
Stealthing: os impactos da retirada do preservativo sem consentimento
A carioca Claudia* viveu duas situações semelhantes e traumáticas: em ambas, o parceiro retirou o preservativo sem seu consentimento durante a relação sexual.
Na época, ela não identificou o episódio como violência sexual. Sentiu-se desrespeitada, reclamou com o parceiro e tomou a pílula do dia seguinte para evitar uma gravidez, mas não buscou a profilaxia pós-exposição (PEP), indicada para reduzir o risco de infecção pelo HIV.
A retirada deliberada do preservativo durante a relação sexual sem que a outra pessoa saiba ou concorde é mais comum do que se imagina. Ela é conhecida internacionalmente com o nome de stealthing e é objeto de estudos científicos que o g1 aborda abaixo, nesta reportagem.
Stealthing: as consequências físicas e mentais da retirada da camisinha sem consentimento e como as vítimas podem se proteger
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O tema foi introduzido no debate acadêmico e jurídico internacional em 2017 pela advogada estadunidense Alexandra Brodsky e não possui tradução para o português. Mas o termo ‘stealthing’ já circulava anteriormente, pelo menos desde 2014, em comunidades on-line, especialmente entre homens gays.
A prática tem deixado de ser discutida apenas como um comportamento sexual de risco para ocupar espaço crescente nos debates sobre consentimento, violência sexual, saúde pública e legislação.
Pesquisadores indicam medidas para reduzir riscos, preservar provas e melhorar o atendimento às vítimas. Eles ressaltam, porém, que nenhuma delas é capaz de impedir totalmente esse tipo de violência.
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Em comum, os estudos publicados nos últimos anos apontam que o consentimento para uma relação sexual pode estar condicionado ao uso da camisinha e que alterar essa condição unilateralmente representa uma violação da autonomia sexual da vítima.
Consequências do stealthing vão além do risco de ISTs e gravidez
Relatos de vítimas de stealthing ouvidas nos estudos revelam que as consequências da prática envolvem:
medo da gravidez e gravidez decorrente do episódio
diagnóstico de infecção sexualmente transmissível, como sífilis e HPV.
experiência de aborto
perda da confiança nos parceiros
dificuldade de reconhecer a violência
ansiedade
necessidade de acompanhamento psicológico e psiquiátrico
uso de antidepressivos e ansiolíticos
perda da autoestima
sofrimento psicológico que muitas vezes persiste por anos
Os pesquisadores afirmam que, para muitas mulheres, os efeitos psicológicos são ainda mais marcantes do que as consequências físicas.
O artigo jurídico de Alexandra Brodsky, publicado no Columbia Journal of Gender and Law, reúne relatos nos quais vítimas descrevem sentimentos de perda da autonomia corporal, violação da confiança, humilhação e desrespeito aos limites previamente estabelecidos.
O autor brasileiro Wendell Ferrari destaca que, no stealthing, não necessariamente há força física, ameaça explícita ou um agressor desconhecido. Em muitos casos, o autor é um parceiro, namorado, marido, amigo ou alguém em quem a vítima confiava.
“Como ainda associamos violência sexual principalmente a situações de coerção física evidente, formas mais sutis de violação tendem a ser minimizadas ou interpretadas como um ‘mal-entendido’, uma ‘irresponsabilidade’ ou um ‘problema do casal’. Mas consentir a relação sexual com preservativo não significa consentir a relação sem preservativo”, afirma.
Ferrari é psicólogo clínico e autor da primeira pesquisa realizada em nível nacional, no Brasil, de forma quanti-qualitativa sobre o tema. O especialista é pesquisador da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto e do Núcleo de Estudos sobre Gênero, Sexualidade e Saúde (GENSEX), no Instituto Fernandes Figueira, Fiocruz.
