O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) estabeleceu novas células secretas no Iraque para realizar ataques contra países do Golfo que abrigam forças americanas, contornando as redes de milícias estabelecidas para evitar a detecção, disseram oito fontes iraquianas à Reuters.
Três ou quatro células, cada uma composta por cerca de 10 combatentes de elite muçulmanos xiitas iraquianos, lançaram pelo menos sete ataques com drones a partir de locais desérticos perto das cidades de Basra e Samawa, no sul do país, contra alvos no Kuwait, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, entre 20 de abril e 17 de maio, disseram três das fontes.
Vários de seus membros foram recrutados da Resistência Islâmica no Iraque, um grupo guarda-chuva de facções xiitas radicais com milhares de combatentes. Mas os novos grupos operam fora de sua estrutura de comando, respondendo diretamente à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), de acordo com as fontes, que incluem dois oficiais militares iraquianos, outro oficial de segurança e cinco comandantes de milícias locais.
O estabelecimento das novas células iraquianas, que não havia sido relatado anteriormente, reflete uma mudança nas táticas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) com o objetivo de preservar a capacidade do Irã de projetar força em toda a região, em um momento em que seus grupos armados aliados estão bastante enfraquecidos e seus próprios recursos militares e econômicos estão esgotados, disseram os cinco comandantes das milícias.
O Iraque, um país de maioria xiita, possui diversas milícias, muitas das quais mantêm laços estreitos com Teerã. Elas formam um pilar fundamental do "Eixo da Resistência" regional do Irã, que se estende de Gaza e Líbano ao Iêmen e ao Iraque.
Grupos que atuam sob a bandeira da Resistência Islâmica no Iraque reivindicaram a responsabilidade por dezenas de ataques com drones e foguetes contra alvos americanos no país, provocando ataques aéreos retaliatórios mortais, desde que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. Mas não houve nenhuma mobilização em massa de grupos apoiados pelo Irã dentro das fronteiras do Iraque.
Diversas facções xiitas influentes na região têm sinalizado, desde o ano passado, que estão prontas para desarmar-se e concentrar-se na política interna, a fim de evitar um conflito crescente com o governo do presidente americano Donald Trump. Esse desenvolvimento pode ter levado a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) a criar grupos sob seu controle direto, segundo Jasim al-Bahadli, general aposentado do exército iraquiano, e dois parlamentares da aliança governista xiita.
Duas dessas facções, Asaib Ahl al-Haq e as Brigadas Imam Ali, anunciaram este mês que começariam a entregar suas armas às autoridades estatais, após repetidos alertas dos EUA ao governo iraquiano para que desmantelasse os grupos armados que operam em seu território.
"Os grupos mais recentes criados pela Guarda Revolucionária Islâmica parecem menores, mais ideologicamente rígidos e mais rigidamente controlados, refletindo a necessidade do Irã de conservar recursos em meio à crise econômica", disse Bahadli, especialista em grupos armados xiitas.
O acordo EUA-Irã não aborda o apoio de Teerã a grupos paramilitares.
Os presidentes dos Estados Unidos e do Irã assinaram um acordo provisório na quarta-feira para encerrar a guerra, com negociações subsequentes sobre questões complexas como o futuro do programa nuclear iraniano. No entanto, autoridades iranianas afirmaram que o apoio de Teerã a "grupos de resistência" não está em discussão, e o acordo não aborda essa questão
O Ministério das Relações Exteriores do Irã e suas missões junto às Nações Unidas em Nova York e Genebra não responderam imediatamente às perguntas detalhadas para esta reportagem.
O Departamento de Estado dos EUA reiterou "a expectativa de que o governo iraquiano tome medidas imediatas para desmantelar todos os instrumentos das atividades desestabilizadoras do Irã no Iraque, incluindo a Guarda Revolucionária Islâmica e as milícias terroristas alinhadas ao Irã no Iraque".
Em uma reunião na segunda-feira, o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, e o enviado dos EUA, Tom Barrack, discutiram os planos iraquianos para garantir "o completo desarmamento e dissolução de todos os grupos armados" que operam fora do controle do Estado iraquiano e para assegurar que "o território iraquiano não possa ser usado por nenhuma das partes para ameaçar a paz regional", de acordo com uma declaração conjunta.
O porta-voz militar de Zaidi, Sabah al-Numan, recusou-se a comentar para esta reportagem.
O Ministério da Informação do Kuwait, o gabinete de comunicações do governo saudita e o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos não responderam aos pedidos de comentários.
A guerra no Irã devastou a região produtora de energia mais importante do mundo, interrompendo o fornecimento e provocando uma disparada da inflação. Teerã respondeu aos bombardeios americanos e israelenses fechando efetivamente o Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito, e lançando uma ampla campanha de ataques com drones e mísseis contra os países vizinhos do Golfo.
Novos grupos que surgiram no Iraque durante o conflito, muitas vezes operando sob nomes desconhecidos e com perfis públicos mínimos, realizaram pelo menos três ataques com drones contra o Kuwait, dois contra a Arábia Saudita e dois contra os Emirados Árabes Unidos, disseram três fontes de segurança iraquianas, citando uma combinação de inteligência humana, comunicações interceptadas e evidências coletadas nos locais de lançamento.
Os alvos incluíam a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, onde estão posicionadas forças americanas, e um terminal militar no aeroporto internacional do país, disseram as fontes, sem dar mais detalhes. Os ataques direcionados à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos foram interceptados, de acordo com as fontes, que não puderam confirmar os alvos pretendidos.
A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as informações fornecidas.
Um teste inicial para o novo primeiro-ministro do Iraque
Autoridades iraquianas afirmaram que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) recorreu às novas células para manter uma negação plausível, desviar a culpa dos principais grupos apoiados pelo Irã no país e reduzir a pressão dos EUA sobre Bagdá para desarmá-los.
As forças de segurança iraquianas têm informações limitadas sobre os grupos, mas estão trabalhando para descobrir suas cadeias de comando a fim de ajudar a prevenir futuros ataques, disseram as autoridades. Os grupos incluem combatentes de elite com experiência em operações com drones e comunicações, acrescentaram.
Teerã gastou décadas e bilhões de dólares construindo sua rede de alianças regionais, que foi severamente enfraquecida desde que o grupo militante palestino Hamas, apoiado pelo Irã, atacou Israel em 7 de outubro de 2023.
Israel tem atacado duramente o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano, enquanto o movimento Houthi no Iêmen tem sido alvo de ataques aéreos dos EUA e do Reino Unido. O presidente sírio Bashar al-Assad foi deposto em dezembro de 2024, cortando uma importante rota de abastecimento para as milícias iraquianas e isolando ainda mais a República Islâmica.
Em vez de manter uma ampla rede de grupos bem financiados no Iraque, o Irã agora parece estar se baseando em um número limitado de "quadros mais radicalizados dispostos a operar com um apoio financeiro mais enxuto, priorizando lealdade, possibilidade de negação e impacto operacional em detrimento do recrutamento em massa", disse Bahadli, especialista em milícias.
Os novos grupos representam um teste inicial para Zaidi, do Iraque, que assumiu o cargo no mês passado após pressão dos EUA sobre a aliança dominante de blocos políticos xiitas para impedir o retorno do ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki, que tem laços estreitos com o Irã. Bagdá há muito tempo caminha na corda bamba entre seus dois aliados mais próximos, Washington e Teerã, um equilíbrio que se tornou mais difícil durante a guerra.
Os ataques provenientes do Iraque também representam um risco para Bagdá, que tem se esforçado para reconstruir os laços com os ricos vizinhos do Golfo, laços esses que estavam tensos desde a invasão do Kuwait por Saddam Hussein em 1990, mas que haviam começado a melhorar nos últimos anos.
Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos convocaram os enviados do Iraque em abril para protestar contra os ataques.
As autoridades iraquianas estão investigando se o ataque com drones ocorrido em 17 de maio, que causou um incêndio na usina nuclear de Barakah, está incluído, disseram autoridades de segurança. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado três drones que entraram em seu espaço aéreo vindos do Iraque no mesmo dia, um ataque que, segundo as autoridades iraquianas, foi realizado por um novo grupo.
Zaidi condenou os dois ataques, descrevendo-os como atos criminosos, e prometeu uma investigação conjunta com os dois países do Golfo para verificar se o território iraquiano foi usado para atacá-los. Numan, porta-voz de Zaidi, não respondeu a perguntas sobre o andamento da investigação.

Alta da carne pesa no churrasco da Copa
O churrasco pode ficar mais salgado para a torcida brasileira este ano — e não apenas por causa da carne. Itens comuns em reuniões para torcer pelo Brasil em jogos da seleção acumulam um aumento superior ao da inflação, de cerca de 12%, registrada desde a última Copa do Mundo, em 2022.
Para encher a grelha, só a linguiça não ficou mais cara. O frango teve alta de 18%, o pão de alho, de 15%, e a carne bovina, de 9%.
Salsicha enlatada e petiscos tiveram as maiores variações desde a última Copa
via BBC
As bebidas também acompanham essa tendência: o preço da cerveja subiu 19% desde 2022, enquanto refrigerantes e sucos registraram aumentos ainda maiores, de 30% e 32%, respectivamente.
Itens mais populares seguiram a mesma variação. A salsicha enlatada teve alta de 26%; os petiscos, como chips, ficaram 21% mais caros; a pipoca de micro-ondas subiu 20%; os lanches prontos, 19%; e o amendoim, 17%.
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As estimativas foram feitas, a pedido da BBC News Brasil, pela Scanntech, empresa referência no setor varejista para compilar e analisar cupons fiscais emitidos por mercados de pequeno, médio e grande porte em todo o país.
Os valores podem variar por diversos fatores, desde a localização e a rede de supermercado escolhida pelo consumidor até a marca dos produtos e, no caso da carne bovina, o corte adquirido. Por isso, a empresa prefere não divulgar os preços médios de cada item.
Os aumentos percentuais são valores aproximados, calculados a partir de uma base de cupons fiscais que, segundo a Scanntech, contempla as emissões de três em cada quatro estabelecimentos do setor.
Sucos e refrigerante tiveram as maiores variações desde a última Copa
via BBC
Consumo não deve cair, mas cesta de compras deve mudar
Porta-voz e diretora de marketing da Scanntech, Priscila Ariani diz não acreditar que o consumo voltado para a Copa vá cair por causa da alta dos preços.
Pelo contrário: desta vez, a maioria dos jogos acontece à noite para os brasileiros, o que pode intensificar os encontros e facilitar a participação de quem normalmente não consegue deixar o trabalho para acompanhar uma partida realizada no meio da tarde, por exemplo.
Mas a cesta média de compras para uma reunião diante da televisão deve mudar, acrescenta ela. Segundo as estimativas da Scanntech, que fornece aos supermercados dados de inteligência para impulsionar o faturamento, a expectativa do setor é que as churrasqueiras tenham mais frango do que carne bovina.
Isso se deve a vários fatores. O primeiro, afirma a executiva, é que, embora o frango tenha registrado uma alta média de preços superior à da carne bovina, ele ainda custa muito menos e, diante do endividamento e da perda do poder de compra das famílias, tende a ter maior procura.
