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G1 GLOBO (Tudo Diário)

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  1. Khamenei 'colocadão': como funk brasileiro foi parar em vídeos pró e contra Irã Versos de funk brasileiro foram parar em vídeos que exaltam e criticam o Irã, em perfis iranianos, israelenses e de outras origens nas redes, em meio à tensão e ao conflito do país contra os EUA e Israel. O falecido líder supremo iraniano Ali Khamenei é exaltado ao som dos versos "vai ser só colocadão / nas novinhas do xe*ecão". A base da música é distorcida, em um remix lento e grave, típico do chamado "brazilian phonk", um estilo eletrônico cada vez mais popular no Leste Europeu e na Ásia, que usa bases do funk brasileiro. O mesmo perfil, de um apoiador anônimo do regime do Irã, publicou um vídeo com fotos da família Pahlavi, que comandou a ditadura brutal derrubada pela Revolução de 1979. "Tão patriotas, tão puros... O último está esperando que os israelenses os façam rei", ironiza a legenda. É uma crítica a Reza Pahlavi, opositor e filho do último xá. A trilha é de "brazilian phonk". Imagens de vídeos no TikTok e Instagram contra e a favor do Irã com trilha de 'brazilian phonk', estilo com vocais e batidas de funk brasileiro Reprodução Batidão da oposição No TikTok, também há exaltação dos Pahlavi ao som do batidão brasileiro. Um vídeo ao estilo "fancam" (de exaltação pessoal) celebra o último xá ao som dos versos: "Mina linda safadinha, arregaço esse popô / Soca soca soca sem caô / Ela cheia de tesão e eu arregaço esse popô." O dono do perfil não se identifica, e escreve apenas جاویدشاه ("viva o rei", em farsi) no alto da página. A expressão ficou conhecida como um slogan monarquista no Irã, associada ao xá. Não há sinal, porém, de que ele compreenda o significado sexual da letra em português. A batida agressiva do "brazilian phonk" parece bastar para dar o sentido de força e vigor atribuídos a Pahlavi. Da mesma forma, um perfil apócrifo pró-Israel usou essa batida agressiva para exaltar os caças do exército israelense. "Vai segurando", diz o verso ao fundo. Autoria perdida Em geral, os DJs de "brazilian phonk" não identificam os donos dos vocais das músicas. São pedaços de vocais de funk que circulam pela internet, cuja autoria original é difícil de ser recuperada. Também há cenas de guerra com batidão do outro lado. O perfil "Woldwar.33" mostra uma troca de mísseis que, na conta dele, termina em vitória iraniana. O funk em português fala em "bater de frente". A batida embala mulheres contra o regime conhecido pela opressão feminina. A iraniana-britânica Romina dança o funk "No batidão" e escreve: "Essa sou eu em toda a festa quando o Irã for livre". A mesma música é usada pelo batalhão dos trolls. Um perfil anônimo de humor mostra o líder de Israel, Benjamin Netanyahu, com a legenda: “Enquanto a mídia esquerdista global 🏳️o chama de criminoso de guerra… Bibi está aí lançando o phonk brasileiro mais pesado.” Uma montagem de Netanyahu entoa os versos: "Ela desce, ela sobe, no baile é pressão / Mina linda, perigosa, rouba meu coração/ Vai quicando, vai jogando, não perde a razão / No batidão, no batidão, só pura tentação..."

  2. Especial conta a história das mulheres que dão nome a ruas, praças e parques de Belo Horizonte TV Globo As mulheres são mais da metade da população de Belo Horizonte, 53,35%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , mas quase não aparecem nos nomes de ruas, viadutos e bairros da cidade. Um levantamento feito pelo programa especial Nome de Mulher, da TV Globo em Minas, com base em dados públicos, mostra que apenas cerca de 2 mil das 12.092 ruas da capital fazem referência a mulheres, o equivalente a 16,53% do total. Entre os 130 viadutos existentes, só seis têm nomes femininos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp A Prefeitura de Belo Horizonte não possui uma classificação oficial sobre quantas vias homenageiam mulheres. Diante da ausência desses dados, a equipe cruzou bases públicas e excluiu nomes de santas para medir a representatividade feminina nos nomes de lugares da cidade. Para entender quem são as mulheres que conseguiram romper essa barreira simbólica e dar nome a ruas, praças e bairros, a reportagem percorreu diferentes regiões da capital e ouviu especialistas, moradoras e ativistas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja locais com nome de mulher em Belo Horizonte: Avenida Clara Nunes — Bairro Renascença A via, que fica na Região Nordeste da capital, homenageia a cantora mineira que viveu no bairro Renascença antes de se tornar um dos maiores nomes da música brasileira. Avenida Clara Nunes viveu no bairro Renascença e se tornou um dos maiores nomes da música brasileira Reprodução/TV Globo Bairro Dandara A comunidade Dandara leva o nome de Dandara dos Palmares, uma das maiores lideranças da República de Palmares. Criada a partir de uma ocupação iniciada em 2009, a área nasceu de uma luta conduzida principalmente por mulheres. Em 2023, o território foi reconhecido oficialmente como bairro. Bairro Jaqueline No Bairro Jaqueline, o nome homenageia a filha do primeiro proprietário da área. O reconhecimento oficial veio com o Decreto 3.939, de março de 1981. Conjunto Zilah Spósito — Serra Verde O Conjunto Zilah Spósito foi criado a partir da mobilização de uma mulher que dedicou a vida às causas sociais. Nascida em Bocaiúva, Zilah ajudou famílias ameaçadas de remoção no bairro Serra Verde a conquistarem acesso à moradia. O novo bairro, resultado dessa luta, recebeu seu nome. A Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (URBEL) informou que o conjunto conta com mais de 790 domicílios e é classificado como um bairro popular. Parque Ecológico Maria do Socorro Moreira — Padre Eustáquio No bairro Padre Eustáquio, a história de Maria do Socorro Moreira ganha forma no antigo terreno do Aeroporto Carlos Prates. Desativada em abril de 2023, a área foi transformada em parque ecológico graças à atuação da líder comunitária, que defendeu o direito ao lazer e à convivência. Sua mobilização inspirou o nome do novo espaço. Ruas nomeadas por mulheres dentro da Avenida do Contorno Na região que corresponde à Belo Horizonte original, apenas duas ruas recebem nomes de mulheres: Bárbara Heliodora e Marília de Dirceu. Viaduto Helena Greco A trajetória de Helena Greco também marca a cidade. Primeira vereadora eleita em Belo Horizonte após a redemocratização, em 1982, ela iniciou a vida política aos 61 anos. Militante histórica, enfrentou a ditadura e pautou o combate às desigualdades de gênero, à violência e ao preconceito. Sua atuação se tornou referência na defesa dos direitos humanos. A trajetória de Helena Greco se tornou referência na defesa dos direitos humanos. Reprodução/TV Globo Confira os vídeos mais vistos no g1 Minas:

  3. O feriado do Dia do Trabalho, celebrado em 1º de maio, será oportunidade para desacelerar e aproveitar dias de descanso no interior paulista. Um resort em Atibaia prepara pacote especial entre 30 de abril e 3 de maio de 2026, com mínimo de quatro diárias e sistema all inclusive. Você já conhece o Atibaia Residence Hotel & Resort? A proposta é transformar o descanso em recompensa para quem se dedica o ano inteiro, oferecendo programação temática e experiências voltadas a todas as idades. Dia do Trabalho em maio Divulgação Lazer, gastronomia e música ao vivo Durante o período, os hóspedes terão acesso a uma agenda variada de atividades. Entre os destaques estão: Sistema All Inclusive, com refeições e bebidas incluídas Programação de lazer temática para todas as idades Churrasco com roda de samba raiz, reunindo gastronomia e música ao vivo HidroPower, atividade recreativa na piscina Atividades animadas para adultos Aula de dança Oficina do Chef, com experiências gastronômicas A programação busca equilibrar momentos de descontração, integração e descanso, aproveitando o clima ameno típico da época. Feriado prolongado Localizada a cerca de 65 quilômetros da capital paulista, Atibaia é conhecida pelo clima agradável e pela natureza que combina áreas verdes e serras. O destino costuma registrar aumento na procura durante feriados prolongados, especialmente por famílias que buscam hospedagens com estrutura completa. Atibaia Residence Divulgação Com atividades para crianças e adultos, a proposta é oferecer uma forma especial de celebrar o Dia do Trabalho: valorizando o descanso, o convívio familiar e a criação de memórias. A recomendação é antecipar reservas, já que o período inclui fim de semana prolongado e costuma ter alta demanda na rede hoteleira da região. Saiba mais aqui. A página Turismo Atibaia e Região é um oferecimento do Atibaia e Região Convention & Visitors Bureau – a ARC&VB.

  4. Vamos levar o tempo que for necessário, diz Trump sobre ofensiva contra o Irã Sem prazo claro para terminar, a campanha militar contra o Irã tem gerado especulações quanto à durabilidade dos estoques de munição para ataque e defesa dos Estados Unidos. A imprensa e observadores do nicho apontam para uma possível escassez no futuro próximo, em virtude da intensidade dos ataques perpetrados pelos dois países nos últimos seis dias, atingindo várias partes do Oriente Médio. Em resposta, o governo dos Estados Unidos descartou na quinta-feira (5) que possam faltar "vontade ou material" na sua chamada Operação Fúria Épica contra o regime dos aiatolás. "O Irã espera que nós não possamos sustentar isso, o que é um péssimo erro de cálculo," disse o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, a jornalistas na Flórida. "Nossos estoques de armas defensivas e ofensivas nos permitem sustentar esta campanha pelo tempo que for necessário." Os mísseis antibalísticos servem para proteger bases e navios militares de ataques, interceptando drones e mísseis. Em menos de uma semana, o Irã lançou mais de 2 mil drones contra alvos americanos no Oriente Médio ou aliados dos EUA na região, segundo informações do Pentágono citadas pela imprensa americana. INFOGRÁFICO - Arsenal do Irã disparado em ataques a países do Golfo Pérsico. Arte/g1 Ao lado de Hegseth, o almirante Brad Cooper, comandante supremo das forças americanas no Oriente Médio, argumentou, por sua vez, que os ataques iranianos com mísseis diminuíram em 90% desde o primeiro dia de guerra. Já os ataques com drones caíram 83%. "Estamos destruindo a sua habilidade de reconstruir. Enquanto transicionamos para a nova fase desta operação, vamos sistematicamente destruir a capacidade de produção de mísseis do Irã para o futuro," disse. Drones baratos, defesa cara Mas, enquanto a reposição de mísseis americanos de defesa exige tempo e altos volumes de recursos, os drones iranianos são relativamente baratos e substituíveis. A mesma tática já foi adotada pela Rússia, que vem usando um modelo persa contra a Ucrânia. Além disso, as preocupações ultrapassam o sistema de defesa da guerra no Oriente Médio. A Casa Branca também alimenta os sistemas de defesa em outros epicentros de tensão geopolítica, incluindo a própria Ucrânia e Taiwan, onde a China vem aumentando a pressão militar. Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot. Reprodução/Raytheon Technologies Fontes anônimas ouvidas pelo jornal americano Washington Post afirmaram que os Estados Unidos poderiam ter que, dentro de dias, começar a escolher quais alvos proteger de novos ataques. Para o comissário da Defesa da União Europeia (UE), Andrius Kubilius, os Estados Unidos "não serão capazes de fornecer mísseis suficientes" simultaneamente aos países do Golfo, à Ucrânia e às suas próprias forças armadas. "Tornou-se ainda mais urgente para nós, na Europa, aumentar a produção de sistemas de defesa aérea e de mísseis antibalísticos", afirmou o comissário, que iniciou nesta sexta-feira uma série de viagens para reforçar a produção europeia na área da defesa. Ele expressou particular preocupação com a Ucrânia, que, em quatro meses, precisa de aproximadamente 700 mísseis antibalísticos americanos Patriot, "mais ou menos o número que os fabricantes americanos são capazes de produzir num ano". Eles são os únicos eficientes no arsenal ucraniano para derrubar mísseis balísticos russos. Mísseis Patriot Kayan Albertin/Editoria de Arte g1 Aumento da produção O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, vem defendendo um aumento de 400% da produção europeia de defesa desde o ano passado. A Polônia, cujo espaço aéreo foi adentrado por drones russos em setembro, é uma das apostas para o setor, uma vez que é a maior beneficiária de um programa de crédito da União Europeia (UE) para este fim. Já o presidente Volodymyr Zelensky afirmou na quinta-feira que a Ucrânia vai assistir os EUA na derrubada dos drones iranianos por outros meios. Os quatro anos de guerra permitiram ao país desenvolver a expertise de defesa necessária. O Pentágono vem também buscando acelerar a produção doméstica de mísseis. Em janeiro, fechou um acordo com o seu maior fornecedor, a Lockheed Martin, para mais do que triplicar a capacidade de entrega anual de interceptores em sete anos, passando de 600 para 2 mil. Não está claro o que os Estados Unidos considerariam uma vitória na campanha militar contra o Irã, nem quando ela poderá terminar. Nesta semana, o presidente Donald Trump afirmou que a guerra poderia durar "quatro ou cinco semanas" e que armas "do nível mais alto" estão "em bom suprimento, mas não estão onde queremos que estejam". Trump fala em guerra de até 5 semanas Guerra bilionária Diante de novos ataques retaliatórios pelo Irã contra o Oriente Médio, Hegseth alertou que os bombardeios estavam "prestes a aumentar drasticamente". Já as forças armadas de Israel anunciaram nesta manhã que haviam iniciado "uma onda de ataques em grande escala" contra Teerã, a capital iraniana. Só nas cem primeiras horas de guerra contra o Irã, os EUA gastaram pelo menos 3,7 bilhões de dólares – ou seja, quase 900 milhões de dólares ao dia –, de acordo com uma análise do independente Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês). Cerca de 1,7 bilhão de dólares foi investido em interceptores aéreos, como o sistema Patriot, enquanto outros 1,5 bilhão de dólares foram destinados a mísseis e outras munições defensivas. Segundo o centro, estes quatro primeiros dias "são, tipicamente, os mais intensos de uma campanha aérea". Quase a totalidade dos gastos não estava orçada nas contas aprovadas pelo Congresso americano, ressaltou ainda o CSIS. A previsão é que, no caso do Irã, os custos comecem a cair à medida que as forças americanas optem por usar munições menos caras e o Irã reduza o ritmo de lançamento de drones e mísseis. Com base em campanhas aéreas passadas, o CSIS estima que custará mais de 3 bilhões de dólares aos EUA para repor o estoque de munições gastas na guerra. Já nas operações no Caribe que resultaram na captura de Nicolás Maduro em janeiro, o custo estimado foi de 31 milhões por dia, ou seja, quase trinta vezes menos do que no Irã.

