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G1 GLOBO (Tudo Diário)

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  1. Mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas e quase 82 milhões de pessoas estão inadimplentes, um recorde histórico que atormenta o governo em ano de eleição Getty Images via BBC Brasil "Minha Santa Edwiges, agracia o pedido que venho fazer a vós, para que este final do mês de abril eu consiga pagar a conta toda no mercado, ou pelo menos consiga pagar uma parte da minha conta que eu estou devendo, para poder fazer outras compras e pagar no final do mês. Amém, amém, que assim seja e a Senhora abençoe e ilumine, amém." A oração foi publicada no início de abril por uma mãe cearense em uma comunidade virtual que reúne devotos da santa católica protetora dos aflitos e endividados. A aflição dessa mãe é hoje a de 80,4% das famílias brasileiras, que se encontravam endividadas em março, recorde na série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada desde janeiro de 2010 pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a pesquisa, 29,6% das famílias tinham dívidas em atraso em março e 12,3% não tinham condição de pagar as contas atrasadas naquele mês, com o pagamento de dívidas comprometendo quase um terço da renda familiar (29,6%). Cartões de crédito (84,9%), crediários do varejo (16%) e empréstimos pessoais (12,6%) representam hoje os principais tipos de dívidas das famílias, segundo o levantamento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Outra pesquisa, realizada pela Serasa, aponta que 81,7 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro, ou 49,9% da população adulta, com valor médio da dívida por pessoa de R$ 6.598,13. Segundo especialistas, três fatores principais explicam o alto endividamento: a ampliação da oferta de crédito com o aumento do número de pessoas com contas em banco desde a pandemia, as altas taxas de juros e, mais recentemente, a disseminação no país das plataformas de apostas virtuais, conhecidas como bets. O endividamento elevado virou uma dor de cabeça para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no ano eleitoral. A avaliação do governo é de que o peso das dívidas mascara a alta da renda e o desemprego baixo, contribuindo para a avaliação negativa dos brasileiros da economia, mesmo com a inflação controlada e o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo. Em resposta ao problema, o governo planeja lançar uma segunda versão do programa de renegociação de dívidas Desenrola. Uma das medidas em estudo é a liberação de valores retidos no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitação de dívidas, em um montante que pode chegar a R$ 7 bilhões, segundo informações preliminares. O governo também avalia mecanismos para conter o uso excessivo de plataformas de apostas para tentar reduzir o endividamento das famílias. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o novo programa deve contemplar tanto pessoas físicas quanto empresas. 'Que este final do mês de abril eu consiga pagar a conta toda no mercado, ou pelo menos consiga pagar uma parte da minha conta que eu estou devendo', pede em oração uma mãe cearense a Santa Edwiges, padroeira dos pobres e endividados Getty Images via BBC Brasil 'Recebo 20 ligações de cobrança por dia' "Que bom que você avisou que ia ligar, porque senão o DDD 11 eu não atenderia normalmente", diz a catarinense Bárbara Helena da Silva, de 31 anos, ao falar por telefone com a reportagem da BBC News Brasil. "Eu recebo por volta de 20 ligações de cobrança por dia. Descobri que estão ligando até para minha cunhada para cobrar dívida minha. Fiquei triste, porque esse é um problema meu, não queria que respingasse em outras pessoas." As dívidas de Bárbara são hoje as mais comuns entre os brasileiros: foram três cartões de crédito que levaram a moradora de Florianópolis a se tornar inadimplente. Ela estima suas dívidas em atraso hoje em mais de R$ 20 mil — originalmente, eram cerca de R$ 10 mil, que dobraram em seis meses, diz ela, por causa dos altos juros dos cartões. Segundo dados do Banco Central, o juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito era de 435,9% ao ano em fevereiro — o crédito rotativo é acionado quando a pessoa não paga o valor total da fatura até o vencimento. Mas, desde 2024, está em vigor uma norma que estabelece um teto para o aumento de uma dívida no cartão de crédito até o dobro do valor original. Segundo uma pesquisa Datafolha divulgada em 18 de abril, 27% dos entrevistados disseram usar o crédito rotativo com diferentes graus de frequência. Esta mesma pesquisa mostrou que 67% dos brasileiros dizem ter dívidas financeiras e que 21% têm parcelas em atraso. Juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito era de 435,9% ao ano em fevereiro, segundo dados do Banco Central Getty Images via BBC Brasil Bárbara conta que, como psicóloga autônoma, sente em primeira mão quando a renda das pessoas está apertada, porque, quando elas perdem poder de compra, o primeiro gasto que cortam é com a saúde mental. "Fui perdendo clientes, e minha renda foi diminuindo bastante. Aí, tive que optar por pagar o aluguel e as contas de casa ou pagar o cartão de crédito, que tinha várias compras parceladas. Foi meio que inevitável", diz a psicóloga. Entre as compras parceladas nos seus três cartões — dois de instituições financeiras digitais e um de banco tradicional —, ela cita o computador que usa para trabalhar, uma cadeira de escritório e um aparelho de ar-condicionado. "São coisas pequenas, mas que a gente não consegue comprar à vista. A gente vai parcelando, vai juntando parcela com parcela, e vira uma grande bola de neve." Uma sociedade que consome via crédito O geógrafo Kauê Lopes dos Santos estudou a cultura da compra parcelada nas periferias de São Paulo em seu livro recém-lançado Parcelado (Editora Fósforo). "Do ponto de vista estrutural, temos no Brasil uma sociedade que consome via crédito, via parcelamento", diz Santos, que é professor da Universidade de Campinas (Unicamp). Ele observa que essa cultura de consumo se fortaleceu particularmente nas últimas três décadas, a partir dos anos 2000. "Isso vai desde produtos mais caros — e aí temos, sobretudo, os imóveis, já que praticamente todas as classes sociais precisam parcelar a compra de moradia —, mas chega até a situações de parcelamento de compra de alimentos. Então, o espectro do endividamento e do parcelamento é muito grande." A partir de entrevistas que conduziu com moradores de periferias paulistanas desde 2010, Santos observa que o parcelamento passou a fazer parte do modus operandi da organização do orçamento doméstico, assim como eventuais entradas em situação de inadimplência. "O que observei nas entrevistas é que a situação de endividamento é tratada com um certo humor, do tipo: 'Mas, também, quem não está parcelando?'", conta o pesquisador. "Ao mesmo tempo, isso é um dado de tensão dentro do orçamento doméstico, justamente porque as populações de baixa renda são aquelas que têm os menores rendimentos e que muitas vezes trabalham em condições de informalidade, ou seja, em situações de maior vulnerabilidade." Pagamento de parcelas compromete o orçamento futuro das famílias, no que o geógrafo Kauê Lopes dos Santos chama em seu livro de uma 'alienação do futuro' DIVULGAÇÃO/EDITORA FÓSFORO O professor da Unicamp destaca que o pagamento de parcelas compromete o orçamento das famílias a longo prazo, no que ele chama em seu livro de uma "alienação do futuro". "Se você tem um rendimento e você sabe que está trabalhando todo mês para pagar aquilo, a possibilidade de você sonhar, de se projetar no cenário no futuro em outro lugar, com outra experiência de vida, ou até mesmo ascender socialmente está comprometida", afirma Santos. "Porque todo esse parcelamento que você está pagando é um produto da sua renda e do seu trabalho. Aquilo não está sendo utilizado para um projeto pessoal, está sendo utilizado por instituições financeiras e para o pagamento de juros — os mais altos do mundo." A esse cenário se somaram recentemente as bets, observa o pesquisador. "Isso potencializa a questão do endividamento", afirma. "É um campo importante de pesquisa, porque o sujeito que está endividado e que vai buscar dinheiro fácil acredita na promessa das bets, se endivida mais ainda, e tem que recorrer ao cheque especial e a outras modalidades de crédito com taxas ainda mais altas." 'O jogo praticamente destruiu minha vida' Foi o que aconteceu com Nicole, de 21 anos, moradora de um município de pouco mais de 8 mil habitantes no interior da Bahia. A jovem dona de casa afirma que teve seu casamento e sua saúde mental destruídos pelo vício em apostas. Atualmente, não sabe dizer quanto tem em dívidas, mas estima que sejam mais de R$ 10 mil, em empréstimos bancários que tomou para continuar apostando em bets. Ela preferiu ter seu nome verdadeiro preservado para dar seu relato à BBC News Brasil. "Tudo começou em 2023. Foi assim: eu estava assistindo o vídeo de uma influenciadora muito famosa nos stories [do Instagram], aí me deparei com ela postando o link de um jogo e acabei clicando", lembra. "Joguei R$ 10 na época e ganhei R$ 100, aí fiquei eufórica. Daí por diante, o vício só foi crescendo, cada dia mais. Eu não conseguia mais sair." 'Meu nome hoje em dia é sujo em cinco bancos por conta das casas de apostas', conta baiana de 21 anos, que viu seu casamento acabar devido ao vício Joédson Alves/Agência Brasil "Meu nome hoje em dia é sujo em cinco bancos por conta das casas de apostas. Então, trouxe para mim muitos problemas, tanto financeiros, como físicos e psicológicos. Esse jogo praticamente destruiu minha vida, meu casamento desabou por conta do vício." Desempregada e com o Bolsa Família como única fonte de renda, ela diz que não tem perspectiva de pagar a dívida. "Como não trabalho e, na Bahia, atualmente, é difícil arrumar emprego, não estou pagando, porque são muitas dívidas, não tenho como pagar." Nicole afirma que ainda não tem candidato a presidente para as eleições de outubro, mas se diz pessimista com os rumos do país. "O Brasil só vem decepcionando a gente, por vários fatores, como as casas de apostas. Isso já era para ter sido resolvido pelo governo, porque ele está vendo que está destruindo milhares e milhares de pessoas", diz ela. Uma pesquisa Quaest divulgada em 17 de abril mostrou que 29% dos brasileiros dizem ter o costume de fazer apostas em bets. "Já era para o governo ter bloqueado as casas de apostas, mas, infelizmente, a gente vive em um país que é basicamente sem lei." 'Bancos são lenientes para conceder crédito' Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, observa que um dos fatores relevantes por trás do recorde de endividamento é a falta de critérios das instituições financeiras na concessão de crédito. O caso de Nicole é um exemplo disso: a dona de casa tem no Bolsa Família sua única fonte de renda, mas conseguiu empréstimos com cinco instituições financeiras. "Existe uma certa leniência dos bancos na concessão do crédito, especialmente modalidades altamente populares, como o rotativo do cartão de crédito, que é praticamente uma linha pré-aprovada de crédito com juros altíssimos", diz Bentes. Procurada pela BBC News Brasil, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) discorda da análise e afirma que "o objetivo principal do sistema bancário é promover acesso responsável ao crédito, com equilíbrio entre inclusão financeira, gestão de risco e proteção ao cliente". A entidade afirma que a concessão de crédito das instituições a ela associadas segue "critérios rigorosos de análise", a partir da regulamentação estabelecida pelo Banco Central e considerando o perfil de cada consumidor. No caso específico do rotativo do cartão de crédito, a Febraban aponta que essa é uma "linha emergencial e de curtíssimo prazo". "Seu custo mais elevado está diretamente associado ao maior risco da operação, à ausência de garantias e à maior probabilidade de inadimplência nesse tipo de crédito", diz a nota enviada à reportagem. Outro fator relevante foi o avanço da bancarização a partir da pandemia, com a multiplicação dos bancos digitais e o uso do Pix possibilitando a inclusão financeira e o acesso a crédito. Isso foi positivo para a economia como um todo e trouxe maior segurança para milhares de pessoas, que antes recorriam a agiotas quando necessitavam de empréstimos, explica o economista. No entanto, a combinação de mais pessoas com conta em banco, falta de educação financeira e uma taxa básica de juros que chegou a 15% ao ano (atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, ainda bastante elevada) foi explosiva para o endividamento. Neste cenário, tanto Bentes, como Kauê Lopes do Santos, da Unicamp, avaliam que uma nova edição do Desenrola deve apenas promover um alívio temporário, mas não resolver o problema crônico do endividamento. Estudo mostra que primeira edição do Desenrola reduziu inadimplência das famílias de baixa renda de forma relevante, mas efeito se dissipou após 18 meses Ministério da Fazenda Estudo recente da consultoria MB Associados mostra que a primeira versão do programa, encerrada em maio de 2024, "produziu uma redução estatisticamente significativa e economicamente relevante na inadimplência das famı́lias de baixa renda, da ordem de 2 a 3,5 pontos percentuais nas linhas sem garantia" — empréstimos concedidos sem a necessidade de um bem (imóvel ou veículo) para dar segurança ao banco. "Contudo, o efeito foi inteiramente temporário: dissipou-se em 18 meses após o lançamento, com a inadimplência retornando e, em muitos casos, superando os níveis pré-programa", observa Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, em relatório que apresenta os resultados do estudo. "Isso sugere que o Desenrola funcionou como uma limpeza pontual de carteira, sem alterar os determinantes estruturais do endividamento." Para Bentes, da CNC, uma mudança estrutural exigiria promover a educação financeira da população, melhorar a transparência na comunicação dos custos da tomada de crédito, um maior controle por parte das instituições financeiras na concessão de crédito, aumento da competição bancária e, por fim, a redução dos juros básicos da economia. "O governo precisa dar o exemplo e equilibrar o orçamento dele, porque é o desequilíbrio das contas públicas que joga a Selic a 15%", diz o economista. O desequilíbrio das contas públicas — quando o governo gasta mais do que arrecada — tende a elevar os juros, porque aumenta a percepção de risco pelos investidores. Para financiar o déficit, o governo precisa emitir mais dívida, pressionando as taxas para cima. Além disso, há maior incerteza sobre inflação futura, o que leva o Banco Central a manter juros mais altos para controlar a inflação, encarecendo o crédito em toda a economia. O economista-chefe da CNC observa que é o próprio governo o mais afetado pelo mau humor dos endividados, o que deve ter impactos nas eleições deste ano. "As decisões relacionadas a eleições tendem a ser multifatoriais, mas é claro que um eleitor com uma dívida, com a corda no pescoço, tende a criticar a situação, (e dizer) 'esse governo que me levou a essa situação'", afirma Bentes. "Um eleitor menos endividado tende a ter uma decisão mais serena e menos extrema do que o eleitor que está com uma parcela alta da renda comprometida." Os endividados e as eleições de outubro O mineiro Otávio, de 39 anos, é um exemplo dessa insatisfação dos endividados com o governo. Morador de uma cidade de pouco mais de 6 mil habitantes no interior mineiro, onde é dono de uma loja de acessórios de informática e serviço de copiadora, ele também se endividou ao cair no vício das apostas, assim como a baiana Nicole. Primeiro, queimou toda sua poupança, depois, vendeu seu carro avaliado à época em R$ 35 mil para pagar dívidas, mas diz que acabou gastando 80% do valor da venda do veículo em apostas. "Aí começou a minha saga: peguei empréstimos, um por cima do outro, gastei com cartão de crédito, foi virando aquela bola de neve", diz Otávio, que teve seu nome real preservado nesta reportagem. Ele estima ter atualmente cerca de R$ 30 mil em dívidas, mas já ter pedido mais de R$ 100 mil no jogo. Quase 82 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em fevereiro, ou 49,9% da população adulta, segundo dados da Serasa Divulgação/Serasa Otávio avalia que o governo faz pouco para combater o problema do vício em apostas entre a população. "Se eles estivessem tão preocupados assim, podiam já ter acabado com isso faz tempo, porque faz mais de cinco anos que isso é um problema no Brasil, não é possível." As apostas foram autorizadas no Brasil em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB), e regulamentadas em 2023 e 2024, durante o terceiro mandato de Lula. O pequeno empresário mineiro diz que ainda não escolheu seu candidato para outubro, mas que provavelmente será Flávio Bolsonaro (PL). "Acho que, para além desse endividamento, o país está todo desequilibrado, a economia, muitas coisas pioraram bastante." Já a catarinense Bárbara diz que o fato de ela estar inadimplente e de o endividamento no Brasil ser recorde não muda em nada sua intenção de voto em Lula em outubro. "Eu sei que tudo isso acontece por questões que vão além do que o poder público tem em conta de lidar. Então, tem a questão do sistema financeiro, a questão das crises internacionais que acabam afetando o Brasil", diz a psicóloga. "Acho que o governo está fazendo um trabalho bom para tentar evitar que isso chegue à população, mas eles não podem fazer tudo e dar conta de tudo." Apesar das perspectivas políticas distintas, Bárbara, Nicole e Otávio têm em comum não terem ficado sabendo das medidas em estudo pelo governo para reduzir o endividamento dos brasileiros. Informados pela reportagem da BBC News Brasil sobre elas, todos avaliaram que o relançamento do Desenrola pode ser positivo. Mas o desconhecimento por parte de pessoas de todo o Brasil, de classes sociais distintas, revela o desafio de comunicação que o governo enfrenta.

