode desestabilizar nosso país e nossa democracia", afirmou Raimondo em entrevista. "Se queremos liderar o mundo em IA, precisamos agir para garantir que nossa democracia não desmorone." Programas começam em quatro estados Inicialmente, a RAISE US trabalhará com governos de Arkansas, Connecticut, Maryland e Utah, além de algumas das maiores empresas e organizações filantrópicas dos Estados Unidos. A proposta é desenvolver políticas que aproximem escolas e empregadores, para que trabalhadores demitidos possam ser direcionados rapidamente para novas vagas, preferencialmente com salários mais altos. O grupo também estuda mudanças em impostos corporativos e outros incentivos para estimular empresas a manterem seus funcionários empregados. "Coisas boas costumam acontecer quando você transforma quem não tem em quem tem", disse Holcomb. Entre as empresas parceiras da iniciativa estão Amazon, Microsoft, Anthropic, OpenAI Foundation e Bank of America. Também participam UPS, General Motors, Eli Lilly, Mastercard, AMD, Cisco e IBM. Raimondo, ex-governadora de Rhode Island e uma das principais responsáveis pela política de IA durante o governo Biden, será a diretora-executiva da organização. O conselho consultivo reúne nomes como o ex-presidente da Câmara dos Deputados Paul Ryan, o investidor bilionário Stephen Schwarzman, a presidente da central sindical AFL-CIO, Liz Shuler, além dos economistas David Autor, Erik Brynjolfsson e Raj Chetty. IA pode substituir trabalhadores em fábricas e escritórios Uma análise divulgada em abril pela Boston Consulting Group (BCG) estima que cerca de metade dos empregos nos Estados Unidos será transformada pela inteligência artificial nos próximos anos. Segundo o estudo, até 25 milhões de postos de trabalho podem ser eliminados no país ao longo dos próximos cinco anos. Já o Goldman Sachs estimou, em março, que 25% das horas trabalhadas nos EUA poderão ser automatizadas pela IA. Mais do que uma ferramenta de busca aprimorada ou geradora de vídeos e imagens, a inteligência artificial pode colocar caminhões autônomos nas estradas, criar fábricas operadas por robôs e substituir profissionais de escritório, advogados e até médicos. O presidente Donald Trump demonstrou pouca preocupação com a possibilidade de a tecnologia eliminar empregos. Questionado na terça-feira (23), antes de visitar uma fábrica da Mack Trucks, na Pensilvânia, se a IA poderia tirar o trabalho dos caminhoneiros, respondeu: "No momento, não." Trump aposta na expansão dos data centers e das usinas de energia voltadas à inteligência artificial como motores para geração de empregos e crescimento econômico. Embora os investimentos em IA tenham impulsionado a economia, o setor industrial perdeu 68 mil empregos, enquanto o transporte rodoviário eliminou 28,3 mil vagas desde o início do segundo mandato de Trump, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (Bureau of Labor Statistics). "Hoje temos muitos empregos disponíveis e nosso maior problema é encontrar pessoas para ocupá-los", afirmou Trump. "Estamos indo muito bem." Educação e políticas trabalhistas estão defasadas Especialistas em inteligência artificial alertam que o sistema educacional e as políticas de proteção ao trabalhador foram desenhados para uma economia do século XX e não estão preparados para a velocidade e a escala das mudanças provocadas pela IA. "A inteligência artificial está transformando vários setores simultaneamente, mais rápido do que qualquer instituição consegue responder", afirmou Vivienne Ming, neurocientista e autora do livro Robot-Proof: When Machines Have All the Answers, Build Better People ("À prova de robôs: quando as máquinas têm todas as respostas, forme pessoas melhores"). Segundo Ming, embora a riqueza gerada pela IA possa criar demanda por novos trabalhadores, as habilidades necessárias na nova economia vão muito além de profissões como encanador ou pedreiro. "O que realmente importa é curiosidade e flexibilidade intelectual", disse. Ela afirma que nem o sistema educacional nem as políticas de trabalho estão desenvolvendo o capital humano necessário para a era da inteligência artificial. Raimondo