Enviar uma pergunta? CLICK AQUI
Seg - Sexta: 7:30 - 17:00
Sáb-Dom Fechado
3262 7482 - 3262 7483
16 99781 3817
16 99742 1727
Rua Barão do Rio Branco, 347 - Centro
Itápolis/SP

G1 GLOBO (Tudo Diário)

Últimas notícias do Brasil e do mundo, sobre política, economia, emprego, educação, saúde, meio ambiente, tecnologia, ciência, cultura e carros. Vídeos dos telejornais da TV Globo e da GloboNews.

  1. O pequeno peixe da Amazônia se reproduz de forma assexuada e desafia teoria de extinção da espécie. Reuters Pode parecer estranho, mas o molinésia-amazona, um peixe que vive em rios, lagos e pântanos do México e do Texas, forma populações compostas 100% por fêmeas. Em 1932, a espécie se tornou o primeiro vertebrado conhecido a se reproduzir por clonagem, gerando apenas descendentes fêmeas. Agora, um novo estudo genético trouxe pistas sobre como e por que isso acontece. Na população humana, a proporção de mulheres gira em torno de 50%. Alguns países fogem um pouco dessa média, como Maldivas, com 38% de mulheres, e Moldávia, com 54%. Essas diferenças, porém, costumam ser explicadas por imigração e emigração masculina. No reino animal, as diferenças podem ser muito maiores. Em populações do pássaro borrelho-de-coleira-interrompida, nas quais os machos cuidam dos filhotes, apenas 14% são fêmeas. Já entre tartarugas-marinhas, cujo sexo é definido pela temperatura, mais de 75% podem ser fêmeas. 🔍 A maioria dos animais se reproduz sexualmente, com a fusão de espermatozoide e óvulo para formar um embrião. Nesse processo, chamado recombinação, o material genético dos pais é misturado aleatoriamente, aumentando a diversidade genética e as chances de sobrevivência da espécie em ambientes que mudam. Agora no g1 Mas o molinésia-amazona se reproduz de forma assexuada, sem mistura genética. Isso reduz a diversidade e torna a população mais vulnerável. Se um peixe for suscetível a uma doença, todos podem ser. Há outro problema em ser geneticamente idêntico: espécies assexuadas tendem a acumular mutações prejudiciais. O fenômeno, conhecido como “catraca de Muller”, prevê que clones deveriam desaparecer em menos de 10 mil anos. Apesar disso, o molinésia-amazona — um híbrido originado do cruzamento entre uma fêmea da espécie molinésia-do-atlântico e um macho molinésia-de-vela — existe há mais de 100 mil anos. Segundo o novo estudo, o segredo pode estar em um processo chamado conversão gênica, no qual uma versão de um gene substitui outra. Em humanos, isso costuma servir para reparar danos no DNA. No caso do molinésia-amazona, porém, o mecanismo ajuda a eliminar mutações nocivas e preservar genes vantajosos. O 'lagostim de mármore' tem cerca de dez centímetros de comprimento Chris Lukhaup/DKFZ Como se reproduzem? Mesmo sem reprodução sexuada, populações da espécie apresentam diferenças no formato do corpo, sinal de que continuam evoluindo de acordo com o ambiente em que vivem. O peixe se reproduz por partenogênese, conhecida popularmente como “nascimento virgem”, em que filhotes surgem de óvulos não fertilizados. Isso permite que populações cresçam rapidamente, já que todas as fêmeas podem se reproduzir sem precisar encontrar parceiros. A partenogênese pode ser obrigatória, como ocorre com o molinésia-amazona, ou facultativa, quando a espécie alterna entre reprodução sexuada e assexuada. É o caso do lagostim de mármore, que se reproduz sexualmente em sua região de origem, mas consegue colonizar novos habitats de forma assexuada, muitas vezes a partir de uma única fêmea. O molinésia-amazona usa um tipo específico de partenogênese chamado ginogênese. Nesse processo, o esperma ainda é necessário para estimular o desenvolvimento do óvulo, mas o material genético do macho não é incorporado aos filhotes. Por isso, a espécie continua “acasalando” com machos de espécies aparentadas. Embora os genes deles não sejam transmitidos, a interação ainda pode trazer vantagens. Isso porque muitas fêmeas escolhem parceiros observando o comportamento de outras. Assim, machos vistos ao lado de um molinésia-amazona podem parecer mais atraentes para as fêmeas da própria espécie. Método incomum Dragão de Komodo é fotografado no Parque Nacional de Komodo, na Indonésia REUTERS/Henning Gloystein A partenogênese é comum entre invertebrados, como formigas, abelhas e vespas. Em vertebrados, é mais rara, mas já foi registrada em peixes, anfíbios, répteis — incluindo o dragão-de-komodo — aves, como o condor-da-califórnia, e tubarões-martelo. Outro exemplo de vertebrados compostos apenas por fêmeas são os lagartos chicote. Quase um terço das espécies desse grupo é formado exclusivamente por fêmeas. O lagarto-chicote do Novo México virou até um ícone queer. Diferentemente do molinésia-amazona, esses “lagartos lésbicos” não precisam de esperma para estimular o desenvolvimento dos ovos. Basta simular comportamento de acasalamento para provocar a ovulação, dispensando completamente os machos. O lagarto-chicote-do-novo-méxico ('Aspidoscelis neomexicanus') é uma espécie de lagarto exclusivamente feminina nmoorhatch/CC Algumas salamandras-de-pintas-azuis se reproduzem de forma assexuada há milhões de anos. Assim como o molinésia-amazona, elas precisam de esperma apenas para ativar o desenvolvimento do embrião. Mas, nesse caso, parte do DNA do macho é incorporada aos filhotes, aumentando a diversidade genética e ajudando na sobrevivência da espécie ao longo do tempo. Além do molinésia-amazona, a cobra-cega-brâmane — conhecida como “cobra de vaso”, por viver enterrada em plantas de vaso — é o único outro vertebrado conhecido que se reproduz exclusivamente por partenogênese. Essas cobras possuem três cópias de cada cromossomo, em vez das duas habituais, provavelmente por um erro ocorrido durante a divisão celular em algum momento da evolução da espécie. O aumento no número de cromossomos também aparece em outros animais, como salmões, que têm quatro cópias, e esturjões, que podem ter oito. Segundo os pesquisadores, essa maior quantidade de cromossomos pode aumentar a diversidade genética e explicar como essas espécies clonais conseguiram sobreviver por tanto tempo. E pode haver mais animais formados apenas por fêmeas ainda desconhecidos pela ciência. Afinal, até poucos anos atrás, pesquisadores nem sabiam que cobras fêmeas tinham dois clitóris.

  2. Vik Muniz está em cartaz no CCBB, no Rio A maior retrospectiva já realizada sobre o trabalho de Vik Muniz está em cartaz no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro. A exposição "Vik Muniz – A Olho Nu" reúne mais de 200 obras produzidas ao longo de três décadas de carreira e apresenta ao público algumas das imagens mais conhecidas do artista, que ganharam projeção internacional ao transformar materiais improváveis em arte. 'Medusa Marinara', feita com macarrão Vik Muniz/Divulgação Logo na entrada, uma medusa feita de macarrão com molho de tomate – a obra "Medusa Marinara" (1997) – antecipa o universo de ilusão e experimentação que marca a trajetória de Vik. Ao longo da mostra, o visitante encontra releituras de imagens icônicas criadas com chocolate, feijão, geleia, pasta de amendoim, diamantes, caviar, fumaça, papel picado e até lixo reciclável. "Duas vezes Mona Lisa (pasta de amendoim e geleia)", obra de Vik Muniz da série 'A partir de 'Warhol', de 1999 Vik Muniz/Divulgação Entre as obras mais emblemáticas estão o retrato de Che Guevara feito com feijão, a Monalisa criada com geleia e pasta de amendoim. Da quase desistência ao sucesso internacional Também está exposta a série “Crianças de açúcar” (1996), considerada um divisor de águas na carreira do artista. “Eu já estava para jogar a toalha, falar: ‘não vou ser mais artista’, quando decidi tirar férias no Caribe. Conheci essas crianças, fotografei como você fotografa pessoas durante as férias e expus as obras numa galeria no Soho”, contou Vik. 'Valentina, a mais veloz', da série 'Crianças de açúcar', de Vik Muniz (1996) Vik Muniz/Divulgação Segundo ele, um crítico do jornal “The New York Times” viu os trabalhos por acaso e publicou uma crítica que impulsionou sua carreira internacional. A exposição também explora a relação entre imagem e realidade — uma das marcas do trabalho do artista. Em uma das instalações, Vik apresenta um autorretrato formado por brinquedos. Em outra, uma bola de metal reproduz com perfeição uma bola murcha. O objeto já chegou a ser chutado por um visitante que acreditou se tratar de uma bola de verdade. Há ainda obras que desafiam constantemente a percepção do público: papéis amassados que são fotografias hiper-realistas, pregos que parecem reais, chicletes presos sob mesas transparentes e estudos científicos de borboletas feitos apenas de papel. "Che (feijão preto), a partir de Alberto Korda", obra de Vik Muniz Vik Muniz/Divulgação “Essas ilusões básicas são essenciais. Você começa a entender como são os blocos da sua relação com o mundo. Você precisa ser iludido para conseguir se comunicar”, afirmou o artista. Ao longo da carreira, Vik Muniz também desenvolveu trabalhos de forte impacto social. Um dos mais conhecidos transformou catadores de um antigo aterro sanitário em personagens de retratos monumentais feitos com resíduos recicláveis. O projeto inspirou o documentário "Lixo Extraordinário", indicado ao Oscar. 'Caveira paleolítica (Luzia'), 11.243- 11.710 anos, Minas Gerais, Brasil', da série 'Museu de Cinzas', feita com restos do incêndio no Museu Nacional Vik Muniz/Divulgação Outra série presente na retrospectiva reúne obras sacras produzidas em papel para arrecadar recursos para a Fundação Casa Santa Ignez, instituição que apoia crianças de baixa renda. Mesmo depois do reconhecimento internacional, Vik continuou apostando em materiais simples e inesperados. Em uma fase da carreira, criou 52 obras usando apenas um único pedaço reutilizável de massa de modelar. 'Museu de Cinzas' 'Museu Nacional', da série 'Museu de Cinzas' Vik Muniz/Divulgação Na série mais recente da exposição, "Museu de Cinzas" (2019), o artista utiliza cinzas recolhidas após o incêndio do Museu Nacional para recriar peças do acervo destruído. Entre elas, uma réplica do fóssil de um pterossauro que, na interpretação de Vik, renasce como uma fênix. Para o curador da mostra, Daniel Rangel, a experiência da retrospectiva provoca uma dúvida permanente no espectador. “As obras conversam entre si. E você vai sempre se perguntando: aquilo que estou vendo é realmente o que estou vendo?” Artista plástico Vik Muniz Marco Anelli/Divulgação

  3. Brasil registrou dezenas de vínculos trabalhistas como presidente e vice-presidente O município de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, tem, ao menos, três presidentes da República em exercício desde 2002. O primeiro caso divulgado pelo g1 foi o da técnica de enfermagem Aldenize Ferreira, de 46 anos. Na semana passada, ao procurar emprego na Agência do Trabalhador da região, a técnica de enfermagem descobriu que o nome dela consta, há 24 anos e 2 meses, como ocupante do cargo de presidente da República. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Além de Aldenize Ferreira, outras duas mulheres da mesma cidade descobriram ser, pelo menos na carteira de trabalho, chefes de Estado. E esses casos não são os únicos. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram a existência de 19 vínculos empregatícios ativos, no fim de 2024, registrados para os cargos de presidente e vice-presidente da República. As informações constam em bases oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e envolvem funções públicas eletivas que, em tese, não se enquadram no modelo tradicional de emprego formal regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No entanto, os dados mostram "Presidentes da República" contratados por indústrias de móveis, restaurantes, lavanderias e empresas de transporte rodoviário de carga. Em Apucarana (PR), por exemplo, uma mulher de 57 anos aparecia registrada como presidente da República, mesmo trabalhando no comércio varejista de vestuário e recebendo entre 1 e 2 salários mínimos. Ou no município de Abaetetuba, no Pará, que em maio de 2024 registrou a admissão de uma mulher de 28 anos com a ocupação de presidente da República. O vínculo, ativo no final daquele ano, mostrava um salário de aproximadamente R$ 1,5 mil em uma empresa do setor de serviços hoteleiros. Em dezembro de 2024, o dado mais recente disponível da RAIS, a base indicava a existência de 13 vínculos ativos como presidente da República e 6 vices. 🔎 Na RAIS, “vínculo” é o registro de uma relação formal de trabalho entre uma pessoa e um empregador. Se uma pessoa trabalhou em duas empresas diferentes no mesmo ano, ela terá dois vínculos (cada contrato ou relação de trabalho registrada). Se mudou de emprego durante o ano, pode aparecer mais de uma vez na base de dados. Além dos vínculos ativos, outros 40 vínculos de presidência e 2 de vice foram registrados em 2024, mas ficaram inativos ao término daquele ano. Muitos desses registros inativos estão concentrados em prefeituras municipais, onde o cargo de "Presidente da República" é frequentemente confundido com cargos de gestão local ou contratos temporários. Os vínculos estão distribuídos nos municípios: Canto do Buriti (PI): 28 vínculos (todos inativos em dezembro de 2024) Jacareacanga (PA): 7 vínculos (todos inativos em dezembro de 2024) Tasso Fragoso (MA): 2 (sendo 1 ativo em dezembro de 2024) Apucarana (PR): 2 (ambos ativos em dezembro de 2024) Santos (SP): 2 (ambos ativos em dezembro de 2024) Amapá (AP): 1 (ativo em dezembro de 2024) Barra do Mendes (BA): 1 (ativo em dezembro de 2024) Riachão do Jacuípe (BA): 1 (inativo) Aiuaba (CE): 1 (ativo em dezembro de 2024) Canindé (CE): 1 (inativo) Brasília (DF): 1 (ativo em dezembro de 2024) Colinas (MA): 1 (ativo em dezembro de 2024) Gonzaga (MG): 1 (inativo) São Sebastião do Paraíso (MG): 1 (ativo em dezembro de 2024) Abaetetuba (PA): 1 (ativo em dezembro de 2024) Campina Grande (PB): 1 (inativo) Arapongas (PR): 1 (inativo) Muliterno (RS): 1 (inativo) Santiago (RS): 1 (ativo em dezembro de 2024) Uruguaiana (RS): 1 (ativo em dezembro de 2024) Navegantes (SC): 1 (ativo em dezembro de 2024) São Paulo (SP): 1 (ativo em dezembro de 2024) Dados da RAIS mostram 58 vínculos de presidente da República e vice em 2024. Alberto Correa - Arte/g1 Os vínculos de presidentes e vice presentes na RAIS correspondem à empresas com as atividades abaixo: Administração pública em geral Telecomunicações Atividades de organizações sindicais Seguridade social Comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios Atividades de assessoria em gestão empresarial Fabricação de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e estuque Estabelecimentos hoteleiros Ensino fundamental Comércio varejista de artigos do vestuário e complementos Técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva foi registrada em carteira de trabalho digital como presidente da República Reprodução/WhatsApp Outros sistemas mostram vínculos de presidentes Além da RAIS, outro sistema do Ministério do Trabalho mostra contratações e demissões de presidentes da República e vices com informações incompatíveis com a realidade: o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O Caged registra 62 movimentações entre 2009 e 2025 envolvendo admissões e desligamentos de presidentes da República e vice-presidentes. No período, o Brasil teve cinco movimentações na Presidência da República. Dados do CAGED entre 2009 e 2025 mostram admissões e desligamentos incompatíveis com as funções de presidente da República e vice. Alberto Correa - Arte/g1 Entre esses casos, destacam-se uma admissão para o cargo de Presidente da República em uma empresa de fabricação de móveis em Arapongas (PR) em 2021, com salário de R$ 1.766,88, e desligamentos em empresas de transporte de carga em São Paulo. 🔎 O Caged é um sistema voltado ao acompanhamento das admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada. Criado para monitorar a evolução do emprego formal no Brasil, o cadastro passou a ser integrado ao eSocial e hoje é utilizado para gerar os indicadores mensais de criação e fechamento de vagas formais no país. Procurada pelo g1, a assessoria do Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que o preenchimento dos dados da RAIS é de responsabilidade dos empregadores, e ao identificar inconsistências, notifica os estabelecimentos para correção. (veja nota completa abaixo) Pelo menos 3 pessoas percebem registro de presidente da república na carteira de trabalho Quais impactos para o trabalhador? Segundo a advogada trabalhista Isabel Cristina, do escritório Ferraz dos Passos, erros desse tipo se tornaram mais comuns após a digitalização dos sistemas trabalhistas e previdenciários do governo federal. A especialista explica que, desde a implementação do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital, um único lançamento incorreto pode ser replicado automaticamente para diferentes bases do governo, como INSS, Receita Federal e a própria carteira digital do trabalhador. “O erro acontece em um sistema só, mas se replica em efeito cascata para todos os outros”, afirma. De acordo com a advogada, na maioria dos casos não há fraude, mas sim falhas operacionais, como o uso incorreto da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) ou lançamentos equivocados feitos por equipes de recursos humanos (RH). Ainda segundo Isabel, a alta rotatividade em prefeituras e a falta de treinamento técnico em setores administrativos ajudam a explicar esse tipo de erro. “O Brasil tem mais de 5,5 mil municípios e a realidade estrutural deles é muito desigual. Nem todas as prefeituras possuem um RH consolidado, com servidores concursados e permanentes”, explica. “Muitas vezes, essa função é exercida por servidores comissionados ou empresas terceirizadas. Com a troca de governo a cada quatro anos, há uma rotatividade natural de pessoal e, infelizmente, perda de dados e histórico”, completa a advogada. Segundo Isabel, o eSocial é uma ferramenta complexa e passa por atualizações constantes. Sem treinamento técnico adequado, especialmente em trocas de gestão, erros podem ocorrer nos registros trabalhistas. Os problemas, no entanto, podem trazer consequências imediatas para o empregado. Um vínculo em aberto pode indicar ao sistema que a pessoa ainda está empregada, o que pode levar ao bloqueio do seguro-desemprego, à negativa de benefícios previdenciários e até a constrangimentos em processos seletivos. A principal consequência é o constrangimento profissional: ao buscar um novo emprego, o histórico digital do trabalhador vai mostrar dois contratos simultâneos. "O novo empregador certamente vai pedir esclarecimentos para saber se a pessoa realmente acumulava duas funções ou se a carteira de trabalho está com informações incorretas, o que pode gerar constrangimento desnecessário ou até perda da vaga." Outro ponto é que o registro também pode afetar benefícios sociais, como o Bolsa Família, porque o vínculo – ainda que incorreto – indica que aquela pessoa estaria empregada e recebendo renda mensal. Nesses casos, a responsabilidade pela correção das informações é exclusivamente do empregador, que tem acesso ao sistema para retificação dos dados. Caso o empregado identifique essa situação, a primeira medida é procurar diretamente o setor de Recursos Humanos da empresa, prefeitura ou órgão que consta como empregador. “Se o cidadão trabalhou lá, mas o contrato não foi fechado, o pedido deve ser para inserir a data de encerramento. Agora, se a pessoa nunca trabalhou naquele local e o vínculo é totalmente fictício, o pedido deve ser de exclusão imediata dos dados”, explica a advogada. Ela ainda destaca que, na prática, o problema só costuma ser resolvido quando o trabalhador identifica a inconsistência e cobra providências. Caso não haja solução administrativa, pode ser necessário recorrer à Justiça. Nesses casos, a advogada alerta que existem dois caminhos. “A depender de como o município organiza suas leis trabalhistas, a ação terá que correr na Justiça Comum ou na Justiça do Trabalho. Por isso, o auxílio de um advogado ou da Defensoria Pública é fundamental para direcionar o processo para o tribunal correto”, afirma. Por isso, a recomendação é que o próprio trabalhador acompanhe regularmente suas informações nos aplicativos oficiais, como Carteira de Trabalho Digital, Meu INSS e FGTS. “Hoje, mais do que nunca, é fundamental que o cidadão fiscalize seus próprios dados. A prevenção digital se tornou uma ferramenta essencial de proteção de direitos”, conclui. Apesar dos transtornos, Isabel Cristina ressalta que registros fictícios não geram automaticamente direitos trabalhistas, como salários, FGTS ou verbas rescisórias, quando não houve prestação de serviço. Segundo ela, no Direito do Trabalho, o que vale é a realidade dos fatos: se não houve trabalho, não há direito a essas verbas. Além disso, registros incorretos podem inflar o número de funcionários da empresa. Isso pode obrigá-la a contratar mais jovens aprendizes ou pessoas com deficiência (PCDs) para cumprir metas legais que talvez não precisasse atingir, sob pena de multas do Ministério do Trabalho. Por outro lado, dependendo do prejuízo causado, o trabalhador pode pedir indenização na Justiça por danos morais. “Nesse caso, a pessoa precisa comprovar que sofreu um prejuízo real com a anotação incorreta. Por exemplo: perdeu o Bolsa Família, o seguro-desemprego ou uma nova vaga de emprego por causa disso”, completa. Carolina Lima descobriu que está registrada como 'presidente da República' na carteira de trabalho digital Reprodução/TV Globo O que diz o Ministério do Trabalho? Em nota enviada ao g1, o Ministério do Trabalho e Emprego afirmou que, entre 2002 e 2019, algumas empresas registraram de forma equivocada a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) de trabalhadores em sistemas previdenciários, incluindo, em alguns casos, o código referente ao cargo de Presidente da República. Segundo a pasta, as informações exibidas atualmente na Carteira de Trabalho Digital foram importadas automaticamente da base do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O ministério destacou ainda que, com a implantação do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital, esse tipo de inconsistência foi reduzido, já que passou a ser exibido o cargo informado diretamente pela empresa. O MTE informou também que erros cadastrais podem ser corrigidos pelo trabalhador junto ao INSS, por meio do serviço “Atualização de Vínculos e Remunerações”, disponível pelo telefone 135 e pelo portal Meu INSS. Ainda segundo o ministério, esse tipo d'e inconsistência não impede a concessão da aposentadoria e não há risco de o trabalhador perder o direito ao benefício por causa do erro cadastral. Veja nota da pasta na íntegra: “O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) esclarece que, entre 2002 até 2019, os empregadores informavam ao INSS os vínculos empregatícios de seus trabalhadores por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP). Nesse período, algumas empresas registraram a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), incluindo, em determinados casos, o código referente ao cargo de Presidente da República. Com a implantação da Carteira de Trabalho Digital, em setembro de 2019, as informações passaram a ser importadas da base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), administrado pelo INSS. Dessa forma, registros enviados pelos empregadores foram automaticamente reproduzidos na carteira digital, que fica na aba outros vínculos. Para os vínculos já da Carteira de Trabalho Digital, não há mais apresentação da descrição da CBO e sim do cargo informado pela empresa na descrição do campo "cargo" do eSocial, o que evita esse tipo de erro. O MTE ressalta que as informações relativas aos vínculos empregatícios, inclusive os códigos da CBO, são de responsabilidade do empregador, cabendo às empresas o correto envio dos dados ao eSocial e a devida regularização das informações quando identificada qualquer inconsistência cadastral. Os trabalhadores podem também fazer essa correção ligando para a Central 135 ou pelo portal MEU INSS. O atendimento telefônico é fundamental para abrir o protocolo, segundo o INSS. O trabalhador deve solicitar ‘Atualização de Vínculos e Remunerações’. Depois, envia um documento pelo site do Meu INSS ou pelo aplicativo”. Carteira de trabalho digital Marcelo Camargo/Agência Brasil