Mas há também razões que vão além do preço. Entre elas está o fato de o frango ser menos gorduroso.
A característica, diz Ariani, agrada tanto quem busca fontes de proteína consideradas mais saudáveis quanto pessoas em tratamento com canetas emagrecedoras, conhecidas por provocar enjoos quando o paciente consome cortes gordurosos — em geral bovinos, mesmo os nobres, devido à gordura intramuscular.
"O consumo mudou muito ao longo desses quatro anos, a gente teve crescimentos exponenciais da vertente de saúde. A proteína é a vedete da vez, né? Só se fala em proteína", ela diz.
Essa preocupação com hábitos saudáveis pode parecer paradoxal quando se fala de uma cesta de compras voltada à socialização, reconhece a executiva.
Ainda assim, ela afirma que é possível manter produtos associados à celebração sem abandonar os cuidados com a alimentação.
Nesse contexto, a Scanntech observa, por exemplo, um aumento no consumo de cervejas light, que costumam ter preço mais elevado, mas ao mesmo tempo são ingeridas em menor quantidade.
O que explica a alta dos preços
Para André Braz, coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em política monetária e inflação, é difícil explicar de forma generalizada o aumento dos valores desses produtos.
Diversos fatores influenciam a formação dos preços, explica ele. O primeiro é a própria demanda. Quando a procura aumenta, como costuma ocorrer às vésperas e durante grandes torneios esportivos, os valores tendem a subir.
O diagnóstico é reforçado por um estudo da Scanntech, que registrou vendas, em média, 24% maiores nos dias que antecederam jogos da Copa de 2022 e de competições disputadas no ano passado, como o Mundial de Clubes, a Copa Intercontinental e a Libertadores.
Mas há fatores que vão além da demanda, especialmente no mercado de carne bovina, que enfrenta uma restrição de oferta ao mesmo tempo em que as exportações seguem aquecidas, diz o economista.
O Brasil bateu recorde de exportações de carne bovina in natura no ano passado, mesmo com as sobretaxas impostas pelo presidente americano Donald Trump.
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Foram 3,50 milhões de toneladas embarcadas, alta de 20,9% em relação a 2024, e US$ 18,03 bilhões movimentados, o equivalente a cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que compilou os dados com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Mas o especialista afirma que existe, sim, um elemento comum a todos esses produtos e que contribui para encarecer quase tudo nas prateleiras dos supermercados: a logística.
"O setor de bebidas, por exemplo, enfrenta custos importantes relacionados a embalagens, logística e distribuição. Insumos como alumínio, vidro, plástico e transporte têm peso significativo na formação dos preços e podem pressionar reajustes acima da inflação média", ele diz.
A alta dos preços no mercado desde a última Copa do Mundo, em 2022
via BBC

Vai ter folga nos jogos do Brasil? O que diz a lei trabalhista
O primeiro jogo do Brasil em dia útil acontece nesta sexta-feira (19), e empresas de todo o país já se prepararam para mudanças na rotina de trabalho durante os jogos.
As partidas da seleção reacendem dúvidas frequentes entre trabalhadores e empregadores: empresas são obrigadas a liberar funcionários? É permitido assistir aos jogos durante o expediente? As horas podem ser compensadas?
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Além do jogo de hoje, o Brasil fará mais um jogo da fase de grupos em dia útil, mas ambos são à noite, no horário de Brasília. Caso a seleção avance no torneio, novas partidas podem voltar a coincidir com o horário de trabalho.
Embora seja comum que empresas flexibilizem horários ou reduzam o expediente durante a Copa, a legislação trabalhista não prevê folga obrigatória em dias de jogo. (veja abaixo como funciona)
Uma pesquisa da Catho, realizada com 420 empresas, mostra que apenas 5% pretendem manter o expediente normal durante os jogos da seleção brasileira. A maioria afirma que deve adotar algum tipo de flexibilização para os colaboradores.
Segundo o levantamento, 76% das empresas dizem que a Copa impacta, ao menos em parte, a rotina corporativa.
Além disso, 60% afirmam que os jogos coincidem com o horário de trabalho — cenário que tende a afetar principalmente setores com operação noturna, como supermercados, shoppings, padarias, varejo, alimentação e prestação de serviços.
Entre as medidas mais adotadas, 26% das empresas afirmam que irão transmitir os jogos no próprio ambiente de trabalho, enquanto 24% pretendem liberar os funcionários antes das partidas.
Para Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, grupo responsável pela Catho, a tendência é que as empresas busquem equilibrar produtividade e experiência do colaborador durante eventos de grande interesse coletivo.
“Existe uma percepção maior das empresas de que flexibilizar a rotina em momentos específicos pode contribuir para engajamento, clima organizacional e até produtividade, principalmente em equipes que atuam em jornadas mais extensas ou no período noturno”, afirma.
A startup GetNinjas já está enfeitada para a Copa do Mundo; funcionários verão jogos em telão
Marcelo Brandt/G1
Folga durante a Copa é obrigatória?
Apesar da tradição em anos de Mundial, dias de jogo da seleção brasileira não são feriados. A legislação trabalhista não prevê nenhuma regra específica para a Copa do Mundo e, por isso, a jornada normal de trabalho continua valendo.
Na prática, isso significa que a empresa não é obrigada a liberar funcionários, reduzir expediente ou flexibilizar horários por causa dos jogos. Quando a liberação ocorre, a decisão parte exclusivamente do empregador.
Algumas empresas optam por liberar os funcionários sem desconto salarial, enquanto outras permitem que os trabalhadores assistam às partidas no próprio ambiente de trabalho. Há ainda empresas que mantêm o expediente normalmente.
Quando a dispensa ocorre sem desconto no salário, a folga é considerada remunerada. Em outros casos, as horas podem ser compensadas posteriormente.
O advogado trabalhista Marcel Zangiácomo, sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, explica que a compensação pode ser exigida quando a empresa decide liberar parcial ou totalmente os funcionários durante o expediente.
Segundo ele, a compensação precisa ser previamente combinada e respeitar os limites previstos na legislação trabalhista.
“A compensação não pode ultrapassar duas horas extras por dia e o acordo precisa ser claro para evitar que o trabalhador seja surpreendido depois”, afirma.
De acordo com o advogado, a compensação pode ocorrer em até um ano, desde que seja firmado o tipo adequado de acordo — individual verbal, individual escrito ou coletivo, dependendo do caso.
Já a falta injustificada em dias de jogo continua sendo tratada como uma ausência comum. O trabalhador pode sofrer desconto salarial e até perder o descanso semanal remunerado.
Advertências e suspensões também podem ocorrer em casos de reincidência. Ainda assim, especialistas ressaltam que faltar apenas para assistir a uma partida, sem aviso ou negociação prévia, não configura motivo automático para justa causa.
Para profissionais que atuam em regime de escala ou em setores essenciais — como saúde, transporte, segurança e atendimento ao público — as regras tendem a ser mais rígidas.
Segundo Zangiácomo, atividades consideradas essenciais não podem ser interrompidas por causa dos jogos. “A empresa não pode comprometer atividades essenciais por causa da Copa. Por isso, é importante planejamento e diálogo para minimizar impactos”, diz.
Nesses casos, acordos individuais costumam ser mais frequentes, com avaliação das condições operacionais de cada equipe.
O advogado também alerta que assistir aos jogos sem autorização, mesmo dentro do ambiente de trabalho, pode ser interpretado como indisciplina.
“Se a empresa determinou que não haverá pausa, o empregado precisa cumprir a orientação. Caso contrário, pode sofrer advertência e até suspensão”, afirma.
Especialistas destacam que, diante da ausência de uma regra única, o diálogo entre empresa e trabalhador é a melhor alternativa para evitar conflitos e garantir segurança para ambos os lados.
Funcionários trabalham na startup GetNinjas, que enfeitou o ambiente de trabalho para os jogos da Copa do Mundo
Marcelo Brandt/G1

Esboço do uniforme amarelo da Seleção, criado por jovem de 18 anos, venceu concurso após Maracanaço
Aldyr Schlee/Arquivo pessoal e Sam Robles/CBF
O ano era 1953. O Brasil ainda amargava a derrota em casa em plena final de Copa do Mundo de 1950, no Maracanazo. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje CBF, decidiu se livrar de tudo que remetesse à derrota para o Uruguai, inclusive a camisa branca usada pela Seleção até então: a partir dali, o Brasil teria um novo uniforme.
⚽👕 Naquela tarde de 16 de julho de 1950, quando perdeu por 2x1 para o Uruguai de Alcides Ghiggia, o Brasil entrou em campo com a camisa, calção e meiões brancas, com detalhes azuis na gola, na manga e nas meias.
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Após a derrota, a CBD e o diário Correio da Manhã lançaram um concurso nacional para escolher a nova vestimenta brasileira. Dentre os modelos recebidos, o esboçado por um desenhista gaúcho de apenas 18 anos se destacou.
Caderno raro do criador da camisa da Seleção detalha Copa de 1950 em desenhos
Assim, Aldyr Schlee se tornaria o "pai da Amarelinha". Ele enviou ao periódico um modelo inovador para a época: uma camisa que levava um amarelo vivo com detalhes verdes na gola e nas mangas, um calção azul com detalhes em branco nas laterais e meias brancas com detalhes em verde e amarelo.
Esboço original da camisa canarinho feito por Aldyr Schlee
Vinícius Guerreiro/GE
Estava feito. No ano seguinte, em 1954, enquanto as seleções se preparam para a disputa do mundial de 1954, na Suíça, o Correio da Manhã estampava em sua manchete: “O NOVO UNIFORME DA SELEÇÃO: Reprodução exata das tonalidades e desenho do modelo vencedor do concurso patrocinado pela CBD e idealizado pelo 'Correio da Manhã'”.
A novidade também foi destaque do jornal Manchete. Veja abaixo.
“Entre todas as sugestões enviadas, foi premiada a do sr. Aldyr Garcia Schlee, da cidade gaúcha de Pelotas. O novo uniforme, que será estreado contra o Chile, nas eliminatórias da Copa, consta de camisa amarelo-ouro com punhos e gola verdes; calção azul-cobalto com listra branca. Meias brancas com friso verde-amarelo”, completa.
Schlee morreu em 2018, aos 83 anos, em Pelotas, onde vivia. Ele lutava contra um câncer de pele desde 2012. Saiba mais abaixo.
Esboço de Aldy Shclee para o concurso promovido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para escolher o novo uniforme da Seleção
Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
Desenhista, escritor, jornalista e professor: quem era Aldyr Schlee
Aldyr Schlee, criador do uniforme da Seleção Brasileira
Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
O jovem Aldyr Schlee possuía um talento inegável para o desenho. Mas aquele adolescente cresceu e quis ser mais do que o criador do uniforme da Seleção Brasileira.
“Entre tantas coisas que ele fez na vida, ele fez isso também. O pai foi um jornalista importante, ganhou Prêmio Esso de jornalismo, bem novo também. Ainda foi um professor muito importante aqui em Pelotas, professor emérito da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel)", conta o filho, que também se chama Aldyr Schlee, em homenagem ao pai.