Em 2024, Ferrari e sua equipe publicaram na revista Social Sciences um estudo nacional com 2.275 mulheres adultas que haviam vivenciado a retirada não consentida do preservativo. O levantamento apontou que:
As idades das vítimas no momento em que o stealthing aconteceu variaram entre 15 e 58 anos.
76% das vítimas tinham até 29 anos de idade.
49% da amostra relatou o parceiro como “relação sexual episódica”, 41,5% como “ficante” e quase 10% foram vítimas de stealthing de um “namorado” ou “marido”.
51,5% nunca tinham ouvido falar no termo stealthing.
77,4% perceberam a retirada do preservativo no momento da relação sexual.
81,6% mencionaram que o parceiro não se importou com a prática.
41% nunca haviam contado a alguém sobre a experiência.
83,6% relataram medo de uma infecção sexualmente transmissível ou de uma gravidez.
77,6% perderam a confiança em futuros parceiros.
77,3% referiram perda de interesse ou prazer em relações sexuais posteriores.
67,2% não buscaram nenhum tipo de profilaxia após o ocorrido – nem a profilaxia pós-exposição (PEP) nem a pílula do dia seguinte.
Apenas 2,4% buscaram simultaneamente a contracepção de emergência e a PEP.
7,3% adquiriram infecções sexualmente transmissíveis.
Nove mulheres tiveram gravidez decorrente do episódio e aborto.
Apenas 34 mulheres (1,5%) procuraram a delegacia de polícia para relatar o acontecimento.
O que pode ajudar a prevenir o stealthing
Ferrari reforça que não existe uma estratégia capaz de garantir que uma mulher não será vítima de stealthing, porque a prática depende de uma decisão deliberada de outra pessoa de enganá-la.
Algumas atitudes podem ajudar, mas não eliminam a possibilidade da violência. São elas:
Conversar previamente sobre o uso obrigatório do preservativo e deixar essa condição registrada em mensagens
Interromper a relação diante de qualquer suspeita.
O autor acrescenta, porém, que não é razoável exigir que uma mulher fiscalize continuamente o parceiro durante uma relação sexual.
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Provar é um dos maiores desafios
Como o stealthing geralmente ocorre em um contexto privado e pode não deixar uma evidência física capaz de demonstrar, isoladamente, que a retirada foi intencional e não consentida, a prova desse tipo de violência é um dos maiores desafios, segundo Ferrari.
Ainda assim, isso não significa que seja impossível demonstrar o ocorrido. Entre os fatores que podem integrar o conjunto de provas, segundo o autor, estão:
Mensagens anteriores nas quais o uso do preservativo foi combinado
Conversas posteriores com o perpetrador
Pedidos de desculpas, confissões, relatos feitos logo após o episódio a amigos ou familiares
Registros de atendimento médico
Busca por contracepção de emergência ou por profilaxia pós-exposição
O próprio depoimento consistente da vítima
“Também é importante dizer que, nos crimes sexuais, a ausência de testemunhas presenciais é comum. O relato da vítima não deve ser automaticamente desconsiderado apenas porque o ato ocorreu em ambiente privado”, acrescenta Ferrari.
O autor acrescenta que a dificuldade de prova e a ausência de uma tipificação penal específica não podem ser confundidas com ausência de violência. Elas revelam, na verdade, que as instituições ainda precisam desenvolver formas mais adequadas de acolher, investigar e responsabilizar esse tipo de violação, segundo ele.
O Superior Tribunal de Justiça já reconheceu que o consentimento inicial não vale indefinidamente e que não se pode exigir da vítima uma reação física ou enérgica para demonstrar sua discordância.
No Brasil, a retirada do preservativo sem consentimento pode ser juridicamente analisada como violação sexual mediante fraude, prevista no artigo 215 do Código Penal, embora o enquadramento dependa das circunstâncias concretas e da interpretação das autoridades responsáveis pelo caso.
O próprio Tribunal de Justiça do Distrito Federal já divulgou orientação nesse sentido. Além disso, há um projeto de lei específico para tipificar o stealthing. Ele está pronto para votação no Plenário da Câmara, mas não foi convertido em lei.