  5. O desafio da reconstrução em Juiz de Fora Com 72 mortes confirmadas até este domingo (8), a tragédia provocada pelas chuvas da última semana de fevereiro na Zona da Mata mineira já é o quarto maior desastre causado por chuvas no Brasil na última década, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que monitora os dados desde 2016. O número coloca a região entre os episódios mais letais do país e revela a força destrutiva do evento climático que atingiu, sobretudo, Juiz de Fora e Ubá. A tragédia da Zona da Mata também já é considerada, conforme o Cemaden, o maior desastre por chuvas desde as enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024. 🔎 Para essas comparações, o Cemaden considera apenas os números de mortes confirmadas pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MDR). 'Curva de deslizamentos' anunciava tragédia que matou mais de 60 pessoas em Juiz de Fora Morro do Cristo: entenda qual é a formação e por que parte dele desmoronou em Juiz de Fora Além de fatal, a chuva histórica que caiu apenas na noite de 23 de fevereiro, quando foram registrados entre 100 e quase 150 mm em seis horas, provocou enchentes e enxurradas que deixaram mais de 8.500 desabrigados e desalojados. Entre eles, Marley Rodrigues, que morava no bairro Esplanada há mais de 60 anos. "Toda a minha família mora aqui. Tive o instinto de sair rápido, tiramos vizinho, minha mãe, meus irmãos e, graças a Deus, estamos aí na luta", relembrou. De acordo com a Defesa Civil, cinco pessoas morreram por conta da tragédia no bairro Esplanada e, quase 10 dias depois, os moradores ainda vivem a incerteza. Para minimizar danos, eles mesmos construíram uma contenção para evitar que a água da chuva escorra pelo barranco que deslizou. "Já conteve bastante aqui, não teve mais problema nenhum, mas o que a gente quer agora é solução. Saber se algumas pessoas podem voltar para casa ou não", disse outro morador do local, Washington Luiz de Oliveira. Já na cidade vizinha de Ubá, o comerciante Jucelito Gomes contou que a água ultrapassou um metro e meio de altura no Centro da cidade destruindo várias lojas e levando ao prejuízo centenas de pessoas. "Não deu pra salvar nada e é muito tenso, né. Não é só a perda material, a gente fica psicologicamente abalado, a gente não dorme, À noite, quando dá uma chuva, a gente acorda assustado com medo de acontecer algo. A gente perde aquela segurança de dormir em paz". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Mortes em Juiz de Fora durante desastre de fevereiro de 2026 Os cinco maiores desastres no Brasil dos últimos 10 anos De acordo com o Cemaden, na última década, esses foram os desastres pluviométricos mais letais no país: 1️⃣Petrópolis: 233 óbitos Em fevereiro de 2022 foi registrada a pior tragédia climática da história de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, com mais de 230 mortes. O Centro da cidade ficou inundado e houve um deslizamento no Morro da Oficina, no bairro Alto da Serra, com pelo menos 80 casas atingidas. Além disso, uma correnteza extremamente forte arrastou dois coletivos. 2️⃣Rio Grande do Sul: 184 óbitos Entre abril e maio de 2024, o Rio Grande do Sul teve 96% das cidades atingidas pelas enchentes que culminaram em uma das maiores catástrofes naturais da história do estado. 3️⃣Região Metropolitana do Recife: 128 óbitos Em maio de 2022 ocorreu o maior desastre Pernambuco no século 21 provocado por chuvas e deslizamento de barreiras, com quase 130 mortes. De acordo com Cemaden, foram registrados 64 óbitos em Jaboatão dos Guararapes, 50 em Recife, 7 em Camaragibe, 6 em Olinda e 1 em Paulista. 4️⃣Zona da Mata: 72 óbitos até a publicação desta reportagem Diversos bairros de Juiz de Fora tiveram deslizamentos de encostas e casas soterradas após as chuvas da última semana, sobretudo o temporal de segunda-feira (23), contabilizando 65 óbitos. Ubá também teve temporais e enchentes e somou 7 mortes. As cidades de Cataguases e Matias Barbosa também foram muito afetadas pelas chuvas, mas não registraram mortes. 5️⃣Litoral Norte do estado de São Paulo: 65 óbitos Em fevereiro de 2023, a região do Litoral Norte de São Paulo registrou um temporal devastador que culminou em 64 mortes na cidade de São Sebastião e uma em Ubatuba. Casas foram destruídas e rodovias bloqueadas. A cidade mais prejudicada foi São Sebastião, onde a Vila Sahy foi a mais atingida por deslizamentos de terra e ficou totalmente destruída. Já em Ubatuba, uma menina de 7 anos morreu após uma pedra de duas toneladas deslizar e atingir o local onde ela morava. Juiz de Fora: 3º maior volume de chuva dos últimos 30 dias, mas teve as piores consequências Dezenas de casas foram soterradas no Parque Burnier, em Juiz de Fora TV Integração Conforme os dados do Cemaden até sexta-feira, 27 de fevereiro, Juiz de Fora foi a terceira cidade brasileira com maior volume de chuva nos 30 dias anteriores, com quase 600 milímetros. Em primeiro e segundo lugar aparecem os municípios litorâneos do estado de São Paulo: Ubatuba, com mais de 600 milímetros, e Peruíbe, com cerca de 700 milímetros. As cidades paulistas registraram alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra. Ubatuba e Peruíbe estão com centenas de desabrigados, mas, até o momento, nenhuma morte foi informada. Segundo o diretor substituto do Cemaden, Pedro Ivo Camarinha, é comum, de certa forma, cidades litorâneas terem volume de chuva muito expressivo. Mas Juiz de Fora estar entre as três cidades com maior índice pluviométrico sai do comportamento natural. "Uma cidade como Juiz de Fora, lá dentro do continente, isso não é comum. Juiz de Fora chega a volumes pluviométricos próximos aos de cidades litorâneas que se destacam com maior quantidade de chuva, mesmo estando longe do oceano, o que é realmente um caso bastante particular. Não é comum termos tantos volumes de chuva acontecendo em vários dias em sequência, como está acontecendo aí", afirmou Camarinha. LEIA TAMBÉM: FOTOS: veja a destruição provocada pela chuva em Juiz de Fora VÍDEO mostra prédio desabando em Ubá 'Perdemos tudo, móveis, carros, tudo', desaba moradora Quem são as vítimas da chuva em Juiz de Fora Juiz de Fora teve o mês mais chuvoso da série histórica e episódio do Inmet Juiz de Fora é a 9ª cidade com maior população em áreas de risco De acordo com um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora é a 9ª cidade do Brasil com maior população em áreas de risco de deslizamentos, enchentes e enxurradas. População de Juiz de Fora: 540.756 habitantes Pessoas que vivem em áreas de risco: 128.946 Percentual da população em áreas de risco: 23,7% Áreas de risco: Deslizamentos, enchentes e enxurradas. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes .

  6. Maria* viveu o que descreve como um dos maiores pesadelos profissionais para uma mãe recente. Tirou seis meses de licença-maternidade e, em seguida, mais 30 dias de férias. Dois meses após retornar ao trabalho, foi demitida. Como nunca havia recebido avaliação negativa ou feedback desfavorável, acredita que o desligamento esteja diretamente relacionado ao afastamento para cuidar do bebê. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Formada em Enfermagem e Biomedicina, ela atua há dez anos na indústria farmacêutica. Para voltar ao trabalho, reorganizou toda a rotina familiar: contratou uma babá e enfrentou o período de introdução alimentar para que o filho dependesse menos dela. “Eu fiquei arrasada. Ser desligada de repente, com um filho pequeno e toda a minha família dependente do plano de saúde da empresa, foi um choque enorme. Eu realmente fiquei sem chão”, relembra a profissional, que conseguiu se recolocar rapidamente por indicação de colegas. Segundo a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), as mulheres têm direito à licença-maternidade de 120 dias, sem alteração no salário ou no vínculo empregatício. O período pode ser prorrogado por mais 60 dias quando a empresa participa do Programa Empresa Cidadã. O período de estabilidade começa na concepção e vai até cinco meses após o parto, ou após a concessão da guarda provisória em casos de adoção. Após esse prazo, a trabalhadora pode ser desligada sem justa causa. Mais de 380 mil desligamentos após a licença Dados do sistema eSocial, obrigatórios desde janeiro de 2020 para o registro de demissões, mostram que a situação relatada por Maria ocorreu com mais de 380 mil mulheres nos últimos cinco anos. O levantamento foi realizado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os dados abrangem demissões realizadas em até dois anos após o término da licença-maternidade. Entre 2020 e 2025, foram registrados: 383.737 dispensas sem justa causa; 265.515 pedidos de demissão; 13.544 distratos (rescisão em comum acordo); 50.545 desligamentos em empresas participantes do Programa Empresa Cidadã. Dispensas do trabalho entre 2020 a 2025 sem justa causa Arte g1 A Secretaria de Inspeção do Trabalho ressalta que não há levantamento específico sobre demissões ocorridas dentro do período de estabilidade. Isso porque o eSocial não possui campo próprio para registrar gestação ou estabilidade provisória. Assim, casos de demissão nesse período chegam ao Ministério do Trabalho principalmente por meio de denúncias feitas pelas próprias trabalhadoras, o que dificulta a consolidação de estatísticas mais precisas. Esses desligamentos podem indicar dispensa discriminatória ou ausência de políticas de retenção da mão de obra feminina, especialmente diante da falta de ações que incentivem o compartilhamento das responsabilidades de cuidado. Segundo Bemergui, que é coordenadora nacional de Combate à Discriminação, ao Assédio e à Violência e Promoção da Igualdade de Oportunidades no Trabalho (Conaigualdade), a permanência das mulheres no mercado de trabalho após a licença-maternidade ainda é um desafio estrutural. Ela afirma que muitos empregadores não adotam políticas efetivas de apoio ao compartilhamento das responsabilidades de cuidado. Dados do Relatório de Transparência Salarial do segundo semestre de 2025 indicam que menos da metade das empresas com mais de 100 empregados no Brasil possuem políticas de flexibilização de jornada voltadas à parentalidade. Outro problema apontado é a falta de estruturas de apoio para o cuidado com os filhos. Fiscalizações realizadas pela SIT em 2024 e 2025 identificaram alto descumprimento da obrigação prevista na CLT de oferecer local para guarda dos filhos das trabalhadoras ou auxílio-creche. A auditora ainda afirma que a concentração elevada de demissões de mulheres após o retorno da licença-maternidade pode ser um indicativo de discriminação no ambiente de trabalho. A apuração, no entanto, depende de uma ação fiscal que envolve análise documental, técnicas de auditoria e investigação. Caso a prática discriminatória seja comprovada, a empresa pode receber auto de infração e multa administrativa. Bemergui explica ainda que trabalhadoras que se sentirem discriminadas podem registrar denúncia no canal do Ministério do Trabalho, procurar o sindicato da categoria ou o Ministério Público do Trabalho. De acordo com a Secretaria, os dados do eSocial também são utilizados para identificar padrões de desligamento após a licença-maternidade e orientar ações de fiscalização em empresas ou setores que concentrem esses casos. As informações, porém, servem apenas como indícios. A confirmação da discriminação ocorre durante investigação conduzida pela auditoria fiscal do trabalho. A legislação assegura estabilidade no emprego à gestante até cinco meses após o parto — período que inclui a licença‑maternidade de 120 dias. Freepik Denúncias ao Ministério Público do Trabalho crescem Nos últimos três anos, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 1.229 denúncias envolvendo violações ao direito à licença-maternidade e outras formas de discriminação relacionadas ao cuidado, como gestação e amamentação. Houve um salto significativo no número de registros: de 307 denúncias em 2023 para 559 em 2025, aumento superior a 80% no período. As queixas abrangem todo o ciclo reprodutivo, desde dispensas logo após a confirmação da gravidez até obstáculos enfrentados por mulheres que retornam da licença e tentam exercer o direito aos intervalos para amamentação. Segundo o coordenador nacional da Coordigualdade, Igor Sousa Gonçalves, o órgão identifica um padrão recorrente de “descarte” ou isolamento das trabalhadoras assim que se encerra a estabilidade de cinco meses após o parto. “O Ministério Público do Trabalho tem respondido a esse aumento com mais rigor na fiscalização e por meio de ações, como a criação do Grupo de Trabalho ‘Gênero e Cuidado’, responsável pela elaboração de materiais informativos e pela realização de campanhas de conscientização”, afirma. Outro ponto destacado por Gonçalves é que o número de denúncias parece baixo porque considera apenas registros classificados especificamente na categoria maternidade. Na prática, muitos casos envolvendo gestantes ou lactantes acabam enquadrados em categorias mais amplas, como assédio moral ou discriminação, sem a identificação específica da maternidade, o que faz com que os dados representem apenas parte do problema. Muitas vezes, o denunciante foca no comportamento abusivo do empregador e não na gestação. Por isso, os 559 registros devem ser vistos como um ‘piso’ do problema.” Ainda de acordo com o órgão, nos últimos três anos foram instaurados 471 inquéritos civis, firmados 52 termos de ajustamento de conduta e ajuizadas nove ações civis públicas relacionadas ao tema. Para o MPT, o crescimento dos registros reflete tanto maior conscientização das trabalhadoras — que estão perdendo o medo de denunciar — quanto a persistência de práticas discriminatórias no mercado de trabalho. Direitos da gestação até o retorno ao trabalho A legislação brasileira garante uma série de direitos às mulheres desde a confirmação da gravidez até o período posterior ao parto. Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, sócia do escritório A. C. Burlamaqui Advogados, a gestante tem estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez — independentemente de a trabalhadora ou a empresa já terem conhecimento da gestação. Isso significa que, até cinco meses após o parto, a trabalhadora não pode ser demitida sem justa causa. Durante esse período, também tem direito à licença-maternidade de 120 dias, sem alteração no salário ou no vínculo empregatício. Nas empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, esse prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias, fazendo com que a licença chegue a 180 dias. Convenções ou acordos coletivos firmados com sindicatos também podem ampliar esse período. A advogada destaca ainda que mudanças recentes na legislação passaram a prever que o início da licença-maternidade ocorra a partir da alta hospitalar da mãe ou do recém-nascido — o que ocorrer por último —, garantindo maior proteção em casos de internação prolongada. Além disso, a CLT assegura outros direitos à gestante, como: Possibilidade de transferência de função, sem redução salarial, quando as atividades representarem risco à saúde da mãe ou do bebê; Liberação para pelo menos seis consultas médicas e exames durante a gravidez, sem prejuízo do salário. Apesar dessas garantias, a advogada ressalta que a estabilidade está vinculada à condição de gestante, e não ao período da licença-maternidade. Assim, após o fim do prazo legal de estabilidade, não há garantia automática de permanência no emprego, exceto quando houver previsão em acordos coletivos ou políticas internas da empresa. Ainda assim, demissões relacionadas à maternidade podem ser consideradas discriminatórias. Segundo Burlamaqui, situações como dispensa logo após o retorno ao trabalho, ausência de avaliações negativas anteriores ou alegações de baixo desempenho sem histórico documentado podem levantar suspeitas de discriminação. Nesses casos, a Justiça do Trabalho pode reconhecer a prática como discriminação de gênero. Com base na Lei nº 9.029/1995, que proíbe práticas discriminatórias na relação de trabalho, a trabalhadora pode optar entre: Ser reintegrada ao emprego, com pagamento dos salários do período afastado; Receber indenização em dobro, além de eventual indenização por danos morais. “A maternidade não altera, por si só, os parâmetros de desempenho esperados no trabalho. A proteção legal existe justamente para evitar que a maternidade seja tratada como obstáculo à trajetória profissional das mulheres”, afirma a advogada. Ela ressalta que o desafio, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais, é garantir que essa proteção se traduza em condições reais para que as mulheres possam conciliar maternidade e carreira sem sofrer discriminação ou perda de oportunidades. Senado aprova aumento gradual de duração da licença-paternidade, chegando a 20 dias em 2029 Desafios no mercado de trabalho Uma pesquisa da Pluxee mostra que a maternidade ainda representa um obstáculo relevante para muitas mulheres no mercado de trabalho. Segundo levantamento, 60% afirmam já ter enfrentado dificuldades profissionais em razão dos filhos. Entre os principais problemas estão dificuldade para negociar horários flexíveis (42%), perda de oportunidades de promoção (33%) e discriminação em processos seletivos (33%). Diante dessas barreiras, muitas mulheres buscam alternativas para permanecer no mercado. Cerca de 29% passaram a procurar outro emprego na mesma área, enquanto 25% deixaram temporariamente o trabalho para cuidar dos filhos. O levantamento também aponta que 27% das mães dizem não receber nenhum tipo de apoio das empresas. Embora 60% considerem a licença-maternidade adequada, benefícios como horários flexíveis (24%), auxílio-creche (23%) e trabalho remoto (10%) ainda são pouco frequentes. Resultados semelhantes aparecem na pesquisa Mães 2025, da Catho, realizada com mais de 2,4 mil entrevistadas. O estudo mostra que, embora 70% das mães estejam empregadas, muitas relatam desigualdade salarial, preconceito e dificuldades para conciliar carreira e cuidados com os filhos. Quase 40% acreditam receber menos do que colegas homens ou mulheres sem filhos no mesmo cargo, e mais da metade afirma já ter sido questionada, em entrevistas de emprego, sobre filhos ou planos de maternidade — perguntas consideradas discriminatórias pela legislação trabalhista. O impacto da maternidade também aparece nas oportunidades profissionais: mais de um terço das entrevistadas acredita já ter perdido uma promoção por estar grávida ou por ser mãe. Além disso, o medo de represálias no trabalho é recorrente: 60% já deixaram de exercer atividades relacionadas aos filhos por receio de perder o emprego, e quase metade admite ter faltado a momentos importantes da vida deles pela mesma razão. Para Marcela Zaidem, fundadora da Cultura na Prática (CNP) e especialista em cultura organizacional, esses números mostram que a discriminação contra mães raramente aparece de forma explícita. Isso porque, na maioria das vezes, a discriminação surge em decisões aparentemente pequenas, repetidas e “bem-intencionadas”, mas que acabam limitando a progressão profissional. “A mulher volta e começam as concessões: menos projetos críticos, menos exposição, menos decisão. A carreira estaciona sem que ninguém diga que estacionou”, afirma. Nos processos seletivos, ela destaca que o problema não é questionar a disponibilidade, mas usar essas perguntas como atalho para concluir que mães entregam menos. “Quando a pergunta vira filtro para descartar, aí virou discriminação”, completa. Maior engajamento A 3ª edição do estudo Engaja S/A 2025, realizado pela Flash em parceria com a FGV-EAESP e divulgada em outubro, mostra que políticas de apoio à parentalidade estão associadas a níveis mais altos de engajamento no trabalho. Entre profissionais com filhos e acesso a benefícios parentais, o índice de engajamento chega a 64,7% entre mulheres e 59,7% entre homens, as maiores taxas entre os grupos analisados. Já entre pessoas com filhos sem esse tipo de apoio, o engajamento cai para 38,9% e 36,1%, respectivamente.Os resultados indicam que políticas de cuidado não são apenas uma questão de equidade, mas também estão associadas a maior engajamento, produtividade e retenção de talentos. Engajamento por gênero, filhos e benefícios parentais Arte g1 Os resultados indicam que políticas de cuidado não são apenas uma questão de equidade, mas também estão associadas a maior engajamento, produtividade e retenção de talentos. A experiência de Letícia Lázaro Roque, de 28 anos, ilustra esse cenário. Moradora de São Paulo e coordenadora de implementação na plataforma de RH da Factorial, ela descobriu a gravidez ainda no período de experiência e, ao contrário do que temia, recebeu apoio da empresa. “Eu engravidei com dois meses de casa. Foi um choque para mim e para o meu gestor, mas tive total apoio”, relembra. Letícia havia sido contratada enquanto fazia uma transição de carreira, saindo da área de vendas para atuar em pós-vendas. Mesmo com pouco tempo na empresa, foi promovida a sênior durante a gestação e, após retornar da licença-maternidade de seis meses, recebeu nova promoção, desta vez para coordenadora. Segundo ela, o crescimento foi possível graças ao apoio da liderança e às políticas de flexibilidade da empresa, como modelo híbrido, horários ajustáveis e benefícios voltados à parentalidade, incluindo auxílio-creche e plano de saúde para dependentes. Apesar dos desafios da rotina com duas crianças pequenas, Letícia diz nunca ter enfrentado pressão no trabalho. “Às vezes minhas filhas aparecem no fundo da câmera, mas hoje isso é compreendido. O que importa é o resultado”, afirma. Ela reconhece, no entanto, que sua experiência ainda é incomum. “Conversei com outras mães e percebi o quanto minha realidade foi diferente. Sei que a minha situação ainda é exceção”, completa. Letícia Lázaro Roque é mãe de duas filhas e foi promovida quando estava grávida e após retornar da licença-maternidade. Arquivo Pessoal Soluções que podem reduzir desigualdade Para Marcela Zaidem, fundadora da Cultura na Prática (CNP) e especialista em cultura organizacional, o problema não está na legislação, mas na forma como as organizações estruturam – ou deixam de estruturar – o ciclo da parentalidade. Segundo ela, muitas empresas ainda tratam a maternidade como uma exceção, quando deveria ser incorporada como uma etapa natural e previsível da vida profissional de qualquer trabalhador — tanto homens quanto mulheres. “Não é um problema a resolver; é um ciclo que exige gestão madura: cobertura bem feita, clareza de escopo, retorno estruturado e avaliação justa”, afirma. Na prática, porém, há um descompasso entre a proteção legal e o impacto na carreira. “A lei protege o vínculo, mas não protege a trajetória.” Já na visão de Ana Minuto, palestrante e CEO da Minuto Consult, o mercado de trabalho brasileiro ainda opera sob a lógica de que o “trabalhador precisa estar integralmente disponível”, um modelo incompatível com a realidade do cuidado, historicamente atribuída às mulheres. Outro ponto crítico é o retorno ao trabalho após a licença. Muitas mulheres voltam sem o suporte necessário e acabam se sentindo deslocadas. Depois de meses afastadas, retornam a organizações que muitas vezes passaram por mudanças — novas lideranças, novos processos e equipes reorganizadas. Sem um programa estruturado de reintegração, é comum relatarem perda de pertencimento, visibilidade e oportunidades. Por isso, Ana defende uma série de políticas organizacionais para apoiar mães e pais e promover maior equidade. Entre as iniciativas mais relevantes estão: Creches internas ou convênios com creches próximas; Programas estruturados de retorno da licença-maternidade, com mentoria e acompanhamento nos primeiros meses; Auxílio-creche; Modelos de trabalho flexíveis; Políticas claras contra discriminação por maternidade; Processos de promoção mais transparentes; Incentivo à licença parental para homens, favorecendo a divisão do cuidado. Segundo Minuto, essas ações não são apenas medidas de equidade, mas estratégias de retenção de talentos. “Quando as empresas apoiam o cuidado, retêm profissionais experientes e qualificadas que, sem suporte, acabam deixando o mercado.” Para reduzir o impacto da maternidade na carreira das mulheres, Marcela destaca que o caminho não passa por discursos institucionais ou benefícios pontuais, mas por processos claros e responsáveis. Isso inclui: Planejamento da cobertura antes da saída; Retorno com escopo e prioridades definidos; Proteção explícita da rota de carreira da profissional; Acompanhamento de indicadores como retenção pós-retorno, promoções e evolução salarial. “Se você não mede, vira opinião. E quando vira opinião, o viés entra pela porta da frente”, afirma. * Nome fictício para preservar a identidade da entrevistada. Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho

  7. Dia da Mulher: conheça histórias de mulheres empreendedoras que começaram do zero O Dia da Mulher surgiu a partir de movimentos no início do século XX, organizados por mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho, salários dignos e outros direitos fundamentais. Cem anos depois, mulheres empreendedoras têm investido em seus sonhos e começaram seu negócio do zero. Com muito esforço e dedicação conseguiram destaque em diversas áreas. Conheça algumas dessas histórias inspiradoras. O g1 conversou com mulheres que venceram o medo e os desafios para seguir em busca de sonhos. São mães, empresárias, empreendedoras da moda, da beleza e dos sabores. Exemplos de quem venceu e que também podem ser inspiração para quem deseja dar o primeiro passo. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Beleza e entrega Naiane Alves, proprietária do Na.Salon Antônio Carlos Cardoso O salão da cabeleireira, esteticista, cosmetóloga e empresária Naiany Alves completou 18 anos e fica em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Hoje, com 33 anos, ela conta que começou a trabalhar nesse ramo com apenas 14 anos, atendendo na área de sua casa, e pediu para a mãe, de presente de 15 anos, um curso técnico de cabeleireira. "Fiz e iniciei os atendimentos de forma simples e com poucos recursos, mas com a meta de entregar os melhores resultados", ela conta. "Com isso, fui ganhando espaço e a confiança da cidade, fazendo minha cartela de cliente. Mesmo muito jovem, dei o primeiro passo de construir meu primeiro espaço na frente de casa mesmo. Nessa época, mesmo com pouco espaço de um salão de bairro, os números já surpreendiam quem entendia de finanças", conta orgulhosa. Segundo a Naiany, em 2013 ela se graduou em estética e cosmética pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e seguiu fazendo especialização na parte capilar, que ela descreve como sua paixão. Ela conta ainda que, no começo, empreendia sem nenhuma noção de gestão financeira e, aos poucos, foi se organizando, vendo resultados e entendendo o que era empreender de fato. LEIA TAMBÉM: Goiás lança operação de combate à violência contra mulheres com prisões e monitoramento de agressores De presidente do STJ a cientista: conheça histórias de goianas inspiradoras Naiany contou que, durante o crescimento do salão, ela se casou, foi mãe do Noah, hoje com 7 anos, conquistou sonhos e investiu ano a ano em seu negócio. Segundo ela, há quatro anos se separou e precisou se dividir entre a maternidade e o empreendedorismo, época em que se reinventou. "Maior que o medo e as dificuldades ao empreender sendo mulher e mãe, é o propósito que cada uma de nós carregamos", afirmou. "Vim de uma família simples. Meu pai trabalhou de varrer ruas por anos, depois de ajudante de pedreiro. Minha mãe, do lar, e fazia bicos como empregada doméstica. Eles que me ensinaram a integridade que tenho hoje como mulher, mãe, empresária; que a base de tudo é Deus e muito trabalho honesto", destacou Naiany. Moda e identidade Brenda Raylla, dona da loja Brenda Closet Reprodução/Arquivo pessoal Brenda Raylla Cassiano tem de 27 anos e é formada em pedagogia. Antes de se tornar empresária, chegou a trabalhar como professora. Há sete anos ela tem uma loja de roupas, mas, antes disso, ela disse que a fé em Deus a guiou para começar no ramo das vendas. "Comecei vendendo roupas de porta em porta. Depois, atendi no quarto da casa da minha avó. Era o começo de um sonho enorme. Hoje estou na avenida principal da cidade", diz orgulhosa. Segundo a empresária, ela começou como sacoleira e foi crescendo e aprendendo com os erros. Brenda conta que, por ser mulher e jovem, muitas vezes não foi levada a sério no início, mas escolheu continuar lutando pelo que acreditava. "Quando uma mulher cresce, ela abre caminho para outras crescerem também. Isso é transformação social", afirma. Brenda diz que, no começo, o maior desafio foi o medo e a instabilidade financeira. Ela lembra que empreender é arriscar e exige constância diariamente, abrir mão da segurança para acreditar em algo maior. Os desafios continuam para manter padrão, inovar, lidar com concorrência e gerir as demandas da loja. "Eu vendo mais do que moda. Eu vendo identidade. A moda feminina precisa ser feita por mulheres que entendem outras mulheres — nossas inseguranças, nossos sonhos, nossa força, elevar a autoestima, fazer a mulher se sentir linda, confiante e valorizada", destacou. Símbolos de amor e autoestima Susane Rocha, dona da Maryá Joias Reprodução/Arquivo pessoal A Susane Rocha Alves, de 40 anos é empresária do ramo de joias em prata há seis anos. Ela conta que, antes de começar sua loja, foi supervisora de uma grande marca de cosméticos e, quando a pandemia veio e o medo do desemprego surgiu, resolveu começar seu próprio negócio. Então, usou o dinheiro do seu acerto para comprar peças e começar a oferecer para as clientes. "Aí foi fluindo. Sempre dá um pouquinho de trabalho. Fiquei assim mais ou menos dois anos. E aí fiz minha loja online no Instagram", conta Susane. Ela é mãe solo e o nome da sua loja é uma homenagem aos dois filhos. Com as vendas aumentando pelas redes sociais, ela sentiu que precisava de um espaço maior e aí surgiu a loja física. Ela destaca a identificação de outras mulheres. "Grande parte das clientes de joias são mulheres. Quando elas veem outras mulheres criando, vendendo e liderando, a identificação é imediata. Isso gera confiança e proximidade com a marca", afirmou. Para a empresária, os desafios são muitos. Segundo ela, existe o medo de não dar certo e é preciso se dedicar 100% todos os dias para que as coisas funcionem. Uma montanha-russa de sentimentos que enfrenta com fé. "Falo com Jesus e o medo vai embora! Quando você se torna um empreendedor, sua fé vira inabalável", afirma. De acordo com a Susane, vender é uma coisa que está no sangue e a maior motivação e força são os seus filhos. Para ela, cada cliente tem uma história e as joias carregam significado de amor, conquista, autoestima e momentos inesquecíveis. Cafés especiais Gabriella Zanella, franqueada da cafeteria Cheirin Bão, em Goiânia Reprodução/Arquivo pessoal O desejo de empreender sempre esteve com a Gabriella Vianna Zanella, que é de Goiânia e formada em administração, além de ser empresária do ramo de cafeterias. Ela conta que tudo começou há um ano e seis meses, depois de uma feira de franquias em que ela participou em São Paulo. Hoje, ela tem uma equipe formada apenas por mulheres. "Me encantei pela proposta da marca, pelo conceito acolhedor e, principalmente, pelo diferencial dos cafés especiais. Após algumas reuniões e análises, decidi investir e foi uma das decisões mais importantes da minha trajetória", contou. Segundo a Gabriella, por não ter sócios, ela precisou assumir todas as funções no início, como atendimento, estoque, compras, organização e gestão de equipe. Ela destaca que, apesar do período desafiador, essa experiência de viver cada etapa do processo a fez ver como tudo funciona na prática, e isso fez toda a diferença. Gabriella contou que, no começo, seu desafio principal foi aprender a gerenciar estoque e acertar o período das compras que, segundo ela, é fundamental no ramo alimentício. Hoje, ela precisa manter a loja em constante movimento e buscar novos clientes diariamente, ao mesmo tempo que fortalece o relacionamento com quem já é cliente. "Além do atendimento presencial, trabalhamos com delivery, o que amplia nosso alcance e permite que mais pessoas conheçam nossos produtos no conforto de casa. Também utilizamos as redes sociais, como Instagram e Facebook, para relacionamento e captação de novos clientes", disse a empreendedora. Estética e cuidado Dra. Francielly Fernandes Yan Salvatierra A doutora Francielly Rosa Fernandes é dentista desde 2012 e há seis anos trabalha exclusivamente na área da estética com harmonização facial. Ela conta que hoje tem um consultório próprio em Goiânia, onde realiza os atendimentos, além de atender pacientes no interior do estado com agenda pré-programada. Segundo Francielly, entre os desafios da sua profissão está o marketing barato, onde alguns profissionais divulgam preços e não os valores reais do seu trabalho. Ela destaca que a estética vai além do procedimento em si. "Mulheres têm uma sensibilidade maior para a estética, pois ela é o cuidado, a atenção; há todo um contexto por trás de uma consulta", destaca. Para Francielly, a felicidade de cada paciente depois de se ver no espelho é a maior motivação para realizar seu trabalho. Ela confessa que ama a estética e reforça que trabalhar com o que se ama é muito prazeroso. "Minha maior motivação é ver a felicidade dos meus pacientes pós-procedimentos, elevando a autoestima, devolvendo o amor-próprio ao se ver no espelho. Levar o bem a cada um que entra por aqui", afirma a doutora Francielly. Propósito e transformação Dra. Milena Hirota Reprodução/Arquivo pessoal A doutora Milena Hirota, de 42 anos, atua na área da estética avançada, com foco em harmonização orofacial. Sua especialidade é em protocolos personalizados de rejuvenescimento e contorno. Milena contou que a estética surgiu em sua vida como propósito, não apenas como profissão. "Sempre fui apaixonada por autoestima, cuidado e transformação. Ver o impacto emocional que um procedimento pode gerar na vida de uma mulher foi o que me fez ter certeza de que eu estava no caminho certo", disse. Segundo Milena, por ser mulher, no início enfrentou o desafio de precisar provar sua capacidade constantemente, e seu maior desafio é conseguir se posicionar em um mercado altamente competitivo para construir uma marca forte. "Muitas vezes a mulher precisa trabalhar o dobro para ser reconhecida da mesma forma. Além disso, conciliar carreira, maternidade e vida pessoal exige equilíbrio e força. Mas cada obstáculo me fortaleceu e me fez ter ainda mais certeza da minha capacidade", afirmou. De acordo com a doutora Milena, ter mulheres trabalhando com estética é fundamental e deixa como conselho que estudem muito, não busquem atalhos, construam autoridade com base em conhecimento, prática e ética, e que nunca duvidem da sua capacidade. "A mulher tem sensibilidade, olhar estético apurado e entende profundamente as dores e inseguranças de outras mulheres. A estética vai muito além da aparência; ela toca diretamente na autoestima", destacou. Autoestima e superação Diolange Lopes Carneiro Reprodução/Arquivo pessoal A cabeleireira especializada em produção de penteados e maquiagem de noivas, Diolange Lopes Carneiro, tem 15 anos de profissão e atende suas clientes em Anápolis. Ela disse que começou a trabalhar como manicure e depois como assistente em um salão da cidade, mas, para que pudesse ficar mais próxima dos três filhos, resolveu abrir o próprio salão. "Busquei ter bastante conhecimento e sempre observando para que pudesse me tornar uma profissional autônoma. Devido a ser mãe solo, queria estar mais próxima dos meus filhos, então passei a fazer atendimento home office e fui aos poucos conquistando meu espaço", contou. Diolange contou que precisou recomeçar várias vezes: primeiro, depois que perdeu tudo por causa de um sócio; depois, ela e a filha, Anneliese Carneiro, abriram um ateliê em casa, mas, por causa da pandemia, precisaram fechar as portas. Um tempo depois, passaram a trabalhar no espaço de um amigo, mas novamente pararam por causa de um acidente com a filha. "Hoje estamos retomando os atendimentos após 4 anos do acidente dela", contou Diolange. Entre as dificuldades enfrentadas durante sua trajetória, Diolange destacou que a aceitação não era muito boa por ser mãe solo; apesar disso, ela conta que não desistiu de buscar seus sonhos. "Hoje minha maior motivação são meus três filhos: Anneliese, Moisés e Davi. E o amor que tenho em poder, de alguma forma, cuidar do próximo; isso me dá vida", afirma. Segundo a Diolange, o ramo de trabalho que ela escolheu toca em um ponto crucial de toda mulher: a autoestima. Por isso, ela deixa como incentivo para outras mulheres que nunca desistam. "Seja você e não desista, independente dos obstáculos. Jamais esqueça quem você era, de onde veio e quem estendeu a mão quando você estava caído", disse. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