  2. Vídeo mostra confusão após adolescente roubar celular Um adolescente, de 14 anos, foi apreendido após furtar um celular na faixa de areia em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Imagens obtidas pelo g1 nesta quarta-feira (22) mostram banhistas cercando o jovem, derrubando-o na faixa de areia e desferindo chutes contra ele (assista acima). O caso aconteceu na Avenida Presidente Castelo Branco, no bairro Aviação. Segundo o boletim de ocorrência, a vítima estava acompanhada de um colega quando o menor passou de bicicleta, puxou o aparelho e fugiu. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Nesse momento, testemunhas seguraram o menor até a chegada da Guarda Civil Municipal (GCM). O celular foi devolvido à vítima, e o adolescente foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) do município. Adolescente foi agredido por banhistas após roubar um celular. Reprodução/Redes Sociais Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que nenhum responsável compareceu ao local e o menor ficou sob responsabilidade do Conselho Tutelar. O caso foi registrado como furto e entrega de objeto. O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Praia Grande, em busca de mais informações, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Adolescente foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária do município. Reprodução/Redes Sociais VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

  3. Justiça manda Prefeitura de São Vicente adotar medidas contra erosão nas praias A Justiça obrigou a Prefeitura de São Vicente, no litoral de São Paulo, a adotar medidas imediatas contra a erosão [encolhimento da faixa de areia] nas praias do Gonzaguinha e dos Milionários. A decisão foi tomada após o Ministério Público (MP-SP) ingressar com uma ação civil pública sobre o avanço do mar na região. “O risco de dano é atual, grave e iminente, ultrapassando a esfera meramente ambiental para atingir a segurança pública”, declarou o juiz Leonardo de Mello Gonçalves, da Vara da Fazenda Pública de São Vicente, na decisão. Em nota, a administração municipal afirmou que vai recorrer (veja o posicionamento completo no fim da reportagem). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. A liminar estabelece uma série de medidas que devem ser tomadas pela administração municipal (veja adiante). A decisão judicial também determina uma multa diária de R$ 1 mil caso as ações não sejam realizadas nos prazos estipulados - o valor das eventuais sanções deverá ser revertido ao Fundo Municipal de Meio Ambiente. Justiça obriga Prefeitura de São Vicente a tomar medidas contra erosão nas praias Carlos Abelha/TV Tribuna Erosão As praias dos Milionários e Gonzaguinha estão entre os casos mais expressivos de erosão na região. Segundo a promotora do MP-SP, Almachia Zwarg Acerbi, há uma série de estudos sobre o avanço do mar na área, mas poucas ações do poder público para conter o problema. Por isso, o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), propôs a ação civil pública contra a Prefeitura de São Vicente. “A investigação começou lá em 2003 e, com a investigação, foram realizados estudos hidrológicos, estudos complexos que comprovam que a ação humana ali interferiu e está causando essa erosão”, afirmou a promotora, em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo. Promotora do MP, Almachia Zwarg Acerbi explicou sobre ação civil pública contra Prefeitura de São Vicente por causa de erosão Carlos Abelha/TV Tribuna Almachia afirmou que, entre os estudos, um diagnóstico concluído em 2012 apontou medidas a serem aplicadas pelo município, mas que, ainda segundo ela, não ocorreram. Como reflexo, há um histórico de eventos registrados nas praias entre 2023 e 2026. Entre as situações, estão ressacas com ondas acima de 3 metros e marés de sizígia, que resultaram em alagamentos de vias públicas, destruição de calçadões, danos à rede de iluminação e drenagem, além de 'ilhamento' de pessoas. Na decisão, o juiz citou um estudo do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) feito entre 2022 e 2024, que identificou o recuo da linha de costa. Segundo o documento, o recuo chega a 1,85 metro por ano em trechos da Praia dos Milionários, e também afeta quase 50% da Praia do Gonzaguinha. Dentre as obrigações determinadas pela Justiça, estão a criação de um plano de contingência com rotas de fuga, sinalização de perigo, protocolos de interdição para dias de ressaca e previsão orçamentária. Erosão nas praias de São Vicente preocupam autoridades Carlos Abelha/TV Tribuna O que diz a prefeitura? Em nota, a Prefeitura de São Vicente informou que há três anos mantém em andamento um conjunto de ações e estudos voltados ao enfrentamento da erosão costeira nas praias do Gonzaguinha e dos Milionários. “O trabalho é desenvolvido com apoio técnico-científico de instituições de referência, como a USP e a Unifesp, e inclui monitoramento da dinâmica costeira, análises sobre o avanço do mar, levantamento de alternativas de contenção e avaliação das soluções de engenharia mais adequadas para a proteção da faixa de areia e da infraestrutura urbana do entorno”, informou a prefeitura. De acordo com a administração municipal, a decisão da Justiça não considera integralmente as medidas preventivas, os estudos técnicos já em execução e o planejamento estruturado que vem sendo conduzido. Por isso, a prefeitura irá recorrer. A prefeitura pontuou que, apesar disso, apresentou os estudos, relatórios, ações executadas e o cronograma das que estão em andamento, conforme decisão liminar. “O município seguirá em contato com os órgãos de justiça para alinhar a decisão judicial com o trabalho já em andamento nesses três anos”, concluiu. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

  4. Ciclista morre após ser atropelado por caminhão no litoral de São Paulo O motorista do caminhão que atropelou e matou Lucca Guaglianone Varandas Pereira, que andava de bicicleta, pagou R$ 2 mil de fiança e foi solto após ser detido em Santos, no litoral de São Paulo. As informações constam em boletim de ocorrência (BO) sobre o caso. O acidente ocorreu por volta das 8h de terça-feira (21), entre as avenidas Coronel Joaquim Montenegro e Governador Mário Covas, no bairro Estuário. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou a morte de Lucca no local. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Conforme registrado no boletim de ocorrência, o motorista realizou o teste do etilômetro, que deu negativo para a presença de álcool no organismo. O nome dele não foi divulgado oficialmente. Lucca Guaglianone Varandas Pereira morreu após ser atropelado por caminhão em Santos. Reprodução/Redes Sociais Ainda segundo o documento, o motorista relatou que Lucca seguia na mesma direção que o caminhão, pela faixa da direita, quando ele sinalizou a intenção de fazer uma conversão à direita para acessar a via. O condutor disse à polícia que, durante a manobra, ouviu um barulho e parou o veículo, encontrando a vítima perto da roda traseira do caminhão. O caso foi registrado como homicídio culposo [quando não há intenção de matar] na direção de veículo automotor na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos. Lucca Guaglianone Varandas Pereira morreu após ser atropelado por um caminhão Reprodução VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

  5. Imposto de Renda 2026: veja como obter o informe de rendimentos no banco, empresa e INSS Ganhos com a venda ou o aluguel de imóveis exigem atenção na hora de declarar o Imposto de Renda (IR) e costumam gerar dúvidas entre contribuintes, especialmente sobre tributação e possíveis isenções. Quando uma pessoa física vende um imóvel por um valor maior do que pagou, a diferença é considerada ganho de capital e, em regra, está sujeita à cobrança de imposto, com alíquotas que variam de 15% a 22,5%. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Esse ganho é tributado pelo Imposto de Renda e precisa ser apurado logo após a venda. A seguir, veja como declarar. Como declarar o ganho O cálculo do imposto não é feito diretamente na declaração anual. Segundo Cristiano Roveda, advogado empresarial especialista em planejamento sucessório e tributário, o contribuinte deve usar o Programa de Apuração de Ganhos de Capital (GCAP), disponível no site da Receita Federal. “O imposto, se houver, deve ser pago até o último dia útil do mês seguinte à operação, e depois essas informações são importadas para a declaração anual”, afirma. Quando há isenção Apesar da tributação, há uma exceção prevista em lei. Se o valor da venda de um imóvel residencial for reinvestido na compra de outro imóvel residencial no Brasil, o contribuinte pode ter direito à isenção, desde que: o reinvestimento seja feito em até 180 dias após a venda; a isenção seja proporcional ao valor aplicado (total ou parcial); o benefício seja utilizado apenas uma vez a cada cinco anos. Rendimentos com aluguel Os valores recebidos com aluguel também são tributáveis e precisam ser declarados no Imposto de Renda, podendo chegar a uma alíquota de até 27,5%. A forma de pagamento varia: Pessoa física: imposto pago mensalmente via carnê-leão; Pessoa jurídica: imposto retido na fonte pela empresa. “Mesmo assim, os valores precisam ser informados na declaração anual”, diz o advogado. Ele também chama atenção para mudanças recentes na legislação, como a isenção para rendas mensais de até R$ 5 mil para pessoas físicas. No entanto, como o g1 mostrou, as mudanças na faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil e a redução do imposto para quem recebe até R$ 7,35 mil, aprovadas no ano passado, não estarão em vigor na declaração de ajuste anual de 2026. 🔎A explicação é que a declaração deste ano se refere a fatos geradores ocorridos em 2025, o chamado “ano-base”. A ampliação da faixa de isenção já está valendo neste ano — os contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil já deixaram de pagar IR —, mas só terá efeitos na declaração anual de ajuste em 2027. Para quem busca reduzir a carga tributária, estruturas como holdings patrimoniais podem ser uma alternativa. “A utilização de uma holding pode reduzir a tributação para cerca de 11,33%, além de ajudar na organização, na proteção e na sucessão do patrimônio”, afirma Roveda. LEIA MAIS Quando vou receber a restituição? Declaração online ou programa no computador? Veja diferenças Veja como obter o informe de rendimentos no banco, empresa e INSS Quem é obrigado a declarar o Imposto de Renda em 2026 quem recebeu rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste na declaração, cuja soma foi superior a R$ 35.584,00 no ano passado; contribuintes que receberam rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma tenha sido superior a R$ 200 mil no ano passado; quem obteve, em qualquer mês de 2025, ganho de capital na alienação de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto, ou realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma foi superior a R$ 40 mil, ou com apuração de ganhos líquidos sujeitas à incidência do imposto; quem teve isenção de imposto sobre o ganho de capital na venda de imóveis residenciais, seguido de aquisição de outro imóvel residencial no prazo de 180 dias; quem teve, em 2025, receita bruta em valor superior a R$ 177.920,00 em atividade rural; quem tinha, até 31 de dezembro de 2025, a posse ou a propriedade de bens ou direitos, inclusive terra nua, de valor total superior a R$ 800 mil; quem passou para a condição de residente no Brasil em qualquer mês e se encontrava nessa condição até 31 de dezembro de 2025; quem optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física; quem possui trust (acordo para que outra pessoa administre seus bens) no exterior; quem atualizou bens imóveis pagando ganho de capital diferenciado em dezembro/2025 (Lei nº 14.973/2024); quem auferiu rendimentos no exterior de aplicações financeiras e de lucros e dividendos; deseja atualizar bens no exterior; quem optou pela isenção do imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 dias, contado da celebração do contrato de venda, nos termos do art. 39 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Imposto de Renda 2026: como declarar ganhos com imóveis ou o reinvestimento Divulgação

