Um levantamento publicado pelo g1 nesta quarta-feira (22) mostra quais promessas e compromissos de campanha assumidos pelo presidente Lula (PT) e pelos governadores eleitos em 2022 foram cumpridos após três anos e meio de mandato.
O projeto Promessas dos Políticos, do g1, monitora o andamento e a entrega de propostas e projetos apresentados durante as campanhas eleitorais, em entrevistas e sabatinas, debates, discursos e, também, nos planos de governo.
Em alguns casos, são considerados anúncios pontuais feitos no discurso de posse, desde que não signifiquem uma redução do que havia sido prometido da campanha.
As promessas incluídas no levantamento haviam sido catalogadas por jornalistas do g1 durante a campanha eleitoral de 2022. A etapa publicada nesta quarta traz um balanço do que foi realizado entre 1º de janeiro de 2023, quando começaram os atuais mandatos, e 30 de junho de 2026.
São promessas em áreas que impactam o dia a dia da população, como saúde, educação, segurança pública, economia, infraestrutura, meio ambiente, cultura, direitos humanos e transparência.
Agora no g1
Os critérios de classificação das promessas
Cumpriu: quando a promessa foi totalmente cumprida, sem pendências.
Em parte: quando a promessa foi cumprida parcialmente, com pendências.
Não cumpriu ainda: quando o que foi prometido não foi realizado e não está valendo/em funcionamento.
Alguns governadores renunciaram aos mandatos no primeiro trimestre deste ano porque serão candidatos a outros cargos nas eleições de outubro. É uma exigência da lei. Em casos assim, a análise considerou também o trabalho dos vices que assumiram os governos.
Todos os levantamentos serão atualizados quando os mandatos terminarem, no fim do ano.
O monitoramento das promessas dos políticos é feito por jornalistas do g1 de todo o Brasil desde 2015. As equipes de checagem seguem uma metodologia própria. Veja os critérios.
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Nacional: promessas de Lula
Acre: promessas de Gladson Camelí e Mailza Assis
Alagoas: promessas de Paulo Dantas
Amapá: promessas de Clécio Luís
Amazonas: promessas de Wilson Lima
Bahia: promessas de Jerônimo Rodrigues
Ceará: promessas de Elmano de Freitas
Distrito Federal: promessas de Ibaneis Rocha e Celina Leão
Espírito Santo: promessas de Renato Casagrande e Ricardo Ferraço
Goiás: promessas de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela
Maranhão: promessas de Carlos Brandão
Mato Grosso: promessas de Mauro Mendes e Otaviano Pivetta
Mato Grosso do Sul: promessas de Eduardo Riedel
Minas Gerais: promessas de Romeu Zema e Mateus Simões
Pará: promessas de Helder Barbalho e Hana Ghassan
Paraná: promessas de Ratinho Junior
Paraíba: promessas de João Azevêdo e Lucas Ribeiro
Pernambuco: promessas de Raquel Lyra
Piauí: promessas de Rafael Fonteles
Rio de Janeiro: promessas de Cláudio Castro
Rio Grande do Norte: promessas de Fátima Bezerra
Rio Grande do Sul: promessas de Eduardo Leite
Rondônia: promessas de Coronel Marcos Rocha
Roraima: promessas de Antonio Denarium
Santa Catarina: promessas de Jorginho Mello
São Paulo: promessas de Tarcísio de Freitas
Sergipe: promessas de Fábio Mitidieri
Tocantins: promessas de Wanderlei Barbosa

Prefeito de São Paulo diz que vai recorrer da decisão sobre motos por app
A Prefeitura de São Paulo deve recorrer da decisão judicial que determinou o credenciamento da Uber para operar o serviço de moto por aplicativo na capital. Nesta terça-feira (21), o município recebeu prazo de 48 horas para liberar a operação, sob pena de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
À GloboNews, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) garantiu que vai apresentar recurso contra a decisão, justificando que o número de mortes de motociclistas está aumentando na capital, e que envolver passageiros pode tornar a situação ainda mais grave. Segundo ele, mais da metade das vítimas de acidentes de trânsito atendidas na rede municipal de saúde estavam em motos.
Em nota enviada ao g1, a prefeitura disse que "o município permanecerá defendendo a vida" e citou números de mortes de motociclistas: 283 no primeiro semestre desse ano, contra 475 em todo o ano passado.
Motorista da Uber Moto e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que é contra o serviço na capital paulista.
Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais
A decisão que obriga a Prefeitura de São Paulo a autorizar a operação da Uber neste segmento marca mais um capítulo na queda de braço da gestão Nunes com os aplicativos de transporte. A disputa já chegou inclusive ao Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu parte das regras impostas pelo município para autorizar a operação das empresas.