Debate jurídico cresce em diferentes países
Os estudos mostram que o reconhecimento jurídico do stealthing vem avançando internacionalmente.
Segundo um artigo da revista Sexes, tribunais da Suíça e da Alemanha já condenaram autores por casos de retirada não consensual do preservativo.
Em 2022, a Suprema Corte do Canadá decidiu que o uso da camisinha integra as condições do consentimento sexual.
Nos Estados Unidos, embora não exista uma tipificação criminal federal específica, alguns estados passaram a reconhecer a prática na esfera civil. A Califórnia foi pioneira, em 2021, ao permitir que vítimas processem civilmente os responsáveis, seguida por estados como Maine e Washington.
O artigo de Brodsky, publicado anteriormente, já defendia que a retirada da camisinha sem consentimento deveria receber uma resposta jurídica própria, propondo a criação de uma ação civil específica para reconhecer formalmente os danos causados às vítimas e facilitar o acesso à Justiça.
Estudos indicam que o problema pode ser muito maior do que mostram as estatísticas
Um dos aspectos destacados pelos pesquisadores é que o stealthing provavelmente permanece subnotificado.
No estudo qualitativo de Ferrari, com 10 mulheres de idades entre 19 e 58 anos, as vítimas relataram que só compreenderam meses ou até anos depois que haviam sofrido uma violência. Algumas afirmaram que apenas ao participar da pesquisa descobriram que a prática tinha um nome. Segundo os autores, essa dificuldade para identificar o ocorrido contribui diretamente para a invisibilidade do problema.
O artigo, publicado em 2025, reforça essa avaliação ao afirmar que a prática continua amplamente subnotificada e cercada por lacunas legais e institucionais, defendendo políticas específicas de prevenção, acolhimento e responsabilização.
Um estudo australiano de 2018 encontrou um dado que ilustra essa baixa procura por mecanismos formais de denúncia: apesar do sofrimento relatado, apenas cerca de 1% das pessoas que sofreram stealthing informou ter comunicado o caso à polícia.
Os pesquisadores também observaram que quem já havia vivenciado a situação tinha menos probabilidade de classificá-la como agressão sexual do que participantes que nunca haviam passado por esse tipo de experiência.
Busca por contracepção de emergência foi frequente, mas nenhuma procurou PEP
O estudo qualitativo de Ferrari destacou que, após perceberem que haviam mantido uma relação sexual desprotegida, seis das dez entrevistadas disseram ter recorrido à contracepção de emergência, conhecida como pílula do dia seguinte.
Algumas relataram efeitos adversos após o uso do medicamento, como dores intensas, cólicas, vômitos e sensibilidade nas mamas. Outras optaram por não utilizar a medicação porque afirmaram que o parceiro não havia ejaculado ou porque já estavam na menopausa.
Mas um resultado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de nenhuma das entrevistadas ter buscado a profilaxia pós-exposição (PEP), tratamento indicado para reduzir o risco de infecção pelo HIV após uma exposição sexual de risco, quando iniciado em até 72 horas.
No estudo quantitativo do mesmo autor, apenas 2,4% das 2.275 mulheres entrevistadas buscaram simultaneamente a contracepção de emergência e a PEP.
Ferrari destaca que esse foi um dos resultados que mais chamou atenção em seu estudo e não é possível afirmar que isso ocorreu exclusivamente por falta de informação. Porém, esse resultado sugere que existem barreiras importantes ao acesso, ao reconhecimento do risco ou ao próprio entendimento de que o stealthing configura uma situação que merece atenção imediata dos serviços de saúde.
Uma hipótese é que muitas vítimas sequer reconheçam, naquele momento, que sofreram uma violência sexual. Se a pessoa interpreta o ocorrido apenas como uma experiência desagradável, uma quebra de confiança ou uma atitude irresponsável do parceiro, é menos provável que procure atendimento de urgência, segundo o pesquisador. Outra possibilidade é o desconhecimento sobre a existência da PEP ou sobre o curto intervalo de tempo disponível para seu início, acrescenta.