  8. Um terço dos jovens diz que mulher deve obedecer ao marido, aponta pesquisa Apesar da ideia de que as novas gerações defendem mais a igualdade de gênero, uma pesquisa global com 23 mil pessoas revelou que homens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) são os que mais concordam com visões tradicionais sobre o comportamento de homens e mulheres na sociedade. O levantamento realizado pela Ipsos em parceria com o Instituto Global de Liderança Feminina do King's College London aponta que 31% dos jovens homens acreditam que a esposa deve sempre obedecer ao marido, um índice mais que o dobro do registrado entre os homens da geração Baby Boomer (nascidos entre 1946 e 1964). Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o resultado chama atenção, mas não chega a ser surpreendente. O crescimento de visões conservadoras entre parte dos jovens sobre as relações entre homens e mulheres já vem sendo observado em diferentes pesquisas e reflete um momento mais amplo de fortalecimento do conservadorismo moral na sociedade. As redes sociais também contribuem para a formação de ambientes que reforçam e reproduzem esses valores. Geração Z e Baby Boomers: visões sobre papéis de gênero Arte g1 Resultados do Brasil Os novos dados mostram que o Brasil está entre os países com maiores percentuais de concordância com algumas afirmações ligadas a visões tradicionais sobre homens e mulheres. 70% dos brasileiros sentem que está sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade, um índice muito superior à média global de 46% ➡️Homens que cuidam dos filhos são menos masculinos No Brasil: 16% dos homens concordam que homens que participam do cuidado com os filhos são menos masculinos 16% dizem não concordar nem discordar O país aparece na 8ª posição entre 29 países. Na média global: 21% dos homens da Geração Z concordam 19% dos Millennials concordam 8% dos Baby Boomers concordam ➡️Uma mulher “de verdade” não deve iniciar o sexo No Brasil: 17% concordam totalmente com a afirmação 20% dizem não concordar nem discordar O país ocupa a 7ª posição entre 25 países com maior percentual de concordância. Na média global: 21% dos homens da Geração Z concordam 16% dos Millennials 7% dos Baby Boomers ➡️A esposa deve sempre obedecer ao marido No Brasil: 21% concordam com a afirmação 20% dizem não concordar nem discordar O país ocupa a 9ª posição entre 29 países. Na média global: 31% dos homens da Geração Z concordam 29% dos Millennials 13% dos Baby Boomers “O espanto de que quase um terço dos jovens concordem com uma afirmação que representa um valor tradicional de gênero vem da crença de que existe um caminho inflexível em direção à adesão a valores mais igualitários em relação ao gênero e à expressão das liberdades individuais a cada nova geração. Mas nenhuma experiência humana é estática e caminha em uma só direção. Esta é a primeira questão importante. A segunda é entender que existe uma diversidade entre os países muito importante de ser tratada”, complementa Felicia Picanço. Por que ideias tradicionais sobre o papel da mulher ainda persistem? Parte dessa persistência se explica pelo peso das normas culturais e sociais transmitidas ao longo das gerações. Embora muitas pessoas entrevistadas no estudo defendam, no plano individual, uma divisão mais igualitária das responsabilidades entre homens e mulheres, as expectativas sociais ainda associam tarefas como cuidados com a casa e com os filhos às mulheres, enquanto o papel de provedor permanece mais ligado aos homens. “Eu entendo que o fato de um terço dos homens da geração Z concordarem que a esposa deve obedecer ao marido reflete discursos que existem na sociedade há muito tempo. Embora tenha havido um movimento forte de mulheres reivindicando autonomia e independência, ainda persistem discursos machistas e conservadores. Esses valores continuam sendo transmitidos por diferentes caminhos, como a religião, a mídia e a própria criação familiar, passada de geração em geração”, explica Maíra Liguori, presidente da Think Olga, organização social focada em promover o debate público e a equidade de gênero. A pesquisa analisou atitudes em relação à igualdade de gênero em 29 países. Apesar de serem os mais propensos a acreditar que uma mulher não deve parecer muito independente ou autossuficiente, os homens da Geração Z também foram o grupo mais propenso a afirmar que mulheres com carreira de sucesso são mais atraentes. 41% concordam com essa ideia, em comparação com 27% dos Baby Boomers, considerando homens e mulheres. Segundo a socióloga membro titular da Academia Brasileira de Ciências, Nadya Guimarães, consistências absolutas nas maneiras de pensar dificilmente existem. Muitas vezes, o que aparece é uma espécie de dissociação cognitiva, isto é, as pessoas podem defender certos valores em um contexto e, em outro, pensar ou agir de forma diferente. “Nem tudo é completamente consistente, e é justamente por isso que é interessante observar onde aparecem as coerências e as contradições. No espaço público, por exemplo, já está bastante consolidada a ideia de que a entrada das mulheres no mercado de trabalho foi um avanço. Isso já é praticamente consensual.” A socióloga Felicia Picanço, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a reação conservadora já foi mais associada a gerações mais velhas. “Na primeira década dos anos 2000, o backlash era associado às gerações mais velhas que se sentiam ameaçadas pelas conquistas das mulheres, a presença de imigrantes e as perdas econômicas fruto das recessões das grandes economias e da perda da qualidade dos estados de bem-estar europeus. Na última década, o backlash está presente entre os mais jovens, como visto nas pesquisas recentes. Aquilo que parecia no subterrâneo ou localizado em experiências muito particulares vem se espalhando com as redes sociais e se visibilizando em pesquisas de opinião como estas”, diz. 🔎Backlash: usada para descrever uma reação contrária ou retrocesso diante de avanços sociais ou políticos.No contexto de gênero e direitos das mulheres, o termo significa uma reação negativa ou resistência contra conquistas de igualdade. Resistência aos avanços da igualdade A pesquisa também mostra que parte significativa da população acredita que os avanços na igualdade de gênero já foram suficientes. Cerca de metade dos entrevistados (52%) afirma que os esforços para garantir direitos iguais às mulheres já foram longe o suficiente em seus países. Além disso, 46% dos participantes concordam que “está sendo exigido demais dos homens para apoiar a igualdade”, enquanto 44% acreditam que a promoção da igualdade feminina chegou a um ponto de discriminar os homens. De acordo com o professor de psicanálise da Universidade de São Paulo (USP), Christian Dunker, transformações sociais profundas costumam gerar reações diferentes dentro da sociedade. Segundo ele, parte das pessoas se adapta mais rapidamente às mudanças, enquanto outras permanecem vinculadas a valores tradicionais. “Existe uma falsa associação entre valores conservadores e práticas conservadoras. Uma pessoa pode defender valores tradicionais e, ainda assim, ter práticas progressistas ou o contrário.” Redes sociais e discurso de ódio Um estudo realizado em 2024 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com o Ministério das Mulheres identificou um crescimento do discurso de ódio contra mulheres na internet. Entre 2018 e 2024, foram identificados 137 canais que propagam misoginia. Em alguns casos, os criadores vendem livros e cursos que defendem o ódio contra mulheres independentes e feministas e afirmam que é necessário humilhar ou controlar mulheres para conquistá-las. Para especialistas, parte das respostas registradas na pesquisa pode estar relacionada à influência dessas comunidades online. "Uma mulher que busca sua liberdade, sua autonomia e sua independência não está necessariamente desafiando o masculino, mas é assim que muitos homens acabam se sentindo atacados" O futuro das relações de gênero Para especialistas, embora persistam resistências, as mudanças nas relações entre homens e mulheres tendem a continuar. Segundo Felicia Picanço, houve avanço na adesão a valores menos hierarquizados entre os gêneros, mas ainda há resistência em relação à redistribuição de responsabilidades dentro da família. “Alcançamos um nível maior de adesão a valores menos hierarquizados de gênero, ou seja, reduziu-se a crença de que a mulher é inferior aos homens. Mas ainda existe resistência a mudanças maiores nos valores que essencializam os atributos femininos, como a ideia da mulher cuidadora dos filhos e dos idosos. Os homens estão sendo convocados a uma maior participação nos cuidados, e o enfrentamento das desigualdades precisa começar dentro de casa, na distribuição das tarefas domésticas e de cuidado.” “O meu papel como uma pessoa que trabalha nessa área, minha obrigação é sempre ter um olhar propositivo e de melhoria para o futuro. Então, para continuar fazendo o que eu faço, eu preciso acreditar que estamos caminhando numa direção melhor do que a que estamos hoje, não pior. Mas, independentemente das minhas convicções individuais, eu acredito que estamos avançando”, finaliza Maíra.

  9. Agora é lei: quem tem fibromialgia pode ser considerado PCD Os atendimentos ambulatoriais por fibromialgia cresceram 35% em 2025 no estado de São Paulo, de acordo com dados da Secretaria Estadual da Saúde. No ano passado, foram realizados 38.662 atendimentos ambulatoriais; em 2024, foram 28.640. Os números também mostram que os casos em que houve necessidade de internação por fibromialgia cresceram cinco vezes nos últimos três anos. Em 2023, foram 39 registros; em 2024, 118; e em 2025 o número saltou para 198. A medida é necessária, por exemplo, quando as crises de dor ficam mais intensas ou surgem agravamentos como a síndrome do intestino irritável. Na capital, o cenário também segue de alta: apenas em 2025, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) registraram 24.421 atendimentos, envolvendo 14.882 pacientes com suspeita ou diagnóstico de fibromialgia (CID M79.7). Fibromialgia é considerada deficiência Identificar a fibromialgia pode melhorar o tratamento e bem-estar Banco de imagens O aumento nos registros da rede pública de saúde vem com mudanças na legislação, que desde janeiro deste ano reconhece a fibromialgia como deficiência. A lei nº 15.176, sancionada em julho de 2025, amplia direitos e determina proteção às pessoas que convivem com fibromialgia, síndrome da fadiga crônica, dor regional complexa e condições correlatas. A fibromialgia é uma condição reumatológica marcada por dor generalizada, fadiga, distúrbios de sono, alterações cognitivas e ansiedade. As causas ainda não são totalmente compreendidas, e o diagnóstico é essencialmente clínico, feito por especialistas a partir da exclusão de outras doenças. A porta de entrada no SUS continua sendo a atenção básica, nas UBSs administradas pelos municípios, responsáveis pelo acompanhamento contínuo e encaminhamento, quando necessário, para serviços estaduais especializados. Atendimento multiprofissional na rede pública Compreender a fibromialgia é essencial para um tratamento eficaz Banco de imagens A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) oferece atendimento inicial para casos de fibromialgia nas 480 UBSs, onde equipes multiprofissionais avaliam cada caso e definem a linha de cuidado. A capital também conta com as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), utilizadas como parte do tratamento quando indicado. Outro eixo do cuidado na capital são os Centros de Referência da Dor (CR Dor), pioneiros no Brasil. O serviço, voltado a pessoas a partir de 13 anos com dor crônica há mais de três meses, funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h. O encaminhamento é feito exclusivamente pelas UBSs. Desde 2021, o serviço registra crescimento contínuo, englobando as demandas de atendimento por diagnóstico de fibromialgia. Somando as seis unidades (Leste, Sudeste, Norte, Sul, Oeste e Centro), já foram contabilizados 667.804 atendimentos: 36.587 (2021) 40.552 (2022) 109.267 (2023) 250.094 (2024) 241.304 (2025) “É uma síndrome traiçoeira” A autônoma Ailana Torres Yassutake teve o diagnóstico de fibromialgia há mais de 10 anos Arquivo Pessoal A autônoma Ailana Torres Yassutake, moradora de Barueri, lembra que, na época do diagnóstico de fibromialgia, há dez anos, a doença era quase desconhecida. Foi preciso viajar para outros estados em busca de investigar o caso. “Passei por uma investigação ampla, consultando diversos especialistas, até ser encaminhada a um neuropsiquiatra em Goiânia. Saí de lá com o diagnóstico e comecei a entender o que estava acontecendo comigo”, conta. Ailana relata sintomas constantes, como dor generalizada, rigidez muscular, fadiga intensa, insônia e dificuldade de concentração – algo que muitos pacientes conhecem como “névoa mental”. Ao longo dos anos, desenvolveu ainda depressão, ansiedade, síndrome do intestino irritável e hoje passa por investigação de autismo tardio. O manejo da doença envolve diversos profissionais: psicólogo, psiquiatra, reumatologista, neurologista, ortopedista e fisioterapeuta. Ela usa medicamentos e tratamentos naturais, como diferentes formas de canabidiol. Para a ativista, que participou da mobilização pela aprovação da nova lei, o reconhecimento da fibromialgia como deficiência representa uma conquista coletiva: “É uma vitória. Lido com algo que ninguém vê. Penso nas mulheres que dependem do SUS, que esperam meses por consultas. A luta agora é pela implantação efetiva de tratamentos.” Desafios para o diagnóstico de fibromialgia O ortopedista Maurício Leite, que se especializou em fibromialgia e participou de discussões públicas para enquadrá-la como deficiência, explica que o diagnóstico da doença continua sendo 100% clínico. Não existe exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmá-la. Muitos pacientes passam por exames apenas para descartar outras condições, como artrite reumatoide. “Os critérios estão muito bem definidos na literatura e há um protocolo da Sociedade Brasileira de Reumatologia”, afirma. Sobre o crescimento nos números, o médico aponta que o aumento de diagnósticos não significa aumento real da incidência. “Hoje há mais acesso à informação e a investigação é mais detalhada.” Dificuldades para quem encara a doença A fibromialgia se caracteriza por um padrão de sintomas oscilatório, com dias de melhora e outros de forte limitação. Isso interfere no diagnóstico e na vida social e profissional. Muitos pacientes se queixam de estigmas como “preguiça”. Embora possa haver períodos de incapacidade, a condição raramente gera incapacidade definitiva. Não existe uma medicação específica para fibromialgia. O tratamento é multidisciplinar e combina medicamentos para dor, acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, ajustes nutricionais, controle de comorbidades e atividade física supervisionada. O apoio familiar e social é considerado fundamental. Há também medidas de prevenção e controle, que incluem: rotina de sono adequada; atividade física acompanhada; alimentação equilibrada; manejo do estresse; acompanhamento médico contínuo.

  10. Projeto social ensina defesa pessoal para mulheres em situação vulnerabilidade na Lapa Um projeto social na Lapa, na região central do Rio, ensina noções de defesa pessoal para dezenas de mulheres em situação de vulnerabilidade social ou que já sofreram algum tipo de violência. A iniciativa busca fortalecer a autoestima das participantes e ajudá-las a ressignificar suas histórias, ensinando também novas formas de enfrentar situações de risco no dia a dia. As atividades fazem parte do projeto Menina-Moça Mulher, desenvolvido pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Carlos Chagas. Nas aulas, as alunas aprendem técnicas de defesa baseadas no Muay Thai. Segundo a professora Ana Lino, responsável pelos treinos, o objetivo é preparar as mulheres para reagir em situações de perigo. “Aqui, primeiramente, a gente faz a base, que é através da arte marcial, que é o muay thai. Eu ensino os golpes e a defesa pessoal é quando essas mulheres estão em situação de risco, em situação de perigo. Elas estarem de frente com o agressor, e quando ele a imobiliza, ela sabe, através desses golpes, como se sair daquela situação”, explica Ana. Alunas recebem noções de defesa pessoal em projeto na Lapa, na região central do Rio Cristina Boeckel/ g1 As aulas, que começaram em abril do ano passado, acontecem uma vez por semana. Atualmente, cerca de 20 mulheres participam. A defesa pessoal é a porta de entrada para uma rede de apoio que inclui ajuda psicológica, tratamentos de saúde e cursos profissionalizantes. “Eu tive uma história de agressão dentro da minha casa. E isso me deu mais força ainda para que eu pudesse compartilhar aquilo que eu sei para essas mulheres. Para que elas possam, através da arte marcial, através da luta que eu ensino aqui, ressignificar o que elas passaram, ressignificar essa dor”, contou a professora. A balconista Maria Elis da Silva conta que fez outros cursos e as aulas ajudam a lidar com a ansiedade. “Eu paro de pensar mais nas outras coisas. Eu acho que eu ficava muito parada”, disse. A cozinheira Regiane Pires, que perdeu o filho há quatro anos, retomou a vontade de sair e encontrar outras pessoas. “Como eu ficava muito presa dentro de casa, eu conheci outros movimentos, e aí uma das colegas me orientou a vir para cá. E aí eu conheci a aula aqui e me senti bem. Hoje em dia eu não tomo tanto remédio como eu tomava antigamente. e todas as mulheres devem aprender a se defender, né?”, destacou Regiane. Professora Ana Lino ensina como se livrar de possíveis agressores Anne Poly/ TV Globo A auxiliar administrativa Renata Quintanilha tem uma filha com autismo, que exige cuidados. As aulas a ajudaram a se redescobrir. “Eu me sinto renovada. Parece que é uma terapia. Eu super indico para qualquer pessoa, de qualquer idade: seja jovem, adulto, idoso. Porque a professora respeita o limite de cada aluno, todo mundo se ajuda aqui”, destacou Renata. A professora, no entanto, destaca que as aulas são uma troca. “Sensação de missão cumprida, de realização, e com força para voltar no dia seguinte. Porque elas acham que eu estou aqui dando força pra elas mas, na verdade, são elas que me dão força para que eu continue com esse projeto”, encerrou Ana Lino. Alunas abraçam professora em projeto que ensina defesa pessoal para mulheres em situação de vulnerabilidade Anne Poly/ TV Globo Vulnerabilidade O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro em número de feminicídios no país, com 104 casos registrados no ano passado. Em todo o Brasil, foram registrados 1.470 casos, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Apenas São Paulo e Minas Gerais tiveram mais ocorrências. De acordo com o Mapa da Mulher Carioca, divulgado na última semana, as notificações de ameaça totalizaram 102.470 casos no ano passado no município do Rio de Janeiro. Em 65,5% deles, as vítimas eram mulheres. Ainda sobre as vítimas, existe um recorte racial. As mulheres pretas e pardas, somadas, representam mais da metade dos registros, com 50,2%.