  4. Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular 🎵 O ritual parece ter saído de 2006: conectar um fone com fio, girar a roda do aparelho e escolher um álbum baixado manualmente. Mas a cena acontece em 2026, com jovens que estão trocando o celular por... iPods. O MP3 player lançado pela Apple há mais de duas décadas voltou à rotina da Geração Z — não só pela nostalgia, mas justamente pelo que ele não tem: notificações, algoritmos e feeds infinitos. 🔕 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O g1 conversou com jovens que voltaram a usar o iPod no dia a dia para ouvir música durante treinos, estudos e deslocamentos. Segundo eles, o celular passou a atrapalhar demais por causa das notificações e das redes sociais. "Até hoje existe uma comunidade enorme de pessoas que restauram iPods antigos com bateria nova e mais armazenamento, seja para manter o produto vivo como lembrança ou até mesmo para usá-lo no dia a dia", conta o especialista em Apple Filipe Esposito, que acompanha a empresa há 17 anos. E a procura pelo dispositivo vem aumentando, segundo empresas consultadas pelo g1. O site de vendas Enjoei informou que o valor total de iPods vendidos na plataforma no primeiro trimestre deste ano (janeiro, fevereiro e março) foi 47% maior do que no mesmo período de 2025. Já a OLX informou que as buscas por iPods cresceram 18,9% em abril de 2026 na comparação com abril de 2025. De janeiro a abril deste ano, o aumento foi de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. 'Só quero ouvir música em paz' Lisandra Reis, Cláudio Wollace e Emanuelle Assunção. Arquivos pessoais. Emanuelle Assunção, de 27 anos, Lisandra Reis, de 29, e Cláudio Wollace, de 26, não se conhecem, mas têm algo em comum: estão cansados de perder tempo nas redes sociais. Por isso, voltaram a usar o iPod, que, além do gostinho de nostalgia, ajuda os três a evitar distrações. "Eu sentia que o celular acabava me atrapalhando um pouco. Às vezes, eu saía para correr na rua e acabava parando porque chegava alguma notificação e eu ficava curiosa para ver. Óbvio que eu também adoro a vibe nostálgica que ele passa, mas é muito mais para ouvir música em paz", conta Lisandra. Ela tem um iPod Touch, aquele modelo parecido com um iPhone, e comprou o dispositivo em 2019. Lisandra diz não se lembrar quanto pagou pelo aparelho na época. Quem também tem um iPod Touch é Emanuelle (todo decorado com adesivos na capinha 💅). Ela conta que comprou o MP3 da Apple em 2024, de segunda mão, por R$ 230. "Hoje eu uso ele durante os treinos de musculação, às vezes quando estou lendo e também nos deslocamentos de carro por aplicativo", diz Emanuelle. Segundo ela, em 2024 ainda conseguia usar o Spotify no iPod Touch — modelo que permitia baixar aplicativos. Mas, quando voltou a usar o aparelho em 2026, o aplicativo já não funcionava mais. Por causa disso, voltou a baixar músicas manualmente no computador para depois transferi-las para o iPod. O g1 verificou que, na App Store, loja de aplicativos da Apple, o Spotify não aparece mais como compatível com nenhum modelo de iPod. iPods de Emanuelle e de Lisandra. Arquivos pessoais. Cláudio diz que muita gente considera ruim o processo de baixar músicas no computador e transferi-las para o iPod, mas que, para ele, isso é "revigorante". Segundo ele, o fato de o aparelho não ter algoritmos também faz diferença, porque permite ouvir apenas as músicas que decidiu colocar ali. "Mesmo assinando serviços de streaming, como o Spotify, eu ainda prefiro o iPod. Sinto que a qualidade sonora é até melhor", conta. Ele usa um iPod Nano de segunda mão, comprado em 2025 por R$ 130. O aparelho costuma acompanhá-lo na academia e nos estudos da faculdade. "Eu gosto porque é um aparelho feito só para música, sem notificações ou outras coisas que tirem minha atenção". Cláudio também diz ter uma relação afetiva com o iPod. "Quando eu era mais novo, sempre quis ter um, principalmente o iPod Touch de 4ª geração, mas não tinha condições na época. Hoje, minha vontade mesmo é ter um iPod Classic (um dos primeiros lançados). Para mim, ele é o top dos tops, mas está muito caro". Músicas custavam certa de R$ 1,80 cada iPod Shuffle, iPod Nano e iPod Touch. Apple Inc/Internet Archive Biblioteca Para o especialista em Apple Filipe Esposito, a combinação entre iTunes e iPod não só ajudou a combater a pirataria, como também consolidou o aparelho no mercado. "Existiam outros tocadores de MP3, mas nenhum tinha a conveniência de uma loja própria de músicas ou um gerenciador de playlists como o iTunes", diz. O primeiro iPod funcionava apenas com computadores Mac, o que limitou as vendas no início. Segundo Esposito, o cenário mudou quando a Apple lançou uma versão do iTunes para PC e tornou o iPod compatível com o sistema da Microsoft. Pouco tempo depois do lançamento do iPod, a Apple também criou a iTunes Store, sua loja online de músicas. "Pela primeira vez, os usuários podiam comprar músicas separadamente por US$ 0,99 (cerca de R$ 1,80 na época). Todo o processo era extremamente rápido e fácil, e as músicas podiam ser transferidas em segundos para o iPod", afirma. Por que estamos resgatando dispositivos dos anos 2000? Jovens também estão resgatando fones de ouvido com fio. Unsplash/Anh Tuan Thomas A sensação é de que estamos cada vez mais resgatando produtos que pareciam ter ficado no passado: foi assim com os fones de ouvido com fio, com as câmeras Cyber-shot e, agora, com os iPods. Para Angelica Mari, especialista em cyberpsicologia, área que estuda os impactos da tecnologia no comportamento humano, a tendência reflete uma busca por um período em que a tecnologia tinha limites mais definidos e interferia menos na atenção das pessoas. Segundo ela, o movimento representa uma recusa simbólica da hiperconectividade e também uma tentativa de diferenciação social. "No caso dos iPods, baixar as músicas e atualizar manualmente as playlists vão na contramão da conveniência a que fomos acostumados, mas também devolvem um certo nível de autonomia. Hoje, quando uma playlist termina, as plataformas logo sugerem uma sequência parecida para manter o usuário em um ciclo infinito", diz. Segundo a especialista, o retorno dos fones com fio tem um efeito parecido. "A pessoa sente o cabo, que literalmente conecta o usuário ao dispositivo. Existe uma materialidade que foi eliminada com o Bluetooth", afirma. Ela também avalia que essa busca por simplicidade acabou ficando cara, o que pode ser percebido nos preços de dispositivos antigos, como iPods, walkmans e câmeras Cyber-shot, em sites de revenda. Um iPod Classic usado — modelo que Cláudio diz sonhar em ter — pode custar mais de R$ 1 mil na internet. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta

  5. Após tragédia da chuva em Juiz de Fora, moradores pintam rua para a Copa do Mundo Moradores da rua Dalila Lery, no bairro Industrial, em Juiz de Fora, voltaram a se unir três meses após a tempestade que deixou 66 mortos na cidade. Desta vez, o mutirão foi para decorar a rua para a Copa do Mundo. Na expectativa pelos primeiros jogos da seleção brasileira, o local ganhou o tradicional colorido verde e amarelo. A mobilização aconteceu no último fim de semana e teve também churrasco de confraternização. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp “Começamos a mobilização há mais ou menos um mês. Comprei os itens, marcamos e decidimos fazer a pintura na semana passada. “A gente decidiu fazer também um churrasco para confraternizar, já que seriam muitas horas de trabalho. Começamos por volta das 9h, terminamos umas 18h e depois começamos o churrasco, que foi até 20h”, explicou Isabela Guimarães, de 30 anos, uma das organizadoras. Antes devastada pela chuva, rua Dalila Lery, no bairro Industrial, agora está decorada para a Copa Reprodução Para ela, a decoração foi um momento de interação entre os vizinhos, que ainda estão fragilizados pela tragédia. “Aqui na nossa rua todos os moradores perderam tudo. Na casa do meu avô, por exemplo, a água chegou a 1,5 metro. No fim da rua, ela chegou a quase dois metros. Foi muito triste, mas a gente enfrentou tudo com muita união, com um ajudando o outro, seja na coleta de donativos, seja na limpeza da casa, na retirada dos entulhos”, explicou. “A gente tá tentando ressignificar, principalmente para as crianças, que, infelizmente, estão traumatizadas. Algumas estão fazendo até acompanhamento psicológico, porque não foi fácil que a gente passou. Foram dias muito difíceis”. Além dos pequenos, a decoração também contou com ajuda de moradores mais velhos, como senhor Selim, avô de Isabela, e outros idosos. “O meu avô tem 84 anos e ficou dois meses fora de casa. Ele voltou pra casa há poucos dias, já que a casa dele precisou de uma reforma extrema, de nível de tocar a porta e refazer as paredes. Ele acompanhou a pintura com a gente, assim como outras senhorinhas. Uma delas fez almoço para todo mundo. Foi um dia inesquecível, e as crianças estão enlouquecidas com tudo que a gente viveu”. Conforme Isabela, vizinhos de outras ruas também estão se mobilizando para aumentar a decoração pelo bairro. A expectativa é de novos encontros entre os moradores, para troca de figurinhas do álbum da Copa e também para acompanhar os jogos. Adultos e crianças se reuniram para pintar rua em Juiz de Fora Reprodução Um projetor também será instalado em uma das casas para acompanhar a estreia da seleção. “A gente tá animando de se encontrar no dia do primeiro jogo do Brasil, inclusive porque sobrou carne do churrasco. Também compramos chapéus e bandeirinhas, que estão todas guardadas para todo mundo ver o jogo caráter”. Rua Dalila Lery, no bairro Industrial, em Juiz de Fora, está no clima de Copa do Mundo Reprodução Tragédia completa três meses Na noite do dia 23 de fevereiro, a chuva intensa que atingiu a cidade deixou 65 mortos. Um idoso de 77 anos foi socorrido nos escombros, ficou internado por cerca de um mês, mas também faleceu, aumentando o número de vítimas para 66. Várias ruas ficam interditadas e outras totalmente evacuadas, sob risco de novos deslizamentos e soterramentos, deixando quase 10 mil desalojados e desabrigados. Um rastro de destruição foi deixado em diferentes bairros da cidade, como Parque Burnier, o que teve maior número de mortos – 22, ao todo – Três Moinhos, Paineiras, Cerâmica, Nossa Senhora de Lourdes e Carlos Chagas. Rua Dalila Lery, no bairro Industrial, durante a tragédia em Juiz de Fora e agora, três meses após a chuva Reprodução No bairro Industrial, onde a pintura foi feita, o córrego Humaitá transbordou e deixou centenas de casas submersas. Não houve mortos no bairro, mas vários moradores precisaram deixar os imóveis, alguns com auxílio de barco. A Prefeitura de Juiz de Fora decretou estado de calamidade, que segue até agosto. LEIA TAMBÉM: Idosa de 85 anos coleciona álbuns da Copa do Mundo e monta esquema de troca de figurinhas com as netas Veja ANTES E DEPOIS de locais tomados por água e terra na chuva de Juiz de Fora e região VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

  6. Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, acompanhou lançamento da Starship junto com o bilionário Elon Musk, na base aérea da SpaceX Brandon Bell/Pool via AP A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, caminha para entrar na bolsa de valores dos Estados Unidos. O pedido de IPO foi protocolado na quarta-feira (20), com expectativa de estreia em meados de junho. 🔎 Um IPO é a primeira oferta pública de uma empresa, quando vende parte de suas ações e passa a ser negociada na bolsa de valores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A SpaceX estima que seu valor de mercado seja de US$ 1,25 trilhão (cerca de R$ 6 trilhões). As ações da empresa devem ser negociadas na Nasdaq (bolsa de tecnologia norte-americana) sob o código SPCX. A abertura de capital da SpaceX, antes considerada improvável pelo bilionário, agora é vista como um desejo de Musk, e pode ampliar ainda mais sua influência nos setores de tecnologia e espacial, além da geopolítica. Caso a operação se concretize, o empresário, que já é o homem mais rico do mundo, poderá se aproximar do posto de primeiro trilionário da história do planeta Terra. Além disso, a SpaceX deixaria de ser vista apenas como uma empresa de lançamentos espaciais para atuar como um conglomerado com diferentes serviços e fontes de receita, o que pode ampliar ainda mais seu faturamento. É o que dizem especialistas consultados pelo g1. Em fevereiro, Musk anunciou a compra da sua empresa de inteligência artificial, xAI, pela SpaceX. O negócio também envolveu a Starlink, operação de internet via satélite ligada à SpaceX. Com isso, a companhia passou a controlar também o X, rede social que já fazia parte do grupo xAI. "O que Musk busca com o IPO é organizar melhor todos esses negócios ele que criou, além de ganhar acesso a mais capital (dinheiro) e ao mercado de varejo. Estamos falando, provavelmente, do maior IPO da história", afirma Pedro Waengertner, CEO da ACE Ventures. Segundo Alvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em IA, projetos como a Starship — considerada a maior nave espacial do mundo —, além dos planos da SpaceX de levar data centers para o espaço e avançar na industrialização lunar, exigem um volume de investimento que só o mercado público consegue oferecer. Com o IPO, enquanto os investidores comuns terão acesso a ações com direito a um voto, haverá uma classe especial de ações destinada a Musk com 10 votos por cada papel. "Essa estrutura permitirá que ele controle cerca de 85% dos votos da companhia, mantendo o domínio total sobre os rumos do negócio", explica Diogo Cortiz, professor especializado em tecnologia e inovação da PUC-SP. Mas... um negócio ainda em prejuízo Starship posicionada em base de lançamento da SpaceX, em foto divulgada em 27 de maio de 2025 Divulgação/SpaceX Em 2025, a SpaceX gerou US$ 18,67 bilhões em receita, sendo boa parte desse valor vinda da Starlink, que já tem presença global mais consolidada do que a SpaceX. Ao mesmo tempo, a empresa registrou um prejuízo de US$ 4,94 bilhões no ano passado, impulsionado pelos altos custos com pesquisa e desenvolvimento, de acordo com o jornal "The Wall Street Journal". ➡️ Segundo o próprio documento enviado ao regulador dos EUA para abrir capital, a SpaceX afirmou ter faturado, em 2025: Conectividade (Starlink): US$ 11,39 bilhões Espaço (SpaceX): US$ 4,09 bilhões IA (xAI/X): US$ 3,20 bilhões Enquanto a Starlink responde por quase toda a receita, o restante das operações da empresa consome dinheiro em um ritmo tão acelerado que as rodadas de investimento privado já não conseguem sustentar o negócio com a mesma facilidade, analisa Alvaro Machado Dias. Influência global Um possível "super IPO", como é esperado, pode ampliar ainda mais a influência de Elon Musk e facilitar o avanço de pautas de interesse dos seus negócios, avalia Diogo Cortiz. O professor destaca que o movimento acontece em um momento estratégico da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, em que a SpaceX ocupa um papel central em áreas consideradas críticas, como exploração espacial e inteligência artificial. "Talvez ele se torne o primeiro trilionário da história da humanidade, controlando uma empresa poderosa e com diferentes frentes de atuação", afirma o especialista. Álvaro Machado Dias avalia que o IPO também coloca uma estrutura considerada estratégica para a defesa dos EUA sob a lógica do mercado financeiro, sem que o governo reduza sua dependência da empresa. Segundo ele, isso cria uma espécie de "tecnoabsolutismo", em que o poder passa a ser dividido de forma híbrida entre Musk e o Estado americano. O império de Elon Musk. Arte g1 Instants:como funciona o novo recurso do Instagram O que se sabe sobre o pacote do governo para reduzir o endividamento

