
Fotógrafos do Vale do São Francisco celebram arte de registrar momentos
g1 Petrolina
Para celebrar o Dia Nacional da Fotografia e o Dia do Fotógrafo, comemorados nesta quinta-feira (8), o g1 Petrolina conversou com profissionais do Vale do São Francisco que transformam cliques em momentos únicos. A região, cercada por belezas naturais, é cenário ideal para os amantes da fotografia.
A data foi escolhida por ser o dia em que D. Pedro II recebeu de presente um daguerreótipo, considerado um dos primeiros equipamentos de registro fotográfico do mundo, dando início à fotografia no Brasil.
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Jaquelyne Costa
Jaquelyne Costa, jornalista e fotógrafa
Jaquelyne Costa
A relação da jornalista Jaquelyne Costa com a fotografia começou na infância. “Desde muito cedo, a fotografia já me habitava. Lembro da minha mãe com sua Kodak de filme, daquelas que tinham um número limitado de poses. Não sei dizer quantas eram, mas sei exatamente o quanto aquilo me fascinava. A câmera nas mãos dela parecia um objeto mágico”, descreve.
Para Jaquelyne, a magia se espalha por todos os processos da fotografia. “Mais encantador ainda era o ritual da espera. Eu ia junto para a loja onde as fotos eram reveladas e, depois de longos 10 ou 15 dias, vinha o momento mais bonito: receber o envelope pesado, cheio de memórias impressas. Cada foto era um pequeno milagre revelado.”
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O que era encantamento de criança ganhou novos sentidos e significados durante a graduação no curso de Jornalismo em Multimeios, na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Juazeiro. As aulas de fotojornalismo foram fundamentais.
“Foi ali que compreendi que a fotografia não se limita às poses de família ou aos registros formais. Ela é também testemunho do cotidiano, das paisagens que nos atravessam, das pessoas anônimas nas ruas, dos gestos simples que constroem o modo de viver de uma geração. Fotografar passou a ser, para mim, uma forma de observar o mundo com mais atenção e respeito.”
Trabalhando com jornalismo ambiental, Jaquelyne mantém a fotografia como um lugar de afeto e escuta. “Amo fotografar paisagens, especialmente o arrebol, quando o céu parece escrever poesia em tons de luz”, afirma a fotógrafa, sem esconder outros encantos, como as imagens captadas durante uma caminhada pelas ruas, que “carregam mensagens silenciosas. Muitas dessas imagens não ficam apenas na tela da câmera ou do celular. Elas me atravessam, pedem palavras e acabam se transformando em poemas”.
“Fotografar, para mim, é isso, um jeito de guardar o mundo e, ao mesmo tempo, me deixar tocar por ele”, resume.
Fotos de Jaquelyne Costa
Emanuel Henrique
Emanuel Henrique, fotógrafo
Emanuel Henrique / arquivo pessoal
Aos 26 anos, Emanuel Henrique diz que a fotografia foi um divisor de águas em sua vida. Tudo começou em 2017, em uma fase que, segundo ele, os dias seguiam um ritmo monótono e silencioso. “Foi através de um simples clique no celular que algo mudou dentro de mim. Passei a enxergar o mundo com outros olhos, descobrindo belezas que antes passavam despercebidas. Ali nascia uma paixão que, sem que eu soubesse, transformaria completamente a minha trajetória”.
Aos poucos, a fotografia foi ganhando cada vez mais espaço na vida de Emanuel, deixando de ser apenas um passatempo e se tornando uma necessidade.
“A cada imagem registrada, minha conexão com a fotografia se aprofundava. Tudo aquilo que tocava meu olhar e meu coração eu sentia o desejo de eternizar, valorizando os detalhes, a simplicidade e as pequenas belezas do cotidiano que muitas vezes passam invisíveis”.
Com foco na beleza do dia a dia, Emanuel criou a página Natureza do Cotidiano. “Um projeto criado com alma e propósito, onde desenvolvi meu olhar e meu pensamento fotográfico. Através dele, passei a registrar a beleza da natureza presente em nossa região do Vale do São Francisco, contando histórias por meio da luz, das cores e dos sentimentos que cada cena despertava”.