  11. Famílias denunciam mortes após exames de colonoscopia em clínica de RO Alzery Geraldo de Souza, de 69 anos, que morreu dias depois de passar por uma colonoscopia e uma endoscopia em uma clínica particular de Cerejeiras (RO), era agricultor aposentado e realizava exames de rotina quando o caso aconteceu. Segundo familiares, Alzery era considerado o pilar da família. Casado, ele deixou três filhos, dois homens e uma mulher, além de duas noras, um genro e cinco netos. Colonoscopia: entenda como é feito exame associado a mortes em RO ➡️ Contexto: Segundo os familiares, os exames realizados por Alzery foram feitos na mesma clínica e pelo mesmo médico citados no caso de Thyago da Silva Severino, de 34 anos, que morreu no último sábado (28) após passar por uma colonoscopia. Descrito como um homem brincalhão e muito querido por quem convivia com ele, Alzery era conhecido no município pelas amizades que cultivou ao longo da vida. Vizinhos e amigos lembram dele como alguém sempre disposto a ajudar. A família conta que ele também ajudava a cuidar dos sogros e que após o falecimento dele, a rotina da família mudou completamente, além disso ele era evangélico e um homem de fé. De acordo com os familiares, cerca de 500 pessoas passaram pelo local do velório para prestar as últimas homenagens. Entenda o caso A Polícia Civil informou ao g1, que recebeu uma segunda denúncia de morte após a realização de uma colonoscopia em uma clínica particular de Cerejeiras (RO). O paciente era Alzery Geraldo de Souza. Quando tomaram conhecimento sobre o caso de Thyago Severino, de 34 anos, que morreu depois de intestino perfurado, após realizar o exame de colonoscopia em uma clínica em Cerejeiras(RO), a família de Alzery decidiu registrar um boletim de ocorrência para que sejam apuradas as circunstâncias do atendimento e se houve erro médico. A polícia informou que o caso será investigado. De acordo com a denúncia, logo após terminar os exames, Alzery começou a sentir fortes dores na barriga. Segundo familiares, a dor era tão intensa que ele precisou de ajuda da pessoa que o acompanhava para conseguir se vestir antes de sair da clínica. Eles também informaram que ao chegar em casa eles tentaram fazer massagem na barriga dele para aliviar o desconforto, mas a dor continuava forte. Mesmo com as reclamações, o médico teria prescrito apenas um remédio para dor e liberado o paciente. Com o agravamento do quadro, Alzery precisou ser levado ao hospital de Cerejeiras. Em seguida, foi transferido para um hospital em Vilhena (RO), onde realizou uma tomografia. Ainda conforme a família, o exame apontou uma perfuração no intestino, e os médicos informaram que seria necessária uma cirurgia de emergência para tentar conter o problema. Após o procedimento, Alzery entrou em coma e permaneceu internado por 10 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele não resistiu e morreu no dia 30 de setembro, dez dias depois. A família também afirma que o médico responsável pelo procedimento não prestou assistência após o ocorrido. Segundo os relatos, mesmo depois de enviarem mensagens para a clínica, não houve resposta ou retorno. Alzery morreu depois de ter o instestino perfurado após exame de colonoscopia em RO Reprodução

  12. Como iniciativas buscam salvar vidas de mulheres vítimas de violência Guardas Civis Municipais e as polícias Militar e Civil de cidades do interior de São Paulo apostam no monitoramento de medidas protetivas para combater casos de violência doméstica. O uso de recursos especializados, como Patrulha Maria da Penha e aplicativos que acompanham mulheres com medidas protetivas contra o suspeito, evitam a aproximação dos agressores. A emissão de uma medida protetiva contra um suspeito de agressão é uma medida judicial, prevista pela Lei Maria da Penha, para interromper a evolução de uma violência, ou ameaça, para feminicídio. Para que o documento proteja a vítima é necessário um acompanhamento ativo, segundo a Delegada de Delegacia da Mulher de Franca (SP), Juliana Paiva. "São duas medidas em Franca: a Patrulha Maria da Penha, pela Polícia Militar e uma parceria da Polícia Civil de Franca com GCM de Franca para acompanhar as vítimas na retirada dos pertences pessoais da casa do agressor", afirma a delegada. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Ao g1, a tesoureira da Ordem dos Advogados do Brasil de Ribeirão Preto (SP), Gabriela Rodrigues, esclarece que a medida protetiva é um recurso judicial que salva vidas e é um grande avanço da luta contra a violência de gênero, principalmente a doméstica. Mas, segundo a advogada, é importante que ela seja avaliada em um contexto amplo. A gente acostumou a pensar que a medida protetiva está muito ligada à incomunicabilidade, ao afastamento do agressor do lar. Na lei, a gente tem diversas previsões de medidas protetivas [...] Então eu acho que falta uma leitura também do judiciário para compreender o contexto de violência que aquela mulher está inserida e também a presença dos órgãos que fazem a assistência ali, a Guarda Municipal, a Polícia Civil, a própria secretaria da assistência, todos esses órgãos que vão fazer a leitura, não só da proteção num contexto mais policial, mas também a proteção psicológica, da saúde daquela mulher e dos filhos Aplicativo para acionar a GCM de Batatais em casos de urgência e sede da Guarda Civil. Arquivo pessoal Botão do Pânico Autoridades da região de Ribeirão Preto validam a importância de mecanismos ativos no combate à violência doméstica. Um exemplo é o Botão do Pânico, dispositivo implantado pelas prefeituras, como em Batatais (SP), que visa o atendimento rápido e eficaz em situações de emergência. Desde 2017, o aplicativo de celular funciona com uma central de monitoramento que as vítimas podem acionar a GCM em caso de agressão ou descumprimento de medidas protetivas. O recurso atende vítimas das regiões rural e metropolitana de Batatais. Segundo o Leandro Cintra, comandante da GCM, o funcionamento é simples. "Quando ativado, o aplicativo envia um alerta à central de monitoramento da GCM, fornecendo a localização da vítima via GPS, juntamente com outras informações relevantes, como fotos da vítima e do agressor. Isso permite uma intervenção rápida e eficaz por parte das autoridades, aumentando as chances de proteção das vítimas e prevenindo situações de violência." O comandante também afirma que Batatais conta com um sistema de monitoramento por câmeras de segurança inteligentes que auxiliam na identificação e eficácia no atendimento de violência doméstica. Patrulha Maria da Penha Desde 2020, a Polícia Militar de Franca iniciou os trabalho da Patrulha Maria da Penha, com o objetivo de manter um contato próximo e humanizado com mulheres vítimas de violência de gênero com medidas protetiva contra o agressor. O serviço trabalha com uma equipe especializada no atendimento das vítimas, principalmente em cenários de violência doméstica. A equipe da Polícia Militar explica que quando um mandado de medida protetiva na cidade de Franca é registrado, o órgão é acionado. O primeiro contato com a vítima é feito, preferencialmente, de forma presencial e os contatos seguintes são via telefone ou WhatsApp. O acompanhamento das vítimas acontece conforme a gravidade de cada caso e, na maioria das vezes, as equipes prestam atendimento às pessoas que solicitam o contato. A patrulha tem 3.849 mulheres cadastradas desde sua criação. No primeiro contato, a polícia cadastra a vítima em uma aplicativo gratuito do Estado de São Paulo, o SP Mulher Segura. A plataforma permite que a mulher acione as equipes da polícia de maneira mais rápida. O cenário torna eficiente a prisão de agressores que descumprem as medidas protetivas. Em 2025 houve um aumento de 12,3% dessas prisões em flagrante, em relação ao ano anterior, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. "As medidas protetivas são um mecanismo de proteção muito efetivo às vítimas de violência. Às vezes, o senso comum de pessoas que não lidam com os dados como nós, que estamos à frente de uma delegacia de defesa da mulher, pode pensar que muitas mulheres morrem, ainda que tenham medidas protetivas deferidas em seu favor. Isso não é verdade.", diz Juliana Paiva, delegada da DDM de Franca. Delegada Juliana Paiva da Delegacia da Mulher de Franca, SP Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: Mulher é morta após ser esfaqueada em Jaboticabal, SP; ex-companheiro é investigado Mulher é morta a tiros em calçada de lanchonete no interior de SP; VÍDEO Mulher é morta a facadas na frente do filho durante discussão com o marido em Ribeirão Preto Em Ribeirão Preto, desde 2018, a Guarda Civil Municipal Feminina (GCMF) também conta com uma equipe especializada atuando na Patrulha Maria da Penha. A guarda, Girlei Marconi, diz que o trabalho, realizado em parceria com o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e a rede de assistência social do município, visa ampliar a proteção às mulheres. Segundo a GCMF de Ribeirão, entre as ações estão: o acompanhamento de mulheres com medidas protetivas; a fiscalização do cumprimento das decisões judiciais previstas na Lei Maria da Penha; visitas preventivas e orientação às vítimas; encaminhamento aos serviços da rede de proteção; apoio no cumprimento de mandados de prisão em casos de descumprimento; 20 anos da Lei Maria da Penha Em janeiro de 2026, 75% dos registros de violência contra mulher em Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho (SP) e Barretos (SP) foram dentro da casa da vítima ou da vítima com o suspeito. Os dados do Painel do Ligue 180 reforçam a necessidade de ações das forças públicas da região no combate à violência doméstica. A advogada Gabriela Rodrigues explica como a Lei Maria da Penha tem papel fundamental na forma que as mulheres entendem seus direitos. "Quando a gente pensa num aspecto da Lei Maria da Penha, ela coloca a vítima no centro da discussão. Então, primeiro eu vou olhar para a proteção integral da vítima, o aspecto psicológico, o aspecto físico, concedendo as medidas protetivas, por exemplo, e depois, obviamente, como consequência, eu passo a pensar na questão punitiva." No ano de 2026, a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Desde quando foi sancionada, ela tornou-se um marco na forma que que as vítimas de violência doméstica reconhecem o crime. É o que diz a tesoureira da OAB. "A gente tem ainda uma dificuldade de compreensão para entender se há um aumento de denúncias ou se, de fato, as mulheres estão cada vez mais conscientes sobre os seus direitos, sobre o seu corpo, sobre a sua integridade psicológica, moral, sexual. E isso vem exatamente pela dificuldade de a gente entender, ler dentro da sociedade a evolução desse tema." Gabriela Rodrigues cita que o maior desafio no combate à violência doméstica está relacionado ao ciclo da violência e o subjugamento da mulher na sociedade. A principal barreira é a mulher entender que ela é um sujeito de direito. Ela mesma, por si própria, sem que dependa de outras pessoas. Eu acho que a consciência dessa singularidade pode fazer lá na frente, ou até mesmo agora, a gente compreender que a gente consegue viver sem ser vítima, sem ser subjulgada nessas relações. A lei contribuiu muito para isso, para que a gente consiga avançar na conscientização das singularidades da mulher mesmo, como sujeito de direito. Para a delegada Juliana Paiva, outra barreira é a quebra do ciclo da violência. "O que nós percebemos é que esse agressor não muda de comportamento, porque ele não está inserido ali em uma roda de conversa, em um grupo reflexivo. Ele não está disposto a entender o peso dos seus comportamentos, de suas palavras. Não há alternativas educativas para esse agressor atualmente na sociedade e ele volta a praticar o crime. Esse ciclo de violência acontece diversas vezes." A pesquisa Retrato dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgada nesta quarta-feira (4), evidencia os avanços jurídicos no combate à violência de gênero, mas entende que existe dificuldade em conter o aumento dos casos. "Nesse contexto, o problema central não é mais sobre a criação de novas leis, e sim a capacidade de implementá-las de modo efetivo. Avaliar a força da política pública hoje implica examinar se os mecanismos previstos têm sido capazes de prevenir a reincidência, reduzir a letalidade e assegurar proteção rápida e qualificada às mulheres em situação de risco." O estudo aponta que o Estado de São Paulo tem uma tecnologia de controle de suspeitos com medida protetiva. A capital do estado implementou o uso de tornozeleiras eletrônicas que monitoram a localização do suspeito e acionam a polícia em caso de aproximação da vítima, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP). O uso das tornozeleiras não faz parte das medidas adotadas no interior do estado. O que diz a SSP A Secretaria de Segurança Pública informa que o Estado de São Paulo é pioneiro no uso da tecnologia para salvar vidas e no uso do monitoramento eletrônico de agressores de mulheres. O uso de tornozeleiras nesses casos foi instituído em setembro de 2023 e, desde então, já foi utilizado em 712 agressores, dos quais 189 permanecem ativos. Além disso, possibilitou a condução à delegacia de 211 autores, dos quais 120 permaneceram presos por descumprimentos de medidas protetivas. Atualmente, há 1.250 tornozeleiras disponíveis e seu uso para casos de violência doméstica garantem que agressores sejam monitorados 24h por dia. Caso se ausentem da cidade ou se aproximem do endereço da potencial vítima, alertas são disparados e viaturas deslocadas imediatamente. É importante destacar, contudo, que o monitoramento por meio de tornozeleiras só pode ser feito mediante solicitação e autorização do Poder Judiciário na fase das audiências de custódia. Além disso, conforme as decisões judiciais posteriores, a quantidade de tornozeleiras ativas podem sofrer alterações, tornando o dado flutuante, com atualizações diárias. Medidas além da tornozeleira O enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo de São Paulo, que, ainda em 2023, criou de forma pioneira a Secretaria de Políticas para a Mulher, pasta transversal responsável pela estruturação de uma política integrada e permanente para prevenção, proteção e resposta rápida às vítimas: - Grandes operações policiais para prender agressores: apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres; - App SP Mulher Segura para conectar, 24 horas por dia, mulheres em risco com a polícia. São 45,7 mil usuárias e 9,6 mil acionamentos do botão do pânico, com envio imediato de policiais via georreferenciamento. O App também cruza os dados de localização da vítima e dos agressores tornozelados para emissão de alertas; - Cabine Lilás: presente em todas as regiões do estado em unidades do Copom, onde chamados via 190 feitos por mulheres vítimas de violência são atendidos por policiais femininas treinadas para prestar acolhimento especializado e orientar sobre medidas protetivas e outros serviços de proteção do estado - Ampliação em 54% dos espaços especializados de atendimento às vítimas de violência: 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e 173 Salas DDM 24h. Os atendimentos resultaram em um crescimento de 17,5% de medidas protetivas e de 12,5% em boletins de ocorrência entre os anos de 2024 e 2025 - Inauguração de 20 Casas da Mulher Paulista e construção de outras 16 unidades, para acolhimento a vítimas; - Criação do auxílio-aluguel, que já apoia 4 mil mulheres vítimas de violência doméstica em 582 municípios; - Movimento SP por Todas: criado para dar visibilidade e facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção e acolhimento; - Capacitação de mais de 135 mil profissionais de bares, restaurante e shows para ações de prevenção com o Protocolo Não se Cale. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região m m

  13. Mecânica de Taubaté (SP) conquista espaço em profissão dominada por homens Clóvis Azevedo/Pupilab O setor automotivo era um sonho de adolescência para a mecânica Ana Cláudia Ramos, de Taubaté, no interior de São Paulo. Antes de abrir o próprio negócio, há 20 anos, Ana trabalhava como frentista. No Dia da Mulher, celebrado neste domingo (8), ela conta como lidou com a desconfiança de alguns clientes homens e como busca ajudar mulheres, que, muitas vezes, sentem-se mais confortáveis com a presença feminina na oficina. O interesse pela mecânica começou ao realizar trocas de óleo nos carros. Foi ali que surgiram as primeiras reações de surpresa por parte de clientes. "'É você que vai trocar? É você que vai fazer a troca de óleo?' Sempre foi assim. Achando que tem alguém, mas não tem mais ninguém, não, porque não sou eu mesma que vou fazer", contou. Mecânica de Taubaté (SP) conquista espaço em profissão dominada por homens Clóvis Azevedo/Pupilab Com o tempo, os clientes do posto começaram a pedir outros serviços além da troca de óleo. Ao perceber a demanda, o então chefe de Ana Cláudia sugeriu que abrissem uma oficina. Foi nesse espaço que ela começou a realizar os primeiros trabalhos na área. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Por atuar em um ambiente tradicionalmente dominado por homens, o início da carreira não foi fácil. Segundo ela, era comum que clientes demonstrassem desconfiança sobre quem faria o serviço. Opção das mulheres Mecânica de Taubaté (SP) conquista espaço em profissão dominada por homens Clóvis Azevedo/Pupilab Segundo Ana, muitas mulheres procuram a oficina justamente por se sentirem mais confortáveis em um ambiente comandado por outra mulher. "Eu sou muito clara em tudo que eu vou fazer (...) Eu tiro e mostro. Eu tiro foto, faço vídeo. Eu abordo a situação de um jeito, não fico empurrando as coisas", comentou. Ela afirma que essa postura ajudou a construir a confiança das clientes. Segundo Ana, hoje muitos dos novos atendimentos chegam por indicação. Além de tocar o próprio negócio, a mecânica também quer incentivar outras mulheres a conhecer o mundo da mecânica e mostrar que qualquer pessoa pode seguir a profissão que quiser, independentemente do gênero. Outras empreendedoras O número de microempreendedoras individuais mulheres no Vale do Paraíba aumentou nos últimos anos, de acordo com o Ministério da Fazenda. Em 2021, eram 80.330 MEIs registradas em nome de uma mulher. Em 2026, são 120.348. MEIs registrados por mulheres cresceram 50% no Vale desde 2021 Camila Luz é uma delas. Há cinco anos, deixou o cargo de diretora de escola para apostar no próprio negócio. Ela vende produtos de beleza diretamente na casa de clientes. “Tomar-me MEI, tornar-me empreendedora, me deu outras possibilidades que, enquanto colaboradora, eu não tinha. Por exemplo, hoje eu consigo levar meu filho para escola todos os dias, consigo estar mais presente na vida educacional dele, consigo estar mais perto da minha família", disse. Daniele Lima sempre trabalhou no ramo da beleza. Mas, depois que se tornou mãe, percebeu que já não conseguia se dedicar ao trabalho da mesma forma. Foi então que decidiu abrir o próprio espaço e dividir o salão com outras profissionais. “Assim como eu tinha a necessidade de trazer o meu trabalho, as meninas também tinham. Então, a gente vai se ajudando. O MEI facilita isso, ainda mais por se tratar de um empreendimento novo, de um lugar novo, isso acaba nos ajudando na parte de contribuição e tudo aquilo que engloba toda parte de empreender”, disse. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

