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G1 GLOBO (Tudo Diário)

Últimas notícias do Brasil e do mundo, sobre política, economia, emprego, educação, saúde, meio ambiente, tecnologia, ciência, cultura e carros. Vídeos dos telejornais da TV Globo e da GloboNews.

  1. Embaixada dos EUA em Bagdá, no Iraque, é alvo de ataque com drones; Trump enviou mais 2,5 mil fuzileiros navais ao Oriente Médio Mais cedo, o governo americano confirmou a morte dos 6 militares a bordo do avião de reabastecimento que caiu no Iraque. Os conflitos no Oriente Médio entram na terceira semana neste sábado (14); guerra não tem previsão de terminar.. EUA e Israel anunciaram uma nova onda de ataques a Teerã, e uma explosão atingiu uma manifestação na capital iraniana. Autoridades disseram que 1 mulher morreu. . Um avião de reabastecimento dos EUA caiu na quinta (12) no espaço aéreo do Iraque. Nesta sexta, as forças norte-americanas disseram que os 6 soldados morreram. . Em meio aos conflitos, os EUA relaxaram sanções à Rússia, para escoar as vendas de petróleo, ainda em alta por conta da guerra. A decisão foi criticada por Zelensky.. Ataque com drones atinge embaixada dos EUA em Bagdá neste sábado (14). Fmaça foi vista saindo de complexo diplomático.

  2. Presidente da Comissão de Defesa dos Animais da OAB comenta casos registrados em PE Neste sábado (14) é celebrado o Dia Nacional dos Animais. A data, que tem como proposta a conscientização sobre a proteção e o bem-estar, traz luz ao tema e acende um alerta: em 2025, foram registrados 382 casos de crueldade animal em Pernambuco, segundo dados levantados pela Secretaria de Defesa Social (SDS). De acordo com o advogado Cleonildo Painha, presidente da Comissão de Defesa e Proteção dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE), os casos de crueldade demandam integração entre diferentes órgãos do poder público e da sociedade (veja vídeo acima). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Os dados divulgados pela SDS apresentam o seguinte cenário: foram registrados 382 casos de crueldade animal em Pernambuco, em 2025; destes, 277 foram praticados contra cães e gatos, representando 72,51%; ao todo, 59 pessoas foram conduzidas em flagrante, 15,45% do total de casos; considerando apenas os casos que envolvem cães e gatos, apenas quatro pessoas foram conduzidas em flagrante, 1,44% dos 277. Do total de casos, Pernambuco registrou uma queda de 4,7% em relação a 2024, que teve 401 ocorrências. Apesar disso, o número de registros envolvendo gatos e cachorros aumentou 61,9%, em comparação com os 171 casos de 2024. “Os números revelam algo preocupante. A violência contra os animais não é um fato isolado, é uma realidade estruturada. E quando falamos de cães e gatos, estamos falando de animais que convivem dentro das casas, das famílias. Por isso que esse número ele se eleva mais, porque esses animais estão mais próximos do agressor”, comentou Cleonildo Painha. Apesar do cenário, o advogado acredita que há uma subnotificação dos registros, já que muitos casos de crueldade, segundo ele, são normalizados por parte da população, como agressões em contextos de exploração para o trabalho ou animais acorrentados em locais inadequados. “No Ceasa [Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco] mesmo, aqui no Recife, há trabalho com animais. Quando os animais não respondem com a carga, eles batem com chicote. A população até passa de carro e vê aquilo, mas trata como normal, por se tratar de um animal grande. Passa despercebido na sociedade”, disse o advogado. No Brasil, a Lei nº 9.605 de 1998 determina que o crime de maus-tratos contra animais tem pena de detenção, de três meses a um ano, e multa. Quando praticados contra gatos e cachorros, a punição aumenta para reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição da guarda. Segundo Cleonildo Painha, mesmo quando há registro junto à polícia, em muitos dos casos, o crime prescreve antes de ser julgado. “Muitas vezes as delegacias não têm capacidade para absorver aquela queixa. Registra por registrar para poder fazer estatística. [...] Muitas vezes quando vai chegar lá na Justiça, o crime já está prescrito. Uma pena de 2 anos, você vai ter prescrição com 6 anos, por exemplo”, explicou. Imagem de arquivo mostra cão em situação de maus-tratos Reprodução/Polícia Ambiental Do outro lado da delegacia O gargalo da Justiça também é sentido por quem recebe as denúncias. Em entrevista ao g1, o titular da Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma), Ademar Cândido, explicou que a demora em conseguir autorização para mandados junto ao Judiciário é uma das principais dificuldades para conduzir investigações. “O flagrante que envolve animal é diferente. Quando a gente vai chegar lá no local, o cara não está mais nem lá. [...] A demanda [no Judiciário] é grande e a demora para sair um mandado de busca, também. Demora um mês, um mês e meio, dois meses… A polícia tem vontade de atuar, só que as leis têm as suas barreiras e a gente cumpre a lei”, explicou. Sem a possibilidade de entrar nas casas, que são justamente os principais locais onde gatos e cachorros convivem com as pessoas, a polícia incentiva que as pessoas se identifiquem na hora de denunciar, registrem imagens e deem depoimento, quando possível, possibilitando que os inquéritos sejam apurados de forma robusta. Além da dificuldade em conseguir medidas essenciais para a investigação, o delegado Ademar Cândido aponta que a ausência de políticas públicas integradas dificulta a atuação da polícia, já que muitas vezes, mesmo que comprovada a situação de violência, não há um abrigo para onde encaminhar o animal. “A polícia não resgata, a polícia investiga. Esse animal vai para onde depois que tá maltratado? É aí que a gente fica numa situação difícil. [...] Muitas vezes, a gente nota que é um problema mais social, de Estado mesmo, principalmente dos municípios. As prefeituras não têm um local adequado para se levar esse animal”, explicou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

  3. Como o carnaval virou oportunidade para pequenos negócios Uma camisa tradicional do carnaval de Olinda ganhou projeção nacional – e virou objeto de desejo – depois de aparecer em uma cena do filme "O Agente Secreto", estrelado por Wagner Moura. Às vésperas da cerimônia do Oscar, que acontece neste domingo (15), a peça voltou a chamar atenção e impulsionou as vendas da troça carnavalesca Pitombeira dos Quatro Cantos. 🤔 Mas o que é uma troça carnavalesca? É um grupo de menor porte que desfila no carnaval. Em geral, costuma ser mais informal e irreverente, focado na brincadeira. A agremiação é tradicional no carnaval de cidades de Olinda e Recife, em Pernambuco. No longa, o personagem interpretado por Wagner Moura aparece usando uma camisa antiga do bloco: um modelo vintage amarelo com o escudo tradicional da agremiação. A peça faz referência direta à história da Pitombeira dos Quatro Cantos, uma das troças mais antigas do carnaval pernambucano, conhecida por arrastar milhares de foliões pelas ladeiras históricas de Olinda. A cena rapidamente repercutiu nas redes sociais e despertou a curiosidade de fãs do ator e de foliões de várias partes do país. A camiseta passou a ser procurada não apenas por quem participa do carnaval da cidade, mas também por admiradores do filme e colecionadores de itens ligados à cultura popular. Segundo Hermes Neto, presidente da Pitombeira, a repercussão foi imediata. “Essa camisa sempre foi o símbolo da troça e hoje é a nossa principal fonte de receita. Já garantimos o carnaval de 2026 e, sem dúvidas, também vamos garantir parte do carnaval de 2027. A gente trocou o pneu do carro com o carro em movimento para conseguir atender todo mundo”, afirma. Como o Carnaval virou vitrine de negócios e impulsionou empreendedores Reprodução/PEGN Com o aumento da procura, a troça precisou reorganizar a logística de vendas e ampliar a produção para atender aos pedidos. A camiseta, que sempre foi um símbolo da agremiação, acabou se transformando também em uma das principais fontes de receita do grupo. De acordo com Hermes, o impacto financeiro foi decisivo para o planejamento do carnaval deste ano. A arrecadação obtida com a venda das camisetas ajudou a garantir os recursos necessários para colocar o bloco na rua e já contribui para organizar os próximos carnavais. A demanda inesperada também movimentou a economia local. Malharias da região passaram a trabalhar em ritmo acelerado para dar conta dos pedidos, ampliando turnos de produção e contratando mais profissionais. Em alguns casos, a produção de camisetas chegou a aumentar até dez vezes em relação ao volume inicialmente previsto para o período. Para pequenos negócios da cadeia têxtil, o sucesso da camisa representou uma oportunidade de crescimento. A encomenda constante de novas peças ajudou a aquecer a produção e gerar renda em um momento estratégico do ano para a economia da cidade. Além de ajudar a custear a festa, o sucesso da peça reforçou a visibilidade da Pitombeira. Camisa usada por Wagner Moura em 'O Agente Secreto' vira febre e dispara vendas de negócio em Olinda Reprodução/PEGN Fundada há quase oito décadas, a Pitombeira dos Quatro Cantos é considerada uma das troças mais tradicionais do carnaval de Olinda e mantém uma forte ligação com a cultura popular da cidade. Segundo Hermes Neto, a experiência deixou uma lição clara sobre o impacto da exposição midiática para pequenos negócios e iniciativas culturais. “Propaganda é a alma do negócio. A gente já vem fazendo isso há 79 anos, mas precisava de um empurrão para que a Pitombeira ficasse conhecida no mundo”, afirma. O caso da Pitombeira mostra como a cultura popular, quando ganha destaque em produções audiovisuais, pode gerar efeitos que vão além da tela – movimentando a economia, fortalecendo tradições e ampliando o alcance de iniciativas locais para todo o país. Como o Carnaval virou vitrine de negócios e impulsionou empreendedores Reprodução/PEGN Social e Soluções 📍 Endereço: Rua Paulo Duarte, 689 - Vargem Grande São Paulo/SP – CEP: 22785-510 📞Telefone: (21) 979330101 🌐Site: www.socialesolucoes.com.br 📧E-mail: comercial@socialesolucoes.com.br 📘Facebook: https://www.facebook.com/share/1bhSUmeEAR 📸 Instagram: https://www.instagram.com/socialesolucoes?igsh=OGVlZWsxZDFodTFw Pitombeira dos Quatro Cantos 📍 Endereço: Rua 27 de Janeiro, 128 – Carmo Olinda – PE – CEP: 53020-020 📞Telefone: (81) 99899-2948 🌐Site: www.tcpitombeiraoficial.com 📧E-mail: oi@tcpitombeiraoficial.com 📸Instagram: https://www.instagram.com/turmadapitombeira/ MALHARIA ATLÂNTICO LTDA 📍 Endereço: Rua Maria Da Conceição Viana 704, Jardim Atlântico Olinda/PE – CEP: 53050-110 📞Telefone: (81) 99658-3457 e fixo: (81) 3432-4481 📧E-mail: marketingmalhariaatlantico@gmail.com 📸Instagram: https://www.instagram.com/malhariaatlantico/

  4. Morador faz recarga em carro elétrico com equipamento instalado na própria vaga do prédio em Ribeirão Preto (SP). Marcelo Moraes/EPTV No mês passado, entrou em vigor em São Paulo uma lei que dá aos moradores de prédios a prerrogativa de colocar os carregadores para carros elétricos nas vagas, desde que arquem com os custos e atendam às normas técnicas. Antes, assembleias de condomínios ou síndicos tinham o poder de vetar arbitrariamente a instalação. Agora, isso está proibido no estado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Mesmo assim, o processo para a instalação não é simples nem barato. É necessário trazer cabos por dentro do prédio até a vaga. “Dependendo do tamanho desse cabeamento até o carregador, o custo pode ser de R$ 5 mil para instalações de cinco metros até R$ 12 mil para 100 metros”, explica Luiz Felipe Santos, gerente-geral da Revo, empresa especializada em instalação de carregadores em prédios. “Se o condomínio não entrar com parte dos custos, o morador pode pagar três vezes mais no carregador do que um equivalente numa residência”, diz. Condomínio agora tem de colaborar Para instalar um carregador numa vaga de prédio é preciso, primeiro, fazer uma análise de carga. “Durante sete dias um equipamento verifica o consumo de energia e tensão do prédio. Com isso podemos ver quantos carregadores a rede comporta”, diz o gerente. Essa análise, que pode custar entre R$ 3 mil e R$ 15 mil, precisa ser feita e paga pelo condomínio. É com esse documento que o síndico vai ter respaldo para prosseguir com a instalação ou não. Antes da nova lei paulista, o síndico ou assembléia de condomínio podiam vetar sem apresentar justificativa. Agora é preciso ter documento com motivos técnicos para proibir. “Existem prédios que não comportam instaladores individuais. Aí a solução é ter vagas de uso comum, para todos os moradores. Passa a ser uma iniciativa do prédio, não só do morador”, explica Raquel Bueno, gerente da Lello Condomínios, administradora de São Paulo. Com a análise pronta e todos os passos em assembleia seguidos, é possível concluir a instalação do carregador entre 20 e 30 dias. Segundo Santos, da Revo, outro custo que pode aparecer é o chamado furo técnico, que pode dobrar o valor do serviço. “Em alguns casos para o cabeamento passar pelas lajes é preciso um engenheiro para certificar. Assim, sabemos que não há comprometimento da estrutura com o furo técnico”, explica. O gerente da Revo diz que alguns condomínios estão arcando com uma parte da instalação que beneficia todos os moradores. “O condomínio paga e nós trazemos o cabeamento até um quadro. A partir dali cada morador, se quiser, instala o seu carregador seguindo as normas”, diz Santos. Segundo ele, isso proporciona padrão na instalação e diminui custos para todos. Existem prédios mais antigos em que seria necessário refazer toda a elétrica e ainda substituir o transformador na rua. “Os custos poderiam passar de R$ 500 mil, o que é inviável hoje em dia”, diz. Algumas empresas já se movimentam para facilitar o processo com soluções. "Nós conseguimos criar toda a infraestrutura do prédio sem cobrar nada do condomínio. À medida que os moradores vão aderindo aos carregadores, eles pagam pela instalação individual e manutenção do sistema”, explica Tadeu Azevedo, CEO da Power2Go. Segundo Azevedo, é possível ter soluções para todas as condições dos clientes. “Mesmo com vagas rotativas ou sorteadas, os condomínios conseguem se organizar”, explica. O executivo acredita que o mais importante é síndicos e assembleias entenderem que implementar carregadores valoriza os imóveis. “Quase nenhum prédio no Brasil nasceu pensando em carro elétrico. É preciso fazer o balanceamento da energia e já deixar a estrutura pronta para todas as vagas no futuro e não somente para os poucos moradores que hoje usam o carregador”, aconselha Azevedo. Segundo uma projeção consultoria Boston Consulting Group (BCG) a pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 65% das vendas de carros 0 km no Brasil será de eletrificados em 2035. Nova lei estabelece responsabilidade David Monteiro, advogado especialista em direito imobiliário do escritório Martinelli, diz que o desafio para os condomínios é criar regras claras para essa solicitação. "Situações que envolvam intervenções mais profundas em áreas comuns ou na infraestrutura coletiva ainda podem gerar discussões e exigir avaliação caso a caso, inclusive sobre a necessidade de deliberação em assembleia", explica Monteiro. Patrícia de Pádua Rodruigues, sócia da Martinelli Advogados, diz que o síndico e a assembléia do condomínio não podem criar exigências desproporcionais ou sem base técnica apenas para dificultar ou inviabilizar a instalação do ponto de recarga. "A nova lei permite ao condomínio exigir do morador o cumprimento das normas técnicas e das regras de segurança aplicáveis. Se houver previsão em normas da ABNT ou nas orientações dos Bombeiros", diz a advogada. Risco de incêndio Raquel Bueno conta que vários síndicos vetavam os carregadores por não terem normas para se orientar. “Depois das diretrizes nacionais para a instalação elétrica de carregadores, os bombeiros de São Paulo vão definir como deve ser feito o combate ao incêndio de carros elétricos. A partir disso os condomínios vão se adequar”, explica Raquel. Patrícia de Pádua Rodruigues diz que a nova lei autoriza o condomínio definir padrões técnicos e responsabilidade por danos ou consumo relacionados ao ponto de recarga. Portanto, o condomínio pode criar regras para um eventual ressarcimento de prejuízos. "No entanto, essa autorização não permite a atribuição automática de culpa ao dono do carro elétrico em qualquer situação. A convenção não pode simplesmente estabelecer que o morador será responsável por 'todo e qualquer incêndio' ocorrido na garagem, sem a necessária apuração técnica da causa do problema", explica a advogada Em 2025, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou uma diretriz que orienta como deve ser feita a instalação de pontos de recarga. O texto não tem poder de lei, mas precisa ser seguido para renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Na hora da renovação do AVCB, o prédio precisa seguir as regras que estão vigentes, explica o advogado David Monteiro. "Se houver pontos de recarga instalados sem atender às exigências de segurança, a renovação pode ser negada até que a situação seja regularizada", diz. Segundo a gerente da Lello, Raquel Bueno, a tendência é que os Bombeiros estabeleçam um modelo de atestado. "Nesse modelo, o condomínio busca um engenheiro responsável para garantir a instalação. Assim como já é feito em prédios com motor gerador”, diz. Bombeiros discutem regras para recarga de carros elétricos em condomínios