  6. Influencer usa IA para sexualizar jovens evangélicas em igrejas; entenda A Polícia Civil de São Paulo investiga um influenciador digital acusado de usar inteligência artificial (IA) para manipular fotos de jovens evangélicas e inseri-las, sem autorização, em vídeos com conteúdo sexualizado dentro de igrejas da Congregação Cristã do Brasil (CCB). O g1 conversou com uma das vítimas (veja acima). Humorista, imitador de Silvio Santos e borracheiro, Jefferson de Souza, de 37 anos, é suspeito de divulgar nas redes sociais imagens de cunho sexual envolvendo mulheres e adolescentes alteradas pela técnica conhecida como deepfake. Em depoimento à polícia, ele negou a acusação (saiba mais abaixo). O que é deepfake e como ele é usado para distorcer realidade 🔎Deepfake é uma técnica que usa inteligência artificial para criar ou alterar fotos, vídeos ou áudios de forma realista, fazendo parecer que uma pessoa fez ou disse algo que nunca aconteceu. As publicações foram feitas no YouTube, onde o influenciador mantém o canal "Humor do Crente", com mais de 11 mil inscritos, além de perfis no Instagram, no Facebook e no TikTok, onde se apresenta como "Silvio Souza", numa alusão ao apresentador Silvio Santos, e reúne aproximadamente 37 mil seguidores. O inquérito foi aberto em fevereiro após uma estudante de 16 anos e seus pais procurarem a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, Zona Leste da capital paulista, para denunciar o influencer. Eles acusam Jefferson de ter alterado e erotizado a imagem da adolescente. Adolescente que tirou foto na CCB teve foto manipulada por IA para aparecer sensualizando em vídeo ao lado de outros mulheres Reprodução/Redes sociais A foto dela foi feita em 2025, em frente ao altar da CCB do Brás, no Centro de São Paulo. Na época, a jovem tinha 15 anos e usava vestido abaixo dos joelhos e salto alto — vestimenta comum nos cultos. No vídeo criado pelo influencer, além da estudante, foram inseridas outras três jovens — que ela não conhece e tampouco há confirmação de que sejam reais. As quatro aparecem com os braços erguidos e as bocas abertas. Duas delas usam minissaias, tipo de roupa que não costuma aparecer nas igrejas da CCB. “Eu vi os vídeos”, diz a jovem ao g1. “Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial, com as mulheres sensualizando na frente e [comigo] junto a elas.” Nem a identidade nem o rosto das vítimas serão divulgados nesta reportagem. O g1 procurou Jefferson, mas ele não enviou resposta até a última atualização desta reportagem. Em um vídeo nas redes sociais, ele pediu desculpas. "Eu quero pedir desculpa, pedir perdão publicamente pelos vídeos que eu andei postando", diz o influencer. "Eu confesso que errei na minha forma de falar." (leia mais abaixo). Expôs adolescentes e mulheres, diz delegada Delegada Juliana Raite Menezes, da 8ª DDM de SP Kleber Tomaz/g1 Inicialmente, o caso foi registrado como simulação de cena de sexo ou pornografia com menor de 18 anos por meio digital, conforme o artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A pena prevista é de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. Com o trabalho da polícia para identificar outras vítimas, adolescentes e adultas, Jefferson também passou a ser investigado por suspeita de difamação. “A gente está investigando esse caso de deepfake. Houve uma simulação dessas imagens dessas meninas, algumas delas adolescentes”, afirma ao g1 a delegada Juliana Raite Menezes, da 8ª DDM. A polícia analisa diversos vídeos postados pelo influencer. Geralmente ele usa como música os vídeos o hino da Congregação Cristã do Brasil. A delegada pede que outras possíveis vítimas procurem a DDM. Mais vítimas Jovem evangélica teve imagem manipulada por deep fake. Influencer usou IA para colocar mulher com roupa curta e Silvio Santos ao lado dela Reprodução/Redes sociais Outra jovem relatou à ao g1 ter sido alvo do mesmo tipo de montagem. No caso dela, o influencer usou uma foto em que ela aparece de blusa de mangas compridas e saia longa, apoiada no banco da igreja, e criou um novo vídeo. Nele, inseriu imagens de uma outra jovem com minissaia, além de Silvio Santos, vestido com o tradicional terno com microfone. Jefferson aparece comentando e criticando as roupas usadas pelas jovens. Em algumas gravações, ele veste uma camiseta com o símbolo do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), fazendo uma paródia com as letras da emissora ao se definir como: "Sou Borracheiro, Trabalhador". O influenciador também já inseriu imagens do apresentador Ratinho. Ele afirma ainda ser membro da Congregação Cristã do Brasil e faz comentários depreciativos sobre mulheres que usam véu branco, tradicional na igreja. “Já fiz várias denúncias contra essa conta [do influencer]”, diz a vítima, confirmando que também acionou as autoridades. “Já entrei com um processo com todos que estão usando minha imagem.” 'Não queria ter sido exposta', diz adolescente Garota de 16 anos foi vítima de deep fake em São Paulo Fabio Tito/g1 A estudante de 16 anos afirma que tenta superar o trauma após ter sua imagem manipulada sem consentimento. “Eu sou muito envergonhada, então não queria ter sido exposta. Eu tomo cuidado e também fico com medo disso afetar meu convívio social", afirma. Ela conta que a foto foi feita apenas como registro de um momento de fé. “Hoje em dia é bem comum tirar foto de si próprio ou tirar foto mesmo da igreja para falar que foi ao culto”, diz a garota. “Eu não tirei mais nenhuma [fotografia]. Eu não tirei mais de mim. Não tem mais nenhuma e também me gerou preocupação.” Os pais dela também relatam o impacto emocional. “Do mesmo jeito que eu senti que fui ferida por mexer com a minha filha, eu também senti isso com as outras meninas”, lamenta a mãe. “Tira o sono.” “Havia uma quantidade enorme de vítimas. Não só a minha filha”, diz o pai. “[Ele usou de] manipulação [de foto] com [vídeo de] conotação sexual que se agrava ainda mais com menores de idade... Isso tem que cessar.” A família entrou com ação na Justiça pedindo indenização por dano moral. “A apuração desse crime, bem como o processo de danos morais, é muito importante para que tenha um caráter educativo”, afirma o advogado William Valvasori. O que especialistas dizem Diretora e pesquisadora da Safernet, Juliana Cunha e Sofia Schurig, comentam casos de deepfake Kleber Tomaz/g1 Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o uso de IA não reduz a responsabilidade de quem cria ou divulga esse tipo de material. “Em casos como o do vídeo em questão [de deepfake com as evangélicas], quem o produziu com a ajuda de IA é legalmente responsável pelo conteúdo que produziu, assim como as pessoas que curtem e compartilham, ajudando a disseminá-lo”, disse a advogada Nuria López. Para a professora Laura Hauser, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o foco não deve ser o comportamento das vítimas. “Não é a vítima que tem que se cuidar. O predador que deve ser intimado a melhorar.” Segundo ela, os vídeos misturam imagens das vítimas com cenas de mulheres com pouca roupa e conotação sexual, com o objetivo de difamar. “Não dá para o investigado dizer que não tinha a intenção de ofender se as ofensas forem claras.” Polícia de SP tenta identificar e localizar mais vítimas de deepfake Reprodução/Redes sociais Sofia Schurig, pesquisadora na SaferNet Brasil _ ONG que atua na defesa dos direitos humanos na internet, recebendo denúncias e propondo políticas públicas no meio digital _ explica a origem do termo. "Deepfake é uma palavra que surge em 2017, a partir de um usuário do Reddit [plataforma onde usuários compartilham conteúdos] que começou a publicar montagens com IA generativa [que cria imagens, vídeos e músicas] de celebridades em cenas e com textos de nudez. Ele publicou uma muito famosa da Gal Gadot, a atriz norte-americana que viralizou", explica Sofia. SP registra 4 casos de deepfakes sexuais em escolas, aponta levantamento da SaferNet Para Juliana Cunha, diretora da SaferNet, casos como este tendem a crescer com o avanço da tecnologia. “É muito importante que vítimas dessa violência não se sintam culpadas”, disse Juliana. E emendou: “Sem dados, a gente não consegue influenciar mudanças de políticas públicas e de legislação.” A organização conduz, há pouco mais de um ano, uma pesquisa sobre o uso ilegal de IA para gerar imagens de nudez e sexo envolvendo adolescentes e mulheres. Jovem evangélica, de roupa preta, teve foto manipulada por IA para aparecer dançando num vídeo ao lado de uma para aparecer dançando num vídeo ao lado de mulher com minissaia inserida por IA. Influenciador digital Jefferson Souza (à esquerda) é investigado pela polícia Reprodução/Redes sociais "A internet não é uma terra sem lei. As leis que nos protegem no mundo real também se aplicam no ambiente virtual”, afirma a delegada Juliana. O inquérito, que começou na 8ª DDM da capital, foi encaminhado pela 1ª Vara de Crimes Praticados contra Crianças e Adolescentes de São Paulo à 2ª Vara da Comarca de Lençóis Paulista, no interior do estado, onde o investigado mora. O pedido foi feito pelo Ministério Público (MP). O que diz o influencer O g1 procurou Jefferson, mas ele não se pronunciou. Em um vídeo publicado no TikTok, o influencer comenta o comportamento de jovens na igreja e explica como produz os conteúdos. Moça com vestido branco teve a foto manipulada por IA por influencer. Imagem dela aparece dançando em vídeo entre duas mulheres com roupas curtas Reprodução/Redes sociais "E a menina começa até fazer pose ali, né? Como se fosse tirar uma selfie ou fazer um vídeo. Você pode ver que a maioria das irmãzinhas que vai tirar foto... é dentro da igreja, elas tiram de costa", fala. ""Algumas mostram o rosto, mas mostrando a outras partes também. E hoje em dia as roupas que as irmã usam são roupas que marcam o corpo", critica Jefferson. "Eu acho assim, não tem nada a ver, tudo bem, cada um com a sua vida, mas eu não acho certo fazer filmagem dentro da igreja." "No meu caso, eu posto os vídeos aqui quando eu comecei a fazer a brincadeira com a voz de Silvio Santos", explica o influencer na publicação. "Porque eu gravo os vídeos que eu falo da Congregação. Que eu coloco a imagem da CCB aqui atrás, que eu canto, que eu brinco. Aí eu tenho um canal (...) . Pego a foto, as irmãs postando foto de costa, aí eu jogo na IA, a IA faz dançar." "E eu faço isso. E eles falam que eu estou manchando a obra de Deus, que eu estou colocando mulheres seminuas. Mas não é, pessoal. Tem algumas que eu coloquei lá, mas é uma forma de chamar atenção para poder ganhar seguidores", continua Jefferson. Jefferson Souza usou IA para introduzir Ratinho num vídeo a partir da foto de uma fiel em frente a CCB. Também é acusado de manipular fotos de outras evangélicas as fazendo dançar sensualmente dentro das igrejas Reprodução/Redes sociais Em depoimento à polícia, por carta precatória, o influencer admitiu usar fotos de jovens evangélicas da Congregação Cristã do Brasil e ferramentas do TikTok para animar e manipular as imagens, transformando-as em vídeos. Sobre a adolescente de 16 anos que o denunciou na delegacia, afirmou desconhecer que se tratava de uma adolescente e disse que, "em razão do porte físico", acreditou que fosse "uma pessoa adulta". Também declarou que "negou ter vinculado a imagem da adolescente a fotografias de mulheres com pouca vestimenta ou a qualquer conteúdo sexualizado ou pornográfico". Ele confirmou ser responsável pelos perfis nas redes sociais e disse que produz “conteúdo humorístico”, com imitações e críticas relacionadas à igreja da qual é fiel. Segundo Jefferson, "a crítica associada à postagem representava sua opinião pessoal de que determinadas fotografias não seriam adequadas dentro da doutrina da igreja". Afirmou ainda que acreditava que o uso da imagem não causaria problemas por já estar disponível na internet e que "negou qualquer intenção ofensiva específica contra a adolescente ou contra outras pessoas fora do contexto religioso". Jefferson Souza gravou vídeo pedindo desculpas pelas críticas a CCB Reprodução/Arquivo pessoal Em outro vídeo postado no domingo de Páscoa, dia 5 de abril, Jefferson pediu "desculpas" aos "irmãos" da Congregação Cristã do Brasil pelos vídeos que postou com críticas à igreja. "Eu quero pedir desculpa, pedir perdão publicamente pelos vídeos que eu andei postando", diz o influencer. "Eu confesso que errei na minha forma de falar." Em nenhum momento ele menciona os deepfakes que fez com as adolescente e mulheres. "Eu peço perdão a todos que se sentiram ofendidos (...) Eu prometo ser mais cauteloso." O que dizem os citados Páginas de Jefferson Souza no YouTube e no TikTok nas quais critica a CCB e fez vídeos sensualizando fiéis a partir de IA Reprodução/Arquivo pessoal O SBT foi procurado pelo g1 para informar se Jefferson teve vínculo com a emissora e se adotará alguma medida pelo uso do logotipo na deepfake com as evangélicas da CCB, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem. Em nota, a Congregação Cristã do Brasil informou que não possui registro formal de membros e que apoia a adoção de medidas legais cabíveis por parte das autoridades a respeito das pessoas envolvidas. "Estamos de pleno acordo com as medidas cabíveis de justiça, que se fizerem necessárias, preservando a individualidade e, sobretudo, o respeito para com as pessoas", diz trecho do comunicado da CCB. As plataformas digitais também se manifestaram. O TikTok informou adotar tolerância zero para exploração sexual infantil e remover conteúdos desse tipo. O YouTube disse que retirou vídeos que violavam suas diretrizes. A Meta, responsável por Instagram e Facebook, não comentou. Algumas das postagens misóginas feitas por Jefferson contras as evangélicas foram retiradas recentemente por ele ou pelas empresas de tecnologia. G1 Explica: Deepfake

  7. Famosa pelos cenários deslumbrantes, a Costa do Descobrimento fica no sul da Bahia Devanir Gino/ TG Certamente, você já leu ou ouviu esta frase: "O descobrimento do Brasil ocorreu em 22 de abril de 1500, com a chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral". Mas, como se discute há décadas, o uso do verbo "descobrir" não é adequado, já que o território era habitado por indígenas mesmo antes de os navios portugueses atracarem no Monte Pascal, em Porto Seguro (BA). 📖Você sabe o que já ocorria por aqui nesta época? O que fazia parte do "cardápio" dos moradores do nosso território? Que animais eram encontrados? Havia conflitos? Neste 22 de abril, teste seus conhecimentos a partir do quiz abaixo. O que já existia no Brasil antes de 1500?

  8. Por que algumas cores variam em número e gênero, e outras não Adobe Stock Imagine que você está em uma loja de roupas, precisa descrever o que precisa para o atendente, mas trava: o correto é "blusas cinza" ou "blusas cinzas"? Se você já ficou na dúvida, saiba que não está sozinho. De acordo com professoras ouvidas pelo g1, a concordância das cores na língua portuguesa é um dos temas que mais gera insegurança nos alunos. A confusão acontece porque, enquanto algumas cores mudam a depender do gênero ou do número do objeto, outras permanecem iguais. 🔴 Vermelho, vermelha, vermelhos, vermelhas (sapatos vermelhos, camisa vermelha) 🟡 Amarelo, amarela, amarelos, amarelas (shorts amarelos, flor amarela) 🔵 azul, azuis (agasalho azul, calças azuis) 🟢 verde, verdes (salada verde, olhos verdes) 🟠 laranja (lenço laranja, peças laranja) Veja os vídeos que estão em alta no g1 As especialistas que explicam a lógica por trás das cores que "mudam" e das que ficam sempre iguais. Confira abaixo: O segredo está na origem da palavra A regra de ouro é simples: a gramática diferencia as cores que nasceram como adjetivos (aquilo que caracteriza ou qualifica algo) daquelas que são "emprestadas" de substantivos (que nomeiam seres, objetos, lugares etc.). Cores/adjetivos: Palavras como vermelho, azul, branco e amarelo são adjetivos por natureza. Por isso, elas devem concordar com o substantivo em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural). Exemplo: "calças vermelhas" ou "cadernos brancos". Cores/substantivos: Cores como laranja, rosa, vinho, cinza e café têm origem em nomes de frutas, flores ou objetos. Nesses casos, existe uma expressão "invisível" que fica implícita: "cor de...". Quando você diz "sapatos laranja", na verdade está dizendo "sapatos (da cor de) laranja". Por ser um substantivo exercendo papel de adjetivo, a palavra tende a ficar invariável. E quando a cor é composta? Se uma cor já é difícil, imagine duas! No caso de cores compostas por dois adjetivos, como "azul-claro" ou "verde-escuro", apenas o segundo elemento varia: "sapatos azul-claros" ou "blusas verde-claras". Por outro lado, se um dos elementos da cor composta for um substantivo — como em "azul-turquesa" ou "amarelo-ouro" —, a expressão inteira fica invariável: "camisas azul-turquesa". Caneta e papel ou teclados? Estudo revela o que alunos preferem "Sapatos rosas" é erro? A língua é viva e está em constante transformação. Um exemplo clássico é a cor rosa. Embora tenha origem em uma flor (substantivo), o uso no dia a dia é tão frequente que muitos gramáticos já aceitam a variação "blusas rosas". “É comum tratar essas palavras como adjetivos e fazer a concordância. Ou seja, é um caso em que a forma pode variar dependendo da interpretação e do contexto”, explica Cynthia Pichini, professora do curso de Letras e Tradutora - Intérprete da Universidade São Judas. O mesmo fenômeno começa a acontecer com o laranja. Na oralidade, já é comum ouvirmos "sapatos laranjas" ou "azuis claros". “A língua está em constante movimento. Quando uma forma começa a aparecer com frequência entre os falantes, ela pode indicar uma tendência de mudança, ainda que não seja reconhecida como padrão pela gramática”, Kelly Pitança, professora de Língua Portuguesa do Colégio Matriz Educação, complementa. Dica para não errar A professora Kelly Pitança sugere que reforçar a conexão das cores com sua classe gramatical, utilizando exemplos claros e referenciando os elementos das quais se originam (como frutas), é uma ótima maneira de não errar. Trabalhar com exemplos do dia a dia ajuda bastante, porque é possível perceber de forma prática a diferença no uso, sem precisar decorar a regra de forma isolada. Cynthia Pichini, da Universidade São Judas, reforça a dica. Ela lembra que, devido à influência de outras línguas como o inglês (onde adjetivos não variam), a tendência atual é de maior aceitação das formas invariáveis em contextos reais, o que ajuda a reduzir a confusão. Ainda assim, avaliações escolares, situações formais e vestibulares exigem um respeito mais rígido à regra, especialmente em questões de concordância nominal ou em produções de texto. Por isso, é importante saber identificar e diferenciar os aspectos da regra.

