
Nuno Leal Maia volta ao teatro aos 78 anos
Divulgação/TV Globo e Jofí Herrera
O ator Nuno Leal Maia, de 78 anos, está de volta aos palcos após mais de dez anos afastado. Em entrevista ao g1, o artista relembrou os tempos de galã de novelas que marcaram gerações, a experiência que viveu como treinador de futebol e a relação com o envelhecimento.
Antes de se tornar conhecido por personagens queridos pelo público, como Fábio, de 'A Gata Comeu' (1985), e Gaspar, de 'Top Model' (1989), o ator nasceu e viveu em Santos, no litoral de São Paulo. Ele contou que mantém uma relação de carinho pela cidade, onde costuma visitar amigos, resolver burocracias e aproveitar uma de suas paixões: nadar no mar.
Atualmente, o ator está em cartaz com a peça 'Meno Male', com texto de Juca de Oliveira. Leia, abaixo, a entrevista completa:
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Relembre personagens marcantes de Nuno Leal Maia em novelas
O que motivou a volta aos palcos após mais de dez anos longe do teatro?
O projeto todo. A peça do Juca, "Meno Male", o personagem, a direção. Então, todo o projeto, o projeto em si me deu vontade de voltar, principalmente o personagem. O retorno está sendo muito bom, muito proveitoso, está sendo bem legal, o espetáculo está indo muito bem. A gente está trabalhando legal, fazendo sucesso. Está bom.
Existe a possibilidade de um retorno para as novelas? O senhor tem planos para isso?
Não. Não tem plano nenhum, mas pode ser que se me apresentarem algum plano, eu posso estudar. Para mim, eu gosto mais de cinema, mas como o cinema está praticamente encerrado, é difícil. Todo mundo faz só para os amigos agora. Então, é difícil, mas eu gosto mais de cinema.
Nuno Leal Maia e Christiane Torloni em 'A gata comeu'
Acervo Globo
O que tem no cinema que te encanta?
Não sei. É uma coisa desde pequenininho que eu vou ao cinema. Eu tinha três, quatro anos de idade e a mãe já me levava no cinema. Eu vou ao cinema desde pequenininho e sempre gostei. É uma viagem, né? É uma mágica. Talvez, a magia de te levar em uma viagem pelo tempo, pelo espaço, pelas histórias, pela vida. Essa magia que eu acho que o cinema tem.
Acha que existe um preconceito silencioso contra atores mais experientes? Teve algum momento da carreira em que a idade influenciou os papéis que recebia?
Eu acho que não é preconceito. É uma coisa que eles acham que funciona mais são trabalhos para a juventude, mas é da cabeça deles, eles que acham isso. Eu acho que eles acham errado. Não tem preconceito, é mais uma maneira meio cretina de observar as coisas assim.
Quando eu era jovem, acho que a minha idade influenciava porque eles sempre foram assim, sempre deram papéis para os mais jovens, então eu também me aproveitei disso.
Nuno Leal Maia e Rita Lee na novela 'Top Model, em 1989
Acervo Grupo Globo
O público acompanhou sua trajetória de galã em novelas. O tempo muda a aparência de todo mundo. Como você convive com a vaidade hoje e quais cuidados faz questão de manter?
Eu procuro me alimentar bem para ter uma qualidade de vida boa. Comer bem, dormir bem. Você tem que cuidar do teu corpo para ele poder funcionar direito e você não ter problemas. Então, é mais por esse lado. A vaidade faz parte do ser humano. Todo mundo tem. Então, você tem que administrar, né? Saber que isso aí é bobagem, isso aí não existe. A vaidade você tem que compensar ela com o que você tem. Então, não dá para ficar sendo escravo da vaidade.
O que um ator da sua geração tem que você sente falta nos mais jovens?
Eu acho que humildade, carisma, tem que ter carisma. Se tiver carisma, vai para frente. Se não tiver, não adianta. Mas, eu acho que humildade e vontade de aprender com os mais velhos. Eu acho que eles não têm.
Pelé participa do penúltimo capítulo da novela 'História de Amor', ao lado de Nuno Leal Maia
Reprodução/Memória Globo
Se pudesse dar um conselho para os jovens atores. Qual seria a primeira coisa que você falaria?
Primeira coisa? Cuidar de si, cuidar do corpo, cuidar da mente. Trabalhar se conhecer, autoconhecimento.
Entre os grandes nomes da dramaturgia brasileira, o senhor também se arriscou nos campos de futebol, como jogador do juvenil do Santos Futebol Clube e treinador de diversas equipes. Como foi essa experiência?
Foi só uma experiência que eu tentei colocar o teatro no futebol. Tudo que eu tinha aprendido no teatro, tentei colocar no futebol para dar uma evolução no futebol, mas o futebol é muito ruim de abertura, são muito pode dizer burros assim, né? É muito fechado. Então, não aceita muito as propostas novas. Por isso, que está do jeito que está. O futebol está triste.
Nuno Leal Maia, que já jogou pelo juvenil do Santos, e foi treinador em outras equipes durante um treino do Peixe. Na foto, ele conversa com Serginho Chulapa
Irandy Ribas/Arquivo A Tribuna
Inclusive, o que achou da atuação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo?
Muito ruim, né? Treinador de fora não pode. Para ganhar uma Copa do Mundo, você tem que ter um treinador daqui. Nunca ninguém conseguiu ganhar uma Copa do Mundo com treinador estrangeiro. Tem que ser treinador brasileiro. Esse treinador aí não conhece nada do Brasil e nem tem interesse. Não tem interesse em lutar pelo Brasil, em brigar. É muito fraco. Tudo decepcionante.
Hoje, a final será disputada entre a Espanha e a Argentina. Quem o senhor acha que vai levar a taça?
Eu acho que a Argentina não perde mais. A Argentina já chegou aí onde chegou, deixaram chegar aí. Dificilmente, eles vão perder para a Espanha. Em todo o caso, pode ser que dê uma zebra, mas eu acho que a Argentina leva.
Nuno Leal Maia, em 2015, na orla da praia de Santos (SP), onde nasceu
Nirley Sena/A Tribuna Jornal
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