"Ganhou a Ordem do Mérito Cultural das mãos da (ex-presidente) Dilma (Rousseff), ganhou sete vezes o Prêmio Açorianos de Literatura, duas Bienais, ganhou um fato literário com o livro Don Frutos", segue.
"Essas coisas eram muito mais importantes para ele do que a questão da camiseta", define o filho.
Nascido em Jaguarão, Schlee foi escritor, jornalista, desenhista e professor. Ele recebeu o prêmio Açorianos de Literatura, em 2011, na categoria narrativa longa com o romance "Don Frutos". Neste ano, ele foi homenageado, junto com Lya Luft, pelo conjunto da obra.
Caderno raro com desenhos de lances e jogadores detalha Copa de 1950
Concurso promovido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) em parceria com o diário Correio da Manhã para escolher o novo uniforme da Seleção
Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
Concurso promovido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) em parceria com o diário Correio da Manhã para escolher o novo uniforme da Seleção
Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
Concurso promovido pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) em parceria com o diário Correio da Manhã para escolher o novo uniforme da Seleção
Aldyr Schlee/Arquivo pessoal
VÍDEOS: Tudo sobre o RS

O funkeiro MC Negão Original
Reprodução/Instagram
O funkeiro MC Negão Original, foragido da polícia por uma suposta participação em um esquema de estelionato virtual, vive um dos seus melhores momentos como artista. Sua música mais recente, “Cuida do Pet”, alcançou a 13ª posição no top 20 do Spotify em duas semanas.
🚨A lei não impede que uma pessoa foragida lance ou divulgue seu trabalho – e isso não é considerado um novo crime (leia mais abaixo).
Feita em parceria com Aaron Modesto, Willian, Iguinho CT e DU’L, a canção “nasceu” antes de João Vitor Marcelino Guido, nome verdadeiro do artista, ter sua prisão decretada pela Justiça e seu paradeiro considerado desconhecido pela polícia.
O cantor já tinha feito sua parte na música, cujas prévias viralizaram nas redes sociais entre março e abril. O trecho de Negão Original foi o de maior destaque.
Sua parte fez tanto sucesso que ganhou uma versão própria, chamada de “Por Isso Ela Mente”. As prévias desse trecho somam mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e TikTok.
Ao saber que a versão não finalizada estava em alta, MC Negão Original entrou em contato com os outros envolvidos na canção e sugeriu que uma versão oficial fosse lançada. Com direito a videoclipe.
Porém, MC Negão Original gravou sua parte isolado dos outros participantes da música, todos em locações diferentes.
O videoclipe oficial atingiu a marca de 1 milhão de visualizações em uma semana. Já uma versão feita por IA, lançada no fim de maio, acumula 2 milhões de views no YouTube.
As suspeitas sobre MC Negão Original
Polícia investiga MC Negão Original por ligação com esquema de estelionato virtual
Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil deflagrou uma operação que investiga uma organização criminosa especializada em golpes virtuais.
Segundo os investigadores, o artista teria ligação com um esquema de estelionato que fez vítimas em diversos estados e movimentou cerca de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos.
De acordo com a polícia, criminosos enviavam mensagens de texto ou áudio se passando por funcionários do INSS. Em seguida, solicitavam às vítimas uma suposta “prova de vida” para evitar o bloqueio do benefício.
Durante a abordagem, os golpistas convenciam principalmente idosos a participar de chamadas de vídeo e instalar aplicativos em seus celulares.
Na prática, esses aplicativos permitiam o acesso remoto aos aparelhos e capturavam dados pessoais, senhas bancárias e outras informações sensíveis.
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Polícia investiga MC Negão Original por ligação com esquema de estelionato virtual
Rauls: como funk transformou estelionatários digitais em personagens de músicas e de série
Ainda segundo a polícia de São Paulo, trechos das canções do MC Negão Original chamaram a atenção dos investigadores durante a apuração do caso.
Entre as gírias que aparecem nas músicas está o termo “Raul”, usada para se referir a golpistas — pessoas que enganam vítimas para obter dinheiro.
Outra gíria citada nas letras é “7”, referência ao artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) que afirmou que "diligências para a localização e prisão do MC Negão Original e dos demais envolvidos no caso estão em andamento".
A reportagem tentou contato com a defesa do funkeiro. O espaço será atualizado caso haja algum retorno.
Um foragido pode lançar e divulgar seu trabalho?
O funkeiro MC Negão Original
Reprodução/Instagram
Sim, uma pessoa que está foragida pode seguir trabalhando normalmente e não está cometendo nenhuma ilegalidade por isso.
Euro Bento Maciel Filho, mestre em Direito Penal, explicou ao g1 que a situação de MC Negão Original não é incomum.
“O dever de encontrar uma pessoa foragida é do Estado. Nesse caso, o artista não tem obrigação de se entregar à polícia, por exemplo. Mesmo foragido, ele tem direito ao trabalho. Eu, por exemplo, já acompanhei casos em que a pessoa fica foragida até o trânsito em julgado [quando não há mais possibilidade de recurso].
Ele afirmou também que as pessoas envolvidas nos lançamentos das músicas não cometeram crime.
“O código penal diz que o crime está em ‘auxiliar um criminoso a fugir ou se esconder’. Quem produz ou trabalha na divulgação com o artista não se encaixa nesse parâmetro. Ajudar, por exemplo, seria emprestar o carro para alguém que sabidamente está foragido e quer fugir.”
Como o funk tem cantado os Rauls?
Como o funk vem documentando a história dos estelionatários digitais, conhecidos como Raul
Principalmente a partir dos anos 2010, o funk paulistano vem cantando sobre a vida dos Rauls. Não necessariamente sobre os golpes aplicados, mas como os criminosos usufruem do dinheiro roubado.
Nomes como MC Kelvinho e MC Kapela ficaram conhecidos por cantarem, quase que exclusivamente, músicas com estelionato como tema. Um dos grandes sucessos de Kelvinho, “O Corre”, tem 22 milhões de visualizações no YouTube e conta com os seguintes versos:
"Os caras que vivem de golpe / Nocaute no Santa [banco Santander] / É nós que é o corre / E os bicos se espanta / A Civil tenta dar o bote / Tá osso ir em cana / Tá pago o acerto / E a vida tá mansa"
A reportagem conversou com três MCs e um produtor musical. Todos pediram para conversar em off com a reportagem, pois temem represálias da polícia e uma possível associação ao crime.
Segundo os ouvidos, falar da vida dos golpistas era um nicho dentro do funk. Antes, poucos MCs colhiam o retorno de cantar as dinâmicas do estelionato.
A partir dos anos 2020, com o crescimento dos crimes cibernéticos, cresceu também a quantidade de funkeiros que decidiram falar sobre o tema.
“A molecada mais nova quer surfar na onda. Se na época do funk ostentação se falava da marca de roupa X ou da moto Y, hoje o negócio é falar dos Rauls, não só pelo crime em si, mas a vida que eles levam por conta dos golpes”, explica um MC.
“Nós estamos na favela e a gente convive, mesmo que indiretamente, com essa realidade. Somos iguais a roteiristas de filme. Nós ouvimos e adaptamos histórias da vida real”.

Primavera Sound Barcelona 2026 teve ótimos shows de Gorillaz, Little Simz, Geese e mais
Christian Bertrand/Divulgação
Com quase 25 anos de existência, o Primavera Sound Barcelona ganhou a fama de ser um festival descolado e alto-astral, um pouco menos mainstream que os enormes Glastonbury e Coachella.
O g1 foi à edição de 2026 do festival espanhol, que contou com show surpresa de Olivia Rodrigo (com participação de Robert Smith!), The Cure, Gorillaz e mais de 150 atrações de grande, médio e pequeno porte.
Não faltou show bom neste line-up — muitos que, inclusive, estão ensaiando uma vinda ao país há um tempo. Veja 5 nomes que, quando vierem ao Brasil, você não pode perder:
Veja o line-up completo do Primavera Sound São Paulo
Gorillaz: como é o show atual da banda que vem ao Primavera
Little Simz
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Expoente do rap britânico, Little Simz deu um show de carisma no festival em Barcelona. Não é uma tarefa simples (para um rapper, especialmente) engajar quem não conhece as letras, mas Simz fez parecer fácil. Ajudou que ela tinha uma banda ao vivo, caprichando na percussão enquanto ela habilidosamente entoava os versos.
Ela dançou, cantou, brincou, se emocionou. Em certo ponto, assumiu a picape de DJ e botou todo mundo para dançar. Com o repertório e a qualidade que ela tem, é uma pena que não tenha planos de vir ao Brasil — mas quando vier, é imperdível.
Geese
Cameron Winter, do Geese, no Primavera Sound Barcelona
Christian Bertrand/Divulgação
A banda do momento pode não ser a preferida de muitos mas, no Primavera Sound Barcelona, foi o assunto da maioria. O grupo se apresentou no primeiro dia do evento e ganhou de brinde um temporal (os shows que viriam mais tarde foram cancelados pelo clima, ou seja, o Geese acabou "promovido" a atração principal).
O resultado foi um showzão, com o drama da chuva torrencial. Teve mosh, gritaria do público e um Cameron Winter (vocalista) blasé, mas tirando de letra o papel de frontman. Já não falta expectativa por uma possível estreia deles no Brasil, mas, com esse show, só aumentou.
Pinkpantheress
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A grande dúvida sobre Pinkpantheress não é se o show vale a pena, mas por que ela não veio ao país até hoje. A produtora e cantora britânica, que só cresce desde a pandemia, se apresentou em um palco menor em Barcelona — mal cabia a plateia que foi vê-la em peso.
O show dela sobra em bom humor e estilo, além do capricho em telões, coreografia e transições. Fica registrado o apelo para alguém trazê-la de uma vez por todas.
Wet Leg
Wet Leg no Primavera Sound Barcelona 2026
Christian Bertrand/Divulgação
Quando veio ao Brasil pela primeira vez (no The Town 2023), o Wet Leg ainda era uma banda iniciante e tímida, com um disco só no repertório.
Agora, é praticamente outro grupo — a vocalista Rhian Teasdale assumiu totalmente o posto de frontwoman, sem timidez e performática como nunca. O show também tem espaço para humor, bons riffs de guitarra e novas músicas ácidas. A banda já acumula um público significativo, mas ainda dá aquela sensação de ver uma estrela despontar.
Sudan Archives
Sudan Archives se apresenta no Primavera Sound Barcelona 2026
Christian Bertrand/Divulgação
A violinista e cantora Sudan Archives é a única nesta lista que (ufa!) tem data para vir ao Brasil: ela estará no Balaclava Fest, no dia 27 de setembro, em São Paulo. E definitivamente vale a pena vê-la.
Em Barcelona, Sudan surgiu sozinha no palco, vestida como uma espécie de ser místico. Ela fez um show hipnótico e vibrante, alternando entre o violino, uma controladora e o microfone. No fim da apresentação, desceu em meio à galera e fez uma grande festa, terminando com a energia lá em cima.

Navios no Estreito de Ormuz em 18 de junho de 2026.