  9. Risco de suicídio é até 10 vezes maior após violência em jovens, aponta pesquisa Adobe Stock Um estudo conduzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade de Harvard, mostra que o risco de suicídio foi 10,7 vezes maior entre jovens indígenas e 3,14 vezes maior entre jovens negros após episódios de violência. Entre jovens brancos, a associação não foi estatisticamente significativa. Publicada no periódico Cambridge Prisms: Global Mental Health, a pesquisa analisou dados de mais de 92 mil pessoas com registros de violência e identificou 1.657 casos de suicídio. Os resultados evidenciam desigualdades etnorraciais marcantes e reforçam a necessidade de estratégias de prevenção que levem em conta fatores estruturais, como o racismo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Violência e suicídio: uma relação conhecida e desigual O estudo investigou como diferentes formas de violência interpessoal influenciam o risco de suicídio em jovens de 10 a 29 anos, incluindo: agressão física violência sexual violência doméstica Para isso, os pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) utilizaram dados do Cadastro Único (CadÚnico), integrados à Coorte dos 100 Milhões de Brasileiros. As informações foram cruzadas com sistemas nacionais de saúde, como o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), no período de 2011 a 2018. Segundo a pesquisadora Flávia Alves, associada ao Cidacs/Fiocruz Bahia e à Universidade de Harvard, a relação entre violência interpessoal e suicídio já era conhecida. O diferencial do estudo foi mostrar como esse vínculo se distribui de forma desigual entre grupos raciais. Ela afirma que os resultados indicam a necessidade de colocar o enfrentamento do racismo estrutural no centro das estratégias de prevenção, ao lado de ações para reduzir a violência e outros determinantes sociais. Desigualdades ampliam vulnerabilidade Os resultados mostram que jovens indígenas e negros estão mais expostos a condições que aumentam tanto a probabilidade de sofrer violência quanto o risco de desenvolver sofrimento mental. No Brasil, esses grupos enfrentam, de forma desproporcional, pobreza, segregação e acesso limitado a oportunidades educacionais e de emprego. Esse conjunto de fatores amplia a vulnerabilidade e intensifica os impactos da violência. Além disso, a experiência de violência pode desencadear efeitos psicológicos diretos, como trauma, depressão, transtorno de estresse pós-traumático e abuso de substâncias —fatores associados ao aumento do risco de suicídio. A pesquisadora destaca ainda que as taxas de suicídio na população indígena já são historicamente mais altas do que na população geral, o que reforça a necessidade de interpretar esses dados dentro de um contexto mais amplo de vulnerabilidades sociais, econômicas e históricas. E por que não houve associação entre jovens brancos? Segundo Alves, a explicação mais provável está nas diferenças de exposição à violência. Ela aponta que jovens indígenas e negros estão, em média, muito mais expostos à violência interpessoal no Brasil. A maior exposição —muitas vezes desde cedo e de forma contínua— pode gerar um efeito acumulativo ao longo da vida. Esse fenômeno, descrito por especialistas como “cronificação” da violência, pode levar a alterações persistentes na saúde mental, como hipervigilância, sensação de desesperança e estratégias de enfrentamento inadequadas, aumentando o risco de autolesão. Prevenção precisa ir além do indivíduo O estudo também alerta que políticas de prevenção do suicídio costumam se basear em evidências produzidas em países de alta renda, o que pode limitar sua eficácia em contextos como o brasileiro. Para os autores, é essencial considerar fatores estruturais, como desigualdades raciais e exposição à violência, especialmente em países de baixa e média renda. A conclusão é que estratégias eficazes de prevenção precisam ir além do nível individual e incluir ações para reduzir a violência e enfrentar as iniquidades raciais, promovendo maior equidade em saúde. LEIA TAMBÉM: Suicídio entre adolescentes aumenta de forma mais acelerada do que nas demais faixas etárias, aponta Fiocruz

  10. Dia das Mães 2026: 30 ideias de presentes por até R$ 250 Dhara Pereira/g1 Procurando presentes para sua mãe que caibam no bolso? O Guia de Compras reuniu 30 sugestões para deixar o dia dela mais feliz. Confira abaixo opções de cosméticos, produtos fitness, roupas, livros, itens criativos e vinhos, todos com preços até R$ 250. Os valores foram consultados no final de março nas principais lojas on-line. ✅Clique aqui para seguir o canal do Guia de Compras do g1 no WhatsApp Navegue na matéria pelas seções abaixo: Perfumaria Roupas Presentes criativos Fitness Livros Vinhos Perfumaria Armaf Club De Nuit Eau De Parfum 105ml O Boticário Her Code Eau de Parfum 50 ml Eudora Noir Eau de Parfum 75ml Ana Abiyedh Scarlet Lattafa Eau de Parfum 60ml Natura Una Desodorante Perfume 75ml Roupas Calça Puma Downtown Corduroy feminina Camisa feminina de algodão listrada Clock House Jaqueta feminina Facinelli com capuz off-white Macacão cinza escuro em malha crepe Marguerite Vestido midi pistache BBonnie Emanuelly Vestido verde Marfinno Presentes criativos Capa para celular personalizada GoCase Phooto Fotolivro Capa Dura Glow 15 x 19 cm Travesseiro de memória ergonômico Sestini Copo térmico Stanley Reserve Wine Pink 325 ml Rede para casal Bluestripe TokStok Fitness Mala Asics Fuji Legging de treino Mesh 120 Domyos Tênis Olympikus Curva Blusa fleece de trilha térmica Quechua Tênis Rainha Star Livros Comédias da vida privada: Antologia, por Luís Fernando Veríssimo Confissões de Santo Agostinho - Edição de Luxo Floriografia: A Linguagem Secreta Das Flores, por Jessica Roux O Morro Dos Ventos Uivantes, por Emily Brontë (edição especial capa dura) Vinhos Vinho verde Alvarinho Adega Monção Vinho tinto Amicale Vino Rosso Veneto IGT 2021 Vinho branco Chac Chac Reserva Chardonnay 2024 Vinho tinto Pueblo del Sol Pinot Noir 2024 Vinho tinto Siegel Handpicked Reserva Syrah Veja os vídeos que estão em alta no g1 Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável.

  11. Bombeiro do Serviço Florestal dos EUA tenta retardar a propagação do Fogo Dixie, um incêndio florestal perto da cidade de Greenville, Califórnia, EUA REUTERS/Fred Greaves Há décadas, a noite era um momento previsível de alívio nos combates a incêndios florestais nos Estados Unidos e no Canadá: com a queda da temperatura e o aumento da umidade, as chamas perdiam força, e os bombeiros aproveitavam para reagrupar equipes, planejar ações e avançar no controle do fogo. Esse padrão está se tornando cada vez menos confiável. Uma pesquisa publicada na última semana na revista "Science Advances" mostra que as mudanças climáticas estão enfraquecendo o ciclo natural de variação entre o dia e a noite — e que, por causa disso, os incêndios florestais na América do Norte estão ativos por mais horas a cada dia, inclusive durante períodos que antes eram de relativa calmaria. O estudo analisou dados horários de satélites para cerca de 9 mil incêndios com mais de 200 hectares registrados nos EUA e no Canadá entre 2017 e 2023. Os resultados mostram que um terço dos dias de queima ativa nas florestas boreais canadenses e nas montanhas do oeste do continente — regiões como Colúmbia Britânica, Alberta, Califórnia, Oregon e Colorado — superou 12 horas de atividade. Em 14% dos dias com atividade noturna, o pico de intensidade do fogo ocorreu justamente à noite, e não durante o dia, como seria esperado pelo padrão histórico. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Os pesquisadores também desenvolveram um modelo de aprendizado de máquina, treinado com os dados de 2017 a 2023, para estimar como as horas de queima potencial evoluíram desde 1975. A conclusão: houve um aumento de 36% nas horas anuais de queima potencial nos EUA e no Canadá ao longo de 50 anos. No oeste do continente, e especialmente na primavera e no outono, o crescimento foi ainda mais pronunciado, chegando a 48% a 57%. "O que estamos vendo é que não apenas o período de calmaria noturna está se tornando menos confiável, mas também que as horas que já eram ativas, especialmente durante o dia, podem se tornar ainda mais favoráveis à queima", explicou Kaiwei Luo, pesquisador da Universidade de Alberta, no Canadá, e autor principal do estudo, em entrevista ao g1. "Em outras palavras, o ciclo diurno está sendo enfraquecido como uma restrição ao comportamento do fogo." Segundo Luo, esse enfraquecimento provavelmente se manifesta por meio de dois mecanismos: a umidade do ar demora mais para se recuperar à noite, e o aquecimento durante o dia tornou-se assimétrico — o que permite que o fogo mantenha energia e potencial de propagação em períodos que historicamente eram de menor atividade. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Dias extremos ficaram muito mais comuns Além do aumento médio nas horas de queima, o estudo identificou um salto expressivo nos chamados dias extremos — aqueles em que as condições climáticas favorecem 12 ou mais horas de queima potencial. Nas florestas boreais do oeste do Canadá, por exemplo, os dias com 12 ou mais horas de queima potencial cresceram 81% entre 1975 e 2024. Já os dias com queima potencial por 24 horas contínuas — o equivalente a um incêndio que não arrefece nem de dia nem de noite — aumentaram 233% no mesmo período. Nas montanhas temperadas do oeste dos EUA e do Canadá, os aumentos foram de 86% e 225%, respectivamente. As regiões com tendências significativas de mudança ganharam, em média, 26 dias a mais por ano com potencial de queima ativa, além de 1,2 hora extra de queima a cada dia ativo. Mapa mostra onde as horas de queima potencial aumentaram nos EUA e no Canadá entre 1975 e 2024. Regiões em vermelho, no oeste do continente, registraram os maiores crescimentos. Luo et al., Sci. Adv. 12, eaed0725 No Arizona e no Novo México, estados do sudoeste americano, cerca de 90% das áreas combustíveis registraram ganhos de 13 a 14 horas de queima potencial por ano — com algumas células chegando a quase 40 horas a mais por ano. Os autores, contudo, foram cuidadosos ao delimitar o que o estudo pode e não pode afirmar. As tendências identificadas foram calculadas a partir de dados climáticos e meteorológicos — portanto, elas refletem especificamente a componente climática da mudança. "As mudanças climáticas são o motor da tendência meteorológica que analisamos, enquanto o manejo do território e as condições de combustível moldam com que força essa tendência se expressa em incêndios reais", disse Luo. Fatores como o acúmulo de material combustível por décadas de supressão do fogo, secas prolongadas e a expansão de áreas urbanas próximas a regiões florestais podem amplificar ou atenuar o impacto nas regiões afetadas — mas não são o motor central das tendências identificadas. Se o aquecimento global continuar no ritmo atual, o cenário deve piorar. "De maneira geral, isso significaria mais condições favoráveis à queima noturna, janelas de queima mais longas e uma probabilidade maior de comportamentos extremos e difíceis de controlar", afirmou Luo. Fumaça gerada por incêndios florestais no Canadá são vistos do alto no noroeste do Canadá em 17 de agosto de 2023 Jeff McIntosh/The Canadian Press via AP LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil

  12. Entre a saudade e a dor irreparável pela perda brutal dos filhos, Mirian Lira, de 37 anos, tenta recomeçar aos poucos um ano após a tragédia que transformou para sempre a sua vida. Ela foi uma das três vítimas de envenenamento provocado por um ovo de Páscoa, em Imperatriz (MA). Os dois filhos dela, de 7 e 13 anos, morreram em decorrência de complicações causadas pelo veneno. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Um ano após o caso que chocou o país, a história que parecia ter um desfecho rápido ainda apresenta uma lacuna. Jordélia Pereira Barbosa, acusada pelo Ministério Público do Maranhão de envenenar a família, ainda não foi julgada, após manobras feitas pela defesa. ENVENENAMENTO POR OVO DE PÁSCOA: Veja a cronologia do crime Em um novo endereço, desta vez em Palmas (TO), longe do cenário da tragédia, Mirian tenta recomeçar, ainda marcada pelo luto e pela ausência dos filhos Luís Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda, de 13, que morreram em decorrência de complicações causadas pelo envenenamento. Em entrevista ao g1, Mirian afirma que, um ano após a morte das crianças, ainda não consegue aceitar a perda precoce e descreve o impacto da ausência dos filhos no cotidiano. “Minha vida era eu e eles. Depois do que aconteceu, ficou um vazio. Até hoje eu não consigo aceitar. Quando olho as fotos e os vídeos, parece mentira, como se a qualquer momento eu fosse acordar de um pesadelo. É bem difícil. A gente fala que o momento da notícia é muito chocante, mas o dia a dia é muito mais difícil”, conta Mirian. Mirian Lira e seus dois filhos foram vítimas de envenenamento Arquivo pessoal As duas crianças comeram, junto com a mãe, o ovo de Páscoa que havia sido enviado a ela por meio de um entregador. Logo depois, ela recebeu a ligação de uma mulher não identificada, que perguntou se o doce havia sido recebido. Horas após ingerirem o chocolate, todos começaram a passar mal. Na época, Mirian tinha um relacionamento com o ex-marido de Jordélia Pereira Barbosa, apontada pelo Ministério Público do Maranhão como autora do crime. Segundo a Polícia Civil, o relacionamento teria motivado o envenenamento, já que a suspeita estaria com ciúmes e queria se vingar do ex-companheiro. Mirian Lira conta que conhecia o ex-namorado desde a juventude e que os dois haviam retomado o contato cerca de seis meses antes da tragédia. Ela afirma que, ao receber o doce, acreditou que o presente havia sido enviado por ele, já que já havia recebido chocolates dele em outras ocasiões. “Como ele já tinha me dado antes e a gente estava junto há pouco tempo, eu achei, sinceramente, que tinha sido ele que mandou. Tanto que, quando a gente comeu, eu até separei um pouco para a minha mãe e para o marido dela, porque eu tinha certeza de que era dele”, relembra. Ovo supostamente envenenado foi entregue com uma mensagem de 'Feliz Páscoa', segundo o pai da vítima Divulgação/Polícia Civil Contato que não levantou suspeitas Segundo Mirian, Jordélia Pereira Barbosa chegou a procurá-la uma vez por meio de um perfil em uma rede social, logo após o início do relacionamento com o ex-marido da acusada. Nas mensagens, ela dizia ainda ter esperanças de reatar o relacionamento e que “Deus iria cobrar dela”. Mesmo diante das mensagens, Mirian afirma que não percebeu ameaça e, por não ter contato direto com a suspeita, não imaginou que os ovos de Páscoa envenenados com chumbinho pudessem ter sido enviados por ela. “Quando ela entrou em contato comigo pela rede social, dizia que tinha esperança de voltar com ele, mesmo após dois anos de separação. Ela falava que ‘Deus ia cobrar de mim’, mas em nenhum momento entendi como ameaça, já que nunca tive contato pessoal com ela”, relata. Jordélia Pereira Barbosa, de 35 anos, foi presa por suspeita de envenenar ovo de Páscoa no Maranhão Reprodução/Redes Sociais A dor de não se despedir Luís Fernando, de 7 anos, foi o primeiro a passar mal após comer o ovo de Páscoa. Ao levá-lo ao Hospital Municipal de Imperatriz, Mirian também começou a se sentir mal e foi internada na mesma unidade, onde foi entubada e permaneceu desacordada por dois dias. Durante esse período, Evelyn Fernanda, de 13 anos, também deu entrada no hospital em estado grave. Por conta das complicações causadas pelo envenenamento, Luís Fernando não resistiu e morreu. A mãe só soube da morte do filho — descrito como carinhoso e alegre, após acordar do coma induzido, quando ele já havia sido sepultado. Evelyn ainda permaneceu internada por alguns dias, mas também não resistiu. Mesmo debilitada, Mirian conseguiu autorização médica para comparecer ao enterro da filha. Ela lembra que a menina era inteligente, companheira e sempre ajudava a cuidar do irmão. “O Luís era alegre e cheio de vida. Não parava quieto e inteligente. Era aquele filho que ficava o tempo todo agarrado, me beijando. Se eu saísse na rua, encontrasse uma florzinha ele trazia e me dava. Já a Evelyn além de filha, a minha companheira. Nós éramos muito amigas e unidas. A gente conversava sobre tudo, não tinha nenhum tabu. Meus filhos eram muitos especiais e únicos”, relembra. Luís Fernando e Evelyn Fernanda morreram em decorrência do envenenamento Arquivo pessoal Um ano após a morte dos filhos, Mirian afirma que a dor por não ter conseguido se despedir de um deles ainda é intensa. Ela também diz que, mesmo diante das provas, ainda tenta entender o que teria motivado o crime. “A gente não quer acreditar. O que vem é o ‘por quê’. Por que tanta maldade? Por que alguém toma uma decisão dessa, sendo que a gente não tinha nada contra ela, nem meus filhos? Não havia nenhum tipo de inimizade. É muito difícil de acreditar. É uma mistura de dor, raiva e revolta”, desabafa. Suspeita usou disfarces para comprar ovo de Páscoa Suspeita de envenenar ovo de Páscoa se disfarçou para comprar chocolate em loja Para tentar encobrir os rastros do crime, Jordélia Pereira Barbosa se disfarçou para comprar o ovo de chocolate e usou até um nome falso para se registrar no hotel onde ficou hospedada em Imperatriz (MA). Imagens de câmeras de segurança de uma loja mostraram Jordélia comprando o chocolate. Segundo a Polícia Civil, na época, ela disfarçou para não ser identificada. Após ter sido presa, ela confessou ter comprado o ovo, mas negou ter colocado veneno. Além disso, a suspeita ainda disse que era mulher trans e apresentou crachá falso para conseguir fazer o cadastro no hotel onde ficou hospedada na cidade. Jordélia Pereira usou um crachá em que havia uma foto dela de peruca preta, o nome falso de Gabrielle Barcelli e a inscrição ''Gastrônomia'' - com erro de acentuação - , indicando uma suposta profissão. Jordélia Pereira usou identidade falsa para tentar fazer reserva em hotel de Imperatriz (MA) Divulgação/Polícia Civil Acusada ainda não foi julgada Um ano após o caso, Jordélia Pereira Barbosa ainda não foi julgada, mas está presa desde abril de 2025. O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) aceitou a denúncia e, em setembro do mesmo ano, decidiu que ela deveria ir a júri popular. O julgamento, porém, ainda não ocorreu porque a defesa recorreu da decisão. Segundo a Corregedoria Geral da Justiça do Maranhão, o processo segue em análise no Tribunal de Justiça. Entre os pedidos, estão a anulação da decisão, a retirada do caso do júri ou a reclassificação do crime. Ao g1, Mirian afirmou que, até o momento, não foi informada sobre a data do julgamento. Ela ressalta que a sensação de justiça só será completa com a realização do júri e a definição da sentença. “A Justiça foi muito rápida e competente no início. A prisão aconteceu em poucos dias, o inquérito foi concluído rapidamente, com provas reunidas. Mas a sensação de justiça só vai se completar com o julgamento e a sentença. É o que eu espero, o que minha família espera e o que a sociedade aguarda”, finaliza Mirian.