afirmou que a organização pretende usar os estados como laboratórios para testar ideias que, no futuro, possam ser transformadas em políticas nacionais pelo Congresso, incluindo mudanças mais profundas no sistema tributário e na educação. "Não tenho muita esperança de que o Congresso tome medidas ousadas sobre esse tema nos próximos anos, e acho que não podemos esperar tanto tempo", disse. "A história mostra que, quando o governo federal finalmente age, costuma olhar para o que já deu certo nos estados. Tenho bastante confiança de que eles vão observar o trabalho que estaremos fazendo", completou. Quem é o funcionário mais antigo da Apple que ganhou ações, hoje avaliadas em milhões

  19. Terezinha Maria de Jesus, mãe do menino Eduardo, morto com um tiro de fuzil no Complexo do Alemão em 2015, disse ao g1 que não vai parar de lutar por justiça por seu filho. Na sexta-feira, dois PMs foram denunciados pelo homicídio de Eduardo, além de fraude processual: "Tiraram a vida do meu filho e acharam que ia ficar por isso mesmo. Eu já estou cansada de tanta luta, mas continuo porque a gente não pode parar de lutar" Terezinha Maria de Jesus, 36, mãe do menino Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos G1 A 1ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro denunciou, na sexta-feira (26), os policiais militares Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues e Marcus Vinicius Nogueira Bevitori pelo homicídio qualificado de Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos. Ela disse que a ficha "demorou a cair" ao saber da notícia. "A gente espera há tanto tempo que não acredita que é verdade quando chega", relatou ela. O processo contra os policiais chegou a ser arquivado em 2016, mas foi reaberto em 2024 após a mãe da vítima trazer novas provas ao Ministério Público. Na época, ela conversou com o RJ2: "Consegui 43 vídeos que me ajudaram muito também nesse desafio do processo e uma testemunha chave que não posso falar nome ,mas ela viu tudo o que aconteceu com meu filho", relatou em 2024. "Na época, ficou com muito medo e era menor. Passaram 8 anos, ela com aquilo na mente. Ela disse que não dormia mais, só pensando, e principalmente, quando via nas reportagens pedindo Justiça pra Eduardo. Ela resolveu me procurar", acrescentou. Ao g1, ela disse que fez tudo que poderia fazer por seu filho, e acredita que o caso poderá ir à Justiça. "Eu creio que essa porta que Deus abriu, ninguém vai fechar. A justiça pro meu filho tem que ser feita" Relembre o caso O menino Eduardo, morto no Alemão em 2015 Reprodução O menino foi atingido por um tiro de fuzil durante uma ação policial no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, em abril de 2015, enquanto brincava com um celular. De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, que estava sentada na entrada de sua casa, na localidade conhecida como Ping Pong. Ainda segundo a denúncia, os disparos foram efetuados a uma distância de aproximadamente quatro metros, tendo Eduardo sido atingido pelas costas. A Promotoria pediu para que os denunciados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri e condenados ao pagamento de indenização mínima de R$ 1 milhão pelos danos causados. No despacho do promotor André Luis Cardoso, o Ministério Público afirma que a criança estava a apenas 4 metros dos policiais, e que o único estojo de fuzil foi encontrado pelo pai de Eduardo, que o entregou às autoridades. Para o Ministério Público, a informação desmente a versão dos policiais de que houve legítima defesa. O promotor acrescentou ainda que, segundo a análise do MP, a guarnição dos dois policiais modificou o local do crime para tentar simular um confronto, plantando munições de calibre .40 . Uma parte do inquérito também será enviada para a Promotoria de Justiça de Auditoria Militar. Caso do menino Eduardo, morto há 10 anos no Alemão, pode ter nova reconstituição Em 2016, o inquérito da Polícia Civil concluiu que os policiais agiram em legítima defesa, trocavam tiros com bandidos e balearam Eduardo acidentalmente, apesar de testemunhas terem dito o contrário. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop.