Na semana passada, a gestão municipal recusou pela segunda vez o pedido de credenciamento da Uber para intermediar o transporte de passageiros por motos. Como justificativa, o Comitê Municipal de Uso do Viário (CMUV) disse que a empresa não comprovou a contratação de apólice de seguro, pois um dos documentos apresentados estava sem assinatura.
A empresa recorreu e conseguiu vitória na Justiça. A juíza Patrícia Persicano Pires, da 16ª Vara da Fazenda Pública, considerou que a exigência já havia sido atendida e que o novo indeferimento configura uma repetição de ato que já havia sido declarado ilegal pela Justiça. A decisão cita entendimento do ministro do STF Alexandre de Moraes, que suspendeu a exigência de coberturas adicionais de seguro.
Justiça determina que Prefeitura de SP autorize Uber a operar moto por aplicativo em até 48 horas
Em nota, a Uber afirma que "a magistrada destacou o comportamento contraditório da administração municipal ao levantar questionamentos burocráticos de última hora sobre a declaração de seguro, como a ausência de assinatura, que não haviam sido questionados em fases anteriores e que extrapolam o que já havia sido julgado".
Ainda segundo a empresa, "o tribunal pontuou ainda que a própria Uber apresentou, em 17 de julho, a declaração com assinatura eletrônica dos representantes da seguradora Chubb e as condições da apólice, esvaziando por completo as 'objeções formais tardiamente suscitadas' pelo município".
Em 1º de abril deste ano, após reunião com a prefeitura, a plaraforma 99 informou ter desistido de operar o serviço de transporte de passageiros por motocicletas na capital.
Empresas alegam 'proibição disfarçada de regulamentação'
Representando as plataformas, a CNS questionou a regulamentação do serviço de moto por aplicativo em dezembro de 2025, poucos dias depois da aprovação pela Câmara Municipal e sanção do prefeito, por meio de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no STF. A principal alegação é que as regras eram muito rígidas e representariam uma "proibição disfarçada de regulamentação", já que até hoje nenhuma empresa foi credenciada.
Em 19 de janeiro, Moraes, que é relator da ação, determinou a suspensão de parte das regras por entender que a prefeitura invadiu competência legislativa da União. Um dos dispositivos previa que a falta de análise de pedidos de credenciamento no prazo legal de 60 dias não concederia licença automática às empresas, proibindo a atividade por tempo indeterminado.
O ministro também considerou ilegal a exigência da placa vermelha (categoria aluguel), já que a legislação federal não impõe essa obrigatoriedade aos serviços de transporte privado individual de passageiros por aplicativo. Moraes também destacou que a modalidade não pode ser equiparada ao mototáxi, que é regido por uma lei específica.
Câmara de SP aprova regras para moto por aplicativo
Posteriormente, em 30 de junho, Moraes suspendeu a regra que exigia das empresas a contratação de seguros mais abrangentes e com valores muito mais altos do que prevê a legislação federal. Na ocasião, o ministro deu prazo de 15 dias para a prefeitura analisar pedidos de credenciamento com base na regra nacional. Segundo a decisão, a administração municipal invadiu a competência da União ao legislar sobre o tema e impôs uma "barreira desproporcional" à atividade.
O decreto publicado em dezembro pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) exigia que o Seguro de Acidentes Pessoais a Passageiros (APP) deveria cobrir não apenas o passageiro, mas também o condutor e terceiros eventualmente envolvidos em acidentes de trânsito. O texto previa indenização de, no mínimo, R$ 100 mil para danos físicos e morais, além de despesas médicas e hospitalares, R$ 300 mil para invalidez e R$ 500 mil para morte.
"Chama a atenção [...] a exigência de valores vultosos, destoantes do que se verifica com normas aplicáveis a atividades semelhantes, o que fortalece a tese de que o ente municipal, para além do rigor na regulação de tema de interesse da população, pretendeu inviabilizar a disponibilização do serviço de transportes de passageiros por motocicletas", destacou Moraes.
O brasileiro está vivendo mais, mas uma fatia cada vez maior dessa vida é passada com algum problema de saúde. É o que aponta um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health, que analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023.
No Brasil, o tempo médio vivido com doença passou de 10,4 para 12,5 anos em pouco mais de 30 anos. Isso significa um aumento de 2,1 anos, ou 20%.
O país aparece na 16ª posição entre os 204 países e territórios analisados, no ranking das nações com o maior número de anos vividos em más condições de saúde.
Hoje, a expectativa de vida no Brasil está em torno de 76 anos, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e esse número vem crescendo nas últimas décadas. Mas o estudo mostra que viver mais tem sido sinônimo de viver com mais saúde: o tempo ganho em longevidade não veio acompanhado, na mesma proporção, por mais anos livres de doença.
