O Brasil registrou uma "explosão" no número de pessoas que pediram sua autoexclusão de plataformas de apostas online, conhecidas como "bets", durante o período da Copa do Mundo, revelam dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, obtidos com exclusividade pela BBC News Brasil.
O levantamento aponta que, nas primeiras duas semanas da competição, houve um crescimento de 588% no número médio diário de pedidos de autoexclusão na comparação com um período equivalente do mês de maio, antes da Copa.
Entre 15 e 28 de junho, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, gerida pelo governo federal, recebeu 250.129 pedidos de bloqueio ou de prorrogação de bloqueios feitos por usuários.
Depois de processados, os pedidos impedem que essas pessoas utilizem seus CPFs para apostar em bets legalmente autorizadas a funcionar.
Isso representa uma média de 17.866 solicitações por dia no período.
Para efeito de comparação, de 11 a 25 de maio, antes do início do torneio, haviam sido registrados 38.907 pedidos ao longo de 15 dias, uma média média de 2.594 por dia.
A Copa do Mundo começou em 11 de junho, mas os dados fornecidos pela SPA abrangem somente o período entre os dias 15 e 28 daquele mês.
Os dados completos do torneio ainda serão contabilizados. Também estão sendo contabilizados os números de novos usuários que se cadastraram para apostar durante o torneio.
Entidades consultadas pela BBC News Brasil atribuem parte do aumento nos pedidos de autoexclusão ao receio de apostadores de agravarem problemas relacionados ao jogo compulsivo durante um evento que, neste ano, foi marcado pela intensa publicidade de bets por conta da regulamentação da atividade, ocorrida em 2023.
Esta foi, portanto, a primeira Copa do Mundo com o mercado de bets regulamentado no Brasil.
Segundo esses grupos, parte dos pedidos também pode ter sido feita por pessoas que ainda não apresentavam um quadro de compulsão, mas que decidiram se proteger para evitar ingressar ou se aprofundar nesse universo.
Para a SPA, o aumento é resultado de uma combinação entre a maior exposição do público às apostas durante o torneio, a divulgação da plataforma de autoexclusão entre usuários e o crescimento da conscientização sobre os riscos financeiros e emocionais associados ao jogo.
Representantes do setor de apostas legalizadas dizem que o crescimento dos pedidos de autoexclusão deve ser analisado com cautela e que ele não necessariamente indicaria um aumento dos casos de jogo compulsivo.
Em notas enviadas à BBC News Brasil, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) avaliam que o avanço também refletiria a maior divulgação da ferramenta, seu uso preventivo por parte dos usuários e a ampliação dos mecanismos de proteção disponíveis no mercado regulado.
Quase 18 mil pedidos por dia
Em números absolutos, foram registrados 211.222 pedidos a mais de autoexclusão durante o período da Copa analisado pela SPA em relação ao intervalo anterior.
A diferença ocorreu mesmo com o recorte de junho tendo um dia a menos: foram 14 dias, entre 15 e 28 de junho, contra 15 dias no período de 11 a 25 de maio.
Os dados também apontam uma mudança nos motivos que teriam levado os usuários a solicitar o bloqueio.
Antes da Copa, o principal motivo para a autoexclusão era a perda de controle sobre o jogo, como mostra o ranking abaixo:
perda de controle sobre o jogo (43,56%)
motivo não informado (16,1%)
dificuldades financeiras (14,07%)
decisão voluntária (12,68%)
prevenção contra uso de dados (12,08%)
recomendação médica (1,52%)
Já durante a Copa, o principal motivo alegado para a autoexclusão foi se precaver contra o uso irregular dos dados pessoais por empresas de bets:
prevenção contra uso de dados (29,5%)
perda de controle sobre o jogo (24,13%)
decisão voluntária (18,93%)
motivo não informado (15,31%)
dificuldades financeiras (10,91%)
recomendação médica (1,22%)
Para entidades que acompanham os impactos das apostas, essa mudança de perfil sugere que o crescimento da autoexclusão não ocorreu apenas entre pessoas que já enfrentavam problemas relacionados ao jogo compulsivo.
Parte dos novos pedidos, segundo essas organizações, pode ter partido de usuários que decidiram se bloquear preventivamente diante da maior exposição às apostas durante a Copa do Mundo e do temor de que seus dados sejam utilizados de forma indevida por essas empresas.
Os dados mostram ainda que a maioria dos usuários optou por um bloqueio sem prazo para terminar.
Antes do início da Copa, 62,13% solicitaram a autoexclusão por tempo indeterminado. Durante o torneio, esse percentual subiu para 63,53%.