  20. Justiça Eleitoral cassa chapa do PMB por fraude à cota de gênero O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) reconheceu, por 4 votos a 3, uma fraude à cota de gênero na chapa do Partido da Mulher Brasileira (PMB) e determinou a anulação dos votos recebidos pelo partido nas eleições de 2024 para vereador, em Curitiba. O partido ainda pode recorrer a instâncias superiores. ➡️No fim de 2025, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) oficializou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a mudança de nome do partido para Democrata. Com isso, o vereador Bruno Secco – que agora é filiado ao partido Novo, mas foi eleito quando estava no PMB – perde o mandato na Câmara Municipal de Curitiba e a cadeira passará para um candidato de outro partido. Isso acontece porque a eleição de vereadores é definida pelo sistema proporcional, que distribui as cadeiras entre os partidos. Entenda abaixo com funciona a distribuição. O nome do vereador ou vereadora que assumirá a vaga só será conhecido após a retotalização dos votos pela Justiça Eleitoral, o que ainda não tem data para ocorrer. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Vereadora recebeu material de campanha com número de outro candidato Os desembargadores analisaram a situação da candidata a vereadora "Telma Nogueira do Projeto Debo", que concorreu pelo PMB. Ela recebeu nove votos. No voto vencedor durante o julgamento, a juíza Tatiane de Cássia Viese apontou que uma fraude eleitoral está configurada "se o partido lançar uma candidata sem condições de competir e, principalmente, se atuar para dificultar sua competitividade". Candidata do PMB recebeu nove votos nas eleições para a Câmara Municipal de Curitiba, em 2024 Reprodução/TSE No caso de Telma, provas que compuseram o processo apontaram que a candidata compareceu à convenção partidária e escolheu o número que usaria na campanha. Porém, por falha do partido, outro candidato também escolheu o mesmo número. De acordo com a juíza, ao perceber a situação, o partido requereu o registro de Telma com outro número e não a comunicou formalmente da mudança. Telma recebeu o material de campanha com o número que havia escolhido, mas que não era o número que constava no registro de sua candidatura e na urna. Desta forma, Telma fez campanha com o número de outro candidato. "Isso significa que, independentemente do grau de esforço que Telma tenha direcionado à sua campanha, os eventuais votos que receberia foram direcionados a uma candidatura masculina. Na minha ótica, é exatamente aí que reside a fraude à cota de gênero: a conduta partidária de alterar o número de urna de Telma sem comunicá-la, produzir seu material de campanha com o número que não era seu, mas de um candidato masculino, levou-a a fazer campanha não para si, mas para outro candidato — homem", indica o voto de Viese. No fim de 2025, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) mudou de nome para Democrata Reprodução O g1 procurou o partido Democrata (antigo PMB), mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem. O vereador Bruno Secco disse, em nota, que respeita as decisões da Justiça Eleitoral, mas afirma que recebeu o resultado com "profundo inconformismo". Veja abaixo a íntegra da nota do vereador: "Recebo com profunda indignação a decisão que determinou a cassação da chapa do PMB por suposta fraude à cota de gênero. Um erro relacionado ao registro de uma candidatura acabou resultando na anulação de mais de 43 MIL votos legitimamente