
Casal de Itapetininga relata tensão no Kuwait e pede ajuda do governo brasileiro
Um casal de Itapetininga (SP) relata que ao menos 100 brasileiros que estão no Kuwait, no Oriente Médio, aguardam repatriação ao Brasil devido à tensão provocada pelo conflito militar entre Irã e Estados Unidos.
Karine Souza, 32 anos, contou ao g1 que está no Kuwait desde dezembro do ano passado, pois o marido dela, José Ademar Monteiro, é jogador de vôlei profissional e viajou ao país em setembro, para disputar uma temporada profissional.
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"Estamos aqui por conta do contrato que ele tem com o clube. Nós não tínhamos ideia do que aconteceria. Inicialmente, nós ficamos sabendo dos ataques por meio das redes sociais. Isso tomou uma proporção grande no grupo de brasileiros que participamos por aqui", relata.
Casal de Itapetininga (SP) tenta deixar o Kuwait após tensão por conflito militar entre Irã e EUA
Arquivo Pessoal
A brasileira relata ter começado a ouvir, de maneira repentina, sirenes tocando diversas vezes. Depois disso, o governo emitiu um comunicado dizendo que eram testes e pedindo calma à população.
"No momento da primeira interceptação, chegaram notificações dizendo sobre o que havia acontecido. Até um certo ponto, a sirene era acionada a cada vez que um míssil era interceptado, então, chegou um momento em que um pânico generalizado estava instaurado", disse.
De acordo com Karina, devido ao alto número de acionamentos das sirenes, o governo passou a ativá-las apenas quando destroços atingem áreas civis. Por ser estrangeira, toda a assistência voltada aos brasileiros é feita por meio da embaixada, mas ela afirma que os esforços não têm sido suficientes.
"A única orientação que recebemos foi para ficarmos em casa, que é um local com mais segurança. Porém, para mim e para o meu marido é mais difícil, já que estamos com um pet. Os bunkers, que são os abrigos no subsolo, não aceitam animais, o que nos impede de irmos para um."
Moradora de Itapetininga (SP) relata tensão e dificuldade para deixar Kuwait, país do Oriente Médio, durante conflito entre Irã e EUA
Reprodução
Até então, Karine se sentia segura dentro de casa. No entanto, segundo ela, uma criança de 11 anos morreu após destroços de um míssil atingirem a cama onde dormia, o que aumentou ainda mais o medo entre os moradores.
"Ficamos muito desesperados, pois achamos que estávamos seguros em casa, mas não estamos. Corremos risco de vida a todo momento pois, se tiver uma interceptação em cima do nosso prédio, existem chances dos destroços entrarem em casa. É uma situação muito tensa", relata.
Karine e José Ademar só saem de casa para ir ao mercado e comprar os itens básicos para sobrevivência, como água e comida. Mesmo considerando um grande risco, eles saem sempre juntos e com o animal de estimação.
"A gente leva até a nossa cachorrinha quando saímos de casa, pois não sabemos se vai ter um pedaço de míssil quando voltarmos. Sai a família completa. Estamos nos arriscando dentro de casa, na rua. Para termos acesso à comida, alguém está correndo risco de qualquer forma. Nós, o entregador, os funcionários do mercado", pontua.
Diante da situação, Karine relata que 100 dos 280 brasileiros que vivem em Salmiya, na província de Hawalli, no Kuwait, elaboraram um abaixo-assinado pedindo que o governo brasileiro auxilie o grupo na viagem de volta ao Brasil, custeando o traslado. Segundo ela, o documento ainda não foi entregue à embaixada devido às dificuldades de estabelecer contato com o órgão.
"A embaixada está fazendo posts na internet e pedindo para seguir o canal. Apenas algumas pessoas conseguiram contato com eles, e uma ajuda foi fornecida para conseguir o visto de acesso à Arábia Saudita, mas chegou um momento em que eles não estão conseguindo mais dar conta. Eles desativaram os comentários nos perfis oficiais", afirma.
A brasileira ressalta que a preocupação se estende às famílias dos brasileiros, que acabam acompanhando a situação por meio das informações divulgadas por eles.