  7. Equipe revela como tecnologia e sensibilidade se unem em especial sobre Santos Dumont Alberto Santos Dumont narra, com a própria voz, trechos de cartas e textos que escreveu ao longo da vida. É essa experiência que um especial inédito da TV Globo propõe ao público, ao usar inteligência artificial para recriar a voz do pai da aviação a partir de registros históricos. O programa "O voo de Santos Dumont" vai ao ar neste sábado (23), após o Jornal Hoje, às 14h10. A produção marca os 120 anos do voo do 14-Bis, realizado em 23 de outubro de 1906, em Paris. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O especial é descrito pela equipe como uma imersão na vida e no legado do inventor nascido na Fazenda Cabangu, no município que ganhou o nome de Santos Dumont, no interior de Minas Gerais. "É um programa que conta a trajetória dessa figura inacreditavelmente criativa, que mudou os rumos da humanidade. E se inspira na sensibilidade e inovação próprias do personagem para ditar a forma da história”, definiu Fred Bottrel, supervisor de projetos especiais da produção. IA que dá voz e movimento ao passado Além da recriação da voz, a inteligência artificial foi usada para colorizar fotografias em preto e branco e dar movimento a imagens que, por mais de um século, ficaram estáticas nos arquivos históricos. O desafio, segundo a designer do projeto, Sarah Aimê, foi manter a fidelidade dos documentos originais. "A ideia não era manipular esses documentos de forma que eles perdessem a veracidade. Era só trazer um frescor para esses materiais”, explicou. Para a editora Fernanda Penna, um dos maiores desafios foi justamente lidar com a riqueza desse acervo. "Santos Dumont era uma pessoa muito midiática. Ele sempre tinha um fotógrafo junto dele. Então, selecionar esse acervo para ver de que forma colocar aquilo ao longo do programa foi um desafio muito grande”, contou. O voo recriado em computação gráfica O momento mais aguardado da história — a decolagem do 14-Bis diante de centenas de testemunhas em Paris — ganhou nova vida com computação gráfica. "A gente recria esse voo usando computação gráfica para poder dar exatamente a dimensão de como foi", explicou Bottrel. Mas, nessa etapa, a equipe fez uma escolha deliberada: abriu mão da inteligência artificial. "A gente optou por não usar inteligência artificial nessa vinheta, porque tem muito a ver com o processo do Santos Dumont. Ele passou muito tempo da vida dele se dedicando manualmente à atividade criativa, entre erros e acertos, para progredir e fazer as invenções", disse o designer Daniel Campos. Segundo ele, cada detalhe do 14-Bis foi reconstruído com rigor histórico. "A gente fez o rosto dele como nas fotos, pegou uma área específica do avião, conseguiu colocar minuciosamente como eram os detalhezinhos", descreveu. De Júlio Verne às invenções do cotidiano O especial também investiga as raízes da imaginação de Santos Dumont. Uma das descobertas mais curiosas é a influência dos livros de Júlio Verne na formação intelectual do aviador. De acordo com a designer Sarah Aimê, as ilustrações das obras do escritor francês — feitas em técnica de gravura e repletas de máquinas surreais voadoras — serviram de base para uma das sequências do programa, com as imagens sendo reimaginadas e animadas com IA. Além das conquistas aeronáuticas, o especial explora outras facetas do inventor: a influência dele na moda, no design e até em soluções do cotidiano, como o conceito do relógio de pulso e ideias precursoras do que hoje conhecemos como delivery. "A ideia era trazer um Santos Dumont que, além de inventor conhecido como o pai da aviação, também criou tantas outras coisas", disse o repórter Lucas Franco. A trilha que embala o voo A produção conta ainda com trilha sonora original. A produtora musical Marion Lemmonier explicou que a composição foi pensada para acompanhar a tensão do momento histórico: começa em suspense para só então explodir em celebração. "A ideia era retratar na música o voo do 14-Bis, começando com a dúvida, sem saber se o voo realmente iria conseguir decolar. E aí, uma vez que decolou, a música cita um pouco da tradição por meio das marchas e também dos instrumentos clássicos — toda a nobreza, todo o legado que Santos Dumont deixou", explicou a compositora. O homem por trás do mito O programa não se limita às glórias. Aborda também os momentos mais sombrios da vida de Dumont, como o impacto emocional que sentiu ao ver os aviões sendo usados em conflitos armados. Para o repórter Lucas Franco, a figura de Santos Dumont ressoa com especial força nos dias de hoje. "É uma figura muito curiosa, inventiva, muito criativa, e que eu acho que serve como uma inspiração para um mundo tão transformado como o mundo de hoje em dia", afirmou. Imagem do programa 'O voo de Santos Dumont' TV Globo Vídeos mais vistos no g1 Minas:

  8. Inglês com ELA foi diagnosticado por brasileira após sistema britânico rejeitar hipótese Johnny Butcher, 29, segurava um copo vazio quando o objeto escorregou da mão esquerda e caiu no chão. Ele estranhou. "Esse copo estava muito pesado", disse. Tinha 28 anos. Jogava futebol toda semana, praticava esportes, trabalhava normalmente. Era um mês depois da lua de mel. Nos meses seguintes, enquanto o sistema público de saúde britânico insistia que ele era jovem demais para ter esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma neurologista brasileira identificaria, por videochamada, o que os médicos na Inglaterra não quiseram enxergar. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal Tudo que ele tinha Johnny e Ana Clara Butcher se conheceram em 2023 por um aplicativo de namoro cristão. Ele é inglês, ela é brasileira. Ele foi ao Brasil conhecê-la, se apaixonou pelo país e pela família dela. Quando viajou à Inglaterra para namorar, noivaram. Para pagar o casamento, vendeu a casa e o carro. O dinheiro custeou o visto dela, as passagens dos familiares brasileiros e a cerimônia. Se casaram em setembro de 2024. A lua de mel aconteceu numa cidade do interior do Reino Unido. Na primeira noite, Johnny reclamou de uma dor persistente no ombro esquerdo que não o deixava dormir. O casal imaginou que fosse do futebol. Com o passar das semanas, outros sintomas se acumularam. A mão esquerda perdia força. Tremores surgiram. A perna esquerda passou a falhar. Johnny parou de jogar futebol. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal Doença avançava enquanto os exames não achavam nada Em fevereiro de 2025, o casal procurou atendimento pelo National Health Service (NHS), o sistema público de saúde britânico. Um fisioterapeuta examinou Johnny e pediu uma ressonância magnética da coluna. Normal. O NHS encaminhou para uma ressonância do cérebro. Normal também. Enquanto os exames não mostravam alterações, a fraqueza se espalhava. A mão esquerda tremia. A perna esquerda perdia força. Johnny parou de jogar futebol. Começou fisioterapia intensiva três vezes por semana —levantamento de peso, alongamento— e continuou piorando. Meses depois, um diagnóstico: transtorno neurológico funcional, condição que costuma alternar períodos de melhora e piora. Johnny não melhorava. Só piorava. Foi então que o casal levantou a hipótese de ELA. A família dele carregava um histórico grave da doença: o bisavô havia tido, o avô também, e um tio materno estava vivo quando Johnny começou a apresentar os primeiros sintomas —e foi esse tio quem sugeriu ao sobrinho que investigasse. A mãe havia sido diagnosticada com Alzheimer, condição que, em alguns casos, compartilha mutações genéticas associadas à ELA. Segundo Ana, o médico inglês riu. "Ele disse que era impossível. Que só seria possível se a mãe do Johnny tivesse a doença —não o avô, não o bisavô; só se fosse a mãe", conta ao g1. "E que ele era jovem demais." O NHS orientou o casal a retornar oito meses depois para reavaliação. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal Médica brasileira viu o que os outros não viram Com o pouco que restava das economias, o casal passou a buscar neurologistas brasileiros por teleconsulta. Dois descartaram a hipótese. A terceira não. Maiara Silva Tramonte é neurologista e paliativista. Atende em Curitiba e leciona na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e na Faculdade Pequeno Príncipe. Chegou ao caso por indicação de uma aluna. Na videochamada, pediu que Johnny se levantasse, observou alguns movimentos e ouviu o histórico familiar. "O que chamou a atenção foi a combinação dos sintomas, a forma como ele estava evoluindo e a história familiar, que era bastante relevante. A teleconsulta tem limitações, mas com o que eu tinha de história clínica e o que consegui examinar, já levantei a suspeita", explica a médica. Tramonte solicitou uma eletroneuromiografia —exame capaz de detectar alterações compatíveis com ELA. O NHS recusou o encaminhamento: ela era médica estrangeira. Foi então que Ana levou a história para as redes sociais. Até aquele momento, quase ninguém fora da família sabia. Entre as mensagens que recebeu, encontrou a indicação de uma clínica de médicos brasileiros em Londres. Em duas semanas, o exame estava marcado. O diagnóstico A técnica que realizou a eletroneuromiografia disse que não era autorizada a explicar o que o resultado do exame significava. Ana sentiu que algo havia dado errado. Recebeu o laudo por e-mail e o encaminhou direto para Tramonte, sem abrir. A videochamada de retorno aconteceu numa segunda-feira, ao meio-dia. "A doutora disse que sentia muito. Que já tinha analisado o exame e que, infelizmente, o Johnny tinha esclerose lateral amiotrófica —e de progressão rápida", diz Ana à reportagem "A gente desabou." Johnny ligou para o pai. O homem mora a 25 minutos de carro. Chegou em dez. Abraçou o filho. Choraram juntos. A mãe de Johnny, que tem Alzheimer, não soube da notícia naquele dia. À noite, os três irmãos chegaram. Johnny deu a notícia para cada um. Segundo Ana, foi a única vez que o viu chorar daquela forma. A partir do dia seguinte, Johnny não chorou mais. "Ele falou: 'se a morte vier me buscar, vai me encontrar vivendo'", conta Ana. Fez uma lista de tudo que quer fazer antes de partir. Parte dela é só para o Brasil —país pelo qual se apaixonou quando conheceu a esposa. Um dos planos é levar o pai para conhecer o país. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal O que é a ELA A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que destrói progressivamente os neurônios motores —as células responsáveis por transmitir ao músculo os comandos do cérebro. À medida que essas células morrem, funções como andar, falar, engolir e respirar passam a ser comprometidas. Segundo Marco Aurélio Troccoli Chieia, coordenador do Departamento de Doenças do Neurônio Motor da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e presidente da Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (AbrELA), o corpo humano tem cerca de um bilhão de neurônios motores —as maiores células do organismo. Os sintomas só aparecem quando aproximadamente 25% a 30% dessas células já foram comprometidas, o que significa que a doença avançou bastante antes de qualquer sinal se manifestar. "Quando o neurônio motor começa a falhar, o organismo perde, progressivamente, a capacidade de executar funções básicas", explica Chieia. A ELA é a terceira doença neurodegenerativa mais frequente, atrás apenas do Alzheimer e do Parkinson. Não tem cura. Os tratamentos buscam retardar a progressão e preservar funções vitais pelo maior tempo possível. "Nem sempre conseguimos mudar o curso da doença, mas sempre conseguimos cuidar da pessoa", diz Tramonte. Estágio 3, progressão acelerada A doença de Johnny está no estágio 3 de 5. Dois meses atrás, ele ainda se levantava do sofá sozinho, tomava banho sem ajuda, andava sem apoio. Hoje, Ana faz tudo. Ele dorme entre 12 e 14 horas por dia. Os espasmos musculares já aparecem nos braços e nas pernas. A respiração começa a ser afetada —o sintoma que, nos casos de ELA, costuma ser determinante para a sobrevida. A fala, por enquanto, permanece. Mais lenta. Às vezes interrompida por um gole d'água antes de continuar. "Acho que, se eu não pudesse mais conversar com ele, seria muito difícil", diz Ana. O casal já estuda o uso de um equipamento de rastreamento ocular —tecnologia que permite ao paciente se comunicar por meio do olhar—, para quando a voz não vier mais. O NHS fornece riluzol, medicamento aprovado para retardar a progressão da ELA, com efeito limitado sobre a sobrevida. Recentemente, Johnny conseguiu autorização para usar edaravona —medicamento aprovado em outros países e em processo de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medicação foi doada por uma paciente brasileira com ELA que, quando diagnosticada, tinha expectativa de vida de três anos. Já completa nove. O custo de tratar uma doença rara O tratamento adequado para ELA exige acompanhamento de equipe multidisciplinar especializada: neurologista, fisioterapeuta respiratório e motor, fonoaudiólogo, nutricionista, psicólogo. No sistema privado brasileiro, arcar com essa estrutura completa custa, segundo Chieia, ao menos R$ 50 mil a R$ 60 mil por mês. No caso de Johnny, a fisioterapeuta indicada pelo NHS não está autorizada a tocar no paciente. Pode apenas demonstrar os exercícios para que Ana os reproduza em casa. Quando Ana foi ao Brasil e consultou fisioterapeutas especializados em doenças neurológicas, ouviu que o protocolo britânico era insuficiente. 'Estou destruída. Vivo um dia de cada vez' Ana tem 27 anos. Vive a mais de 9 mil quilômetros da família. É a única provedora da casa desde que Johnny deu entrada na aposentadoria por invalidez. Trabalha meio período e em regime remoto —o que lhe permite estar presente para cuidar do marido em tempo integral. "O Johnny é tudo para mim. É a minha base, o meu mundo. Vê-lo definhando aos poucos, perceber que estou perdendo ele, é devastador", afirma. "Estou destruída. Tento viver um dia de cada vez." Quem a sustenta emocionalmente, diz ela, é o próprio Johnny. "Ele é uma pessoa extremamente positiva. Nunca reclama." Hoje, Johnny fala mais devagar. Às vezes precisa parar no meio da frase. Mas continua falando. E Ana diz que ainda se agarra à voz dele —à espera do dia em que a tecnologia vai precisar assumir o lugar das palavras. Com ELA, mulher passa 150 dias em UTI enquanto plano de saúde nega home care

  9. Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño Quando o Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos anunciou, no dia 14 de maio, que a chance de o El Niño se formar nos próximos meses subiu para 82%, esse número não veio de uma estimativa de qualquer. Veio de uma rede de equipamentos espalhada pelo Oceano Pacífico e pelo resto dos mares do planeta: boias ancoradas a milhares de metros de profundidade, robôs submersos do tamanho de um extintor de incêndio e até mesmo satélites que, do alto da órbita da Terra, conseguem perceber variações de poucos centímetros no nível do mar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Sozinhos, cada um desses equipamentos veria apenas uma parte do oceano. Combinados, formam o que a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA chama de "joia da coroa" do sistema global de observação do clima. Mas a história dessa rede começa em uma das grandes derrotas científicas do século passado: o El Niño de 1982-83, o primeiro evento muito forte da era moderna, não foi previsto nem detectado até estar quase no pico. E ele provocou uma seca devastadora na Indonésia e na Austrália, chuvas torrenciais no Peru e no Equador. Ao todo, prejuízos calculados em US$ 13 bilhões e milhares de mortes. Rede internacional de boias é usada para monitorar o Oceano Pacífico e detectar sinais do El Niño. NOAA Em outras palavras, o fenômeno passou pela frente dos modelos climáticos como um trem sem maquinista. Assim, essa constatação de que o mundo não tinha como enxergar em tempo real o que acontecia no Pacífico Equatorial deu origem, dentro da NOAA, a um projeto para ancorar boias permanentes ao longo da linha do equador. Em janeiro de 1983, os pesquisadores instalaram então um primeiro protótipo de baixo custo, com termostato. Ele era um equipamento rudimentar, que media apenas vento, temperatura do ar e temperatura da superfície do oceano. A partir daí, o modelo foi sendo gradualmente incrementado com novos sensores. A oceanógrafa paulista Regina Rodrigues, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), fez pós-doutorado entre 2005 e 2008 nos Estados Unidos, no Pacific Marine Environmental Laboratory (PMEL) da NOAA, em Seattle, onde trabalhou com Michael McPhaden, considerado o "pai" dessa rede de boias. "De lá para cá, gradualmente, essa boia foi ficando cada vez mais incrementada", explica Regina ao g1. Lançamento de uma boia da rede TAO, sistema mantido pela NOAA no Oceano Pacífico equatorial. As boias monitoram temperaturas e condições do oceano fundamentais para entender fenômenos como o El Niño e a La Niña. NOAA "Incrementada com sensores, tanto na parte aérea — que coleta várias variáveis da atmosfera — quanto na parte submersa, o que chamamos de mooring: uma linha que vai até o fundo do oceano com diversos sensores de temperatura e salinidade distribuídos ao longo da coluna d’água [ou seja, em diferentes profundidades do mar]". "Outra característica fundamental dessas boias, segundo a pesquisadora, é que elas transmitiam dados via satélite em tempo real — algo que para os padrões da época era um avanço considerável. Os protótipos foram testados em 1984, em resposta direta ao fiasco da previsão do El Niño anterior, e a rede foi sendo expandida até ficar completa em 1994. Antes disso, equipamentos oceanográficos costumavam gravar as medidas internamente, e os pesquisadores precisavam recuperar o aparelho meses ou anos depois para acessar os dados. Mas para a previsão do El Niño, esperar tanto tempo seria inútil. Comparação do aquecimento anormal do Oceano Pacífico durante os fortes eventos de El Niño de 1982-1983 (acima) e 1997 (abaixo), dois dos mais intensos já registrados. NOAA AVHRR LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Uma rede espalhada pelo oceano inteiro Hoje, a principal rede de monitoramento do Pacífico conta com 55 boias distribuídas ao longo da linha do equador, entre a costa da América do Sul e a região próxima ao Japão. Cada uma delas funciona como uma pequena estação meteorológica flutuante. Acima da água, medem velocidade e direção do vento, temperatura do ar e umidade. Abaixo da superfície, sensores acompanham o aquecimento da água em diferentes profundidades, chegando a centenas de metros oceano abaixo. Os dados sobem por uma antena instalada no topo da boia e são enviados por satélite em tempo real para centros de previsão do mundo inteiro. A operação é dividida entre diferentes países. Os Estados Unidos, por exemplo, monitoram a parte leste do Pacífico, mais próxima da América do Sul, enquanto o Japão opera o setor oeste, perto da Ásia. Manter essa estrutura funcionando até hoje exige grandes operações em alto-mar. Navios oceanográficos percorrem o Pacífico periodicamente para trocar baterias, substituir sensores corroídos pela água salgada e reparar danos causados por tempestades e pelo desgaste natural do oceano. Mas as boias são apenas uma parte dessa vigilância climática. Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em abril de 2026; áreas em vermelho indicam águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño. Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA Hoje em dia, outro braço importante desse sistema são os chamados flutuadores Argo, uma frota internacional de quase 4 mil robôs submarinos espalhados por todos os oceanos do planeta. Diferentemente das boias fixas, eles se movem livremente com as correntes marítimas. O funcionamento é quase automático: o robô afunda até cerca de mil metros de profundidade, permanece dias submerso e depois sobe lentamente até a superfície coletando informações sobre temperatura, salinidade e pressão da água. Ao emergir, envia tudo por satélite antes de mergulhar novamente. Segundo Regina Rodrigues, esses equipamentos revolucionaram o estudo do oceano profundo. “Esses flutuadores são equipamentos autônomos que são colocados no mar. Eles afundam, se deslocam por cerca de 10 dias e depois sobem, fazendo um perfil de temperatura, salinidade e outras variáveis ao longo da coluna d’água, ou seja, em diferentes profundidades do oceano, até a superfície.” Os satélites completam essa rede de observação vistos do espaço. Eles conseguem monitorar a temperatura da superfície do mar quase diariamente e também detectar pequenas mudanças na altura do oceano, de poucos centímetros. Pode parecer detalhe, mas esse dado é essencial porque água quente ocupa mais espaço. Assim, quando uma grande massa de água aquecida atravessa o Pacífico, o nível do mar sobe ligeiramente antes mesmo de o aquecimento aparecer claramente nos termômetros. Essas ondas de água quente, chamadas ondas Kelvin, são consideradas um dos principais sinais de que um El Niño pode estar se formando. Flutuador Argo sendo lançado ao mar. Argo Program LEIA TAMBÉM: Onde está a Timmy? Libertação de baleia gera nova polêmica na Alemanha Por que Amsterdã proibiu qualquer propaganda de carne nas ruas ANTES e DEPOIS: imagem da Nasa mostra geleira na Antártida que recuou 25 km em tempo recorde O Atlântico também influencia o Brasil Um detalhe curioso de toda essa empreitada é que o olhar dos cientistas sobre o El Niño não fica restrito ao Pacífico. Desde os anos 1990, Brasil, França e Estados Unidos mantêm uma rede semelhante de boias no Atlântico Tropical, carinhosamente apelidada de "Pirata". Desde os anos 1990, Brasil, França e Estados Unidos mantêm uma rede semelhante no Atlântico Tropical, chamada carinhosamente de "Pirata". O sistema acompanha mudanças no oceano que influenciam diretamente o clima brasileiro, especialmente no Norte e no Nordeste. "O El Niño impacta o Atlântico Tropical", explica Regina. "As secas na Amazônia e no Nordeste, por exemplo, dependem também de como o Atlântico se comporta." Segundo a pesquisadora, o comportamento do Atlântico ajuda a determinar, por exemplo, a posição da famosa Zona de Convergência Intertropical, faixa de nuvens responsável por boa parte das chuvas que chegam ao Norte e ao Nordeste do país. Quando essa circulação muda, aumentam os riscos de seca em diferentes regiões brasileiras. ➡️ ENTENDA: A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é um encontro de ventos na região do Equador. É um dos principais sistemas meteorológicos causadores de chuva em parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O Brasil participa diretamente da manutenção dessa rede no Atlântico. Parte das boias é operada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com apoio da Marinha, que realiza expedições em alto-mar para manutenção dos equipamentos. Boia oceanográfica de deriva do INPE lançada em 1991 é recuperada na Antártica. INPE Mas mesmo com toda essa estrutura, Regina alerta que os cientistas ainda observam apenas uma pequena parte do oceano. "A gente tem muito pouca informação do oceano profundo, para começo de conversa", afirma. E agora, segundo ela, a própria rede responsável por observar os oceanos do planeta começou a dar sinais de desgaste. As boias espalhadas pelo Pacífico e pelo Atlântico, os robôs submarinos e toda a infraestrutura que alimenta previsões climáticas no mundo inteiro enfrentam hoje dois problemas cada vez mais visíveis: vandalismo em alto-mar e cortes de financiamento. O primeiro deles acontece literalmente no meio do oceano. As boias fixas acabaram se transformando em pequenos “oásis” de vida marinha. Peixes se concentram ao redor das estruturas, e pescadores passaram a usar esses pontos como apoio para embarcações durante o trabalho. O problema é que os equipamentos acabam sendo danificados no processo. "Antigamente, até a pandemia, a gente tinha um bom retorno, às vezes chegava 90% dos dados voltarem", conta a pesquisadora. "Agora isso reduziu bastante." Mapa mostra a expansão das medições de temperatura da superfície do mar entre 1860 e 1999. Quanto mais escura a cor, maior a frequência de observações nos oceanos. Climate.gov E o impacto disso tudo vai muito além do monitoramento do El Niño. Os dados coletados por essas redes abastecem praticamente todos os grandes modelos meteorológicos usados hoje no planeta. A previsão da chuva no Sudeste na próxima semana, os alertas de ciclones no Sul do Brasil, ondas de calor na Europa e até projeções agrícolas dependem, em algum nível, das informações medidas por essas boias, robôs e satélites. Além do vandalismo, outro problema preocupa os pesquisadores atualmente: o custo para manter toda essa estrutura funcionando. As campanhas de manutenção exigem navios, equipes especializadas e viagens que podem durar semanas em alto-mar. Ao mesmo tempo, parte das redes internacionais já enfrenta cortes de orçamento. Para Regina, existe uma contradição nesse cenário. Empresas privadas desenvolvem cada vez mais sistemas de previsão baseados em inteligência artificial, mas dependem justamente dos dados produzidos por uma infraestrutura pública global que agora começa a perder recursos. "Em vez de a gente avançar, a gente vai voltar para trás, porque IA não faz milagre", resume a pesquisadora. "Você tem que alimentar e treinar a inteligência artificial com bons dados." Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil

  10. Doações de videolocadora em SC com 10 mil DVDs mobiliza cinéfilos de vários estados 📀Cerca de 10 mil DVDs são a representação viva de uma história de mais de 30 anos, de uma das maiores videolocadoras que já existiram em Santa Catarina. Uma década depois da Mania Vídeo ter terminado as atividades em Xanxerê, no Oeste do estado, o dono, Fábio Moschetta, resolveu desapegar e doar a maior parte desse acervo, o que atraiu cinéfilos que já entraram em contato com ele. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Após anunciar nas redes sociais sobre a iniciativa, Moschetta conta que recebeu mensagens de interessados de vários estados. "Tive pessoas de toda região Oeste [catarinense], Santa Catarina, Rio Grande do Sul, pessoas de Caxias do Sul [RS] que confirmaram que vão vir, pessoas do litoral catarinense, de Curitiba, de São Paulo inclusive". Empresário Fábio Moschetta e DVDs guardados Arquivo pessoal Locadora funcionou de 1982 a 2016 🎬O fim das atividades da locadora ocorreu em 2016 e os DVDs ficaram guardados em um galpão da empresa de construção de Moschetta. Após perder um familiar, ele decidiu desapegar. Mas vai escolher de 2 mil a 2,5 mil filmes para ficar com ele. "Vou tentar separar do que eu tinha os melhores filmes, os filmes que eu achar que mais vão formar o caráter das minhas filhas, e o restante vou doar para as pessoas, para que outras pessoas possam aproveitar esses filmes". 📼A Mania Vídeo começou em 1982 com o pai dele em uma sala de 10 m². "Ao longo de todos os anos, ela foi mudando para salas maiores até na última sala que nós tínhamos, 368 m² de videolocadora". Eles também chegaram a ter filiais dela em outras cidades próximas do Oeste catarinense. Segundo Moschetta, a decisão por encerrar as atividades está relacionada à preferência do consumidor. Mas não foi o streaming o principal fator. "Além da pirataria, também foi o início do Facebook, dos joguinhos de celular, que brigavam pelo tempo das pessoas com os filmes das videolocadoras". As doações vão ocorrer nos dias 30 e 31 de maio em Xanxerê das 13h às 18h, no próprio espaço onde era a Mania Vídeo, na Avenida La Salle, 229, segundo andar. Videolocadora em Xanxerê era uma das maiores de SC Fábio Moschetta/Arquivo pessoal Senso de urgência e compartilhamento: vantagens da mídia física Moschetta considera que, mesmo com todas as modificações na forma como assistimos a filmes em casa atualmente, o DVD tem vantagens. "A mídia física traz o senso de urgência. Você locava o filme, tinha que assistir àquele filme, não tinha outra opção. Você ia assistir sendo o início bom ou não. Hoje um filme da Netflix que não lhe segura nos primeiros 5 minutos, você acaba desistindo". Emprestar um filme para alguém também é outra vantagem, na visão do empresário. "Os DVDs e VHSs têm a vantagem do compartilhamento. É aquela dedicação, uma coisa que realmente é tua. Tu podes emprestar para um amigo". "Naquela época, a videolocadora em si era um evento". Com acesso a tantos filmes, ele arrisca os favoritos: "Os Miseráveis" de 1998, com o ator Liam Neeson, e o drama iraniano indicado ao Oscar "Filhos do Paraíso". Videolocadora em Xanxerê, SC, ficou aberta até 2016 Fábio Moschetta/Arquivo pessoal VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

  11. Leques coloridos na 29ª Parada LGBT de SP. Luiz Gabriel Franco/g1 A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação na quarta-feira (20) um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, incluindo a Parada do Orgulho LGBT+ da capital paulista, mesmo quando acompanhados pelos pais ou responsáveis. O texto também impede a ocupação e interdição de vias públicas para a realização desses eventos e determina que ocorram apenas em espaços fechados. Para especialistas ouvidos pelo g1, a proposta é inconstitucional e discriminatória. O Projeto de Lei nº 50/2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), também determina que eventos com temática LGBTQIA+ sejam realizados apenas em espaços fechados e com controle de entrada, proibindo a ocupação de vias públicas. O texto prevê ainda classificação indicativa para maiores de 18 anos e multas que podem chegar a R$ 1 milhão em caso de descumprimento. Segundo o vereador, a proposta busca “proteger crianças e adolescentes de conteúdos impróprios para sua idade” e reduzir impactos urbanos causados por grandes eventos. “Há anos a Parada Gay deixou de ser uma manifestação de orgulho e respeito e passou a ser um evento libertino, totalmente sexualizado, expondo crianças e transeuntes a nudez e obscenidades. Limitar o acesso é medida urgente para garantir o bem-estar e a inocência de nossas crianças”, afirmou Rubinho. Na justificativa do projeto, o vereador também cita a possibilidade de transferência do evento para locais fechados, como o Anhembi. O texto ainda precisa passar por uma segunda votação em plenário antes de seguir para uma eventual sanção do prefeito. A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo deste ano está em sua 30ª edição e está prevista para 7 de junho, na Avenida Paulista. Para o advogado Flávio Crocce Caetano, presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB São Paulo e professor da PUC-SP, o projeto “é absolutamente inconstitucional”. Segundo ele, a proposta cria restrições direcionadas exclusivamente à população LGBTQIA+, o que configuraria discriminação baseada em orientação sexual e identidade de gênero. “Não se pode proibir que crianças e adolescentes, cuja responsabilidade é dos pais, participem de eventos como esse. Quem decide o que é bom para os filhos são os seus pais”, afirmou. O especialista também argumenta que a proposta viola princípios constitucionais como liberdade de expressão, manifestação cultural e direito de reunião. “A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é reconhecida pelo seu caráter cultural, político e social. Qualquer vedação com base no tema é discriminatória e pode configurar censura simbólica”, disse. Ainda segundo Caetano, caso o projeto seja aprovado e sancionado, deverá ser alvo de ação direta de inconstitucionalidade no Judiciário. O advogado Renan Quintanilha também avalia que o texto é inconstitucional. Segundo ele, o projeto viola a liberdade de associação e reunião, além de configurar censura prévia e discriminação indireta contra a população LGBTQIA+. “Não cabe a um município editar uma legislação como essa. Configura uma maneira de censura prévia e uma discriminação indireta à população LGBTQIA+”, afirmou. Quintanilha também citou ações semelhantes em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, já há cinco votos favoráveis à inconstitucionalidade de uma lei do Amazonas que proíbe a presença de crianças e adolescentes em paradas do orgulho LGBTQIA+. Para o advogado Pedro Henrique Mazzaro Lopes, especialista em direito administrativo pela FGV-SP e mestrando em direito pela USP, o projeto apresenta vícios “formais e materiais” que comprometem sua validade. “A gente já tem uma sinalização de cinco ministros do Supremo Tribunal Federal de que esse tipo de legislação tem causas formais e materiais de inconstitucionalidade”, disse. Segundo ele, o município não tem competência para legislar sobre temas ligados ao poder familiar e à classificação indicativa. Mazzaro também argumenta que o texto viola direitos fundamentais, como liberdade de expressão, liberdade de reunião e igualdade material. “Ao singularizar eventos LGBTQIA+ — e somente eles — para imposição de restrição etária obrigatória, o projeto incorre em discriminação direta vedada pela Constituição”, disse. O advogado também criticou o trecho que impede a realização desses eventos em vias públicas. “Confinar a Parada LGBT+ a um espaço fechado equivale, na prática, a inviabilizá-la. Isso configura censura prévia indireta”, afirmou. E emendou: "Não há amparo constitucional possível para esse dispositivo. O art. 5º, XVI, da Constituição é taxativo ao dizer que todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, exigindo-se apenas comunicação prévia à autoridade competente. A norma constitucional não admite restrição material baseada no conteúdo da manifestação. Ou seja, o poder público não pode permitir manifestações de um grupo e proibir as de outro com base na mensagem que se pretende veicular". A vereadora Amanda Paschoal, do PSOL, também criticou o texto. Para ela, crianças e adolescentes “não são sujeitos de segunda categoria” e têm direito ao desenvolvimento político, cultural e social garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição. “Vedar a possibilidade de que crianças e adolescentes se integrem a manifestações políticas de pessoas LGBTQIA+ é uma afronta direta ao ECA e à Constituição”, afirmou. A parlamentar também relacionou o projeto a um movimento de redução de apoio institucional e financeiro à Parada LGBT de São Paulo. “O objetivo da Parada é exatamente mostrar que nossas identidades e afetos não são motivo de vergonha, de segredo e sim de celebração da nossa existência”, disse. Internação compulsória para usuários de drogas Também na quarta (20), os vereadores aprovaram, em primeira votação, um projeto de lei de autoria de Amanda Vetorazzo (União Brasil) que propõe alterar a Política Municipal sobre Álcool e outras Drogas para permitir a internação involuntária e compulsória de usuários e dependentes químicos. O texto prevê que o tratamento seja realizado prioritariamente em rede de atenção à saúde e hospitais gerais, com possibilidade de internação voluntária, involuntária ou compulsória, mediante protocolos técnicos e atendimento individualizado. Pela proposta, a internação involuntária poderá ocorrer sem consentimento do dependente, a pedido de familiares, responsáveis legais ou até de servidores públicos da saúde e assistência social. Já a internação compulsória seria aplicada a usuários em “cena de uso aberto”, mediante laudo médico que constate ausência de domínio sobre a própria condição psicológica e física. Em junho de 2019, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a nova Lei de Drogas, que autoriza a internação sem consentimento de dependentes químicos. Há três tipos de internação, previstas pela legislação brasileira: Voluntária – com o consentimento e autorização do dependente químico; Involuntária – em que um médico determina a necessidade da internação como última alternativa, com o conhecimento de algum familiar ou responsável da pessoa; Compulsória – que ocorre por determinação judicial. A Lei da Reforma Psiquiátrica estabelece, no entanto, que a internação involuntária: só pode ocorrer mediante laudo médico circunstanciado; deve ser comunicada ao Ministério Público em até 72 horas; deve ser usada quando os recursos extra-hospitalares forem insuficientes; precisa ter caráter terapêutico e temporário.

  12. Ópera de Pequim chega Salvador pela 1ª vez e grupo celebra intercâmbio cultural A Companhia Nacional da Ópera de Pequim se apresenta pela primeira vez em Salvador, neste sábado (23), e apresenta ao público soteropolitano o espetáculo "A Lenda da Serpente Branca". O espetáculo será encenado na Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), às 19h, e é parte das ações do Ano Cultural Brasil-China 2026 — período comemorativo estabelecido para celebrar a relação entre os dois países. Ao g1, Wang Yong, presidente da companhia chinesa, disse que a peça é uma ponte para que brasileiros e chineses se conheçam melhor. Ele aponta que, apesar das diferenças culturais, os dois países têm muito em comum. "Apesar de nossas culturas serem muito diferentes, nossa busca pela verdade, bondade e beleza — além do sincero sentimento de superar obstáculos por amor — é o mesmo". 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A apresentação nas cidades brasileiras chegou com um grupo completo de artistas, formado por 45 pessoas. Ansiosos para as trocas com os baianos, os atores da companhia buscaram se conectar com o público e os artistas locais desde que chegaram a Salvador, na quarta-feira (21). Ópera de Pequim é apresentada em Salvador pela 1ª vez e grupo celebra intercâmbio cultural Divulgação Além de participarem de um workshop, no qual introduziram ao público características tradicionais da Ópera de Pequim, o grupo se encontrou com o bloco afro Ilê Aiyê na sexta-feira (22). O momento inédito de troca artística é parte de um momento mútuo de reconhecimento da força e beleza das expressões culturais dos dois países. "Nossos artistas estão muito animados e cheios de antecipação sobre a performance em Salvador. Nós esperamos que as pessoas da cidade apreciem a Ópera de Pequim e esperamos criar algo especial por meio da nossa troca com os artistas [da cidade]", aponta Wang Yong. Para Steffen Duaelsberg, diretor-executivo da Dellarte Produções, responsável por trazer a Companhia Nacional da Ópera de Pequim, o momento é de criar memórias e deixar legados. "No fundo, essas apresentações são um estopim. O que fica são esses legados de encontros e trocas de informação que a gente está querendo fazer de forma bastante contundente com a cultura baiana". Ópera de Pequim é apresentada em Salvador pela 1ª vez e grupo celebra intercâmbio cultural Camila Anjos A Lenda da Serpente Branca A Lenda da Serpente Branca é uma das histórias mais tradicionais da China e a apresentação do mito é reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A Ópera de Pequim é considerada um dos pilares da tradição teatral chinesa. O espetáculo conta a história do espírito de uma serpente branca milenar que se transforma em uma mulher chamada Bai Suzhen e se apaixona por um estudante, o Xu Xian. Bai Suzhen, interpretada pela atriz Fu Jia, e Xu Xian, vivido pelo ator Zhang Bing durante apresentação da Ópera de Pequim. Divulgação A narrativa acompanha os percalços do amor entre os dois, atravessado por batalhas épicas e recheadO de deuses, demônios e espíritos, como a Serpente Verde, Xiaoqing. Além disso, o casal é desaprovado pelo monge Fahai, que vê a união como uma violação das leis naturais e tenta destruir Bai Suzhen. "Ela enfrenta provações de vida e morte quando sua verdadeira forma é revelada durante o Festival do Barco Dragão e quando o monge Fahai interfere. No final, o casal se reencontra na Ponte Quebrada, resolve seus mal-entendidos por meio do amor verdadeiro e reconstrói seu lar", conta Wang Yong. A lenda ganhou elementos ao longo dos anos, a depender da forma como era contada em diferentes partes do país e da passagem pelas dinastias. Devido a essas mudanças, a apresentação carrega uma série de simbolismos que compõem as camadas da lenda. Por exemplo, Bai Suzhen, a mulher-serpente, é sempre representada por uma mulher vestida de branco, conforme a versão da lenda contada na Dinastia Tang (618–907 d.C.), enquanto a Serpente Verde é uma mulher vestida de azul-esverdeado. Ópera de Pequim chega a Salvador pela primeira vez. Divulgação A força da lenda se espalhou para além do teatro e ganhou também adaptações no universo cinematográfico. Agora, a história atravessa milhares de quilômetros de distância até a Bahia, promovendo um encontro de culturas. "Nem mesmo a imensidão do Oceano Pacífico pode impedir uma amizade sincera. A valorização e a compreensão das culturas uns dos outros certamente aprofundarão a amizade entre nossos povos, e continuaremos a cultivar esse laço que transcende montanhas e mares", acrescentou. LEIA MAIS: Estudante atropelada em faixa de pedestres de rodovia na BA morre no dia do aniversário de 22 anos Jovem tem casa invadida e é morta com golpes de faca em Salvador; ex companheiro é principal suspeito do crime Homens armados invadem cemitério e atacam caixão de adolescente a tiros na Bahia Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