depositados pelos curitibanos, entre eles os 11.436 votos que recebi, votação que me tornou o sexto vereador mais votado de Curitiba. Trata-se de uma decisão que atinge milhares de eleitores e candidatos que, como eu, jamais exerceram qualquer função de direção partidária ou contribuíram para os fatos discutidos no processo. Respeito as decisões da Justiça Eleitoral, mas recebo esse resultado com profundo inconformismo. Desde o primeiro dia de mandato, tenho procurado retribuir a confiança da população com muito trabalho, sendo, até o momento, o vereador mais produtivo da Câmara Municipal de Curitiba em número de proposições protocoladas. É justamente por respeito aos 11.436 eleitores que confiaram em nosso projeto e a toda a população curitibana que recorreremos da decisão, com a esperança de que a Justiça prevaleça e seja preservada a vontade soberana manifestada nas urnas." LEIA TAMBÉM: Meio ambiente: Ibama multa Prefeitura de Curitiba em R$ 525 mil por irregularidades no corte de árvores da Avenida Arthur Bernardes Copa: Curitiba não terá ponto facultativo em Brasil x Japão; veja como serviços públicos irão funcionar Mobilidade urbana: Justiça suspende licitação do transporte coletivo de Curitiba após pedido das empresas de ônibus Esta é a terceira mudança na composição da Câmara Municipal de Curitiba por decisão da Justiça Eleição de vereadores é definida pelo sistema proporcional Divulgação/Câmara Municipal de Curitiba Com a decisão, a Justiça Eleitoral deverá fazer um reprocessamento do resultado das eleições municipais de Curitiba. Isso vai mudar a distribuição de cadeiras para cada partido na Câmara Municipal de Curitiba, o que levará a mudanças no quadro de vereadores. Esse será o terceiro reprocessamento do resultado das eleições municipais de 2024. A primeira alteração na composição da Câmara de Curitiba aconteceu em maio deste ano, depois que a Justiça Eleitoral anulou os votos do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), também após condenação por fraude à cota de gênero. O PRTB ainda pode recorrer da decisão. Com a decisão, a distribuição de cadeiras para cada partido mudou e Toninho da Farmácia, eleito vereador pelo PSD, perdeu a cadeira – mesmo não tendo ligação com o partido que teve os votos anulados – e passou à condição de suplente. Mauro Bobato, que concorreu às eleições pelo PP, tomou posse. A segunda alteração aconteceu em junho, quando a Justiça Eleitoral anulou os votos do Partido Renovação Democrática (PRD), por fraude à cota de gênero na chapa do partido. Com isso, o vereador Sidnei Toaldo perdeu a cadeira que ocupava e Toninho da Farmácia retornou ao legislativo. Eleição de vereadores é definida pelo sistema proporcional Os candidatos a prefeito, governador, senador e presidente da República são eleitos com base em um sistema majoritário. Nessa modalidade eleitoral, é eleito quem obteve o maior número de votos válidos. No caso de vereadores e deputados, a eleição é diferente e é definida pelo sistema proporcional. Nesse contexto, para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal, também é necessário levar em consideração o quociente eleitoral, calculado pela divisão de todos os votos válidos (sem os brancos e os nulos) pelo número de cadeiras disponíveis na eleição. Por exemplo: em um município com 10 vagas na Câmara e 100 mil votos válidos, os partidos precisam ter pelo menos 10 mil votos para ter direito a uma cadeira no Legislativo municipal. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.