A Plataforma Centralizada de Autoexclusão foi lançada pela SPA em dezembro de 2025 e permite que um cidadão bloqueie, com um único comando, o acesso a todas as plataformas de apostas autorizadas pelo governo federal.
Isso evita que o usuário consiga se bloquear em uma plataforma, mas fique livre para jogar em outra.
"A combinação entre informação, conscientização e maior divulgação da ferramenta tem contribuído para ampliar o alcance do instrumento e fortalecer a proteção dos cidadãos", disse a SPA em nota enviada à BBC News Brasil.
'Medo de perder o controle'
Para Lucas Louback, gestor de incidência política e campanhas da organização não-governamental Bonde e coordenador da campanha "Brasil contra Bets", o aumento no número de pedidos de autoexclusão dão uma amostra do alcance que as apostas adquiriram durante a Copa.
"Os dados são alarmantes e mostram o quanto a compulsão por bets tem se espalhado na vida de milhões de brasileiros", afirma à BBC News Brasil.
Louback diz que a centralidade do futebol e da Copa do Mundo na cultura brasileira se converteu numa oportunidade valiosa para as empresas de apostas.
"A Copa do Mundo concentra a atenção do país porque futebol é uma paixão nossa. Mas essa paixão passou a ser disputada pela publicidade de bets", afirma.
O aumento dos anúncios de casas de aposta durante as transmissões das partidas chamou atenção neste ano e tornou o período particularmente difícil para pessoas com transtorno do jogo.
É o caso de Bruno, que fez o pedido de autoexclusão há cerca de dois meses e sentiu necessidade de se isolar depois que a Copa começou.
"Não consegui me reunir com a família. Me convidaram para churrasco, mas eu não tinha vontade", conta o engenheiro, que desde o fim do ano passado está em tratamento para superar o vício em jogo e pediu para ter seu nome verdadeiro preservado nesta reportagem.
"Eu falava que não estava confiante no Brasil, usava isso como desculpa."
Ele jogou durante dois anos e perdeu R$ 122 mil em apostas no futebol, esporte que sempre foi seu preferido. Se endividou tanto que em determinado momento não conseguia mais pagar a mensalidade de sócio torcedor do São Paulo.
"Hoje eu nem gosto mais de futebol", ele desabafa. "Nunca mais fui no estádio. Não visto uma camisa que tenha o nome de nenhum tipo de bet, e isso eu vou levar para minha vida", ele diz a reportagem da BBC News Brasil.
Para Louback, o crescimento dos pedidos pode indicar que parte dos usuários percebeu que aquele período podia levá-los à perda do controle sobre o hábito de apostar.
"É positivo que essas pessoas tenham encontrado um mecanismo para interromper um comportamento que estava se tornando compulsivo. Mas, ao mesmo tempo, é alarmante que tanta gente tenha sentido necessidade de recorrer a essa ferramenta em um período curto", diz.
L.C.S. é o relações públicas do grupo Jogadores Anônimos. Seu nome foi omitido pela BBC News Brasil a pedido dele para atender a uma regra do grupo.
O aumento no número de pedidos de autoexclusão também teria a ver com o receio da perda de controle sobre o jogo, afirma.
Ele relata que, neste ano, pessoas que já haviam tido prejuízo em copas anteriores, mesmo antes da regulamentação das bets no Brasil, decidiram se proteger.
"Foi o medo de quebrar. Teve muita pessoa que, antes de chegar no meio da Copa, já tentou se precaver e ficar fora do jogo", afirma.
Para o porta-voz dos Jogadores Anônimos, o pedido de autoexclusão pode representar um momento de "lucidez" de alguém que sabe ou sente o risco de se perder novamente.
"Qualquer passo que a pessoa der nessa direção significa que ela está tentando se salvar. Quem sabe seja também um pedido de socorro", diz.
O representante do grupo considera positiva a procura pela plataforma, mas também aponta que o número de autoexcluídos ainda seria pequeno em comparação com a quantidade total de pessoas expostas às apostas.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o Brasil tem pelo menos 25 milhões de apostadores cadastrados, o equivalente a pouco mais de 10% da população brasileira, estimada em aproximadamente 210 milhões de habitantes.
Ainda de acordo com a pasta, a receita bruta das bets legalizadas no Brasil foi de R$ 37 bilhões em 2025.
Estimativas da firma de consultoria Regulus Partners aponta que o Brasil se tornou, em 2025, o quinto maior mercado de bets do mundo.
Impacto depois da Copa
O impacto da presença de anúncios de bets durante as transmissões da Copa do Mundo gerou repercussão nacional e movimentou governos locais e o governo federal em meio ao ano eleitoral.