  13. Microscópio barato criado por brasileiro ajuda no diagnóstico da malária na Nigéria Um microscópio de baixo custo tem ajudado a ampliar o diagnóstico da malária em uma região vulnerável da Nigéria. Criado pelo brasileiro André Maia Chagas, o equipamento utiliza peças compradas em plataformas de comércio eletrônico e funciona conectado a um celular. Segundo o pesquisador da Universidade de Sussex e especialista de Projetos Estratégicos do Manacás da PUC-Campinas, a proposta surgiu a partir de uma demanda do estado de Yobe, no nordeste da Nigéria, região marcada pela alta incidência de malária e pela falta de infraestrutura em saúde. Ao todo, 30 equipamentos já foram construídos localmente e distribuídos entre hospitais e unidades de atenção primária. "Os aparelhos não foram enviados prontos do Brasil. As próprias equipes locais compraram os componentes pela internet e realizaram a montagem durante os treinamentos, reduzindo os custos de importação, facilitando a manutenção e gerando independência tecnológica nas regiões atendidas", explica Chagas. Estudo revela que a malária moldou a distribuição dos primeiros humanos na África Microscópios sendo construídos localmente na Nigéria para serem distribuídos entre hospitais e unidades de atenção primária André Maia Chagas O microscópio custa cerca de US$ 85 (aproximadamente R$ 430) e pode ser montado em até uma hora após a impressão das peças estruturais em 3D. Ele foi desenvolvido a partir do conceito de hardware aberto, que disponibiliza gratuitamente os projetos, instruções de montagem e a lista de materiais para que qualquer pessoa reproduza o aparelho. "O objetivo era criar um equipamento funcional para uma necessidade específica, com o menor custo possível. Pesquisa pública, financiada com dinheiro público, deveria virar bem público", afirma o especialista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Estrutura simples e funcional Segundo André, que iniciou o trabalho na Universidade de Sussex, no Reino Unido, em parceria com a Universidade de Yobe, o aparelho possui componentes de fácil aquisição. O microscópio conta com uma câmera USB de 12 megapixels, lentes disponíveis em plataformas online, parafusos comuns e uma estrutura produzida em impressora 3D. Como a câmera é conectada ao smartphone, é o próprio celular que fornece energia ao sistema, além de servir como visor para análise das imagens. Amostras de sangue em lâminas são acopladas ao equipamento e, com a resolução disponível, é possível identificar o parasita causador da malária dentro das células. ⚠️ Ter o equipamento, no entanto, não é suficiente por si só. O diagnóstico é feito por profissionais de saúde treinados, capazes de identificar e interpretar corretamente a presença do parasita nas imagens. Microscópio de baixo custo pode ajudar a ampliar o diagnóstico da malária em regiões vulneráveis na Nigéria. Estevão Mamédio A iniciativa busca não apenas ampliar o acesso ao diagnóstico, mas também acelerar o início do tratamento da doença. As unidades de saúde da região atendem a população de forma descentralizada e contam, em muitos casos, com testes rápidos, como os usados para Covid-19, que nem sempre apresentam alta precisão. Segundo Chagas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a análise microscópica de amostras de sangue o método padrão para o diagnóstico da malária. Outras aplicações Além da malária, André Chagas explica que o microscópio pode ser usado para outros exames que utilizam microscopia. "Microscopia ainda é usada para muitas coisas. O exame de Papanicolau, por exemplo, depende desse tipo de análise. Então a detecção de câncer de colo de útero e de outras doenças também podem ser feitas por um sistema como esse", diz. Por ser digital, o equipamento também abre caminho para a criação de bancos de dados e sistemas de análise automatizada. A ideia é que, no futuro, ferramentas tecnológicas ajudem a acelerar a triagem de exames e o monitoramento epidemiológico. "Com essas imagens, a gente consegue acompanhar a evolução da doença em tempo real, e no futuro, treinar sistemas de detecção automática para ajudar na triagem e monitoramento epidemiológicos", afirma. Processo de validação O microscópio já está em uso na Nigéria e passa atualmente por um processo de validação científica, com comparações em relação a equipamentos tradicionais. “O microscópio ainda está em fase de validação, mas ele já consegue gerar imagens das células vermelhas e visualizar o parasita da malária. Como o projeto foi baseado no OpenFlexure, uma tecnologia de microscópio aberto que já passou por validação científica, a expectativa é validar esse equipamento da mesma forma", completa. O microscópio conta com uma câmera USB de 12 megapixels, lentes, parafusos comuns e uma estrutura produzida em impressora 3D. Estevão Mamédio *Estagiária sob supervisão de Fernando Evans Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

  14. Nuvens carregadas em Sorocaba (SP) Reprodução/Kelly Rosa Baptista Nos últimos dias, manchetes sobre um possível “super El Niño” começaram a circular em jornais e redes sociais depois que centros meteorológicos internacionais aumentaram a chance de formação do fenômeno climático ainda em 2026. A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, estima hoje mais de 80% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño nos próximos meses. Alguns modelos europeus já projetam um aquecimento muito intenso do Oceano Pacífico, semelhante ao observado em grandes eventos históricos. O assunto ganhou ainda mais atenção depois de análises apontarem que um evento forte poderia aumentar o risco de secas, enchentes, ondas de calor e impactos na produção agrícola em diferentes partes do mundo. Mas afinal: o que é o El Niño? O que diferencia um "evento comum" de um "muito forte"? E o que realmente pode acontecer no Brasil? O g1 preparou um guia com tudo o que você precisa saber sobre o fenômeno. Veja ABAIXO. Agora no g1 1) O que é o El Niño? O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda padrões de chuva, temperatura e vento em várias regiões do planeta. Embora aconteça no Pacífico, os efeitos acabam se espalhando para diferentes continentes. É por isso que uma mudança na temperatura do mar perto do Peru e do Equador consegue influenciar o clima no Brasil, na Ásia, na África e até na América do Norte. El Niño e La Niña Arte/g1 Em anos normais, os chamados ventos alísios sopram de leste para oeste sobre o Pacífico, empurrando águas quentes em direção à Indonésia e à Austrália. Isso ajuda a manter águas mais frias próximas da costa da América do Sul. 💨 No El Niño, esses ventos enfraquecem. Com isso, a água quente volta a se espalhar pelo Pacífico central e leste. A atmosfera responde a essa mudança, e todo o sistema climático começa a se reorganizar. É essa “bagunça” atmosférica que altera o regime de chuvas em várias partes do mundo. 2) O que diferencia um El Niño comum de um “super El Niño”? A diferença principal está na intensidade do aquecimento do oceano. Os cientistas usam índices baseados na temperatura da superfície do mar para medir a força do fenômeno. Quando esse aquecimento ultrapassa certos limites durante vários meses, o evento passa a ser classificado como moderado, forte ou muito forte. "O termo que qualifica o El Niño como forte ou muito forte ou super forte é feito com base nas temperaturas das águas na parte central do Oceano Pacífico ao longo do Equador", explica ao g1 Maria Assunção Dias, professora emérita do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP). "Existem séries históricas dessas temperaturas que são medidas diretamente com termômetros em bóias marítimas ou pelos navios que por ali passam, ou indiretamente por satélites", acrescenta Dias. De forma simplificada, um El Niño considerado muito forte acontece quando a temperatura do Pacífico Equatorial fica mais de 2°C acima da média histórica. Foi o que ocorreu em episódios marcantes como os El Niños de 1982-83, 1997-98 e 2015-16. ⚠️ O termo “super El Niño”, porém, não é uma categoria científica oficial. Ele costuma ser usado informalmente por meteorologistas para descrever justamente esses eventos extremamente intensos. Mapa mostra as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico em abril de 2026. Áreas em azul indicam águas mais frias que a média, padrão associado à La Niña NOAA 3) Então já existe um “super El Niño” confirmado para 2026? Não. O que existe hoje é um cenário de forte probabilidade de formação do El Niño — mas ainda com muita incerteza sobre a intensidade final do evento. A NOAA estima o seguinte: 82% de chance de o fenômeno surgir entre maio e julho; 96% de chance de ele continuar ativo no fim de 2026 e início de 2027. Já sobre a intensidade, os modelos ainda divergem. Alguns centros meteorológicos europeus projetam um aquecimento extremamente elevado do Pacífico, acima de 3°C em certas simulações. Isso colocaria o fenômeno na categoria de muito forte. Mas especialistas alertam que ainda é cedo para tratar esse cenário como certo. Hoje, nenhuma categoria de intensidade aparece com probabilidade dominante nas projeções. Em outras palavras: os cientistas sabem que o El Niño provavelmente vem aí, mas ainda não conseguem afirmar com segurança se ele será moderado, forte ou muito forte. Imagem de arquivo mostra Rio Branco, na Amazônia, em um de seus momentos mais críticos de seca. Evento foi atribuído por cientistas a efeitos do El Niño Marie Hippenmeyer/Arquivo AFP 4) Por que ainda existe tanta incerteza? Porque previsões feitas entre março e maio costumam ser menos confiáveis. Esse período é conhecido pelos meteorologistas como “barreira de previsibilidade”. Na prática, o oceano e a atmosfera passam por uma fase de transição em que os modelos climáticos têm mais dificuldade para prever como o sistema vai evoluir nos meses seguintes. Por isso, muitos pesquisadores afirmam que as projeções devem ganhar mais precisão entre junho e agosto. Durante a época atual, primavera do hemisfério norte e outono do hemisfério sul, os modelos tendem a ter um desempenho não tão bom como em outras épocas do ano. Isto porque é uma época em que tanto os oceanos como a atmosfera estão evoluindo rapidamente introduzindo bastante incerteza nas previsões. Além disso, para um El Niño realmente muito forte acontecer, não basta apenas o oceano aquecer. A atmosfera também precisa responder a esse aquecimento. Os cientistas monitoram justamente esse “acoplamento” entre oceano e atmosfera para entender se o fenômeno vai realmente ganhar força. 5) Como o aquecimento global entra nessa história? O aquecimento global não causa o El Niño. O fenômeno é natural e existe há milhares de anos. Mas os pesquisadores acreditam que um planeta mais quente pode aumentar a frequência ou a intensidade dos eventos extremos. Além disso, mesmo quando o El Niño tem força parecida com a de décadas atrás, os impactos tendem a ser maiores hoje porque oceanos e atmosfera já estão mais aquecidos pelo efeito das mudanças climáticas. Na prática, isso significa que: ondas de calor podem ficar mais intensas; secas podem durar mais; incêndios podem se espalhar mais facilmente; chuvas extremas podem provocar impactos mais severos. Um dos pontos que mais preocupam os cientistas é justamente o efeito combinado entre o El Niño e o aquecimento global. “O aquecimento global tem-se manifestado como um aquecimento da atmosfera e dos oceanos. Assim, o efeito nos El Niños é justamente a ocorrência de casos mais fortes, mais extremos", diz Dias. Bombeiro tenta apagar incêndio florestal em Kryoneri, na Grécia. Yorgos Karahalis/AP 6) Quais são os possíveis impactos no Brasil? Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa: aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos; redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste; mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste; maior frequência de ondas de calor. Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão. Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta. Impactos do El Niño no Brasil. Arte/g1 7) Como isso pode mexer com comida, energia e abastecimento? Os efeitos de um El Niño forte podem chegar diretamente ao bolso da população. Na agricultura, mudanças no regime de chuva podem afetar o calendário de plantio e reduzir a produtividade em algumas regiões. No Centro-Oeste, por exemplo, produtores acompanham com atenção o risco de atraso das chuvas, o que pode prejudicar o plantio da soja e encurtar a janela da segunda safra de milho. Já no Sul, o excesso de chuva também pode causar perdas agrícolas e dificuldades na colheita. Em outros países, o fenômeno costuma afetar culturas importantes como arroz, trigo e milho, especialmente em partes da Ásia e da África. Isso pode pressionar preços internacionais de alimentos. O setor de energia também entra em alerta porque o Brasil depende fortemente de hidrelétricas. Se reservatórios importantes receberem menos chuva, aumenta a necessidade de acionar usinas térmicas, que são mais caras. Isso pode elevar o custo da geração de energia e pressionar a conta de luz. Lavoura de soja, um dos principais produtos do agronegócio brasileiro. REUTERS/Agustin Marcarian LEIA TAMBÉM: Entenda como explosões transformaram 'dia em noite' no Irã e colocaram cidade sob alerta de chuva ácida Calor extremo pode colocar atletas em risco em grandes eventos esportivos, alerta estudo Lado oculto da jaqueira: árvore invasora empobrece chão da Mata Atlântica e afeta sapos 8) O El Niño também pode afetar a saúde? Pode. Ondas de calor mais intensas aumentam riscos para idosos, crianças e pessoas vulneráveis. Além disso, a combinação entre calor, seca e queimadas pode piorar a qualidade do ar em várias cidades. Especialistas também acompanham possíveis impactos sobre doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e chikungunya, já que mudanças de temperatura e chuva afetam o ciclo do Aedes aegypti. 9) Dá para impedir ou reverter o El Niño? Não. O fenômeno é natural e não pode ser interrompido. O que os governos conseguem fazer é reduzir os impactos. Entre as medidas consideradas mais importantes estão: reforço de sistemas de alerta; preparação da Defesa Civil; monitoramento de rios e reservatórios; combate a queimadas; adaptação da agricultura; planejamento para ondas de calor e eventos extremos. Justamente por isso, pesquisadores afirmam que o maior problema não é apenas o fenômeno climático em si, mas a falta de preparação para lidar com ele. "A lição sempre é aprender com os extremos do passado e refletir sobre o que pode ser feito em termos de infraestrutura e de preparação, defesa civil, por exemplo, caso ocorra novamente. Cada região do país conhece os extremos do passado. É preparar-se para algo semelhante de forma a mitigar os impactos", acrescenta a professora emérita do IAG/USP. Como nasce um El Niño Arte/g1 10) Quando os efeitos podem começar a aparecer? Os primeiros impactos já podem surgir no segundo semestre de 2026. Mas muitos cientistas avaliam que os efeitos mais intensos devem acontecer entre o fim de 2026 e o começo de 2027. Até lá, centros meteorológicos do Brasil e do exterior devem atualizar constantemente as projeções sobre a força do fenômeno. Os próximos boletins da NOAA, do INPE e do Cemaden serão decisivos para indicar se o evento realmente caminhará para um cenário de alta intensidade. Guia de compras: 40 opções para se refrescar no calorão

  15. O técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, incluiu o Neymar, do Santos, em sua convocação durante a coletiva de imprensa. Reuters/Ricardo Moraes A convocação dos 26 jogadores que vão representar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 movimentou o mercado publicitário e deve render ganhos aos atletas da seleta lista do treinador Carlo Ancelotti. O próprio formato de divulgação dos nomes relacionados ao Mundial, realizado pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) na última segunda-feira (18), foi um indicativo do que o esporte se transformou quando o assunto é marketing e engajamento de empresas. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Em um megaevento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro — com estimativa de mais de mil convidados e cerca de 700 jornalistas credenciados — diversas companhias aproveitaram para ativar suas marcas e surfar a onda do ato inicial do maior torneio esportivo do mundo. O movimento, claro, também ocorreu na televisão e nas redes sociais. Neymar, o jogador mais midiático do futebol brasileiro, foi o grande destaque em ações de marketing, em meio a dúvidas sobre a presença do atacante do Santos na lista de Ancelotti. 🔎 Além dele, outros três convocados participaram de iniciativas publicitárias, mostra levantamento da consultoria de análise de dados Bites (veja abaixo). Recorte considera o período entre segunda-feira (18), dia do anúncio, e quarta (20). Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que ganhos com publicidade tendem a crescer quando atletas são selecionados para competições de enorme visibilidade, como a Copa do Mundo. Além das ações imediatas e gatilhos contratuais, há benefícios também no longo prazo. (leia mais abaixo) Guia do empreendedor: Renda extra vs negócio principal Publi dos convocados Sozinho, Neymar emplacou seis posts no Instagram com cinco marcas diferentes logo após o anúncio: Red Bull (dois vídeos), Canção Alimentos, Mercado Livre, Puma e Loovi. Além disso, publicou um story da Blaze. Todas já mantinham parceria com o atleta. Vinícius Júnior, atacante do Real Madrid e nome que já era certo na Copa, comemorou a convocação com uma publicidade da Vivo, empresa com a qual também já tinha parceria. O jovem talento Endrick, por sua vez, fez uma ação no Instagram com a Neosaldina — marca com a qual também já possui contrato — logo após a divulgação da lista. Enquanto isso, a novidade veio do volante Casemiro, homem de confiança de Carlo Ancelotti, anunciado como embaixador da companhia aérea Azul ao longo da Copa. O jogador repostou, nos stories, uma publicação da empresa sobre a parceria. Além de escolher o atleta do Manchester United como embaixador, a companhia já havia anunciado, em abril, acordo de patrocínio com a CBF até 2030. Veja abaixo como a convocação movimentou o marketing esportivo entre os atletas. Ao menos 4 jogadores convocados participaram de ações de marketing. Arte/g1 Se já tinham parceria, como funcionam os ganhos? Algo em comum entre os jogadores que fizeram publicidade nas redes é o fato de as ações terem ocorrido com empresas das quais eles já eram parceiros, seja por patrocínio esportivo ou por contratos de embaixador de marca. O especialista em marketing esportivo Idel Halfen explica que é difícil mensurar os ganhos nesses casos, já que, na prática, pode haver diferentes formas de remuneração — a depender do que consta em cada contrato. Alguns já preveem, por exemplo, gatilhos por performance. "Pode até ser que já exista algum tipo de bonificação pelos resultados obtidos. Uma coisa é a marca patrocinar um jogador que não vai ser convocado e outra, um que vai para a Copa. Em muitos casos, há uma premiação por isso", diz. Os gatilhos contratuais estão relacionados, principalmente, à grande exposição do atleta em eventos como a Copa. "Na prática, a convocação gera exposição, crescimento digital e, consequentemente, maior interesse comercial", acrescenta. O movimento também encarece a imagem do atleta, o que pode garantir maior rentabilidade em futuras parcerias. Apesar de o destaque publicitário inicial ter ido para Neymar, Vinícius Júnior e Endrick — que estão, atualmente, entre os atletas mais midiáticos da seleção brasileira —, os outros jogadores também deverão ser beneficiados pela visibilidade. Redes sociais impulsionam ganhos Os benefícios também passam pelos números nas redes sociais. A convocação rendeu a Neymar 2,1 milhões de novos seguidores no Instagram até a última quarta-feira (20). O jogador lidera a lista de ganhos, seguida pelo perfil oficial da CBF (+684 mil) e pelo de Endrick (+620,6 mil). Dados levantados pela consultoria de dados Bites mostram que a convocação rendeu oito milhões de publicações sobre o assunto em diferentes redes sociais, incluindo Instagram, Facebook, TikTok e LinkedIn. O número de interações superou 372 milhões. "Na prática, isso mostra como o futebol ainda é um dos grandes motores das redes. Ele ainda chama mais atenção do que política, cinema e, muitas vezes, até TV", analisa André Eler, diretor técnico da Bites. Veja os detalhes abaixo: Perfis que mais cresceram após a convocação. Arte/g1 Para Renê Saviano, especialista em marketing esportivo e CEO da agência Heatmap, a tendência é que novos contratos de publicidade já comecem a surgir para os atletas convocados. "Não tenho dúvidas de que muitas novas marcas já procuraram figuras como o Neymar", diz. "Empresas vão aproveitar o gancho da Copa. Uma cota de publicidade da FIFA, por exemplo, é muito cara. Da CBF talvez nem tenha mais, porque várias marcas já compraram. Então, o atleta se torna um ativo comercial para marcas que querem gerar conversa com o público durante o Mundial", diz. Ele afirma que, além do potencial comercial, a convocação reforça o poder de influência dos atletas, que passam a ter maior engajamento do público nas redes — com impactos também no longo prazo. Idel Halfen reforça que os valores pagos pelos vídeos publicitários nas redes dependem, principalmente, pela quantidade de seguidores e de interações. "Então, quando você é convocado, aumenta seu engajamento e seu número de seguidores. Isso tem um preço", conclui.