  13. Gestantes podem fazer ultrassom morfológico de graça no Paraná O acesso gratuito ao exame de ultrassom morfológico para todas as gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passou a ser garantido em todo o Paraná com uma nova medida adotada pelo governo estadual. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o procedimento é mais completo que a ultrassonografia comum e não faz parte da tabela padrão do Ministério da Saúde. Por isso, será custeado com recursos próprios do estado. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp 🔎 O ultrassom morfológico é um exame de imagem detalhado feito durante a gravidez para avaliar a morfologia do bebê ou seja, a formação e o desenvolvimento dos órgãos como coração, cérebro e rins, além do crescimento fetal. O exame deve ser realizado, de preferência, entre a 20ª e a 24ª semana de gestação. Nesse período, permite uma análise mais precisa da formação do bebê, incluindo órgãos como coração, cérebro e rins, além de acompanhar o crescimento fetal. Paraná amplia exames no SUS e garante ultrassom morfológico para gestantes SESA LEIA TAMBÉM: Estudante, simpático e gentil: Quem era adolescente herdeiro do Grupo Barigüi que morreu Matinhos: Avô salva neto de afogamento, não consegue sair do mar sozinho e morre Gratidão: Durante refeição, criança lista atitudes da mãe que o deixam feliz e viraliza A avaliação também inclui a placenta e o fluxo sanguíneo, o que ajuda a identificar possíveis riscos para a gestante e o bebê. De acordo com a Sesa, a ampliação do acesso ao exame tem como objetivo antecipar diagnósticos e reduzir complicações durante a gestação e após o parto. A identificação precoce de alterações permite encaminhamento para atendimento especializado ainda durante a gravidez. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

  14. "Pega no laço": uma história de violência contra mulheres indígenas no Brasil Não é incomum ouvir brasileiros que possuem linhagem indígena compartilharem a história de que uma ancestral distante "foi pega no laço”. Esse é um mito que ilustra como mulheres indígenas foram ao longo de séculos submetidas a relacionamentos forçados geralmente com homens brancos. “‘Minha avó foi pega no laço’ é uma resposta da história de colonização que aconteceu e ainda acontece nesse lugar chamado Brasil, que os povos indígenas chamam de Abya Yala ou Pindorama”, conta Mirna Kambeba Omágua Yetê Anaquiri, doutora em arte e cultura visual pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), pertencente ao povo Kambeba Omágua do Amazonas. Apesar de que a palavra "mito” acabou sendo ressignificada no imaginário popular como um sinônimo de mentira, Suelen Siqueira Julio, especialista em história do Brasil Colonial e das relações de gênero, com ênfase em história indígena, conta que o termo se refere a uma narrativa para explicar a origem de algo. Ela afirma que esse mito se propagou principalmente nas regiões Sul e Sudeste. "O imaginário é do gaúcho em áreas de fronteira em contato com indígenas. É aquele cara que tem um laço boleadeira que, para caçar, joga-o e laça a pata de um animal”. No Norte e no Nordeste há outras variantes, como a de que foi pega a "dente de cachorro” ou "casco de cavalo". Todas as narrativas trazem a mesma ideia de captura brutal de mulheres indígenas. Suelen problematiza, porém, a forma trivial como esse mito é muitas vezes compartilhado. "É uma história que precisa ser contada com multiplicidade, precisa ser contada com crítica. Isso não é uma história da Disney, muitas mulheres foram, sim, pegas à força.” Por essa razão, Mirna Anaquiri afirma que se incomoda quando a abordam e contam essa história na tentativa de estabelecer alguma conexão por compartilharem a mesma ascendência. Esse tipo de relato, segundo ela, mostra como as pessoas ainda veem os povos originários. “Desejo profundamente que outras mulheres indígenas, assim como eu, sejam relacionadas com outras questões, além de um ato de extrema violência.” Mulheres indígenas marcham em direção à Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Walder Galvão/g1 DF As evidências no DNA brasileiro O artigo Admixture's impact on Brazilian population evolution and health (O impacto da miscigenação na evolução e na saúde da população brasileira, em tradução livre), publicado em 2025 na revista Science, detalhou a pesquisa que realizou o sequenciamento completo e em larga escala do genoma nacional. Foram analisados 2,7 mil brasileiros de todas as regiões do Brasil. Em termos da estrutura genética da população, os resultados evidenciaram que a linhagem paterna, expressa no cromossomo Y, presente apenas nos homens, é predominantemente (71%) europeia. Já a linhagem materna, registrada no DNA das mitocôndrias, que é transmitida apenas da mãe para os filhos, carrega 42% de ancestralidade africana e 35% indígena. Esses dados genéticos comprovam o que já havia sido documentado historicamente, sobre como homens brancos se apoderaram de mulheres negras e indígenas. Suelen Siqueira Julio lembra, porém, que apesar de essa realidade ter sido predominante, é um erro generalizar, como se todo início de família e toda relação entre mulheres indígenas tivessem sido de forma compulsória. ‘Brasil Colônia' na contemporaneidade Apesar de remeter aos anos de Brasil Colônia, afirmar que hoje as mulheres indígenas estão protegidas de violência também pode ser um equívoco. Um levantamento da Gênero e Número revelou que os registros de violência contra elas aumentaram 258% entre 2014 e 2023. A média nacional é de 207% entre as brasileiras de todas as raças no mesmo período. Os dados extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde mostram que os registros de violência sexual –que englobam casos de assédio, estupro, pornografia infantil e exploração sexual– subiram 297% entre as mulheres indígenas. Já entre as brasileiras em geral, o aumento chegou a 188%. Anaquiri cita o caso de duas mulheres Pataxó, que moravam na Aldeia Xandó, na região de Corumbau, no extremo sul da Bahia, que foram encontradas mortas na terça-feira (14/4), em Porto Seguro, para enfatizar que a violência contra mulheres indígenas ainda persiste. A artista afirma que a sociedade brasileira não deveria se calar diante dessa realidade vivenciada pelos povos originários e ainda sugere criar novos contos sobre mulheres indígenas. “Se muitas foram pegas no laço, a gente tem desatado esse nó. Se essa história foi silenciada, eu vou erguer minha voz e vou criar outras narrativas além dessas de violências e de desgraça.” Homem em cima de um cavalo segura um laço. A Imagem simboliza por muitas gerações a violência sofrida por mulheres indígenas Reprodução Suelen comenta que essa violência contra mulheres indígenas também pode ser associada à apropriação ilegal de áreas demarcadas. "Os dados são muito alarmantes e as invasões de terra permanecem. Não são casos de 1600. E essas invasões são acompanhadas de estupro”. Além disso, a especialista conta que essas mulheres, assim como o povo indígena no geral, estão expostas à vulnerabilidade social em contextos aldeados e não aldeados. “A favela é um espaço também de pessoas indígenas que migram para cidades como o Rio de Janeiro. Elas não vão morar no Leblon, elas vão morar nas favelas e nas periferias junto com a população negra.” LEIA TAMBÉM: Fauna silvestre pode indicar avanço de superbactérias fora de hospitais, diz pesquisa Maior mapeamento genético de elefantes africanos revela que expansão humana está enfraquecendo a espécie Tubarões e atuns podem 'superaquecer' com aquecimento dos oceanos; entenda

  15. Cearense que perdeu casas por vício em jogos online faz novo relato sobre os danos A cearense Assíria Macêdo, de 29 anos, diz que está vendendo tudo de dentro de casa para pagar a dívida consequência das apostas em jogos online. "A gente ainda está tentando vender o que tem", confessa a jovem que se afastou do celular, se separou do marido e perdeu duas casas para o vício após acumular dívida de cerca de R$ 50 mil. A mulher afirma que tenta vender os últimos móveis para pagar credores. Em um novo vídeo gravado do hospital onde acompanha a filha doente, ela usou um celular emprestado do ex-marido, que separou dela por conta das dívidas, para fazer um novo apelo. "Eu entendo que móveis eu consigo conquistar depois, quando eu estiver bem psicologicamente para trabalhar", desabafa. No vídeo postado no último domingo (19), Assíria conta que soube que está recebendo muitos relatos de pessoas que estão passando por situações semelhantes a dela, mas que não tem coragem de expor o problema. .Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp "E ela [amiga responsável por administrar ajuda a Assíria] me passou várias situações, de várias mensagens que ela vem recebendo de pessoas que estão na mesma situação que eu e que não tem coragem de expor, que não tem coragem de falar com ninguém, né? Tem pessoas que já perderam alguém na família por conta desse vício, por conta da ludopatia, que é o termo certo para essa doença", diz. Assíria diz que está se tratando da doença. "Eu estou muito arrependida de todas as escolhas que eu fiz. O primeiro passo é o reconhecimento", frisa. Cearense não tem mais acesso ao próprio celular A extensionista de cílios Assíria Macêdo, de 29 anos, está em busca de emprego para quitar as dívidas que contraiu por vício em jogos online. Reprodução/ Instagram Conforme a cearense, que é moradora da cidade de Fortaleza, atualmente ela está no hospital acompanhando a internação da filha mais nova e segue sem acesso ao próprio celular, onde fazia as apostas. "A gente perde realmente consciência das coisas. Faz dívida por cima de dívida e não está nem aí. Quando você vai ver não tem mais para onde ir. Quando eu tomei a consciência mesmo de quão séria estava minha situação, de tudo o que tinha acontecido, foi de três semanas a um mês para cá. Piorou mais ainda quando foram lá em casa e levaram minha televisão", falou a mulher. Ainda de acordo com a extensionista de cílios, além das perdas materiais, do abalo no relacionamento e psicológico afetado, o vício nas plataformas online a fez negligenciar os cuidados com as filhas, principalmente a mais nova. "Você perde o domínio de decisões de sua vida, que é realmente o que estava acontecendo comigo. Eu não tinha mais poder de decisão, eu não tinha mais cuidado dentro de casa, eu não tinha mais cuidado com a minha filha, eu não tinha mais cuidado sobre o meu trabalho. Eu não tinha mais cuidado sobre nada", falou Assíria Macêdo. LEIA TAMBÉM: Cearense perde casas e faz dívida de R$ 50 mil por vício em jogos online: 'Destruiu minha vida' Mulher que perdeu casas por vício em jogos online se separou do marido devido às dívidas: 'Ele não aguenta mais' Vídeo viralizado Cearense contrai dívida de R$ 50 mil e perde casas por vício em apostas online Assíria viralizou nas redes sociais na última semana, após compartilhar que havia perdido duas casas da família e feito dívida de R$ 50 mil por conta dos jogos online. Sem renda fixa e com várias contas acumuladas, Assíria, as filhas e os pais idosos estão morando de favor. O desabafo, de 11 minutos, teve mais de 200 mil visualizações e milhares de comentários. Conforme a cearense, após seu vídeo viralizar, várias pessoas que estavam passando pelas mesmas dificuldades que ela por conta dos jogos online entraram em contato, compartilhando suas histórias de perdas. "Quem está jogando, se você acha que ganha dinheiro e não tem ganância, ‘posso parar a hora que eu quero’, tem gente que pensa assim. Pare agora! Vai chegar uma hora que você não vai conseguir sair, vai chegar uma hora que você não vai ter noção do quão fundo no poço você está. Procura ajuda psicológica, psiquiátrica, procura ajuda na família, procura ajuda de um amigo", alertou Assíria. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

  16. À esquerda, a foto tirada pela missão Apollo 8. À direita, a imagem fotografada pela Artemis 2 NASA via BBC Quando o comandante da missão Apollo 8, Frank Borman, viu pela primeira vez o lado oculto da Lua pela janela da nave, em 1968, ele ficou impressionado com o seu aspecto desolador. "A superfície lunar estava terrivelmente danificada por crateras de meteoritos e detritos vulcânicos", contou ele em uma entrevista à BBC em 2018. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 "Era cinza, preta ou branca; não tinha absolutamente nenhuma cor e parecia completamente devastada." Mas, quando a nave completou sua quarta órbita ao redor da Lua, uma visão totalmente diferente surgiu de repente. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Olhamos pra cima e lá estava a Terra ao fundo, surgindo por sobre a superfície lunar. Bill Anders tirou a foto que provavelmente se tornou uma das imagens mais significativas já feitas pelo ser humano", disse Borman. "A Terra era a única coisa em todo o universo que tinha cor; foi uma visão extraordinária. Somos muito, muito sortudos por viver neste planeta." Essa foto do nascer da Terra (ou Earthrise, em inglês), como logo ficou conhecida, tornou-se uma das imagens mais reproduzidas de todos os tempos. Ao mostrar nosso planeta no contexto do deserto lunar e da imensidão do espaço, ela impulsionou o movimento ambientalista, contribuindo para a criação do Dia da Terra em 1970. Cinquenta e oito anos depois, os astronautas da Nasa registraram outra imagem impressionante da Terra "mergulhando" sob uma paisagem lunar árida: Earthset (ou "pôr da Terra", em tradução livre). Durante o sobrevoo da Lua no início deste mês, a tripulação da Artemis 2 capturou essa nova imagem do nosso frágil planeta azul na vastidão do espaço. Não se sabe quem tirou a foto desta vez, já que os quatro astronautas optaram por não atribuir as imagens a indivíduos, mas sim à tripulação como um todo. Em termos geológicos, pouco mais de meio século é praticamente um piscar de olhos. Ainda assim, as mudanças climáticas alteraram de forma significativa a superfície do nosso planeta nas últimas seis décadas. Especialistas explicam à BBC as diferenças visíveis entre as fotos do "nascer" e do "pôr" da Terra — e o que elas revelam sobre o nosso planeta ontem e hoje. Foto tirada pela tripulação da missão Artemis 2 durante um sobrevoo de sete horas ao redor da Lua. NASA via BBC Apesar do seu impacto e legado, o mais surpreendente da foto do "nascer da Terra" é que ninguém na Nasa a tinha planejado. "Eles a tiraram por acaso, não foi?", comenta a astronauta americana Sian Proctor, piloto da primeira missão espacial totalmente civil, chamada Inspiration4. "A Apollo 8 mudou a nossa forma de ver o planeta — e acho que é exatamente disso que precisamos agora: mais inspiração." Quando perguntados, na coletiva de imprensa após o lançamento da missão Artemis, sobre planos para uma nova foto do nascer da Terra, ficou claro que, desta vez, a Nasa não seria pega de surpresa. "Faremos todo o possível para que isso aconteça", respondeu Lori Glaze, responsável pela Direção de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da agência. A foto do "pôr da Terra" foi capturada pela janela da nave Orion às 18h41 no horário da costa leste dos EUA (19h41 no horário de Brasília) no dia 6 de abril, durante um sobrevoo lunar de sete horas. "O lado iluminado da Terra mostra nuvens brancas e águas azuis sobre a região da Oceania, enquanto as áreas escuras estão na noite. A imagem também revela um nível incrível de detalhe da superfície lunar, com suas crateras e bacias sobrepostas", descreve a Nasa. A imagem 'nascer da Terra' se tornou uma das mais reproduzidas de todos os tempos e impulsionou o movimento ambientalista. NASA via BBC Mudanças evidentes Ao contrário de 1968, em 2026 inúmeros satélites capturam milhares de imagens do nosso planeta todos os dias. Eles coletam dados e monitoram oceanos, terra e gelo em todo o espectro eletromagnético — das micro-ondas ao ultravioleta — muito além do que conseguimos ver a olho nu. Existe também uma transmissão contínua de vídeo a partir da Estação Espacial Internacional, e até sondas robóticas já registraram imagens da Terra a partir da Lua e de regiões ainda mais distantes. Ainda assim, o fato de o "pôr da Terra" ter sido fotogradado por seres humanos diferencia essa foto de todas as outras. Craig Donlon, responsável pelos planos da próxima geração de satélites da Agência Espacial Europeia (ESA), afirma que os humanos oferecem uma perspectiva diferente. "As imagens feitas pelo ser humano são enquadradas, focadas, e o astronauta toma decisões — conscientes e até subconscientes — ao pressionar o obturador; ele tem algo em mente", explica Donlon. "Isso gera uma emoção que nos diz: 'Uau, que maravilha, ali está a Terra, mas é ali que vivemos, ali está tudo'." A atividade humana mudou visivelmente o nosso planeta Getty Images via BBC Mas não é apenas a conexão humana que torna essas duas imagens significativas. Apesar de terem sido captadas com cerca de 58 anos de diferença, elas também ajudam a revelar como a Terra mudou nesse período. "Desde o 'nascer da Terra', os níveis de dióxido de carbono na atmosfera aumentaram em aproximadamente um terço e as temperaturas globais subiram em pelo menos 1°C", afirma Richard Allan, professor de ciências climáticas no Centro Nacional de Observação da Terra da Universidade de Reading, no Reino Unido. "O planeta se transformou à medida que as atividades humanas alteraram a textura da nossa superfície vista do espaço: a expansão das cidades, o desmatamento de florestas densas para dar lugar a áreas agrícolas mais claras e o esvaziamento do Mar de Aral, que hoje está reduzido a menos de 10% do seu tamanho na década de 1960." Parte dessas mudanças pode ser percebida até mesmo nas próprias imagens, embora a Terra esteja coberta por nuvens. "Embora correspondam a diferentes regiões do planeta, o que se observa em ambas as imagens — apesar de mostrarem áreas distintas — é a Antártida e o Oceano Austral", afirma Benjamin Wallis, da Universidade de Leeds, no Reino Unido. "A Península Antártica é uma das regiões que mais aquece na Terra, e cerca de 28.000 km de plataformas de gelo colapsaram entre a imagem anterior e a mais recente." Os estudos indicam que essas mudanças no gelo ao redor da Antártida não têm precedentes nos últimos 10.000 anos. Outras áreas do planeta onde a água existe em estado sólido — a chamada criosfera — também foram afetadas de forma semelhante. Diminuição da camada de gelo gera preocupação Getty Images via BBC "Realmente vimos mudanças drásticas", afirma Petra Heil, diretora científica do British Antarctic Survey (BAS). "Observamos, em ambos os hemisférios, uma redução significativa da camada sazonal de gelo marinho e, na América do Norte, Eurásia e Ásia, vimos uma cobertura de neve sazonal muito mais tardia, além de um derretimento mais precoce." "Acredito que, com base nas observações e nos modelos numéricos, podemos atribuir provavelmente entre 90% e 95% dessa mudança às atividades humanas", acrescenta Heil. Mas, embora tudo isso possa ser desanimador, vale lembrar que, em 1968 — apesar das imagens vindas do espaço — já havíamos causado danos ao planeta "O 'nascer da Terra' deixou muita gente fascinada com a ideia de como a Terra era bonita e de como estava sendo danificada", diz Kathleen Rogers, presidente da rede do Dia da Terra. "Lembro que, naquela época, em Los Angeles, no horário de pico, não se conseguia enxergar o outro lado da rua por causa da poluição, e nossos rios estavam em chamas." "De tão longe, a Terra parece tão perfeita e tão bonita, e depois, ao nos aproximarmos, conseguimos ver os estragos de 150 anos do que chamamos de progresso", diz Rogers. "Mas isso inspirou uma geração a redobrar esforços e fazer parte de um movimento." Frank Borman faleceu em 2023, mas o legado da sua missão Apollo 8 permanece e suas palavras continuam relevantes para uma nova geração de astronautas lunares: "Acho que nenhum de nós percebeu que iríamos até a Lua e estaríamos mais interessados em observar a Terra." *Este artigo foi publicado originalmente na BBC Future. Clique aqui para ler a versão original em inglês.