Na semana passada, por exemplo, o governo federal introduziu novas regras para a publicidade das bets, obrigando as empresas a exibir alertas de que apostar faz perder dinheiro, pode causar dependência e não é investimento.
Além disso, serão proibidas publicidades que induzam a apostas com base na suposta expertise de comentaristas, especialistas ou influenciadores.
Estados e municípios também passaram a adotar medidas para restringir a publicidade das casas de aposta.
Apesar do aumento dos pedidos de autoexclusão, as entidades consultadas acreditam que parte dos efeitos da Copa aparecerá somente depois do fim da competição.
L.C.S. diz que, antes de pedir ajuda especializada, as pessoas com transtorno do jogo compulsivo normalmente tentam reverter os prejuízos jogando ainda mais, o que agrava a situação.
"Esse problema vai aparecer, mas não será imediatamente. Pode levar alguns meses. Ele só vai procurar ajuda depois que tentar recuperar tudo o que perdeu. Normalmente, é só quando ele tenta algo extremo, como tirar a própria vida, que se dá conta de que precisa de ajuda", afirma.
"O problema vai aparecer, com certeza. Mas também não é de imediato. Vai levar tempo."
Segundo ele, os Jogadores Anônimos já vêm se preparando para receber mais pessoas nos próximos meses.
De acordo com o representante do grupo, o número de salas dos Jogadores Anônimos no Brasil passou de aproximadamente 30, há cerca de sete anos, para mais de 70 atualmente. Ele diz ainda que os locais de reunião do grupo podem ser encontrados na internet e que há reuniões diárias online para os que não conseguem participar dos encontros presencialmente.
Para Louback, a Copa pode ter acelerado um processo que ele classificou como "normalização" das apostas que já estaria em curso no país.
"A autoexclusão é uma resposta importante, mas ela atua quando o problema já apareceu. O que precisamos discutir é como evitar que cada vez mais brasileiros cheguem a essa situação", diz.
Louback defende restrições mais rigorosas à publicidade das empresas de apostas e cita projeto de lei que propõe limitar esse tipo de propaganda.
O projeto foi apresentado por um grupo de 20 deputados e deputadas federais em maio deste ano, mas ainda não avançou na Câmara.
O coordenador da campanha "Brasil contra Bets" também alerta que a autoexclusão não substitui políticas de prevenção, atendimento em saúde e combate ao endividamento.
Em resposta à BBC News Brasil, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que os dados de autoexclusão citados na reportagem precisam ser analisados levando em consideração que a plataforma de autoexclusão pode ser utilizada por qualquer cidadão, independentemente de ele já apostar ou não.
"É essencial que os dados sejam contextualizados com o universo de pessoas que podem usar a plataforma de autoexclusão do governo e com os milhões de brasileiros que, infelizmente, têm apostado em sites ilegais", afirmou a entidade.
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), por sua vez, avaliou que o aumento dos pedidos é positivo.
"O aumento dos pedidos de autoexclusão mostra que essa ferramenta está sendo utilizada pelos apostadores, o que é positivo. Ela foi criada justamente para permitir que quem entende que precisa interromper ou limitar sua atividade possa fazê-lo de forma simples e segura", disse a entidade.
O IBJR também afirmou que ferramentas como a autoexclusão estão disponíveis apenas nas plataformas autorizadas pelo governo federal, e não no mercado ilegal.
*Com reportagem de Camilla Veras Mota, da BBC News Brasil em São Paulo.
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Quem procura opções de turismo educativo em Foz do Iguaçu encontra, na cidade paranaense, um roteiro que combina natureza, ciência, tecnologia e cultura em experiências pensadas para diferentes idades.
Além das Cataratas do Iguaçu, o destino reúne parques, reservas e uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo, todos com propostas voltadas à aprendizagem em família.
Localizada na região trinacional entre Brasil, Paraguai e Argentina, Foz do Iguaçu concentra, em poucos quilômetros, atrações que tratam de conservação ambiental, geração de energia limpa, biodiversidade aquática e vida selvagem.
Dessa forma, é possível estruturar um roteiro de poucos dias em que cada passeio trabalha um tema diferente, sempre por meio de visitas guiadas, trilhas e exposições interativas.
Por que Foz do Iguaçu como um destino para turismo educativo?
Foz do Iguaçu se consolidou também como destino de turismo educativo porque reúne, em um raio pequeno, instituições dedicadas à conservação ambiental e à divulgação científica.
Assim, em uma viagem de poucos dias, crianças e adultos podem conhecer, por exemplo, como funciona a geração de energia em uma usina hidrelétrica, quais espécies estão ameaçadas na Mata Atlântica e de que forma a região se formou culturalmente na fronteira entre três países.