Reuters/Stringer
Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou, nesta sexta-feira (19), que o país não cobrará taxas para navios atravessaram o Estreito de Ormuz durante 60 dias, prazo estipulado para conclusão das negociações com os EUA. Segundo o órgão, o governo da República Islâmica do Irã vai "arcar com esses custos". A informação foi vinculada pela agência iraniana Irna.
Para fazer a passagem segura pelo canal, o Conselho diz que os detalhes operacionais e técnicos, assim como a rota e horário, serão divulgadas pela Autoridade das Vias Navegáveis do Golfo Pérsico. O cumprimento das recomendações de passagem está atrelado ao aumento gradual do tráfego, acrescentou o órgão.
Anteriormente nesta semana o país afirmou que cobraria taxas, contrariando a afirmação do presidente dos EUA, Donald Trump. A passagem livre e sem cobrança de taxas está prevista no acordo de cessar-fogo assinado na quarta-feira (17). Leia os principais pontos do acordo abaixo.
Apesar do aparente avanço da implementação do cessar-fogo, as negociações que estavam previstas para esta sexta-feira (19) entre os Estados Unidos e o Irã na Suína, não acontecerão, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores suíço.
Pentágono teria comunicado que precisa de US$ 80 bilhões para cobrir custos da guerra contra o Irã, diz jornal
O anúncio veio depois que um porta-voz da Casa Branca disse, durante a noite de quinta (18), que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, havia desistido de uma viagem planejada para se encontrar com negociadores iranianos na Suíça.
Outro empecilho para a plena aplicação do acordo é Israel, que segue realizando ataques no sul do Líbano.
Pontos principais do acordo
Após a assinatura de um acordo inicial pelos presidentes de EUA e Irã, as duas partes têm um prazo de 60 dias para discutir as questões ainda em aberto para encerrar de forma definitiva a guerra.
EUA e Irã assinam oficialmente o acordo de trégua
A tarefa não é simples, porém. As duas partes parecem inflexíveis em algumas das questões cuja resolução foi adiada, como o acordo nuclear e a solução para o front no Líbano, ocupado militarmente por Israel.
➡️O documento tem 14 pontos e foi divulgado pelos EUA. O "memorando de entendimento" inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o país e uma compensação financeira ao governo iraniano. O texto estabelece um prazo de 60 dias em regime de cessar-fogo para a discussão dos detalhes do acordo final — se as partes não chegarem a um acordo, o prazo se estende por mais 60 dias.
Veja os pontos mais delicados ainda em discussão:
Líbano
Estima-se que 50 mil casas foram danificadas ou destruídas no Líbano durante a guerra
REUTERS
Uma das condições que o Irã colocou para assinar o acordo inicial foi a de um cessar-fogo pleno, que incluísse também o Líbano. Forças de Israel, aliado dos EUA, atacam o Líbano desde março, sob a justificativa de combater o Hezbollah, grupo extremista aliado do regime de Teerã.
Em sua campanha, porém, Israel é acusado de alavejar civis, incluindo jornalistas e paramédicos, protegidos pelo direito internacional em zonas de conflito, além de destruir intencionalmente infra-estrutura civil, como reservatórios de água e pontes. Mais de 1 milhão de libaneses deixaram suas casas, provocando uma crise de deslocados internos no país.
Israel não assinou o acordo de paz e disse que vai manter suas tropas estacionadas indefinidamente numa zona de cerca de 10 km ao sul do território do país vizinho.
Na quinta-feira (18), o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, criticou o que chamou de "pânico estranho" e "chilique" de Israel ao acordo firmado entre Washington e Teerã.
A troca de farpas indica uma relação estremecida entre os governos dos dois países, tradicionalmente aliados. Não se sabe se os EUA vão conseguir frear o ímpeto de Israel em atacar alvos libaneses, inclusive na capital, Beirute, nem como o Irã vai reagir, se a situação se deteriorar.
Estreito de Ormuz
Um dos poucos consensos já pacificados entre EUA e Irã é a abertura do Estreito de Ormuz para a passagem de navios. O local é um importante ponto de escoamento de petróleo e gás para o comércio internacional, e seu fechamento por um período prolongado poderia gerar um efeito-cascata em produtos no mundo inteiro.
Essa abertura passa a valer imediatamente a assinatura do documento, com Teerã se comprometendo a restabelecer plenamente o tráfego em 30 dias. Isso porque o local ainda está repleto de minas navais colocadas durante o conflito.
O acordo desta semana tambem garante passagem gratuita de navios comerciais pelo estreito, mas só por 60 dias.
Ao longo da guerra, o Irã, que administra a passagem juntamente com Omã, disse que passaria a cobrar um pedágio de todos os navios petroleiros que cruzassem o estreito para a reconstrução de sua infra-estrutura devido aos danos provocados pelos ataques de EUA e Israel.
Os EUA, por sua vez, defendem manter o fluxo por Ormuz gratuito. O tema será tratado como uma queda de braço na mesa de negociação.
Programa nuclear iraniano
Talvez o tema mais delicado ainda em aberto, o Irã só aceita abrir mão de seu programa nuclear — o qual Teerã afirma ter fins pacíficos — com garantias sólidas de segurança e o fim das sanções comerciais que castigam sua economia há décadas.
Nos próximos 60 dias, os negociadores deverão discutir qual o patamar de enriquecimento de urânio ao qual o país terá direito e como se dará a retirada do material nuclear que o Irã já tem em estoque.
Atualmente, estima-se que as reservas de urânio do Irã estejam na casa de 11 toneladas, dos quais 441 kg estão enriquecidos a 60% (mais do que o necessário para fins energéticos ou de pesquisa, mas menos do que é preciso para se fabricar uma bomba).
No memorando, o Irã reafirma que não vai adquirir nem desenvolver armas nucleares, enquanto os EUA concordam em resolver a questão do estoque de urânio enriquecido iraniano por meio de um mecanismo a ser definido de comum acordo.
Os negociadores dos EUA tentarão os acordo mais rigoroso do que o assinado pelo Irã com o governo Obama em 2015, criticado por Trump e do qual o republicano se retirou unilateralmente poucos anos depois.
A tarefa não é fácil, porém, já que analistas apontam que os iranianos saem da guerra com mais poder de barganha ao mostrar que o regime dos aiatolás é mais resistente do que se pensava e que Teerã é capaz de manter os Estreito de Ormuz fechado mesmo sob intensa pressão militar.

Fedo Baccourt é hatiano, mora em São Paulo há 13 anos e fundou a União Social dos Imigrantes Haitianos
TV Globo
A classificação do Haiti para a Copa do Mundo pela primeira vez desde 1974 tem sido comemorada por haitianos em diferentes partes do mundo. No Brasil, onde a comunidade do país caribenho está entre as mais numerosas da imigração internacional, a conquista despertou orgulho e emoção entre os imigrantes.
O retorno ao torneio após 52 anos ganha um significado ainda maior porque a seleção caribenha terá pela frente justamente o Brasil, equipe que por décadas foi uma das mais admiradas pelos torcedores haitianos.
Por muitos anos, os haitianos se reuniram diante de televisões e rádios para torcer pela seleção brasileira em Copas do Mundo. Neste ano, porém, a situação é diferente. Com o Haiti no Mundial, a prioridade passou a ser a seleção nacional.
Fedo Baccourt, pesquisador da USP, empresário, coordenador e fundador da União Social dos Imigrantes Haitianos, organização criada em setembro de 2014 na capital paulista, é um apaixonado por futebol. Morando em São Paulo há 13 anos, ele diz que a torcida dos haitianos estará voltada primeiro para o próprio país.
“A torcida primeiro será para o Haiti, lógico. Se o Haiti não está jogando, a gente apoia outros times, e o Brasil, no caso, tem uma torcida grande no país. Mas com o Haiti jogando não tem como não torcer”, afirmou.
Haitianos comemoram classificação da seleção em novembro de 2025
REUTERS/Egeder Pq Fildor
Baccourt conta que assistirá ao jogo entre Brasil e Haiti na Missão Paz São Paulo, instituição filantrópica de apoio e acolhimento a imigrantes e refugiados, ao lado da família.
Apesar de dizer que nunca torceu para o Brasil e que sua preferência sempre foi a Argentina, influenciado por Maradona, ele conta que a esposa é “brasileira de coração” e que as filhas nasceram no Brasil. Por isso, elas sempre torceram pela seleção brasileira.
Mesmo assim, segundo ele, não há dúvidas sobre quem receberá o apoio da família no confronto. "No jogo de sexta iremos torcer pelo Haiti. Nós somos ligados à nossa bandeira e história. Espero que os jogadores joguem pela bandeira. A honra vai cantar mais alto do que o amor”, disse.
Segundo a agência internacional AP, muitos haitianos que tradicionalmente torciam pelo Brasil deixaram a seleção brasileira em segundo plano após a classificação histórica dos Grenadiers, como a seleção haitiana é chamada.
Em Porto Príncipe, camisas da equipe nacional passaram a ocupar as ruas, e torcedores afirmam que vão apoiar o Haiti mesmo diante de uma das seleções mais fortes do mundo.
Baccourt reconhece a diferença técnica entre as equipes, mas considera que apenas a participação no Mundial já representa uma conquista histórica.
“Eu queria muito que o Haiti pudesse colocar 10 a 0 no Brasil. Eu espero que o Haiti ganhe. Se o Brasil ganhar, tudo bem. Mas não podemos negar que é uma grande vitória o Haiti participar da Copa. Sabemos que o time não tem a altura do Brasil, e de outros times, como França, Alemanha. Mas será uma honra enorme se fizermos essa virada".
Um pedestre caminha ao lado de bandeiras e camisas de futebol à venda em uma rua de Porto Príncipe, Haiti
AP Photo/Odelyn Joseph
Para ele, a confiança dos haitianos está ligada à própria trajetória do país. “A gente acredita na luta e força dos haitianos. Fomos o primeiro país livre da escravidão. Napoleão Bonaparte foi a maior força armada. E ninguém imaginava que o Haiti derrotaria o Napoleão. A gente acredita com esse espírito.”
Apesar do desejo de uma vitória histórica, Baccourt mantém os pés no chão. “A gente sabe que o Brasil é melhor. Um monte de jogador grande, que joga na Europa, mas não custa acreditar.”
Ainda assim, para muitos haitianos, o simples fato de ver a seleção nacional de volta à Copa do Mundo depois de cinco décadas já é motivo de celebração e orgulho.
Entre os principais grupos da imigração no Brasil
Haitianos olham um mapa do Brasil enquanto esperam o transporte para outras cidades brasileiras em busca de trabalho
Odair Leal/Reuters
Os haitianos seguem entre as principais nacionalidades da imigração no Brasil, segundo o relatório Dados Consolidados da Imigração no Brasil 2024, do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra).
Em relação aos vistos concedidos, o relatório informa que os haitianos continuam entre as principais nacionalidades atendidas pelo governo brasileiro, embora com retração no último ano.
Segundo o Gráfico 1 do documento, foram cerca de 8 mil vistos em 2024, ante aproximadamente 9 mil em 2023 e cerca de 4 mil em 2022. O relatório também destaca queda de 11,9% no número de vistos concedidos a haitianos na comparação com 2023. No caso dos haitianos, predominam os vistos de reunião familiar e de acolhida humanitária.