  14. A força feminina na educação No primeiro dia de aula da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), o cenário é de entusiasmo — e de representatividade. "Meus pais, minha família, todo mundo sempre me incentivou. Disseram que eu tenho capacidade para conquistar o que eu quiser", destaca a aluna de Biomedicina Andrielle da Silva de Oliveira. A reitora da UFCSPA, Jenifer Saffi, conhece bem esse caminho. Formada em Farmácia, doutora em Bioquímica, pesquisadora e gestora, ela celebra o fato de a universidade ter 70% de mulheres entre alunas, servidoras e docentes. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "Essa universidade é muito especial. Sempre teve reitoras mulheres. Este ano nós estamos comemorando 18 anos de universidade", afirma. A instituição reúne 16 cursos de graduação, 12 de pós-graduação e oportunidades que, segundo a reitora, mudam vidas. "A universidade significa vidas. Muitas mulheres que entram aqui não teriam outra oportunidade." Assim como Jenifer, há outras reitoras que comandam universidades públicas do Rio Grande do Sul e inspiram alunas que iniciam sua trajetória acadêmica. Trajetórias que transformam Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a reitora Martha Bohrer Adaime construiu uma vida inteira ligada à instituição. "Eu depositei a minha vida na UFSM", relata. "Este lugar transformou a minha vida e a de muitas famílias", completa. Professora e pesquisadora, ela também enfrentou barreiras de gênero ao avançar na carreira acadêmica. "Quando a gente vai ascendendo aos cargos, a gente vai notando algumas dificuldades. Algumas diferenças, algumas questões que a gente percebe barreiras de gênero", afirma Martha. Na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a reitora Ursula Rosa da Silva, mestre em Filosofia e doutora em História, carrega a inspiração da mãe. "Ela falava muito da nossa responsabilidade social. A gente não passa pelas coisas simplesmente para cumprir um papel, a gente passa com a responsabilidade de que o teu papel seja transformador." Já na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a reitora Márcia Barbosa reúne ciência e autenticidade. Física, pesquisadora reconhecida pela Forbes como uma das dez brasileiras que transformam a ciência, ela rejeita rótulos. "Não aceito que as pessoas tentem me colocar em caixas. Eu sou essa pessoa." Mesmo ocupando um cargo de destaque, como secretária de Políticas e Programas de Estratégia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcia diz que seu estilo não muda: "Eu era a Márcia que ia para uma discussão do G20 na Índia e dançava com o pessoal que vinha nos recepcionar." Para Márcia, diversidade não é apenas justa: é eficiente. "Tem dados que mostram que quando tem pessoas diferentes para resolver um problema, o problema é melhor resolvido." As quatro reitoras são referência para estudantes que chegam à universidade cheias de expectativa — e carregam no olhar a certeza de que podem ir longe. Porque, como elas lembram, o lugar das meninas é o lugar que elas quiserem. Histórias de superação de reitoras inspiram alunas no RS Reprodução/RBS TV

  15. Dia das Mulheres: abandonada com 7 filhos, dona Lola relembra jornada de superação Aos 94 anos, Dolores Guedes Pires, a dona Lola, enfrentou diversas batalhas que sua vida já se transformou até em livro. Neste Dia das Mulheres, celebrado neste domingo (8), a moradora de Valinhos (SP) repassa o momento mais marcante de sua história para enaltecer a força da mulher. Abandonada pelo marido com sete filhos em uma estação de trem da cidade há 57 anos, ela superou todos os obstáculos para vencer. E se mostra orgulhosa pelo que construiu. "Hoje eu me sinto orgulhosa por tudo que eu passei, que todo mundo faça como eu fiz. Lute, lute porque vence, porque eu venci. E me sinto muito feliz hoje em dia, que eu nem sei como agradecer tanto a Deus. Luta para ganhar como eu ganhei", ensina. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Dolores Guedes Pires, a dona Lola, aos 94 anos, conta sobre quando foi abandonada com os sete filhos pelo marido em Valinhos (SP), há 57 anos Reprodução/EPTV Com o corpo já arqueado pelo passar do tempo e pelos esforços que teve de fazer para garantir o sustento da família, dona Lola traz à tona, pelo tom da voz, como aquele momento marcou sua vida. "O meu esposo me deixou na estação com sete filhos. (0:59) Ele desceu as crianças, mas ele não desceu do trem. Me deixou com sete filhos, sem dinheiro e sem nada. Tinha um que não estava nem registrado." A vitória veio, mas com um sacrifício enorme. Dona Lola trabalhou com o que fosse necessário para garantir a comida na mesa de casa, mas nem sempre o dinheiro era suficiente. "Quando eu tinha comida, comia. Quando não, ficava sem comer. Tinha noite que nós ia dormir sem jantar. Tudo quanto foi serviço nesta vida, eu fiz para pôr comida em casa", enfatiza. Dolores Guedes Pires, a dona Lola, aos 94 anos, conta sobre quando foi abandonada com os sete filhos pelo marido em Valinhos (SP), há 57 anos Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

  16. Médica durante atendimento em uma comunidade indígena no interior do Amazonas Divulgação Aos oito anos de idade, a indígena Ilzinei da Silva viu algo que mudaria os rumos da própria vida: médicos militares atuando em São Gabriel da Cachoeira, no interior do Amazonas, onde nasceu. "Percebi o impacto que a medicina poderia ter na vida das pessoas e decidi que queria seguir esse caminho”, relembra. Décadas depois, o caminho foi percorrido e fez com que ela se tornasse a primeira mulher da etnia Baniwa a se formar em medicina. Hoje, Ilzinei se dedica ao atendimento aos povos originários na própria comunidade. No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o g1 conta a trajetória da médica, marcada por desafios de quem cresceu em meio às dificuldades enfrentadas pelo povo Baniwa, mas repleta de superação e desejo de ampliar o acesso à saúde nas comunidades do Alto Rio Negro. Filha de pais analfabetos e criada com seis irmãos, Ilzinei revela que só foi alfabetizada aos 8 anos de idade. Desde cedo, percebeu que a falta de acesso à educação e aos serviços de saúde fazia parte da realidade de sua comunidade. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp "Minha infância foi muito difícil e precária. Meus pais sempre nos incentivaram a estudar, mesmo com todas as limitações." Os estudos fizeram com que a indígena ingressasse no curso de medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em 2014. Para isso, precisou se mudar da comunidade em São Gabriel da Cachoeira para a capital Manaus e aprender a conviver com outras culturas. O diploma veio em 2020, durante o pico da pandemia da covid-19. Ilzinei relata que o período foi difícil pelo medo de um vírus, até então desconhecido, que já tinha causado a morte de outros colegas de medicina. "Perdi colegas para o vírus, mas continuamos na linha de frente. A saúde foi a categoria que nunca parou de trabalhar. Hoje vejo que a minha formação foi essencial para que eu pudesse enfrentar uma situação como esta", contou. Atualmente, a médica atua na Casa de Apoio à Saúde Indígena na sua cidade natal, que é vinculada ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro, e também como médica militar temporária no Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira. O trabalho, segundo ela, é marcado pelo olhar diferenciado para a população indígena. “Voltei para ajudar a minha gente. Pretendo me especializar em ginecologia para oferecer um cuidado humanizado às mulheres, principalmente no pré-natal e nos partos. Muitas vezes elas deixam de fazer acompanhamento por morarem em regiões de difícil acesso”, explica. Formatura da turma de medicina da UEA durante a pandemia da covid-19 Divulgação Representatividade e vida familiar A médica destacou que ser a primeira médica da etnia representa muito mais do que uma conquista pessoal. “Carrego comigo não apenas uma vitória individual, mas de toda a comunidade. Quero mostrar aos jovens indígenas que estudar é também uma forma de fortalecer nosso povo. Quando um indígena chega à universidade, abre caminho para muitos outros”, relatou. Durante a graduação, ela conciliou os estudos com a vida familiar e o casamento com o químico Osvaldo Pontes. O marido relembra com orgulho o apoio dado pela família e amigos para que Ilzinei continuasse o curso. “Ela engravidou no segundo período e quase desistiu, mas com apoio da família e dos amigos conseguiu seguir. Hoje é um orgulho enorme para todos nós. Ela é a primeira médica Baniwa da nossa região”, afirma o marido. Além da atuação profissional, Ilzinei destaca a importância de atender pacientes na língua Baniwa. Ela defende que atender na própria língua é fundamental porque carrega a cultura e fortalece a confiança entre médico e paciente. Isso evita erros de interpretação e garante um cuidado mais humano. Com planos de especialização e o desejo de incentivar novos profissionais indígenas na área da saúde, Ilzinei reforça a mensagem de esperança: “Nunca desistam dos seus sonhos e nunca esqueçam de onde vieram. A educação é uma ferramenta poderosa de transformação. Nossas raízes são nossa força, e o conhecimento pode ser um instrumento para cuidar do nosso povo e construir um futuro melhor." Atualmente Ilze atua como médica do Exército Brasileiro Divulgação Dia Internacional da mulher Muitas pessoas consideram o 8 de Março apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativas, ela não foi criada pelo comércio — e tem raízes históricas mais profundas e sérias. Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20. Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo — aproximando-a de sua origem na luta de mulheres que trabalhavam em fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Elas começaram uma campanha dentro do movimento socialista para exigir seus direitos — as condições de trabalho delas eram ainda piores que as dos homens à época. Cartaz em Londres dizendo 'O futuro é feminino': mulheres de todo o mundo fazem marchas e protestos por direitos iguais na semana do 8 de Março EPA Veja os vídeos que estão em alta no g1

  17. Homem suspeito de violência doméstica foge da polícia e é preso no Montese O homem de 36 anos que sequestrou suas duas enteadas e fugiu com elas em um carro no Ceará, havia ameaçado e agredido a a esposa, mãe das meninas, antes da fuga. Ele foi perseguido por uma viatura e preso na noite dessa sexta-feira (6) no Bairro Montese, em Fortaleza, por violência doméstica. Câmeras do Núcleo de Videomonitoramento flagraram todo o percurso feito pelo suspeito. A ocorrência teve início no município de Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza, quando a equipe policial recebeu a denúncia. As enteadas têm 11 e 14 anos e saltaram do carro para escapar do padrasto (veja o vídeo acima). LEIA TAMBÉM: Irmãs sequestradas pelo padrasto pulam de carro em movimento durante perseguição policial Homem amarrado a poste após matar influenciadora: veja o que se sabe sobre o caso Uma viatura da polícia iniciou, então, a busca pelo suspeito, que desobedeceu a ordem de parada e colidiu com outros veículos pelo caminho. Meninas pulam de carro para escapar de sequestro. Reprodução/SSPDS Irmãs sequestradas pelo padrasto pulam de carro em movimento durante perseguição policial em Fortaleza TV Verdes Mares/Reprodução As meninas conseguiram abrir a porta do carro e pular, e os policiais abordaram e prenderam o suspeito. Ele estava ferido e foi levado para uma unidade hospitalar, onde está sob escolta. Ainda de acordo com a polícia, na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Fortaleza ele foi autuado por injúria, ameaça, maus-tratos, submeter criança ou adolescente a vexame ou constrangimento e dano ao patrimônio. Contra a esposa, ele foi denunciado por ameaça e lesão corporal. Agora, o homem está à disposição da Justiça. Homem sequestra enteadas após brigar com a mãe delas. Divulgação/SSPDS Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

  18. Óvulo pode ter um papel mais ativo na fertilização do que se imaginava. Freepik Durante muito tempo, a fertilização humana foi explicada como uma corrida. Milhões de espermatozoides competiriam para alcançar o óvulo, e o vencedor seria simplesmente o mais rápido. A biologia reprodutiva moderna, porém, indica que o processo pode ser mais complexo. Em vez de apenas esperar, o óvulo também participa da interação com os espermatozoides. É o que mostra um estudo conduzido por cientistas das universidades de Estocolmo, na Suécia, e Manchester, no Reino Unido. Publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B., o trabalho revelou que o fluido folicular —líquido que envolve o óvulo no momento da ovulação— libera sinais químicos capazes de atrair alguns espermatozoides mais do que outros. Na prática, isso sugere que o óvulo pode até “escolher” qual espermatozoide tem mais chance de fecundá-lo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma comunicação química invisível Esse processo é conhecido como quimioatração espermática. Substâncias liberadas pelo complexo formado pelo óvulo e pelas células ao seu redor funcionam como pistas químicas que ajudam a orientar o movimento dos espermatozoides dentro do trato reprodutor feminino. Segundo o urologista e andrologista Bernardo Hermanson, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, esses sinais ajudam a recrutar os espermatozoides capazes de chegar até o local da fertilização. “Essas moléculas funcionam como um sistema de orientação. Elas ajudam a recrutar os espermatozoides capazes de responder ao gradiente químico e chegar até o óvulo”, explica. Uma das moléculas mais estudadas nesse processo é a progesterona, hormônio que pode ativar canais presentes nos espermatozoides e alterar seu padrão de movimento, ajudando-os a seguir o gradiente químico em direção ao óvulo. Compatibilidade entre os gametas Os experimentos também indicam que essa atração química pode variar conforme a combinação entre homem e mulher. Ou seja: um mesmo espermatozoide pode responder mais fortemente aos sinais químicos de um determinado óvulo do que aos de outro. Para Hermanson, isso sugere que pode existir algum grau de compatibilidade funcional entre os gametas. “A atração do espermatozoide pelo fluido folicular depende muito da combinação específica entre homem e mulher. Não é apenas qual sêmen é melhor ou qual fluido é melhor, mas como eles interagem”, afirma. Essa interação pode envolver fatores genéticos, bioquímicos ou imunológicos que ainda estão sendo investigados. Atração química pode variar conforme a combinação entre homem e mulher. Freepik Uma possível peça do quebra-cabeça da infertilidade A hipótese também levanta uma possibilidade intrigante: em alguns casos, pode haver dificuldade de fertilização mesmo quando os exames indicam que tanto os espermatozoides quanto os óvulos são saudáveis. Segundo Hermanson, isso pode ajudar a explicar parte dos casos de infertilidade sem causa aparente, quando os testes tradicionais não encontram alterações. “O casal pode ter gametas considerados normais nos exames tradicionais, mas uma comunicação química ineficiente entre eles”, diz o especialista. Ele ressalta, porém, que essa relação ainda não foi comprovada diretamente em humanos fora do laboratório. “Os estudos mostram que o fenômeno existe e é consistente em laboratório, mas ainda não há prova de que ele seja causa de infertilidade no organismo”, afirma. Nem todos os espermatozoides são iguais Outro detalhe importante é que, dentro de um mesmo ejaculado, nem todos os espermatozoides respondem da mesma forma aos sinais químicos. Apenas uma pequena fração dos espermatozoides que chegam ao local da fertilização está em um estágio chamado capacitação, que os torna capazes de fertilizar o óvulo. Pequenas diferenças na resposta aos sinais químicos, portanto, podem influenciar quais células conseguem chegar até o óvulo. O que ainda falta entender Apesar dos resultados promissores, cientistas ainda investigam o peso real desse fenômeno na fertilização humana. Muitos experimentos são realizados em laboratório, em condições simplificadas que não reproduzem completamente o ambiente do corpo humano, onde os espermatozoides enfrentam um percurso complexo pelo trato reprodutor feminino. Ainda assim, entender melhor essas interações pode abrir novos caminhos na medicina reprodutiva e ajudar pesquisadores a compreender melhor como ocorre a fertilização.

  19. Em “Kontakthof”, do repertório da lendária Pina Bausch, nove dos bailarinos originais da montagem de 1978 retornam aos seus papéis Divulgação No próximo mês, Londres será palco de uma série de espetáculos que celebram a longevidade. Trata-se do “Elixir Festival 2026”, que acontece de 7 a 11 de abril e busca mudar a percepção de que a dança é uma expressão artística restrita a corpos jovens. Uma das principais atrações é a encenação de “Kontakthof”, peça emblemática do repertório da lendária Pina Bausch, cuja estreia, em 1978, consolidou seu reconhecimento internacional. Quase cinco décadas depois, a coreógrafa Meryl Tankard – uma das protagonistas da primeira montagem – está à frente do espetáculo, no qual nove dos bailarinos originais retornam aos seus papéis. A produção, intitulada “Kontakthof – echoes of ‘78”, explora uma interação entre o passado e o presente, com a projeção de imagens de antigas apresentações. Bausch definia Kontakthof como “um lugar onde pessoas se encontram em busca de contato. Para se mostrar, para se negar. Com medos. Desejo. Decepções. Desespero. Primeiras experiências. Primeiras tentativas”. Charlotta Öfverholm, coreógrafa e bailarina sueca de renome internacional, também está no festival. Desde que fundou seu grupo, Jus de la Vie – o equivalente a Suco (ou sumo) da Vida – ela criou mais de 30 produções que excursionaram pelo mundo. Em 2015, lançou o Age on Stage (Idade no Palco), um movimento que defende a presença de artistas veteranos nos teatros e no cinema. Outro destaque é a Company of Elders (Companhia dos Anciãos ou Veteranos), criada em 1989 e cujos participantes têm mais de 60 anos. Por fim, Louise Lecavalier, de 67 anos, protagoniza “Danses vagabondes” (“Danças vagabundas”). Principal bailarina da companhia canadense La La La Human Steps nas décadas de 1980 e 90, e colaboradora de David Bowie, ficou conhecida por sua atuação frenética e tecnicamente desafiadora. Louise Lecavalier, de 67 anos, apresenta “Danses vagabondes” (“Danças vagabundas”) Divulgação Professora dá aulas de dança do ventre para idosas