Quais são os principais atrativos com esse perfil em Foz do Iguaçu?
1. Parque das Aves: educação ambiental entre viveiros imersivos
O Parque das Aves é um dos pilares do turismo educativo em Foz do Iguaçu. O espaço foi projetado com viveiros imersivos, nos quais os visitantes caminham entre as aves em ambientes que recriam a Mata Atlântica, observando de perto espécies como tucanos, araras e outras aves.
Arara Vermelha.
Divulgação Parque das Aves.
Além da visita tradicional, o parque mantém programas voltados ao público infantil, como colônias de férias temáticas e o Clubinho Guardiões da Mata Atlântica, iniciativa de educação ambiental para crianças.
Igualmente, o local participa de projetos de reprodução e reintrodução de espécies ameaçadas na natureza.
2. Itaipu Binacional: energia, engenharia e conservação
O complexo da Itaipu Binacional é certamente um complexo com alto potencial educativo no destino, pois reúne três experiências complementares em um só lugar.
No Refúgio Biológico Bela Vista, famílias percorrem trilhas guiadas em meio à mata, acompanhando projetos de conservação de fauna e flora.
Já o Ecomuseu de Itaipu apresenta a história da construção da usina e a arqueologia regional, além de exposições sobre a formação do rio Paraná, uma parada especialmente rica para quem se interessa por história.
Ecomuseu.
Itaipu Binacional.
Por fim, a Visita Panorâmica explica, de forma visual e acessível, como a usina transforma a força da água em energia elétrica, servindo como introdução à engenharia para os visitantes mais jovens.
3. AquaFoz: biodiversidade dos rios brasileiros
O aquário AquaFoz amplia as opções de turismo educativo em Foz do Iguaçu ao apresentar espécies do rio Iguaçu, do rio Paraná e de outros ecossistemas aquáticos do país.
AquaFoz.
Kiko Sierich.
Além dos tanques temáticos, o espaço aborda a preservação desses ecossistemas, mostrando, por exemplo, de que forma ações humanas impactam a vida nos rios da região, um tema cada vez mais presente em currículos escolares de ciências e geografia.
4. Zoo Park Foz: fauna silvestre e contato com animais
O Zoo Park Foz une entretenimento e aprendizado sobre a fauna por meio de atrações como meliponário — dedicado à importância das abelhas nativas, mini fazenda, floresta dos primatas e apresentações de aves de rapina ligadas à falcoaria, incluindo visitas guiadas aos viveiros.
Zoo Park Foz.
Zoo Park Foz.
Dessa maneira, o parque se torna um programa completo para famílias com crianças de diferentes idades, unindo biologia e comportamento animal em uma experiência prática.
5. Marco das Três Fronteiras: geografia e cultura da região trinacional
Para além da natureza, o turismo educativo em Foz do Iguaçu também passa pela geografia e pela cultura. O Marco das Três Fronteiras marca o ponto de encontro entre Brasil, Paraguai e Argentina e permite observar, de um mesmo local, os obeliscos que sinalizam cada país.
O espaço costuma incluir apresentações culturais inspiradas nas tradições dos três povos, o que ajuda crianças a compreender, na prática, conceitos de fronteira, integração regional e diversidade cultural.
Quantos dias são necessários para um roteiro completo na Região Trinacional?
Em geral, recomenda-se um mínimo de cinco dias para conhecer com calma as principais atrações de turismo do Destino Iguaçu, respeitando também o tempo de descanso e alimentação da família.
Viagens mais curtas ainda permitem visitar os atrativos principais, mas exigem um planejamento mais rígido de horários.
O que fazer no Destino Iguaçu se você ainda está indeciso?
Foz do Iguaçu é um destino incrivelmente versátil, reunindo em poucos quilômetros atrações que vão muito além do óbvio. Se você está planejando a viagem e ainda não sabe por onde começar a montar a sua programação, a riqueza de opções da cidade permite criar roteiros perfeitos que unem lazer, contato com a natureza e experiências enriquecedoras para todas as idades.
Para te ajudar a dar o primeiro passo e organizar seus dias sem perder nada importante, confira este roteiro de 5 dias em Foz do Iguaçu ideal para quem está visitando a fronteira pela primeira vez.

Muito além do Pantanal: tuiuiús prosperam nas várzeas do Rio São Francisco em MG
Pedro Rocha
Ao pensar no Pantanal brasileiro, é natural imaginar os animais que vivem nesse bioma. Entre as aves, uma das primeiras imagens que vem à mente é a do tuiuiú (Jabiru mycteria), um dos principais símbolos da maior planície alagável do mundo. O que pouca gente sabe é que a espécie também encontrou refúgio nas várzeas do Rio São Francisco, no Centro-Oeste de Minas Gerais.