  5. Cáries e doença gengival juntas aumentam em 86% o risco de AVC, aponta estudo Adobe Stock Ter cáries e doença gengival ao mesmo tempo pode estar associado a um risco significativamente maior de acidente vascular cerebral (AVC). Um estudo publicado na revista científica Neurology Open Access, da Academia Americana de Neurologia, encontrou uma associação entre a combinação desses problemas bucais e um aumento no risco de AVC em comparação com pessoas que têm boa saúde bucal. Os resultados também indicam que a má saúde bucal pode estar relacionada a um risco 36% maior de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco, doença cardíaca fatal ou AVC. A pesquisa não prova que os problemas bucais causem diretamente os AVCs, mas sugere que melhorar a saúde bucal pode ser uma estratégia importante — e frequentemente negligenciada — na prevenção da doença. O que diz o estudo O trabalho analisou dados de 5.986 adultos, com idade média de 63 anos, que não tinham histórico de AVC no início do estudo. Todos os participantes passaram por exames odontológicos para avaliar a presença de cáries, doença gengival (periodontal) ou ambas. A partir disso, os pesquisadores dividiram o grupo em três categorias: pessoas com boca saudável pessoas com apenas doença gengival pessoas com doença gengival e cáries Os participantes foram acompanhados por duas décadas, com base em contatos telefônicos e registros médicos, para identificar quem desenvolveu AVC ao longo do tempo. Risco maior entre quem tem dois problemas bucais Durante o acompanhamento, os pesquisadores observaram diferenças importantes entre os grupos. Entre os participantes com boca saudável, 4% sofreram um AVC. Já entre aqueles com apenas doença gengival, o índice foi de 7%. No grupo com doença gengival e cáries, o número chegou a 10%. Após ajustes para fatores como idade, índice de massa corporal e tabagismo, os resultados mostraram que: pessoas com doença gengival e cáries tinham 86% mais risco de AVC em comparação com quem tinha boca saudável; aquelas com apenas doença gengival apresentaram 44% mais risco. Relação com doenças do coração Além do AVC, o estudo analisou a ocorrência de eventos cardiovasculares graves, como ataque cardíaco, doença cardíaca fatal ou o próprio AVC. Nesse panorama geral, pessoas com doença gengival e cáries tiveram um risco 36% maior desses eventos em comparação com participantes com boa saúde bucal. Visitas ao dentista podem fazer diferença A pesquisa também avaliou hábitos de cuidados odontológicos. Os participantes que relataram visitar o dentista regularmente apresentaram: 81% menos probabilidade de ter simultaneamente doença gengival e cáries 29% menos probabilidade de apresentar apenas doença gengival Segundo o autor do estudo, Souvik Sen, da Universidade da Carolina do Sul, os resultados reforçam a importância de cuidar da saúde bucal. “Este estudo reforça a ideia de que cuidar dos dentes e gengivas não se resume apenas ao sorriso; pode ajudar a proteger o cérebro”, afirmou. A diretora da Associação Brasileira de Odontologia Ludimila Saiter explicou ao g1 que existem dois mecanismos podem ligar uma infecção na boca a problemas cardiovasculares ou cerebrais. O primeiro é a via direta e segundo é a inflamação sistêmica. “As bactérias da cavidade bucal entram na corrente sanguínea através da inflamação gengival e podem se alojar nas válvulas do coração ou em placas de gordura nas artérias. Além disso, uma infecção bucal crônica faz o corpo produzir substâncias inflamatórias que circulam por todo o organismo, danificando os vasos sanguíneos e aumentando o risco de infarto e AVC, por exemplo", afirmou. Saiter destacou ainda que os dentistas costumam observar esta associação na prática, no dia a dia nos consultórios, e que a boca não é um sistema isolado. Quando uma infecção bucal severa é tratada, é comum notar uma melhora nos indicadores gerais de saúde do paciente. “Observamos com frequência que pacientes com quadros graves de gengivite ou periodontite apresentam outras condições sistêmicas desfavoráveis, como pressão alta ou diabetes descontrolada”, disse Saiter. Qual a frequência ideal de consultas ao dentista para prevenir doenças bucais? A recomendação padrão de frequência ideal ao dentista para prevenir doenças bucais é a cada seis meses. Esse é o tempo médio para que o cálculo dental (tártaro) se acumule e problemas iniciais apareçam. Porém, o observar uma atipicidade na cavidade bucal o correto é agendar uma consulta imediata. Para alguns grupos de risco — como fumantes, diabéticos ou pessoas com histórico de doença periodontal — esse intervalo deve ser menor, a cada três meses, ou dependendo da avaliação profissional esse prazo poderá ser ainda menor, quando se busca controle de doenças, segundo Saiter. Sinais de alerta de doença gengival que as pessoas costumam ignorar Especialistas destacam que a gengiva saudável não sangra e o erro mais comum é achar que o sangramento gengival é normal. Outros sinais ignorados são: Lesões (feridas) persistentes – por mais de 15 dias Sensação de 'dente amolecido' E gengiva vermelha ou inchada O que é o AVC isquêmico Os AVCs isquêmicos são o tipo mais comum de acidente vascular cerebral. Eles ocorrem quando um coágulo ou bloqueio reduz o fluxo sanguíneo para o cérebro, impedindo que o órgão receba oxigênio e nutrientes. Já as cáries são cavidades no esmalte dentário causadas pela ação de bactérias da placa bacteriana que produzem ácidos ao metabolizar restos de alimentos e açúcares. Elas geralmente estão associadas ao consumo de alimentos açucarados ou ricos em amido, além de fatores como higiene bucal inadequada ou genética. A doença periodontal, por sua vez, é uma inflamação ou infecção que afeta a gengiva e o osso que sustenta os dentes. Quando não tratada, pode levar à perda dentária. Limitações do estudo Os autores apontam que a saúde bucal dos participantes foi avaliada apenas uma vez, no início da pesquisa. Assim, possíveis mudanças ao longo dos anos não foram registradas. Além disso, outros fatores de saúde que não foram medidos podem ter influenciado os resultados. Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que os achados indicam que manter dentes e gengivas saudáveis pode ser uma parte importante da prevenção do AVC. O estudo foi publicado na Neurology Open Access em outubro de 2025. LEIA TAMBÉM: Por que dormir de boca aberta na infância representa risco à saúde por toda vida Fluoreto na água, dentifrícios e sal é proteção ou veneno? Por que oposição ao flúor na água está aumentando, apesar de redução em cáries Fumar cigarro eletrônico pode aumentar o risco de cárie nos dentes, aponta estudo

  6. Barato, filtro de barro brasileiro usa vela cerâmica para purificar a água O filtro de barro brasileiro é o melhor do mundo? Muitos especialistas de todo o mundo afirmam que sim. Barato e prático, ele foi inventado no começo do século 20. E sua simplicidade e tecnologia fazem parte do cotidiano de muita gente. Mas o que o torna tão bom? A vela é um dos segredos. "Um material cerâmico poroso. E o tamanho do poro desse material é muito pequeno, e ele consegue reter alguns contaminantes. Bactérias, predominantemente, e protozoários", explica José Carlos Mierzwa, professor da Escola Politécnica da USP. "Se você olhar aqui, a gente nem consegue ver nenhum furinho nem abertura. Então, a água vai fazer o quê? Ela vai atravessar esse material, e esses filtros mais modernos têm também carvão ativado. Ele consegue reter compostos orgânicos que eventualmente podem ser prejudiciais ou atribuir gosto e odor à água. Só que é um processo muito lento, você enche, a água vai atravessar isso aqui e ela vai ficar pingando no reservatório inferior até encher", acrescenta Mierzwa. Filtro de barro brasileiro é o melhor do mundo segundo especialistas Adobe Stock Mas e a estrutura de barro? Ela afeta a qualidade da água? "Tem uma outra característica que ele é poroso também. Então quando a pessoa coloca a água no filtro, esse recipiente é poroso. Então parte da água vai para superfície do filtro e evapora. E isso faz com que a água também perca temperatura. Ela diminui um pouco a temperatura, então ela fica mais fresca. Sem a necessidade de usar nenhuma geladeira ou outro tipo de dispositivo", afirma o professor. O baixo preço das velas, que custam em torno de R$ 12 a 30, e a manutenção sugerida de troca a cada 6 meses facilitam – e muito – sua adoção. "É um dispositivo que, em termos de custo, é bastante acessível para a população. Ele funciona como se fosse um utensílio doméstico. E você vai trocando de tempos em tempos, porque no entorno dele vai formando o que a gente chama de biofilme, que é tipo um limo", explica Mierzwa. A relevância? Com um país tão continental essa se torna uma alternativa mais barata para ter água de qualidade. "Há regiões isoladas onde não é possível fornecer água por sistemas de distribuição convencionais. Então, nesse caso, esses filtros são importantes para a população, principalmente no abastecimento público", conclui o professor. Água filtrada é realmente mais saudável do que água da torneira?

  7. Indicados ao Oscar de Melhor Filme em 2026: 'Bugonia', 'F1', 'Frankenstein', 'Hamnet', 'Marty Supreme', 'Uma Batalha Após a Outra', 'O Agente Secreto', 'Valor Sentimental', 'Pecadores' e 'Sonhos de Trem' Divulgação A disputa entre o Oscar 2026 de melhor filme pode estar entre "Uma batalha após a outra" e "Pecadores" — seja como for, o mundo conhecerá o ganhador dessa corrida de dois cavalos neste domingo (15). Mas não é todo mundo que vai concordar com a escolha. O Brasil, claro, vai ficar insatisfeito. Afinal, "O agente secreto" é um dos indicados. O g1 já viu TODOS os indicados à categoria de melhorfilme no Oscar 2026. Assista aos trailers e clique nos links para ler as críticas: 'Frankenstein' ‘Frankenstein’, de Guillermo Del Toro, ganha trailer; assista "Frankenstein" é o resultado imperfeito do talento inegável de seu criador, o diretor Guillermo del Toro. Tecnicamente impressionante, sim. Até belo, em muitos momentos. Mas longo e instável, como se a obsessão de seu criador impedisse o corte de excessos desnecessários, que prejudicam ritmo e cadência. Leia a crítica de 'Frankenstein'. 'Marty Supreme' Assista ao trailer de 'Marty Supreme' Poucos filmes de 2025 começam tão bem quanto "Marty Supreme". Talvez nenhum. Pena que dure pouco. Talvez empolgado pela boa abertura, o filme entra então num loop cansativo de trambicagens do protagonista que faz o público questionar por que deveria se importar com ele. Leia a crítica de 'Marty Supreme'. 'F1' “F1” estrelado por Brad Pitt ganha trailer; assista  Pode ser a mais nova tentativa desesperada de fazer americanos se apaixonarem pela Fórmula 1? Sim. E daí? Pode ser uma versão sobre rodas de "Top Gun: Maverick" (2022), com quem compartilha o diretor Joseph Kosinski? Sim. E daí? Pode ser previsível toda vida e um tanto mais longo do que deveria? Sim. E daí? O representante dos "filmes de pai" entre os indicados supera todos esses problemas mais gritantes com o carisma de um elenco afiado e corridas filmadas com maestria. Leia a crítica de 'F1'. 'Sonhos de trem' Assista ao trailer do filme "Sonhos de Trem" Desde o começo, "Sonhos de Trem", filme que tem o brasileiro Adolpho Veloso também indicado pela fotografia, o seu ponto forte já fica claro logo na sua primeira cena: cada imagem é de uma beleza incrível e hipnótica que não dá para resistir. Só que tanta beleza não é suficiente para esconder o fato de que o longa traz uma história que, apesar de interessante, é contada da maneira mais convencional possível. Leia a crítica de 'Sonhos de Trem'. 'Hamnet: A vida antes de Hamlet' Assista ao trailer do filme "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" é uma das experiências mais intensas e emocionantes que o cinema americano recente foi capaz de criar. O filme lida com temas pesados como o luto e a revolta de perder tão cedo uma pessoa amada de forma honesta e palpável, sem parecer artificial e piegas, algo que poderia facilmente acontecer em tramas como essa. Leia a crítica 'Hamnet: A Vida Antes de Hamlet'. 'O agente secreto' Assista ao trailer de 'O Agente Secreto' O filme pode não ser necessariamente o melhor que o ator Wagner Moura e o diretor Kleber Mendonça Filho realizaram separadamente. Mas, com a união de duas das mais celebradas forças do cinema brasileiro, "O agente secreto" resulta em algo mais do que a soma de suas partes. Depois de um começo arrebatador, o filme constrói uma viagem gostosa por gêneros, expectativas e referências. Leia a crítica de 'O agente secreto'. 'Pecadores' Assista ao trailer do filme "Pecadores" 'Pecadores' apresenta um interessante e envolvente drama racial protagonizado por dois irmãos (um Michael B. Jordan em dose dupla, o que nunca machuca) que buscam superar as dificuldades para ter uma vida melhor e, também, uma história de suspense e terror da melhor qualidade. Algo que agrada os fãs do gênero e mesmo aqueles que não se interessam tanto por sustos e sangue. Ah, sim, tem também a melhor cena em plano sequência do ano. Leia a crítica de 'Pecadores'. 'Uma batalha após a outra' Assista ao trailer de 'Uma batalha após a outra' Uma obra-prima não precisa ser perfeita. "Uma batalha após a outra" é prova disso. A sátira certeira sobre autoritarismo nos Estados Unidos mistura humor, ação, acidez e debate social com a qualidade habitual do diretor Paul Thomas Anderson, um dos melhores de sua geração. Tanto que vai ganhar seu primeiro Oscar este ano – e, por mais que esteja na terceira colocação nesta lista, deve levar também a estatueta de melhor filme. Leia a crítica de 'Uma batalha após a outra'. 'Bugonia' Assista ao trailer de 'Bugonia' A indicação de "Bugonia" a melhor filme no Oscar 2026 pegou muita gente de surpresa – mas não deveria. Esta é, afinal, a quarta e melhor edição da parceria mais querida de Hollywood nos últimos anos, entre o diretor Yorgos Lanthimos e a atriz Emma Stone. Mais estranho que a premissa, no entanto, é a aparente surpresa de que um mestre do bizarro faça um de seus melhores trabalhos exatamente ao pesar a mão na bizarrice. Leia a crítica de 'Bugonia'. 'Valor sentimental' Assista ao trailer de 'Valor sentimental' Não é sempre que o melhor dos indicados ganha. "Valor sentimental" não tem muitas chances de vencer como melhor filme, mas é daqueles filmes raros, que espalham por conta própria inúmeras armadilhas apenas para desviar deles – e que, no processo de evitar um melodrama barato, encontra beleza na humanidade real por trás de complicações familiares. Ou pode ser que seja o contrário, e que a obra norueguesa, principal concorrente de "O agente secreto" na categoria de melhor filme internacional, tenha encontrado tal beleza e então evitado o melodrama. É difícil dizer. Leia a crítica 'Valor Sentimental'. Cartela resenha crítica g1 Arte/g1

  8. Fábula, realeza e referências africanas marcam o figurino de 'A Nobreza do Amor' Rei, rainha, princesa e um reino fictício inspirado em referências africanas. Para dar forma a esse universo de fábula em "A Nobreza do Amor", nova novela das seis da TV Globo, a produção pode chegar a 4 mil peças de figurino, entre itens inéditos, adaptações do acervo e roupas confeccionadas especialmente para a trama. Um dos figurinos que mais chamam atenção é o de Jendal, fundamental para construir sua imagem de poder e autoridade como primeiro-ministro de Batanga. “A cobra que ele usa na cabeça, os colares, a quantidade de ouro, os braceletes, o tom da roupa. É uma roupa pesada, muito bordada. Quando ele anda, a roupa gira junto com ele”, descreve a figurinista Marie Salles ao g1. LEIA TAMBÉM: 'A Nobreza do Amor': nova novela das seis terá batalhas e romance; veja o que esperar ‘A Nobreza do Amor’: Jendal (Lázaro Ramos) e sua filha Kênia (Nikolly Fernandes). Detalhe para cobra no figurino do personagem Globo Para criar o visual da novela, ela reuniu inspirações de diferentes povos, como os iorubás e os ashanti, e desenvolveu estampas, adornos e símbolos para cada personagem do reino fictício de Batanga. Segundo a figurinista, foi necessário mergulhar nessas culturas para entender como combiná-las de forma que refletissem a personalidade de cada figura da trama. “A roupa africana fala muito pelas estampas, pelo bordado. É muito matemático e tudo tem um porquê. A cultura é muito rica”, afirma. As estampas dos figurinos foram criadas pela própria equipe da novela. “Cada personagem tem um ou dois adinkras que têm a ver com a sua personalidade”, explica. 🔍 Os adinkras são um conjunto de símbolos que expressam valores tradicionais, ideias filosóficas e códigos de conduta da cultura ashanti. O processo de pesquisa começou há seis meses, com o apoio do consultor Maurício Camillo, pesquisador da Guiné-Bissau especializado na história de grandes reinos africanos. Segundo a figurinista, o estudo concentrou-se na região conhecida como Iorubalândia (que abrange Benim, Togo e Nigéria), local onde estaria situado o reino fictício de Batanga. “A gente está fazendo tudo com muito carinho e responsabilidade. Acho que é uma temática que nunca foi tratada assim na televisão. Nada ali é gratuito; cada elemento foi pensado”, diz. Após um golpe de Estado em Batanga, a rainha Niara (Erika Januza) e a princesa Alika fogem e chegam ao Brasil, mais precisamente à cidade nordestina de Barro Preto. Mesmo deixando de ser realeza para se tornarem “pessoas comuns”, as cores de seus figurinos atuam como o elo que preserva quem elas são. Na novela 'A Nobreza do Amor', a Princesa Alika em dois momentos: no reino de Batanga e em Barro Preto Globo “Elas contracenam com pessoas de Barro Preto, que usam cores frias, enquanto elas usam tons quentes para criar esse contraste”, explica Marie. Para lidar com a complexidade dos dois universos, ela dividiu a equipe entre os núcleos Batanga e Barro Preto. “As pessoas ficaram imersas naquele núcleo. Isso funciona muito. Eu não acredito em um figurino isolado; acho importante quando você consegue montar um quadro em que todos estão em harmonia”, afirma. Virgínia (Theresa Fonseca), Diógenes (Danton Mello), Marta (Emanuelle Araújo) e Aurelinda (Antonella Benvenuti) moradores de Barro Preto na novela 'A Nobreza do Amor' Globo/ Estevam Avellar A principal preocupação da equipe de figurino é a seriedade na representação da cultura africana. O objetivo é que o público se sinta representado e reconheça a grandeza de uma história que, segundo a figurinista, nunca foi contada dessa forma na televisão brasileira. “A gente quis mostrar a África como ela é: rica e potente. A grandeza que essa cultura imprime e que a gente não conhece, né? Porque a gente conhece uma outra história”, diz Marie Salles. Bastidores da novela 'A Nobreza do Amor' Estevam Avellar/Globo