  21. Neste sábado (27), aeronaves militares da Rússia e da China sobrevoaram a Zona de Identificação de Defesa Aérea da Coreia do Sul, mas não violaram o espaço aéreo do país, informou o exército sul-coreano. As autoridades monitoraram cerca de 10 aviões militares que se aproximavam da área e chegaram a acionar caças, que realizaram manobras táticas preventivas. Em comunicado breve, os militares não relataram incidentes decorrentes da incursão. Zonas de identificação aérea são estabelecidas por diversos países como parte de seus sistemas de defesa. Agora no g1

  22. Vinícola Brasília Divulgação/Vinícola Brasília A Expovitis Brasil 2026, considerada a principal feira dedicada exclusivamente ao vinho brasileiro, acontece em Brasília até este sábado (27). O evento reúne mais de 100 vinícolas e cerca de 200 expositores no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF. Além das vinícolas, o público também pode encontrar expositores de equipamentos, insumos, tecnologia, e produtores de alimentos artesanais, como queijos, charcutaria, chocolates, mel, geleias, conservas e cafés especiais. A programação tem ainda palestras e painéis sobre mercado, masterclasses, degustações. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 no WhatsApp. ➡️ O ingresso inclui acesso a palestras, masterclasses, shows e uma taça oficial de degustação. As degustações harmonizadas possuem ingressos próprios e não estão incluídas no ingresso de acesso à feira. Confira a programação completa: Painel: Viabilidade Mercadológica e Lucratividade de Derivados da Uva e do Vinho; Painel: Enoturismo como Estratégia de Fortalecimento Econômico e Social; Debate com Caroline Dani, Marcelo Vargas e Rodrigo Sucena; Concurso de Azeites – Júri Popular; Prêmio CNA; Degustação Harmonizada – Vinhos de Viticultura Tradicional: 18h às 19h; Degustação Harmonizada – Vinhos de Viticultura Tradicional: 19h15 às 20h15; Duo Smart Jazz: 20h; Banda Magoo: 21h30. Expovitis Brasil 2026 🗓️ Quando: sábado (27) ⏰ Horário: das 16h às 22h 📍 Local: Parque Tecnológico Ivaldo Cenci – BR-251, Km 05, PAD-DF, Brasília (DF) 🎫 Ingressos: a partir de R$ 145, pelo site Veja o que fazer em Brasília no g1 DF.

  23. Tatuagem no braço a ajudou a descobrir que foi vítima de ‘golpe do amor’ Thiago Cristiano Boch, investigado pela Polícia Civil de Franca (SP) por suspeita de estelionato ao aplicar o chamado “golpe do amor” na namorada, já teve o nome ligado a investigações e processos judiciais em vários estados e por diferentes crimes. O homem de 38 anos, natural de Foz do Iguaçu (PR), aparece em ações de indenização e processos em fases distintas ligados tanto a vítimas do “golpe do amor” como de crimes como receptação e circulação de moedas falsas (veja mais detalhes abaixo). A denúncia mais recente é a de Franca. Segundo o boletim de ocorrência, uma auxiliar de laboratório afirma ter perdido cerca de R$ 15 mil durante um relacionamento com Boch. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Ao descobrir o sobrenome de Boch, por meio de uma tatuagem, a mulher pesquisou o nome dele na internet e encontrou reportagens sobre crimes anteriores envolvendo o companheiro. Até o momento, nenhum advogado se apresentou à Polícia Civil em Franca para representá-lo. O g1 tentou falar com Boch por telefone e por mensagens de aplicativo, mas ele não retornou o contato até a última atualização desta reportagem. Thiago Cristiano Boch é suspeito de aplicar o golpe do Don Juan em uma mulher em Franca (SP) Arquivo pessoal Golpe do amor em Minas Gerais Em 2022, Boch foi condenado pela Justiça de Contagem (MG) por estelionato, em um crime semelhante ao 'golpe do amor'. A sentença judicial fala de estelionato, abuso de confiança com prejuízo financeiro à vítima. 