
Governo sanciona lei das doulas e amplia direitos de gestantes; conheça profissão
Você conhece a doula? Essa é a profissional que acompanha todo o processo da gravidez, desde o pré-natal até depois do parto. O trabalho dela é garantir o bem-estar e a segurança da mãe e do bebê, oferecendo suporte físico, emocional e informativo.
➡️ O exercício da profissão foi regulamentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (8) no Brasil. A lei pode contribuir para reduzir intervenções desnecessárias e melhorar a experiência das mulheres no parto.
Em entrevista à EPTV, emissora afiliada da TV Globo, Thaís Silva, que atua como doula em Campinas (SP), explicou que o acompanhamento da profissional vai até dentro da sala do parto, concedendo apoio a fim de tornar essa experiência o mais confortável possível, e até ajudando nos primeiros cuidados com o recém-nascido.
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"O nosso trabalho é fazer com que essa paciente tenha uma experiência positiva de parto, sendo protagonista desse momento que é tão importante na vida de uma mulher", disse Thais.
A presença da doula é uma escolha da gestante e não substitui o direito a um acompanhante. A garantia vale para serviços públicos e privados durante todo o trabalho de parto e o pós-parto.
Estar na sala de parto não torna a doula uma profissional da saúde. Ou seja, ela não pode administrar medicamentos ou substituir papéis que seriam da equipe médica.
Suporte emocional
O Gabriel é o primeiro filho da Isabela Ordine, de Campinas. A gravidez aconteceu após os 40 anos e conforme foi avançando, a mãe de primeira viagem foi ficando com mais dores, dificuldade de dormir e vulnerável.
O suporte emocional veio com a escolha de uma doula para acompanhar o parto.
"A doula, ela vai te dando um conforto emocional, ela [a doula] vai te dizendo bem assim, como é o ambiente de parto, para quem vai ter o parto normal, ela vai te preparando para isso. Quando é parto normal, o meu, por exemplo, durou 15 horas, então ela trabalhou muito", contou Isabela.
Gabriella Milhorin atua como doula para proteger outras mulheres da violência obstétrica em Uberaba
Cecília Leite
Gabriela Zanardi é enfermeira obstetra acredita que o trabalho da doula é de grande ajuda. "É um momento muito esperado para essa mulher, e o parto, a gente nunca sabe o que vai acontecer", disse.
"A doula vem aí com todo o seu apoio emocional, seus alívios de dores ali naquele momento, acalmando tanto o acompanhante quanto a gestante, a principal ali do momento, e eu vou assegurando toda a parte técnica", disse Gabriela.
Violência obstétrica
Além do bem-estar e acolhimento, a presença destas profissionais pode ajudar no combate e no apoio a vítimas de violência obstétrica.
"Existem pacientes que sofreram traumas decorrentes de outros partos, não foram respeitadas, não foram acolhidas pela equipe do hospital, e aí elas procuram uma nova experiência. Tem pacientes também que tiveram até uma experiência e foram respeitadas durante o trabalho de parto, mas sentiram falta de ter alguém ali com elas o tempo todo, dando esse suporte emocional e físico", disse Thais.
Nova regulamentação
Agora esse trabalho passou a ser regulamentado em todo o país. A lei também traz obrigatoriedade de ensino médio e curso de qualificação profissional em doulagem, com carga horária mínima de 120 horas.
Com a nova regulamentação, hospitais públicos e privados são obrigados a permitir a presença de doulas durante o trabalho de parto — veja detalhes da nova norma abaixo:
✅ Durante a gravidez: A profissional poderá facilitar o acesso a informações baseadas em evidências científicas sobre gestação, parto e pós-parto, além de incentivar o acompanhamento pré-natal.
✅ Durante o parto: A doula pode orientar a gestante sobre posições mais confortáveis, apoiar com técnicas de respiração e utilizar métodos não farmacológicos de alívio da dor, como massagens, banhos mornos e compressas.
✅ No pós-parto: A atuação inclui apoio nos cuidados com o recém-nascido e na amamentação.
❌ A lei também estabelece restrições. As doulas não podem:
realizar procedimentos médicos, de enfermagem ou fisioterapia;
administrar medicamentos;
manusear equipamentos médico-hospitalares;
interferir nas decisões técnicas da equipe de saúde.
Thais explica que, para ela, a regulamentação é um avanço. "Essa nova lei traz segurança de que a gente vai chegar no hospital com a paciente, nós vamos poder entrar e acompanhá-la sem que haja nenhuma questão burocrática".
"Muitos hospitais às vezes dificultam a entrada de doulas. Então nós precisamos estar sempre ali mostrando a nossa formação, o nosso trabalho, a evidência científica de ter uma doula na sala de parto para que a gente consiga entrar no hospital e assegurar que essa paciente não fique desamparada", disse.
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