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"Além da gente aqui está passando por isso, a gente tem as pessoas que gostam da gente que também estão sofrendo, né? Teve um um momento que a gente aqui cordou num pulo porque a interceptação foi praticamente na nossa janela. Então, e a gente tem tem que manter as pessoas informadas sobre como estamos", relata.
Conforme Karine, uma explosão recente atingiu a rede de internet na região onde ela está, o que prejudicou por alguns dias o contato com familiares.
"A gente ficou sem 3G, sem Wi-Fi, e aí a gente entrou em desespero. Graças a Deus, conseguiram resolver e voltou o sinal, mas a gente tem sempre que manter eles informados para eles saberem o que está acontecendo. É o nosso único meio de comunicação aqui."
Apesar dos dias de tensão que enfrentam, Karine e o marido afirmam manter a esperança de retornar ao Brasil o mais breve possível.
"A gente está se mantendo sempre com roupas que já podemos pegar e sair, em estado de alerta o tempo inteiro. Porque à noite é quando acontece a maioria dos ataques, dos bombardeios. Mas a gente está com muita esperança. Tem uma corrente de oração muito grande e esperamos chegar o mais rápido possível ao nosso país para encontrar as pessoas que amamos", desabafa Karine.
Nota do Itamaraty
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio das 12 embaixadas do Brasil no Oriente Médio e do Escritório de Representação em Ramala, acompanha a situação dos brasileiros na região desde o início da atual crise e presta assistência consular aos nacionais que procuram as repartições, considerando a realidade de cada país e as determinações das legislações brasileira e internacional.
O ministério afirmou ainda que a Embaixada do Brasil no Kuwait mantém contato com a comunidade brasileira no país, oferecendo assistência consular e informações atualizadas, inclusive por meio das redes sociais.
"O Ministro Mauro Vieira está diretamente envolvido em contatos para resolver a situação de turistas e passageiros em trânsito e de férias na região. No decorrer da última semana, o Ministro manteve contato telefônico com nove chanceleres da região (Jordânia, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Omã, Líbano, Turquia e Emirados Árabes Unidos, este por duas vezes)", cita a resposta.
Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro também mantém contato com autoridades de países do Oriente Médio para monitorar a situação de segurança e acompanhar a reabertura dos espaços aéreos na região, a fim de facilitar a remarcação de voos.
"Reitera-se que este Ministério vem emitindo alertas consulares sobre a situação no Oriente Médio desde outubro de 2023. Desde junho de 2025, o Itamaraty recomenda que brasileiros não viajem à região, e que os brasileiros já no Oriente Médio buscassem maneiras de sair da área.
Os alertas consulares podem ser acompanhados pelo site “alerta consular”.
Conflito Irã e EUA
Há pouco mais de dez dias, o Kuwait tem interceptado mísseis iranianos, já que os Estados Unidos mantêm bases militares em território kuwaitiano. No front de batalha, a segunda-feira (9) foi marcada por novos bombardeios do Irã a países vizinhos.
De acordo com a Agência de Notícias do Governo do Kuwait (Kuna), o Aeroporto Internacional do país sofreu ataques causados por drones. Os focos de incêndios foram controlados, mas moradores do país tiveram danos devido aos destroços das interceptações.
No Kuwait, o governo enterrou dois funcionários mortos em ataques no fim de semana
Sob comando do novo líder supremo, Irã ataca Kuwait, Catar e refinaria de petróleo do Bahrein
Jornal Nacional/ Reprodução
As forças americanas e israelenses atingiram novos alvos no Irã nesta terça-feira (10), enquanto a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entra no décimo primeiro dia.
Os primeiros ataques dos EUA e de Israel contra o Irã começaram no dia 28 de fevereiro, quando o Exército israelense afirmou ter atingido a liderança iraniana e sua infraestrutura militar. Durante esses bombardeios, o ex-líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em Teerã.
No domingo (8), as Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que haviam realizado "aproximadamente 3.400 ataques", desativando mais de 150 sistemas de defesa iranianos.
Fogo e fumaça em base aérea Ali Al-Salem, dos EUA, no Kuwait após ataque iraniano em 6 de março de 2026.
Reprodução/redes sociais via Reuters
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