🔎Segundo o Código Penal brasileiro, estelionato é quando uma pessoa obtém vantagem ilícita para si mesma ou para outra, causando prejuízo a alguém e induzindo ou mantendo a vítima em erro por meio de fraude. A pena prevista é de um a cinco anos de detenção e multa. A mesma sentença o absolveu, por falta de provas, da acusação de furto feita pela vítima. A Justiça fixou pena de um ano de prisão em regime aberto, substituída por prestação de serviços à comunidade, além do pagamento de multa. A decisão também determinou uma indenização de R$ 4,7 mil à vítima pelos prejuízos causados. Suspeito de seduzir mulher em Franca, SP, para pegar dinheiro fez outras vítimas no país Golpe do Don Ruan na Paraíba Em 2018, Boch foi preso em Minas Gerais durante uma investigação da Polícia Civil da Paraíba. Conforme noticiou o g1 na época, Boch era suspeito de ter feito cinco vítimas, quatro em João Pessoa (PB) e uma em Campina Grande (PB). A investigação apontou que ele vendeu o carro da ex-namorada em um aplicativo de vendas on-line e depois sumiu com o veículo e cerca de R$ 6 mil pagos por pessoas que compraram o veículo, nas duas cidades. Uma das vítimas já o acusava de "golpe do Don Juan". O caso deu origem a uma ação penal por estelionato. O processo do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), registra condenação em 2019, mas os recursos não foram esgotados. LEIA MAIS: Mulher desconfiou de 'golpe do amor' após namorado a embebedar e usar R$ 5 mil da conta dela 'Golpe do amor': mulher conta como tatuagem no braço a ajudou a descobrir que foi vítima do namorado Golpe do Don Juan: mulher diz ter perdido R$ 15 mil para o namorado em Franca Suspeito de seduzir mulher em Franca para pegar dinheiro fez outras vítimas no país, diz polícia 'Achei que tinha encontrado a pessoa perfeita', diz mulher que perdeu R$ 15 mil Crimes no Paraná No Paraná, Thiago foi condenado 2010 por receptação e por circulação de moeda falsa. As penas impostas foram consideradas cumpridas e deixaram de representar pendências perante à Justiça. Segundo o advogado criminalista Leonardo Pontes, uma condenação permanece no histórico judicial da pessoa, mas deixa de representar uma pendência depois que a pena é cumprida. Ações em São Paulo e Itu Em 2026, uma mulher entrou na Justiça de São Paulo pedindo indenização de R$ 26,2 mil por danos morais e materiais. Na sentença, o pedido contra Thiago Boch não foi analisado porque ele não foi localizado para ser citado no processo. A decisão condenou apenas o um outro réu a devolver R$ 7 mil à autora, com correção monetária e juros. O pedido de indenização por danos morais foi rejeitado. Em 2022, Thiago foi denunciado por estelionato por um casal em Itu (SP). Ele pegou o carro das vítimas e vendeu a outro casal, de Sorocaba (SP), por R$ 10 mil, sem que os donos soubessem. Em agosto de 2023, a defesa alegou falta de provas, mas a Justiça o condenou a um ano e seis meses de reclusão, em regime aberto. Ele ainda foi obrigado a ressarcir a vítima que comprou o veículo no valor da transação. A Justiça deu a Boch o benefício de recorrer em liberdade. Ao transitar em julgado, foi expedido o mandado de prisão para início do cumprimento da pena. Investigação em Franca Suspeito de 'golpe do amor' reclamou de repercussão do caso com vítima de Franca (SP). Arquivo pessoal No caso investigado em Franca, a auxiliar de laboratório afirma que Boch dizia precisar de dinheiro para despesas pessoais e prometia devolver os valores após receber recursos da venda de um imóvel da família. Ela também relatou à polícia que teve dinheiro retirado da conta bancária sem autorização durante uma viagem ao Paraná depois que ele a embebedou O prejuízo informado no boletim de ocorrência é de aproximadamente R$ 15 mil. Ela contou à polícia que conheceu o investigado por um aplicativo de relacionamentos, fez empréstimos, alugou um carro em seu nome para ele trabalhar como motorista de aplicativo e desconfiou dele durante uma viagem no Dia dos Namorados à Curitiba (PR) depois que ele a embebedou e usou R$ 5 mil da conta dela sem autorização. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEO: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