  17. Marco Alexandre Machado de Araújo, alvo da operação Lesa Pátria em Uberlândia, em 2023 Reprodução/Redes Sociais Após quatro dias no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, Marco Alexandre Machado de Araújo, de 56 anos, voltou a cumprir a pena total de 14 anos em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, nesta terça-feira (21). Ele é conhecido como um dos entusiastas do “Point Bolsonaro”.  Marco de Araújo foi condenado de forma definitiva pelo ministro Alexandre de Moraes por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Na última sexta-feira (17), ele foi conduzido ao presídio após a prisão domiciliar ser convertida em regime fechado. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirmou ao g1 que Marco Alexandre Machado de Araújo foi liberado do presídio na tarde desta terça-feira. O alvará de soltura foi expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (20). ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp De acordo com a decisão da Suprema Corte, a mudança de regime ocorreu por causa do diagnóstico de transtorno mental grave do tipo esquizoafetivo e do histórico de cumprimento das medidas cautelares. 🔎 O transtorno esquizoafetivo é uma doença mental grave que reúne sintomas de psicose, como os da esquizofrenia, e alterações de humor, como depressão ou transtorno bipolar. A condição afeta o comportamento e a vida social e profissional do paciente. O “Point Bolsonaro” era um ponto de encontro que funcionou durante as eleições de 2022 e reunia apoiadores do ex-presidente em motociatas e carreatas na Avenida Rondon Pacheco, uma das principais vias de Uberlândia. A decisão do STJ que permite a volta ao regime domiciliar estabelece restrições rigorosas: uso obrigatório de tornozeleira eletrônica; proibição de uso de redes sociais, inclusive de terceiros; proibição de contato com outros envolvidos; proibição de entrevistas sem autorização do STF; limitação de visitas apenas a advogados, pais, irmãos e pessoas previamente autorizadas. O ministro alertou que o descumprimento de qualquer uma das regras pode levar à revogação da prisão domiciliar e ao retorno imediato ao presídio. Antes da condenação definitiva, Marco de Araújo cumpriu quase dois anos em regime fechado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Desde abril de 2025, ele estava em prisão domiciliar, por decisão do STF, devido à saúde mental. Condenado não pode mais recorrer da decisão Com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, no dia 27 de março de 2026, o processo transitou em julgado. Com isso, Marco de Araújo não pode mais recorrer da condenação. A pena é de12 anos e seis meses de reclusão e 1 ano e seis meses de detenção, além de multa milionária. A condenação inclui os crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. Além da prisão, Marco de Araújo e outros condenados terão de pagar R$ 30 milhões por danos morais coletivos. O valor será destinado ao fundo previsto na Lei da Ação Civil Pública. Marco de Araújo foi alvo da 10ª fase da operação "Lesa Pátria" e preso preventivamente em abril de 2023. Durante o processo, passou por avaliações médicas e foi transferido para ala psiquiátrica, diante de indícios de transtorno mental grave. Em abril de 2025, ele passou a cumprir prisão domiciliar com medidas cautelares, respeitadas até o trânsito em julgado do processo. Mesmo após a condenação definitiva, o STF avaliou que as circunstâncias do caso justificam a manutenção da prisão domiciliar. LEIA TAMBÉM: Vereador é preso suspeito de estuprar criança durante 5 anos em MG Moraes dá 48 horas para Justiça de Uberlândia refazer cálculo de pena de réu do 8 de janeiro Juiz investigado por mandar soltar condenado que destruiu relógio em 8 de janeiro diz que 'cometeu equívoco' ASSISTA: PF prende homem que destruiu relógio de Dom João VI durante os ataques em Brasília PF prende homem que destruiu relógio de Dom João VI durante os ataques em Brasília VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

  18. Quem é Drew Baldridge, cantor country que estreia na América do Sul no rodeio de Ribeirão O Ribeirão Rodeo Music começa na quinta-feira (30) em Ribeirão Preto (SP) e reúne um time de famosos do sertanejo e do forró. Para a edição que comemora os 20 anos do evento, a organização escalou Gusttavo Lima, Bruno & Marrone, Ana Castela, Zezé Di Camargo & Luciano e Wesley Safadão. O line-up tem seis estreantes na festa: Panda, Léo Foguete, Diego & Victor Hugo, Natanzinho Lima e o projeto Serestão do Zé. O rodeio em Ribeirão Preto também recebe uma atração internacional, pela primeira vez. O cantor Drew Baldridge estreia no Brasil com sucessos do country dos EUA. Confira a programação completa. Dia 30 de abril - quinta-feira Bruno & Marrone, Ícaro & Gilmar, Matheus & Kauan e Fred & Fabrício Bruno & Marrone na Festa do Peão de Barretos 2025 Érico Andrade/g1 Dia 2 de maio - sábado Drew Baldridge (atração internacional), Matogrosso & Mathias, Panda, Wesley Safadão e Nattanzinho Lima Panda se apresenta na primeiro dia de festa no Limeira Rodeo Music Thomaz Marostegan/g1 Dia 8/5 - sexta-feira Ana Castela, Zezé Di Camargo & Luciano, Léo Foguete e Diego & Victor Hugo Ana Castela canta músicas inéditas durante gravação de DVD na Festa do Peão de Barretos Érico Andrade/g1 Dia 9/5 - sábado João Bosco & Vinícius, Nattan, Gusttavo Lima e Serestão do Zé Gusttavo Lima no Ribeirão Rodeo Music 2024 em Ribeirão Preto, SP Érico Andrade/g1 LEIA TAMBÉM: Bombou na época: Veja as músicas sertanejas mais tocadas em 2005, ano de estreia do Ribeirão Rodeo Music Ranking: Quem mais tocou no Ribeirão Rodeo Music em 20 anos? Geração Z no rodeio: quem são as atrações mais jovens e o que elas prometem no palco Estreia gringa: Quem é Drew Baldridge, cantor country que faz show em Ribeirão Preto Ingressos Os ingressos para curtir a festa estão à venda na internet. O passaporte que dá acesso à arena (pista) nas quatro noites pode ser comprado por R$ 219. A organização do evento também disponibilizou passaportes para os camarotes Black Lounge Ballantine's com ou sem bebida à vontade. Veja os preços: Black Lounge Ballantine's (sem bebida à vontade; válido para os dias 2, 8 e 9 de maio): R$ 790 Black Lounge Ballantine's (open bar; válido para os dias 30 de abril e 2, 8 e 9 de maio): R$ 1.890 O público pode optar por comprar ingressos tanto para a arena como para os camarotes Black Lounge por dia. Entre os setores há ainda o camarote Brahma, com venda por noite ou passaporte válido para os dias 2, 8 e 9 de maio ao custo de R$ 2.290. Leia mais notícias do Ribeirão Rodeo Music 2026

  19. Feminismo de dados: como Unicamp ensina a combater preconceito em algoritmos de IA Uma professora do Instituto de Computação da Unicamp criou a disciplina de pós-graduação "Feminismo de Dados" após constatar que falhas em algoritmos de Inteligência Artificial (IA) contribuíam para uma maior mortalidade de câncer de pele em pessoas negras. 👉 A iniciativa de Sandra Ávila, que começou no segundo semestre de 2025, busca debater como os dados podem perpetuar preconceitos. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp A ideia para a disciplina surgiu quando Sandra colaborava em um projeto de pesquisa para desenvolver uma ferramenta de IA que auxiliava no diagnóstico de câncer de pele. Ela percebeu que os bancos de dados usados para treinar os algoritmos não continham imagens de peles negras. Como resultado, o sistema apresentava diagnósticos menos precisos para essa população, o que, segundo o estudo, contribuía para uma maior taxa de mortalidade. A reflexão se aprofundou durante a pandemia, após a leitura do livro "Data Feminism" e o acompanhamento de debates sobre ética em IA. "Não bastava mudar o que eu estava fazendo na disciplina. Eu entendi que precisava mudar a disciplina. E mudar a disciplina significava outra disciplina", comenta. 'Dados são poder' O conceito, criado pelas autoras Catherine D’Ignazio e Lauren F. Klein, propõe uma análise de como os dados são uma forma de poder. "Feminismo de dados é sobre poder, sobre quem o tem e quem não o tem. E, no mundo de hoje, dados são poder", explica Ávila. ✊🏾 Segundo ela, o foco não é apenas em questões de gênero, mas em todos os grupos minorizados, como pessoas periféricas, negras, indígenas, com deficiência e corpos fora do padrão. Como funciona a disciplina? Com uma abordagem diferente das aulas tradicionais, a disciplina atraiu alunos de áreas como letras e engenharia de alimentos, além da computação. No início, porém, o nome causou estranhamento. "Nunca tive vaga sobrando em Aprendizado de Máquina. Mas tive em uma disciplina chamada 'Feminismo de Dados'", conta. 🖊️ As aulas acontecem em formato de roda de discussão, para estimular o diálogo, e a avaliação não tem provas tradicionais, sendo baseada na participação e em projetos desenvolvidos ao longo do semestre. “Eu queria que as pessoas não conseguissem mais não ver isso, que elas não conseguissem mais 'desver' que aquilo é um problema, então ao longo da disciplina aconteceu de as pessoas se sentirem mal de tanto problema estar sendo evidenciado”, afirma. Na prática A disciplina é baseada nos sete princípios do livro: examinar o poder; desafiar o poder; elevar a emoção e a corporalidade; repensar binarismos e hierarquias; abraçar o pluralismo; considerar o contexto; e tornar o trabalho visível. Durante as aulas, os alunos desenvolveram projetos práticos para analisar dados sob a ótica do feminismo de dados. Um dos trabalhos analisou os investimentos em pesquisa na Unicamp, enquanto outro investigou as desigualdades estruturais na própria universidade, observando a distribuição de cargos por gênero e raça. Outras iniciativas se voltaram para a inclusão, com um grupo analisando dados sobre pessoas com deficiência em Campinas e outro explorando a distribuição de empregos formais por sexo e raça no município. “A disciplina mostra que não basta consertar os modelos depois que os problemas aparecem. É preciso pensar na ética e na inclusão desde o início”, afirma. Feminismo de dados: disciplina da Unicamp ensina a combater preconceito em algoritmos de IA Unsplash/Divulgação *Estagiária sob supervisão de Gabriella Ramos. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