O pesquisador destaca também que, no Brasil, 65% das prescrições de PEP são para homens e 35% para mulheres, de acordo com dados do governo federal. Este dado demonstra de forma evidente a diferença de gênero nessa busca por profilaxia.
“Mais do que uma questão de desconhecimento individual, esse fenômeno aponta para um desafio de saúde pública: ampliar o acesso à informação e garantir que mulheres também reconheçam a PEP e a PrEP como estratégias legítimas de prevenção quando indicadas”, destaca Ferrari.
O pesquisador defende ainda que profissionais da atenção básica, das unidades de pronto atendimento e dos serviços especializados em violência sexual precisam estar preparados para reconhecer o stealthing como uma possível situação de exposição sexual de risco, acolher a vítima sem julgamento e orientar adequadamente sobre as medidas disponíveis.
O que os estudos mostram sobre a frequência da prática
As pesquisas analisaram populações diferentes e, por isso, seus resultados não podem ser comparados diretamente nem extrapolados para a população em geral.
Em um estudo australiano realizado com 2.883 mulheres e 3.439 homens em uma clínica pública de saúde sexual, 32% das mulheres e 19% dos homens que fazem sexo com homens relataram já ter sofrido stealthing. Os autores ressaltam que se trata de uma população atendida em um serviço especializado, considerada de maior risco.
Já uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos com 626 homens jovens identificou que 9,8% admitiram ter retirado o preservativo sem o consentimento da parceira ao menos uma vez desde os 14 anos de idade. Entre eles, mais de 40% disseram ter repetido esse comportamento três vezes ou mais.
Uma revisão da literatura citada em um artigo publicado na revista Sexes, em 2025, encontrou prevalências variando entre 7,9% e 43% entre mulheres e de 5% a 19% entre homens, indicando que a prática aparece em diferentes contextos estudados.
Homens que admitiram a prática apresentaram outros fatores associados
Um estudo norte-americano publicado em 2019 também investigou características dos participantes que admitiram retirar o preservativo sem consentimento.
Segundo a pesquisa, esses homens apresentavam maior frequência de diagnóstico prévio de IST, maior ocorrência de gravidez não planejada em parceiras, maior hostilidade em relação às mulheres e histórico mais grave de agressão sexual. Após ajustes estatísticos, hostilidade contra mulheres e histórico de agressão sexual permaneceram associados ao comportamento.
A autora também alerta que muitas vítimas podem sequer perceber, durante a relação, que o preservativo foi retirado, deixando de procurar medidas preventivas precoces, como contracepção de emergência ou profilaxias indicadas após exposições de risco.
Falta de acolhimento aparece como desafio
O estudo de Ferrari, conduzido no Brasil, identificou outro aspecto recorrente: a dificuldade de obter acolhimento em hospitais, delegacias, unidades de saúde e serviços jurídicos.
As entrevistadas relataram ter enfrentado julgamentos, dúvidas sobre seus relatos e até desestímulo para denunciar devido à dificuldade de comprovação. Os pesquisadores classificam esses relatos como exemplos de violência institucional e defendem maior capacitação de profissionais da saúde e do sistema de Justiça.
Pesquisadores propõem que universidades criem políticas específicas para reconhecer o stealthing, estabeleçam canais acessíveis de denúncia, promovam campanhas permanentes sobre consentimento e ofereçam apoio médico, psicológico e jurídico às vítimas.
O consentimento tem condições
Um dos principais consensos encontrados entre os estudos é que o consentimento concedido para uma relação sexual não é irrestrito.