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Com pernas longas, bico comprido, cabeça preta, corpo branco e uma faixa vermelha no pescoço, a ave chama a atenção pelo porte. Por ser uma cegonha, o tuiuiú voa com o pescoço e as pernas esticados, diferentemente das garças, que mantêm o pescoço encolhido durante o voo.
Um indivíduo pode chegar a medir 1,60 metro de altura, ter até 3 metros de envergadura e pesar cerca de 8 quilos. É a maior ave com capacidade de voo da maior planície inundável do mundo.
Essa espécie, tão querida dos brasileiros, também pode ser encontrada a milhares de quilômetros das áreas alagadas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais, os tuiuiús são moradores ilustres.
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Longe de 'casa' há mais de 100 anos
O biólogo Pedro Rocha, um dos maiores conhecedores da biodiversidade do município, explica que os primeiros registros da espécie foram feitos ainda na época do Brasil Império. Um dos relatos mais antigos é do geólogo e naturalista alemão Barão de Eschwege.
Muito além do Pantanal: tuiuiús prosperam nas várzeas do Rio São Francisco em MG
Pedro Rocha
Em 1810, Eschwege foi contratado pelo governo do Império para realizar o primeiro grande levantamento dos recursos minerais do país. Entre 1811 e 1821, percorreu o interior do Brasil, principalmente Minas Gerais, e já naquela época registrou a presença de tuiuiús no interior mineiro.
"Os primeiros exploradores da região, quando o Brasil estava sendo colonizado, eles já relatavam esse tipo de ambiente no entorno do Rio São Francisco. Então, desde lá, a gente já consegue colocar o rio como fator primordial na nossa região pra ocorrência desses bichos do Pantanal", explica Pedro Rocha.
Tuiuiú à procura de água
As regiões úmidas têm uma característica importante. As aves que dependem desses ambientes costumam apresentar forte comportamento migratório, já que nem sempre há água disponível. Em alguns períodos ocorrem secas prolongadas e, em seguida, grandes alagamentos. Por isso, esses animais precisam se deslocar em busca de áreas mais favoráveis.
Entre novembro e março, período mais chuvoso na região, as planícies do Rio São Francisco costumam ficar alagadas em Arcos.
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"Em Arcos você vai ter muitas espécies típicas do Pantanal: cabeça-seca, colhereiro, maguari, mas você tem também aves aquáticas que às vezes não são tão comuns no Pantanal ou às vezes nem chegam lá, por outras questões de distribuição. E você vê pato-de-crista, muitos ralídeos, que é o grupo das saracuras e dos sanãs, que são aves migratórias geralmente associadas à água, e turu-turu, sanã-amarela, frango-d'água-pequeno, viuvinha-de-óculos, tricolino-oliváceo, que é um bicho típico do Chaco, vem parar em Arcos", comenta o biólogo.
Mas, sem dúvida, os tuiuiús são as grandes atrações da região. Desde 2023, Pedro Rocha acompanha um casal. As aves continuam na mesma várzea, mas mudaram para um ponto localizado cerca de um quilômetro do ninho ocupado três anos atrás.
Casal acompanhado
Ninho de tuiuiús em MG
Pedro Rocha
O primeiro ninho estava em uma propriedade particular. Funcionários retiraram algumas árvores mortas e, como o ninho estava em uma delas, ele acabou sendo destruído. No entanto, os tuiuiús são territorialistas e não demorou para o biólogo encontrar a nova estrutura, no alto de outra árvore.
"Eu sabia que os tuiuiús têm esse comportamento específico de ter um território. Então eles vão caçar uma árvore ali quando tiver, você pode derrubar dez árvores que, se tiver mais uma, eles vão continuar na área. Já vi isso em outros ninhos também. Então eu procurei e achei o ninho de novo. Aí ele tava nessa área atual dele, que é nas margens do Rio São Francisco. Então tem três anos, no mínimo, que esse ninho existe ali nessa várzea. Mas ele mudou um pouquinho o endereço porque a árvore antiga caiu", relata.
Pela primeira vez, Pedro Rocha acompanhou a reprodução do casal. Os tuiuiús iniciaram a temporada de acasalamento no fim do período chuvoso, entre fevereiro e março. Além das cópulas, reforçaram a estrutura do ninho com galhos novos. Entre abril e maio, as aves já estavam chocando os ovos. Antes do início de junho, o biólogo conseguiu observar os filhotes.
