
Jogadores destacam emocional forte em virada sobre o Japão
Depois do jogo contra o Japão, Carlo Ancelotti exaltou o espírito da Seleção na Copa. E os jogadores contaram um bastidor: o que todos conversaram no vestiário antes de voltar para o segundo tempo.
Eles terminaram a partida exaustos pelo cansaço e em êxtase por uma classificação com jeitinho de Brasil.
"Acima de tudo, um jogo com a cara do nosso país, né? Sofremos até o final, no final deu tudo certo. A gente não desiste nunca”, afirma Bruno Guimarães, meio-campo da Seleção.
"Isso é Brasil, não desistir, é nossa cultura. Fico muito feliz pela partida. Como eu citei antes, a gente lutou até o final e merecemos muito essa vitória”, afirma Gabriel Martinelli, atacante da Seleção.
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Um dia de trabalho sofrido, vencido como um time.
"A gente imaginava que seria um jogo difícil, mas, poxa, do jeito que foi, sofrer até o final. O Marti resolvendo. Acho que todo mundo confiava no grupo. Em todas as entrevistas, eu falo que todo mundo vai ter o seu protagonismo, que as coisas vão vir automáticas. A gente não precisa ter uma pessoa só para resolver em todos os momentos", diz Matheus Cunha, atacante da Seleção.
"É o espírito de equipe, de grupo. Legal que quem veio do banco nos deu a classificação, o Martinelli, um moleque sensacional. Feliz demais por hoje”, comemora Bruno Guimarães.
Jogadores contam o que foi conversado no vestiário antes do segundo tempo contra o Japão
Jornal Nacional/ Reprodução
Eles revelaram as conversas no intervalo, quando a equipe perdia por 1 a 0.
"O mister falou bastante coisas. Mas, principalmente, para manter a calma. Tivemos a calma, conseguimos virar e acho que todos estão de parabéns”, diz Casemiro, meio-campo da Seleção.
"O mister foi fundamental no intervalo para nos dar essa tranquilidade. Nós mesmo, também, procuramos nos ajudar, falando para não perder a cabeça. Porque a gente sabe que, nesse momento, às vezes a ansiedade bate. Vencer dessa maneira nos ajuda a crescer, que, também, é o que a gente vem buscando: crescer durante a competição", conta Alisson, goleiro da Seleção.
'Sofrimento é normal, como é normal o alívio', diz Ancelotti após Seleção eliminar o Japão na Copa
Jornal Nacional/ Reprodução
"Obviamente, o aspecto psicológico é importante. O sofrimento é normal, não há nada novo. Sobretudo no futebol moderno, sofrimento é normal, como é normal o alívio”, diz Carlo Ancelotti, técnico da Seleção.
Muito além da performance e de como o jogo se desenhou, os jogadores deixaram o estádio ressaltando o controle emocional no momento mais importante da competição.
"Acho que o bom foi aspecto mental da equipe. Seguimos pressionando, seguimos atacando. Acho que é importante falar, principalmente em uma Copa do Mundo, os jogadores que vêm entrando... O Endrick entrou bem, Marti é outro jogador, o Rayan, que vem substituindo o grande Raphinha. Então, acho que esse é o espírito e esse é o grupo para se ganhar o Mundial”, afirma Casemiro.
"Demostra resiliência, demostra maturidade. Penso que foi um teste importante para nós darmos a volta, o resultado da forma que foi", afirma Danilo, lateral da Seleção.
"É ter paciência que, se Deus quiser, as coisas vão acontecer aos poucos e nas dificuldades, nos trancos e barrancos, mas no final vamos ser felizes”, diz Matheus Cunha.
A vitória nos acréscimos gerou reações no mundo inteiro: euforia em Bangladesh e no Paquistão. Gente nas ruas do Líbano. Uma classificação-resposta para os japoneses, que andaram dizendo que a Seleção não era mais a mesma.
"Tem que ter bastante respeito para falar da gente. O que a gente representa é muito maior que nós. As minhas palavras para eles foram: 'Respeita isso aqui porque fomos penta, temos cinco e, agora, eu acho que vocês sabem quem nós somos'", conta Matheus Cunha.
Pós-jogo
O ônibus da Seleção Brasileira deixou o estádio em Houston por volta de 19h, horário de Brasília, e foi direto para o aeroporto. Às 21h, o avião da Seleção decola para Nova Jersey, que é a base da Seleção Brasileira nessa Copa do Mundo e, também, o palco da oitavas de final.
Nesta terça-feira (30), o Brasil treina pela manhã, ao meio-dia, no horário de Brasília, 11h no horário de Nova Jersey. E, depois do almoço, os jogadores têm folga. Só vão voltar a se apresentar no fim da tarde de quarta-feira (1º).
Antes de embarcar no ônibus, Paquetá passou andando pelos jornalistas e já estava melhor. Ele teve um problema no posterior da coxa esquerda e vai realizar exames nesta terça-feira (30). Casemiro também saiu mancando, um pouco incomodado. Mas ele não preocupa; teve só câimbras.
Comentários
Paulo Nunes e Renata Vasconcellos em Nova York, nos Estados Unidos
Jornal Nacional/ Reprodução
Renata Vasconcellos: Jogo emocionante. Agora, precisava resolver no último minuto? Você está vivo? É você que está aqui na minha frente?
Paulo Nunes, comentarista: Boa noite, Brasil, depois de uma vitória tão importante como essa. Se a gente está cansado, imagina os atletas. Para mim, foi o jogo da maturidade, do equilíbrio. Porque não é fácil você começar perdendo uma partida. A pressão, a exigência em um jogo tão decisivo quanto esse. E os jogadores tiveram equilíbrio emocional. A gente falou muito aqui durante a semana sobre a parte mental, e a Seleção Brasileira soube aproveitar isso dentro do campo.
Renata Vasconcellos: No segundo tempo, eles voltaram com essa coesão, nessa firmeza para virar. E o técnico Carlo Ancelotti demostrou, mais uma vez, por que é considerado um dos maiores técnicos da história do futebol. Essa experiência dele faz diferença, né?
Paulo Nunes: Muita. Você vê a conversa, primeiro, no intervalo do jogo. Mas o mais importante: ele teve a coragem, conhece bem os atletas, os jogadores, voltou para aquele esquema que ele tinha começado lá atrás (4-2-4). Teve coragem para essa mudança, acreditou que a equipe poderia melhorar - e melhorou muito. Ele conhece todos os atletas. Está utilizando todos os atletas, e eles estão se entregando. Uma vitória como essa dá muita casca, dá muita confiança para a Seleção Brasileira.
Renata Vasconcellos: Manteve o Casemiro, manteve o Martinelli. E olha aí o resultado.
Paulo Nunes: Muita gente criticou algumas mudanças - umas sim, outras não -, mas o que importa é que ele conhece. Ele trabalha dentro da semana com esses jogadores. A confiança que ele passa para os atletas, a gente viu em campo.
Renata Vasconcellos: Ele até falou na entrevista coletiva depois do jogo: "Sofrer é normal". Agora, realmente faz diferença esse controle emocional, que é o mantra do futebol. Time vencedor tem que saber sofrer.
Paulo Nunes: E tem que passar por isso. Você vai ganhando casca, vai ganhando mais confiança e, um jogo como esse, te dá muito mais crédito para o próximo jogo.
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