  16. Criança explorada sexualmente pela mãe em SP faz acompanhamento psicológico semanal A menina de 3 anos que era explorada sexualmente pela mãe, Leiliane Vitória Oliva Coelho, de 22, está fazendo acompanhamento psicológico semanal e acompanhamento médico mensal. Desde janeiro deste ano, ela vive com o pai, que conseguiu a guarda na Justiça. "Ela vem apresentando uma melhora progressiva. Começou a frequentar a escola regularmente, algo que antes não acontecia, e segue com acompanhamento psicológico semanal e médico mensal. Todos os exames solicitados foram realizados, e ela está bem de saúde", disse ao g1 a advogada do pai da criança, Beatriz Moreno. O caso foi descoberto em dezembro do ano passado, em Ribeirão Preto (SP). Na segunda-feira (18), Leiliane foi condenada a 63 anos de prisão em regime fechado pelos crimes contra a filha. Ela chegou a gravar a criança em cenas sexuais para satisfazer as próprias fantasias e dopava a menina com brigadeiro de maconha para produzir os vídeos. O marido de Leiliane, Andrey Gabriel Zancarli, de 23, padrasto da criança, foi condenado a 45 anos por envolvimento no caso. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Os dois estão presos desde o momento que os crimes vieram à tona e a defesa deles não foi localizada pela reportagem para comentar o assunto. LEIA TAMBÉM Mãe recebe pena de 63 anos de prisão por gravar filha para satisfazer as próprias fantasias Mãe e padrasto presos por suspeita de estuprar filha de 3 anos: o que se sabe sobre o caso 'Justiça feita', diz advogada após mulher se condenada por estuprar a filha Mulher dopava filha de 3 anos com brigadeiro de maconha para cometer abusos, diz MP Mãe e padrasto gravavam cenas sexuais com criança de 3 anos para satisfazer fantasias As investigações começaram quando o amante de Leiliane procurou a polícia para fazer uma denúncia, após encontrar indícios dos abusos em mensagens no celular dela e conversas de Leiliane e Andrey contendo vídeos que a mostravam molestando a filha. Andrey Gabriel Zancarli e Leiliane Vitória Oliva Coelho foram condenados por estuprar e filmar menina de 3 anos em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Segundo o amante de Leiliane, à época, a criança apresentava comportamento retraído e frequentemente acordava assustada, pedindo para "parar", situação que lhe causava estranhamento. Ao g1, Beatriz também informou que a menina já não passa por estes episódios. "Os episódios em que acordava durante a madrugada, por exemplo, diminuíram bastante, embora existam alguns reflexos do trauma sofrido no dia a dia, ainda que de forma menos frequente". Acolhimento, estabilidade e nova rotina Após o caso vir a tona, em dezembro do ano passado, a criança, de 3 anos, chegou a viver em um abrigo em Ribeirão Preto sob acompanhamento e assistência do Conselho Tutelar. Em janeiro, o pai da menina conseguiu a guarda dela na Justiça. Atualmente eles vivem em Paranapanema (SP), na região de Itapetininga. "Felizmente, com o pai, ela passou a viver uma rotina muito diferente. Tem tido acolhimento, estabilidade e cuidados voltados ao bem-estar físico e emocional. Estamos torcendo pra que ela se desenvolva sem maiores sequelas dos abusos sofridos", revela Beatriz Moreno, advogada da família. Como o caso foi revelado? O caso veio à tona depois que o amante de Leiliane encontrou indícios dos abusos em mensagens no celular dela e fez a denúncia. Em depoimento à polícia, o homem disse que, como tinha acesso ao celular de Leiliane, identificou conversas dela com Andrey contendo vídeos que a mostravam molestando a filha. Os policiais foram até o endereço da família e prenderam Andrey, que estava com a menina e um bebê de quatro meses, filho dele e de Leiliane. Ela foi presa no trabalho, em um shopping na zona Sul de Ribeirão Preto. Leiliane Vitória Oliva Coelho, de 22 anos, foi condenada em Ribeirão Preto (SP) por estuprar a filha de 3 anos Arquivo pessoal Durante as investigações, o Ministério Público e a Polícia Civil apontaram que Leiliane gravava cenas sexuais com a filha com o objetivo de satisfazer as próprias fantasias sexuais. Nos depoimentos à polícia, o casal revelou detalhes dos abusos. Andrey contou que Leilane sempre falou abertamente de assuntos de caráter sexual em casa, com temas que envolviam a própria filha, mas negou que tenha tocado na criança. Ele também disse que a Leiliane dopava a filha com brigadeiro recheado com maconha e que chegou a fazer sexo com a mulher enquanto ela estava em cima da criança. Leiliane também admitiu, em depoimento, que o casal sempre falava de fantasias sexuais para a criança. Leiliane e Andrey foram condenados pelos crimes de estupro de vulnerável, fornecimento de substâncias que podem causar dependência à criança, além de produção, reprodução, armazenamento, divulgação e transmissão de pornografia infantil, e aliciamento da vítima para cometer ato libidinoso. Andrey Gabriel Eduardo Bento Zancarli foi preso suspeito de estuprar enteada em Ribeirão Preto Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

  17. As vendas começaram no sábado com grandes multidões em lojas em todo o mundo Getty Images O lançamento de um relógio de bolso exclusivo provocou um frenesi que forçou lojas em todo o mundo a fecharem e, em alguns casos, levou policiais e seguranças a ter que lidar com grandes multidões desordeiras. A coleção de relógios Royal Pop, uma colaboração muito aguardada entre a Swatch e a marca de luxo Audemars Piguet (AP), começou a ser vendida no sábado (16) em lojas selecionadas ao redor do mundo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Semelhante a vendas anteriores desse tipo, algumas pessoas fizeram fila por dias para conseguir um dos oito modelos. Mas a intensidade do interesse pelo produto, tanto online quanto nas ruas de comércio, dividiu opiniões sobre marketing responsável e sobre se os relógios realmente valem a pena. Mais conhecida por seus relógios coloridos da década de 1980, a AP Swatch descreveu a coleção Royal Pop como "uma colaboração disruptiva entre dois ícones da relojoaria suíça". Embora as vendas originais da coleção tenham ocorrido exclusivamente em lojas selecionadas — com as pessoas só conseguindo comprar um relógio de US$ 448 (R$ 2,2 mil) por pessoa — elas foram impulsionadas por uma campanha online que durou meses. A especialista em varejo Catherine Shuttleworth disse que a Swatch fez um trabalho fantástico ao divulgar o produto, aproveitando o gosto dos consumidores mais jovens por colaborações, exclusividade e novidade. "O hype funcionou", disse ela à BBC, acrescentando que os consumidores conseguiriam pagar uma fração do custo normal por um produto da AP. A crítica e podcaster Britt Pearce concorda — e diz que esses tipos de colaboração são "um fenômeno passageiro, mas um fenômeno passageiro muito empolgante". Pessoas ficaram na fila por dias para comprar um Audemars Piguet x Swatch Royal Pop AFP via Getty Images No Reino Unido, a Swatch fechou suas lojas em várias cidades depois que centenas de pessoas fizeram fila do lado de fora e a polícia foi chamada. Houve relatos de comportamento ameaçador e pelo menos uma prisão. Também houve relatos de brigas em Amsterdã e Milão, bem como em cidades da Ásia e do Oriente Médio. De acordo com a agência de notícias Reuters, policiais dispararam gás lacrimogêneo para controlar 300 pessoas do lado de fora de uma loja da Swatch perto de Paris, e quatro pessoas relataram ter sido agredidas na multidão do lado de fora de uma loja em Lille, norte da França. Alguns em Nova York acamparam por uma semana e houve relatos de que pessoas passaram mal durante a espera. Em uma postagem nas redes sociais depois que multidões se reuniram em filiais em todo o mundo, a Swatch pediu às pessoas que "não corressem para nossas lojas em grande número" e fechou suas lojas por motivos de segurança quando a multidão se tornou muito grande. A empresa foi criticada por algumas pessoas, que dizem que os relógios deveriam estar disponíveis em seu site e que recursos policiais foram desviados desnecessariamente. Pearce disse que a Swatch parece "estar criando situações perigosas para as pessoas colecionarem um relógio". "Acho que eles sabem exatamente o que estão fazendo", acrescentou. No entanto, Shuttleworth sugeriu que a Swatch não poderia ter previsto o surgimento da violência. Shuttleworth disse que as vendas online também registraram problemas, com pessoas usando bots e outras tecnologias para tentar enganar o sistema. Os relógios estão sendo revendidos online por várias vezes seu valor no varejo Getty Images Na segunda-feira (18), a Swatch divulgou um comunicado afirmando que a resposta à coleção de relógios Royal Pop foi "fenomenal em todo o mundo", acrescentando que houve problemas em apenas 20 das 220 lojas da Swatch onde os relógios foram colocados à venda. Ele comparou a venda com a do MoonsWatch — uma colaboração de 2022 com a fabricante de relógios de luxo Omega — quando a polícia foi chamada e lojas foram fechadas. "Assim como com o MoonSwatch, a situação agora se normalizou um pouco após o dia do lançamento, especialmente depois de termos comunicado mais uma vez que a coleção Royal Pop estará disponível por vários meses", acrescentou a Swatch. Britt disse que visitou uma das lojas da Swatch em Londres na noite de sexta-feira e viu os seguranças "perderem um pouco o controle" à medida que a multidão aumentava de tamanho antes do lançamento do relógio. Ela também afirmou que viu pessoas saindo da loja após comprar um relógio sendo abordadas por indivíduos oferecendo pagar o dobro do valor. O relógio de bolso é baseado no relógio Royal Oak da AP de 1972 Getty Images Enquanto algumas pessoas na fila para comprar os relógios são entusiastas, outras os compram para vendê-los online. Jaylen disse à BBC que comprou um dos relógios de 335 libras (R$ 2,2 mil) no domingo e o vendeu por pouco mais de mil libras (R$ 6,7 mil). "Vou voltar para comprar mais. É um por pessoa, mas tenho amigos a quem paguei para consegui-los em outras lojas", disse. Embora haja relatos de relógios Royal Pop sendo revendidos por grandes quantias online, a revista britânica especializada em relógios WatchPro alertou que alguns desses anúncios são falsos. A BBC também viu alguns relógios Royal Pop listados no eBay por entre 3 mil e 5 mil libras (R$ 20 mil e R$ 33 mil). Ahmed, que também comprou um dos relógios, disse à BBC que estava pensando no longo prazo e que manteria o seu por agora, prevendo que ele deve aumentar significativamente de valor quando a venda limitada terminar. "Eles já estão passando de mil libras (R$ 6,7 mil) no mercado, então quando pararem completamente de produzi-los e não houver mais sendo lançados... é uma decisão óbvia", disse. A Swatch afirma que a reação ao Royal Pop foi 'fenomenal em todo o mundo' EPA/Shutterstock Houve avaliações mistas sobre o próprio relógio entre as pessoas com quem a BBC conversou. "Sinto que é algo que pode ser guardado e passado adiante. Pode ser memorável, valioso e aumentar de valor ao longo do tempo se for de estoque limitado", disse Corzo, que está na fila há dias e afirmou ter observado uma melhora na comunicação e cooperação entre as pessoas na multidão. "A Swatch colaborou com uma marca muito boa, que é a AP. E é muito bom ter isso na minha coleção de relógios", disse outro homem, que ficou na fila por dois dias e dormiu em uma barraca. Outros não se entusiasmaram. "Não acho que valha o dinheiro nem o tempo de ficar na fila", disse Tabassum, de 18 anos, em Birmingham. "Por que todo esse barulho?", disse sua amiga, Meredith. Britt Pearce disse que havia ficado empolgada com a colaboração entre duas renomadas marcas de relógios e achou que isso poderia incentivar as pessoas a se interessarem mais por relógios. No entanto, sua experiência na loja de Londres diminuiu esse entusiasmo. "Eu diria que ir lá e fazer parte disso acabou prejudicando a minha percepção", disse. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo

  18. VÍDEO: menino de 4 anos viraliza ao tomar mel direto da colmeia no ES Já imaginou uma criança que troca brinquedo e telas por camaleão, besouro, caranguejo, lagartixa e ouriço-do-mar? É assim que Theo Cyrillo Marques, de 4 anos, morador de Anchieta, no Sul do Espírito Santo, costuma se divertir. Mas foi a relação do menino com abelhas sem ferrão que chamou a atenção nas redes sociais. Morador de Anchieta, no Sul do Espírito Santo, Theo tem uma criação de abelhas da espécie uruçu na varanda de casa. Um vídeo publicado pelo pai dele, Rodrigo Marques, mostra o menino tomando mel com um canudinho. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo Rodrigo, a gravação foi feita sem pretensão e acabou ganhando repercussão em poucas horas. Nesta sexta-feira (22), o vídeo já tinha 4,5 milhões de visualizações e quase 100 mil comentários. “Foi um vídeo muito despretensioso. Eu gravei para mandar para os avós dele e postei nas redes sociais. Em meia hora viralizou”, contou o pai. Theo e os bichinhos que ele gosta de brincar no Espírito Santo Reprodução/ Redes Sociais De acordo com Rodrigo, a família mantém a colmeia em casa e o menino costuma ter contato frequente com as abelhas. “Ali é o pet dele mesmo. Tem uma colmeia na varanda de casa e ele sempre chega, coloca o dedinho lá”, contou. LEIA TAMBÉM: Menino autista do ES encontra no cultivo de abelhas um caminho para a socialização Empreendedora que descobriu colmeia gigante no teto de apartamento experimentou mel: 'Uma delícia e feito em casa' Capixaba ajuda a preservar a natureza criando 40 mil abelhas em casa como pets Amor pelos animais desde cedo Segundo a família, Theo convive com os animais desde bebê. O pai contou que o interesse começou ainda quando ele engatinhava. “Vinha um besourinho, uma formiguinha, e ele já queria pegar. Você via que ele tinha aquela vontade, aquele prazer pelos animais”, disse Rodrigo. Menino de 4 anos viralizou ao tomar mel direto de colmeia com abelhas no Espírito Santo Reprodução/ Redes Sociais Sem medo dos bichos Segundo a família, Theo não demonstra medo nem mesmo de animais considerados mais exóticos. Ele brinca com lagartos, pega caranguejos na praia e costuma pedir cobras-do-milho e ouriços como presentes. "Tem que ensinar o tempo todo que não pode pegar escorpião, cobra. Ele realmente não tem medo", afirmou o pai. Rodrigo contou ainda que o filho prefere brincar com animais a usar celular ou brinquedos tradicionais. O interesse pelos animais também vem do exemplo do pai. Rodrigo disse que sempre gostou de bichos e cresceu em contato com sítios e criação de animais. “Eu sempre fui apaixonado por animais, mas ele gosta até mais do que eu”, brincou. Além das abelhas, Theo já conviveu de perto com bezerros, pintinhos e outros animais levados pela família para dentro de casa. Abelhas sem ferrão A biologa entomologista Tânia Mara Guerra, especialista em abelhas e demais insetos e professora Doutora dos cursos de Ciências Biológicas da Ufes, explicou que as abelhas sem ferrão não oferecem perigo. "Elas não oferecem perigo, mesmo as com ferrão, assim como essa sem ferrão, o foco delas é a busca por alimento e a manutenção do ninho. Então, a sem ferrão a gente pode até manusear sem medo, mas as com ferrão, se a gente deixar que elas fiquem realizando suas tarefas sem nenhuma interação conosco, nós não teremos problema algum e elas são vitais para o meio ambiente", explicou a especialista. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

