
EUA e Irã acertam cessar-fogo de duas semanas com mediação do Paquistão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (8) que "muitos pontos já foram acordados" com o Irã, negou que Teerã enriquecerá urânio e que os EUA e o Irã trabalharão juntos para retirar o estoque iraniano de urânio enriquecido.
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"Os Estados Unidos trabalharão em estreita colaboração com o Irã, que, segundo avaliamos, passou por uma mudança de regime que será muito produtiva! Não haverá enriquecimento de urânio e os Estados Unidos, em cooperação com o Irã, irão escavar e remover todo o 'material nuclear' profundamente enterrado (por bombardeiros B-2). Isso está agora, e desde o ataque, sob vigilância por satélite extremamente rigorosa (Força Espacial!). Nada foi tocado desde a data do ataque. Estamos e estaremos discutindo tarifas e alívio de sanções com o Irã. Muitos dos 15 pontos já foram acordados", afirmou Trump na rede social Truth Social.
A fala de Trump contraria um comunicado divulgado pelo Irã nas últimas horas, no qual disse que os EUA concordaram que o país continuasse enriquecendo urânio. O regime iraniano não se manifestou de forma oficial sobre a nova publicação do presidente norte-americano até a última atualização desta reportagem.
Trump também não detalhou como será a retirada do material radioativo do Irã, que segundo a ONU está enterrada abaixo da instalação nuclear de Isfahan. É possível que ele tenha se referido aos 440 kg de urânio enriquecido a 60% —próximo ao nível de ogiva nuclear— mantido por Teerã.
EUA, Israel e Irã anunciaram na noite de quinta-feira um acordo de cessar-fogo de duas semanas para dar abertura para nova rodada de negociações pelo fim definitivo da guerra. A trégua envolve abertura do Estreito de Ormuz, e cada um dos países delineou suas condições para que o conflito não seja retomada. Leia mais abaixo.
Negociadores dos EUA e do Irã se reunirão na sexta-feira em Islamabad, capital do Paquistão, para retomar as negociações para finalizar a guerra. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, disse nesta quarta-feira que o presidente dos EUA, Donald Trump, está "impaciente" por progresso nas negociações com o Irã. Ele também afirmou que chegarão a um acordo com o Irã caso o rival negocie "em boa fé", porém não especificou o que quis dizer.
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Trump fala em 'objetivos cumpridos'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em coletiva na Casa Branca
Evan Vucci/Reuters
O presidente norte-americano, Donald Trump, alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.
Segundo ele, os EUA receberam uma proposta de plano de paz do Irã com 10 pontos, considerada uma base viável para negociação (veja quais são abaixo). Trump declarou que quase todos os pontos de divergência já foram acordados entre os dois países.
"Um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído", disse.
Leia o anúncio de Trump na íntegra mais abaixo.
Segundo autoridades da Casa Branca, Israel também fará parte da trégua. Na mesma linha, a mídia israelense disse que o cessar-fogo também inclui o Líbano.
O Paquistão confirmou que as conversas entre negociadores de EUA e Irã começarão na próxima sexta-feira (10), em Islamabad.
Irã confirma
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que um acordo entre os dois países havia sido fechado. Segundo ele, Teerã vai suspender ações defensivas desde que os ataques contra o país sejam interrompidos.
Araghchi disse ainda que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura durante a trégua, com algumas condições.
"Por um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e com a devida consideração às limitações técnicas."
O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. As conversas devem começar na sexta-feira (10), no Paquistão.
A TV estatal do Irã classificou o acordo como um "recuo humilhante de Trump" e disse que os EUA aceitaram os termos de Teerã. A mídia iraniana também afirmou que a trégua não representa o fim da guerra.
Segundo Teerã, a proposta de paz enviada pelo país exige o fim das sanções dos EUA contra o Irã, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados.
Segundo a agência Mehr, do governo iraniano, os 10 pontos que Teerã apresentou aos EUA são:
Não agressão
Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz
Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã
Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã
Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã
Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU
Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA
Pagamento de indenização ao Irã
Retirada das forças de combate dos EUA da região
Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Tensões
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz
Reuters
As ameaças de Trump elevaram a tensão na comunidade internacional e levantaram alertas sobre possíveis crimes de guerra em caso de ataques dos Estados Unidos a alvos civis iranianos. O impasse também aumentou o temor de uma escalada no conflito, com possíveis impactos globais.
Um eventual ataque dos EUA a usinas iranianas poderia interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas e provocar um colapso elétrico e econômico no país.
Também havia temores de que ataques a instalações nucleares provoquem um acidente radiológico grave, com impactos que poderiam ultrapassar as fronteiras do Irã.
O governo iraniano indicou que poderia retaliar bombardeando usinas de energia de países vizinhos, incluindo refinarias de petróleo, o que poderia pressionar ainda mais os preços.
Teerã também afirmou que poderia atingir usinas de dessalinização em países do Golfo, colocando em risco o abastecimento de água para milhões de pessoas na região.
Horas antes do prazo dado por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a estratégica ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo produzido no Irã, mas poupou áreas petrolíferas.
Já Israel afirmou ter realizado “amplos ataques” no território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios. Entre os alvos está uma ponte em Qom, uma das maiores cidades do país. Uma petroquímica também foi atingida.
O Irã reagiu, convocou a população a formar escudos humanos ao redor de usinas e afirmou que a fase de “boa vizinhança” com países do Golfo chegou ao fim. Ataques foram lançados contra países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein.
Anúncio de Trump
"Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria empregada esta noite contra o Irã, e condicionado ao fato de a República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!
A razão para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados em um acordo definitivo voltado para a PAZ de longo prazo com o Irã, e para a PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela representa uma base viável para negociação. Quase todos os pontos de divergência do passado já foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído.
Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver esse problema de longa data próximo de uma solução. Obrigado pela atenção a este assunto!
Presidente DONALD J. TRUMP"
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