Nos registros de residência, o cenário é de estabilidade. De acordo com o relatório, os haitianos parecem ter se mantido em um patamar de pouco mais de 6 mil registros por ano desde 2022. O estudo indica essa permanência em torno desse nível ao longo de 2022, 2023 e 2024.
O documento aponta que, em 2024, os venezuelanos continuaram na liderança entre as nacionalidades com mais regularizações, seguidos por bolivianos e argentinos, enquanto os haitianos permanecem entre os principais grupos, mas sem crescimento expressivo recente.
O relatório também traz um dado relevante sobre os processos de refúgio. Embora os haitianos não estejam entre as nacionalidades com maior número de novas solicitações em 2024, eles aparecem com peso nas extinções de processos.
Jovens atletas da Academia de Futebol Perles Noires, projeto da ONG Viva Rio no Haiti
Paula Lago/g1
Segundo o documento, “boa parte das extinções está associada aos haitianos que já haviam obtido residência, se naturalizando ou se casando com brasileira(o)”. Em 2024, as decisões sobre pedidos de refúgio no Brasil tiveram queda de 51,0% em relação a 2023, após uma alta de 235,7% na comparação entre 2023 e 2022.
No mercado de trabalho formal, os haitianos continuam com presença importante. O relatório diz que eles foram a segunda nacionalidade em movimentação no mercado formal em 2024, mas ficaram em quarto lugar na geração de postos de trabalho, atrás de venezuelanos, cubanos e argentinos.
O ano de 2024 registrou, segundo o documento, o maior volume da série histórica de empregos criados para imigrantes desde 2010, com mais de 70 mil postos de trabalho no total.
38 mil haitianos cadastrados na rede municipal de saúde
Na capital paulista, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que, até 2025, a cidade tinha 38.070 haitianos cadastrados nos serviços de saúde.
Entre as nacionalidades mais atendidas na rede municipal, o Haiti aparece em 4º lugar, atrás de:
Bolívia: 271.598
Angola: 82.728
Venezuela: 60.812
República do Haiti: 38.070
Paraguai: 27.843
Uganda: 25.795
Portugal: 24.975
Peru: 18.646
Nigéria: 10.924
Argentina: 10.764
Cidade de Croix-des-Bouquets, no Haiti
Paula Lago/g1
Imigrantes haitianos em SP revivem o sonho da Copa do Mundo

Atacante Endrick vira boneco gigante em Pernambuco
O técnico Carlo Ancelotti pode até não ter escalado ainda, mas Endrick, promessa da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, já entrou em campo. Pelo menos na torcida em Pernambuco, onde está virando boneco gigante (veja vídeo acima). A estreia do jovem futebolista no mundial é alvo de um verdadeiro clamor popular, e pode ocorrer no jogo desta sexta-feira (19) contra o Haiti.
A missão está nas mãos do escultor Guilherme Paz, que passa os dias analisando fotos, modelando barro e tentando reproduzir uma das características mais marcantes do atacante: o olhar. E, para isso, vale até pedir ajuda à inteligência artificial.
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Mesmo sem ser titular absoluto da Seleção Brasileira, Endrick, de 19 anos, é apontado por muitos torcedores como uma das principais promessas do futebol nacional, ao ponto de ser chamado de "o novo Pelé".
Revelado pelo Palmeiras e atualmente no Real Madrid (mas emprestado ao Lyon), ele ganhou destaque pela personalidade em campo, pelos gols decisivos e pela identificação que criou com parte da torcida brasileira, que vê no jogador um símbolo da renovação da Seleção.
Boneco gigante de Endrick em produção
Pedro Alves/g1
A responsável pela homenagem a Endrick é a Embaixada dos Bonecos Gigantes, que todos os anos leva às ladeiras de Olinda, no carnaval, um verdadeiro elenco de personalidades em suas versões gigantescas.
A primeira etapa da confecção do boneco passa pelas mãos do escultor Guilherme Paz. Formado em design gráfico e ilustração, ele conta que, antes de esculpir o barro com o rosto do jogador, precisa do máximo possível de referências do rosto e cabeça de quem vai fazer. A tecnologia tem sido uma aliada nesse processo.
"Envolve muita pesquisa e, ultimamente, também tenho usado muito a inteligência artificial para reconstrução de imagem. Quando, por exemplo, só consigo foto daquela pessoa de frente. Aí eu abro a IA, peço para pegar essa imagem e imaginar essa pessoa de lado, de diagonal. Vou juntando essas referências para ter tudo que preciso para fazer a cabeça", conta o escultor.
Guilherme é filho de Leandro Castro, produtor cultural à frente da Embaixada dos Bonecos Gigantes. Antes das esculturas, o jovem já trabalhou com tatuagem e com design gráfico. Há cerca de três anos, um artista da Bahia veio a Pernambuco para ministrar um curso. Foi quando ele se encantou pelos "grandalhões".
Guilherme Paz esculpindo boneco gigante de Endrick
Pedro Alves/g1
Segundo Guilherme, uma das partes mais difíceis da confecção dos bonecos é os olhos. Com Endrick, além disso, pesa o fato de o atacante ser muito jovem.
"Como ele é muito novo, uma foto de um ano para outro já muda muito. O desafio de Endrick está sendo fazer o olho, porque ele tem um olho um pouco diferente, que está dando um trabalhinho a mais. E eu sempre tento fazer com o olhar da pessoa, e não um olhar vazio. Fora isso, está tranquilo e está sendo bem divertido de fazer. É o que eu gosto de fazer", declarou.
Ainda segundo Guilherme, o processo fica ainda mais prazeroso quando se trata de um craque que ele admira.
"Estou botando fé no menino também, acho que muita gente do Brasil está botando fé nele. Acho que o brasileiro reconhece muito fácil os jogadores que estão jogando com vontade pelo país, e eu acho que Endrick é um deles", contou.
Como nasce um boneco
Vini Jr., Ancelotti e Neymar como bonecos gigantes
Pedro Alves/g1
Esta é a quinta Copa do Mundo em que os bonecos da Embaixada são "escalados". A primeira foi a da África do Sul, em 2010. O primeiro personagem ligado a futebol foi o narrador Galvão Bueno, que, segundo Leandro Castro, se encantou pelo próprio boneco. Em seguida, veio o rei Pelé.
O sucesso foi tão grande que Leandro foi convidado para participar do Programa do Jô, do saudoso Jô Soares — que naquele ano também ganhou boneco gigante.
A Copa seguinte, de 2014, foi a do Brasil, e teve até jogo de futebol com bonecos na Praia de Boa Viagem. Desde então, entre os muitos futebolistas homenageados, estão:
Ronaldo Fenômeno (com o icônico topete da Copa de 2002);
Ronaldinho Gaúcho (com chapéu de bruxo, conforme seu apelido);
Pelé (em sua versão da Copa de 1970, mais jovem, estreia neste ano);
Vini Júnior (também em nova versão);
Neymar;
Marta;
Cristiano Ronaldo;
Messi.
Na Copa de 2022, por exemplo, fez sucesso o boneco do atacante Richarlison, que não foi convocado para o campeonato deste ano. Na época, a aparência do gigante virou piada na internet e motivou até uma "harmonização facial" para ficar mais parecido com o jogador.
Segundo Leandro Castro, para virar boneco gigante, um jogador precisa ser... gigante.
"Primeiro, tem que ser um gigante do futebol. O jogador tem que estar bem ali naquela época, fazer a diferença, como era o Ronaldo Fenômeno. Chegava lá e definia. Nas partidas que Endrick participou, ele foi lá e decidiu. A gente tá torcendo aqui para o nosso amigo Ronaldo, o bruxo, fazer uma mágica, para o técnico Ancelotti despertar para isso", disse o produtor cultural.
Leandro contou, também, que o tempo ideal para confecção de um boneco costuma ser de, ao menos, 40 dias. Entretanto, em épocas de copa, já houve alguns feitos em até mesmo três dias.
"Quarenta dias é o tempo ideal para criação de um boneco, com todo o processo, que é a modelagem, fazer a forma, transformar em fibra de vidro, acabamento, pintura, refino do acabamento. Copa do Mundo é um período muito pequeno. E a gente interage, os bonecos não estão prontos antes de começar. A gente não sabe quem vai ser o destaque. Nosso recorde foi um boneco em três dias", declarou.
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Técnico eleito por voto popular: ideias para o futebol que já passaram pelo Congresso
Desde 1947, deputados e senadores apresentaram 511 projetos de lei relacionados ao futebol no Congresso Nacional. Levantamento do g1 com dados da Câmara dos Deputados revela que, entre as propostas que não vingaram e acabaram arquivadas, há ideias que hoje soam curiosas, como a eleição direta para o técnico da Seleção Brasileira e a obrigatoriedade de shows musicais nos intervalos das partidas.
O histórico legislativo também reúne propostas que anteciparam debates que só ganhariam força décadas depois. É o caso da utilização de recursos de vídeo na análise de jogadas, tema que viria a se concretizar anos mais tarde com a adoção do árbitro de vídeo (VAR) no futebol profissional.
Eleição direta para técnico
Uma das propostas mais curiosas surgiu em 1986, três anos após o início da campanha pelas Diretas Já. Antonio Pontes, o deputado que mais apresentou projetos relacionados ao futebol naquele período, propôs que o técnico e os dirigentes da seleção fossem escolhidos por meio de eleições diretas. A ideia foi formalizada no Projeto de Lei (PL) 8.482.
Eleições diretas para a escolha da seleção de futebol e seus dirigentes era a proposta de um PL de 1986, de autoria do deputado Antonio Pontes.
Reprodução/Câmara dos Deputados
Na justificativa, o deputado criticava os critérios de convocação da seleção brasileira e citava jogadores que haviam sido cortados da equipe para a Copa do Mundo do México. Ao questionar as escolhas do então técnico Telê Santana, Pontes argumentou:
"Conseguiu a façanha única de, numa mesma seleção, cortar nada menos do que quatro (repito, quatro) pontas — Marinho, Renato, Éder e Sídney. Isso só pode ser falta de critério."
Telê Santana
Arquivo Público
O texto atribuía os "fatos lamentáveis" envolvendo a seleção à "falta de respeito aos direitos humanos que ainda perdura em nosso País".
"Não se pode confundir independência com falta de respeito ao profissional do futebol, mesmo porque o jogador é um ser humano e um patrimônio do seu clube, e não pode ficar exposto a cortes feitos sem qualquer critério."
Não foi um caso isolado. Nos anos seguintes, outros parlamentares também tentaram regulamentar por lei a composição da comissão técnica da seleção e os critérios para a escolha do treinador. Nenhuma dessas propostas avançou.
Em 1990, o deputado Antônio Salim Curiati apresentou um projeto para que a comissão técnica da seleção contasse com dois ex-jogadores campeões do mundo. Segundo a justificativa, as "experiências vividas em campo" poderiam "revigorar o nosso futebol".
"Há quem afirme que o nosso futebol acabou, já que há vinte anos não ganhamos uma Copa; que temos um futebol ultrapassado, enquanto os outros países evoluíram, inovaram e cresceram. Entendemos que nós também precisamos evoluir, inovar e voltar a crescer e a brilhar", dizia a justificativa da proposição.