  19. Carta psicografada por Chico Xavier ajudou a salvar um inocente de ser condenado, diz juiz Uma carta psicografada por Chico Xavier ajudou a salvar um jovem de ser condenado por matar um amigo, de acordo com o juiz aposentado Orimar de Bastos, que assinou a sentença em 1979. O réu foi absolvido em um julgamento que aceitou como prova uma carta que seria da própria vítima, afirmando que o tiro havia sido disparado durante uma brincadeira. À época, a decisão repercutiu em todo país e até no exterior. O caso aconteceu em 8 de maio de 1976, em Goiânia. José Divino Nunes, na época com 18 anos, foi acusado de matar o amigo, Maurício Garcez Henrique, de 15 anos, com um tiro. De acordo com informações veiculadas no jornal O Popular durante a cobertura do crime, o pai de Maurício, José Henrique Garcez, foi chamado naquele dia ao Hospital Santa Rosa, onde encontrou o filho morto. Maurício estava na casa do amigo quando foi baleado e, imediatamente, as suspeitas caíram sobre José Divino, acusado de homicídio doloso, quando há intenção de matar. Em entrevista ao g1, o juiz Orimar conta que, anos depois da morte de Maurício, pegou o caso por acaso, quando cobria um plantão de férias de 15 dias na 2ª Vara Criminal de Goiânia. “Quando chegou esse processo, eu parei e fiquei olhando esquisito, porque tinha uma carta psicografada como prova apresentada pela defesa. [...] Eu li, reli a carta psicografada do Chico Xavier. Ali a vítima dizia o que aconteceu, que foi apenas um incidente”, conta o juiz. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Maurício Garcez foi morto pelo amigo em 1976, em Goiás Arquivo pessoal/Dejanira Garcez A carta ditada por Maurício Garcez a Chico Xavier foi publicada na íntegra pelo jornal O Popular após o julgamento. Nela, o jovem teria relatado tudo o que aconteceu naquele dia, além de afirmar que sua morte foi um acidente. Na sentença que absolveu José Divino, Orimar citou a carta, dizendo que era preciso dar credibilidade às palavras de Maurício, que inocentavam o amigo. Carta psicografada José Henrique e Dejanira Garcez, pais da vítima, estavam desconsolados pela morte do estudante e procuraram Chico Xavier, médium e uma das figuras mais importantes do espiritismo no Brasil. Em entrevista ao g1, Dejanira, de 85 anos, conta que nas primeiras vezes em que estiveram com Chico, receberam apenas pequenos recados. Neles, Maurício dizia que estava sendo bem-tratado e que estava junto de familiares. José Henrique (de costas, com camisa listrada), pai de Maurício, conversando com Chico Xavier, em Uberaba Arquivo pessoal/Dejanira Garcez Somente um ano após a morte é que a família recebeu a primeira carta em que o adolescente relatava o que de fato teria acontecido. “A primeira mensagem dele veio inocentando o menino, que: ‘O menino não foi culpado, o culpado era ele [Maurício] mesmo, que em vez de ir para a aula, ele foi para a casa dele [José Divino]”, lembra ela. A famosa carta chegou em maio de 1978, em uma reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Chico Xavier psicografou a carta em que Maurício inocentava o amigo. Depois do caso, José Henrique e Dejanira, que eram católicos, tornaram-se espíritas praticantes. “O José Divino e nem ninguém teve cuIpa em meu caso; brincávamos a respeito da possibilidade de se ferir alguém, pela imagem no espelho, sem que o momento fosse para qualquer movimento mau. O tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo, ou minha mesmo”, diz a carta. Panfleto feito pela família com íntegra da carta psicografada e a assinatura do documento do menino comparada à da carta Arquivo pessoal/Dejanira Garcez Dejanira conta que Chico Xavier psicografava cartas por horas a fio e que era “impossível duvidar” da verdade nas mensagens que ele escrevia. Além da credibilidade do médium, ela também afirma que a assinatura na carta era a mesma que Maurício usava nos documentos. “A assinatura é do meu filho, era dele. [..] Quando eu vi o Chico psicografando, eu não tive dúvida nenhuma. [...] Eu fiz o que o Maurício pediu”, afirmou. LEIA TAMBÉM: 'Meu pai me bateu' e 'quase me deu um tiro': veja relato da adolescente que escreveu bilhete pedindo socorro a colega Dono de lanchonete é preso suspeito de matar amigo por causa de ex-namorada: ‘Foi covardia’ Mãe que procura filha que desapareceu após descobrir gravidez em 2009 relembra carta deixada: 'Me perdoa por isso, mas foi minha única saída' Absolvição A carta psicografada foi anexada ao processo pela defesa do réu e aceita como prova pelo juiz Orimar de Bastos. Assim, a versão de que o tiro foi acidental, dita por Maurício na carta e alegada pela defesa de José Divino, foi aceita no julgamento. “A vítima pegou um revólver de dentro da pasta do pai do acusado. Maurício tirou dele as balas e acionou o gatilho duas vezes em direção ao seu colega, por brincadeira. O rapaz disse-lhe que deixasse a arma, tomando-lhe das mãos”, diz uma reportagem do O Popular. De acordo com Orimar, quando a arma disparou, José Divino estava brincando com ela em frente ao espelho. Sem que os meninos soubessem, uma bala havia sobrado no revólver, provocando a morte de Maurício quando José puxou o gatilho, assim que o adolescente entrou no quarto. Na sentença, ele citou a carta psicografada e disse que era preciso dar credibilidade ao texto, que coincidia com a versão do acusado. Além disso, ele afirma que laudos periciais comprovaram a versão de que tudo não passou de um acidente. “Eu coloquei o seguinte na minha sentença: ‘Temos que dar credibilidade a essa causa psicografada em que o morto, ou pseudo-morto, havia alegado que não foi intenção dele [José Divino] atirar e matar”, explica sobre o papel da carta na sentença. Jornais da época cobriram o caso e destacaram a atuação de Chico Xavier Arquivo pessoal/Dejanira Garcez e Arquivo/O Popular Orimar analisou se a conduta do acusado havia sido voluntária e concluiu que não houve previsibilidade na ação. “Se não há previsibilidade, não há culpa”, destacou. Após a absolvição, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) recorreu da decisão que absolveu José Divino. Na época, o promotor de Justiça Iran Velasco atacou a sentença de Orimar, mas não mencionou a carta. De acordo com o juiz, o caso foi a júri popular, a pedido do MP, e José Divino foi absolvido novamente por unanimidade. Em nova carta psicografada após o Tribunal do Júri, Maurício disse; “Estou satisfeito depois de quatro anos de luta e oração para libertar um amigo. Agora, vejo o companheiro isento de tantos embaraços”, diz 7ª carta psicografada por Chico Xavier, em 1980. Fotos do panfleto com a 7ª carta de Maurício psicografada por Chico Xavier, em 1980 Arquivo pessoal/Dejanira Garcez 'Juiz do além’ O caso foi pauta na imprensa em todo o país, com entrevistas em programas de televisão, e em jornais nos Estados Unidos e Inglaterra. Com a repercussão, surgiram os elogios, mas também as críticas à sentença e à conduta do juiz. “Se eu mostrar para você as correspondências que recebi... Algumas me xingando, outras elogiando, xingando o Chico Xavier [...] Comecei a ser chamado de ‘juiz do além’”, lembra. Em entrevista ao g1, o advogado e especialista em direito criminal comentou a decisão e disse que não é comum o uso desse tipo de provas, apesar de que as utilizadas em Tribunal do Júri serem mais “liberais”, por dialogarem com aspectos humanos e até emocionais. Rodrigo defende ainda que a decisão proferida pelo juiz deve sempre estar apoiada em elementos de prova fiáveis, merecedores de crédito, conforme parâmetros jurídicos. “Sem qualquer desmerecimento às crenças religiosas, convicções de natureza espiritual e posições distintas, parece-me incompatível com o dever constitucional de fundamentação a utilização de elementos sobrenaturais como razão de decidir em um processo penal”, destaca. Chico Xavier e Maurício Garcez Henrique Arquivo/TV Integração e Arquivo pessoal/Dejanria Garcez Ao g1, Orimar conta que é católico e, segundo reportagens da época, nunca havia entrado em um Centro Espírita antes do julgamento. Hoje, aposentado há mais de 40 anos da magistratura, ele diz que tem a consciência tranquila sobre o desfecho do caso e não se arrepende da decisão. “Eu tenho esse tempo todo aposentado, com a consciência tranquila. Eu acho que cumpri a minha obrigação, o meu dever, como juiz e decidi. E não tive glória nenhuma”, afirma. Orimar conta que, após o julgamento, Chico Xavier quis conhecê-lo e o convidou para visitar sua casa em Uberaba, onde ele foi com os pais de Maurício Garcez. Na ocasião, ele disse que recebeu um recado do médium que tem levado por toda a vida. “Ele me entregou vários livros dele, eu agradeci, e ele disse: ‘Olha, você vai passar a vida toda com todo mundo te indagando sobre esse assunto. Você não negue de contar e de falar como foi o caso, porque você vai ser testemunha por muitos anos”, conta. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

  20. Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo Em novembro de 2024, após contrair um empréstimo de R$ 15 mil, o agricultor Sidrônio Moreira contratou uma máquina para perfurar o solo do seu sítio, no interior do Ceará, em busca de água. O que saiu debaixo da terra, porém, foi um líquido escuro e viscoso. Somente 18 meses depois, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o líquido encontrado é petróleo. Por que levou tanto tempo? A substância foi encontrada na propriedade do agricultor na zona rural de Tabuleiro do Norte, município próximo na divisa do Ceará com o Rio Grande do Norte e próximo à chamada Bacia Potiguar, região onde já ocorre exploração de petróleo em terra no estado vizinho. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Após o achado, o contato da família com a ANP não foi imediato. Primeiro, eles procuraram orientação de uma equipe do Instituto Federal do Ceará (IFCE) em Tabuleiro do Norte. A instituição recebeu uma amostra do material para análise e, posteriormente, recorreu à Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró (RN), para analisar o líquido. Após os testes apontarem que poderia ser petróleo, a equipe do IFCE orientou a família a procurar a ANP, afinal, somente após análise de um laboratório credenciado pela agência seria possível afirmar que substância realmente é petróleo. A família entrou em contato com a ANP sobre o possível achado em julho de 2025, mas só obteve resposta em fevereiro de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. A equipe da agência visitou o sítio de Sidrônio algumas semanas depois, no dia 12 março de 2026. Os técnicos da ANP, então, levaram consigo amostras do líquido que haviam sido colhidas pelo IFCE e, a partir destas, realizou os testes físico-químicos. Os resultados, divulgados no dia 20 de maio deste ano, confirmaram que a substância é petróleo cru. Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP Gabriela Feitosa/g1 Ceará LEIA TAMBÉM Entenda se agricultor poderá lucrar com petróleo encontrado em sítio no Ceará 'Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos', diz família que achou poço de petróleo em sítio no Ceará Após confirmar, na última quarta-feira (20), que o líquido era realmente petróleo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) informou que vai iniciar uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. A Agência, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente, já que os interessados na exploração ainda vão analisar se a operação compensa financeiramente. Mesmo com a descoberta feita dentro da própria propriedade, Sidrônio não terá a posse do petróleo. Isso porque a Constituição Federal determina que o subsolo e seus recursos minerais, incluindo petróleo e gás natural, pertencem à União. Ainda assim, o agricultor poderá receber uma compensação financeira caso a área venha a ser explorada comercialmente no futuro. Segundo a legislação brasileira, proprietários de terrenos onde ocorre produção de petróleo podem receber um percentual sobre a exploração, valor que pode chegar a até 1%, dependendo de fatores técnicos e econômicos. ➡️ Em resumo: Sidrônio não poderá vender o petróleo por conta própria, mas poderá ser compensado financeiramente se houver exploração comercial da área. LEIA TAMBÉM: Agricultor que encontrou possível petróleo ao perfurar poço consegue adiar dívida de R$ 15 mil com o banco: 'Alívio' Agricultor que achou possível petróleo no CE ao perfurar poço artesiano volta a receber água encanada e comemora Na foto estão Sidney Moreira (esquerda) e Sidrônio Moreira (direita) no sítio onde moram em Tabuleiro do Norte. Gabriela Feitosa/g1 Descoberta por acaso A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024 enquanto o agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em busca de água para abastecimento da família - que não possui água encanada em casa. A ideia era formar um poço artesiano na propriedade. No lugar da água, Sidrônio viu jorrar um líquido preto, denso, viscoso e com cheiro de combustível. 📍Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço (veja no início da matéria). Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido pode ser petróleo. Após a descoberta do líquido, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que começou a investigar o caso. Testes laboratoriais apontaram que a amostra do líquido encontrada tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, porém, só pode ser dada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Sidrônio buscava água, mas encontrou líquido preto e denso. Gabriela Feitosa/g1 A ANP orientou que a área deve ficar isolada e que os moradores devem evitar contato com o material, pois pode trazer riscos. Os técnicos também disseram que ninguém mais pode acessar o poço e outras amostras não devem ser retiradas por ora. Enquanto aguardava o laudo do órgão, a família seguia com problemas de acesso à água, e não há prazo para resposta definitiva do órgão. No fim do mês de março, a família de Sidrônio voltou a receber água de uma adutora antiga da cidade, que funcionou por um bom tempo, mas não estava sendo suficiente. Com a repercussão do caso, a adutora voltou a atender a família do agricultor. Ao g1, o gerente de vendas Saullo Moreira, filho de Sidrônio, explicou que a família tem expectativas de que a exploração comercial do petróleo encontrado no sítio seja possível, embora compreenda que ainda existe um longo processo pela frente. “Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos e movimentações relacionadas à descoberta. Nossa esperança é que, se tudo avançar positivamente no futuro, possamos ter algum retorno que nos ajude financeiramente”, afirmou Saullo. Achado de possível petróleo em poço raso no Ceará 'causa espanto' em técnicos da ANP Longo processo A ANP é o responsável, no Brasil, por regular e fiscalizar todas as etapas da exploração de petróleo no Brasil, desde a descoberta até o início do processo de extração. Nestes casos, após a descoberta de uma possível jazida, é feita uma notificação ao órgão, que pode iniciar estudos para averiguar se, de fato, há petróleo na região, em que quantidade e de qual qualidade. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, leilão, instalação da operação, obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. "Algumas regiões eles já têm muito bem mapeado. Regiões que existem estudos, especialmente os estudos geológicos, onde eles fazem análises físicas para ver o fato, como é que está o subsolo, para avaliar o tamanho do poço, do reservatório. Quando eles reúnem essas informações, informações econômicas, de impacto ambiental, eles tramitam um processo de enquadramento daquela área, como um novo bloco a ser colocado em operação", explica o engenheiro Adriano Lima, que ajudou a família de Sidrônio a contatar a ANP. Muitas vezes, ocorre de uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrair interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, a dificuldade de extração, o custo da instalação da operação ou mesmo a baixa qualidade do petróleo. Portanto, mesmo com a formação de um bloco de exploração, há a possibilidade dele nunca ser arrematado para exploração. "O custo de se montar uma unidade de produção numa região tem que ser equivalente ao retorno que a operação vai ter", aponta Adriano Lima. "O retorno tem que estar relacionado à qualidade do óleo que ele vai extrair e à quantidade, à duração, o tempo que ele vai conseguir produzir". IFCE e ANP investigam possível achado de petróleo em Tabuleiro do Norte (CE) Marcelo Andrade/IFCE Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

  21. Entenda o Ebola em 7 pontos Após dez anos do que foi considerado o surto de Ebola mais grave já registrado, a doença novamente avança com rapidez, agora na República Democrática do Congo. Em junho de 2016, a epidemia da África Ocidental foi declarada encerrada com 11.325 mortes e sete países com registros de contágio. ➡️Até o momento há, oficialmente, 84 casos confirmados da doença (82 na República Democrática do Congo e dois em Uganda), mas 750 casos são investigados e foram registradas 177 mortes suspeitas por Ebola. Oito óbitos pela doença foram confirmados. O novo surto – dessa vez na África Central – mostra que, apesar da experiência global no enfrentamento da doença, a iminência de novos surtos é realidade e o cenário segue desafiador. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, dois fatores principais contribuíram para o novo surto, e se apresentam como obstáculos para manejo da doença: O surto ser causado pela variante Bundibugyo, menos detectável pelos testes e sem vacina ou tratamento aprovados. O contexto humanitário mais complexo, de guerra civil e de grandes deslocamentos populacionais. Nesse contexto, a letalidade da nova variante é algo bastante preocupante, analisa Kleber Luz, médico infectologista da UFRN e consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a elaboração de diretrizes estratégicas para prevenção e controle das arboviroses. Ele alerta sobre a letalidade da variante, que parece ser ainda maior do que as anteriores. "Esse surto de 2026 é um surto que afetou muitas pessoas e também está presente em mais de um país. Isso preocupa, a impressão que se tem é que se trata de um vírus de maior transmissibilidade", analisa o infectologista. ➡️Nesta reportagem abaixo, você entende: Quais foram os avanços no enfrentamento da doença nos últimos anos Detalhes sobre as dificuldades em conter os casos atuais de Ebola Como as particularidades culturais e religiosas ainda são um entrave no combate à doença Em que medida o Ebola é uma preocupação a nível internacional De 2016 a 2026, o que mudou? O enfrentamento de um grande surto de qualquer doença – como aconteceu com o Ebola na África Ocidental de 2014 a 2016 – deixa lições sobre como lidar com o vírus. Para Rachel Soeiro, médica da organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras que trabalhou na Guiné durante a epidemia de 2014, o principal ensinamento desse período é que a resposta ao Ebola deve se basear em um conjunto de ações, que continuam sendo aplicadas atualmente. A especialista, que atualmente comanda o braço da ONG dedicado a ampliar o acesso a medicamentos, vacinas e diagnósticos, destaca as principais medidas que perduram desde o último surto: Isolamento e tratamento dos pacientes Rastreamento e monitoramento de contatos Ações de engajamento comunitário Busca ativa de casos Fortalecimento das estruturas de saúde locais Sepultamentos seguros A testagem, aprendida em 2016, foi intensificada neste ano. Duas semanas após a declaração do surto, mais de 90% dos casos confirmados estavam sendo monitorados, de acordo com a OMS. Atendimento à população na República Democrática do Congo. Jornal Nacional/ Reprodução É importante lembrar que, há dez anos, a República Democrática do Congo foi afetada pelo surto, mas em condições menos intensas que a epidemia na África Ocidental. "O engajamento comunitário tem uma importância especial, porque sem ele não é possível implementar as outras medidas", analisa a médica. Kleber Luz também ressalta a melhoria do treinamento das organizações para o controle da doença, focando especialmente na gestão da circulação de pessoas que passaram por uma região suspeita. "As medidas podem ser praticamente as mesmas, mas as equipes, até em virtude também da Covid-19, estão mais desenvolvidas", pontua. Apenas em 2022, a OMS publicou uma diretriz de enfretamento da doença. Pela primeira vez, o documento internacional trazia recomendações específicas de tratamento para profissionais de saúde — inclusive com indicação de medicamentos com eficácia comprovada para a infecção. Ebola na República Democrática do Congo e Uganda: qual é o risco real de o vírus chegar ao Brasil? As dificuldades no controle dos casos Ainda que as equipes estejam mais preparadas, haja precedente de tratamento e as ações sejam mais definidas para combater o vírus do que em surtos anteriores, o enfrentamento da doença enfrenta diversas dificuldades. A primeira, segundo os especialistas, vem da própria mutação do vírus. 👉O surto atual é causado pela variante Bundibugyo, que já havia sida identificada anteriormente, mas permanece sendo rara. Esse é apenas o terceiro surto registrado com esse vírus, após episódios em 2007–2008 e 2012. "O principal fator que diferencia este vírus é que vacinas e tratamentos que podem ser usados com sucesso contra as variantes mais comuns não funcionam ou tem eficácia muito pequena contra ele. As poucas pesquisas existentes mostram resultados pouco promissores ou inconclusivos", explica Soeiro. Além disso, o diagnóstico desse tipo de variante é mais complexo, porque os testes rápidos utilizados anteriormente não são tão eficazes na detecção. A própria OMS afirmou que a falta de testes específicos está atrasando a resposta ao vírus no país africano. De acordo com a organização, a região afetada consegue realizar apenas seis testes por hora para identificar a cepa Bundibugyo. Isso, somado ao fato de não existirem tratamentos específicos para esse tipo de vírus, nem vacinas aprovadas, permite que os casos se espalhem rapidamente. Outro ponto enfatizado pelos especialistas é que a realidade de conflitos armados ativos na região, deslocamentos contínuos de uma grande quantidade de pessoas por conta da violência e infraestrutura de saúde fragilizada são fatores determinantes para a dificuldade de combate ao vírus. ➡️Em 2025, conflito armado na região se intensificou, e atingiram a marca de 7 mil mortes em janeiro. Em setembro do ano passado, 8,2 milhões de pessoas estavam deslocadas, número que deverá chegar a 9 milhões até o final de 2026, incluindo 5,8 milhões de deslocados internos, de acordo com a ACNUR. "Esses fatores dificultam a vigilância epidemiológica, impedem o rastreamento de contatos e limitam o acesso da população a cuidados. Isso indica que, neste sentido, a resposta ao surto atual pode ser mais desafiadora do que na epidemia de 2014-16", compara Rachel. Influências culturais e religiosas Desde surtos anteriores, especialmente o de 2014 a 2016, se sabe que os rituais religiosos característicos de culturas africanas, especialmente os funerais, são também um complicador no combate ao Ebola. A importância do diálogo entre saúde e crença entrou em pauta. Isso porque há uma tradição de submeter os mortos a rituais de lavagem, com um contato direto de familiares com o cadáver. "Esse contato que a esposa tem com o marido que morreu de Ebola, por exemplo. Ela já teve contato com os vômitos, com as fezes, com o sangue, e passa a ser uma pessoa de alto risco para o desenvolvimento da doença", analisa Luz. Ele comenta ainda que intervir nesse tipo de procedimento muitas vezes é complexo, uma vez que se trata de uma bagagem cultural de séculos. Raquel Soeiro reafirma que é essencial a construção de confiança entre os agentes de saúde, as organizações não governamentais e as comunidades locais, sem tentar impor procedimentos. "A realização de funerais dignos e seguros continua sendo um fator muito importante para evitar a expansão da doença", diz. Preocupação a nível internacional Por mais que a OMS tenha classificado a situação na República Democrática do Congo como uma "emergência de saúde internacional" e não uma emergência pandêmica, há uma preocupação sobre o nível crescente de casos na região. A organização afirma que a maior apreensão se dá pela possibilidade de propagação internacional devido à intensa mobilidade populacional. Rachel ressalta que medidas como fechamentos de fronteiras ou restrições amplas de viagem não são eficazes e podem prejudicar a resposta, já que dificultam o envio de equipes e suprimentos às áreas atingidas. Mas que são necessárias ações coordenadas para combater o surto. "Mais do que ser visto como uma ameaça global, o Ebola é um problema que deveria contar com uma abordagem coletiva que colaborasse com o combate à doença", defende. Ainda de acordo com a OMS, o risco do aumento do surto em escala global é baixo, mas bastante elevado em níveis nacional e regional. A tendência é que o número de casos e mortes siga aumentando à medida que mais insumos e profissionais de saúde cheguem ao local para realização dos testes. "Como o surto ainda não acabou, é difícil traçar um paralelo, mas dois pontos são chave: é uma cepa que parece ter uma letalidade maior e uma cepa que está presente em vários locais ao mesmo tempo, diferentemente de 2016. Então, do ponto de vista epidemiológico, as perspectivas são de uma situação ainda mais grave", prevê Kleber.