O levantamento foi feito com base no Global Burden of Disease 2023 (Estudo Carga Global de Doenças), banco de dados que reúne estatísticas de saúde de quase todos os países do mundo.
Os pesquisadores calcularam a chamada lacuna de morbidade, que corresponde à diferença entre a expectativa total de vida e a expectativa de vida saudável — ou seja, quantos anos, em média, uma pessoa vive com alguma doença, limitação ou incapacidade.
Brasileiro está vivendo mais, mas passa mais tempo doente
Em 1990, a lacuna de morbidade brasileira era de 10,4 anos — um número já superior à média mundial da época, que era de 8,8 anos. Isso significa que, mesmo há mais de três décadas, o brasileiro já convivia com mais tempo de doença do que a média global.
Dali em diante, o número seguiu subindo de forma constante, sem grandes saltos: 11,2 anos em 2010, e 11,7 anos em 2020.
A única oscilação de queda em toda a série aconteceu durante a pandemia de Covid-19: em 2021, a lacuna recuou para 11,4 anos. Segundo o estudo, esse recuo não indica melhora — ele reflete o fato de que tanto a expectativa de vida quanto a expectativa de vida saudável caíram juntas naquele período, em todo o mundo, sem alterar de forma significativa a diferença entre as duas.
A partir de 2022, a lacuna voltou a subir, e de forma mais acelerada: 12,2 anos em 2022 e 12,5 anos em 2023 — um salto de mais de um ano em apenas dois anos, mais rápido do que o ritmo histórico observado no país desde 1990.
Para o médico Clayton Macedo, o dado reforça um alerta que a medicina já vinha discutindo, que é preciso analisar a qualidade da vida que o paciente tem, mais do que o alvo de fazê-lo viver mais.
"Viver mais continua sendo uma das maiores conquistas da medicina. Mas a meta contemporânea precisa ser mais ambiciosa: viver mais com saúde, autonomia e capacidade funcional. O estudo mostra que o aumento da longevidade não foi acompanhado, na mesma proporção, por um aumento dos anos vividos em plena saúde", diz Macedo.
O que causa esse tempo perdido?
O estudo não diz quais são as principais causas por país, mas uma lista de doenças gerais que afetam pessoas no mundo todo e são responsáveis pela queda na qualidade de vida.
Em nível mundial, cinco causas respondem por 57,4% dos anos vividos com problemas de saúde, são eles:
Distúrbios musculoesqueléticos, sobretudo dor lombar;
Transtornos mentais, como depressão e ansiedade;
Doenças relacionadas aos órgãos dos sentidos, como perda auditiva associada à idade;
Lesões não intencionais, principalmente quedas;
Outras doenças não transmissíveis.
Entre os fatores de risco, os que mais contribuem para esse quadro no mundo são a glicemia de jejum elevada, o excesso de peso, a desnutrição materno-infantil e o tabagismo.
Onde se vive mais e menos tempo com doenças
Em 2023, os dez países com a maior lacuna de morbidade do mundo foram, pela ordem:
Estados Unidos (14 anos)
Austrália (13,9 anos)
Canadá (13,7 anos)
Nova Zelândia (13,1 anos)
Holanda (12,9 anos)
San Marino (12,9 anos)
Suíça (12,8 anos)
Líbano (12,8 anos)
Reino Unido (12,7 anos)
Porto Rico (12,7 anos)
Já os dez países com a menor lacuna são:
Nauru (6,9 anos)
Ilhas Salomão (7,3 anos)
Laos (7,4 anos)
Tuvalu (7,6 anos)
Madagascar (7,7 anos)
Chade (7,8 anos)
Níger (7,8 anos)
Sudão do Sul (7,9 anos)
Ilhas Marshall (7,9 anos)
Mianmar (8 anos)
Segundo os pesquisadores, o padrão não é uma contradição: países com maior expectativa de vida tendem a acumular mais anos também com doenças crônicas não fatais, justamente por viverem mais tempo. Já nações com expectativa de vida menor apresentam lacunas menores simplesmente porque a vida, em média, é mais curta.
➡️ O estudo também identificou diferenças entre homens e mulheres: elas vivem mais, mas passam mais tempo doentes. Em 2023, a lacuna de morbidade das mulheres, no mundo, foi de 12,1 anos, contra 9,3 anos entre os homens.
Para os autores do estudo, os dados mostram que políticas de saúde pública precisam olhar não só para reduzir mortes, mas também para reduzir o tempo que as pessoas passam vivendo com doenças. O levantamento defende investimentos em prevenção, reabilitação e cuidados de longo prazo como caminhos para reverter essa tendência — no Brasil e no resto do mundo.