  9. A estética do grande hit de animação “Guerreiras do K‑Pop”, indicado ao Oscar de Melhor Animação e de Melhor Canção Original, chama atenção por seus movimentos menos fluidos, quase travados, que lembram stop‑motion. O que pode até parecer erro na verdade é escolha estética: o filme usa o “animar em dois”, técnica que repete quadros e cria rupturas rítmicas. Isso mexe com a maneira como o cérebro processa o movimento, e o g1 foi atrás da explicação para essa "crocância visual" do filme. É 'estranho', mas funciona Em entrevista ao g1, o artista animador de personagens 3D Marcelo Zanin explica que animar em dois não é nenhuma grande invenção recente. Mas juntar essa técnica com animação 3D, isso sim, trouxe algo novo. Com mais de 15 anos de experiência, Zanin trabalhou na equipe da Sony Pictures Animation em "Homem-Aranha: Através do Aranhaverso", que foi um marco nesse contexto. A produtora de animações da Sony, inclusive, também está por trás da produção das "Guerreiras" para a Netflix. O animador lembra que parte da própria equipe de artistas do filme inicialmente reagiu com estranheza. "Quando estava fazendo o filme ('Aranhaverso'), muita gente não estava entendendo também. Vou falar por mim. Eu via aquilo lá e eu ficava assim: 'Cara, eu sei que eles sabem o que estão fazendo, mas por que eles tão fazendo on twos?' E aí, tipo, quando a gente foi vendo as cenas, com a composição final, a gente foi assistindo e: 'Aah, agora tudo junta, tudo cola', sabe?", lembra Marcelo Zanin. Miles Morales em cena de 'Homem-Aranha: Através do Aranhaverso' Divulgação O que é animação em dois ('on twos')? Você talvez se lembre do impacto visual que teve o lançamento do primeiro "Toy Story", em 1995. Foi um marco que indicava o quanto as animações 3D podiam surpreender justamente por conta da fluidez de movimentos e do realismo das imagens. De lá para cá, a evolução foi exponencial. Fazer uma animação 3D em dois vai na contramão disso. E isso pode ter a ver com o sucesso de "Guerreiras do K-Pop". "Na verdade, isso não tem nada de novo. A animação tradicional sempre foi feita dessa maneira. Animação, ela foi feita em 24 frames por segundo”, afirma o animador Marcelo Zanin. Ele explica que, tradicionalmente, as animações em desenho a mão no começo do século passado começaram a ser feitas com 24 frames por segundo por uma questão técnica que envolvia a sincronização do áudio, mas os animadores logo chegaram a uma solução para tornar o processo da imagem menos custoso (tanto para os artistas quanto economicamente). Eles perceberam que dava para repetir esses quadros de dois em dois em boa parte das cenas com menos movimento, ou seja, criar 12 desenhos por segundo em vez de 24. A mudança praticamente não afetava a percepção do espectador. Essa técnica foi chamada de animação "on twos", ou "em dois" em português. Zanin traça uma linha histórica das últimas décadas para justificar que muitas vezes o sucesso das animações, entre tradicionais e 3D, está sujeito a essas mudanças de direção. "A indústria busca estilos diferentes. A animação tradicional foi o que mais me inspirou. Daí veio o 3D com 'Toy Story' e foi se estabelecendo. Aí a galera da grana começou a acelerar, a comparar a técnica. E aí veio o 'Shrek'. 'Shrek' foi o anti-Disney, e aí teve toda aquela fase de animação de comédia. E aí vem 2010, vem o 'Enrolados', da Disney. A galera sentiu saudade da Disney, sabe? Voltou a ver musical. Aí agora a gente está nessa de novo, vai vir outra coisa. Então tem essas oscilações de demanda em que as pessoas tentam buscar o que essas crianças vão assistir", contextualiza o animador. Cena de 'Toy Story' (1995) Divulgação/Pixar E o que o seu cérebro tem a ver com isso? Cenas animadas em dois acionam um mecanismo natural de percepção, como um jogo bem rápido de completar imagens. Quando vê que estava certo, o cérebro se satisfaz. “A gente chama de ‘coding perceptual’. É aquilo que o seu cérebro constrói a partir de pequenos elementos (...) e cria automaticamente uma sensação de compensação”, explica o neurologista João Brainer, da Associação Brasileira de Neurologia. Bastidores da dublagem do filme 'Guerreiras do K-Pop' Divulgação/Netflix Brainer é professor de neurologia e informática da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e enxerga um paralelo entre a técnica usada em "Guerreiras do K-Pop" e um estudo publicado recentemente sobre o cérebro do tiktoker. "É um cérebro que se torna mais excitado junto àquelas imagens que são mostradas, áreas cerebrais que são estimuladas e representam zonas de prazer do nosso cérebro. É algo bem parecido, os princípios se mesclam", conta. Segundo ele, a animação em dois ativa um processo que em neurofisiologia é chamado de "interpolação processual". "Você cria essa fragmentação e, para você decodificar o que é o restante dessa fragmentação, você precisa de atenção", explicar Brainer. "É como se, a cada momento que o os frames aparecem, o seu cérebro estivesse sendo chamado à atenção. É como se alguém estivesse puxando você." "Isso gera uma sensação de expectativa. Então, sim, gera uma sensação de ansiedade no cérebro, mas é uma ansiedade que se resolve muito rápido. Essa é a parte boa. Não dá tempo de gerar o sofrimento da ansiedade", completa o professor. Mas chega a ser viciante? Não segundo o neurologista. Brainer explica que não há tempo suficiente para criar vício, apesar de o processo ativar áreas dopaminérgicas, que são as áreas responsáveis pelo vício. "Ele é na medida certa. (...) Ele cria o prazer, você cria a vontade de ver de novo, mas ao mesmo tempo sem um vício por trás, porque a quantidade de dopamina levantada não é a suficiente para deflagrar o vício. Quem são as 'Guerreiras do K-pop'? Cena do filme 'Guerreiras do K-pop' Divulgação/Netflix Lançado no ano passado, "Guerreiras do K-Pop" ("K-Pop: Demon Hunters") se consolidou como um fenômeno cultural. A produção da Sony Pictures Animation para a Netflix acompanha a história de um grupo feminino de cantoras pop que, nos bastidores, participam de batalhas sobrenaturais. Seus inimigos também têm uma vida dupla: demônios e integrantes de uma boyband. Elogiado pela crítica devido à mistura de estética vibrante, coreografias complexas e respeito ao folclore asiático, o filme furou a bolha. Tornou-se o longa original mais reproduzido na plataforma de streaming, impulsionado por uma trilha sonora que viralizou em aplicativos de vídeo curto. Sete músicas do filme foram parar no top 20 global do Spotify. Canções como "Golden", "Your Idol" e "How It’s Done" transformaram personagens fictícios em estrelas do K‑Pop. Clones das Guerreiras do K-Pop: as idols genéricas que 'invadiram' teatros pelo Brasil

  10. Jorge Bischoff nasceu e fez sua carreira em Igrejinha, município que tem forte presença calçadista Arquivo pessoal Filho de um sapateiro e de uma costureira, Jorge Bischoff cresceu e criou sua marca em Igrejinha, cidade a 90 km de Porto Alegre com uma forte cultura calçadista. "Eu nasci no meio do couro e da cola. Quando eu nasci, minha mãe trabalhava em uma fábrica, e minha tia me levava lá para eu mamar." Hoje, aos 61 anos, o empresário é dono de mais de 130 lojas, sete delas fora do Brasil. Para abastecer as próprias lojas e as demais parceiras, espalhadas por 60 países, ele produz 2 milhões de produtos por ano. "Nós fomos ganhando o Brasil, ganhando o mundo. E hoje, literalmente, nós estamos de ponta a ponta." 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A experiência de Bischoff com calçados iniciou ainda na infância. Ele começou como sapateiro, e passou por todas as áreas da produção acumulando experiência. Ao notar que a parte criativa era responsabilidade do modelista, começou a desenhar e se especializou na área. "Às vezes saía do colégio, de noite, passava na frente e o cara tava lá trabalhando, eu entrava na fábrica, ficava, tentando ver como desenhava, como fazia. Fim de semana também ficava em casa desenhando. Enquanto a galera brincava, eu estava desenhando." Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ele foi se desenvolvendo e assumiu como modelista em uma calçadista. A virada de chave de sua carreira foi em 1996, quando criou seu estúdio e começou a fornecer suas próprias criações para outras empresas. "As coisas foram andando, crescendo, e quando nós inauguramos um espaço novo, um estúdio novo, em 2001, foi um evento muito bacana e um dos jornalistas disse: 'Jorge, quando é que vai lançar a tua marca?'", lembra. Pouco depois, ele anunciou a novidade à equipe e a marca começou a ganhar forma, sendo oficialmente criada em 2003. A grife já tem mais de duas décadas de história. O Bischoff Group se consolidou no mercado de moda, design e varejo. "Dando valor a cada centavo que a gente colocou dentro da empresa, porque nunca tivemos investidor, não tivemos sócios que botassem dinheiro, tudo construído por nós: eu, minha esposa, depois a Natália [filha], que se criou dentro da empresa, e o meu time", relata. A empresa encerrou o ano passado com alta de 12% na receita, em relação a 2024, e projeta crescimento de 15% em 2026. O plano de expansão inclui a abertura de 20 novas lojas ao longo deste ano. Reconhecido e querido pelas clientes, há até quem peça autógrafos quando o encontra. "Se formam filas de mulheres. É algo que não se vê. Nunca vi um sapateiro fazer isso", comenta Denise Pomje, gerente institucional da empresa. Além de sapatos e bolsas, desde 2017, o empresário também está no ramo de vinhos, com a Bischoff Wines. "Deixou de ser uma marca de sapatos, de bolsas, passou a uma marca de lifestyle." VÍDEOS: Tudo sobre o RS

  11. Paciente diz ter tido teste de HIV positivo confirmado em voz alta em UPA O paciente de 23 anos que denunciou ter tido o diagnóstico positivo do vírus da imunodeficiência humana (HIV) confirmado em voz alta por profissionais de uma unidade de saúde de Ribeirão Preto (SP) foi submetido a um atendimento degradante e a uma exposição ilegal, afirma a advogada da vítima, Julia Gobi Turin. A legislação brasileira garante a pacientes com HIV o direito ao sigilo na comunicação do diagnóstico médico e prevê pena de prisão para quem descumpre essa prerrogativa. "O sigilo médico não é uma cortesia, mas um dever profissional inegociável", afirma. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O caso foi registrado na Polícia Civil como injúria racial - equiparada ao crime de homofobia alegado pela vítima - e por violação do sigilo médico. Paciente afirma ter tido diagnóstico de HIV confirmado em voz alta dentro de UPA de Ribeirão Preto. Arquivo pessoal Além disso, deve ser investigado por um processo administrativo instaurado pela Secretaria Municipal de Saúde, que informou ter afastado uma profissional. Sigilo desrespeitado em UPA A ocorrência foi registrada na última segunda-feira (9) na Unidade de Pronto Atendimento do bairro Sumareinho (UPA Oeste), onde o paciente tentou realizar um protocolo de Profilaxia Pós-Exposição ao HIV, o PEP, após uma relação sexual com suspeita de transmissão. 🔎A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) é uma medida de urgência do SUS para prevenir HIV, hepatites virais e ISTs, indicada após risco (sexo sem camisinha, violência sexual, acidentes com perfurocortantes). Deve ser iniciada em até 72 horas (idealmente nas primeiras duas horas) e dura 28 dias. É gratuita, sigilosa e disponível em serviços de emergência. LEIA TAMBÉM Paciente diz ter tido teste de HIV positivo confirmado em voz alta em UPA do interior de SP Em boletim de ocorrência, o homem relatou que, mesmo após ser classificado como prioritário ao passar pela triagem, por conta da pressão alta, somente foi atendido após horas de espera e de ameaçar acionar a Polícia Militar. Ele disse que, depois da coleta de sangue, que era parte do protocolo, recebeu a confirmação de que estava com HIV por uma médica, que deu a informação em voz alta na frente de outras pessoas, sem atentar para o sigilo. Minutos depois, segundo o paciente, uma enfermeira também não tomou cuidado ao confirmar a mesma informação, perto de outras pessoas. Ao procurar a Polícia Civil, o jovem foi orientado a pedir o exame para a médica da UPA Oeste que o atendeu, mas a profissional se recusou a entregar o documento, segundo o paciente. O teste foi obtido posteriormente na mesma unidade, mas em outro setor. Atendimento degradante e exposição ilícita de diagnóstico de HIV A advogada Julia Turin explica que os envolvidos na ocorrência desrespeitaram a lei e os princípios éticos da profissão, que devem ser investigados pelos conselhos de classe. UPA Oeste em Ribeirão Preto, SP Sergio Oliveira/EPTV Ela menciona o que está previsto na resolução 2.437/2025, do Conselho Federal de Medicina, que prevê que o diagnóstico deve ser humanizado e sigiloso, além da lei 12.984, de 2014, que define como crime de discriminação dos portadores de HIV a divulgação dessa condição com o intuito de ofender a dignidade da pessoa. "A defesa técnica do paciente, representada por sua advogada, manifesta seu veemente repúdio ao atendimento degradante e à exposição ilícita de diagnóstico médico sofridos pelo paciente nas dependências da UPA de Ribeirão Preto", afirma. Julia também argumenta que o paciente pode ter sido exposto a um tratamento preconceituoso e homofóbico em função da orientação sexual do jovem. Ela informou que vai solicitar providências da Prefeitura e da Polícia Civil. "Estamos formalizando notificações à Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto e à Prefeitura Municipal, exigindo rigorosa fiscalização e pedido de instauração de sindicância administrativa junto à Fundação Hospital Santa Lydia, gestora da unidade, para identificação e responsabilização disciplinar das profissionais", comunicou. Testagem para HIV Divulgação/Prefeitura de Piracicaba Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca

  12. Investigação aponta que EUA foram responsáveis por ataque que matou 175 em escola no Irã Duas semanas após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, a comunidade internacional ainda cobra explicações sobre o bombardeio à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul iraniano. Dezenas de crianças morreram no ataque. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O bombardeio ocorreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia do conflito. Segundo o Crescente Vermelho iraniano, 175 pessoas morreram. O embaixador do Irã na ONU, em Genebra, afirmou que 150 das vítimas eram crianças. A escola ficava ao lado de uma base da Guarda Revolucionária do Irã e integrava uma rede de ensino ligada à corporação militar. A unidade era uma das 59 escolas do Instituto Educacional Cultural Mártires do Golfo Pérsico, segundo a Reuters. Investigações da imprensa internacional indicam que a maioria dos mortos era formada por estudantes. Na manhã daquele sábado, bombardeios miraram a base próxima à escola. Um vídeo verificado pelo jornal The New York Times indica que a região foi atingida por um míssil Tomahawk, arma comumente usada pelos Estados Unidos. Irã e Israel não operam esse tipo de míssil. Segundo a Reuters, uma investigação preliminar conduzida por autoridades americanas aponta que os Estados Unidos foram responsáveis pelo ataque. Antes disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a atribuir a responsabilidade ao Irã. A repercussão do caso aumentou a pressão interna e externa sobre o governo Trump. Parlamentares democratas da oposição pediram uma investigação rigorosa sobre o bombardeio, e a ONU também defende que o episódio seja apurado. 🔎 Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais pelas universidades de Estrasburgo e Groningen, explica que escolas são alvos civis protegidos pelo Direito Internacional Humanitário, desde que não abriguem tropas nem sejam usadas como centros de comando militar. Segundo ele, mesmo que o ataque seja configurado como crime de guerra, dificilmente os Estados Unidos seriam punidos internacionalmente. “Nem os EUA nem o Irã fazem parte do Tribunal Penal Internacional. Portanto, a única forma de o tribunal intervir seria se o Conselho de Segurança da ONU pedisse uma investigação, algo que os Estados Unidos vetariam, já que são um dos membros permanentes.” Nesta reportagem, você vai entender: Como foi o ataque? Quantas pessoas morreram? Quem eram as vítimas? Quais indícios apontam para a autoria dos EUA? O que Trump disse? Como o caso pressiona o presidente? O caso pode ser considerado crime de guerra? 👉 Clique no menu acima ou role a página para saber mais detalhes. Infográfico detalha ataque contra escola em Minab, no Irã Alberto Correia/Arte g1 1. Como foi o ataque? O ataque aconteceu por volta das 10h45 do horário local (4h15 em Brasília) e atingiu a cidade de Minab, no sul do Irã. Imagens que circulam nas redes sociais mostram parte da escola Shajareh Tayyebeh em chamas e destruída após o bombardeio. Um vídeo verificado pelo New York Times mostra mísseis atingindo a região e uma coluna escura de fumaça na área onde ficava a escola. A escola ficava ao lado de uma base da Guarda Revolucionária do Irã, força ligada às Forças Armadas do país e subordinada ao líder supremo. Segundo o site de notícias IranWire, a instalação militar é uma unidade de mísseis sob o comando da Marinha da Guarda Revolucionária. Escola em Minab, no Irã, ficou destruída após ataque em 28 de fevereiro de 2026 Abbas Zakeri/Mehr News/WANA via REUTERS Autoridades locais afirmaram que cerca de 260 alunos estudavam na instituição, mas não está claro quantas pessoas estavam dentro da escola no momento do ataque. Em um primeiro momento, a mídia internacional afirmou que uma escola para meninas havia sido atingida por um bombardeio. A Reuters relatou, porém, que uma escola feminina e outra masculina funcionavam no mesmo endereço. Segundo a agência, a ala onde ficava a unidade masculina não desabou, mas imagens feitas após o ataque mostram destroços sobre carteiras onde meninos estudavam. Estudantes do sexo masculino também estão entre os mortos, de acordo com a imprensa local. Imagens de satélite mostram que boa parte do prédio da escola desabou. As fotografias também indicam pontos da base da Guarda Revolucionária do Irã que teriam sido atingidos por mísseis. Compare abaixo. Fotos de satélite comparam região de ataque em 1º de dezembro de 2025 e 4 de março de 2026 Initial plugin text Voltar ao início. 2. Quantas pessoas morreram? O número exato de mortos ainda não foi confirmado por uma investigação independente. Nos dias seguintes ao ataque, a mídia estatal iraniana informou que 168 pessoas haviam morrido. Já o embaixador do Irã na ONU em Genebra, Ali Bahreini, afirmou que 150 estudantes morreram. O Crescente Vermelho iraniano divulgou um número maior: 175 mortos. Esse total também tem sido citado por órgãos das Nações Unidas, como o Unicef e o Conselho de Direitos Humanos. Voltar ao início. 3. Quem eram as vítimas? Foto de Mikaeil Mirdoraghi viralizou nas redes sociais Reprodução Entre as vítimas estão estudantes com idades entre 6 e 12 anos. Autoridades locais afirmaram que funcionários da escola e pais de alunos também morreram. A mídia estatal iraniana publicou uma lista com 56 nomes e fotos das vítimas. Segundo a BBC, 48 eram crianças que tinham entre 6 e 11 anos. Agências iranianas passaram a usar como símbolo do ataque o menino Mikaeil Mirdoraghi, descrito como aluno da escola. Uma foto dele acenando para a mãe antes de sair para a aula, no dia do bombardeio, circulou nas redes sociais. Em entrevista ao jornal Hamshahri, controlado pela prefeitura de Teerã, a mãe afirmou que o filho pediu para ser fotografado antes de sair de casa naquela manhã. O relato foi divulgado na terça-feira (10). Ela também descreveu as últimas horas de vida do menino. “Na noite anterior, ele disse: ‘Mãe, a comida que você fez tem gosto de paraíso’”, contou. Segundo a mãe, ele brincou de guerra com o irmão antes de dormir. “À meia-noite, ele veio, colocou os travesseiros ao redor dele, sentou com o irmão e disse: ‘Vem, eu sou o Irã, irmão, você é os Estados Unidos.’”, relatou. Durante a brincadeira, ainda segundo ela, o menino comemorou: “O Irã venceu”. Segundo a agência Fars, o corpo do menino foi sepultado em 3 de março. No mesmo dia, milhares de pessoas participaram do funeral coletivo das vítimas em Minab. Imagens divulgadas pela imprensa estatal mostraram caixões cobertos com a bandeira do Irã e fotografias dos mortos. Pessoas carregam caixões no funeral das vítimas após um ataque a uma escola, em meio ao conflito EUA-Israel com o Irã, em Minab, Irã, 3 de março de 2026 Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA Voltar ao início. 4. Quais indícios apontam para a autoria dos EUA? Reportagem publicada pelo New York Times na segunda-feira (9) aponta que imagens divulgadas do ataque mostram um míssil dos Estados Unidos caindo próximo à escola de Minab. O jornal informou ter reunido um conjunto de evidências — como imagens de satélite, relatos e outros vídeos verificados — que indicam que o prédio da escola foi atingido em um ataque de precisão. Segundo o Times, o vídeo divulgado pela Mehr mostra um míssil americano atingindo o que seria uma clínica médica dentro da base naval. Em seguida, aparecem colunas de poeira e fumaça se elevando na região da escola primária. Para o jornal, isso sugere que a escola foi atingida pouco antes da base naval. Imagens de satélite indicam que outros pontos da instalação militar também foram atingidos. Entre as partes envolvidas no conflito, apenas os EUA possuem mísseis Tomahawk. Míssil americano atinge base ao lado de escola primária no Irã Mehr News Na semana passada, a agência Reuters revelou que uma investigação preliminar conduzida pelos militares americanos apontou que forças dos EUA provavelmente foram responsáveis pelo ataque que atingiu a escola. Na quarta-feira (11), o New York Times informou que o ataque teria sido resultado de um erro de direcionamento das Forças Armadas dos Estados Unidos. A informação foi confirmada ao jornal por autoridades americanas com conhecimento das investigações. Segundo a reportagem, oficiais teriam definido as coordenadas do alvo com base em dados desatualizados fornecidos pela inteligência americana. Na sexta-feira (13), após a repercussão do caso na imprensa internacional, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos afirmou que intensificou as investigações sobre o ataque. O secretário Pete Hegseth evitou comentar os dados preliminares. “Não vamos deixar que as notícias nos influenciem ou nos pressionem a revelar o que aconteceu”, disse. À Reuters, Annie Shiel, diretora de defesa de direitos nos EUA do Centro para Civis em Conflito, afirmou que a movimentação do governo americano indica que algo pode ter dado errado e que é necessário entender o motivo. Voltar ao início. 5. O que Trump disse? Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Reuters Uma semana após o ataque, Trump afirmou que, pelo que havia visto até então, o Irã poderia ter atingido a escola, por ser “muito impreciso com suas munições”. O presidente chegou a sugerir que os iranianos teriam mísseis Tomahawk, algo considerado improvável por especialistas. Na mesma época, o Pentágono fez uma declaração semelhante e disse que os iranianos seriam os únicos a atacar civis. Ao mesmo tempo, o órgão afirmou que abriria uma investigação sobre o caso. Na segunda-feira (9), Trump amenizou o tom e afirmou que o governo vai apurar o que aconteceu na escola. “Seja qual for o resultado do relatório, estou disposto a aceitá-lo”, disse. Um funcionário americano ouvido pela Reuters afirmou que as declarações indicam que Trump estaria inclinado a aceitar os resultados preliminares da investigação relatados pela imprensa. Segundo a fonte, a repercussão do caso dificultaria que o presidente rejeitasse essas conclusões. Voltar ao início. 6. Como o caso pressiona Trump? O presidente Donald Trump Kevin Lamarque/Reuters O caso gerou pressões internas e externas sobre o governo dos Estados Unidos. Senadores democratas, da oposição a Trump, acusaram o secretário de Guerra, Pete Hegseth, de ignorar o risco para civis em operações militares. Na quinta-feira, parlamentares americanos também pediram uma investigação rápida sobre o ataque à escola iraniana e cobraram que o Pentágono confirme até a próxima semana se os EUA foram responsáveis pelo bombardeio. Segundo o New York Times, os senadores enviaram uma carta ao Departamento de Guerra pedindo que o órgão apresente um relatório sobre as medidas em vigor para evitar danos a civis. O documento também solicita providências para responsabilizar eventuais culpados por falhas. “O que estamos vendo é uma falha em tomar as precauções necessárias para evitar que crianças em idade escolar sejam vítimas de explosões”, disse o senador Chris Van Hollen em entrevista ao jornal. Além da pressão política em Washington, organismos internacionais também cobraram esclarecimentos. O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas pediu uma investigação sobre o ataque. Em Genebra, a porta-voz do órgão, Ravina Shamdasani, afirmou que o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, defende uma apuração “rápida, imparcial e minuciosa” sobre as circunstâncias do bombardeio. “Isso é absolutamente horrível”, disse Shamdasani. Segundo ela, imagens que circulam nas redes sociais mostram “a essência da destruição, do desespero, da falta de sentido e da crueldade deste conflito”. Voltar ao início. 7. O caso pode ser considerado crime de guerra? Mulher chora durante funeral das vítimas de ataque israelense que atingiu escola em Minab, no Irã, em 3 de março de 2026. Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA Dias após o ataque, o escritório de direitos humanos da ONU afirmou que ainda não tinha informações suficientes para determinar se o bombardeio pode ser considerado crime de guerra. 🔎 Uriã Fancelli, mestre em Relações Internacionais, explica que, do ponto de vista do Direito Internacional Humanitário, vários fatores precisam ser analisados antes de classificar um ataque dessa forma. De acordo com ele, embora o episódio seja moralmente duvidoso e condenável, o fato de uma escola ter sido atingida não configura automaticamente um crime de guerra segundo o Direito Internacional Humanitário. “Escolas são alvos civis protegidos, mas podem perder esse status se abrigarem tropas ou funcionarem como centros de comando, como Israel já acusou o Hamas de fazer em Gaza”, explica. De acordo com Fancelli, como relatos indicam que a escola ficava ao lado de uma base da Guarda Revolucionária do Irã, é preciso analisar a intenção e o grau de imprudência envolvidos na decisão de atacar. O especialista diz que, para que haja responsabilização, seria preciso provar que: o bombardeio contra a escola foi intencional, o que violaria o princípio da distinção, que exige diferenciar alvos civis e militares; o ataque à base militar foi desproporcional, com uso de força além do necessário e que acabou causando um número elevado de mortes entre civis. Ele também levanta a hipótese de negligência criminosa, caso o bombardeio tenha ocorrido por falhas ou descuido no planejamento da operação. Segundo Fancelli, mesmo que o ataque seja classificado como crime de guerra e a autoria dos Estados Unidos seja confirmada, é improvável que o país enfrente punições internacionais. “Nem os EUA nem o Irã fazem parte do Tribunal Penal Internacional. Portanto, a única forma de o tribunal intervir seria se o Conselho de Segurança da ONU pedisse uma investigação, algo que os Estados Unidos vetariam, já que são um dos membros permanentes.” Por outro lado, ele afirma que eventuais responsáveis ainda poderiam ser investigados e punidos dentro do próprio sistema americano, se houver entendimento por parte das instituições do país. Voltar ao início. VÍDEOS: mais assistidos do g1

  13. Mercado Sul em 1978 Ivaldo Cavalcante/Reprodução O Mercado Sul de Taguatinga é considerado um dos mais importantes espaços de produção artística, cultura popular periférica e memória coletiva do Distrito Federal. Há mais de quatro décadas, artistas, moradores e iniciativas culturais de vanguarda sustentam e revitalizam o território. O mercado foi construído e inaugurado em Taguatinga no final da década de 1950, antes mesmo de Brasília, como um dos primeiros centros comerciais do DF. Desde a década de 1970, passou a ser revitalizado continuamente por moradores e movimentos culturais. Desde 2015, toda essa pulsão criativa articula a Ocupação Cultural Mercado Sul Vive, que transformou lojas abandonadas em novos espaços vivos de arte e cultura e reivindicou o reconhecimento do território como Patrimônio Cultural Imaterial do DF. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. 'Um chão de cores' Conheça o artista do DF Ivaldo Cavalcante Um recorte desse legado foi documentado pelo Coletivo Retratação no fotolivro “Mercado Sul: Um Chão de Cores - Memórias do Beco da Cultura de Taguatinga (DF)”, lançado em 21 de fevereiro, durante a festa de 11 anos da ocupação do local. A obra foi organizada pelo jornalista e fotógrafo Webert da Cruz e pela percussionista e antropóloga Ana Noronha. Nela, um acervo histórico com fotografias, pesquisas, textos e depoimentos que narram a trajetória cultural, as transformações e a atuação de diferentes gerações de artistas e moradores do Beco da Cultura, como também é conhecido o Mercado Sul. “Com essa pesquisa, conseguimos ampliar o olhar sobre as complexidades desse lugar que encanta, mas que também enfrenta desafios diversos de infraestrutura, manutenção das atividades culturais e cuidado com as pessoas”, destaca o fotógrafo. O livro também homenageia o fotojornalista Ivaldo Cavalcante, cearense radicado em Taguatinga, que, durante a década de 1970, realizou os primeiros registros fotográficos da cultura viva da comunidade e de seus arredores. Linha histórica Beco da Cultura, Mercado Sul, Taguatinga Webert da Cruz/Reprodução A antropóloga Ana Noronha, que participou da construção do livro, destaca o forte poder de criação, de conhecimento e de fortalecimento de vínculos que o Mercado Sul tem e a importância de transformá-lo em Patrimônio Cultural Imaterial do DF. "Por ter essa importância social, comunitária, identitária, histórica, corre esse processo do Mercado Sul se tornar um patrimônio cultural do Distrito Federal, inclusive para ser salvaguardado, para receber essa atenção das políticas públicas necessárias nesse território", pontuou a antropóloga, Ana Noronha. Em 2015, foi protocolado um primeiro pedido de patrimonialização do mercado junto ao Governo do Distrito Federal. Em 2021, a campanha “Mercado Sul é patrimônio cultural material e imaterial do DF” mobilizou diversos agentes culturais, intensificando o encaminhamento da pauta dentro e fora da comunidade. Atualmente, o processo está em discussão por meio de um grupo de trabalho do Conselho de Defesa ao Patrimônio Cultural (CONDEPAC-DF), instância participativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF. Exposição O projeto Chão de Cores também lançou uma exposição fotográfica com múltiplos olhares sobre as práticas culturais presentes no território, como teatro popular, artes visuais, cultura ballroom, capoeira, samba. “Este livro celebra as pessoas que estiveram aqui, valoriza quem permaneceu e segue movimentando atualmente e incentiva todos a construírem um futuro”, comenta a antropóloga Ana Noronha. A mostra traz registros de 13 artistas do movimento cultural do Mercado Sul: Angel Luís, Davi Mello, Diana Sofia, Ester Cruz, Ivaldo Cavalcante, Matheus Alves, Nara Oliveira, Raissa de Oliveira, Ramona Jucá, Rick Paz, Thiago S. Araújo, Webert da Cruz e Yuri Barbosa. 🗓️ Quando: até 27 de março ⏰ Horário: quartas e quintas, das 9h às 12h, e terças e sábados, das 13h às 18h 📍 Local: Espaço Okupa, no Mercado Sul 🎫 Ingressos: gratuita 👉 Escolas, educadores e projetos pedagógicos podem solicitar mediação pedagógica coletiva, mediante agendamento prévio. Coletivos culturais dão cara nova ao Mercado Sul, em Taguatinga Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