  22. Álcool pode até ajudar a adormecer, mas piora qualidade do sono, aponta estudo Adobe Stock O consumo de álcool antes de dormir pode até reduzir o tempo necessário para pegar no sono, mas o hábito prejudica fases importantes do descanso e altera a arquitetura do sono, segundo uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista científica Sleep Medicine Reviews. A análise reuniu dados de 27 estudos com adultos saudáveis e identificou que mesmo baixas doses de álcool já são capazes de reduzir o sono REM — estágio associado à consolidação da memória, processamento emocional e recuperação cerebral. Os pesquisadores também observaram que doses maiores encurtam o tempo para adormecer, mas aumentam ainda mais as alterações no sono ao longo da noite. Os autores destacam que o álcool é frequentemente utilizado como uma espécie de “auxiliar do sono”, já que muitas pessoas acreditam que a bebida facilita o adormecimento. Mas os resultados indicam que esse efeito sedativo inicial ocorre acompanhado de prejuízos subsequentes na qualidade do descanso. Neurologista ouvido pelo g1 acrescenta que o álcool pode ainda piorar a apneia obstrutiva do sono, aumentar o volume urinário - levando a mais despertares noturnos - e promover fragmentação do sono, com pesadelos e agitação. Agora no g1 Álcool altera fases do sono Segundo o estudo, o álcool provocou mudanças importantes na chamada arquitetura do sono - a organização das diferentes fases do descanso noturno. Entre os principais efeitos observados estão: atraso no início do sono REM; redução da duração do sono REM; encurtamento do tempo para entrar no sono profundo em doses elevadas; redução do tempo para adormecer apenas com consumo elevado de álcool. Os pesquisadores identificaram uma relação dose-resposta: quanto maior a quantidade de álcool ingerida, maiores foram os prejuízos observados no sono REM. A revisão aponta que alterações no sono REM ocorreram mesmo após baixas doses de álcool, equivalentes a aproximadamente duas doses-padrão de bebida alcoólica. Sono REM foi reduzido mesmo com baixa dose Os dados mostram que o álcool aumentou em média 18 minutos o tempo necessário para entrar no sono REM. Além disso, a duração total dessa fase foi reduzida em média em 11,3 minutos após o consumo de álcool. Os autores observaram que os prejuízos ao sono REM começaram a aparecer com doses em torno de 0,35 a 0,50 g/kg de álcool, classificadas no estudo como baixas doses. Segundo os pesquisadores, os efeitos pioraram progressivamente conforme a dose aumentava. Tempo para dormir só caiu com doses altas Embora o álcool seja frequentemente associado à sensação de sonolência, a meta-análise mostrou que a redução significativa do tempo para adormecer ocorreu apenas com doses elevadas de álcool. Os pesquisadores estimaram que esse efeito aparece em torno de 0,85 g/kg de álcool, equivalente a aproximadamente cinco doses-padrão. De acordo com o estudo, o efeito sedativo do álcool ocorre porque a substância altera neurotransmissores ligados ao funcionamento do sistema nervoso central, como GABA, glutamato e adenosina. Os autores explicam, porém, que esse efeito diminui ao longo da noite, conforme o organismo metaboliza o álcool. Com isso, as alterações no sono tendem a se intensificar na segunda metade do período de descanso. Revisão analisou 27 estudos A revisão sistemática incluiu pesquisas com adultos saudáveis entre 18 e 70 anos e avaliou o impacto do álcool consumido antes do horário de dormir. Ao todo, foram analisados 27 estudos experimentais, com doses de álcool variando entre 0,16 e 1,20 g/kg. Os pesquisadores classificaram as doses da seguinte forma: baixa dose: até 0,50 g/kg; dose moderada: entre 0,50 e 0,75 g/kg; alta dose: acima de 0,75 g/kg. A maior parte dos estudos avaliou o consumo de álcool até três horas antes do início do sono. Os pesquisadores concluem que, apesar de o álcool poder facilitar o início do sono em doses altas, o consumo prejudica fases importantes do descanso e não deve ser considerado uma estratégia eficaz para melhorar a qualidade do sono. Álcool pode também piorar a apneia obstrutiva do sono O álcool também tem efeito de relaxante muscular, promovendo uma instabilidade respiratória maior e favorecendo roncos mais frequentes e intensos. Além disso, em indivíduos suscetíveis, pode piorar a apneia obstrutiva do sono, explica o neurologista e Médico do Sono. Membro do Núcleo do Sono do Hospital Sírio-Libanês Lucio Huebra. Como o álcool é metabolizado em poucas horas, o consumo dele próximo ao horário de dormir também provoca um rebote da mensagem inicialmente inibitória, deixando o cérebro hiperexcitado e levando a fragmentação do sono, com pesadelos e sono agitado, acrescenta Huebra. Outro efeito do álcool é o potencial diurético. Ele aumenta o volume urinário ao longo da noite, provocando mais despertares noturnos para esse efeito. “O uso regular do álcool como um facilitador para o sono leva a cronificação da insônia, além de poder agravar outros distúrbios do sono como bruxismo, parassonias, movimentos periódicos de membros e síndrome das pernas inquietas”, destaca Huebra. LEIA TAMBÉM: Fígado abstêmio: o que acontece com seu fígado após 24 horas, 7 dias ou 30 dias sem álcool Álcool é um dos principais fatores de risco para câncer, aponta estudo

  23. Chitãozinho e Xororó na Festa do Peão de Americana, em 2023. Júlio César Costa/g1 Chitãozinho e Xororó são os recordistas em número de apresentações na Festa do Peão de Americana. O rodeio, que completa 40 anos em 2026, vai receber a dupla pela 26ª vez neste ano. Os sertanejos serão responsáveis por abrir a programação de shows no dia 3 de junho. 🤠 Este ano, a Festa do Peão de Americana contará com 16 apresentações musiciais em sete dias de festa, entre 3 e 14 de junho. Clique aqui para conferir a programação. A história de amor começou em 13 de junho de 1989, quando Chitãozinho e Xororó participaram da terceira edição da festa, realizada na Feira Industrial de Americana (Fidam). “Saber que estamos voltando pela 26ª vez nos deixa muito felizes e honrados. Depois de tantos anos, chegar em Americana é quase como voltar para casa”, disse Chitãozinho. LEIA TAMBÉM: Ingressos da Festa do Peão de Americana vão de R$ 60 a camarotes de R$ 1 mil; saiba como comprar Rodeio ganha novo palco fixo com três andares e 25 metros de altura Chitãozinho e Xororó em show na Festa do Peão de Americana, em 1997. Reprodução/EPTV Figurinhas carimbadas, os cantores se apresentaram todos os anos, consecutivamente, até 2000, com destaque para a apresentação histórica de 1999 com o Show Amigos, que reuniu 30 mil pessoas. A dupla se tornou um pilar da programação e observou de um lugar privilegiado – o palco – a evolução do rodeio. “A gente acompanhou de perto o crescimento da Festa de Americana ao longo das décadas, e é bonito ver como ela se consolidou como uma das maiores do Brasil. O público sempre nos recebeu com muito carinho, então existe uma relação afetiva muito forte com esse palco", afirmou Xororó. Chitãozinho e Xororó se apresentam na Festa do Peão de Americana, em 2024. Em 2022, o rodeio em Americana também foi um dos palcos onde a dupla celebrou os 50 anos de carreira. Chitãozinho e Xororó foram a única atração do último dia da 34ª edição da festa, se apresentando para um público de 35 mil pessoas. O show histórico terminou com um coro de “Evidências", música lançada em 1990 que mantém o status de "hino nacional" até hoje. Já em 2024, eles estrearam uma nova turnê na Festa do Peão de Americana. A cidade recebeu o primeiro show do projeto "Por Todos os Tempos", que também homenageou os mais de 50 anos de carreira dos irmãos. Além da trajetória da dupla, Chitão destacou ao g1 a importância da festa para a música sertaneja e para o interior de São Paulo. “É um evento que movimenta a cidade, gera empregos, reúne famílias e mantém viva essa tradição que faz parte da história do nosso país", afirmou. Xororó também reafirmou o carinho pela festa. “Fazer parte dessa história tantas vezes é motivo de orgulho pra gente, principalmente porque o interior de São Paulo tem uma ligação muito especial com a nossa trajetória e com a música sertaneja", disse. Chitãozinho e Xororó na Festa do Peão de Americana, em 2023. Júlio César Costa/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

  24. Atleta australiano que participará do Enhanced Games, que permitirá o uso de anabolizantes. Reprodução/Instagram Atletas olímpicos já são conhecidos por terem capacidades físicas muito além das pessoas comuns, quebrando recordes e levando o corpo humano ao limite. Neste domingo (24), porém, uma nova competição promete ir ainda mais longe: começam as 'Olimpíadas dos Esteroides', evento que permitirá o uso de anabolizantes e outras substâncias proibidas nos jogos tradicionais. Os Enhanced Games (Jogos Aprimorados, na tradução livre) serão realizados em Las Vegas, nos Estados Unidos, e têm uma proposta que desafia diretamente uma das principais bases do esporte moderno: o combate ao doping. Diferente das Olimpíadas e de competições organizadas por federações internacionais, os atletas poderão competir utilizando testosterona, hormônio do crescimento (HGH), esteroides anabolizantes e outras substâncias banidas pela Agência Mundial Antidoping (WADA). Os organizadores afirmam que o objetivo é “abraçar a ciência” e permitir que os atletas ultrapassem os limites naturais do corpo humano de maneira supervisionada. Segundo eles, os competidores passarão por exames médicos constantes e terão acompanhamento clínico durante o evento. A competição terá provas de: natação; atletismo; levantamento de peso; e strongman. 🏋️‍♂️ Strongman é uma modalidade de força extrema que inclui tarefas como puxar caminhões, carregar pedras gigantes, levantar troncos e transportar pesos enormes por longas distâncias. A promessa dos organizadores é quebrar recordes mundiais e transformar os Enhanced Games em uma espécie de “futuro do esporte”. Agora no g1 Competição é criticada O projeto, no entanto, vem sendo alvo de críticas de entidades esportivas e especialistas em saúde. A Agência Mundial Antidoping classificou a ideia como “perigosa e irresponsável”, enquanto médicos alertam para os riscos do uso contínuo de substâncias como anabolizantes e HGH, que podem causar problemas cardíacos, hormonais e psicológicos. Além da polêmica esportiva, as 'Olimpíadas dos Esteroides' também chamam atenção pelas premiações milionárias — algo comum quando se trata de eventos em Las Vegas. Para além do show da banda 'The Killers', os organizadores prometem bônus para atletas que quebrarem marcas históricas, incluindo recompensas em dinheiro que podem chegar à casa de milhões de dólares. Entre os apoiadores do projeto estão empresários do setor de tecnologia e investidores ligados ao Vale do Silício, que defendem a ideia de que o esporte de alto rendimento já convive, nos bastidores, com o uso de substâncias para melhora de performance — e que os Enhanced Games apenas tornam isso explícito. Quem vai participar? Ao todo, são 50 atletas confirmados de 25 nações diferentes. Entre eles, está o nadador australiano James Magnussen, ganhador de três medalhas olímpicas. O atleta abandonou a aposentadoria para competir nos Enhanced Games. Em entrevista à BBC, o nadador afirmou não ter preocupações, apesar de seu físico visivelmente mais musculoso após o uso de substâncias para melhora de desempenho no ano passado ter viralizado na internet. "Aredito que, se houvesse implicações de longo prazo para minha saúde, certamente haveria alguns indicadores de curto a médio prazo que apontariam 'ei, isso não vai bem, você está tendo efeitos colaterais'. Até o momento, não vimos nada disso", disse Magnussen ao jornal britânico. "Como atletas profissionais, já assumimos riscos com nossa saúde naturalmente pelo que fazemos. Não há nada saudável em treinar no limite máximo da capacidade física por 30 horas por semana." Initial plugin text Para além do australiano, também haverá um brasileiro no páreo. Felipe Lima, de 41 anos, estava aposentado das piscinas desde dezembro de 2021, mas retornará às raias neste final de semana. Ele é o recordista sul-americano dos 50m peito em piscina longa, com 26s33, e detém o quarto melhor tempo da história do Brasil nos 100m peito, com 59s17. Felipe Lima, atleta brasileiro que participará do Enhanced Games. Reprodução/Instagram 'Olímpiadas dos Esteroídes': competição que libera uso de anabolizantes e outras substâncias proibidas começa nesse domingo Reprodução/Instagram

  25. Mega-Sena. Getty Images via BBC A Caixa Econômica Federal anunciou um sorteio especial da Mega-Sena para celebrar os 30 anos da modalidade com uma premiação de R$ 300 milhões. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O primeiro sorteio foi realizado em 11 de março 1996. Desde então, a Mega-Sena se consolidou como a modalidade de apostas mais popular do país e movimentou R$ 115,2 bilhões. O sorteio especial de 30 anos será realizado às 11h do dia 24 de maio, próximo domingo. Mas quais foram os maiores prêmios já pagos até hoje? E o que dá para comprar atualmente com esses valores? Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no site do g1 Acompanhe o sorteio da Mega 30 anos no canal do g1 no YouTube 5º lugar: R$ 378 milhões Os cinco prêmios mais altos da história são todos de Megas da Virada. O sorteio do ano de 2021 pagou R$ 378.124.727,48. Duas apostas vencedoras dividiram o prêmio e cada uma levou R$ 189.062.363,74. O total pago pela Caixa é equivalente a 32.883 Iphones 17 Pro — o modelo com 256 GB está à venda no Brasil hoje por R$ 11.499,00. Com esse prêmio, também é possível comprar a cobertura de altíssimo luxo do jogador de futebol Neymar em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Em 2024, o imóvel estava avaliado em 200 milhões de dirhams (R$ 275 milhões de reais na cotação atual). Ainda seria possível usar o dinheiro restante para comprar o carro mais caro em circulação hoje no Brasil, uma Ferrari LaFerrari ano 2016 de edição limitada com valor de mercado estimado em R$ 38.043.737,00 — e ainda sobrariam mais cerca de R$ 60 milhões. O edifício Bugatti Residences em Dubai, onde Neymar comprou uma cobertura, está atualmente em construção. Binghatti Properties via BBC 4º lugar: R$ 541 milhões O quarto maior prêmio foi dado na Mega da Virada de 2022: R$ 541.969.966,30. Cada um dos cinco ganhadores recebeu R$ 108.393.993,26. Se uma única pessoa tivesse levado a bolada sozinha poderia comprar a mansão do cantor Jay-Z em Bel Air, Los Angeles, Estados Unidos. O imóvel está atualmente avaliada em cerca de US$ 100 milhões, equivalente a R$ 500 milhões. O valor total do prêmio também seria suficiente para comprar um dos quadros mais caros já vendidos em leilões de arte: Blumenwiese (Prado Florido), do artista austríaco Gustav Klimt. A obra foi leiloada em Nova York no ano passado por US$ 86 milhões (cerca de R$ 433,26 milhões na cotação atual). Agora no g1 3º lugar: R$ 588 milhões A Mega da Virada de 2023 pagou R$ 588.891.021,25. Cinco apostas acertaram os seis números e receberam R$ 117.778.204,25 cada. O prêmio total pago naquele ano seria suficiente para comprar hoje 14 unidades da cobertura mais cara de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, cidade com o metro quadrado mais valorizado do país. O apartamento de 740 m², de frente para o mar, está avaliado em R$ 42 milhões. Os R$ 588 milhões pagos pela Caixa também seriam suficientes para comprar 130.666 passagens de avião (ida e volta) de classe econômica de São Paulo para Paris, considerando cada uma com um preço médio de R$ 4.500. Se as passagens forem de primeira classe, com cada uma custando em média R$ 70 mil, seria possível ir e voltar da capital francesa 8.400 vezes. 2º lugar: R$ 635 milhões O segundo maior prêmio, da Mega da Virada de 2024, foi de R$ 635.486.165,36. O total foi dividido entre oito ganhadores e cada um levou R$ 79.435.770,67. Uma das apostas vencedoras foi de um bolão realizado em Osasco, São Paulo, em que cada uma das 56 cotas ganhou R$ 1.418.495,90. Mas um dos participantes desse bolão não apareceu para retirar seu prêmio no prazo de 90 dias exigido pela Caixa e ficou sem o dinheiro. Mas se uma única pessoa tivesse levado a bolada de R$ 635 milhões sozinha poderia comprar 635 mil quilos da carne mais cara do mundo, o Wagyu categoria A5. A categoria A5 representa o nível máximo de qualidade do Wagyu, uma raça de gado originária do Japão. No Brasil, o quilo do corte é vendido a uma média de R$ 1.000. O quilo do Wagyu categoria A5 custa em média R$ 1.000 no Brasil. AFP via Getty Images via BBC Também seria possívelo comprar 1.058 imóveis imóveis de R$ 600 mil, o valor máximo permitido atualmente pela Caixa para financiar casas ou apartamentos novos usando o programa Minha Casa, Minha Vida. Ainda assim, o vencedor único ainda teria mais R$ 200 mil para investir em outros bens. 1º lugar: R$ 1.091 bilhão A Mega da Virada de 2025 ofereceu o maior prêmio da história até hoje: R$ 1.091.357.286,54. Ao todo, seis pessoas foram premiadas e cada uma levou para casa mais de R$ 181 milhões. Com o total do prêmio, um único vencedor poderia adquirir o clube de futebol Vitória, avaliado atualmente em R$ 826 milhões, segundo um ranking elaborado pela Sports Value. O colar 'La Peregrina' pertenceu à atriz americana Elizabeth Taylor, mas foi comprada inicialmente pelo rei Filipe 2º da Espanha para sua noiva, a rainha Maria 1ª da Inglaterra (1516-1558). AFP via Getty Images via BBC Os R$ 1.091 bilhão pagos pela Caixa também seriam suficientes para comprar toda a coleção exclusiva de itens que pertenceram a Elizabeth Taylor, leiloada em 2011. Na época, o leilão arrecadou US$ 156.756.576, o que hoje equivale a mais de R$ 786 milhões. Ao todo, a coleção estava formada por 1.778 itens, entre jóias, peças de roupa e mobiliário. O elemento mais caro foi um colar de pérolas, diamantes e rubis do século 16, vendido por US$ 11,84 milhões (R$ 59,7 milhões na cotação atual).

+ Sobre nós

Image

Onde estamos: .

Rua Barão do Rio Branco, 347
Centro Itápolis/SP
3262 7482 - 3262 7483
16 99781 3817(Rega)
16 99742 1727(Daiane)
© 2018 RG Assessoria Fisco Contábil. All Rights Reserved. Designed By JKAsites