Em 1990, o deputado Antônio Curiati propôs a entrada de dois ex-atletas ganhadores da Copa do Mundo na comissão técnica da seleção brasileira
Reprodução/Câmara dos Deputados
Antidoping para árbitros
A conduta dos árbitros também virou alvo de projeto de lei. O PL 8.497, de 1986, de autoria do deputado Antonio Pontes, tornava obrigatório o exame antidoping para árbitros e assistentes em todo o país.
A proposta reagia ao sentimento de que os árbitros eram vistos como "pessoas superiores e intocáveis", acima das leis.
O texto estendia aos árbitros as mesmas exigências feitas aos atletas e previa que partidas realizadas sem essa fiscalização não seriam reconhecidas pela Justiça Desportiva. O projeto ainda citava lances polêmicos para embasar a proposta.
"Ainda estão bem vivos na memória dos torcedores acontecimentos deploráveis no setor de arbitragem, como gols feitos com a mão; bolas que não entraram (agora mesmo isso ocorreu no Jogo Brasil com a Alemanha Oriental, embora o árbitro não fosse brasileiro) mas o gol foi validado; e até recentemente, quando todo o Brasil assistiu, pela TV, ao pênalti em Cláudio Adão não assinalado pelo árbitro José Roberto Wright, na final do Campeonato Carioca de Futebol de 1985, entre Bangú e Fluminense"
O VAR antes do VAR
VAR - CBF
Cisco Nobre/GloboEsporte.com
Algumas propostas anteciparam debates que só ganhariam forma décadas depois. Em 1975, o deputado Ney Lopes apresentou um projeto para utilizar gravações em vídeo na análise de partidas de futebol profissional.
O Projeto de Lei 1.563 previa que imagens registradas por emissoras de televisão pudessem ser usadas como prova na Justiça Desportiva — uma ideia que antecedeu em décadas a adoção do árbitro de vídeo (VAR). Na justificativa, o parlamentar argumentava que o "olho da objetiva" — referência à lente da câmera — não tem paixões nem sofre pressões, sendo um instrumento mais confiável para avaliar a atuação dos árbitros.
Em 1975, o deputado Ney Lopes propôs o uso de "video-fita" no julgamento de lances em jogos de futebol profissional.
Reprodução/Câmara dos Deputados
Em 1982, o deputado Pedro Lauro foi além com o PL 6.470. O projeto previa a instalação de quatro telões nos estádios para que a equipe de arbitragem pudesse revisar lances polêmicos durante a partida.
PL de 1982, de autoria do deputado Pedro Lauro, introduzia o "vídeo-tape" para analisar jogadas.
Reprodução/Câmara dos Deputados
O autor argumentava que a velocidade do jogo tornava impossível alcançar total precisão apenas com a observação humana. Sustentava ainda que o uso do recurso, ao contrário do que muitos imaginavam, aumentaria o tempo de bola rolando ao reduzir discussões e controvérsias durante as partidas.
As duas propostas foram rejeitadas. O árbitro de vídeo (VAR) só seria adotado no Campeonato Brasileiro em 2019, após iniciativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mais de quarenta anos depois da primeira tentativa de introduzir o uso de imagens na arbitragem por meio de um projeto apresentado no Congresso.
Show no intervalo
Nas décadas de 1970 e 1980, o Congresso debateu projetos que tornariam obrigatória a apresentação de bandas de música amadora no intervalo dos jogos de futebol.
Em 1974, o deputado Braz Nogueira propôs que bandas amadoras se apresentassem obrigatoriamente em partidas profissionais. Segundo ele, esses grupos musicais faziam parte do patrimônio cultural brasileiro, mas estavam desaparecendo por falta de apoio.
Em 1974, o deputado Braz Nogueira propôs a "exibição de corporações musicais amadoras" durante os intervalos de jogos de futebol.
Reprodução/Câmara dos Deputados
Em 1981, o deputado Daniel Silva retomou a ideia no PL 4.561. Além de defender a música nacional, ele argumentou que as bandas ofereceriam entretenimento e ajudariam a manter o público dentro dos estádios, reduzindo riscos ligados à violência urbana.
"A apresentação, de forma obrigatória, de corporações musicais amadoras no intervalo de partida de futebol com ingresso pago, servirá, sem dúvida, para reverter essa expectativa, além de constituir-se numa solução que apresenta a vantagem da segurança, já que hoje a população tem medo de sair às ruas ou formar aglomerações, por causa do aumento da criminalidade".
Para os dois parlamentares, os estádios seriam o lugar ideal para levar a música ao grande público.
Em 1981, um projeto de lei apresentado pelo deputado Daniel Silva estabelecia a obrigatoriedade de apresentações de corporações musicais durante os intervalos de jogos.
Reprodução/Câmara dos Deputados
As propostas foram rejeitadas. Para os críticos, a ideia de Daniel Silva violava a livre iniciativa e, ironicamente, copiava um modelo típico dos espetáculos esportivos norte-americanos — o mesmo tipo de influência estrangeira que os defensores do projeto costumavam criticar.

Transmissão do jogo do Brasil no festival Na Praia
Divulgação
O fim de semana chegou com programação para todos os gostos no Distrito Federal.
O Na Praia traz Rogerinho e Fica Comigo para animar essa sexta-feira (19) de jogo do Brasil. No sábado (20), a programação é voltada para o público infantil com o Arraiá dos Rosa. E no domingo (21), Banda Eva e Nossa Galera são as atrações do festival.
Durante todo o fim de semana também acontece o Torresmofest no Boulevard Shopping. Além da parte gastronômica, o evento também conta com mais de 10 bandas interpretando sucessos de grandes nomes do rock nacional e internacional.
A programação da capital também conta com peça teatral, clube de leitura para crianças, e o show de Claudio Nucci no Clube do Choro. Veja o que fazer no Distrito Federal entre sexta-feira (19) e domingo (21):
Fica Comigo, Arraiá dos Rosa e Banda Eva no Na Praia Festival
Torresmofest no Boulevard Shopping
De Volpi ao correio elegante, o Dia de Rolê traz a alegria do São João para o CCBB Brasília
Clube dos Pequenos Leitores no Boulevard Shopping
Baco Pizzaria recebe mestres pizzaiolos da América Latina e da Itália para o PizzaFest Brasil
DF Instrumental Fest Gama traz show de fundador do Chico Science & Nação Zumbi, Lúcio Maia
Peça 'Dicionário das Coisas que Nunca Existiram'
Claudio Nucci no Clube do Choro de Brasília
Fica Comigo, Arraiá dos Rosa e Banda Eva no Na Praia Festival
Fica Comigo acontece em Natal neste sábado (5)
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A segunda semana no Na Praia Festival tem programação para todos os gostos e para toda a família. Nesta sexta-feira (19), tem transmissão da partida Brasil x Haiti na Copa e, em seguida, Rogerinho e Fica Comigo animam o pós jogo.
No sábado (20), é a vez das crianças se divertirem em clima de festa junina com o Arraiá dos Rosa. A programação é pra toda a família, com diversas atividades infantis pelo Parque.
E no domingo (21), o Palco Praia, que flutua no Lago Paranoá, recebe o som de Banda Eva e Nossa Galera.
🗓️ Quando: sexta-feira (19), sábado (20) e domingo (21)
⏰ Horário: sexta-feira, a partir das 19h; sábado, a partir das 12h; domingo, a partir das 14h
📍 Local: Na Praia Parque
🎫 Ingressos: a partir de R$ 79, pelo site
Torresmofest no Boulevard Shopping
Torresmo de rolo é uma das principais atrações gastronômicas do Torresmofest
Divulgação
Sabores marcantes, música ao vivo e entretenimento para todas as idades estão reunidos em Brasília durante a quarta edição do Torresmofest.
Desta sexta-feira (19) até domingo (21), das 12h às 23h, o festival gastronômico itinerante ocupa o estacionamento do Boulevard Shopping Brasília com entrada gratuita e uma programação que combina culinária, cultura e lazer.
Mais de 20 expositores participam desta edição, oferecendo um cardápio que vai muito além do tradicional torresmo. Entre as opções estão costela fogo de chão, baião de dois, feijão tropeiro, hambúrgueres com torresmo ou shimeji, lanches de costela, batatas recheadas, doces artesanais, sobremesas e chopp artesanal.
A programação também conta com mais de 10 bandas interpretando sucessos de grandes nomes do rock nacional e internacional. E os fãs de futebol também têm espaço garantido na programação, com oito telões distribuídos pelo evento para a transmissão dos jogos da Copa, permitindo que o público acompanhe as partidas sem abrir mão da gastronomia e das atrações musicais.
🗓️ Quando: sexta-feira (19), sábado (20) e domingo (21)
⏰ Horário: das 12h às 23h
📍 Local: Estacionamento do Boulevard Shopping Brasília
🎫 Entrada gratuita
De Volpi ao correio elegante, o Dia de Rolê traz a alegria do São João para o CCBB Brasília
O clima de festa junina toma conta do CCBB Brasília, neste sábado (20) e domingo (21), com o Rolê Cultural – CCBB Educativo, em uma edição especial do Dia de Rolê dedicada às festas populares, com oficina de arte, performances e brincadeiras tradicionais. A proposta convida o público a redescobrir elementos clássicos do São João, das bandeirinhas coloridas ao correio elegante pela linguagem da criação artística e da mediação cultural.
🗓️ Quando: sábado (20) e domingo (21)
⏰ Horário: a partir das 14h
📍 Local: CCBB Brasília
🎫 Ingressos: gratuitos, pelo site
Clube dos Pequenos Leitores no Boulevard Shopping
Neste sábado (20), o Clube dos Pequenos Leitores recebe a escritora Gabi Vasconcelos, autora de mais de dez títulos infantis, para uma tarde de contação, conversa e muita imaginação. A obra apresentada será "Minha Brasília", uma celebração afetiva da capital pelos olhos e pelo coração de quem a escolheu como lar.
🗓️ Quando: sábado (20)
⏰ Horário: 16h
📍 Local: Boulevard Shopping Brasília - Piso 1
🎫 Ingressos: gratuitos, pelo site
Baco Pizzaria recebe mestres pizzaiolos da América Latina e da Itália para o PizzaFest Brasil
Neste sábado (20), 20 de junho, os jardins da Baco Pizzaria, em Brasília, recebem a segunda edição do PizzaFest Brasil, evento dedicado à celebração da Vera Pizza Napoletana. O festival reúne mestres pizzaiolos do Brasil, América Latina e Itália para um dia de aulas interativas e preparo de pizzas tradicionais em forno a lenha.
🗓️ Quando: sábado (20)
⏰ Horário: das 16h às 22h
📍 Local: CLS 408, Asa Sul, Brasília - DF
🎫 Entrada gratuita
DF Instrumental Fest Gama traz show de fundador do Chico Science & Nação Zumbi, Lúcio Maia
O DF Instrumental Fest 2026 dá início ao seu quarto ciclo, neste sábado (20), com programação gratuita no Centro de Ensino Médio (CEM) 02 do Gama. A primeira etapa do festival reúne atrações da música instrumental contemporânea, manifestações da cultura popular e intervenções poéticas, reforçando a proposta de democratizar o acesso à cultura e aproximar diferentes públicos da produção artística do Distrito Federal.