  24. Amortizar ou investir? A decisão que divide economistas Quem recebe um dinheiro extra pode ficar em dúvida entre amortizar o financiamento da casa ou investir o valor. A decisão depende do custo de oportunidade, ou seja, de qual das opções oferece o maior benefício financeiro. A comparação deve levar em conta os juros do financiamento, a rentabilidade do investimento, além dos impostos, da inflação e dos riscos. Se o rendimento líquido do investimento superar o custo da dívida, investir pode ser a melhor escolha. Especialistas afirmam que amortizar o financiamento costuma ser mais indicado quando os juros são altos ou a situação financeira está mais apertada. Já investir tende a fazer mais sentido para quem já tem uma reserva de emergência, paga juros baixos e consegue obter uma rentabilidade superior ao custo do financiamento. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso. 📱 Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia

  25. 'Mais tatuado do Brasil' fala sobre remoção dos desenhos do rosto Mesmo após ser diagnosticado com insuficiência renal e precisar interromper os planos de estudo fora do estado, o fotógrafo Leandro de Souza, de 37 anos, conhecido como o "homem mais tatuado do Brasil", diz que segue com o planejamento de remoção das tatuagens do rosto. Segundo ele, o tratamento de saúde não impede o processo: "Acredito que daqui uns dois, três meses eu já consiga fazer a sétima sessão e cada vez o rosto vai ficar mais limpo", destaca. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Morador de Bagé, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, Leandro já passou por seis sessões de laser para apagar os desenhos faciais. ➡️ O homem chegou a ter 95% do corpo coberto por mais de 170 tatuagens, feitas ao longo de duas décadas. A marca foi registrada oficialmente em um evento internacional realizado em Santa Rosa, no Noroeste do RS. Curso de teologia Neste ano, Leandro chegou a se mudar para Petrolina, em Pernambuco, em fevereiro deste ano, após ganhar uma bolsa de estudos no Seminário Evangélico Betânia (SEB), para cursar teologia. Ele ficaria por quatro anos na instituição, mas, devido a problemas de saúde, retornou ao RS neste mês, após concluir um semestre de estudos. Ele foi diagnosticado com insuficiência renal. "A princípio, eu iria precisar de hemodiálise, porque os rins não estão funcionando bem, está oscilando ainda. Ainda estou sob orientação médica, cuidando da alimentação, fiz ecografia, tomografia. E também foi constatado um problema na próstata", conta. Ele afirma que não teria condições de permanecer na instituição durante o tratamento, pois os estudantes dividem o tempo entre trabalho, no turno da manhã, e estudos, à tarde. "Tinha uma parte laboral de manhã, porque era um internato. De manhã, nós cuidávamos do sítio e tudo, então tinha que rachar lenha, capinar, enfim, eu não podia fazer isso." A recomendação médica é de que ele não faça esforço físico. Tratamento Agora, em casa, ele explica que segue com o tratamento e que não precisará passar por hemodiálise. "Estou com dois tipos de medicações e cuidando da alimentação. É totalmente regrado, hoje é outra vida." Ele acredita que os problemas de saúde possam ter relação com seus hábitos anteriores, como o uso de drogas. "Acredito que tenham sido meus excessos no passado com as drogas. O meu testemunho é público. Eu me arrependo, mas hoje eu falo abertamente para ajudar mais pessoas." Outro desafio recente foi a perda da mãe, que faleceu em dezembro do ano passado. Leandro é filho único e herdou a casa da família, mas relata dificuldades em se manter como fotógrafo autônomo. Remoção das tatuagens Se tivesse que pagar pela remoção das tatuagens, ele não teria condições. O procedimento é realizado gratuitamente pela equipe de um profissional que se sensibilizou com a história dele. As sessões são feitas em Franco da Rocha (SP). "Estou muito satisfeito com o resultado, acredito que até a próxima sessão já esteja bem melhor, está ficando cada dia melhor." Este ano, Leandro vai publicar um livro, com previsão de lançamento para dezembro. A obra, em formato de testemunho, contará sua história de vida até a conversão religiosa, que gerou a mudança de aparência. Ele também pretende lançar um podcast. Infográfico - Cronologia da conversão religiosa até a remoção de tatuagens do "mais tatuado do Brasil" Arte/g1 Morador de Bagé, no RS, Leandro de Souza chegou a ter 95% do corpo coberto por tatuagens Reprodução/Redes sociais VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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