"Num prazo de três meses eles já estão saindo do ninho. Os pais têm esses três meses de mais atenção porque eles não conseguem voar. E aí acredito que lá pra setembro eles vão estar ganhando mais independência, saindo do ninho com os pais. Primeiro eles acompanham os pais, você vai ver sempre a família andando junta, encontrando eles no brejo se alimentando e, depois, os pais expulsam do ninho, porque ali é o território deles. E aí eles têm que caçar um rumo novo pra eles."
Na região de Arcos, o principal alimento dos tuiuiús é um caramujo nativo das áreas de várzea. Também é comum observar as aves se alimentando de muçuns, um tipo de peixe-cobra abundante nos brejos, além de outros peixes.
Tuiuiú comendo caramujo
Pedro Rocha
O biólogo já contabilizou 11 ninhos de tuiuiú em diferentes áreas de Arcos. Também registrou cerca de 200 indivíduos reunidos em bandos, um número significativo para uma população no interior de Minas Gerais.
"Então dá pra imaginar o Rio São Francisco, um rio tão importante para o Brasil, ele tá ali com os seus berçários resistindo. Não significa que está perfeito, mas tem peixe conseguindo se reproduzir ali, tem espécies, né, não só o tuiuiú. Muitas aves, muitos mamíferos que tão usufruindo desse ambiente ainda. Então eu acho que acende essa esperança na gente novamente do Rio São Francisco, que é um rio que une o país e que une a fauna também", conclui Pedro Rocha.
O Rio São Francisco é o maior rio brasileiro em extensão que corre exclusivamente em território nacional. Nasce em Minas Gerais e deságua no Oceano Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe. Com pouco mais de 2.800 quilômetros de extensão, o Velho Chico ainda guarda uma rica biodiversidade pelo interior do Brasil.
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Preso em operação do MP, investigado pediu R$ 100 mil para pagar policiais do Deic, diz áu
O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (21) uma operação para desarticular um grupo apontado como responsável por operar o sistema financeiro do PCC. Entre as provas reunidas na investigação está um áudio atribuído a Cleber Azevedo dos Santos, preso na ação, em que ele pede R$ 100 mil em dinheiro para, segundo a mensagem, pagar policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
No áudio, registrado em 23 de julho de 2025, Cleber diz a um homem identificado como Bruno que um cliente chamado Caio precisava trocar uma transferência bancária por dinheiro em espécie.
"Deixa eu te falar. Aquele meu cliente lá, o Caio, ele precisa de R$ 100 mil aí pra trocar. Quer mandar TED e pegar em (dinheiro) vivo, porque ele precisar pagar os 'polícia' do DEIC, porque ele teve um problema. Tem R$ 100 mil pra ajudar ele aí?", afirma a gravação.
A TV Globo entrou em contato com o advogado de Cleber e com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo para pedir um posicionamento sobre o conteúdo do áudio, no entanto, não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
'Aniversário general'
Um grupo de WhatsApp com o nome "aniversário general", ativo ao menos até 21 de novembro de 2023, reunia o coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Luiz Carlos Pereira Martins, Cléber Azevedo, apontado como "companheiro" do Primeiro Comando da Capital (PCC), e Robson Martins Souza, segundo o Ministério Público de São Paulo.
De acordo com a investigação, as mensagens trocadas no grupo tinham "caráter pessoal e social, com referências a eventos e celebrações". Para os promotores, o conteúdo demonstra uma relação de proximidade entre os participantes que ia além de contatos ocasionais.
Além da participação no grupo, o Ministério Público afirma ter identificado registros de que o coronel Luiz Carlos Pereira Martins se dispôs a ajudar os investigados e a intermediar contatos com outras autoridades.
Entre os nomes citados nas conversas estão o coronel José Augusto Coutinho, então comandante da ROTA, e o coronel identificado como "Patrício", que também aparece em planilhas apreendidas pela investigação como "cliente".
Em outra conversa, de acordo com a investigação, Robson Martins Souza solicitou a Odair Alves da Silveira Filho o repasse de R$ 30 mil para que um cliente pudesse "pagar os amigos", expressão que, segundo o Ministério Público, era utilizada para se referir ao pagamento de propina a agentes públicos.
Ainda conforme os investigadores, Cléber Azevedo dos Santos também questionou Amjad Ahmad sobre saldos disponíveis especificamente para "pagar a polícia".
Anotação de pagamento e buscas
A investigação também localizou uma anotação que registra um pagamento em dinheiro de R$ 1 mil em favor do coronel identificado como "Patrício". Segundo o Ministério Público, o valor teria origem em uma prática ilícita chamada "ticketagem".