A programação começa com apresentação do Zenga Baque Angola, grupo brasiliense que leva ao público a força do Maracatu. Na sequência, o guitarrista, compositor e um dos fundadores do Chico Science e Nação Zumbi, Lúcio Maia, sobe ao palco, para apresentar seu trabalho marcado por experimentações sonoras e pela trajetória construída ao longo de décadas na música brasileira.
🗓️ Quando: sábado (20)
⏰ Horário: a partir das 16h
📍 Local: Centro de Ensino Médio (CEM) 02 do Gama
🎫 Entrada gratuita
Cantor Chico Science faria 60 anos em 2026; legado está presente até fora da música
Peça 'Dicionário das Coisas que Nunca Existiram'
No espetáculo "Dicionário das Coisas que Nunca Existiram", um homem adulto resolve pôr fim ao caos que a mãe, com Alzheimer, provoca em sua vida: vai mandá-la para um asilo, junto com suas memórias confusas e frases desconexas. É quando, numa madrugada, tudo muda.
A peça discute, de forma direta, questões como etarismo, abandono parental, senilidade.
🗓️ Quando: sábado (20) e domingo (21)
⏰ Horário: sábado, às 20h e domingo, às 19h
📍 Local: Teatro Ribondi - Casa dos Quatro - SCLRN 708 Bloco F Loja 01 - Asa Norte
🎫 Ingressos: a partir de R$ 30, na bilheteria
Claudio Nucci no Clube do Choro de Brasília
Claudio Nucci
Raphael Pinheiro / Divulgação
Claudio Nucci se apresenta no Clube do Choro de Brasília, neste sábado (20). O show passeia por toda a carreira do cantor e compositor, trazendo sucesso "Quero Quero", "Aconteciencia", "Levezinho", "Amor Aventureiro" e "Sapato Velho".
🗓️ Quando: sábado (20)
⏰ Horário: 20h30
📍 Local: Clube do Choro de Brasília
🎫 Ingressos: a partir de R$ 50, pelo site
Veja o que fazer em Brasília no g1 DF.

Delegação do Irã tem dificuldades para deixar os EUA após estreia na Copa
A seleção do Irã vai apresentar uma reclamação à Fifa por restrições de viagem nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo 2026, informou o porta-voz da federação iraniana na quinta-feira (18).
A seleção defende que informou com antecedência o cronograma de viagens aos organizadores, mas que enfrenta restrições, afetando os planos da comissão técnica e a preparação para o jogo contra a Bélgica.
"Apesar de ter enviado seu cronograma de preparação para o torneio com bastante antecedência, a seleção nacional do Irã voltou a enfrentar restrições impostas pelos organizadores, o que está afetando a execução dos planos da comissão técnica", disse o porta-voz.
Segundo a federação, as restrições impostas à seleção impediram uma preparação adequada para a partida contra Bélgica, que ocorre neste domingo (21), às 16h (horário de Brasília). Uma parte da comissão técnica ficou sem visto para entrar nos EUA e só conseguirão chegar à Los Angeles, cidade onde ocorrerá a próxima partida, um dia antes da partida, em vez de dois dias antes, como ocorre com outras seleções.
Essas "restrições são contrárias ao princípio de igualdade de condições para todas as seleções participantes e correm o risco de prejudicar a preparação", afirmou o dirigente em comunicado.
Seleção do Irã antes da partida contra a Nova Zelândia na primeira fase da Copa.
Daniel Cole / Reuters
Após a estreia na Copa na noite de segunda-feira (15) com um empate, a equipe iraniana relatou ter recebido uma "ordem imediata" para deixar os EUA. Depois, agências de notícias do Irã afirmaram que o capitão da seleção, Mehdi Taremi, e um auxiliar da equipe foram retidos no aeroporto de Los Angeles, onde o time jogou.
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➡️ A seleção iraniana empatou em 2 a 2 com a Nova Zelândia na estreia, que ocorreu em meio a tensões geopolíticas por conta da guerra que o país trava com os Estados Unidos no Oriente Médio (leia mais abaixo). Como a Copa do Mundo de 2026 ocorre nos EUA, no México e no Canadá, houve dúvidas sobre a participação do time do Irã, que foi classificado para a competição.
Para contornar a crise, a Fifa transferiu para o México a base da seleção iraniana durante a Copa, que inicialmente ficaria nos EUA.
Após a partida, o técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, afirmou que a equipe recebeu a ordem de saída imediata de autoridades dos EUA. Autoridades de imigração norte-americanas ainda não haviam se manifestado sobre a informação até a última atualização desta reportagem.
Agências de notícias estatais iranianas afirmaram ainda que o centroavante Mehdi Taremi, que é estrela da seleção iraniana, e o membro da comissão técnica Saeid Alhouei foram retidos no aeroporto de Los Angeles quando a equipe retornava para Tijuana, no México, onde está hospedada.
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As agências iranianas disseram que os dois enfrentaram "atraso injustificado" nos procedimentos de checagem de passaportes e vistos na imigração do aeroporto. Eles foram liberados após as checagens, e toda a equipe já voltou ao México.
Mehdi Torabi (à frente) durante o aquecimento da partida contra a Nova Zelândia.
Gary Vasquez / IMAGN IMAGES via Reuters
Além da retenção temporária no aeroporto, a equipe iraniana enfrenta também outro entrave. O atacante Mehdi Torabi recebeu um visto do governo norte-americano que permite apenas uma entrada nos Estados Unidos, ao contrário do restante do grupo, que tem visto de múltiplas entradas.
Para a próxima partida, que também ocorrerá nos EUA, a seleção iraniana terá de solicitar às autoridades norte-americanas um novo visto para o atacante. Segundo as agências iranianas, a Federação Iraniana de Futebol já iniciou trâmites legais para tentar emitir uma nova autorização e garantir que o atleta possa acompanhar a equipe nos próximos jogos.
Governo Trump informou que a seleção do Irã poderá entrar em território americano apenas 36 horas antes de cada partida
As próximas partidas do Irã ocorrerão nos Estados Unidos: no sábado (21), os iranianos enfrentarão a Bélgica, em Los Angeles. Depois, jogarão contra o Egito em Seattle, em 27 de junho.
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Tensões geopolíticas
Trump diz que já assinou acordo de trégua que pode pôr fim à guerra no Irã
A estreia do Irã da Copa ocorreu no mesmo dia em que Estados Unidos e Irã assinaram virtualmente um acordo para o fim da guerra no Oriente Médio. Os dois países haviam anunciado o acordo no fim de semana, após mais de três meses de conflito, que começou quando EUA e Israel fizeram ataques conjuntos ao território iraniano em 28 de fevereiro.
O Irã respondeu com uma série de ataques a países do Golfo Pérsico aliados dos EUA ou que sediam bases militares norte-americanas. Outra frente de guerra foi aberta no Líbano, após o Hezbollah, grupo terrorista libanês financiado pelo Irã, lançar ataques ao vizinho Israel em retaliação.
O Exército israelense vem bombardeando o território libanês desde então e enviou tropas ao sul do Líbano.
Encontro entre EUA e Irã previsto para sexta não ocorrerá, diz Suíça
O acordo firmado entre as partes prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o canal controlado pelo Irã e por onde passam cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. Os EUA também retirarão navios de sua Marinha que fazem um bloqueio naval na entrada do estreito, interpelando navios que comercializam nos portos iranianos locais.
O texto também estipula um cessar-fogo que está previsto para durar enquanto as duas partes discutem o ponto-chave das tratativas, ainda em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. O acordo, segundo Teerã, prevê que negociadores dos dois lados chegarão a um consenso em um prazo de até 60 dias.
Equipe 'mais oprimida' da Copa
Antes da estreia do Irã, o técnico do Irã, Amir Ghalenoei, já havia reclamado da logística de viajar logo após a partida e afirmou que sua equipe estava sendo “oprimida”.
Ghalenoei, de 62 anos, disse que eles passaram por mais contratempos, já que o time esperava passar a noite de segunda-feira em Los Angeles, mas acabou sendo obrigado a retornar imediatamente ao México. Ele não disse quem impôs a restrição.
“Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram. Para ser sincero, não faço ideia do porquê. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo", disse.
Procurados pela agência de notícias Reuters para comentar as declarações, o Departamento de Estado dos EUA e a Fifa não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Ainda no estádio, o atacante iraniano Mehdi Taremi disse que as restrições estavam impedindo a equipe de dar o seu melhor no torneio:
“Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol. Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso. É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos paz".
Por que torcedores do Irã e Haiti estão proibidos de entrar nos EUA na Copa?
Permanência vetada
Os EUA já haviam comunicado que a seleção não poderia se manter no país durante toda a Copa. De acordo com o embaixador iraniano no México, o visto concedido aos 26 jogadores permite apenas a entrada temporária nos Estados Unidos para treinamentos e partidas.
A delegação chegou no dia 7 de junho a Tijuana, no México, onde ficará concentrada durante a primeira fase da competição.
Inicialmente, a equipe planejava se hospedar em Tucson, no Arizona. No entanto, a guerra alterou toda a logística da seleção.
No dia 9 de junho, dois dias antes do começo da Copa, a Federação de Futebol do Irã (FFIRI) anunciou que sua cota de ingressos para a competição foi retirada pelos Estados Unidos. A decisão deixou os torcedores que já haviam feito planos de viagem impossibilitados de assistir às partidas da seleção iraniana.
Torcedores iranianos comemorar o empate contra a Nova Zelândia.
Matthew Childs / Reuters

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, participa de evento na Universidade da Geórgia, em Athens
Alyssa Pointer/Reuters
As negociações que estavam previstas para esta sexta-feira (19) entre os Estados Unidos e o Irã na Suína, não acontecerão, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores suíço. O encontro serviria para iniciar conversas sobre a implementação deo acordo firmado entre Teerã e Washington para encerrar a guerra.
O anúncio veio depois que um porta-voz da Casa Branca disse, durante a noite de quinta (18), que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, havia desistido de uma viagem planejada para se encontrar com negociadores iranianos na Suíça.
O encontro estava previsto para ocorrer no resort de montanha de Burgenstock.
Pontos principais do acordo
Após a assinatura de um acordo inicial pelos presidentes de EUA e Irã, na última quarta-feira (17), as duas partes têm um prazo de 60 dias para discutir as questões ainda em aberto para encerrar de forma definitiva a guerra.
EUA e Irã assinam oficialmente o acordo de trégua
A tarefa não é simples, porém. As duas partes parecem inflexíveis em algumas das questões cuja resolução foi adiada, como o acordo nuclear e a solução para o front no Líbano, ocupado militarmente por Israel.
➡️O documento tem 14 pontos e foi divulgado pelos EUA. O "memorando de entendimento" inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o país e uma compensação financeira ao governo iraniano. O texto estabelece um prazo de 60 dias em regime de cessar-fogo para a discussão dos detalhes do acordo final — se as partes não chegarem a um acordo, o prazo se estende por mais 60 dias.