Os pesquisadores definem o stealthing como a retirada proposital do preservativo ou a não utilização dele, apesar de previamente acordado, sem o conhecimento ou consentimento da outra pessoa. Nessa interpretação, a relação sexual aceita era aquela que ocorreria com preservativo. Quando uma das partes altera essa condição durante o ato, modifica unilateralmente os termos sob os quais o consentimento foi concedido.
No estudo qualitativo de Ferrari, conduzido pela Fiocruz e pela Universidade do Porto, 10 mulheres relataram que a relação havia começado com preservativo e que existia consenso prévio sobre seu uso. Para os autores, consentir com uma relação protegida "não significa consentir para uma relação desprotegida", razão pela qual a retirada não autorizada do preservativo rompe esse acordo e caracteriza violência sexual.
A mesma interpretação aparece no artigo jurídico publicado na Columbia Journal of Gender and Law. A autora sustenta que consentir ao contato sexual com preservativo é diferente de consentir ao contato direto sem ele. Sob essa perspectiva, retirar a camisinha altera o próprio ato sexual e exigiria um novo consentimento.
Já o artigo publicado em 2025 na revista Sexes afirma que o consentimento para uma relação com preservativo "não pode ser interpretado como consentimento para uma relação sem proteção", resumindo um entendimento que vem ganhando força em diferentes países.
Quando as vítimas são homens gays, a prática é chamada de stealth breeding
Ferrari publicou também uma pesquisa quantitativa com 601 homens gays cisgênero, de todas as regiões brasileiras, que haviam vivenciado a retirada não consentida do preservativo — denominada stealth breeding nesse contexto.
Entre eles, 421 procuraram a PEP
180 não a procuraram;
mais da metade relatou uma infecção sexualmente transmissível após o episódio.
70% dos homens gays pesquisados procuraram a PEP
O último dado mostra um contraste relevante com os dados das mulheres, pois apenas 2,4% das mulheres relataram acesso à PEP, após esse tipo de violência.
O que os pesquisadores defendem
Apesar das diferenças metodológicas, as pesquisas convergem em alguns pontos.
Os autores defendem que o stealthing seja reconhecido como uma violação do consentimento sexual; que profissionais de saúde passem a abordar o tema durante os atendimentos; que haja maior conscientização pública para que vítimas reconheçam a prática; e que políticas institucionais e jurídicas avancem para ampliar prevenção, acolhimento e responsabilização.
Segundo Ferrari, os relatos dos participantes mostram que o principal desafio não é apenas reconhecer o stealthing como uma forma de violência sexual, mas fazer com que esse reconhecimento ocorra também nas instituições responsáveis pelo acolhimento.
“Quando profissionais da saúde, da segurança pública ou do sistema de Justiça desconhecem essa prática, aumenta o risco de que a vítima seja desacreditada, responsabilizada pelo ocorrido ou tenha suas necessidades de cuidado negligenciadas”, afirma.
No sistema de Justiça, os pesquisadores defendem ampliação da capacitação de policiais, delegados, peritos, promotores e magistrados sobre o conceito de consentimento sexual. Isso porque muitas vítimas relatam que não foram levadas a sério porque os profissionais da Justiça mencionaram que havia existido um consentimento inicial para a relação sexual.
Em conjunto, os estudos indicam que a retirada da camisinha sem consentimento não representa apenas uma mudança no uso de um método de proteção. Para os pesquisadores, ela altera as condições sob as quais o consentimento foi concedido e produz consequências que podem atingir a saúde sexual, reprodutiva, mental e a autonomia das vítimas.
“A responsabilidade é de quem rompeu o acordo e retirou o preservativo sem consentimento. A vítima não deveria ter que vigiar, prever ou impedir uma decisão tomada deliberadamente por outra pessoa. Se algo dentro de você diz que seus limites foram desrespeitados, esse sentimento merece ser levado a sério. Você tem direito a informação, cuidado, acolhimento e proteção”, destaca Ferrari.
* Claudia A é o nome fictício da vítima de stealthing entrevistada para esta reportagem. A vítima solicitou a mudança para não se expor.