  20. Um ano após a morte dos irmãos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13, que morreram após consumirem um ovo de Páscoa envenenado em Imperatriz, na região tocantina do Maranhão, a acusada pelo crime, Jordélia Pereira Barbosa, ainda não foi julgada. As crianças e a mãe delas, Mirian Lira, consumiram o doce na noite de 16 de abril de 2025 e, já na madrugada do dia 17, deram entrada no hospital; Luiz Fernando morreu pouco após ser internado, enquanto a irmã, Evelyn Fernanda Rocha Silva, morreu cinco dias depois, em 22 de abril, e Mirian ficou alguns dias intubada, mas se recuperou fisicamente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Maranhão no WhatsApp Apesar da repercussão nacional e internacional do caso, Jordélia Pereira Barbosa, apontada pela Polícia Civil e acusada pelo Ministério Público do Maranhão (MP-MA) de ser a autora do envenenamento, ainda não foi levada a julgamento. A mulher está presa desde 17 de abril de 2025. Acusada de envenenar ovos de páscoa que mataram duas crianças vai a júri popular no MA Reprodução/Montagem g1 O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) aceitou a denúncia e, em setembro do mesmo ano, decidiu que ela deveria ir a júri popular. O julgamento, porém, ainda não aconteceu porque a defesa recorreu da decisão. Ao g1, a Corregedoria Geral de Justiça do Maranhão informou que o recurso foi apresentado em setembro de 2025, depois da decisão que determinou o envio do caso ao júri, e os autos foram encaminhados no dia 30 do mesmo mês. Mas o processo ainda está em análise no Tribunal de Justiça. Na prática, a defesa tenta reverter a decisão que levou a acusada a júri. Entre os pedidos, estão a anulação da decisão, a retirada do caso do júri ou a mudança da classificação do crime. O caso ainda aguarda julgamento. Por estar sob segredo de Justiça, mais detalhes não foram divulgados. O g1 também procurou o Tribunal de Justiça do Maranhão para saber o porquê de o recurso da defesa ainda não ter sido analisado, tendo em vista a repercussão do caso, mas o TJ-MA não se manifestou até a última atualização desta reportagem. Em entrevista ao g1, Mirian Lira afirmou que para ela a investigação foi rápida, com a prisão de Jordélia sendo feita poucos dias após o crime. Mas, apesar da prisão trazer um alívio para a família, a expectativa agora é pela realização do julgamento e pela definição de uma sentença para que, de fato, a justiça seja feita. “A investigação foi muito rápida, foi competente. Foi rápida a prisão, foi em questão de dias de fechar o inquérito, de ter as provas em mãos. Nessa questão, a justiça foi bem rápida, eficiente em tudo. Agora, a gente só está aguardando mesmo. Porque, de ter ela já presa, é um alívio, mas o sentimento de que a justiça seja feita é quando vier o julgamento, que vier a sentença realmente, que ela venha cumprir com o que a justiça mandar.” Mirian também disse que ainda não há previsão para a data do julgamento e que a orientação recebida é aguardar a decisão da Justiça. “O que eu falo com eles, o promotor, é que só aguardar, né? O juiz decretar uma data para o julgamento. Mas, em relação ao inquérito, foi tudo muito rápido. Em questão das provas, em questão da prisão dela, da acusada. E, sobre isso, deu um pouco de alívio. Por saber que ela estava presa, mas a sensação de que ela venha pagar mesmo é quando acontecer o julgamento e houver uma sentença declarada.” Saiba quem é a mulher acusada pelo crime Jordelia Pereira Barbosa, de 36 anos, foi presa na cidade de Santa Inês, na região do Médio Mearim. Divulgação/Redes sociais Jordélia Pereira Barbosa, de 36 anos, é mãe de um casal de filhos, uma criança e um adolescente, que teve com o ex-marido, que era companheiro de Mirian Lira, uma das vítimas do envenenamento. [CONTEXTO] Com a prisão sob acusação de ser a autora do crime, Jordélia perdeu provisoriamente a guarda dos dois filhos por decisão do juiz Alexandre Antônio José de Mesquita, da 3ª Vara de Santa Inês, que atendeu ao pedido do pai das crianças, com quem elas já viviam, ao considerar que a suspeita de duplo homicídio e a situação de prisão comprometeram a capacidade da mulher de garantir o melhor interesse dos filhos. Moradora do Centro de Santa Inês, no Vale do Pindaré, Jordélia Pereira era conhecida no ramo da beleza e possuía um estúdio de estética em casa. Em um perfil em uma rede social, Jordélia afirmava ser esteticista, atuando com estética facial e corporal, além de ser embaixadora de uma linha de cosméticos e instrutora em uma instituição de ensino profissionalizante no curso de estética, desde 2019. Com 12,5 mil seguidores em uma rede social, Jordélia Pereira compartilhava o trabalho que realizava como esteticista, além de publicar mensagens de superação e motivação. Moradora do Centro de Santa Inês, no Vale do Pindaré, ela era conhecida no ramo da beleza e mantinha um estúdio de estética em casa. Divulgação/Redes sociais A suspeita de envenenar a família também frequentava uma igreja evangélica quando era casada. Segundo relatos de alguns fiéis, o casal tinha um relacionamento conturbado, com discussões frequentes — inclusive na porta da instituição religiosa. Para os vizinhos, que conheciam Jordélia há décadas, ela era uma mulher trabalhadora e de boa índole. “Era uma pessoa muito boa, simpática, falava com todo mundo”, afirma um dos vizinhos de Jordélia, que preferiu não se identificar. Já outra conhecida da suspeita, que trabalhou com ela na instituição de ensino profissionalizante, disse que já teve desentendimentos com Jordélia, mas que não imaginava que ela cometeria algo tão grave. “Ela fez o mal pra mim, ela era uma pessoa muito mal. Todo mundo (do curso) está abalado”, relatou uma colega de curso de Jordélia, que não quis ser identificada. SAIBA MAIS SOBRE O CASO: Criança morre após comer ovo de Páscoa no MA; suspeita é de envenenamento Mãe e irmã de menino de 7 anos que morreu após comer ovo de Páscoa no MA estão entubadas Ciúme e vingança motivaram mulher a envenenar ovo de Páscoa que teria causado morte de criança no MA, apontam investigações; entenda Mãe de criança que morreu ao comer ovo de Páscoa no MA recebeu ligação após ganhar chocolate: 'Você vai saber quem é' Mulher é presa suspeita de envenenar três pessoas da mesma família com ovo de Páscoa no MA; criança de 7 anos morreu Suspeita de envenenar ovo de Páscoa no MA viajou mais de 380 km e fez degustação de trufas perto do trabalho de uma das vítimas Suspeita de envenenar ovo de Páscoa reservou hotel usando crachá com foto de peruca, nome fake e grafia errada de profissão Vídeo mostra suspeita de envenenar ovo de Páscoa que matou menino usando peruca ao comprar chocolate no Maranhão Crime motivado por cíumes Material apreendido com Jordélia Pereira Barbosa, 35 anos, suspeita de envenenar família com ovo de Páscoa no Maranhão. Divulgação/Polícia Civil do Maranhão As investigações da Polícia Civil do Maranhão concluíram que ciúme e vingança teriam motivado Jordélia Pereira a envenenar o ovo de Páscoa enviar para Mirian Lira. De acordo com a apuração, Mirian Lira estava namorando há três meses com o ex-marido de Jordélia. Esse relacionamento teria motivado o crime. A Polícia Civil do Maranhão disse que Jordélia estava com ciúmes e queria se vingar do ex-marido. Em depoimento na Delegacia Regional de Santa Inês, a mulher admitiu ter comprado o chocolate e enviado à Mirian , mas negou ter colocado veneno. Apesar da negativa, a Secretaria de Segurança do Maranhão afirmou que havia diversos indícios que apontavam Jordélia como autora do crime. Análises de imagens de câmeras de segurança, comprovantes de compras e depoimentos de familiares e pessoas ligadas às vítimas ajudaram a Polícia Civil do Maranhão a elucidar o crime e chegar até a suspeita. Ao ser presa em Santa Inês, a polícia encontrou com Jordélia Pereira com duas perucas, restos de chocolate em bolsas térmicas e um bilhete de ônibus. As provas foram anexadas no inquérito e são indícios da participação dela no caso. As amostras dos ovos de Páscoa foram coletadas e encaminhadas para análise no Instituto de Criminalística. O laudo confirmou o veneno tanto no ovo quanto nos corpos das vítimas e no material recolhido com Jordélia quando ela foi presa. Com base no laudo pericial, a polícia concluiu o inquérito e indiciou Jordélia Pereira por duplo homicídio e tentativa de homicídio por envenenamento. Relembre o crime Mãe e irmã de menino de 7 anos que morreu após comer ovo de Páscoa no MA estão entubadas Reprodução/TV Mirante A família recebeu o ovo de Páscoa na noite de 16 de abril de 2025, por meio de um motoboy, como se fosse um presente. Com o ovo havia um bilhete com a mensagem: "Com amor, para Mirian Lira. Feliz Páscoa". A mãe e os dois filhos comeram o ovo de chocolate. Após ter recebido o doce, Mirian recebeu a ligação de uma mulher, não identificada, que questionou se ela havia recebido o ovo de Páscoa. A vítima atendeu a ligação, chegou a perguntar quem falava ao telefone, mas a mulher não respondeu. Luís Fernando, de 7 anos, filho de Mirian, foi o primeiro a começar a passar mal e morreu após dar entrada no hospital. Já Mirian só começou a apresentar sintomas de envenenamento quando estava no hospital, logo após o filho ter sido entubado. As mãos da vítima começaram a ficar roxas e ela começou a sentir dificuldade de respirar. Ela foi internada na UTI do Hospital Municipal de Imperatriz. Logo após Mirian começar a passar mal, a filha dela, Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, também deu entrada no hospital com os mesmos sintomas. A menina também havia comido o ovo de Páscoa. Em 22 de abril, a adolescente morreu devido a um choque vascular, associado com a falência de vários órgãos, informou o Hospital Municipal de Imperatriz, onde ela estava internada.

  21. Alessandra e a filha Raiane Maria Silva Santos Alessandra Silva/Arquivo Pessoal Um mês após a morte de Raiane Maria Silva Santos, de 21 anos, a mãe dela Alessandra Silva cobra justiça. A jovem foi assassinada com uma facada dentro do apartamento onde morava com o namorado, em Goiânia. Moradora de Pará de Minas, Alessandra afirma que se sente silenciada diante do andamento do caso, que é investigado em outro estado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp O namorado da vítima, André Lucas da Silva Ribeiro, de 28 anos, confessou o crime e foi preso em flagrante. A investigação trata o caso como feminicídio. Jovem morta pelo namorado em Goiás é sepultada em Pará de Minas Alessandra relata a dificuldade para acompanhar e cobrar o andamento do caso à distância. Raiane foi morta na manhã de 20 de março, em um condomínio no Residencial Eldorado, em a pela Raiane. Hoje completa um mês do crime e me sinto silenciada. Sinto que o caso não está avançando como deveria, até porque a distância se mistura com o tempo. Mas eu confio que ele vai pagar pela maldade e atrocidade que fez", disse. Um mês do crime Raiane foi morta na manhã de 20 de março, em um condomínio no Residencial Eldorado, em Goiânia. Ela morava no local há duas semanas com o namorado e um amigo. Segundo Alessandra, a dor da perda se renova todos os dias. Ela relata o sofrimento de acordar e se deparar com a ausência definitiva da filha, realidade que se torna ainda mais difícil ao completar um mês do assassinato. “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente. Um mês sem minha filha e a única coisa que penso é lutar por justiça. A visibilidade que a imprensa dá é a única forma de garantir que a justiça seja feita e que o caso não fique parado. Dar atenção impede que o processo seja tratado como ‘apenas mais um papel’ na gaveta", destacou. Amigo encontrou jovem após desentendimento do casal Segundo a polícia, o amigo que dividia o apartamento ouviu uma discussão entre o casal e, em seguida, um barulho. Ao verificar o que havia ocorrido, encontrou Raiane caída no chão, desacordada, com uma mancha de sangue na região do peito. De acordo com a investigação, no dia do crime, Raiane pediu para ver o celular do namorado, por desconfiança. A discussão se intensificou e, durante o desentendimento, a jovem foi atingida com uma facada. Suspeito foi preso e confessou o crime André Lucas foi preso em flagrante e confessou o assassinato. Segundo a polícia, ele tem passagens por agressões contra outras mulheres. Antes de se entregar à polícia, ele gravou um vídeo para a própria mãe. “Mãe, eu não estava aguentando mais a Raiane, infelizmente eu matei ela. Eu não estava aguentando mais esse inferno. Eu vou me entregar para a polícia aqui”, disse. André Lucas passou por audiência de custódia, e a prisão foi mantida. A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), responsável pela defesa, informou que não comentará o caso. Quem era Raiane Nas redes sociais, Raiane era descrita como uma jovem determinada e de “coração puro”. Além de trabalhar, ela empreendia na área da beleza, com serviços de extensão de cílios e design de sobrancelhas. Também compartilhava mensagens motivacionais e reflexões sobre a vida. “Às vezes é preciso tomar novas decisões, enfrentar os medos, reorganizar prioridades e viver a vida que tanto sonha”, escreveu em uma publicação. Raiane Maria Santos, de 21 anos, foi morta pelo namorado Reprodução/Redes Sociais LEIA TAMBÉM: Jovem morta pelo namorado em Goiânia é sepultada Homem que matou namorada em Goiânia tem histórico de agressões a mulheres Jovem morta pelo namorado dentro de condomínio em Goiânia será sepultada em MG Mãe de jovem assassinada em Goiás lembra de ligação do IML sobre a morte da filha: 'Achei que era um trote' Manifestação silenciosa pede justiça por jovem morta pelo namorado em Goiás VÍDEO: Jovem foi sepultada em Pará de Minas VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

  22. Mulheres retomam produção de cerâmica indígena 'esquecida' e resgatam tradição ancestral As japuna, tipo de cerâmica usada no passado por indígenas e ribeirinhos na Amazônia para assar farinha, voltaram a ganhar forma pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade da Missão, em Tefé, no interior do Amazonas, através de um projeto desenvolvido pelo Instituto Mamirauá que busca fazer um resgate histórico e regional da prática artesanal. A iniciativa, intitulada “Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões”, foi pensada após as descobertas de peças arqueológicas em 2017, quando arqueólogos identificaram as japuna em escavações na zona urbana de Tefé. A partir desse achado e de registros históricos sobre essas cerâmicas indígenas, o grupo de pesquisa em arqueologia do Instituto Mamirauá passou a buscar mulheres da região que ainda produzissem peças em cerâmica. O objetivo era identificar se ainda existiam detentoras das técnicas tradicionais de produção de japuna. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Durante essa busca, em 2024, os arqueólogos chegaram às mulheres da comunidade da Missão. Em conversas sobre as peças, elas revelaram memórias marcantes da produção das japuna, na época, produzidas por suas mães e avós. Dona Lucila Frazão, de 69 anos, descendente do povo Miranha do Médio Solimões, herdou o conhecimento e a habilidade de ceramista de sua avó indígena. “Lembro como se fosse hoje. Cada família produzia em sua própria casa; a produção era grande, com peças de cerâmica de grande porte, e todas as mulheres, das mais novas às mais velhas, sabiam produzir. Isso me traz não apenas memórias da infância, mas também a necessidade de voltar a produzir”, conta. Cerâmica japuna produzida por mulheres no interior do Amazonas. Tácio Melo Em 2025, as atividades da cadeia operatória da japuna foram desenvolvidas com as mulheres da comunidade. Na prática, o projeto as reuniu para atuar em todas as etapas do processo, que vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas mães e avós.  “Acho que foi muito importante acompanhar algo que, para mim, só existia na teoria. Ver isso na prática foi surpreendente; elas ainda detêm esse conhecimento ancestral, adquirido por suas antepassadas", relatou a arqueóloga Geórgea Holanda.  Ao mesmo tempo em que articula conhecimentos arqueológicos e experiências atuais das ceramistas, a retomada da produção dessas peças amplia as possibilidades de geração de renda para o grupo. Além da japuna, as mulheres iniciaram a confecção de outras peças que não eram produzidas há anos, como vasos, fogareiros, fruteiras e panelas.  Alunos indígenas enfrentam salas sem cadeiras e merenda no interior do Amazonas, diz MPF Próximas etapas  O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A pesquisa permitiu reunir dados e chegar à conclusão de que as japuna produzidas pelas artesãs atualmente ainda apresentam forte semelhança com as do passado. Nesta etapa inicial, o trabalho se baseia em relatos registrados por naturalistas do século XIX, que descreveram, à época, a produção de cerâmicas, incluindo as japuna, na comunidade de Nogueira.  Em abril deste ano, os pesquisadores devem chegar à comunidade de Nogueira, na região de Tefé, com o objetivo de também identificar mulheres que ainda detêm práticas ancestrais.  Segundo a pesquisadora Inês Vitória, participar de uma pesquisa em seu próprio território vai além de uma experiência acadêmica. “Eu espero que outras pessoas conheçam a história da comunidade; histórias que não estão apenas em documentos escritos, mas vivem nas memórias dos moradores da comunidade e são histórias que merecem ser valorizadas”, relatou.  Projeto incentiva retomada da produção de japuna após achados arqueológicos. Júlia Rantigueri Mulheres produzem japuna no interior do Amazonas. Julia Ratingueri

  23. Pessoa segurando cigarro Reprodução/EPTV Os parlamentares britânicos aprovaram um projeto de lei para proibir os menores de 17 anos de comprar cigarros e vapes durante toda a vida. A Lei de Tabaco e Vapes busca impedir que qualquer pessoa nascida a partir de 1º de janeiro de 2009 (atualmente com 17 anos) comece a fumar. O ministro da Saúde, Wes Streeting, classificou a aprovação do projeto de "momento histórico para a saúde da nação", que levará à "primeira geração livre do fumo, com proteção vitalícia contra vícios e danos". Assim que receber a sanção real e tornar-se lei, a normativa dará ao governo poderes para ampliar a proibição em espaços interiores para áreas externas, como parques infantis e locais próximos de escolas e hospitais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Também dará às autoridades novos poderes para restringir os sabores e embalagens dos cigarros eletrônicos (vapes), bem como proibir seu consumo em lugares onde fumar já seja proibido. O projeto de lei é parte de uma série de iniciativas para reforçar as medidas de saúde preventiva e aliviar a pressão a longo prazo sobre o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) do Reino Unido, financiado pelo Estado. Hazel Cheeseman, diretora da instituição beneficente de saúde pública Action on Smoking and Health (ASH), disse à emissora LBC que a iniciativa é "um ponto de inflexão decisivo para a saúde pública". O governo do Partido Trabalhista introduziu em junho do ano passado uma proibição à venda de cigarros eletrônicos descartáveis, baratos e com embalagens coloridas, que os tornaram muito populares entre os jovens. Em 2022, a Nova Zelândia tornou-se o primeiro país a promulgar uma lei deste tipo contra o tabagismo, proibindo a venda de cigarros aos nascidos depois de 2008. Mas, menos de um ano depois, uma coalizão conservadora que tinha acabado de se eleger revogou a lei, em novembro de 2023. No Reino Unido, fumar causa cerca de 75 mil mortes por ano e é responsável por aproximadamente um quarto de todas as mortes, segundo o NHS.