Veja os pontos mais delicados ainda em discussão:
Líbano
Estima-se que 50 mil casas foram danificadas ou destruídas no Líbano durante a guerra
REUTERS
Uma das condições que o Irã colocou para assinar o acordo inicial foi a de um cessar-fogo pleno, que incluísse também o Líbano. Forças de Israel, aliado dos EUA, atacam o Líbano desde março, sob a justificativa de combater o Hezbollah, grupo extremista aliado do regime de Teerã.
Em sua campanha, porém, Israel é acusado de alavejar civis, incluindo jornalistas e paramédicos, protegidos pelo direito internacional em zonas de conflito, além de destruir intencionalmente infra-estrutura civil, como reservatórios de água e pontes. Mais de 1 milhão de libaneses deixaram suas casas, provocando uma crise de deslocados internos no país.
Israel não assinou o acordo de paz e disse que vai manter suas tropas estacionadas indefinidamente numa zona de cerca de 10 km ao sul do território do país vizinho.
Na quinta-feira (18), o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, criticou o que chamou de "pânico estranho" e "chilique" de Israel ao acordo firmado entre Washington e Teerã.
A troca de farpas indica uma relação estremecida entre os governos dos dois países, tradicionalmente aliados. Não se sabe se os EUA vão conseguir frear o ímpeto de Israel em atacar alvos libaneses, inclusive na capital, Beirute, nem como o Irã vai reagir, se a situação se deteriorar.
Estreito de Ormuz
Um dos poucos consensos já pacificados entre EUA e Irã é a abertura do Estreito de Ormuz para a passagem de navios. O local é um importante ponto de escoamento de petróleo e gás para o comércio internacional, e seu fechamento por um período prolongado poderia gerar um efeito-cascata em produtos no mundo inteiro.
Essa abertura passa a valer imediatamente a assinatura do documento, com Teerã se comprometendo a restabelecer plenamente o tráfego em 30 dias. Isso porque o local ainda está repleto de minas navais colocadas durante o conflito.
O acordo desta semana tambem garante passagem gratuita de navios comerciais pelo estreito, mas só por 60 dias.
Ao longo da guerra, o Irã, que administra a passagem juntamente com Omã, disse que passaria a cobrar um pedágio de todos os navios petroleiros que cruzassem o estreito para a reconstrução de sua infra-estrutura devido aos danos provocados pelos ataques de EUA e Israel.
Os EUA, por sua vez, defendem manter o fluxo por Ormuz gratuito. O tema será tratado como uma queda de braço na mesa de negociação.
Programa nuclear iraniano
Talvez o tema mais delicado ainda em aberto, o Irã só aceita abrir mão de seu programa nuclear — o qual Teerã afirma ter fins pacíficos — com garantias sólidas de segurança e o fim das sanções comerciais que castigam sua economia há décadas.
Nos próximos 60 dias, os negociadores deverão discutir qual o patamar de enriquecimento de urânio ao qual o país terá direito e como se dará a retirada do material nuclear que o Irã já tem em estoque.
Atualmente, estima-se que as reservas de urânio do Irã estejam na casa de 11 toneladas, dos quais 441 kg estão enriquecidos a 60% (mais do que o necessário para fins energéticos ou de pesquisa, mas menos do que é preciso para se fabricar uma bomba).
No memorando, o Irã reafirma que não vai adquirir nem desenvolver armas nucleares, enquanto os EUA concordam em resolver a questão do estoque de urânio enriquecido iraniano por meio de um mecanismo a ser definido de comum acordo.
Os negociadores dos EUA tentarão os acordo mais rigoroso do que o assinado pelo Irã com o governo Obama em 2015, criticado por Trump e do qual o republicano se retirou unilateralmente poucos anos depois.
A tarefa não é fácil, porém, já que analistas apontam que os iranianos saem da guerra com mais poder de barganha ao mostrar que o regime dos aiatolás é mais resistente do que se pensava e que Teerã é capaz de manter os Estreito de Ormuz fechado mesmo sob intensa pressão militar.

Trens da Linha 17-Ouro do Monotrilho em estação da Zona Sul de São Paulo.
Sergio Barzaghi/Secom/Pref. de SP
O governo de São Paulo deve inaugurar na última semana de junho a estação Washington Luís da Linha 17-Ouro do Monotrilho, na Zona Sul de São Paulo.
A estação é a última da primeira etapa de entrega da linha pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), que inaugurou o trecho em 31 de março com sete estações.
Segundo o g1 apurou, a expectativa é que, com a inauguração da oitava estação, pelo menos mais um trem seja posto em circulação na linha, que está em operação transitória até setembro, com gratuidade aos usuários e atuação em horários reduzidos.
Nesta fase, o monotrilho da Zona Sul está funcionando apenas das 10h às 15h, de segunda a sexta-feira, com intervalo médio de 14 a 17 minutos entre os trens. A média de passageiros por dia é de 3.370.
Metrô promete operação total da linha 17-Ouro, do Monotrilho, para setembro
Até agora, a Linha 17 tem operado no estilo “shuttle”, com somente um trem operando em cada sentido da linha, o que ocasiona esperas mais longas dos passageiros nas plataformas.
A ideia do Metrô é que, a partir de julho, ao menos mais um trem entre em circulação, totalizando três veículos no atendimento dos passageiros.
Com a abertura da estação Washington Luís, a expectativa é que a chamada "Operação em Y" do sistema também comece a ocorrer.
Entretanto, a operação tradicional, das 4h40 à meia-noite, de segunda a domingo, está prevista para ter início apenas em outubro, próximo ao primeiro turno da eleição, segundo o cronograma do Metrô divulgado na inauguração da linha, em março.
Em nota enviada ao g1, o Metrô confirmou que "uma nova etapa de operação transitória da Linha 17-Ouro começará até o fim deste mês, com a entrada em funcionamento da estação Washington Luís, seguindo o cronograma estipulado no plano de abertura da linha".
"Um terceiro trem também está previsto para iniciar operação no final de junho. Com este cenário, a operação transitória poderá avaliar o desempenho dos sistemas, trens e estações em toda a linha, e sua evolução, para poder inserir mais trens em funcionamento simultâneo e a operação em carrossel, ampliando o horário e os dias de atendimento", disse a empresa.
Segundo o Metrô, desde o início da operação, já foram transportadas cerca de 220 mil pessoas na Linha 17-Ouro.
As estações mais movimentadas do sistema desde a inauguração em março são as seguintes:
Morumbi com média de 966 passageiros por dia útil;
Campo Belo com média de 896 passageiros por dia útil;
Aeroporto de Congonhas com 690 passageiros por dia útil.
Nas contas do governo paulista, os 6,7 km de extensão operacional do primeiro trecho da Linha 17-Ouro devem receber cerca de 100 mil passageiros por dia após sua conclusão e início da operação comercial.
Trens em teste da Linha 17-Ouro do Monotrilho, na Marginal do Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo.
Sergio Barzaghi/Secom/PMSP
Repasse para a Viamobilidade
A gestão Tarcísio pretende transferir o funcionamento da linha em outubro para a ViaMobilidade. A concessionária vai explorar o trecho por um período de 20 anos.
O governo não descarta, entretanto, adiantar esse cronograma, para que a operação não fique tão próxima do pleito.
Segundo o g1 apurou, líderes do Metrô aconselharam o governo paulista a estender o período de administração da companhia estatal na linha, a fim de evitar problemas como os que ocorreram com a Linha 15-Prata no início da operação, em 2014.
Desde sua inauguração, o monotrilho da Zona Leste sofreu com inúmeras falhas, problemas técnicos e até acidentes graves, como a colisão entre as locomotivas que operam o sistema, em 2019.
No ano seguinte, em 2020, a Linha 15-Prata chegou a ficar quase quatro meses fechada para correção de problemas técnicos.
Monotrilho registrou falhas em 219 dias nos últimos 5 anos
Colisão entre trens afeta Linha 15-Prata
Reprodução/TV Globo
Trem da Linha 17-Ouro do Monotrilho em estação da Zona Sul de São Paulo.
Sergio Barzaghi/Secom/PMSP
Após 12 anos de atrasdo, Linha 17-Ouro é finalmente inaugurada

O asfaltamento em Montes Claros segue em ritmo acelerado, transformando realidades e promovendo mais dignidade, mobilidade e qualidade de vida para a população. Recentemente foi liberada a Ordem de Serviço para obras de pavimentação nos bairros Village do Lago I e Jaraguá I e II.
A pavimentação da Avenida Perimetral, no Bairro Village do Lago, da Alameda Zaira Celestino Pinheiro e da Alameda das Candeias, no Jaraguá I, e da Rua Treze, no Jaraguá II, representa o fim de problemas históricos enfrentados pelos moradores, como a poeira nos períodos de estiagem e a lama durante as chuvas. O asfaltamento traz mais conforto, segurança e bem-estar, refletindo positivamente na saúde das pessoas.
As obras colocarão fim a uma longa espera dos moradores desses bairros, que há anos sonham com esta melhoria tão essencial. O prefeito Guilherme Guimarães reafirmou seu compromisso com a inclusão, o progresso e o cuidado com todos os bairros de Montes Claros. Ele destacou a importância das obras para os moradores. “Os moradores dessas ruas terão mais conforto, segurança e qualidade de vida. Nossa prioridade é assegurar que cada investimento se converta em obras concretas, fortalecendo uma política de governo comprometida com a mobilidade, com a qualidade de vida e, sobretudo, com as necessidades da comunidade. É assim que seguimos trabalhando, com responsabilidade e diálogo, trazendo resultados que chegam onde a população mais precisa”, expressou o prefeito.
“Esta obra representa o sonho desta comunidade”, afirma Adalto Vieira, representante do Village do Lago
Rogeriano Cardoso
“Esta obra representa o sonho desta comunidade, que agora vai poder contar com infraestrutura urbana adequada, proporcionando melhoria na qualidade de vida. Adeus poeira, adeus lama”, comemorou Adalto Vieira, representando os moradores do Bairro Village do Lago I.
“Não é apenas asfalto, é a dignidade sendo entregue à população”, resume Marlene de Jesus, moradora do Village do Lago
Rogeriano Cardoso
Marlene de Jesus Rocha, moradora do Bairro Village do Lago, falou sobre a importância da pavimentação, que esperou por anos. Ela destaca que, durante as chuvas, a avenida se tornava um lamaçal, enquanto que na seca era só poeira. “Não é apenas asfalto, é a dignidade sendo entregue à população. Há décadas esperávamos por essa melhoria na nossa avenida’’, contou.
“Antes era muito difícil passar por aqui, principalmente no período das chuvas”, lembra a professora Margareth
Rogeriano Cardoso
Já a professora Margareth Dumont contou que o asfalto era muito esperado pelos moradores e que trará inúmeros benefícios, principalmente para os estudantes da Escola Municipal João Valle Mauricio.
“Só temos a agradecer por esta demanda atendida. Antes era muito difícil passar por aqui, principalmente no período de chuvas. Esta obra é muito importante, porque a comunidade precisa desses benefícios. A Prefeitura tem atuado de forma correta e levado melhorias para os moradores de todos os bairros”, finalizou.