O olhar apurado de Emanuel ganhou ainda mais força com o conhecimento técnico. Em 2018, ele foi sorteado em um concurso promovido por um estúdio de fotografai e fez o primeiro curso na área, abrindo espaço para a profissionalização, com mais conhecimento, segurança e dedicação.
A ida para o exército, em 2020, também foi essencial. “Fui direcionado para o setor de Comunicação Social e Relações Públicas. Nesse ambiente, consegui unir a disciplina, a responsabilidade e os valores militares à minha paixão pela fotografia, amadurecendo meu olhar e fortalecendo ainda mais minha experiência profissional”.
Desde novembro do ano passado, Emanuel Henrique trabalha com fotografai esportiva e de eventos, com atuação em competições importantes de Petrolina. “Cada evento representou um desafio, um aprendizado e a confirmação de que eu estava exatamente onde deveria estar”, afirma.
“Sou profundamente grato a Deus por me conceder um olhar sensível, capaz de enxergar além do óbvio e transformar momentos em memórias".
Caio Alves
Caio Alves, fotógrafo
Ana Luiza
As fotos de família têm um significado especial para o fotógrafo e jornalista Caio Alves. É assim que começa a relação dele com a fotografia, ainda na infância, vendo o pai registrar os momentos do cotidiano familiar.
“Aos 18 anos, passei a fotografar o céu, a vegetação e os caminhos da rotina diária, inicialmente como um passatempo. Com o tempo, essas imagens ganharam sentido e passaram a ser compartilhadas em um blog”, diz.
Foi durante os anos de graduação em jornalismo, na Uneb, que Caio mergulhou de vez na fotografia. “A fotografia se tornou parte central da minha formação, com experiências em oficinas, exposições, congressos e atuação como assistente voluntário no projeto Dead Water, da fotógrafa Marilene Ribeiro”.
Jornalista lança fotolivro sobre a relação das mulheres com o Rio São Francisco
Recentemente, Caio lançou um fotolivro sobre a relação das mulheres com o Rio São Francisco. ‘Mulheres do (Velho Chico) Opará: conexões e histórias’, reúne fotografia, colagem e depoimentos de três mulheres que mantêm uma relação afetiva e cotidiana com o rio. Trabalhos assim, deram reconhecimento ao fotógrafo.
“Hoje, a fotografia orienta cerca de 70% do meu trabalho profissional, que já foi reconhecido com premiações como o Prêmio Pernambuco de Fotografia (2024) e o Prêmio Petrolina: Um Novo Olhar (2025), além da participação em exposições coletivas, a exemplo da Mostra Foto Preta (2025), realizada no Recife”.
Leonardo Carvalho
Leonardo Carvalho, fotógrafo
Leonardo Carvalho
“Minha relação com a fotografia é de amor. Ela faz parte da minha vida de uma forma tão natural que não consigo me imaginar longe dela. Fotografar me diverte, me realiza e me lembra todos os dias como é valioso poder trabalhar com algo que me faz feliz”. É assim que o fotógrafo Leonardo Carvalho descreve sua relação com a fotografia.
Leonardo diz que o contato com a fotografia começou tarde, mas de forma muito intensa. “No meu último emprego CLT, trabalhando em uma gráfica, comecei a ter contato com softwares de edição de imagem e, sem perceber, já estava mergulhado nesse universo. Esse primeiro contato despertou uma paixão que só cresceu”.
Motivado, Leonardo passou a buscar mais informações e conhecimento. “Comecei a investir em revistas, estudar, adquirir meus primeiros equipamentos e, pouco a pouco, fui me aproximando dos eventos até fazer disso minha profissão”.
O fotógrafo hoje é uma das referências do Vale do São Francisco quando o assunto é fotografia de casamentos e outros eventos sociais. Ao longo dos anos, eternizou momentos especiais de vários casais. “Posso registrar momentos únicos, verdadeiros e cheios de emoção”, afirma Leonardo, revelando outros focos. “Também gosto muito de trabalhar com ensaios e quero cada vez mais me dedicar à fotografia de manifestações culturais e retratos, porque acredito que a fotografia tem um poder enorme de contar histórias e preservar memórias”.
“Mais do que um trabalho, a fotografia representa para mim liberdade, expressão, propósito e conexão com as pessoas”.
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