Diante dos elementos reunidos durante a apuração, o juiz responsável pelo caso autorizou a extração de dados e a apreensão de CPUs de computadores utilizados por policiais civis em suas unidades de lotação, além de buscas em viaturas utilizadas por eles.
Para o Ministério Público, os elementos reunidos na investigação indicam um esquema de corrupção sistêmica, em que recursos do grupo criminoso e do PCC eram utilizados para cooptar policiais e garantir a continuidade das atividades ilícitas sem interferência.
Empresas de fachada e contas de laranjas
Segundo o Ministério Público, há registros de áudios e planilhas financeiras que citam policiais civis e militares. Eles, no entanto, não são alvos da operação desta terça nem foram denunciados ou acusados formalmente no caso.
Ao todo, 13 pessoas foram presas. Dos investigados, 11 foram detidos durante toda a operação. Outros dois alvos, que já cumprem pena em presídios — identificados como Moja e Buiu — foram comunicados das novas ordens de prisão. Cinco investigados não foram localizados e são considerados foragidos. Entre eles está o doleiro Leonardo Meirelles, que já era procurado em outras operações.
A ação é um desdobramento de três operações anteriores e aprofundou as investigações sobre um esquema considerado pelo Ministério Público como amplo e complexo para lavagem de dinheiro do PCC.
Segundo a investigação, operadores financeiros ligados ao esquema recebiam dinheiro em espécie de clientes associados ao PCC e a outras atividades criminosas. Os valores eram inseridos no sistema bancário por meio de empresas e instituições financeiras digitais, que realizavam diversas transferências eletrônicas para ocultar a origem dos recursos.
Ainda de acordo com o Ministério Público, os clientes indicavam as contas que deveriam receber os valores, movimentados por empresas de fachada e contas em nome de laranjas. Os recursos eram posteriormente utilizados para a compra de imóveis e até para o pagamento de agentes públicos, em troca de proteção e informações sobre operações.
Disputa por casa na Riviera levou investigadores a novas provas
Uma das principais provas da investigação surgiu após uma disputa entre um operador financeiro e um integrante da facção. Mensagens encontradas em celulares apreendidos mostram que os envolvidos recorreram ao PCC para resolver uma dívida de cerca de R$ 2 milhões relacionada à negociação de uma casa na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.
Na decisão judicial, o caso é descrito como o uso de um "mecanismo paralelo de resolução de conflitos" atribuído ao PCC, em substituição à Justiça comum.
O operador envolvido na disputa é Cleber Azevedo dos Santos. Segundo o Ministério Público, ele é o autor de uma mensagem de áudio enviada a um integrante do PCC para explicar o conflito envolvendo a negociação do imóvel.
Marcelo de Morais Oliveira é um dos detidos da Operação Janus e está envolvido no imbróglio do PCC por casa na Riviera de São Lourenço
Reprodução/TV Globo
Marcelo de Morais Oliveira também está entre os presos. Segundo a investigação, ele aparece nas tratativas relacionadas às divergências sobre o pagamento da casa na Riviera e ao chamado "tribunal do crime". Em uma das mensagens, Cleber afirma que Marcelo é "companheiro do PCC", assim como ele, e agradece aos "irmão" pela atenção dada ao caso.
A investigação aponta que Cleber Azevedo dos Santos e Marcelo de Morais Oliveira divergiam sobre o pagamento de R$ 2 milhões pela negociação do imóvel.
Bloqueio de R$ 10 milhões
Durante a operação, cerca de 60 policiais do Batalhão de Choque e do Comando de Operações Especiais da Polícia Militar cumpriram 18 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão.
A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias, aplicações financeiras, imóveis e veículos, além do sequestro de bens de 19 suspeitos e quatro empresas.
Operação do MP de São Paulo mira rede de financiamento do PCC

Werner Lima Andrade responde por homicídio pela morte de Rayza Emanuelle e será ouvido em audiência de instrução marcada para 14 de setembro
Reprodução
Quase um ano após a morte de Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, encontrada com sangramento na boca e travesseiro na cabeça em um motel em Rio Branco, a Justiça marcou para 14 de setembro a primeira audiência de instrução do réu Werner Lima Andrade, de 34 anos, denunciado pelo Ministério Público (MP-AC) por homicídio simples.
O g1 tentou contato com a defesa do acusado e, até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno.
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Segundo a denúncia, ele deixou de prestar socorro à jovem quando ela passou mal dentro do quarto do motel, trancou a porta ao sair e levou a chave consigo, o que, para o órgão, dificultou que Rayza recebesse atendimento a tempo. Werner responde ao processo em liberdade.