  20. Ozempic: caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade Divulgação Um paciente meu, um veterano militar que tentava parar de fumar há mais de uma década, me disse que depois que começou a tomar um medicamento GLP-1 para diabetes perdeu o interesse pelo cigarro. Ele não usou adesivos. Não definiu uma data para parar. Simplesmente perdeu o interesse. Isso aconteceu sem esforço. Outro paciente que tomava um desses medicamentos para perda de peso me disse que o álcool havia perdido seu apelo — depois de anos de tentativas frustradas de parar. Pessoas que lutam contra muitos vícios, desde em opioides até jogos de azar e apostas, estão relatando experiências semelhantes em clínicas, nas redes sociais e nas mesas de jantar. Nenhum deles começou a tomar esses medicamentos para parar. Esse padrão de pessoas perdendo o desejo por uma ampla gama de substâncias viciantes não tem precedentes na medicina. VEJA TAMBÉM: Anvisa emite alerta sobre uso de canetas emagrecedoras Mas meus pacientes estavam me dando uma pista importante. Pessoas que tomam medicamentos GLP-1 frequentemente falam sobre o desaparecimento do “ruído alimentar”: a conversa mental constante sobre comida que dominava seus dias simplesmente se acalma. E o que meus pacientes relatavam que não era apenas relacionado à alimentação: eles estavam percebendo que o pensamento em fumar, beber e usar drogas, que leva as pessoas a recaírem apesar de suas melhores intenções de parar, também estava diminuindo. Como médico cujos pacientes costumam tomar medicamentos GLP-1 e como cientista que trabalha para responder a questões urgentes de saúde pública — desde COVID longa até segurança de medicamentos —, vi um problema se escondendo à vista de todos: muitos vícios não têm tratamento aprovado. Os poucos medicamentos que existem são muito subutilizados e nenhum funciona para todas as substâncias. A ideia de que um medicamento já tomado por milhões de pessoas pudesse fazer o que nenhum tratamento para vícios havia feito antes era importante demais para ser ignorada. Minha equipe e eu então decidimos testar se os medicamentos GLP-1 — como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro e Zepbound), originalmente desenvolvidos para diabetes e, posteriormente, aprovados para obesidade — poderia fazer o que nenhum tratamento para dependência existente faz: reduzir a própria fissura, o desejo intenso relacionado à dependência química. Nossas evidências sugerem fortemente que eles podem. Veja quais canetas para perda de peso estão disponíveis e são autorizadas pela Anvisa no Brasil Base biológica da fissura O hormônio que esses medicamentos imitam — o GLP-1 — não é produzido apenas no intestino. Ele também é ativo no cérebro, onde os receptores aos quais se liga se agrupam em regiões que controlam recompensa, motivação e estresse — o mesmo circuito que é sequestrado pelo vício. Em doses terapêuticas, os medicamentos GLP-1 atravessam a barreira hematoencefálica e atenuam a sinalização da dopamina no centro de recompensa do cérebro, tornando as substâncias viciantes menos gratificantes. Os medicamentos GLP-1 parecem inibir a fissura por várias substâncias diferentes em vários modelos animais. Por exemplo, roedores que receberam medicamentos GLP-1 bebem menos álcool, autoadministram menos cocaína e demonstram menos interesse pela nicotina. Quando os pesquisadores administraram semaglutida a macacos-vervet – primatas que bebem álcool voluntariamente, assim como os humanos – os animais beberam menos sem mostrar sinais de náusea ou alterações na ingestão de água. Isso sugere que a droga reduziu o valor de recompensa do álcool, em vez de fazer os animais se sentirem mal. De animais para pessoas Para descobrir se essas drogas têm um efeito semelhante em humanos, recorremos aos registros eletrônicos de saúde de mais de 600.000 pacientes com diabetes tipo 2 do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos — um dos maiores bancos de dados de saúde do mundo. Elaboramos um estudo que aplicou o rigor dos ensaios clínicos randomizados — o padrão ouro na medicina — a dados do mundo real. Comparamos pessoas que começaram a tomar medicamentos GLP-1 com pessoas que não tomaram, ajustando as diferenças no histórico de saúde, dados demográficos e outros fatores de confusão, e acompanhamos os dois grupos por três anos. Minha equipe e eu fizemos duas perguntas: para pessoas que já lutavam contra o vício, os medicamentos reduziram as overdoses, as hospitalizações relacionadas a drogas e as mortes? E para pessoas sem histórico de transtorno por uso de substâncias, os medicamentos GLP-1 reduziram o risco de desenvolver um transtorno relacionado a todas as principais substâncias que causam dependência: álcool, opioides, cocaína, cannabis e nicotina? Ozempic pode reduzir risco de overdose por opioides e álcool, mostra estudo O que descobrimos foi impressionante. No grupo que já lutava contra o vício, houve 50% menos mortes por uso de substâncias entre aqueles que tomavam medicamentos GLP-1 em comparação com aqueles que não tomavam. Também descobrimos 39% menos overdoses, 26% menos hospitalizações relacionadas a drogas e 25% menos tentativas de suicídio. Ao longo de três anos, isso se traduziu em aproximadamente 12 eventos graves a menos no total por 1.000 pessoas que usavam medicamentos GLP-1 — incluindo duas mortes a menos. Reduções dessa magnitude são raras na medicina da dependência — e o que é notável é que a descoberta veio de medicamentos inicialmente projetados para diabetes, posteriormente reaproveitados para obesidade e nunca destinados ao tratamento da dependência. Os medicamentos também parecem prevenir o desenvolvimento do vício. Entre pessoas sem histórico de transtorno por uso de substâncias, aquelas que tomavam medicamentos GLP-1 apresentaram um risco 18% menor de desenvolver transtorno por uso de álcool, um risco 25% menor de transtorno por uso de opioides e um risco aproximadamente 20% menor de dependência de cocaína e nicotina. Ao longo de três anos, isso se traduziu em aproximadamente seis a sete novos diagnósticos a menos por 1.000 usuários de GLP-1. Com dezenas de milhões de pessoas já usando medicamentos GLP-1, as reduções em mortes, overdoses, hospitalizações e novos diagnósticos podem se traduzir em milhares de eventos graves evitados a cada ano. Evidências convergentes Nossas descobertas estão alinhadas com um conjunto crescente de evidências. Um estudo nacional sueco com 227.000 pessoas com transtorno por uso de álcool descobriu que aqueles que tomavam medicamentos GLP-1 tinham 36% menos risco de hospitalizações relacionadas ao álcool. Isso é mais do que o dobro da redução de 14% que o mesmo estudo constatou com a naltrexona, que foi o medicamento com melhor desempenho aprovado para o tratamento do transtorno por uso de álcool nessa análise. Outros estudos observacionais associaram os medicamentos GLP-1 a taxas mais baixas de transtornos relacionados ao uso de álcool novos e recorrentes, redução de diagnósticos e recaídas em transtornos relacionados ao uso de cannabis, menos consultas médicas por dependência de nicotina e menor risco de overdose de opioides. Enquanto isso, ensaios clínicos randomizados que estão testando diretamente se esses medicamentos ajudam pessoas com dependência também se mostram promissores. Em um ensaio, a semaglutida reduziu tanto o desejo por quanto o consumo de álcool em pessoas com transtorno por uso de álcool. Em outro, a dulaglutida reduziu o consumo de álcool. Mais de uma dúzia de outros ensaios já estão em andamento ou com inscrições abertas, e vários outros estão planejados. O futuro do tratamento da dependência Os medicamentos GLP-1 são o primeiro tipo de medicamento a mostrar benefícios potenciais em vários tipos de substâncias simultaneamente. E, diferentemente dos medicamentos para dependência existentes, que são prescritos por especialistas e continuam sendo amplamente subutilizados, os medicamentos GLP-1 já são prescritos em grande escala por médicos de cuidados primários. O sistema de distribuição para alcançar milhões de pacientes já existe. A consistência da eficácia do GLP-1 em relação ao álcool, opioides, cocaína, nicotina e cannabis sugere que esses medicamentos podem atuar sobre uma vulnerabilidade comum subjacente ao vício — e não sobre uma única via de uma substância. Se confirmado, isso representaria uma mudança fundamental na forma como a sociedade entende o vício e como os médicos o tratam. Mas ainda há algumas questões sem resposta sobre como esses medicamentos afetariam o vício. Muitas pessoas que tomam medicamentos GLP-1 para tratar a obesidade ou o diabetes interrompem o tratamento; depois disso, seu apetite normalmente retorna e elas recuperam o peso perdido. Não se sabe se o mesmo efeito rebote ocorreria com a dependência e o que significaria para alguém em recuperação enfrentar novamente uma fissura intensa. Também não está claro se os benefícios persistem ao longo de anos de uso contínuo ou se o cérebro se adapta de maneiras que atenuam esses efeitos. Além disso, como os medicamentos GLP-1 interferem no circuito de recompensa do cérebro — o mesmo sistema que controla não apenas o desejo, mas também a motivação diária —, o uso prolongado poderia, em teoria, diminuir a motivação em algumas pessoas. Se isso pode afetar resultados no mundo real, como iniciativa, competitividade ou desempenho no trabalho, ainda é uma questão em aberto. O que vem a seguir Os medicamentos GLP-1 não foram aprovados para o tratamento da dependência química e ainda não há evidências suficientes para prescrevê-los exclusivamente para esse fim. Mas, para milhões de pessoas que já estão avaliando se devem começar a usar um medicamento GLP-1 para diabetes, obesidade ou outra indicação aprovada, esse é mais um fator que vale a pena levar em consideração. Um paciente que vive com diabetes e também está tentando parar de fumar pode razoavelmente escolher um medicamento GLP-1 em vez de outro medicamento para reduzir a glicose, não porque ele seja aprovado para a cessação do tabagismo, mas porque pode ajudá-lo a parar de fumar, um benefício que outros medicamentos para diabetes não oferecem. Da mesma forma, para pessoas que vivem com obesidade e também lutam contra o álcool, o potencial de benefício além da perda de peso pode ser mais um motivo para considerar um medicamento GLP-1. Se ensaios adicionais confirmarem que eles reduzem efetivamente o desejo por substâncias que causam dependência, esses medicamentos poderão começar a preencher uma das lacunas mais importantes na medicina. E a pista mais promissora em décadas no tratamento da dependência não terá vindo de uma pesquisa direcionada, mas de pacientes relatando um benefício que ninguém esperava. Assim como meu paciente, que parou de fumar após uma vida inteira tentando, isso aconteceu sem esforço. *Ziyad Al-Aly recebe financiamento do U.S. Department of Veterans Affairs.

  21. A temporada 2026 da Fórmula 1 já está em andamento e os novos carros dominam as conversas. Há pilotos satisfeitos ao volante e outros que enfrentam dificuldades, cada um com sua personalidade. Fora das pistas, os pilotos de F1 também expressam a paixão pela velocidade. Alguns se limitam a aparecer com os carros fornecidos pelas equipes, enquanto outros desembolsam milhões de dólares em coleções particulares. O g1 selecionou três carros das coleções particulares de pilotos da temporada 2026 da F1. Há desde um ícone dos anos 1980 que quase foi destruído até um hipercarro inspirado em protótipos de Le Mans. Veja os modelos abaixo. Max Verstappen: Aston Martin Valkyrie Max Verstappen (esq) participou dos testes do Aston Martin Valkyrie Divulgação / Aston Martin Quando não está em casa, dedicado ao simulador, o tetracampeão mundial já foi visto nas ruas pilotando Porsche 911 GT3 RS, Honda NSX, Aston Martin DB11 e outros modelos. Sem dúvida, o carro mais extremo de sua coleção é o Aston Martin Valkyrie. Verstappen participou dos testes do hipercarro em 2020 e depois foi visto com sua unidade em Mônaco. Em 2023, um vídeo com o piloto abusando da velocidade com o Valkyrie causou polêmica. Max Verstappen participou dos teste do Aston Martin Valkyrie Divulgação / Aston Martin O Valkyrie é inspirado em carros de F1 e protótipos de Le Mans. O foco está na aerodinâmica e no equilíbrio, para manter os 1.171 cv de potência sob controle. Para gerar essa força, a Aston Martin utiliza um motor V12 de 6,5 litros que gira até 11.100 rpm e entrega 1.001 cv, com a ajuda de um motor elétrico de 120 kW acoplado a uma bateria de 1,2 kWh. O peso é de apenas 1.270 kg, semelhante ao de um carro 1.0, e a velocidade máxima chega a 354 km/h. Curiosamente, este não é o carro mais caro da lista: em leilão recente, um Valkyrie foi vendido por quase US$ 3 milhões. Lewis Hamilton: Pagani Zonda LH760 Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 Reprodução / Instagram Lewis Hamilton é piloto da Ferrari, mas sua relação com a Itália não é recente. Em 2014, o heptacampeão publicou nas redes sociais fotos do Pagani Zonda LH760. O modelo foi feito sob encomenda e leva as iniciais de Hamilton. A pintura roxa é chamada de Viola LH, e a carroceria tem acabamentos escolhidos pelo piloto. Este Zonda usa como base a configuração RS, que nasceu por sua vez da versão R, feita somente para as pistas de corrida. A curiosidade é que, apesar de ser uma marca italiana, o motor é da Mercedes AMG. Isso por que o argentino Horacio Pagani, fundador da marca, conseguiu um ótimo acordo com marca alemã. O acerto foi intermediado pelo amigo e compatriota Juan Manuel Fangio. O pentacampeão de F1 era amigo de Pagani. Lewis Hamilton posa com seu Pagani Zonda LH760 Reprodução / Instagram São 760 cv de potência e 79,5 kgfm de torque gerados por um motor V12 de 7,3 litros, enviados às rodas traseiras por meio de câmbio manual. O carro foi vendido por Lewis Hamilton em 2021. Em 2023, o novo proprietário destruiu a dianteira do Zonda e danificou as suspensões dianteira e traseira. No fim de 2025, o modelo reapareceu restaurado à condição original. Como cada unidade é exclusiva, é difícil estimar o preço. Em 2025, um Pagani Zonda Riviera foi arrematado por mais de US$ 10,1 milhões. Lando Norris: Ferrari F40 Ferrari F40 Divulgação / Ferrari Lando Norris, atual campeão da F1, ganhou as manchetes em 2025 por um acidente em Mônaco, mas não foi em uma pista de corrida nem com o inglês ao volante. Um amigo deu um passeio com a Ferrari F40 de Lando Norris e, após uma curva nas redondezas do principado, perdeu o controle e bateu a traseira do carro contra o guard rail. Norris comentou o incidente algum tempo depois, afirmando que a F40 ainda não havia voltado às ruas e que ele não estava satisfeito com a situação. A Ferrari lançou a F40 em 1987 para celebrar os 40 anos da empresa. O modelo é uma evolução do que a marca já vinha fazendo com a GTO. A F40 foi o último carro apresentado ao público com a presença do fundador, Enzo Ferrari, que faleceu em agosto de 1988. Ferrari F40 Divulgação / Ferrari Os números são superlativos até hoje, especialmente considerando as especificações de 1987. O motor 2,9 V8 biturbo gera 478 cv e 58,8 kgfm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 4,1 segundos, e a velocidade máxima chega a 324 km/h. Em leilão recente, o preço de uma Ferrari F40 superou US$ 3,8 milhões. Lando Norris também tem outro modelo italiano na coleção, um Lamborghini Miura. Resta torcer para que nenhum amigo peça uma volta com ele. Novos carros da Fórmula 1 prometem deixar temporada imprevisível

  22. Setor Jaó, em Goiânia Diomício Gomes/O Popular Um dos bairros mais tradicionais de Goiânia foi planejado e construído por prisioneiros de guerra da Alemanha nazista, segundo o advogado especialista em direito imobiliário Arthur Rios. O Setor Jaó, localizado na região norte da capital, foi estruturado na antiga Fazenda Retiro, às margens do Rio Meia Ponte e do Córrego Jaó. O advogado, que representou moradores do Jaó na Justiça, afirmou que a planta do bairro foi assinada pelo engenheiro Tristão Pereira da Fonseca, pois os construtores alemães não tinham cadastro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea). ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Segundo a pesquisa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da arquiteta Mariana Vieira, durante o governo de Coimbra Bueno foi feito um acordo com o governo inglês para que cerca de 50 prisioneiros alemães chegassem a Goiânia em 1950. A ideia inicial era que eles ficassem na antiga casa de prisão estadual. No entanto, para evitar repercussão na imprensa, esses prisioneiros e suas famílias foram levados para acampamentos improvisados às margens do Rio Meia Ponte, na Fazenda Retiro. No local, o então governador de Goiás designou o engenheiro Tristão da Fonseca para recebê-los e ficar responsável pelo projeto do novo bairro. O loteamento acabou sendo aprovado oficialmente em 1952. O principal autor teria sido um alemão chamado Sonenberg e que seguiu padrões urbanísticos alemães de antes da Segunda Guerra Mundial. O surgimento do bairro aconteceu em um momento em que Goiânia crescia rapidamente e precisava se expandir. O projeto do loteamento valorizava áreas verdes, ruas curvas e lotes grandes, com foco em moradias. O loteamento foi entregue com uma infraestrutura básica e promessa de crescimento. No entanto, foi apenas na década de 1960, com a construção do Clube de Regatas Jaó, que o bairro começou a atrair mais moradores, principalmente famílias que buscavam um lugar tranquilo para viver, mas ainda perto do Centro da cidade. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Rua Bélgica, Praça Alemanha e Avenida Itália: conheça história de bairro de Goiânia que homenageia locais da Europa Túmulo com suástica chama atenção em cemitério onde está Cora Coralina e é tema de pesquisa em Goiás Conheça a história de uma das casas mais antigas de Goiânia, que é mais velha que a capital Participação de estrangeiros na construção de Goiânia Em entrevista ao g1, a doutora em Arquitetura e Urbanismo e professora da PUC Goiás, Sandra Catharinne, explicou que há registros do projeto original do Bairro Jaó que indicam a participação de profissionais estrangeiros na concepção e construção da área. Segundo ela, documentos da planta do bairro mostram que imigrantes europeus estiveram envolvidos nesse processo. Além de alemães, também havia poloneses e pessoas de outros países próximos à Alemanha que vieram para o Brasil no período em que Goiânia estava sendo construída. “Eles vieram para o Brasil e acabaram tendo um convite para vir para Goiânia na época em que a cidade estava sendo construída. Muitos trabalharam como engenheiros e também em órgãos públicos”, explicou. A arquiteta contou que atualmente desenvolve um estudo com alunos de iniciação científica na universidade para tentar reunir mais informações sobre esses profissionais. A pesquisa busca mapear documentos e entender a atuação desses imigrantes não apenas no Bairro Jaó, mas também no Departamento de Obras do estado à época da construção de Goiânia. Como parte da investigação, Sandra tem visitado arquivos públicos no Rio de Janeiro, que era a capital do Brasil no período, para tentar identificar a origem desses imigrantes, quando chegaram a Goiás e se permaneceram no país. “A gente tenta mapear de onde eles vieram, quando chegaram aqui e se depois retornaram às cidades de origem ou foram para outros lugares do Brasil”, explicou. Segundo a professora, para identificar possíveis descendentes seria necessário realizar um rastreamento genealógico, o que ainda não foi feito. Além disso, alguns imigrantes tiveram os sobrenomes adaptados ao chegar ao Brasil, o que pode dificultar essa busca. Setor Jaó, em Goiânia Wildes Barbosa/O Popular 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