  24. Automutilação na adolescência: qual o papel da escola na prevenção deste problema crescente? (Imagem ilustrativa) Freepik A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou, em 2025, que os problemas de saúde mental no mundo são responsáveis por 16% das doenças e lesões entre adolescentes. No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde registrou, em 2023, 13.007 notificações de violência autoprovocada, sendo 25% casos de adolescentes. Os números alarmantes indicam o aumento do fenômeno nas últimas décadas. O psicólogo clínico americano Matthew Nock, em seu estudo de 2010, definiu automutilação como todo comportamento que é realizado intencionalmente e com o conhecimento de que pode ou irá resultar em algum grau de lesão física e/ou psicológica para si mesmo. Trata-se de um dano autoinfligido que pode ser realizado com o uso ou não de objetos perfurocortantes. As áreas mais comuns onde acontecem as lesões são punhos, antebraços, coxas, barriga e pernas. Em 2020, o Ministério da Saúde lançou a “Cartilha para prevenção da automutilação e do suicídio: orientações para educadores e profissionais da saúde”, na qual é ressaltada a diferença entre a autolesão com intenção suicida e a sem intenção suicida (ASIS). As autolesões possuem funções intrapessoais, como buscar alívio da dor emocional, e funções interpessoais, como a finalidade de comunicar o próprio sofrimento e/ou pertencer a grupos. A automutilação surge como um recurso que, paradoxalmente, busca apaziguar uma dor psíquica insuportável por meio do ato de infligir-se uma dor física. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Automutilação: um problema para saúde e a educação A adolescência representa um momento de passagem, situando-se na fronteira entre a infância e a vida adulta. Ocorre, nesse período, certo desprendimento do adolescente em relação às figuras parentais e uma busca por inserção nos discursos sociais e nos grupos. Isso coloca em questão a relação dele com a alteridade: movimento que, segundo os estudiosos da área, pode provocar sentimentos de desamparo e angústia. As instituições educativas são fundamentais na construção de laços fora do seio familiar. Diante de tantas transformações corporais e psicossociais, é comum o adolescente transferir para o corpo, em ato, seu sofrimento. Ele faz isso ao invés de utilizar a palavra ou a fala como recurso de expressão. É nesse cenário que costumam aparecer as automutilações. Um fato curioso sobre a automutilação na adolescência, identificado por alguns pesquisadores do campo, é que ainda que os cortes sejam feitos pelo adolescente em outros ambientes, como em casa, é na escola que eles, com frequência, aparecem. Estudiosos indicam que os profissionais da instituição de ensino, comumente, são os primeiros adultos a perceberem as lesões. A escola por estar menos comprometida emocionalmente comparada aos pais, ao observar o adolescente, consegue, muitas vezes, detectar com mais clareza dificuldades no processo de desenvolvimento do aluno. Os professores são capazes de notar mudanças de comportamento repentinas em sala de aula como tristeza e isolamento, que se configuram como um sinal de alerta. Isso aponta a importância de o fenômeno da automutilação na adolescência ser discutido não só na esfera da saúde, mas também no campo da educação. Além disso, a escola acaba sendo um lugar favorável para tratar a problemática porque ela concentra a maior parte da população infantojuvenil e isso possibilita não só identificar riscos e danos psicossociais que assolam esse público, mas também fomentar a educação em saúde em larga escala. O estudo Em nosso projeto, realizado no Laboratório de Estudos em Família e Casal (LEFaC), do Departamento de Psicologia da PUC-Rio, investigamos a questão da autolesão em adolescentes na atualidade, a partir da percepção de profissionais que atuam na escola. Foram entrevistados 10 profissionais da área da psicologia e/ou educação que atuassem diretamente com adolescentes em escolas públicas (municipais, estaduais e federais) do estado do Rio de Janeiro. Dentre eles, professores de diferentes disciplinas, orientadores educacionais, que são pedagogos de formação e psicólogas. Os dados elucidaram como acontece o manejo da escola diante do fenômeno da automutilação na adolescência e os desafios enfrentados pelos educadores. Além disso, os resultados evidenciaram qual é o papel da escola frente a essa questão e a importância de um trabalho de cuidado em rede (família, escola e Estado). Adolescentes passam um terço do horário letivo no celular e têm prejuízos na atenção O manejo e seus desafios Os entrevistados relataram inicialmente um manejo no sentido de acolher o adolescente por meio de uma escuta empática e sem julgamentos, de modo que o jovem possa expressar seus sentimentos. Em seguida explicitaram a importância de comunicar à família sobre a automutilação, mas de maneira cuidadosa para não desencorajar outras buscas por ajuda. Ressaltaram a necessidade de orientar os responsáveis e realizar encaminhamentos a serviços de saúde mental e/ou assistência social. Por fim, a maioria dos participantes declarou que a escola faz a notificação compulsória ao Conselho Tutelar, seguindo a Lei nº 13.819/2019, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Curiosamente os entrevistados relataram um manejo que está de acordo com as diretrizes da Cartilha para prevenção da automutilação e do suicídio: orientações para educadores e profissionais da saúde, mesmo sem tê-la mencionado. Isso aponta para um saber-fazer do educador que pode ser lapidado com informações mais consistentes acerca da temática. Essa aquisição de conhecimento sistemática pode funcionar como um amparo para o profissional em sua atuação. Em geral, os entrevistados alegaram se sentirem despreparados para lidar com a problemática da automutilação. Ficou evidente a falta de uma orientação clara e técnica sobre o referido tema e a falta de formação continuada acerca das questões de saúde mental na escola. Esses fatores comumente levam a uma estigmatização do fenômeno. Alguns entrevistados denunciaram que colegas descrevem, pejorativamente, a automutilação como uma atitude do adolescente para “chamar atenção”. Essa é uma percepção pautada no senso comum que pode desembocar numa negligência do adulto face ao episódio. O fato é que o adolescente que se corta está demandando um olhar e uma atenção cuidadosa para aquilo que lhe traz sofrimento. Vínculo como dispositivo de cuidado Diante do sentimento de despreparo dos educadores e da falta de uma orientação formal sobre como lidar com o cutting, alguns profissionais acabaram apostando na relação afetiva com o estudante como uma estratégia de manejo e acolhimento. Foi assim que o vínculo apareceu como um dispositivo de cuidado. No entanto, a maior proximidade e vinculação com os alunos que se cortam desencadearam em alguns profissionais extrema preocupação e profundo mal-estar a ponto de necessitarem de acompanhamento psicológico e psiquiátrico. Por essa razão é fundamental pensar no cuidado de quem cuida! Ainda que imersos na própria angústia, os profissionais se reconheceram como figuras amparadoras fundamentais para o aluno e por isso continuam se disponibilizando para ouvi-los. Assim, escola se apresenta como um espaço potencial de acolhimento ao sofrimento dos adolescentes. Apesar da disponibilidade para lidar com fenômeno, os resultados também mostraram limitações da escola quanto a esse cuidado. Ficou evidente a sobrecarga dos educadores que, além de ter que lidar com as demandas pedagógicas, agora se veem demandados a responder questões de natureza emocional e psicológica. Esse cenário aponta para a necessidade da construção de uma rede que atue no cuidado a esses adolescentes que se cortam. Novas metas para educação básica Trabalho de cuidado em rede A rede proposta no estudo se refere à articulação entre escola, família e Estado. Esse último é representado principalmente pelas políticas públicas, pelos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), tais como os Centros de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) e pelos serviços do Sistema Único de Assistência Social, tais como os Conselhos Tutelares. Os dados indicam que a relação escola-família pode apresentar tensões por conta da confusão de papéis de cada uma no exercício da educação e cuidado aos adolescentes. Escola e família devem adotar uma postura de corresponsabilização, uma vez que têm funções interdependentes e complementares de transmissão de valores culturais e escolarização. No entanto, o que se vê nos relatos é, com frequência, uma dinâmica de culpabilização de uma sobre a outra quando o fenômeno da automutilação aparece. Essa dinâmica fragiliza o que deveria ser um trabalho de parceria entre ambas. Quando o adolescente está em tratamento por conta do cutting, a família acaba sendo o canal de comunicação entre a equipe escolar e outros profissionais externos (psicólogos clínicos, psiquiatras, assistentes sociais etc.) que cuidam do jovem, visto que o contato direto com esses é raro e acaba acontecendo via documentos. Na maioria das vezes, o que se vê são as instituições atuando de forma segmentada, pontual e pouco dialogada. A atuação limita-se à notificação compulsória e a um encaminhamento burocrático, sem o acompanhamento contínuo entre os diferentes profissionais e a família, o que provoca uma desassistência à população infantojuvenil. Isso vai na contramão do que está posto nas políticas públicas de prevenção à automutilação. A legislação propõe uma intersetorialidade, ou seja, a implicação de diferentes campos (educação, saúde, proteção social, justiça, etc) no cuidado, de maneira que ele funcione conforme o modelo de atenção psicossocial, que é amplo, coletivo e articulado. A rede pública de ensino sofre hoje com uma precarização: falta mão de obra. Alguns entrevistados denunciaram a falta de psicólogos e assistentes sociais nas escolas, apesar de isso estar previsto na lei 13.935/2019. A proposta é de um trabalho de equipe multiprofissional na educação básica, mas que não acontece na prática. Isso aponta a fragilidade da relação escola-Estado. Faz-se necessário um investimento estatal na educação, tanto em nível estrutural com recursos humanos, quanto de formação continuada. A ideia não é tornar o educador um psicoterapeuta, mas oferecer recursos e orientações sobre aspectos psicológicos para que ele consiga manejar casos de autolesão e então encaminhá-los adequadamente. É fundamental também investir na integração da rede de ensino com um sistema de saúde e proteção social de qualidade. É urgente a efetivação das políticas públicas que já existem e que propõem a construção de uma rede institucional de cuidado ao adolescente. Ficou evidente o papel amparador que a escola tem para o estudante, além do potencial de intervenção preventiva frente ao fenômeno da automutilação na adolescência. Esta pesquisa contou com o financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (Capes). *Terezinha Féres-Carneiro recebe financiamento do CNPq e Faperj. *Gabriela Meireles Macedo não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

  25. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Promessas de reduzir dívidas drasticamente — especialmente as bancárias — têm ganhado força nas redes sociais. Em vídeos e publicações, influenciadores afirmam que consumidores podem diminuir o valor devido ou até quitar débitos elevados pagando quantias pequenas. Entre as orientações mais comuns estão pedir à instituição o chamado Descritivo Evolutivo da Dívida (DDE), registrar reclamações no Banco Central ou abrir queixas na plataforma consumidor.gov.br para contestar cobranças. Especialistas ouvidos pelo g1 alertam, no entanto, que esse tipo de orientação costuma simplificar um processo que, na prática, é mais complexo e segue critérios bem definidos. ⚖️ Um dos principais recursos citados nas redes é a Lei do Superendividamento (Lei nº 14.181/2021). A norma foi criada para proteger consumidores que não conseguem pagar suas dívidas sem comprometer despesas básicas do dia a dia. A legislação, no entanto, tem limites. Segundo Gustavo Fonseca, sócio do escritório Fonseca Brasil Serrão Advogados, a legislação brasileira oferece mecanismos para lidar com o endividamento excessivo — mas eles não funcionam como um cancelamento automático das dívidas. A lei permite que o devedor apresente um plano de pagamento que preserve um valor mínimo para sua subsistência, organizando a quitação das dívidas em até cinco anos. Quem pode usar a Lei do Superendividamento? Apesar da possibilidade de renegociação judicial, a legislação estabelece limites para a aplicação do mecanismo. “A lei exige uma situação de colapso financeiro comprovado, não basta estar inadimplente ou considerar os juros altos”, afirma Fonseca. Além disso, alguns tipos de dívida ficam fora do alcance da norma. 🔒 É o caso de contratos que têm o próprio bem como garantia — como financiamentos de imóveis ou veículos, nos quais a casa ou o carro podem ser retomados pelo banco em caso de inadimplência. 🧾 Também não entram no processo créditos rurais nem débitos com o poder público, como impostos e outras obrigações fiscais. Outro requisito previsto na legislação é a boa-fé do consumidor. Isso significa que a medida não se aplica quando há indícios de fraude ou quando a pessoa assume dívidas já sabendo que não terá condições de pagá-las. O procedimento costuma envolver uma análise detalhada da situação financeira do devedor. Em muitos casos, a discussão ocorre na Justiça, com a apresentação de documentos que comprovem renda, despesas e o volume das dívidas. E contestar juros abusivos, pode? Nas redes sociais, também circulam orientações para contestar juros considerados abusivos. Alguns influenciadores sugerem que bastaria registrar reclamações em órgãos públicos para reduzir os valores cobrados pelos bancos. Especialistas, porém, afirmam que essas plataformas não têm poder para alterar contratos. 🏦 O Banco Central atua na fiscalização do sistema financeiro e pode apurar irregularidades cometidas pelas instituições; 🤝 O Consumidor.gov.br funciona como um canal de mediação entre empresas e consumidores. 🚫 Nenhum desses mecanismos, porém, pode obrigar um banco a reduzir ou cancelar uma dívida. Segundo Tiemy Kunimi, advogada do escritório Bruno Boris Advogados, a revisão de cobranças normalmente depende da identificação de alguma irregularidade no contrato ou na forma como os juros foram aplicados. “Não basta afirmar que o valor cobrado é elevado ou contestar o montante da dívida. É necessário indicar algum vício no contrato ou a falta de clareza das informações, o que pode ser demonstrado com apoio técnico.” Na prática, isso significa apontar exatamente onde está o problema — como cobranças indevidas, cláusulas abusivas ou falta de transparência — e não apenas alegar que a dívida ficou alta. Estratégias sugeridas nas redes podem trazer riscos? Para o planejador financeiro Jeff Patzlaff, parte das orientações que circulam nas redes sociais simplifica excessivamente esse processo. “A lei foi criada como um ‘colete salva-vidas’ para quem está se afogando, não como uma prancha de surfe para quem quer tirar vantagem das ondas.” Ele alerta que quem decide interromper os pagamentos deliberadamente para tentar recorrer à lei depois pode enfrentar consequências práticas. Enquanto um eventual processo tramita na Justiça — o que pode levar tempo —, os juros continuam sendo aplicados sobre a dívida. Além disso, orientações que recomendam simplesmente deixar o débito crescer ou evitar qualquer negociação podem aumentar o risco de ações de cobrança e de inclusão do consumidor em cadastros de inadimplentes. Patzlaff também alerta para o impacto que esse tipo de estratégia pode trazer para a vida financeira do devedor. Segundo ele, conteúdos nas redes sociais muitas vezes prometem soluções rápidas sem mencionar os efeitos de longo prazo: como dificuldade para alugar um imóvel, obter crédito ou lidar com eventuais bloqueios judiciais de contas bancárias. “Paz mental tem um valor incalculável para quem quer prosperar. Tratar a lei como se fosse um truque para enganar o sistema não é inteligente. Entrar na lei do superendividamento significa colocar um juiz para mandar no seu salário por meia década.” carteira dívida contas dinheiro pagamento e-commerce boleto Freepik

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