  14. Moradora do DF comemora transplante de coração depois de 5 anos com insuficiência cardíaca Um "novo sopro de vida". É como Fabíola Pessoa, de 41 anos, define a sensação de ter recebido um novo coração através de um transplante. A cirurgia bem-sucedida completou um mês nesta sexta-feira (13). "Estou sentindo um novo sopro de vida, agora eu posso viver mais um 100 anos", comemora. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Ela sofria problemas cardíacos desde fevereiro de 2021, quando teve um infarto grave durante uma gestação. Na época, além de perder o bebê, Fabíola ficou com insuficiência cardíaca grave. Durante quatro anos, viveu sob acompanhamento médico constante. O médico cardiologista Vitor Barzilai acompanhou todo o tratamento de Fabíola. Ela precisou implantar três stents - um pequeno tubo em forma de malha usado para manter vasos sanguíneos estreitos ou enfraquecidos abertos, funcionando como um suporte que garante o fluxo normal de sangue. Fabíola também fez tratamento com ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea): um suporte vital avançado que funciona como um coração e pulmão artificiais para pacientes com falência respiratória ou cardíaca grave. 🩸A ECMO oxigena o sangue fora do corpo, permitindo o descanso e a recuperação dos órgãos ou servindo de ponte para transplante. Mesmo assim, no início de 2025, ela teve uma nova piora do quadro, desencadeada por uma infecção após uma picada de aranha. De acordo com o médico Vitor Barzilai, o transplante de coração seria a única alternativa para garantir a sobrevivência de Fabíola. "O coração dela não conseguia mais bombear sangue adequadamente. Utilizamos um suporte avançado que assumiu temporariamente essa função para manter os órgãos funcionando. Mas o que realmente fez diferença foi a atuação coordenada e no tempo certo", explica o especialista. Fabíola Pessoa com o médico cardiologista Vitor Barzilai, no Hospital Brasília Hospital Brasília/Divulgação Fabíola estava na fila para receber o transplante de coração desde setembro de 2025. Com a piora do quadro em janeiro deste ano, ela entrou para a lista de prioridade, e em três semanas conseguiu fazer a cirurgia. "Quando meu médico disse que era hora de entrar na fila, foi um divisor de águas. Porque foram 5 anos fazendo tratamento, consultas de três em três meses, muitos altos e baixos de saúde. E depois da notícia do transplante, passei a viver esperando essa ligação, entre medo e fé", conta Fabíola. Fabíola Pessoa registra sua digital no mural com digitais de pacientes transplantados no Hospital Brasília Hospital Brasília/Divulgação Do transplante à alta médica O órgão veio de São Mateus, no Espírito Santo, em uma operação que mobilizou equipes médicas e de apoio entre dois estados. O coração chegou ao Hospital Brasília, no dia 13 de fevereiro, por volta das 9h, com apoio do helicóptero da Polícia Civil do Distrito Federal, e o transplante foi logo em seguida. Fabíola ficou internada, em recuperação no Hospital Brasília, por mais duas semanas, depois do transplante. Ela recebeu alta e foi para casa no dia 1º de março. "Normalmente, os pacientes precisam ficar internados entre duas semanas e um mês, para vermos se o corpo vai ter alguma reação ao novo órgão transplantado. Mas ela teve uma excelente recuperação e pode ser liberada", explica o médico. Segundo Fabíola, foram anos de muita dor e incertezas com relação a saúde. "Além da dor de ter perdido um filho, o Leo, que virou uma estrelinha no céu, eu vivi muito debilitada durante esse tempo, muito limitada funcionalmente". Vida nova Depois do transplante, ela diz se sentir como nova. "Agora, é como se tudo fosse possível. Voltei a fazer coisas simples sem cansaço. Esse novo coração representa vida". "E tudo isso graças a uma família que disse sim à doação de órgãos. Pessoas que tiveram uma coragem e um amor muito grande de dizer sim e salvar outra vida, mesmo diante da dor da perda. Eu faço até um apelo para que as pessoas não tenham medo de ser doadoras de órgãos, porque esse ato é como salvar e perpetuar a vida, e pessoas que precisam, como eu, agradecem", comemora Fabíola. LEIA TAMBÉM: TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS: DF tem mais de 1,7 mil pacientes na fila; conheça histórias de quem já fez a cirurgia 'VALE A PENA VIVER': Morador do DF ganhou novo coração e transformou fim de ano em recomeço Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

  15. Imagens mostram Vitória Barreto em ônibus e na rua em Brightlingsea, na Inglaterra O desaparecimento da psicóloga cearense Vitória Barreto Figueiredo na Inglaterra tem mobilizado policiais, voluntários, familiares e a comunidade internacional. Até o momento, as investigações apontam que a brasileira pegou, pelo menos, um ônibus e duas embarcações desde que saiu da Universidade de Essex, na tarde do dia 3 de março - há 11 dias. Natural de Fortaleza, Vitória está fora do Brasil desde o mês de janeiro, quando participou de um congresso e dois cursos no Marrocos. Em seguida, ela chegou à Inglaterra, onde ficou hospedada na casa de amigos. A intenção era participar de atividades científicas e tentar um doutorado. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O Ministério Público do Ceará (MPCE) divulgou, na última sexta-feira (13), que pediu à Justiça do Ceará pela quebra de sigilos bancário e telefônico de Vitória Barreto, para ajudar nas investigações do desaparecimento da psicóloga cearense. O pedido ainda não foi analisado pelo Poder Judiciário. O g1 montou uma linha do tempo que compila informações divulgadas pela Polícia de Essex e compartilhada por amigos e familiares de Vitória. Confira abaixo. Antes de desaparecer Antes de chegar ao Reino Unido, a psicóloga Vitória Barreto tinha participado de eventos no Marrocos Polícia de Essex/Reprodução 📆 Janeiro Vitória deixou o Brasil para participar do Congresso Internacional de Psiquiatria Social, realizado entre os dias 15 e 17 na cidade de Marraquexe, no Marrocos. Depois do evento, ela e o tio, o psiquiatra Adalberto Barreto, ministraram dois cursos presenciais na cidade de Casablanca, também no Marrocos. Os dois costumam dar formações e palestras sobre temas vinculados à Terapia Comunitária Integrativa, com base no trabalho realizado na organização Projeto 4 Varas, na periferia de Fortaleza. 📆 Fevereiro Vitória chegou ao Reino Unido no dia 2 de fevereiro. Ela ficou hospedada por cerca de um mês na casa de um amigo, até o dia 1º de março. 📆 Março A partir do domingo, dia 1º de março, Vitória passou a ficar hospedada na casa de Liliane Silva, também psicóloga brasileira e professora na Universidade de Essex, que mora na cidade de Southend-On-Sea, a cerca de 65 quilômetros de Londres. Na segunda-feira, dia 2 deste mês, as duas foram até o campus da universidade na cidade de Colchester, percorrendo uma distância de cerca de 1 hora de carro. Enquanto Liliane dava aulas, Vitória ficou na biblioteca estudando e fazendo trabalhos no computador durante a manhã. LEIA TAMBÉM: Brasileira desatracou barco após tentar ligar motor e ficou à deriva, aponta investigação Colete salva-vidas não foi encontrado em barco que pode ter sido usado por brasileira desaparecida na Inglaterra Quem é a psicóloga cearense desaparecida na Inglaterra após viajar para congresso As duas almoçaram juntas e, no fim da tarde, se reencontraram e voltaram para Southend-On-Sea. Vitória passou a noite com a família de Liliane. O desaparecimento Região de Brightlingsea, na Inglaterra, onde brasileira Vitória Barreto pegou barco e ficou à deriva Essex Police/Reprodução 📆 3 de março A terça-feira seguiria a mesma dinâmica do dia anterior: Vitória ficaria estudando enquanto Liliane dava aulas. 🕐 Por volta das 7h - Vitória e Liliane foram para a Universidade de Essex. 🕐 Entre 12h e 13h - Vitória e Liliane almoçaram juntas em um local próximo à universidade. 🕐 Por volta das 13h - Vitória embarcou no ônibus 87 na via Boundary Road, que circunda vários prédios da Universidade de Essex. Para ajudar na identificação, a polícia local divulgou imagens de Vitória dentro de um ônibus que circulava pela região Polícia de Essex 🕐 Por volta das 13h30 - Vitória desceu do ônibus na via Bellfied Avenue, na cidade litorânea de Brightlingsea. 🕐 Por volta das 14h30 - Imagens de câmera de segurança mostram Vitória na região de Hurst Green, área residencial em Brightlingsea. Nesta imagem, Vitória é vista de pé em uma esquina. Na tarde em que desapareceu, Vitória Barreto foi vista por volta das 14h30 na área de Hurst Green Polícia de Essex/Reprodução 🕐 Por volta das 16h45 - Depois de ministrar aulas, Liliane esperava Vitória em local que havia sido combinado entre elas, no campus da universidade. No entanto, a cearense não apareceu, não atendia o telefone nem respondia mensagens. Liliane tentou encontrar Vitória no campus por cerca de duas horas, contando com a ajuda de seguranças da universidade. Ela também fez contato com familiares de Vitória, que disseram que a cearense não fez nenhum contato depois das 13h44. 🕐 Horário não especificado durante a tarde - O morador Justin Francis passeava com o cachorro e estava com a companheira, em Brightlingsea, quando viu uma mulher com a mesma descrição da brasileira e que se apresentou como Vitória. Ele afirmou à reportagem da BBC que a mulher se aproximou deles e perguntou se poderia entrar na casa deles, sem explicar o motivo. Somente depois, Francis percebeu que poderia ter ajudado uma pessoa que estava sendo procurada na região. Região onde Vitória teria sido vista pulando cerca em direção a estaleiro, na madrugada do dia 4 de março. Polícia de Essex/Reprodução 📆 4 de março 🕐 Pouco depois da meia-noite - Imagens de câmera de segurança mostram uma pessoa, que a polícia acredita ser Vitória, pulando uma cerca em direção a um estaleiro, perto de uma marina em Brightlingsea. 🕐 0h16 - Imagens de câmeras de segurança mostram Vitória sozinha perto da marina de Brightlingsea. Vitória foi filmada perto da marina de Brightlingsea às 0h16, nas primeiras horas do dia 4 de março Polícia de Essex/Divulgação 🕐 Horário não especificado - Imagens mostradas pela polícia aos familiares de Vitória mostram uma pessoa pegando uma embarcação pequena e remando sozinha. Esta pessoa remou cerca de 100 metros até alcançar um pontão onde havia outras embarcações maiores. A pessoa amarrou o barco próximo a esse pontão e seguiu em direção às embarcações maiores. 🕐 0h36 - Um barco que estava em um pontão em Brightlingsea foi desamarrado e levado do local. O rádio do barco não estava ligado, e o proprietário só percebeu a ausência dele durante a manhã. 🕐 Por volta das 8h - A última localização do celular de Vitória indicou uma posição no Mar do Norte. A amiga dela que mora em Fortaleza, a psicóloga Fernanda Silvestre, recebeu esta localização compartilhada pelo aparelho de Vitória. Última posição de celular de Vitória apontava localização no Mar do Norte. Arquivo pessoal 🕐 Por volta das 10h30 - O barco que havia sido levado de Brightlingsea foi encontrado em um banco de areia perto da praia de Bradwell. A polícia não encontrou um colete salva-vidas que pertencia à embarcação. O objeto era de cor laranja e de formato semelhante a uma ferradura. O motor do barco estava com os fios expostos, com indícios de que Vitória tentou fazer uma ligação direta entre os fios para forçar o funcionamento do motor. 🕐 13h45 - O namorado de Vitória, Janilson, chegou a Londres. Como a chegada dele já era esperada anteriormente, familiares tinham esperança de que ela ainda fosse até o aeroporto recebê-lo. No entanto, ela não apareceu. A mãe de Vitória, Gleyz Barreto, decidiu ir a Londres e desembarcou na mesma data. A ausência de Vitória no aeroporto reforçou a preocupação de familiares e amigos. Depois disso, a Polícia de Essex foi comunicada do desaparecimento. 📆 9 de março 🕐 Por volta das 14h - Um morador encontra uma bolsa que corresponde à descrição da que estava sendo utilizada por Vitória no dia do desaparecimento. O objeto, que tinha a inscrição “People Over Profit” (“pessoas acima do lucro”, em tradução livre), foi encontrado em uma área verde perto de Copperas Road. A via fica perto da marina de Brightlingsea, onde as imagens de câmera de segurança captaram registros de uma pessoa indo em direção ao estaleiro. Buscam continuam Polícia investiga região costeira de Brightlingsea, na Inglaterra, onde brasileira Vitória Barreto utilizou barco e desapareceu Essex Police/Reprodução Na última sexta-feira (13), as buscas chegaram ao décimo dia, com atividades pela região de Bradwell-On-Sea. Ao g1, Liliane Silva afirmou que também foi até esta área com a mãe e o namorado de Vitória, buscando compreender os passos da psicóloga. “Nós entendemos que agora, passados 10 dias do desaparecimento dela, ela pode estar voltando ao estado normal de pensamento, de coerência, de raciocínio. Então, ela precisa de espaço seguro para buscar ajuda, para voltar para casa”, comenta a amiga. A professora explica que a bolsa encontrada em Brightlingsea, perto de onde ela pegou a primeira embarcação, não continha itens essenciais. Ainda não foram encontrados, por exemplo: o celular, o passaporte, cartões de crédito e o computador dela. Não está descartado que todos esses objetos ainda estejam com a cearense. Os familiares foram orientados a não tentar acessar nenhuma das contas de Vitória, como redes sociais ou aplicativos. A intenção é que, se houver tentativa de novo acesso, os investigadores consigam rastrear uma nova localização que leve até ela. Ainda conforme Liliane, o governo britânico tem feito o monitoramento de hospitais e também dos acessos de aeroportos, portos e fronteiras terrestres, afirmando que, até o momento, Vitória não deixou o Reino Unido. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

  16. Polícia Civil investiga sumiço de mulher que mora no Norte da Ilha, em Florianópolis O corpo da corretora de imóveis gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, foi encontrado esquartejado e desmembrado no interior de Major Gercino (SC), dois dias após a família registrar o desaparecimento dela. Três pessoas, um homem de 27 anos e duas mulheres, de 47 e 30 anos, foram presas suspeitas no envolvimento no latrocínio (roubo seguido de morte). Todos moravam no mesmo conjunto residencial que a vítima, ou seja, um terreno com pequenos prédios de cerca de quatro apartamentos cada. ✅ Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Quem é a corretora de imóveis gaúcha desaparecida em Florianópolis Luciani morava sozinha no bairro Santinho, no Norte da Ilha, mas mantinha contato frequente com a família do Rio Grande do Sul por telefone. Ela também atuava como administradora de imóveis na região. Veja abaixo o que se sabe e o que ainda falta saber sobre o caso. Quem era a corretora? Quem são os suspeitos? Os suspeitos foram presos? Suspeitos já tinham histórico criminal? Como os criminosos esconderam os restos mortais? Quando o desaparecimento foi registrado? O que levou a família a suspeitar do desaparecimento? Como a polícia chegou aos suspeitos? O que foi encontrado no apartamento dela? Qual foi a motivação do crime? 1. Quem era a corretora? A corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, era natural de Alegrete (RS) e morava sozinha em um apartamento no bairro Santinho, região turística de Florianópolis. Nas redes sociais, ela se identificava também como administradora de imóveis e turismóloga. Luciani Aparecida Estivalet Freitas está desaparecida em Florianópolis Redes sociais/ Reprodução 2. Quem são os suspeitos? Segundo a Polícia Civil, três pessoas são suspeitas de envolvimento no crime e já foram presas. Todas, moravam no mesmo conjunto residencial no bairro Santinho. Ângela Maria Moro, de 47 anos, administradora do conjunto residencial. Matheus Vinícius Silveira Leite, 27 anos, vizinho de porta da vítima. Letícia Jardim, 30 anos, namorada de Matheus. A mãe de Matheus, que chegou a ser ouvida como investigada, não responde até o momento a nenhum crime, assim com o irmão dele, um adolescente de 14 anos, encontrado com produtos comprados no nome de Luciani. 3. Os suspeitos foram presos? Sim, os três suspeitos de envolvimento no latrocínio foram presos. Ângela Maria Moro foi presa em Florianópolis, na quinta (12), inicialmente pelo crime de receptação, após a Polícia Civil encontrar diversos objetos que pertenciam à vítima em um dos apartamentos que a suspeita diz administrar. Porém, durante a audiência de custódia, o juiz citou a existência de indícios de homicídio e determinou a prisão temporária da suspeita por 30 dias. Já o casal Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, e Matheus Vinícius Silveira Leite, de 27 anos, foi preso na sexta-feira (13) em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Eles teriam fugido para o RS. 4. Suspeitos já tinham histórico criminal? Segundo a Polícia Civil, o homem de 27 anos estava foragido da Justiça de São Paulo por um latrocínio cometido em 2022 na cidade de Laranjal Paulista. Na ocasião, o proprietário de uma padaria foi morto com um tiro na cabeça durante um roubo. 5. Como os criminosos esconderam os restos mortais? Luciani foi esquartejada. Segundo a Polícia Civil, os restos mortais foram divididos em cinco pacotes diferentes e levados com o carro da própria vítima até uma ponte na área rural de Major Gercino, cidade de 3,2 mil habitantes, e jogadas em um córrego. Até sexta-feira (13), apenas o tronco da vítima foi localizado. 6. Quando o desaparecimento foi registrado? Luciani havia sido vista pela última vez em 4 de março, segundo o irmão dela, Matheus Estivalet Freitas. O desaparecimento, no entanto, foi registrado na segunda-feira (11). 7. O que levou a família a suspeitar do desaparecimento? Segundo o irmão, mensagens enviadas pelo celular da corretora com vários erros gramaticais, após um tempo sem conseguir qualquer contato com ela, chamaram a atenção da família, que passou a desconfiar se era realmente Luciani quem estava digitando. Os familiares também desconfiaram quando a corretora não parabenizou a mãe pelo aniversário, ocorrido em 6 de março. Embora morasse sozinha na cidade, Luciani mantinha contato diariamente com a família por mensagens e ligações, segundo Matheus. Mensagem suspeita acendeu alerta à família de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, desaparecida em Florianópolis Arquivo pessoal 8. Como a polícia chegou aos suspeitos? De acordo com a Polícia Civil, após o desaparecimento da corretora, compras teriam sido feitas utilizando o CPF da vítima. A partir dessas informações, os investigadores passaram a monitorar os endereços de entrega dos produtos, todos localizados em Florianópolis. Durante os trabalhos, os policiais abordaram um adolescente de 14 anos que buscava algumas das encomendas. Ele afirmou que os produtos seriam destinados ao irmão. Com base nesse relato, os agentes foram até o conjunto residencial, onde encontraram uma das mulheres suspeitas, que se apresentou como responsável pelo local. Em um dos apartamentos do local, os policiais encontraram duas malas com pertences da corretora, além de diversos itens comprados em nome dela, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. Depoimentos também indicaram que objetos da vítima teriam sido escondidos e que houve tentativas de dificultar o trabalho da polícia. 9. O carro dela foi localizado? O carro da corretora, um HB20, foi localizado nas proximidades da pousada. Ele foi usado para levar o corpo até o local de descarte, a mais de 100 km da Capital. Carro de da corretora Luciani Aparecida Estivalet Freitas Juan Todescatt/ NSC TV 10. O que foi encontrado no apartamento dela? Um vídeo gravado pelo irmão no apartamento da corretora, em Florianópolis, após o registro de desaparecimento, mostra muita bagunça, comida estragada e louça suja acumulada na pia da cozinha (assista abaixo). Vídeo mostra apartamento de gaúcha desaparecida em Florianópolis após desaparecimento 10. Qual foi a motivação do crime? A polícia trata o caso como latrocínio (roubo seguido de morte), mas ainda apura como a decisão de matar a vítima ocorreu e qual foi o grau de participação de cada suspeito. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