  23. Coronel Cláudia Lima Gusmão Cacho foi proposta para promoção a general de brigada. Centro de Comunicação Social do Exército "Coronel”, “tenente-coronel”, “major”, “tenente”, "cabo". Nas Forças Armadas, as patentes quase sempre são usadas no masculino, mesmo quando uma mulher veste a farda. Quanto mais perto do topo da hierarquia, menor a representatividade – e a necessidade de um nome específico. Mas neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Exército Brasileiro se aproxima de um momento inédito: uma mulher pode chegar ao generalato. A escolhida é a coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, indicada para promoção ao posto de general de brigada. Se confirmada, ela será a primeira mulher general do Exército Brasileiro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A indicação foi aprovada em votação secreta pelo Alto Comando do Exército. O processo agora segue o trâmite formal: o comandante apresenta a proposta ao ministro da Defesa, que encaminha o nome ao presidente da República. A publicação no Diário Oficial da União está prevista para 31 de março. Quem é Cláudia Cacho Coronel Cláudia Lima Gusmão Cacho foi proposta para promoção a general de brigada. Centro de Comunicação Social do Exército/Divulgação Nascida em Recife (PE), Cláudia é médica pediatra formada pela Universidade de Pernambuco (UPE). Ela ingressou no Exército em 1996, inicialmente como oficial temporária no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia (GO). Em 1998, concluiu o Curso de Formação de Oficiais Médicos da Escola de Saúde do Exército, iniciando uma carreira de quase três décadas na área de saúde militar. Atualmente, é subdiretora do Hospital Militar de Área de Brasília. A expectativa é que, após a promoção, ela assuma a direção da unidade. Mulheres nas Forças Armadas Cerimônia de incorporação feminina ao serviço militar em Brasília As primeiras soldados mulheres do Exército Brasileiro foram incorporadas somente neste ano — 1.467 pioneiras em 13 estados e no Distrito Federal. A cermônia de incorporação em Brasília foi no primeiro dia útil de março, o mês da mulher. Segundo o Exército, durante o primeiro semestre de 2025, cerca de 33 mil jovens se alistaram para o Serviço Militar Inicial Feminino. A presença feminina cresceu gradualmente nas últimas décadas. Em 1992, 52 mulheres ingressaram no Quadro Complementar de Oficiais por meio de concurso público. A partir de 1997, engenheiras, médicas, dentistas e farmacêuticas militares se formaram elo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pela Escola de Saúde do Exército. Outra ampliação ocorreu em 2016, quando o Exército passou a permitir o ingresso de mulheres na linha de ensino militar bélico, com vagas em cursos de formação de sargentos e na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. No ano passado, pela primeira vez, seis mulheres foram promovidas à graduação de subtenente, o posto mais alto entre as praças. Mas afinal: é general ou "generala"? Segundo a professora de língua portuguesa Vânia Beneveli, do ponto de vista gramatical, a língua portuguesa permite a formação do feminino para patentes militares. Assim, termos como “generala”, “coronela” e “sargenta” são considerados possíveis dentro das regras do idioma. A especialista explica que a gramática prevê a flexão de gênero para nomes de cargos e profissões. “Substantivos que designam pessoas podem variar em gênero por meio de alterações morfológicas ou pelo acréscimo da desinência feminina”, afirma a especialista. Dicionários e registros oficiais da língua também reconhecem essas formas. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras, por exemplo, inclui palavras como “generala”, “coronela”, “sargenta” e “capitã”. Apesar disso, nem todas as formas são comuns no uso cotidiano. Segundo Beneveli, algumas palavras ainda não se consolidaram socialmente, já que as patentes militares foram ocupadas majoritariamente por homens ao longo da história. "O uso institucional consolidou uma prática diferente: manter o nome da patente no masculino e indicar o gênero por meio do artigo. Dessa forma, em documentos oficiais e na comunicação institucional, costuma-se dizer 'a coronel', 'a general' ou 'a sargento'", explica. A professora reforça que a sociedade passa por um momento de transição, em que a presença feminina nesses cargos começa a influenciar também a língua. "Como lembram os estudos da historiografia linguística, a língua é um organismo que se transforma à medida que a sociedade que a fala passa pelas suas transformações sociais e culturais", explica a professora. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

  24. Brasileiro Gustavo Guimarães, natural de Belo Horizonte, foi morto a tiros pela polícia de Powder Springs Arquivo pessoal O mineiro Gustavo Guimarães, de 34 anos, morreu após policiais de Powder Springs, cidade no estado da Geórgia (EUA), atirarem contra ele no dia 3 de março. Segundo a denúncia de familiares, o brasileiro foi baleado sem motivo enquanto conversava com conselheiras do governo para receber tratamento psicológico e psiquiátrico. Gustavo é natural de Belo Horizonte e morava em Acworth há mais de 20 anos. Ele era estudante na Life University, na Geórgia. Segundo a mãe de Gustavo, que preferiu não se identificar, o mineiro era muito dedicado. "Gustava tinha cidadania há mais de 20 anos. Estamos aqui desde 1998. Falava inglês perfeitamente, não tinha sotaque, ele era estudante de biologia e trabalhava como líder de ética da biblioteca da Life University", explicou a mãe. Ela contou que o estudante defendia causas importantes para a sociedade. "Era ativista contra crueldade de animais e outras causas. Ele nem comia carne, era vegano", acrescentou. Ainda de acordo com a mãe, o filho combatia a violência. "Ele dizia que Deus não criou arma, que foram os homens. Meu filho não estava armado. Era completamente contra arma, era ativista contra violência", contou. Relembre o caso Na última terça-feira (3), o brasileiro se encontrou com a mãe e duas profissionais de saúde mental do governo da Geórgia no estacionamento de um supermercado de Powder Springs para conversar. Segundo a família, a intenção era pedir ajuda para o filho, que estava com apresentando sinais de transtornos mentais. Gustavo teria começado a falar mais alto, mas não teria agredido ninguém, apenas ficou nervoso com a situação. Em um determinado momento, policiais chegaram ao local dizendo que receberam uma denúncia sobre uma pessoa com transtornos mentais em surto. "Eu ainda estou muito chocada com tudo o que aconteceu", desabafou a mãe de Gustavo. Apesar da versão apresentada pelos parentes, o Departamento de Polícia de Powder Springs informou que, quando os policiais chegaram ao local, o homem sacou a arma em uma "ocorrência relacionada à saúde mental". A mãe negou que o filho estivesse armado. O caso é apurado pela Agência de Investigação da Geórgia. O Ministério das Relações Exteriores informou que tem ciência do ocorrido e está em contato com a família do brasileiro. LEIA TAMBÉM: PM intercepta carro com reféns no porta-malas na BR-040 e desmantela sequestro iniciado no RJ Justiça Federal suspende licença de mineradora após questionamento de quilombolas em MG Veja os vídeos mais assistidos do g1 Minas:

  25. Quem foi Maria Quitéria, baiana pioneira do Exército brasileiro há 200 anos Com cabelo raspado e roupas emprestadas do cunhado, Maria Quitéria se transformou no soldado Medeiros e se alistou no Exército Brasileiro em 1822. Mesmo após ter tido a identidade revelada, a baiana permaneceu na tropa e, por dois séculos, foi a única soldado mulher de que havia registro na história do Brasil. Na última semana, ela ganhou a companhia de outras 1.010 mulheres que se formaram como soldados do Exército e incorporaram às fileiras em março em todo o país. O grupo pôde ingressar oficialmente nas Forças Armadas após o alistamento voluntário feminino ser permitido, pela primeira vez, em janeiro de 2025. Este ano trouxe ainda outro marco à instituição: a primeira mulher a ser indicada como general, o cargo mais alto da Força Terrestre. Antes de ser nomeada, o nome da coronel médica Cláudia Lima Gusmão Cacho será submetido à aprovação do Presidente da República. ♀️‍🪖 Neste Dia da Mulher, o g1 relembra Maria Quitéria e analisa como a trajetória de ineditismo dela e de outras mulheres ao longo da história do Exército pavimentou o caminho até a incorporação das soldados em 2026. Apesar de ter sido a grande precursora das mudanças que viriam a acontecer nas Forças Armadas ao longo de 200 anos, Maria Quitéria morreu pobre, foi enterrada como indigente e teve a sua história silenciada por anos. (leia abaixo) Subvertendo a ordem Maria Quitéria - especial 2 de Julho Redes sociais Maria Quitéria nasceu e cresceu em uma comunidade rural em Feira de Santana, atualmente a segunda maior cidade da Bahia. Com a morte da mãe ainda na infância, ela passou a exercer papéis que não eram associados às mulheres do século XIX, como caçar, pescar e manusear armas. Com ajuda da irmã, "o soldado Medeiros" - personagem que criou para burlar o impedimento às mulheres na tropa - se alistou no Regimento de Artilharia da Vila de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para lutar contra as tropas portuguesas na guerras pela independência do Brasil, em 1822. "Ela subverteu a ordem e fugiu do padrão. Depois, quando foi descoberta, se ultrapassou a questão de ser uma mulher porque havia a necessidade, ela era muito boa", explicou Márcia Suely, doutora em História e pesquisadora sobre a vida de Maria Quitéria. A baiana se destacou em três batalhas: em Pirajá, na defesa de Ilha da Maré e na de Piatã, todas ambientadas em Salvador. Na batalha de Piatã, Maria Quitéria entrou em uma trincheira, rendeu os soldados portugueses e os levou, sozinha, para o acampamento. O feito a rendeu uma condecoração e o reconhecimento pelo então imperador Dom Pedro I, que a entregou a insígnia de "Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro" - uma honraria em reconhecimento ao serviço dos súditos que contribuíram com a nação e demonstrar o alto grau de estima e consideração do monarca. "Ela precisava sair da guerra como uma heroína, se não daria razão para o que a sociedade pensava das mulheres [naquela época]", explicou a historiadora. Da honraria ao esquecimento Insígnia de "cavaleiro" da Ordem Imperial do Cruzeiro foi dada a Maria Quitéria concedida pelo então imperador Dom Pedro I TV Bahia Mesmo com o reconhecimento dos colegas e com a honraria entregue pelo próprio imperador, Maria Quitéria não passou a compor a corte, nem ganhou um cargo importante. Após a morte do pai, ela se casou, teve uma filha e passou a viver no anonimato em Salvador. Para Sílvia Duarte tenente-coronel do Exército, doutora em Educação, Arte e História da Cultura e estudiosa do tema mulheres nas Forças Armadas, há um paradoxo em como Maria Quitéria foi recompensada, quando comparada a figuras masculinas que também lutaram pela Independência do Brasil. "Quando os homens participavam de um feito, passavam a integrar a corte. Maria Quitéria teve um papel pontual: ela foi reconhecida, voltou para casa e foi ,de certa forma, esquecida. Não vemos isso com o Duque de Caxias [patrono do Exército] e o General Osório [herói da Guerra do Paraguai]", afirmou. A morte de Maria Quitéria sustenta o paradoxo apontado pela tenente coronel: aos 61 anos, ela foi enterrada em uma cova rasa, como indigente, em um cemitério que era vizinho à Igreja de Santana, na capital baiana. Em Salvador, a primeira estátua da heroína só foi inaugurada em 1953, mais de 160 anos depois de sua morte. O reconhecimento pelo Exército aconteceu em 1996, quando ela passou a ser Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro (QCO) - a escola que forma Oficiais para o Exército, em Salvador, abriu as portas ao serviço militar feminino a partir de 1992 e essas mulheres foram incorporadas aos quartéis no ano seguinte, 1993. Além disso, nenhum quartel do país leva o nome de Maria Quitéria - o que é comum entre seus 'pares' homens. No Rio de Janeiro, fortes homenageiam Duque de Caxias e General Osório, por exemplo. Em Salvador, o 19º Batalhão de Caçadores é chamado de Batalhão Pirajá em homenagem à Batalha de Pirajá, episódio marcante na luta pela Independência. Para a historiadora Márcia Suely, o apagamento da memória da heroína está associado à subversão que ela provocou na sociedade da época. "É uma memória mais contida porque ela subverteu as regras, então não é interessante para a sociedade relembrar", afirmou. Apesar disso, na Bahia há uma tentativa de resgate dessa memória, com estátua e honrarias que levam o nome dela. Veja abaixo: 🚥 Avenida e monumento em Feira de Santana (1950) 🗿 Estátua no bairro da Liberdade, em Salvador (1953) 🏅 Comenda Maria Quitéria, criada em 1979 pela Câmara Municipal de Feira de Santana É a mais alta honraria concedida pela Casa para as mulheres que se destacam por sua atuação na sociedade. 🏅 Comenda Maria Quitéria, criada em 1981 pela Câmara Municipal de Salvador Honraria concedida a mulheres com trajetória de destaque em áreas como social, cultural, educacional, política ou econômica. Monumento de Maria Quitéria está Instalado no cruzamento entre as avenidas Maria Quitéria e Getúlio Vargas Jorge Magalhães As que vieram depois Tenente Coronel Sílvia Duarte Redes sociais A tenente coronel Sílvia Duarte entrou no Exército no ano em que Maria Quitéria se tornou Patrona do Quadro Complementar de Oficiais, em 1996, por meio de um concurso público. Depois de 30 anos de serviço, ela vê a inclusão cada vez maior das mulheres como algo gratificante. "Esse ano temos dois marcos muito grandes: as primeiras soldadas e a primeira general. São dois extremos da carreira, um paradoxo muito bonito", afirmou. Confira a linha do tempo das mulheres no Exército g1 Após o ingresso de Maria Quitéria no Exército, em 1822, houve um hiato de 123 anos até que as mulheres fossem aceitas como enfermeiras. O ingresso foi uma questão de necessidade: elas atuaram no front da Segunda Guerra Mundial, na Itália. Mas foi só em 1992, que as primeiras mulheres foram admitidas na Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército (Esfcex) para integrar a tropa e terem uma carreira como Oficiais na Força. Em 2017 foi montada a primeira turma de alunas na escola que forma Oficiais Combatentes do Exército (AMAN) - a tradicional academia militar centenária só admitia homens. Primeira turma feminina de soldados em Salvador Exército Brasileiro Análise Mesmo com os últimos avanços, ainda há muito a se conquistar. O processo de admissão das mulheres no Exército Brasileiro ao longo da história é considerado bem mais lento quando comparado a outras democracias ocidentais, como Estados Unidos, França, Canadá e Reino Unido, que aceitam alistamento voluntário feminino há décadas. A nomeação da primeira mulher como general, em 2026, também é outra prova do abismo que existe: os primeiros generais homens foram nomeados ainda no século XIX. Para a tenente coronel Sílvia Duarte, o Exército é um retrato da sociedade e costuma espelhar, também no mercado de trabalho, questões gênero e seus desafios. "Eu espero que com o tempo a mulheres concorram em nível de igualdade com os homens", desejou. Recrutas pioneiras A soldado Luana Fatchinetti, de 18 anos, faz parte da primeira turma de soldados do Exército. Ela já pensava em prestar concurso para seguir carreira militar, quando o alistamento voluntario feminino foi anunciado. Com o apoio da mãe, que sonhava em ser enfermeira da Marinha, se inscreveu no processo. "Decidi aproveitar a oportunidade, entrar nessa experiência e, de certa forma, carregar o sonho da minha mãe também", contou. Para a soldado Luana, a experiência tem sido cheia de aprendizados e indica uma oportunidade de mudança de vida para as mulheres. "Somos pioneiras nesse momento, que é um passo tão importante para o Exército Brasileiro e para nós, mulheres. Quando meus netos abrirem o livro de história e verem as fotos das primeiras turmas femininas, vou poder dizer: 'olha, sou eu ali!'", comemorou. Soldados pioneiras com o Comandante do Exército, General Tomáz, no evento de incorporação nesta semana em Brasília Subtenente Sionir/Divulgação EB Como se alistar Mulheres se alistaram como soldados pela primeira vez em 2026 g1 Para o Coronel Cleidson Vasconcelos, chefe da Seção de Comunicação Social da 6ª Região Militar, em Salvador, o interesse das mulheres pelo serviço voluntário superou a expectativa - mais de 30 mil mulheres se alistaram. Foram 33.720 candidatas, sendo 2.230 na Bahia. Deste número, 57 foram incorporadas no quadro de soldados no estado - todas na capital. "Marca um novo capítulo da história e valoriza a representação das mulheres na instituição", afirmou. O alistamento voluntário feminino fica aberto entre janeiro e junho, mesmo período do alistamento masculino - que é obrigatório. Para se inscrever, as voluntárias precisam completar a maioridade no ano de inscrição, além de residir em algum dos municípios que possuem Organização Militar e que foram contemplados com a iniciativa pioneira. Mais informações estão no site do Alistamento. LEIA TAMBÉM: Cidade baiana onde nasceu Maria Quitéria preserva legado em memorial, monumentos e mais Relembre mulheres que fizeram história na Independência do Brasil na Bahia Primeira militar brasileira se passou por homem e virou heroína no campo de batalha Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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