👉Contexto: Rayza Emanuelle Oliveira Souza foi encontrada desacordada na noite de 18 de setembro de 2025 em um quarto de motel. Funcionários acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas a jovem já estava morta. Na época, a Polícia Civil iniciou as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte. Seis meses depois, o inquérito foi concluído e Werner Lima Andrade foi indiciado por homicídio.
O g1 conversou com parente de jovem encontrada morta em motel na capital acreana
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Na audiência, serão ouvidas testemunhas e o réu. Além disso, o MP-AC também pede que, em caso de condenação, Werner pague uma indenização mínima equivalente a 10 salários mínimos à família de Rayza.
A mãe da jovem, que não quis ser identificada, disse ao g1 que espera que a audiência represente o início da responsabilização do acusado.
"Eu só quero que a justiça seja feita. Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. Estou de pé porque Deus quer. Não é fácil perder uma filha, ainda mais da forma que ela foi morta'', contou.
Depoimento
Em depoimento à Polícia Civil na época, Werner afirmou que encontrou Rayza nas proximidades do motel e pagou por um programa. Segundo ele, os dois consumiram drogas dentro do quarto e, depois de algum tempo, a jovem começou a passar mal.
O investigado disse que tentou acordá-la, colocou uma toalha molhada em seu rosto e um travesseiro sob a cabeça, acreditando que ela estivesse apenas desacordada. Ele também afirmou que saiu do motel porque ficou assustado e negou ter intenção de causar a morte da jovem.
Questionado sobre o celular de Rayza, Werner declarou que não se lembrava de ter levado o aparelho e disse que deixou o motel sem avisar funcionários de que ela estava passando mal.
Mãe discorda da versão
Para a mãe no entanto, a versão apresentada por Werner à polícia é incompatível com as circunstâncias do caso. "Ele diz que ela passou mal, mas eu não acredito. Se ela estava passando mal, por que não chamou ajuda? Por que trancou a porta e foi embora?", questionou.
Ela também diz acreditar que o aparelho poderia esclarecer o que aconteceu na noite em que Rayza morreu .
"Tenho certeza que ele deu fim nesse celular porque tinha provas. Eu conheço a minha filha, eles se conheciam, ela não iria pro motel assim do nada com ele'', disse.
Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, foi encontrada morta em motel em Rio Branco em setembro de 2025
Arquivo pessoal
Laudo
Inicialmente, a certidão de óbito emitida pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou que a causa da morte era inconclusiva, o que levou a família a contestar o resultado e defender que Rayza havia sido assassinada.
Posteriormente, o laudo cadavérico concluiu que Rayza morreu após sofrer um edema agudo de pulmão, que provocou insuficiência respiratória aguda. Apesar disso, os peritos informaram que não foi possível identificar o que desencadeou esse quadro. Ou seja, o exame apontou a causa da morte, mas não sua origem.
O IML informou ainda que os exames feitos para identificar álcool e as substâncias tóxicas pesquisadas tiveram resultado negativo, contrariando a versão apresentada por Werner de que os dois teriam consumido drogas antes de a jovem passar mal.
Durante a necropsia, os peritos também não encontraram lesões internas ou fraturas que indicassem luta corporal ou traumatismo. O exame registrou apenas uma escoriação superficial no rosto, compatível com o contato do brinco, além de sinais típicos de edema pulmonar, como espuma branca na boca e nas narinas.
'Ela não merecia o que aconteceu'
Rayza tinha diagnóstico de transtorno bipolar e fazia tratamento. Segundo a mãe, a filha enfrentava dificuldades relacionadas à saúde mental, mas isso nunca deveria diminuir a importância da investigação. Ela também afirma que a filha não vivia em situação de abandono financeiro.
"Ela tinha os problemas dela, mas era um ser humano. Ela não merecia o que aconteceu. Quando estava bem, ela trabalhava e cuidava dos filhos, tudo direitinho, nunca deixou faltar nada'', lamentou.
Rayza Emanuelle Oliveira Souza, de 26 anos, foi encontrada morta em motel em Rio Branco em setembro de 2025
Reprodução
A mulher afirmou que ainda enfrenta as consequências da perda da filha e que, além do luto, passou a criar os dois filhos deixados por Rayza.
"O mais velho entende tudo e sofre muito. Eu adquiri ansiedade e pressão alta depois da morte dela, coisa que eu não tinha. Dez salários mínimos não vão curar minha saúde mental'', disse.
Segundo ela, a dor também é diária por causa da ausência da filha.
"A metade do meu coração foi enterrada com ela. Hoje eu vivo pelos meus netos e pelos meus outros filhos. Só quero que a Justiça seja feita e que ele pague pelo que fez'', completou.
VÍDEOS: g1