  17. Estreito de Ormuz se tornou o foco das atenções da guerra no Irã A ofensiva do Irã no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, já provoca reflexos na economia global. O bloqueio da passagem do Estreito, na costa iraniana, tem reduzido significativamente o fluxo de petróleo que atravessa a rota e, consequentemente, pressionado os preços da commodity, levando autoridades de diversos países a adotar medidas para conter os impactos. Especialistas explicam que a ação iraniana faz parte de uma estratégia de pressão internacional. Saiba mais no vídeo acima e no texto abaixo. Importância do Estreito de Ormuz e tomada do controle pelo Irã Pelo Estreito de Ormuz passam 20% de todo o petróleo produzido no planeta e até 25% do gás natural — a maior parte destinada a China, Índia, Coreia do Sul e Japão. Em condições normais, entre US$ 300 milhões e US$ 360 milhões em petróleo cruzam diariamente a passagem estreita de apenas 33 km de largura. Hoje, o controle do Estreito de Ormuz está nas mãos e nas minas e drones da guarda revolucionária do Irã. Na semana passada, o governo iraniano confirmou o fechamento do estreito e ameaçou incendiar o navio que tentasse atravessá-lo. A interrupção ocorre desde que Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de ataques aéreos contra o Irã, em 28 de fevereiro, o que ampliou a tensão militar na região. Antes da escalada do conflito, a movimentação no Estreito era intensa. Agora, com o risco de minas navais e ataques, o cenário mudou completamente, com uma redução brusca no tráfego de navios na região, conforme mostrou uma ilustração exibida pelo Fantástico (veja na imagem abaixo). Veja mudança de movimento no Estreito de Ormuz após conflito no Oriente Médio Reprodução/TV Globo A estratégia do Irã e risco real de crise global Segundo analistas, a estratégia iraniana mira justamente o medo de uma crise mundial. O país já ameaçou fechar o Estreito em outras ocasiões, como em 2019, quando foi acusado de atacar petroleiros na região. Para o governo iraniano, tanto naquela época como nos dias atuais, a estratégia é deixar o mundo preocupado com uma possível crise global da economia. "O fechamento do Estreito de Ormuz é uma opção estratégica do Irã, no sentido de tentar conter a guerra e acabar, portanto, com a pressão contra o seu próprio território", pontua Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica/Escola Superior de Guerra. Os especialistas alertam para o impactam econômico da medida: "A Arábia Saudita é a principal hoje exportadora de petróleo do mundo, e o petróleo saudita basicamente passa pelo Estreito de Ormuz. O petróleo hoje ainda é a principal fonte de energia do mundo. Na medida que eu tiro alguma fonte de energia da matriz reduz a oferta e automaticamente eu aumento o preço e gera inflação", explica Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Minas no mar: entenda armas do Irã ameaçam crise global Reprodução/TV Globo Minas navais do Irã: os pilares da ofensiva A ameaça de uso de minas marítimas pelo Irã tem se tornado um dos pontos centrais da guerra naval que se desenha em meio ao conflito no Oriente Médio. Essas armas navais são operadas por duas estruturas militares do país: a Marinha tradicional iraniana e a força considerada mais temida, a Marinha da Guarda Revolucionária, especializada em operações assimétricas no mar. "Isso é clássico do ponto de vista da guerra naval, a utilização de minas como o movimento de interdição de portos e canais. E cada vez mais essas minas se tornam sofisticadas", explica diz Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica/Escola Superior de Guerra. Os especialistas explicam que há três tipos principais de minas marítimas: minas de contato, que detonam ao toque; minas de influência, ativadas por sensores; minas remotas, controladas à distância pela Guarda Revolucionária. Segundo especialistas, esses artefatos podem ser lançados rapidamente e permanecer submersos sem qualquer sinal visível para quem navega, o que torna a navegação perigosa: “O navio não tem como detectar a existência de minas. Seria uma navegação muito arriscada”, afirma Eduardo Tannuri, professor de Engenharia Mecatrônica/USP. O uso de minas navais pelo Irã remete a episódios históricos. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, cerca de duas mil minas foram espalhadas no Golfo Pérsico pelo regime de Saddam Hussein, impactando diretamente no abastecimento energético de outros países — inclusive o Brasil. "O risco era bater numa mina, realmente tem uma explosão e um incêndio. A guerra começou a demorar um pouco mais do que o previsto. O país, o Brasil começou a entrar em crise de racionamento, posto fechando à noite, hospitais precisando de energia, onde tem termelétrica. Então virou missão, né? Então tem que correr o risco, tem que ser corrido por conta da necessidade do país", relembra José Menezes Filho, ex-comandante de petroleiro. Minas no mar: entenda armas do Irã ameaçam crise global Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: ‘Caminho de 1h30 levou 24h’: guerra se espalha além do Irã e brasileiros relatam fuga tensa no Líbano EUA reagem e conflito escala Na batalha marítima atual, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que um dos seus alvos é aniquilar a Marinha iraniana. O presidente americano afirmou que os EUA derrubaram 42 embarcações iranianas. Também nesta semana, um submarino americano afundou uma fragata iraniana perto do Sri Lanka, em uma ação sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial. Ao menos 87 corpos foram encontrados, e 32 pessoas foram resgatadas. Trump disse no domingo passado que os Estados Unidos podem escoltar os petroleiros, mas até agora o Estreito de Ormuz continua parcialmente fechado. Segundo a ONU, 20 mil tripulantes estão a bordo de navios no Golfo Pérsico, aguardando a abertura total do Estreito. Crise do petróleo: entenda por que a ofensiva do Irã no mar ameaça o mercado global Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida. BICHOS NA ESCUTA O podcast 'Bichos Na Escuta' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts.

  18. Agricultor que encontrou possível jazida de petróleo no Ceará aguarda análise da ANP Após encontrar um líquido parecido com petróleo ao perfurar um poço em busca de água no sítio onde mora, em Tabuleiro do Norte, o agricultor Sidrônio Moreira afirma que tem recebido propostas de compra das terras onde a possível jazida está (assista acima). Sidrônio vive com a esposa e dois filhos no Sítio Santo Estevão, de cerca de 48 hectares, herdado do pai. Ele encontrou o líquido escuro ao perfurar dois poços, tentando driblar a seca da região. A localidade onde mora, chamada de Baixa do Juazeiro, fica a cerca de 35 quilômetros da sede do município. LEIA TAMBÉM: ANP visita sítio onde agricultor encontrou possível petróleo ao perfurar solo Vídeo mostra agricultor encontrando possível poço de petróleo no Ceará "Muita gente ofereceu para comprar o terreno. Quando eles falam em comprar o terreno, eu corto a ligação, porque não [quero] vender mesmo. Espero que esse andamento saia logo do papel, que se resolva, porque a gente precisa de um poço para nós aqui", comentou Sidrônio. Agricultor recebe propostas de compra das terras onde mora após achar possível petróleo nelas. Gabriela Feitosa/g1 Desde que o líquido preto apareceu no primeiro poço, o aposentado recebe muitas visitas. A mais aguardada, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), só aconteceu nesta quinta-feira (12), sete meses após a notificação. Agora, a família espera o laudo da ANP para saber se é mesmo petróleo. O g1 foi até a casa de Sidrônio para conhecer a rotina da família após a descoberta. Eles dependem de uma adutora, de carros-pipa e ainda gastam cerca de R$ 100 por mês com água mineral. Mesmo assim, a água não é suficiente. Sidrônio precisou vender animais e reduzir as plantações por causa da falta de abastecimento. Apesar das dificuldades e das ofertas, ele não pensa em sair das terras onde mora há 20 anos. Sidrônio e esposa recebem equipe do g1 em visita a Tabuleiro do Norte, interior do Ceará. Gabriela Feitosa/g1 Encontro por acaso IFCE investiga possível descoberta de petróleo durante escavação de poço de água no Ceará A substância semelhante a petróleo foi encontrada em novembro de 2024 enquanto o agricultor perfurava o solo em busca de água para abastecimento de animais da sua propriedade, na localidade de Sítio Santo Estevão. Um vídeo gravado pela família em novembro de 2024 mostra o momento em que Sidrônio e a equipe contratada furam o primeiro poço. Em determinado momento, um líquido escuro emerge do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido pode ser petróleo. 📍Localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, Tabuleiro do Norte fica na divisa com o Rio Grande do Norte e faz parte da região do Vale do Jaguaribe. A região fica próxima à Bacia Potiguar, uma área de exploração de petróleo localizada entre o Ceará e o Rio Grande do Norte. Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, mas a localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros do bloco de exploração mais próximo. A família e o IFCE procuraram a ANP ainda em julho de 2025 informando da descoberta, mas desde então a agência não havia respondido. Somente no dia 25 de fevereiro o órgão se manifestou, respondendo a um pedido de informação do g1. Na comunicação, a agência disse que iria abrir um procedimento administrativo para investigar o caso, mas que não há data de conclusão. Mesmo que o petróleo seja confirmado, o agricultor não poderá comercializar o combustível, uma vez que, no Brasil, riquezas encontradas no subsolo pertencem à União. Conforme a legislação brasileira, a ANP deverá confirmar se a substância é de fato petróleo; mesmo se for confirmado, o dono do terreno não poderá extrair nem vender o combustível. LEIA MAIS: Sítio onde foi achado possível poço de petróleo precisa de carros-pipa para complementar abastecimento de água Caso petróleo seja confirmado, agricultor que furou poço no Ceará não poderá vender o combustível; entenda Vídeo mostra agricultor encontrando possível poço de petróleo ao perfurar em busca de água Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo por acidente ao perfurar solo em Tabuleiro do Norte (CE) Reprodução ⛽O que acontece agora? As análises feitas pelo IFCE e Ufersa confirmaram que o líquido encontrado em Tabuleiro do Norte é um tipo de hidrocarboneto que, em termos de densidade, viscosidade, cor e cheiro, se assemelha ao petróleo encontrado nas redondezas. Apesar disso, somente após análise de um laboratório credenciado pela ANP será possível afirmar se a substância realmente é petróleo. Após a descoberta de uma possível jazida de petróleo e a notificação da ANP, o órgão deve iniciar uma série de procedimentos para averiguar as condições da área, como o subsolo, o tamanho do poço e a composição química do líquido. O território do município de Tabuleiro do Norte não está inserido em nenhum bloco de exploração de petróleo, no entanto, a localidade onde a substância foi descoberta está a apenas 11 quilômetros de distância do bloco de exploração mais próximo, o que, somado ao resultado da pesquisa do IFCE, sugere a possibilidade de realmente haver petróleo na região. Possível poço de petróleo no sertão, demora da ANP e busca por água: veja linha do tempo A descoberta de petróleo não significa necessariamente que a exploração da área seja possível ou financeiramente vantajosa. Após a confirmação e delimitação das jazidas, a ANP divide a região em blocos de exploração, que serão leiloados para empresas realizarem a exploração de petróleo. Muitas vezes, uma área já mapeada e liberada para exploração pela ANP não atrai interesse de investidores devido ao tamanho da jazida, à dificuldade de extração, ao custo da instalação da operação ou mesmo à baixa qualidade do petróleo, o que exigiria mais gastos no processo de refino. Agricultores furaram poço em busca de água e encontraram substância semelhante a petróleo, em Tabuleiro do Norte (CE) Reprodução IFCE investiga possível descoberta de petróleo durante escavação de poço de água no Ceará Assista aos vídeos mais do Ceará:

  19. Foto de menino acenando pra antes de morrer em ataque no Irã viraliza Pelo menos 2 mil pessoas foram mortas no Oriente Médio desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. Segundo balanço divulgado pela agência de notícias Reuters, após duas semanas de confrontos, 12 países tiveram vítimas fatais. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe a cobertura sobre o conflito em tempo real Além do Irã, que tem cerca de 1,3 mil mortes confirmadas, o Líbano, contabiliza 773 mortos. O país foi arrastado para o conflito após ataques do grupo terrorista Hezbollah em apoio ao governo iraniano. Confira abaixo: Irã O número mais recente de mortos, divulgado pela mídia estatal na segunda-feira (9), era de pelo menos 1.270 pessoas. No entanto, o embaixador do Irã na ONU falou, dias antes, que pelo menos 1.332 pessoas haviam sido mortas desde o início da guerra. Não está claro se esses números incluem as 104 pessoas que foram mortas no ataque dos EUA a um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka no dia 4 de março. Pessoas carregam caixões no funeral das vítimas após um ataque a uma escola, em meio ao conflito EUA-Israel com o Irã, em Minab, Irã, 3 de março de 2026 Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA Israel Doze pessoas morreram, incluindo 9 em um ataque com mísseis iranianos contra Beit Shemesh, perto de Jerusalém, no dia 1º de março, segundo o serviço de ambulâncias de Israel. Dois soldados israelenses foram mortos no sul do Líbano. Líbano Segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde do Líbano nesta sexta-feira (13), o número de mortos no país subiu para 773 desde o início da guerra, incluindo mais de 100 crianças. Estados Unidos Treze militares dos EUA foram mortos. Segundo o Exército americano, 6 tiveram suas mortes confirmadas nesta sexta-feira (13), após a queda de uma aeronave militar americana no Iraque, enquanto outros 7 morreram em combate durante as operações contra o Irã. Avião dos EUA cai no espaço aéreo do Iraque Emirados Árabes Unidos Seis pessoas morreram em ataques iranianos, segundo o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos. Kuwait As autoridades do país relataram 6 mortes: duas pessoas mortas em ataques iranianos, dois oficiais do Ministério do Interior e dois soldados do Exército. Síria Quatro pessoas morreram quando um míssil iraniano atingiu um prédio na cidade de Sweida, no sul da Síria, em 28 de fevereiro, informou a agência de notícias estatal SANA. Omã Duas pessoas morreram em um ataque com drone em uma zona industrial na província de Sohar, marcando as primeiras fatalidades dentro do país. Antes do conflito eclodir, o país havia sediado negociações entre os EUA e o Irã. Uma terceira pessoa morreu quando um projétil atingiu um navio-tanque na costa de Mascate, disse o gerente da embarcação. Bahrein Duas pessoas morreram em dois ataques distintos realizados pelo Irã, sendo o mais recente contra um prédio residencial na capital Manama, de acordo com o Ministério do Interior. Arábia Saudita Duas pessoas morreram quando um projétil caiu em uma área residencial na cidade de Al-Kharj, a sudeste da capital Riade. França Um soldado francês foi morto e outros seis ficaram feridos após um ataque com drone no norte do Iraque, onde ministravam treinamento antiterrorista. LEIA TAMBÉM: O que está por trás do confronto entre Israel, Irã e Estados Unidos e o que podemos esperar? Trump diz que ataques mataram lideranças que poderiam assumir o Irã: 'Todos que tínhamos em mente morreram'

  20. Os organizadores de eventos em Foz do Iguaçu são responsáveis por planejar e coordenar encontros corporativos, congressos, feiras e celebrações que acontecem na cidade. Além de definir datas e reservar locais, esses profissionais cuidam de detalhes logísticos, conectam pessoas e apoiam a movimentação econômica local. Neste conteúdo, você vai conhecer as funções e o perfil desses profissionais, entender os desafios do dia a dia e conferir informações sobre especialistas e empresas do setor que atuam em Foz do Iguaçu. O que faz um organizador de eventos? O organizador de eventos é o profissional que transforma uma ideia em um evento estruturado, conduzindo todas as etapas necessárias para que encontros sociais, corporativos, culturais ou governamentais ocorram conforme o planejado. Entre suas responsabilidades estão: escolher o local adequado, montar cronogramas, gerenciar fornecedores, coordenar equipes e acompanhar o orçamento. Além disso, ele garante que todos os detalhes estejam alinhados às necessidades do público e dos contratantes. Para que um evento ocorra como planejado, é necessário um trabalho estratégico nos bastidores, envolvendo decisões operacionais e colaboração entre diferentes áreas. Nesse contexto, os organizadores de eventos em Foz do Iguaçu atuam como ponto de ligação entre planejamento e execução, lidando com imprevistos e assegurando que cada etapa seja organizada e segura. Principais habilidades dos organizadores de eventos O trabalho exige habilidades que vão além do planejamento básico. Alguns dos pontos-chave incluem: Comunicação: interagir de forma clara com fornecedores, patrocinadores, clientes e equipes para evitar conflitos e facilitar negociações. Gestão de tempo: planejar cada etapa com disciplina para cumprir prazos e evitar atrasos. Liderança e delegação: coordenar equipes, distribuir responsabilidades e acompanhar resultados durante a execução. Organização: manter controle sobre cronogramas, demandas e processos do pré ao pós-evento. Rede de contatos: contar com fornecedores, parceiros e especialistas disponíveis para atender demandas de última hora. Resiliência: lidar com imprevistos, encontrar soluções rápidas e manter a execução do evento dentro do planejado. 24º Congresso Internacional e Brasileiro de Neuropsicologia 2025 Divulgação: Jean Pavão Papéis e responsabilidades Os organizadores de eventos em Foz do Iguaçu assumem responsabilidades que abrangem todas as etapas do projeto, incluindo: Planejamento estratégico: definir formato, público-alvo e objetivos do evento. Gestão de orçamento: elaborar orçamentos, negociar com fornecedores e otimizar recursos. Coordenação de processos: organizar pré-evento, execução e pós-evento. Infraestrutura e segurança: verificar locais, autorizações e protocolos de segurança. Gestão de fornecedores: contratar e acompanhar serviços de alimentação, audiovisual, logística e recepção. Divulgação e marketing: estruturar estratégias de comunicação para alcançar o público-alvo. Acompanhamento em tempo real: monitorar o evento, coordenar equipes e resolver imprevistos. Avaliação de resultados: coletar feedbacks e propor ajustes para futuras ações. A rotina desses profissionais varia conforme o tipo de evento, seja um congresso corporativo, feira, celebração social ou experiência digital. Em todos os casos, os organizadores de eventos atuam como elementos centrais na execução e coordenação das atividades. Evento de comemoração 87 anos Parque Nacional do Iguaçu Divulgação: Urbia+Cataratas Tipos de eventos e atuação dos organizadores em Foz do Iguaçu O trabalho dos organizadores de eventos abrange diferentes formatos, atendendo desde pequenas reuniões até grandes produções corporativas, culturais ou sociais. Conhecer esses tipos de evento ajuda a compreender a amplitude da atuação desse profissional. Principais tipos de eventos Eventos sociais: celebram momentos de lazer e interação, sem foco comercial direto, como casamentos, aniversários, chás, coquetéis e noivados. Eventos corporativos e profissionais: promovidos por empresas ou instituições, voltados para networking ou objetivos institucionais, incluindo coffee breaks, desfiles, leilões e visitas institucionais. Eventos oficiais: seguem protocolos formais, com foco em cerimônias institucionais, premiações, inaugurações ou assinaturas de contratos. Eventos técnico-científicos: relacionados à troca de conhecimento e aprendizado, como congressos, seminários, workshops e feiras técnicas. Eventos artísticos e culturais: envolvem apresentações, exposições, shows e festivais que apresentam arte e cultura ao público. Eventos religiosos: celebram tradições religiosas, como batizados, casamentos e primeiras comunhões. Cataratas do Iguaçu Divulgação: Nilmar Fernando Empresas e organizadoras de eventos em Foz do Iguaçu As empresas que organizam eventos em Foz do Iguaçu oferecem planejamento, coordenação e execução de projetos de diferentes portes, do pequeno ao grande, incluindo reuniões, convenções, feiras, eventos corporativos, culturais e esportivos. Foz do Iguaçu como destino de eventos Initial plugin text Foz do Iguaçu é referência para eventos nacionais e internacionais, oferecendo infraestrutura variada, como hotéis e espaços de eventos próximos a pontos turísticos. Além disso, a cidade conta com serviços especializados e experiências únicas. A cidade permite que participantes tenham deslocamento ágil entre centros de convenções e atrações locais. A proximidade com Argentina e Paraguai proporciona uma experiência multicultural, favorecendo eventos corporativos, congressos e feiras que contemplam aspectos internacionais. Para mais informações sobre o destino e opções de locais, é possível acessar o Visit Iguassu. Confira tudo que o Destino Iguaçu tem a oferecer!

  21. Como funciona a Mega-sena O concurso 2.984 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 75 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h deste sábado (14), em São Paulo. Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp No concurso da última quinta-feira, nenhuma aposta acertou as seis dezenas. A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online. A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados. Volante da Mega-Sena Ana Marin/g1 Para apostar na Mega-Sena As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos. Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo. O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar. Probabilidades A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa. Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

  22. Depois de vários dias seguidos de chuva e céu fechado em partes do Sudeste, algumas áreas da região devem voltar a ter mais períodos de sol neste fim de semana. Em estados como São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), que tiveram acumulados elevados de chuva ao longo da semana, a tendência agora é que o sol apareça com mais frequência. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Ainda assim, o fim de semana não será completamente seco. Pancadas isoladas podem ocorrer durante a tarde, típicas do calor e da umidade desta época do ano. Na capital paulista, por exemplo, o sábado deve ter sol entre nuvens e possibilidade de pancadas rápidas à tarde. A temperatura pode chegar perto dos 28 °C. No domingo (15), o tempo fica mais aberto e os termômetros sobem um pouco mais, com máxima por volta de 30 °C. ☁️ Veja a previsão do tempo na sua cidade No Rio de Janeiro (RJ), a situação é parecida. O sábado ainda pode ter chuva passageira ao longo da tarde, mas o sol aparece entre nuvens e o calor aumenta. As máximas ficam perto de 30 °C. No domingo, o tempo tende a ficar mais firme, com temperaturas chegando a 31 °C. Pôr do sol em Santos, no litoral do estado de São Paulo. Luigi Bongiovanni/TheNews2/Estadão Conteúdo Já em Minas Gerais e no Espírito Santo, a previsão ainda é de chuva mais intensa. A umidade elevada e a presença de uma frente fria no litoral favorecem a formação de nuvens carregadas nesses estados. Em Belo Horizonte (MG), o fim de semana ainda deve ter pancadas frequentes de chuva, algumas delas fortes, com máximas próximas de 26 °C. Em Vitória (ES), a previsão indica chuva ao longo de vários períodos do dia, inclusive com risco de temporais isolados. As temperaturas ficam altas, com máximas perto de 31 °C, o que mantém a sensação de abafamento. LEIA TAMBÉM: Raro e espetacular: caverna no Brasil só recebe luz por 3 meses e vira cenário de outro planeta Como Peru transformou um dos desertos mais áridos do mundo em um centro de produção de alimentos 80% dos corais do planeta sofreram branqueamento moderado ou severo, mostra estudo inédito No Centro-Oeste, cidades como Brasília (DF) e Cuiabá (MT) devem ter dias com sol, calor e pancadas de chuva. Na capital federal, as máximas ficam perto de 26 °C, com possibilidade de trovoadas. Em Cuiabá (MT), a chuva também aparece de forma rápida ao longo do dia, com temperaturas perto de 29 °C a 30 °C. Previsão de chuva neste sábado em todo o país. Inmet/Reprodução No Norte do país, a previsão indica chuva frequente em estados como Amazonas, Amapá e Pará. A umidade elevada e a atuação da chamada Zona de Convergência Intertropical ajudam a formar nuvens carregadas, que podem provocar pancadas fortes e temporais isolados, principalmente à tarde e à noite. ➡️A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é um encontro de ventos na região do Equador. É dos principais sistemas meteorológicos causadores de chuva em parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Previsão de chuva neste sábado em todo o país. CPTEC/Inpe Essa mesma faixa de instabilidade também influencia o norte do Nordeste. Áreas do Maranhão, Piauí e Ceará devem ter chuva moderada a forte em vários momentos do dia, com risco de temporais localizados. Já em partes do litoral do Nordeste oriental, entre o Ceará e a Bahia, a chance de tempo firme é maior neste fim de semana. No Sul, o tempo tende a ficar mais estável na maior parte da região, com o sol aparecendo com mais frequência e temperaturas em elevação. Em Porto Alegre (RS), o sábado deve ter sol e poucas nuvens, com máxima perto de 30 °C. No domingo, o calor aumenta um pouco mais, chegando a 31 °C. Curitiba (PR) também terá um fim de semana mais estável, com máximas entre 26 °C e 27 °C. E esse aumento de temperatura na região pode se intensificar no começo da próxima semana. Uma massa de ar quente deve começar a avançar pelo interior do continente e elevar bastante o calor principalmente no Rio Grande do Sul, onde algumas cidades podem registrar temperaturas acima de 35 °C nos próximos dias. Mapa mostra previsão de temperatura máxima para este sábado (14). CPTEC/Inpe Veja como ficam as temperaturas em TODAS as capitais brasileiras, segundo o Inmet: LEIA TAMBÉM: Cientistas descobrem formação geológica no Triângulo das Bermudas que pode explicar mistérios da região Japoneses processam governo por inação climática e pedem indenização É #FAKE que Amazônia não contribui para equilibrar clima do mundo

  23. Presidente Lula e Darren Beattie, assessor de Donald Trump Ricardo Stuckert / PR e Divulgação/Departamento de Estado dos EUA O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) usou o princípio de reciprocidade para revogar a concessão de visto de Darren Beattie, assessor do presidente dos EUA, Donald Trump, apontam especialistas em relações internacionais, que explicam o conceito ao g1 (leia mais abaixo). A informação sobre a revogação foi divulgada nesta sexta-feira (13). O assessor, que atua em temas relacionados ao Brasil, viria ao país na próxima semana e pretendia visitar Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha. O princípio da reciprocidade, utilizado pelo Brasil e outros países, estabelece que um Estado tende a tratar outro da mesma forma como é tratado por ele nas relações internacionais. Em termos gerais, significa que direitos concedidos por um país a outro costumam ser acompanhados de obrigações equivalentes — evitando que apenas um dos lados se beneficie das regras. Este princípio não é uma lei, mas uma prática comum nas relações internacionais. No caso de vistos e entrada de estrangeiros, por exemplo, países frequentemente adotam exigências semelhantes às impostas a seus próprios cidadãos no exterior. "O princípio funciona no sentido de você poder devolver o que lhe foi aplicado. Ele pode ser usado em uma série de campos das relações internacionais", explica Ana Carolina Marson, professora da Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Na prática, isso também pode se traduzir cobrança de taxas, prazos de permanência ou outras restrições de entrada adotadas como resposta a medidas semelhantes impostas pelo outro país. Como ele foi usado pelo Brasil nesse caso? Governo revoga visto de assessor de Trump A justificativa do governo para a revogação do visto é que Beattie teria omitido o real motivo da visita e planejado encontros de caráter político no país. Beattie teria justificado a vinda ao país com uma participação em um evento sobre terras raras e minerais críticos em São Paulo, mas acabou planejando reuniões políticas. Porém, antes da confirmação da revogação por parte do Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que Beattie só entrará no país quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, puder entrar nos Estados Unidos. "Aquele cara americano que disse que vinha para cá, para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado", afirmou. Em agosto do ano passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da mulher e da filha, de 10 anos, de Alexandre Padilha. O visto do ministro não foi cancelado porque já estava vencido. (Leia mais aqui). "Partindo do princípio de que todos os países são Estados soberanos, cada um deles tem autoridade para determinar suas regras sobre entrada de pessoas em seus territórios - sem haver preponderância de um sobre o outro, isto é, há igualdade jurídica entre os Estados", diz André Araújo, professor da Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da FESPSP. "A questão ocorrida com o assessor de Trump baseia-se no precedente de que o Ministro da Saúde, Padilha, teve o visto negado no ano passado para entrar nos EUA. Sendo assim, houve reciprocidade ao negar o visto de uma autoridade dos EUA", ele diz. Padilha comandava o Ministério da Saúde em 2013, quando foi criado o programa Mais Médicos. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA revogou vistos de funcionários do governo brasileiro ligados ao programa. Visita ao Brasil Na terça-feira (10), a defesa do ex-presidente Bolsonaro enviou um pedido a Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, pedindo que a visita de Beattie fosse concedida de forma excepcional na segunda (16) ou na terça-feira (17), por motivos de agenda do norte-americano. Bolsonaro está preso na Papudinha, em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. As visitas ao ex-presidente precisam receber o aval de Moraes, relator do processo que levou o político à cadeia. Moraes permitiu a visita. No entanto, autorizou que ela fosse realizada na quarta-feira (18). As visitas na unidade prisional onde Bolsonaro está detido são, tradicionalmente, às quartas e sábados. No dia seguinte, a defesa pediu que ele reconsiderasse a data, ainda por motivos de agenda. Questionada pela TV Globo, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil não detalhou o motivo da viagem. Informou apenas que "Darren Beattie, viajará em breve ao Brasil para promover a agenda de política externa America First". 🔎A doutrina "America Frist", ou América em primeiro lugar, na tradução livre, é uma orientação de política externa associada ao governo Donald Trump que prioriza interesses estratégicos e econômicos dos Estados Unidos nas relações internacionais. Moraes, então, solicitou informações ao Itamaraty sobre a agenda diplomática do secretário de Trump no Brasil. Em resposta, o ministério afirmou que a reunião de um assessor de Trump com o ex-presidente Jair Bolsonaro "pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro". Diante disso, Moraes voltou atrás e retirou a autorização para o encontro entre Bolsonaro e Beattie. Bolsonaro foi internado nesta sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, diagnosticado com um quadro de broncopneumonia. Ele está sendo tratado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

  24. Geraldona é uma fêmea de boto-de-Lahille de mais de 40 anos que convive com pescadores na Barra do Rio Tramandaí Heloise Martins/Ceclimar Uma tradição centenária do Litoral Norte do Rio Grande do Sul agora foi oficializada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural imaterial: é a pesca com botos, prática colaborativa entre humanos e animais da espécie Tursiops gephyreus no Sul do Brasil que é considerada uma forma rara de interação interespécies. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Em terras gaúchas, a pesca com os boto-de-Lahille é praticada principalmente na barra do Rio Tramandaí, entre as praias de Tramandaí e Imbé, tendo registros também em Torres. “É muito importante para nós porque impede que qualquer empreendimento na Barra do Tramandaí, entre o rio Tramandaí e o mar, que possa acabar com a pesca cooperada possa ser erguido ali. Protege a pesca cooperada, as comunidades da pesca e reconhece o território como de pesca”, celebra o dirigente do Sindicato de Pescadores de Tramandaí, José Roberto Prestes Madruga. “A pesca cooperada deixou de acontecer em vários lugares do mundo e, aqui, ela vai continuar acontecendo. É uma herança que deixaremos aos nossos filhos.” Pesca colaborativa entre pescadores e botos é costume em Tramandaí Geraldona é a decana entre os botos A decisão foi tomada no segundo dia da 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, instância deliberativa máxima do Iphan. A atividade foi inscrita no Livro dos Saberes, reconhecendo um conhecimento tradicional profundo, que revela a estreita relação que os pescadores do litoral de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul guardam com seu entorno natural. Enquanto os pescadores se posicionam na barra que liga as praias de Imbé e Tramandaí, os botos começam, um a um, a aparecerem com suas barbatanas e dorsos cinzas, se lançando para o alto, indicando com precisão onde o cardume se encontra. Os pescadores, então, lançam redes e sarrafos exatamente no local indicado pelos animais, em um verdadeiro pacto colaborativo entre a espécie humana e a natureza. Nos dias que “dá peixe”, principalmente quando há grandes concentrações de tainha, até 15 botos aparecem para a pescaria. Eles cooperam com os pescadores há tanto tempo, em uma parceria tão próxima e cotidiana, que recebem nomes. A Geraldona é a decana da casa. Uma fêmea de boto-de-Lahille de mais de 40 anos que tem até família constituída, com os filhos, chamados Rubinha, Chiquinho e Furacão, e a neta, Esperança. Fêmea de boto conhecida como Esperança coloca a cabeça para fora d'água Maurino Ramos Francisco / Arquivo Pessoal Não se sabe ao certo desde quando a pesca artesanal com botos acontece em corpos d’água gaúchos, mas estima-se que já seja uma tradição centenária entre os pescadores do Estado. "Não sei responder exatamente há quanto tempo ocorre, mas os pais dos pescadores, que já eram pescadores, já pescavam na barra do rio Tramandaí com os botos. Então, essa prática já ocorre com certeza há mais de 100 anos aqui em Tramandaí", estima José Roberto. “Hoje o Chiquinho vai achar umas tainhas para a gente”, comemora o pescador Maurino Ramos Francisco, que há 47 anos mora em Imbé e pesca em Tramandaí, sempre que o boto entra em ação. Ele relata uma relação semelhante à de amizade com os animais. “Para nós, é muito show conviver com o boto a dois, três metros. O bicho é tão manso que fica ali do lado. Eu vejo eles todo dia, tanto que já viraram parte da família”, comenta. Segundo ele, há uma relação de troca. O boto sinaliza para o pescador onde se concentram os cardumes, o pescador joga a tarrafa, e os animais conseguem capturar mais facilmente os peixes que acabam escapando solitários das redes. “Isso vem de muitos anos. Meu pai era pescador antes de mim e eu gostava tanto que aprendi essa profissão. Agora (com o reconhecimento), isso vai ser mais divulgado. O boto agora é patrimônio e para alguém espantar um animal desse já fica mais difícil. Porque uns tentam salvar, já outros levam pra outro lado”, diz Maurino. Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reclassificou o risco de extinção dos botos-de-Lahille – a espécie envolvida na pesca colaborativa com os pescadores da região – de vulnerável para em perigo de extinção. Estima-se que a população mundial total desses animais é de cerca de 330 indivíduos, a maioria deles, no litoral Sul do país. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

  25. O Recife de 1977 reconstituído por 'O Agente Secreto' CinemaScopio/Divulgação Ruas, prédios históricos, parques e praças do Recife aparecem como cenário de "O Agente Secreto", produção dirigida por Kleber Mendonça Filho e estrelada por Wagner Moura. Gravado em quase 50 pontos da capital pernambucana, o filme transforma a cidade em vitrine e projeta para plateias de diferentes países a paixão pelo cinema feito em Pernambuco. Entre os cenários do longa está o Cinema São Luiz, um dos cinemas de rua mais icônicos do país, inaugurado em 1952 no Centro da cidade. O prédio histórico aparece em várias cenas do filme e hoje recebe sessões da própria produção — uma experiência curiosa para o público, que assiste na tela a um espaço onde está sentado. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp "O Agente Secreto" recebeu quatro indicações ao Oscar: melhor ator, melhor filme, melhor filme internacional e melhor elenco. O longa também fez história ao ganhar dois prêmios no Globo de Ouro deste ano e dois prêmios no Festival de Cannes de 2025. No São Luiz, o cinema não apenas exibe o longa-metragem. Ele também aparece dentro da narrativa, transformando o próprio espaço em parte da história. Quando o público entra na sala, muitos têm a sensação de se reconhecer na tela. No domingo, "O Agente Secreto" concorre ao Oscar em 4 categorias; uma delas é nova, Melhor Seleção de Elenco A relação entre o espaço e o filme começa antes mesmo da sessão. As luzes se apagam, os vitrais do cinema se acendem e, naquele momento, o ritual tradicional do cinema de rua prepara a plateia para uma história que tem muito da própria cidade. O gestor do cinema, Gustavo Coimbra, conhece esse ritual desde criança. Ele lembra das idas ao São Luiz com a família, quando assistir a um filme era também participar de uma tradição. “Quando criança, na adolescência, principalmente criança, eu vinha muito com minha mãe, meus irmãos, assistir aos filmes. 'Superman', essas coisas que sempre gostei muito. A gente ia muito no Veneza [cinema de rua fechado no final dos anos 1990] e no São Luiz. Mas o São Luiz eu frequentava mais”, conta. Cinema São Luiz em 'O Agente Secreto' CinemaScopio/Divulgação Segundo ele, a mãe fazia questão de chegar cedo para acompanhar todo o processo da sessão. “Minha mãe tinha uma preocupação de a gente sair na hora certinha, tudo direitinho, para ver o ritual: as luzes apagando, os vitrais acendendo.” Hoje, Gustavo está do outro lado da experiência. É ele quem acende os vitrais do cinema antes das sessões. "Hoje a gente está aqui, eu estou aqui trabalhando no cinema e eu fazer os vitrais acenderem, aquilo que eu vinha ver com minha mãe quando pequeno, isso é inexplicável, é gratificante demais”, contou. Para ele, assistir ao filme dentro do próprio São Luiz cria uma sensação especial. “Você está dentro da história a partir do momento em que você está ali dentro daquela mesma área, olhando para aquilo que o cara da trama estava olhando. E você está ali dentro, você entra um pouco no filme naquele momento. Só a gente tem isso”, afirma. O sucesso de "O Agente Secreto" também tem levado novos visitantes ao cinema. Segundo funcionários do espaço, há pessoas que nunca tinham entrado no São Luiz e decidiram conhecer o local depois de assistir ao filme. “Tem gente, pessoas com certa idade já, que nunca tinha entrado aqui no São Luiz e está vindo por conta de ‘O Agente Secreto’”, diz Gustavo. João Bosco, projecionista do Cinema São Luiz, atuou em 'O Agente Secreto' Reprodução/TV Globo Quem também acompanha esse movimento é o projecionista João Bosco, um dos mais antigos do cinema. Ele afirma que percebeu uma mudança no público desde a estreia do longa. “O público já estava com aquilo na mente, que o cinema [de rua] estava afracando, mas quando chegou ‘O Agente Secreto’, lotou de novo”, conta. Em "O Agente Secreto", Seu Alexandre, sogro do protagonista, trabalha como projecionista no São Luiz. Bosco também participou do filme, ainda que rapidamente, e conta que chegou a passar informações a Carlos Francisco, que interpreta o personagem. “Eu apareci no filme como porteiro, numa cena. Rapidamente, mas apareci no filme”, diz. Acostumado a trabalhar nos bastidores da projeção, ele afirma que a experiência foi diferente. “Eu estava acostumado a exibir filme. Participar, não. Aí Kleber falou para mim: 'Você vai participar do filme'. Eu conheci Seu Alexandre. Até passei para ele algumas informações do projetor. Eu fico olhando para ele, assim, e me sinto como se eu estivesse ali, fazendo aquela cena com ele”, lembra. Tradição que atravessa um século Cartazes dos filmes 'A Filha do Advogado', 'Baile Perfumado' e 'Amarelo Manga' Montagem/g1 Nos últimos anos, filmes de Kleber Mendonça Filho também reforçaram a ligação entre cidade e narrativa, como "Aquarius", "Bacurau" e "Retratos Fantasmas". Entretanto, a relação entre o Recife e o cinema não começou agora. Um dos primeiros filmes feitos na cidade foi "A Filha do Advogado", dirigido por Jota Soares há exatos 100 anos, em 1926. Nas décadas seguintes, outras produções também usaram histórias e cenários da região, como "Amarelo Manga" (de 2002, dirigido por Cláudio Assis) e "Cinema, Aspirinas e Urubus" (2005, de Marcelo Gomes). Mas Pernambuco tem uma das cinematografias regionais mais antigas e consistentes do Brasil, marcada por diferentes ciclos de produção e por uma forte relação entre cinema, cidade e cultura local. O cinema chegou ao estado poucos meses depois das primeiras projeções públicas realizadas pelos Auguste Lumière e Louis Lumière em Paris, consideradas o marco inicial da história da sétima arte. Em 13 de setembro de 1896, o produtor Francisco Pereira de Lyra exibiu imagens em movimento usando um aparelho chamado kinetographo, no bairro de São José, no Recife. Poucos anos depois, o cinema começou a ganhar espaços permanentes na cidade, com os cinemas Pathé — o primeiro de todos — inaugurado em 1909 e Helvética, Eclypse, Polytheama, Éclair e Moderno. E, desde o início do século 20, o Recife passou a aparecer nas telas — primeiro, como cenário de experiências pioneiras e, mais tarde, como personagem de filmes que dialogam com a identidade cultural da região. Essa trajetória costuma ser dividida em ciclos do cinema pernambucano. Nos anos 1920, o estado viveu o chamado Ciclo do Recife, um movimento pioneiro de produção cinematográfica que transformou a cidade em um dos principais centros de cinema do país. Entre 1923 e 1931 foram produzidos cerca de 13 filmes de ficção, realizados por grupos de jovens cineastas que buscavam contar histórias locais e criar uma indústria cinematográfica fora do eixo Rio-São Paulo. Entre os pioneiros estavam nomes como Gentil Roiz, Edson Chagas, Ary Severo e Jota Soares, ligados à produtora Aurora Filmes, responsável por obras como "Retribuição" e "Aitaré da Praia". Décadas depois, outro momento importante surgiu com o movimento Super-8, nos anos 1970, quando o barateamento das câmeras permitiu que novos realizadores experimentassem linguagens e narrativas. O movimento se fortaleceu a partir de 1973 e revelou nomes como Fernando Spencer, Celso Marconi e Athos Cardoso. Nos anos 1990, uma nova geração ajudou a recolocar Pernambuco no mapa do cinema nacional. Filmes como "Baile Perfumado" (de 1996, dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas) marcaram essa retomada, seguidos por produções que ganharam repercussão dentro e fora do país, como "O Rap do Pequeno Príncipe contra as Almas Sebosas" (2000, de Paulo Caldas e Marcelo Luna) e o já citado "Amarelo Manga". Nas últimas décadas, o cinema produzido no estado passou a circular com frequência em festivais internacionais. Diretores como Kleber Mendonça Filho, Cláudio Assis, Marcelo Gomes e Gabriel Mascaro ajudaram a consolidar essa projeção. O Recife como personagem Imagem em 'Retratos fantasmas' Divulgação Enquanto o público local reconhece lugares da cidade na tela, o filme também apresenta o Recife para espectadores de outros países. Em entrevista em Londres, durante a agenda internacional de divulgação do filme, Kleber Mendonça Filho falou sobre a importância de um país contar suas próprias histórias por meio do cinema. “O cinema, claro, a televisão, as séries, é uma maneira muito forte e poderosa de contar histórias. E é essencial que um país, no nosso caso o Brasil, consiga se ver, se ouvir e ver histórias que você diga: isso aqui faz parte de quem somos”, afirmou. Segundo ele, outras cinematografias fazem isso com frequência. Para o diretor, fazer cinema é também ocupar esse espaço de expressão. “Os americanos fazem isso muito bem, os europeus fazem, os japoneses, os indianos. Eu acho que é muito importante que nós tenhamos algo a dizer. É feito você estar numa conversa e você dizer: eu tenho uma coisa para falar”, declarou. Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura nas filmagens de "O Agente Secreto" Laura Castor/Divulgação O ator Wagner Moura também destacou a importância dessa troca cultural. Ele afirma que sua própria visão sobre outros países foi construída a partir do cinema. "Eu cresci vendo cinema americano. Então o meu entendimento do que os Estados Unidos são tem a ver com os filmes que eu vi, com os diretores americanos. É muito importante e tem sido muito bonito ver as pessoas falando do Brasil a partir desse filme, desde sobre o que era a ditadura militar no Brasil até a Perna Cabeluda. São dados da cultura do Brasil sendo exportados”, disse. Para ele, é significativo que o público estrangeiro esteja conhecendo o Brasil por meio da produção. Além do reconhecimento internacional, Wagner destaca o impacto do cinema dentro do próprio país. “Eu acho mais bonito ainda que nós, brasileiros, vejamos o nosso cinema, nossa cultura, nossa arte, nossa literatura, teatro, artes visuais, porque isso nos informa quem nós somos. Cria identidade e cria autoestima”, declarou. Novas gerações mantêm tradição Gravações do filme 'Tainara', de Juliana Soares Lima e Igor Travassos, na Ilha de Deus, no Recife Reprodução/TV Globo Mais de um século depois das primeiras exibições de cinema no Recife, novas gerações de realizadores continuam surgindo no estado. Muitos começam em curtas-metragens, projetos independentes ou oficinas comunitárias e passam a integrar uma cadeia de produção que envolve técnicos, atores e produtores locais. Projetos e produções independentes têm aproximado jovens do audiovisual em bairros e comunidades do Recife. Na Ilha de Deus, por exemplo, moradores participaram e acompanharam de perto as etapas de filmagem do curta-metragem “Tainara”, de Juliana Soares e Igor Travassos. Juliana trabalhou em "O Agente Secreto", e hoje dirige o próprio filme, assim como Kléber Mendonça Filho incentivou no discurso do Globo de Ouro, ao levar o prêmio de melhor filme em língua não-inglesa. "Tainara" conta a história de uma menina perdeu a mãe e o irmão nas fortes chuvas que atingiram o Grande Recife em 2022, deixando mais de 130 mortos. Ela passa a viver com a tia na Ilha de Deus, tradicional comunidade pesqueira da Zona Sul do Recife, entre viveiros de camarão e o mangue, encontra na imaginação uma forma de lidar com o luto. "Eu acho que, primeiro, é uma sorte muito grande de a gente ter um curso de cinema e audiovisual numa universidade pública no Recife. Eu conheci Igor na universidade e, hoje, a gente traz pessoas que estão se formando para a nossa equipe. A graça do cinema pernambucano é a história de registrar essas paisagens que não são muito vistas. [...] Acho que tem uma paisagem muito especial nesses lugares do Recife, e uma preocupação muito bonita em registrar as pessoas desses lugares. A cultura, os hábitos, os rostos. É isso que torna o cinema pernambucano e recifense tão especial", disse. Já Igor acredita que o cinema pernambucano tem, como particularidade, as pessoas e a coragem de não disfarçar a realidade. "É gente no ônibus, em estação de metrô, no meio da cidade, no Centro, gente trabalhadora. Essa é uma característica que faz a gente ver o Recife. Não disfarçar a realidade, porque é uma realidade tão bonita que é ficção. É o modo como a gente fala, é um pano de prato que a gente coloca no ombro, é a fofoca na frente de casa, e esses hábitos do dia a dia que a gente não vê num cinema que não é nosso. Quando a gente se apropria disso e começa a fazer cinema, a gente se reconhece nos mínimos detahes", disse. Renata Roberta pesquisa elenco para filmes e descobriu Tânia Maria Reprodução/TV Globo O Edifício Pernambuco, no Centro da cidade, é um exemplo da força do cinema pernambucano, e de como ele resiste e se reinventa. No prédio de arquitetura icônica construído em 1963, funciona uma espécie de polo do audiovisual, com diversas empresas que atuam nos bastidores das produções. Projetos, financiamentos, edição... Lá, todas essas etapas se encontram. Uma dessas trabalhadoras é Renata Roberta, que pesquisa elenco para filmes. Ela já morou no Rio de Janeiro e em São Paulo e, aproveitando o bom momento do cinema pernambucano, voltou para o Recife. Hoje, escolhe os figurantes e elenco adicional dos filmes de Kleber Mendonça Filho. Ela trabalhou em todas as obras dele, desde o curta "Recife Frio". "A população, a cidade, o povo, aqueles que têm poucas falas, que dão um bom-dia, um 'olha ali'. Essa é a minha galera. É com essas pessoas que eu costumo trabalhar e produzir, de uma maneira muito específica, considerando um corpo coral. Pensando as pessoas como uma demografia, como a população de um universo fantástico, de cada filme", contou. Tânia Maria em 'Bacurau' (à esquerda) e em 'O Agente Secreto' (à direita) Divulgação Foi ela quem, na pesquisa por figurante para "Barurau", descobriu e primeiro se apaixonou por Tânia Maria, a icônica Dona Sebastiana. Ela, que nem atriz era, morava no povoado Cobra, em Parelhas (RN). Renata foi "estiar" a chuva em frente a uma casa e foi abordada por uma moradora, curiosa com o trabalho da equipe. "Saiu essa senhora tentando entender que barulho era esse numa cidade que tem menos de 10 mil habitantes. Qualquer pessoa estranha é um grande evento. Quando ela falou comigo, fiquei muito apaixonada. Achei a voz dela incrível, achei ela incrível. [...] Ela ficou muito animada, disse que queria ser atriz e eu contratei na hora, que é uma coisa que não posso fazer. Mas fiquei apaixonada por ela desde o início. Convidei ela para fazer a figuração em Bacurau, que foi aprovada pelo próprio Kleber. Fico muito orguhosa e feliz por ter participado da trajetória dela. Sou uma grande fã", declarou. Turismo 'secreto' Ambientado em 1977, o filme foi gravado em quase 50 locais do Recife. Com cenografia e efeitos visuais, diversos espaços da cidade voltaram ao visual da época. Hoje, alguns desses lugares têm atraído curiosos e fãs da produção. O recifense Roberto Tavares assistiu ao filme várias vezes e passou a visitar as locações. “A gente sai da Praça do Arsenal e vai percorrendo algumas das principais locações”, explica. Entre os pontos estão o próprio São Luiz, o Ginásio Pernambucano e a Rua da União. Segundo ele, muitos moradores redescobrem a cidade ao perceber que lugares do cotidiano aparecem na tela. “É bom ver o público da casa com os olhos brilhando mesmo”, afirma. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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